Carta Aos Romanos



Baixar 0.81 Mb.
Página8/23
Encontro26.02.2018
Tamanho0.81 Mb.
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   ...   23

A Grande Conclusão – Romanos 3:19-22



19 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus,
20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;
22 A justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção,

Na Lei” – Este não é o momento de considerarmos a força da expressão “debaixo da lei”, como algumas versões traduzem, pois não é essa, realmente, a tradução correta. O mesmo acontece em Romanos 2:12; a tradução correta é “na lei”. A expressão “debaixo da lei” é totalmente diferente em grego. É impossível saber por que em algumas versões foi traduzida “debaixo da lei”, quando nos textos citados – o mesmo que sucede em I Coríntios 9:21 – o original reza “na lei”. O texto diz: “Sabemos que o que a lei diz, o diz aos que estão na lei”, ou melhor, “na esfera ou jurisdição da lei”. Trata-se de um ato divino, porém, em vista do que se segue imediatamente. É muito importante ter isso presente.


O que a lei diz...” – A voz da Lei é a voz de Deus. A Lei é a verdade, uma vez que foi pronunciada pela própria voz divina. No pacto que Deus fez com os judeus, com respeito aos Dez Mandamentos, disse da Lei: “... Se diligentemente ouvirdes a Minha voz...” (Êxo. 19:5) “Estas palavras falou o Senhor a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz...” Por conseguinte, quando a Lei de Deus fala ao homem, é Deus mesmo quem Se pronuncia. Satanás inventou um provérbio, induzindo a muitos a crê-lo. Esse é: “A voz do povo é a voz de Deus.” Ele constitui uma parte de sua grande mentira, através da qual faz com que muitos tripudiem sobre a Lei divina. Que todo aquele que ama a verdade substitua essa falsificação de Satanás pelo fato de que “a voz da Lei divina é a voz de Deus”.
Toda boca se cale” – A Lei fala para que toda boca se feche. Isso faria toda boca, tão-somente se apercebesse o homem de que é Deus em fala. Se ele se desse conta de que o próprio Senhor é quem fala mediante a lei, não estaria tão pronto a questionar Suas palavras nem inventaria tantas escusas para deixar de obedecê-la.
Quando um servo do Senhor lê a lei para as pessoas, estas parecem freqüentemente pensar que são somente palavras de homem que ouvem, e sentem ser seu privilégio opinar, debater e objetar. Se dizem que embora tudo esteja certo, não se sentem na obrigação de obedecer o que não lhes parece aconselhável. Jamais lhes ocorreria proceder dessa maneira se ouvissem a voz de Deus a lhes falar.
Porém, quando hoje se lê a Lei, trata-se tão certamente da voz de Deus como em sua proclamação aos israelitas postados ao pé do Monte Sinai. As pessoas se colocam hoje contra ela, porém logo chegará o momento em que toda boca se fechará, porque: “Vem o nosso Deus e não guarda silêncio...” (Sal. 50:3)
A jurisdição da Lei – O que a Lei diz, di-lo aos que estão em sua esfera jurisdicional. Para quê? “Para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus.” (Rom. 3:19) Até onde vai, pois, a jurisdição da Lei. Alcança toda alma no mundo. Ninguém está isento de obedecê-la. Nem uma só alma deixa de ser tida por culpável. A Lei é a norma de justiça, e “não há justo, nem um sequer”.
A Lei não justifica “Visto que ninguém será justificado diante dEle por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (Rom. 3:20) Se o homem fosse justificado pela Lei, teria de acontecer uma destas duas coisas: ou que ele não fosse culpado ou que a Lei fosse má. Porém, não acontece nenhuma delas. A Lei de Deus é perfeitamente reta e todo homem pecador. “Pela Lei vem o conhecimento do pecado.” É evidente que a própria Lei que declara o homem culpado não pode dizer que ele é justo. Portanto, a verdade de que pelas obras da Lei nenhuma carne se justificará, explica-se por si mesma.
Uma dupla razão – Há duas razões pelas quais ninguém pode ser justificado pela Lei. A primeira é que todos pecaram; por conseguinte, a Lei deve continuar declarando-os culpados a despeito do que seja sua vida. Ninguém pode fazer mais do que sua dívida com Deus, e não existe nenhuma quantidade suficiente de boas ações que possa cancelar uma má ação.
Porém, mais ainda: os homens não somente pecaram, mas também são pecaminosos. “O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à Lei de Deus, nem mesmo pode estar.” (Rom. 8:7) “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”. (Gál. 5:17) Logo, não importando o quanto um homem se esforce por cumprir a justiça da Lei, nunca encontrará a justificação por seu intermédio.
Justificação própria – Se alguém fosse justificado pelas obras da Lei, seria porque sempre fez o que a Lei requereu. Veja que nesse caso é ele quem faz e não a Lei. Não seria que a Lei fizesse algo para justificar o homem, senão que ele mesmo executaria as boas obras exigidas. Aquele que supõe poder cumprir a justiça da Lei demonstra com isso que crê ser tão bom quanto Deus, posto que a Lei requer a justiça de Deus e é uma declaração dela.
Deduz-se, pois, que o indivíduo que pensa poder justificar-se pela Lei, acha-se tão bom que não necessita de um Salvador. Todo o que se sente justo, pouco importando sua profissão, está-se exaltando acima da Lei de Deus e, conseguintemente, identifica-se em essência com o papado.
Justiça sem a Lei – Visto que na débil condição humana e em estado decaído ninguém pode obter a justiça a partir da Lei, a justiça terá de ser conseguida a partir de outra fonte que não seja a Lei. Abandonado a si mesmo e à Lei, o homem estaria realmente numa condição deplorável. Entretanto, há esperança. “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus...” (Rom. 3:21) Isso revela ao homem o meio de salvação.
A justiça manifestada – Onde? Precisamente onde mais falta fazia – no homem. Isto é, numa certa classe descrita pelo versículo seguinte. Porém, não tem origem nele. As Escrituras já nos mostraram que do homem não pode provir nenhuma justiça. A justiça de Deus se manifesta em Jesus Cristo. Ele mesmo disse, através de Davi: “Agrada-Me fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; dentro do Meu coração está a Tua lei.” Proclamei as boas-novas de justiça na grande congregação; jamais cerrei os lábios, Tu o sabes, Senhor.” (Sal. 40:8 e 9)
Testemunhada pela Lei” – Nunca suponha que, com base no evangelho, você pode ignorar a Lei de Deus. A justiça de Deus que se manifesta sem a Lei, é testemunhada pela Lei. É desse tipo de justiça que a Lei dá testemunho e aprova. Tem de ser assim, já que é a justiça que Cristo manifestou, e essa provinha da Lei que estava “em Seu coração”. Assim, embora a Lei divina não possa imputar justiça a nenhum homem, não deixa de ser a norma de justiça. Não pode haver justiça alguma que resista à prova da Lei. A Lei de Deus deve pôr seu selo de aprovação sobre todo aquele que entrar no Céu.
Testemunhada pelos profetas – Quando Pedro pregou a Cornélio e sua família sobre Cristo, disse: “DEle todos os profetas dão testemunho de que, por meio de Seu nome, todo aquele que nEle crê recebe remissão de pecados.” (Atos 10:43) Os profetas pregaram o mesmo evangelho que os apóstolos (ver I Ped. 1:12). Há somente um fundamento, o qual é “o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”. (Efés. 2:20) Esse pensamento nos leva a outro conceito em relação à expressão “testemunhada pela Lei”. Não é que a Lei somente aprove a justiça que se manifesta em Cristo, senão que, além disso, ela a proclama. A parte das Escrituras genericamente conhecida como “a lei”, isto é, os escritos de Moisés, prega a Cristo. Moisés foi profeta; assim sendo, testemunhou de Cristo.

