Carta Aos Romanos



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A Justiça da Misericórdia – Romanos 3:22-26

22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção,


23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
25 a quem Deus propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter Deus, na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;
26 tendo em vista a manifestação da Sua justiça no tempo presente, para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.
Não há diferença” – Em que não há diferença? Na maneira como os homens recebem justiça. E por que não há diferença na forma de justificar o homem? Porque “todos pecaram”. Quando Pedro referiu aos judeus sua experiência em relação à primeira pregação do evangelho aos gentios, disse: “Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração.” (Atos 15:8 e 9) “Porque de dentro do coração do homem”, e não somente de uma determinada classe de homens, mas deles todos. “Porque de dentro do coração dos homens é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.” (Mar. 7:21-23) Deus conhece os corações dos homens e sabe que são pecadores por igual, portanto, não faz nenhuma diferença entre uns e outros no que diz respeito ao evangelho.
De um só...” – Essa é uma das lições mais importantes que o missionário tem de aprender, seja trabalhando em sua região ou distante dela. Posto que o evangelho se baseia no princípio de que não existe diferença entre os homens, é absolutamente essencial que o obreiro evangélico reconheça o fato e o tenha sempre presente. “De um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da Terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação.” (Atos 17: 26) Não é somente a questão de todos os homens procederem de uma só linhagem, senão que são também uma só carne (I Cor. 15:39). O objetivo principal da carta aos Romanos, pelo que foi considerado até aqui, é mostrar que no que se refere ao pecado e à salvação, não há absolutamente diferença alguma entre os homens de qualquer raça ou condição. O mesmo evangelho deve ser pregado ao judeu e ao gentio, ao escravo e ao livre, ao príncipe e ao mendigo.
Destituídos – Literalmente, “carentes da glória de Deus”. Muitos supõem que as faltas não são tão graves quanto os pecados. Dessa maneira, é mais fácil confessar que cometeram faltas do que declarar que pecaram e agiram impiamente. Porém, visto que Deus requer perfeição, é evidente que as “faltas” são pecados. Resulta mais apresentável dizer a um contador que foram encontradas falhas em suas contas, porém entendemos que isso significa que o profissional se apropriou daquilo que não é seu, isto é, andou roubando. Quando a norma é a perfeição, pouco importa que se tenha faltado pouco ou muito, contanto que tenha havido falta. O significado primário de pecado é “errar o alvo”. E numa competição de tiro ao alvo, aquele que não teve habilidade de acertar na “mosca”, embora sua intenção fosse correta, é um perdedor tão certamente como o que faz um lançamento com bastante desvio.

A glória de Deus” – O texto nos mostra que a glória de Deus é Sua justiça. Veja que a razão por que todos estão destituídos da glória de Deus é todos terem pecado. Está claro que, se não houvessem pecado, não teriam sido dela privados. Estar faltos da glória de Deus consiste no mesmo que estar em pecado. No princípio, o homem fora coroado de “glória e de honra” (Heb. 2:7), porque era reto. Ao cair, perdeu a glória; portanto, deve agora buscar “glória, honra e imortalidade”. Cristo pôde dizer ao Pai: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado...” (João 17:22), uma vez que nEle está a justiça de Deus concedida ao homem como um dom gratuito. Receber a justiça é coisa de sábios, e “os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento” (Dan. 12:3)


Sendo justificados” – Em outras palavras, feitos justos. Justificar significa tornar justo. Deus provê precisamente aquilo de que o pecador necessita. Nunca se esqueça o que a justificação simplesmente significa. Alguns supõem que o cristão pode ocupar uma posição muito mais elevada que a de ser justificado. Isto é, que alguém pode estar numa condição superior à de trajar a veste interior e exterior da justiça de Deus. Porém, isso não é possível.
Gratuitamente” – “E quem quiser receba de graça a água da vida.” Ou, tome-a como um dom. Assim, em Isaías 55:1, lemos: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.”
Foi a carta aos Romanos que propiciou a reforma na Alemanha. Ensinava-se, então, as pessoas a crerem que a forma de obter justiça era comprá-la, seja mediante trabalho duro ou pagamento em dinheiro. A idéia de que a justiça poderia ser adquirida por dinheiro não é hoje tão popular como na época, porém muitos não católicos crêem mesmo ser necessário produzir alguma obra a fim de obtê-la.
Quando a oração se torna uma obra – Certo dia eu estava conversando com um homem com respeito à justiça como dom gratuito de Deus. Meu interlocutor defendia a idéia de que não podemos obter nada do Senhor sem fazer algo em troca. Quando lhe perguntei o que ele achava devíamos fazer para ganhar o perdão dos pecados, respondeu que temos de orar por ele.
Com esse conceito de oração que os [católicos] romanos e os hindus devotos “pronunciam” tantas orações diariamente, acrescentando algumas extras de vez em quando, para ficar cobertos ante possíveis omissões. Porém, aquele que profere uma oração, não ora em realidade. A oração pagã, tal como ilustra o episódio dos profetas de Baal dando saltos e se ferindo (I Reis 18:26-28), é uma obra; embora a verdadeira oração não o seja. Se alguém vem a mim e me diz que está morrendo de fome, e eu lhe dou algum alimento, o que lhe parece se ao referir posteriormente esse ato, diz-se que eu o mandei fazer algo para obter a comida? Qual foi sua obra? Pedi-la? Será que alguém poderia pensar que realmente ele obteve o alimento pelo trabalho de pedi-lo? A verdadeira oração é a aceitação agradecida dos dons gratuitos de Deus.
Redenção em Jesus Cristo – Tornamo-nos justos “pela redenção que há em Cristo Jesus”, vale dizer, pelo poder de resgate que há em Jesus Cristo. Ou, como diz Efésios 3:8, pelas “insondáveis riquezas de Cristo”. Essa é a razão pela qual a recebemos como um dom.

Alguém poderá dizer que a vida eterna no reino de Deus é algo demasiado grande para nos ser dada assim. Mas é assim, com efeito, e como conseqüência, devemos comprá-la, porém visto que não temos como pagá-la, Cristo a adquiriu para nós e no-la dá gratuitamente em Si mesmo. No entanto, tivéssemos nós que comprá-la dEle, então seria o mesmo de a adquirirmos diretamente por nós mesmos, prescindindo dEle (poupando-Lhe o trabalho). “... Se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.” (Gál. 2:21) “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (I Ped. 1:18 e 19) O sangue é a vida (Lev. 17:11-17), Portanto, a redenção que há em Cristo Jesus é Sua própria vida.


Proposto por Deus – A propiciação é um sacrifício. Declara-se com a maior clareza que Cristo foi estabelecido como sacrifício para a remissão de nossos pecados. “... Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado.” (Heb. 9:26) Desde logo, a noção de sacrifício ou propiciação implica na necessidade de apaziguar uma ira ou inimizade existente. Nós é que necessitamos do sacrifício e não Deus. Ele o provê. A noção de que é preciso propiciar a ira de Deus a fim de sermos perdoados, não tem cabimento na Bíblia.
Constitui-se o cúmulo do absurdo supor que Deus está tão irado com os homens, que não os perdoará a menos que se proveja algo que apazigúe Sua ira, e então oferece o dom de Si mesmo (!) para atingir essa finalidade. “E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da Sua carne, mediante a Sua morte...” (Col. 1:21, 22)
Propiciação pagã e propiciação cristã – A idéia cristã de propiciação é a que já temos expressado. A noção pagã, demasiado amiúde também mantida por cristãos professos, consiste fundamentalmente numa chantagem a seus deuses, com a finalidade de lograr seu favor. Se os pagãos pensavam que seus deuses estavam muito enfadados deles, então ofereciam maiores sacrifícios até chegar ao extremos de imolações humanas. Pensavam o mesmo que os adoradores de Siva, na Índia, cogitam hoje, que seu deus se agradava com visões de sangue. A perseguição que teve lugar em tempos passados – e até certo ponto hoje também – em países considerados cristãos, não é mais que o fruto dessa noção pagã de propiciação. Os dirigentes eclesiásticos supõem que a salvação é pelas obras, e que mediante elas pode o homem expiar o pecado, de forma que oferecem a pessoa, que eles crêem estar em rebeldia, a seu deus. Não ao verdadeiro Deus, a quem esses sacrifícios não satisfazem.
A justiça manifestada – Manifestar ou declarar a justiça é pronunciá-la. Deus fala justiça ao homem e esse é justo. É o mesmo método empregado na criação. “Ele falou e tudo se fez.” “Pois somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Efés. 2:10)
A justiça de Deus na redenção – Cristo ficou estabelecido para declarar a justiça de Deus para remissão dos pecados, a fim de poder ser justo e ao mesmo tempo justificador daquele que crê em Jesus. Deus justifica pecadores, já que são os únicos necessitados de justificação. A justiça de declarar justo a alguém que é pecador jaz no fato de que ele é realmente feito justo. Quando Deus declara algo, assim é. É feito justo pela vida de Deus a ele é dada em Cristo.
O pecado é contrário a Deus e se Ele está disposto a perdoá-lo, tem todo o direito de fazê-lo. Nenhum incrédulo negaria a alguém o direito de não ter em conta a ofensa que um outro lhe haja dirigido. Porém Deus não passa simplesmente a ofensa por alto, senão que dá a Sua própria vida como penhor. Desse modo, exalta a majestade da Lei e fica justificado ao declarar justo ao homem que antes era um pecador. Remite-se, quita-se o pecado do ofensor, já que pecado e justiça não podem coexistir, e Deus põe Sua própria vida justa no crente. Deus é, pois, misericordioso em Sua justiça, e justo em Sua misericórdia.



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