Carta Aos Romanos



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Introdução

Não nos cabe realmente dizer que completamos o estudo dos dois primeiros capítulos, posto que nunca poderemos concluir o estudo de nenhuma porção da Bíblia. Depois de termos nos dedicado à mais profunda investigação de alguma parte da Escritura, não fizemos, em realidade, nada mais que começar. Se Newton, depois de haver dedicado sua longa vida ao estudo das ciências naturais, pôde dizer que se sentia como um menino brincando na areia da praia, com todo o vasto oceano ante si para descobrir, o que nos caberá dizer do mais aplicado estudante da Bíblia?


Portanto, nunca pense que de alguma maneira haja esgotado essa parte do estudo. Quando tiver o texto bem gravado em sua mente, de modo que possa recordar com facilidade qualquer das passagens e localizar-se com referência ao seu contexto, você terá chegado justamente ao ponto de partida, desde o qual poderá começar a estudar com verdadeiro proveito. Conseguintemente, você que está ansioso por adquirir um conhecimento pessoal das Escrituras, centralize-se nas palavras como se estivesse cavando num lugar em que tivesse a certeza de encontrar um tesouro, já que uma riqueza autenticamente inesgotável o aguarda em sua busca.
O primeiro versículo é um resumo de todo o segundo capítulo. "Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas." (Rom. 2:1) Os versículos que se seguem são um desenvolvimento de tal afirmação. Assim vemos que não há exceção ao fato da manifestação da ira de Deus, desde o Céu, contra toda injustiça e impiedade dos homens. Ouvir e conhecer a verdade não substitui sua prática. Deus não faz acepção de pessoas, mas castigará o pecado onde esse existir.
Aceitos perante Deus – Pedro fez essa afirmação na casa de Cornélio: "Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo Lhe é aceitável." (Atos 10:34 e 35). Há pessoas em terras pagãs que podem não ter ouvido jamais o nome de Deus, nem ter visto uma única linha de Sua palavra escrita, e serão salvas. Deus Se revela nas obras da criação e aqueles que aceitam o que sabem dEle, são tão aprovados pelo Senhor como os que O conhecem em muito maior profundeza.
Perguntas respondidas – A primeira parte do terceiro capítulo de Romanos consiste em perguntas e respostas. Se você ler com atenção as epístolas de Paulo, observará a freqüente inclusão de perguntas em meio à argumentação. São providas respostas para toda objeção possível. O apóstolo faz a pergunta que o oponente eventualmente esboçaria, para respondê-la em seguida, reforçando desse modo a argumentação. Assim, nos versos seguintes, faz-se mui evidente que as verdades expostas no segundo capítulo não deveriam ser nada agradáveis para os fariseus, e que esses as combateriam com todas as suas forças. As perguntas colocadas pelo apóstolo não são a expressão de qualquer perplexidade em sua própria mente, como bem mostra a disposição estabelecida no verso 5: "Falo como homem." Com isso em mente, leiamos Romanos 3:1 a 18:

1 Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?

2 Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.

3 E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?

4 De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas Tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.

5 Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.)

6 Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo?

7 E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador?

8 E por que não dizemos, como alguns, caluniosamente, afirmam que o fazemos: Pratiquemos males para que venham bens? A condenação destes é justa.

9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado;

10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer,

11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus;

12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.

13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios,

14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura;

15 são os seus pés velozes para derramar sangue,

16 nos seus caminhos, há destruição e miséria;

17 desconheceram o caminho da paz.