“Ele escreveu a Meu respeito.” (João 5:46) O próprio ato de dar a Lei foi em si mesmo uma promessa e uma segurança de Cristo. Analisaremos esse fato no quinto capítulo.


A justiça de Deus – Embora seja certo que ninguém pode encontrar pretexto para desprezar a Lei de Deus na frase “sem lei, se manifestou a justiça de Deus”, também é certo que aquele que ama essa Lei não deve ter qualquer temor de que a pregação da justiça pela fé possa levar a uma falsa justiça. Há uma salvaguarda contra isso na afirmação de que essa justiça deve ser testemunhada pela Lei, e, sobretudo, pela declaração de que a justiça que se manifesta à parte da Lei é a justiça divina. Ninguém que tenha essa justiça deve temer estar em erro! Buscar o reino de Deus e sua justiça é tudo quanto se requer de nós nesta vida. (Mat. 6:33)

Pela fé em Jesus Cristo” – Noutro lugar, Paulo expressa seu desejo de que, ao retornar o Senhor, seja ele achado “nEle, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Filip. 3:9). Encontramos aqui, uma vez mais, “a fé de Cristo”. Mas também é dito acerca dos santos: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Apoc. 14:12). Deus é fiel (I Cor. 1:9) e Cristo é fiel; “Ele permanece fiel” (II Tim. 2:13). Deus dá a cada um uma medida de fé (Rom. 12:3; Efés. 2:8).


Ele nos comunica Sua própria fidelidade, e o faz dando-Se a nós. Assim, não temos de obter a justiça fabricada por nós, mas antes, para fazer o assunto duplamente seguro, o Senhor nos transmite a Si mesmo pela fé, por meio da qual nos apropriamos de Sua justiça. Assim, a fé de Cristo traz a justiça de Deus, porque a posse dessa fé é a retenção de Senhor mesmo. Essa fé é dada a todo homem da mesma forma que Cristo Se deu a Si mesmo por todo homem. Você se pergunta: “Quem sabe o que impede que todo homem seja salvo?” Nada, exceto o fato de que nem todos os homens guardarão a fé. Se cada um guardasse tudo o que Deus lhe concede, todos seriam salvos (“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” – II Tim. 4:7).
Interior e exterior – A justiça de Deus que é pela fé de Jesus Cristo, é literalmente posta em e sobre todo aquele que crê. A justiça própria do homem, que é pela lei, está somente no exterior (Mat. 23:27 e 28). Porém, Deus quer a verdade no interior (Sal. 51:6). “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração.” (Deut. 6:6) Dessa forma, a promessa do novo pacto é: “Na mente, lhes imprimirei as Minhas leis, também no coração lhas inscreverei.” (Jer. 31:33) Deus faz porque é impossível ao homem fazê-lo. O máximo que pode fazer o homem é uma exibição falaz da carne para ganhar o aplauso de seus semelhantes. Deus, contrariamente, põe Sua gloriosa justiça no coração.
Porém, Ele faz mais que isso: cobre o homem com ela. “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça...” (Isa. 61:10) “Porque o Senhor Se agrada do Seu povo e de salvação adorna os humildes.” (Sal. 149:4) Trajados com essa gloriosa veste, que não é meramente uma fachada externa, senão a manifestação do que há no interior, a igreja de Deus pode avançar “formosa como a Lua, pura como o Sol, formidável como um exército com bandeiras...” (Cant. 6:10)


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   ...   23


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal