Carta Aos Romanos



Baixar 0.81 Mb.
Página4/23
Encontro26.02.2018
Tamanho0.81 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   23

Uma Olhada Retroativa

Neste estudo do livro de Romanos queremos assimilar tanto quanto seja possível daquilo que já aprendemos. Daremos, pois, uma vista geral do primeiro capítulo como um todo. Já vimos que é possível reconhecer o seguinte esquema:




  • versículos 1 a 7; saudações e exposição sumária de todo o evangelho.

  • versículos 8 a 15: interesse pessoal de Paulo nos romanos e seu senso de obrigação para com eles e todos os homens.

  • versículos 16 e 17: o que é e o que comporta o evangelho.

  • versículos 21 a 23: corrupção da sabedoria.

  • versículos 24 a 32: resultado da ingratidão humana e do esquecimento de Deus.

Uma cuidadosa leitura do capítulo exibe-nos a idéia principal: Deus, mediante a criação, deu-Se a conhecer a toda alma, e até o mais degradado pagão se sente culpado e digno de morte por sua maldade. "Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem." (verso 32). "Portanto, és inescusável, ó homem..." Essa idéia diretriz contida no primeiro capítulo deveria estar bem presente na mente antes de se iniciar o estudo do segundo capítulo, porquanto esse é uma continuação do primeiro e depende dele.



Uma Visão Mais Abarcante - Romanos 2:1 a 11



1 Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?

2 Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.

3 E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?

4 De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.

5 Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.)

6 Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo?

7 E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador?

8 E por que não dizemos, como alguns, caluniosamente, afirmam que o fazemos: Pratiquemos males para que venham bens? A condenação destes é justa.

9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado;

10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer,

11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus;

Reconhecendo a culpa – A veracidade da afirmação do apóstolo é facilmente verificável no que diz respeito aos pagãos e suas obras, no sentido de que eles sabem que seus atos são dignos de morte. Quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, tiveram medo de encontrar-se com Deus e se esconderam. O temor é uma conseqüência essencial da culpa e a prova de sua existência. "Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor." (I João 4:18). "Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga; mas o justo é intrépido como o leão." (Prov. 28:1). Se os pagãos não soubessem de sua culpa, não esperariam castigo por roubar ou matar, nem se armariam para defender-se.
Uma acusação demolidora – É incrivelmente engenhosa a maneira pela qual o apóstolo esboça a acusação do primeiro versículo. O primeiro capítulo é dedicado aos pagãos. Todos concordarão com a afirmação apostólica de que eles são culpados da mais abominável maldade. A exclamação quase involuntária que nos vem à mente é: "Que pena que não tenham maior conhecimento!" Porém, o apóstolo replica: "Têm eles tal conhecimento", ou ao menos, têm a oportunidade de obtê-lo e sabem que não estão agindo bem; assim, são imperdoáveis. À parte do que cada um pensa sobre a responsabilidade dos pagãos, todos estão de acordo em que suas práticas são condenáveis.
Então vem a esmagadora réplica: " Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas..." Aí fomos apanhados; não temos escapatória. Se temos a sabedoria necessária para condenar as ações ímpias dos pagãos, então, por esse mesmo juízo, reconhecemo-nos sem desculpas por nossas más ações.
Todos igualmente culpados – "Praticas as próprias coisas que condenas." Está muito claro que todo aquele que sabe o bastante para condenar o mal em outro, fica sem desculpa para seus próprios pecados, porém, nem todos se dão conta imediata de que aquele que julga a outro faz as mesmas coisas. Leia, pois, uma vez mais, os últimos versos do primeiro capítulo e compare os pecados dessa lista com os enumerados em Gálatas 5:19 a 21. É evidente que as coisas que os pagãos praticam e mediante as quais podemos prontamente ver que são culpáveis, não são outras que as obras da carne. São pecados que vêm "de dentro, do coração dos homens" (Marcos 7:21 a 23). Todo aquele que esteja incluso na palavra "homem", é sujeito às mesmas coisas. "O Senhor olha dos céus; vê todos os filhos dos homens; do lugar de Sua morada, observa todos os moradores da Terra, Ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras." (Sal. 33:13 a 15)
Todos estão condenados – Posto que todos os homens sejam participantes de uma mesma natureza, é evidente que qualquer um que condene outro por má ação sentencia-se, uma vez que a verdade é que todos têm o mesmo mal em si mesmos, mais ou menos desenvolvido. O fato de saberem o bastante para julgar que uma coisa é má, testifica que eles próprios merecem o castigo que crêem deva ser aplicado àquele a quem julgam.
Simpatia, não condenação – O que rouba, mais de uma vez grita: "Peguem o ladrão!", indicando astutamente outro homem com o fim de alhear a atenção de si mesmo. Alguns condenam o pecado nos demais a fim de dissipar a suspeita de que eles mesmos são condenáveis pelas coisas que reprovam. Por outro lado, freqüentemente o homem tenta desculpar os pecados aos quais se sente mais inclinado, condenando aqueles para os quais não tem especial disposição. Porém, é realmente culpado deles em razão de sua natureza humana. Visto que a carne de todo homem é a mesma, deveríamos agir com humildade e não com desprezo quando ouvimos acerca do cometimento de um grande pecado, visto ser essa a real imagem do que há em nossos corações. Em vez de dizer: "Graças Te dou, ó Deus, porque não sou como os demais homens", deveríamos levar as cargas dos que erram, cuidando de nós mesmos para que não suceda sermos também tentados. Repetidamente o homem, cuja debilidade nos sentimos tão inclinados a condenar, não caiu tão baixo como sucederia conosco se fôssemos tentados da mesma maneira e em grau semelhante.
Clamor contra o pecado – No livro O Peregrino, quando Loquaz deixou que Fiel decidisse o tema da conversa, esse propôs a seguinte questão: "Como se manifesta a graça de Deus no coração do homem?" O autor da obra (John Bunyan) prossegue nestes termos:


  • Fiel: Percebo que nosso tema de conversação deve ter relação com o poder da graça. Bem, esse tema é muito bom. Vou responder-lhe com grande contentamento. Em resumo, esta é a minha opinião: Primeiramente, quando a graça de Deus está no coração, gera ali um clamor contra o pecado. Em segundo lugar, um aborrecimento do pecado...




  • Loquaz reage. Como? Que diferença há entre o clamor contra o pecado e seu aborrecimento?




  • Fiel: Muita, em verdade! Um homem pode clamar contra o pecado porque assim exige a situação, mas carecer de um autêntico aborrecimento do mesmo. Já presenciei grandes demonstrações de clamor do púlpito contra o pecado; pecado, não obstante, que pode muito bem residir em seu coração, em sua casa e em sua conversação. A mulher que tentou José bradou como se houvesse sido um padrão de castidade. Todavia, bem sabemos de sua disposição para praticar atos impuros com ele.

Um agudo discernimento entre o bem e o mal e uma enérgica denúncia do pecado jamais justificarão o homem. Pelo contrário, contribuem para agravar sua condenação. É um fato lamentável que muitos dos assim chamados reformadores de nossos dias parecem crer que a obra do evangelho consiste toda ela em denunciar as más práticas dos outros. Porém, um detetive não é um ministro do evangelho.


Juízo segundo a verdade – "Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas." "Alto!", diz alguém, "não estou certo sobre se 'sabemos' tal coisa." Bem, você pode facilmente sentir-se seguro de que:


  1. Deus existe. Sobre isso estamos de acordo.

  2. Ele é a fonte donde procede todo ser criado.

  3. Toda criatura é absolutamente dependente dEle. "Nele vivemos, nos movemos e existimos."

  4. Visto que toda vida depende dEle, é natural que a continuação da vida do homem dependa de sua harmonia e união com Deus.

  5. Portanto, o próprio caráter de Deus deve ser a norma de juízo.

  6. Deus mesmo é a verdade. "NEle não há injustiça."

  7. Deus Se revelou – a Si mesmo e à Sua justiça – a todos os homens. "O Senhor fez notória a Sua salvação; manifestou a Sua justiça perante os olhos das nações." (Sal. 98:2)

  8. Logo, todo homem, grande ou pequeno, fica sem desculpas para o seu pecado.

  9. Conseguintemente, quando Deus julga a todos os homens, sem exceção, Seu juízo é de acordo com a verdade. E a Terra se verá constrangida a unir-se ao Céu no clamor: "Tu és justo, Tu que és e que eras, o Santo, pois julgaste estas coisas."... Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os Teus juízos." (Apoc. 16: 5 e 7)