  1. Não há temor de Deus diante de seus olhos.


A Palavra de Deus – Uma palavra é algo que se pronuncia. Acima de tudo, o que proclamou ou pronunciou a boca de Deus, são os Dez Mandamentos (Deut. 5:22). Estêvão, referindo-se ao momento em que Moisés recebeu a lei, disse: "É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir." (Atos 7:38) Os Dez Mandamentos são primariamente a Palavra de Deus, já que Sua própria voz os pronunciou aos ouvidos do povo.
Porém, as Sagradas Escrituras, como um todo, constituem a Palavra de Deus falada "muitas vezes e de muitas maneiras" (Heb. 1:1), já que ela não é senão o desenvolvimento dos Dez Mandamentos. Os cristãos devem amoldar sua vida somente de acordo com a Bíblia. Assim atestam as palavras do apóstolo Pedro: " Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus." (I Ped. 4:11)
A Lei, uma vantagem – Muitos pensam que a Lei de Deus é uma carga e imaginam que a vantagem dos cristãos é que não têm nada a ver com ela. Porém, contrariamente, João disse: "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus mandamentos não são penosos." (I João 5:3) E Paulo diz que a posse da Lei era uma grande vantagem para os judeus. Disse também Moisés: "E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?" Todos os que amam verdadeiramente o Senhor consideram grande bênção dispor da plena revelação da Santa Lei de Deus.
"Confiada" – A vantagem dos judeus não se fundamentava simplesmente no fato de a Palavra de Deus lhes ter sido revelada, mas que ela "lhes foi confiada". Isto é, foi-lhes dada a Lei a fim de garanti-la aos demais e não somente em seu próprio benefício. Teriam eles de ser missionários ao mundo inteiro. A vantagem e a honra concedida à nação judaica ao lhe ser confiada a Lei de Deus a fim de que fosse conhecida no mundo, é um privilégio incalculável.
Conte-o aos outros – Quando Pedro e João foram presos e ameaçados por pregar a Cristo (que era a Lei vivida em sua perfeição), disseram: "Pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos." (Atos 4:20) Aquele que aprecia o dom que Deus lhe concedeu não pode deixar de contar aos outros. Alguns acham que é inútil levar o evangelho aos pagãos, por saberem que Deus os justifica se andarem de acordo com a pequena luz que brilha sobre eles, tanto como a pessoa que caminha de acordo com a luz mais ampla da palavra escrita. Pensam que os ímpios pagãos não estão numa situação pior que a dos professos cristãos que são infiéis. Porém, ninguém que preze as bênçãos do Senhor pode pensar assim. A luz é uma bênção. O homem, quanto mais conhece a Senhor, mais pode regozijar-se nEle; e todo aquele que conhece verdadeiramente o Senhor estará desejoso de espalhar as "nova de grande alegria" a todos aqueles a quem são dirigidas.

A fidelidade de Deus – "E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?" (verso 3) Uma pergunta muito pertinente. Convida-nos ela a considerar a fidelidade de Deus. Desfaz o Senhor Sua promessa devido à nossa falta de fé? Será Deus infiel por causa da infidelidade do homem? Nossa vacilação fará com que Deus oscile? De maneira nenhuma! Deus será sempre verdadeiro, mesmo que todo homem seja mentiroso. "Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-Se a Si mesmo." (II Tim. 2:13) "A Tua benignidade, Senhor, chega até aos céus, até às nuvens, a Tua fidelidade." (Sal. 36:5)
Poder e fidelidade – Alguém poderá concluir precipitadamente que o que foi dito agora anule a afirmação precedente, a qual da conta de que apenas aqueles que têm fé são herdeiros da promessa, já que "como pode ser apenas semente – e portanto herdeiros – de Abraão os que crêem, como Deus vai cumprir sua promessa apesar de todo homem ser incrédulo?' Facilmente! Devido às Escrituras e ao poder de Deus. Preste atenção às palavras que João Batista dirigiu aos perversos judeus, a quem somente caberia descrever como raça de víboras. “E não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Rom. 3:9) Deus concederá a herança apenas aos fiéis, porém, se todo homem for infiel, Aquele que fez o homem do pó da terra pode, a partir das pedras, levantar outro povo que seja crente.
Deus será justificado – “Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.” (Rom. 3:4) Satanás acusa a Deus de injustiça e indiferença, e também de crueldade. Milhares fazem eco a essa acusação. Porém, o juízo declarará a justiça de Deus. Seu caráter, tanto quanto o do homem, será submetido à prova. No juízo, todo ato realizado desde a Criação, tanto de Deus como do homem, será visto por todos em seu pleno significado. E quando tudo for examinado sob essa luz perfeita, Deus será absolvido de toda acusação, inclusive por Seus inimigos.
Pondo em relevo a justiça de DeusOs versículos 5 e 7 não são mais que duas formas de expressar a mesma idéia. Dá-se destaque à justiça de Deus em contraste com a justiça do homem. Assim, o amante de complicações supõe que Deus não deveria condenar a injustiça humana que, por contraste, exalta a Sua justiça. Porém, isso significa destruir a justiça divina; então, “como julgaria Deus o mundo?” Se Deus fosse o que os incrédulos afirmam ser, o Senhor perderia até o seu respeito. Eles O condenariam ainda mais abertamente do que o fazem hoje.
Falo como homem” – (ou “em termos humanos”, conf. RV 90) Não era Paulo, por acaso, um homem? Por que emprega a expressão “falo como homem”? Porque os escritos de Paulo, como os dos antigos profetas, foram dados sob inspiração divina. O Espírito Santo falou através dele. Não estamos lendo a opinião de Paulo sobre o evangelho, mas a declaração do próprio Espírito Santo. Porém, nessas ocasiões, o Espírito se expressa em termos humanos, isto é, Ele cita as palavras dos incrédulos a fim de mostrar a insensatez de sua incredulidade.
Perguntas incrédulas – Há perguntas com diferentes significados. Algumas delas são formuladas com o objetivo de adquirir instrução, outras, todavia, com a única finalidade de opor-se à verdade. Não é possível responder a ambas da mesma maneira. Certas questões não merecem maior atenção do que se houvessem sido feitas em positivas afirmações de incredulidade. Quando Maria disse ao anjo: “Como se fará isto?” (Luc. 1:34), com o desejo de saber mais, foi-lhe explicado como aconteceria. Porém, quando Zacarias perguntou: “Como terei certeza disso?” (Luc. 1:18), expressando assim sua descrença ante as palavras do anjo, foi castigado.
Maldade desmascarada – Quando o oponente diz: “Se minha mentira, posta em contraste com a verdade de Deus, aumenta Sua glória, por que mesmo assim sou condenado como pecador?” Paulo expõe o que essa retórica acoberta. Na verdade, o que ela quer dizer é: “Por que não praticar o mal para que venha o bem?” A intenção real dessas perguntas é pretender que o mal seja, em realidade, bom; que as pessoas são boas, a despeito do que possam fazer, já que o bem procederá do mal. Essa é a essência do espiritismo moderno bem como do universalismo, que ensinam que todos os homens serão salvos.
O mal não é o bem – Espiritualistas à parte, há muitos que dizem virtualmente: “Façamos o mal para que venha o bem.” Quem são eles? Todos os que acham que o homem é capaz de fazer o bem por si mesmo. O Senhor declara que somente Deus é bom e que o bem só pode proceder de Deus (ver Lucas 18:19 e 6:43-45). Do homem apenas provém o mal (Mar. 7:21-23). Portanto, aquele que pensa que pode por seus próprios esforços praticar o bem, está factualmente dizendo que o bem procede do mal.
O mesmo diz quem recusa confessar-se pecador. Ele está se colocando acima de Deus, já que nem mesmo Deus transforma o mal em bem. Deus torna bom o homem mau, porém, tão-somente colocando Sua própria bondade no lugar da maldade humana.
Todos sob pecado – O oponente é silenciado diante de seus sentimentos de infidelidade. É justa a condenação de quem sustenta semelhante postura, e assim fica firmemente estabelecida a conclusão: todos os homens, judeus e gentios, estão sob pecado.
Assim está preparado o caminho para a seguinte inferência: há somente um caminho para a salvação de todos os homens. Aquele que cresceu ouvindo o bimbalhar dos sinos da igreja e que lê as Escrituras todos os dias, tem a mesma natureza pecaminosa e igual necessidade de um Salvador que um selvagem incivilizado. Absolutamente ninguém está em situação de poder depreciar os outros.
Todos se desgarraram – Quando o apóstolo disse que judeus e gentios “todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis”, não fez outra coisa senão repetir o que Isaías escreveu centenas de anos atrás: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos.” (Isa. 53:6)
“Caminho de paz” – “Caminho de paz não conheceram” porque se recusaram conhecer o Deus da paz. Por isso Ele disse: “Ah! se tivesses dado ouvidos aos Meus mandamentos! Então, seria a tua paz como um rio, e a tua justiça, como as ondas do mar.” (Isa. 48:18). “Grande paz têm os que amam a Tua lei; para eles não há tropeço.” (Sal. 119:165) Aquele que prepara o caminho do Senhor, fazendo conhecer a remissão de pecados, conduz nossos pés ao caminho da paz (Lucas 1:76-79), já que nos dirige à justiça da Lei de Deus.
O que estudamos até aqui com respeito à epístola aos Romanos, mostrou-nos que tanto judeus como gentios compartilham a mesma condição pecaminosa. Ninguém tem nada de que se gabar em relação aos outros. Aquele que, dentro ou fora da igreja, se inclina a julgar e condenar outro, não importa quão malvado esse possa ser, mostra com isso que ele mesmo é culpado das mesmas coisas que condena no semelhante. O juízo pertence somente a Deus e aquele que ousa tomar o lugar do Senhor demonstra o mais ousado espírito de usurpação. Aqueles a quem foi confiada a Lei têm um maravilhoso privilégio do qual carecem os pagãos; não obstante, devem dizer: “Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado.” (Rom. 3:9)


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