Sem escapatória – Ninguém deve pensar que pode escapar ao justo juízo de Deus. Comumente, são os mais ilustrados que crêem poder safar-se. É-nos tão fácil pensar que nosso grande conhecimento do bem e do mal nos será contado por justiça; tão fácil convencer-nos de que em virtude de nossa condenação dos pecados alheios, o Senhor achará que jamais poderíamos ser culpados desses pecados... Porém, em realidade, isso não faz mais do que aumentar nossa condenação.
O primeiro capítulo de Romanos solapa desde as bases todos os apoios sobre os quais o homem tenta sustentar-se. Se a "classe baixa" é tida justamente por culpável, não há escape para a "classe superior". "Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más." (Ecles. 12:14).
A bondade de Deus conduz ao arrependimento – "Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" Deus é a perfeição da pureza e da santidade; o homem é completa-mente pecaminoso. Deus tem conhecimento de todo pecado, mas não despreza o pecador. "Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele." (João 3:17). Cristo disse: "Se alguém ouvir as Minhas palavras e não as guardar, Eu não o julgo." (João 12:47)
Em tudo quanto o Salvador disse e fez, não fez nada mais do que representar o Pai. Deus "é longânimo para conosco", "e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor (II Ped. 3:9 e 15), É impossível que alguém considere a bondade e a paciência de Deus sem humilhar-se e ser levado ao arrependimento. Quando consideramos a ternura com que Deus nos trata, é-nos impossível manifestar aspereza para com nossos semelhantes. Se não julgarmos, não seremos julgados (Luc. 6:37).
O arrependimento é um dom – "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus." (Efés. 2:8). "O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-O num madeiro. Deus, porém, com a Sua destra, O exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados." (Atos 5:30 e 31). Porém, não foi somente a Israel que Deus deu arrependimento mediante Cristo. "DEle todos os profetas dão testemunho de que, por meio de Seu nome, todo aquele que nEle crê recebe remissão de pecados." (Atos 10:43). Tão claramen-te Deus fez conhecer isso que até os judeus exclusivistas se viram obrigados a exclamar: "Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida." (Atos 11;18).
Estímulos ao arrependimento – A bondade de Deus leva o homem ao arrependimento. Portanto, toda a Terra está cheia de estímulos para que o pecador se arrependa, já que "a Terra está cheia da bondade do Senhor" (Sal. 33:5). "A Terra, Senhor, está cheia da Tua bondade..." (Sal. 119:64) Pode-se conhecer a Deus mediante Suas obras. Deus é amor. Toda a criação revela o amor e a misericórdia de Deus.
Não devemos tentar corrigir as Escrituras e dizer que a bondade de Deus tenda a levar o homem ao arrependimento. A Bíblia diz que ela o faz, que guia ao arrependimento tão seguramente quanto o fato de que Deus é bom. Porém, nem todos se arrependem. Por quê? Porque desprezam as riquezas da benignidade, paciência e benevolência divinas, e escapam da misericordiosa guia do Senhor. Entretanto, todo aquele que não resistir ao Senhor será guiado com segurança ao arrependimento e salvação.
Acumulando ira sobre si – Vimos no primeiro capítulo que "a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens..." Portanto, todos os que pecam estão acumulando ira sobre si mesmos. Deus é verdadeiro no juízo. O homem recebe tão-somente por aquilo que cometeu. Deus não é arbitrário. Não baixou decretos caprichosos de forma que todo o que os viole seja objeto de Sua vingança. Não! O castigo dos ímpios será o resultado de sua própria escolha. Deus é a única fonte de vida. Sua vida é paz. Quando o homem a rechaça, a única alternativa é ira e morte. "Porquanto aborreceram o conhecimento e não preferiram o temor do Senhor; não quiseram o Meu conselho e desprezaram toda a Minha repreensão. Portanto, comerão do fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão. Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição." (Prov. 1:29-32) A aflição e a morte estão ligadas ao pecado; quando o homem repudia a Deus, é isso o que ele escolhe.
"Conforme suas obras" – Os incrédulos costumam afirmar que não é justo que Deus condene o homem simplesmente porque esse não crê em certas coisas. Porém, Deus não faz isso. Não é possível encontrar em toda a Bíblia nem uma só palavra portando o propósito de julgar um homem de acordo com sua crença. Encontramos em muitos lugares da Bíblia a afirmação de que todos serão julgados de acordo com suas obras. "Porque o Filho do Homem há de vir na glória de Seu Pai, com os Seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras." (Mat. 16:27) "E eis que venho sem demora, e Comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras." (Apoc. 22:12). Ele "julga segundo as obras de cada um" (I Ped. 1:17).
O homem que diz que sua obra é justa, coloca-se a si mesmo como juiz em lugar de Deus, que diz que todo o homem está errado. Apenas Deus é juiz e Ele julga em estrito acordo com a obra do homem; então, a obra do homem é determinada por sua fé. " A obra de Deus é esta: que creiais nAquele que por Ele foi enviado." (João 6:29). Não é prerrogativa do homem julgar-se a si mesmo e concluir que sua obra é justa. O que lhe toca, por outro lado, é confiar unicamente na bondade e misericórdia do Senhor, a fim de que Sua obra seja feita em Deus.
Imortalidade e vida eterna – Deus concederá a vida eterna àqueles que buscam glória, honra e imortalidade. "... Nosso Salvador Cristo Jesus... trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho." (II Tim. 1:10). A vida e a imortalidade são duas coisas diferentes. Todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna. "E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3)
Temos vida eterna tão logo conhecemos ao Senhor, porém, não podemos ter a imortalidade até que o Senhor regresse, no dia final. "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade." (I Cor. 15:51 a 53)
Devemos buscar a imortalidade; isso é em si mesmo uma prova de que ninguém a possui agora. Posto que Deus a trouxe à luz pelo evangelho, é evidente que só e exclusivamente mediante o evangelho pode-se possuir imortalidade, de maneira que nunca a terão os que não o aceitam.

Tribulação e angústia - Os que pecam são filhos da ira (Efésios 2:3). O pesar e a ira, a tribulação e a angústia, alcançarão com certeza os que fazem o mal. Porém a tribulação e a angústia terão um final. O fato de que somente os que são de Cristo recebem – em Sua vinda – a imortalidade, demonstra que todos os demais deixarão finalmente de existir. Haverá tormento em relação ao castigo dos ímpios, porém esse, dure quanto durar, chegará ao fim com a destruição dos malfeitores. A indignação divina terá um final. "... Porque daqui a bem pouco se cumprirá a Minha indignação e a Minha ira, para a consumir." (Isaías 10:25) "Vai, pois, povo Meu, entra nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Pois eis que o Senhor sai do Seu lugar, para castigar a iniqüidade dos moradores da terra; a terra descobrirá o sangue que embebeu e já não encobrirá aqueles que foram mortos." (Isaías 26:20 e 21) "Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a Sua ira." (Salmo 103:9) Sua ira cessará, não por que Ele Se tenha reconciliado com a iniqüidade, mas porque a iniqüidade, junto com seus praticantes, chegará ao fim.
A todos – A tribulação e a angústia virão "sobre todos os que praticam o mal", e glória, honra e paz a "qualquer que faça o bem". Ninguém é esquecido. Não existe uma alma tão pobre e ignorante que seja passada por alto, nem tampouco ninguém tão poderoso e instruído que escape. A riqueza e a posição carecerão de influência naquele tribunal. Deus Se revelou tão claramente que toda alma teve a oportunidade de conhecê-Lo. "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça." Observe que Sua ira é dirigida contra o pecado. Somente aqueles que se apegaram ao pecado a sofrerão; somente os que não permitiram que Deus lhes expiasse os pecados. Assim fazendo, na eliminação final do pecado, serão inevitavelmente extirpados com ele.
Primeiramente do judeu – A afirmação é bastante para ilustrar que Deus não faz acepção de pessoas. Com efeito, o apóstolo declara, como conclusão necessária, que "Deus não faz acepção de pessoas". A expressão "primeiramente" nem sempre se refere ao tempo. Falamos do 'primeiro-ministro' de um país não por que não houvesse outros ministros antes dele, mas porque ele é o principal. O "primeiro da classe" significa o melhor aluno. Os judeus foram os que tiveram a maior revelação, portanto, é justo que sejam os primeiros no juízo.
O texto, não obstante, mostra que Deus não confere trato especial aos judeus em relação a outros homens. Se a glória, a honra e a paz chegam primeiramente para o judeu, o mesmo acontece com a ira, a tribulação e a angústia. A questão não é: "De que nacionalidade é?", mas "o que fez?" Deus julgará a cada um segundo as suas obras, já que não há "acepção de pessoas para com Ele".
Umas poucas palavras bastarão para relembrar o que temos estudado até aqui. O primeiro capítulo de Romanos pode resumir-se como o conhecimento da condição de quem não conhece a Deus e de como perderam esse conhecimento, aliado ao fato de que carecem totalmente de desculpa. Então, quando estamos dispostos a levar, horrorizados, as mãos à cabeça e condená-los por sua maldade, o apóstolo se volta para nós e fecha nossa boca com a cortante afirmação: "Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas."
O segundo capítulo mostra que todos terão que se ver com o justo juízo de Deus, porque "não há acepção de pessoas para com Deus". Assim vemos a confirmação do fato da imparcialidade de Deus, mediante a comparação de ambas as classes no juízo.
12 Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados.

13 Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

14 Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.

15 Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,

16 no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.
"Sem lei" e "na lei"– Embora seja correto que quando vier o Senhor pela segunda vez, não haverá ninguém sobre a Terra que não tenha ouvido a pregação da palavra, é um fato que milhões e milhões morrerão sem saber nada da Bíblia. Trata-se daqueles aos quais o apóstolo como estando "sem lei". Porém, fica claro que de nenhuma forma estão sem lei, mas somente sem a lei escrita. Nos versículos seguintes é afirmado que eles têm certo conhecimento da lei, como prova também o fato de que são tidos por pecadores; sabemos que o "mas o pecado não é levado em conta quando não há lei". (Romanos 5:13)
Todo pecado é castigado – Tenham eles a lei escrita ou não, todos são considerados pecadores. "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens..." (Romanos 1:18) É dito que os pagãos não têm desculpas; e se aqueles que não possuem a lei escrita são indesculpáveis, os que a têm ao alcance das mãos, desde logo, são mais inescusáveis. Deus é justo. "Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas." (Romanos 2:2) Assim, todo o que peca, seja com a lei ou sem ela, deve ser castigado.

Ficou demonstrado que "sem lei" não significa sem nenhum conhecimento de Deus. O primeiro capítulo estabelece essa verdade. O problema de muitos que lêem essa afirmação, segundo a qual os homens serão castigados igualmente - o que não lhes parece justo -, é que se esquecem, ou ignoram, o conteúdo do primeiro capítulo. É um grande erro tomar isoladamente um versículo da Bíblia, separando-o de seu contexto.


Perecerão – Essa será a sorte dos ímpios. O apóstolo Pedro nos diz que os céus e a Terra estão "entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios" (II Pedro 3:7). O que significa "perecerão"? Exatamente o contrário de existir para sempre. Em certa ocasião, alguns homens falaram a Jesus sobre os galileus cujo sangue Pilatos mesclara com seus sacrifícios. A

resposta de Cristo foi: "Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis." (Lucas 13:1-3) "Os ímpios, no entanto, perecerão, e os inimigos do Senhor serão como o viço das pastagens; serão aniquilados e se desfarão em fumaça." (Salmo 37:20). Assim, a afirmação de que aquele que peca perecerá significa que morrerá, que será totalmente extinto; "serão como se nunca tivessem sido." (Obadias 16)


Estrita imparcialidade – Implica em estrita justiça. Os pecadores serão castigados, vivam eles em terras pagãs ou nas chamadas cristãs. Porém, ninguém será julgado por aquilo que não conheceu. Deus não castiga a ninguém pela violação de uma lei da qual esse não tenha tido conhecimento, nem o tem por responsável pela luz que não brilhou sobre ele. É evidente que os que têm a lei devem possuir conhecimento de muitas coisas que não estão ao alcance de quem não a desfruta em forma escrita. Todo homem tem luz suficiente para saber que é um pecador; todavia, a lei escrita oferece a quem tem o conhecimento muitos pormenores que escapam à percepção de quem não a tem.
Portanto, Deus, em Sua justiça, não considera esses últimos responsáveis pelas muitas coisas pelas quais serão julgados os primeiros. "Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados." (Romanos 2:12) Quem repeliu a luz, seja em que medida for, é naturalmente culpado.
A raiz do pecado – Parece injusto a alguns que aqueles que desfrutaram de uma luz comparativamente pequena tenham de sofrer a morte por seus pecados, da mesma forma que a merecerão aqueles que pecarão contra uma luz maior. A dificuldade ocorre porque não consideram apropriadamente o que é, em realidade, o pecado. Somente Deus é bom (Lucas 18:19). Ele é a fonte da bondade. Quando a bondade aparece no homem, seja de que forma for, trata-se unicamente da obra de Deus nele.

Porém, Ele é também fonte de vida. Toda vida tem nEle sua origem (Sal. 36:9). A vida de Deus é justiça, de maneira que não pode existir qualquer justiça à margem da vida de Deus. Fica então evidente que se alguém rejeita a Deus, aliena-se totalmente da vida. Não importa que tenha tido relativamente pouco conhecimento de Deus; se repele a luz, rechaça a Deus e a vida com Ele. Ao repudiar o pouco que conhece de Deus, demonstra que em qualquer caso se contraporia a Ele.





Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   23


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal