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FACULDADE NOVOS HORIZONTES

Programa de Pós-Graduação em Administração

Mestrado

A CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL DAS MULHERES ENGENHEIRAS MECÂNICAS: um estudo com egressas do

CEFET-MG

Magda Cristina Figueiredo Tadim




Belo Horizonte

2011

Magda Cristina Figueiredo Tadim

A CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL DAS MULHERES ENGENHEIRAS MECÂNICAS: um estudo com egressas do CEFET-MG

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Acadêmico em Administração da Faculdade Novos Horizontes, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Administração.



Orientadora: Profª. Drª. Marlene Catarina de Oliveira Lopes Melo
Linha de pesquisa: Relações de Poder e Dinâmica das Organizações
Área de concentração: Organização e Estratégia

Belo Horizonte

2011




A Robson Moreira dos Santos, meu marido,e Larissa Moreira Santos Tadim, minha filha.

AGRADECIMENTOS

A Deus, por ter me dado forças e iluminando meu caminho para que pudesse concluir mais uma etapa da minha vida.


À orientadora, Profª. Drª Marlene Catarina de Oliveira Lopes Melo, pelo auxílio na elaboração e explanação deste trabalho.
Ao Professor, Dr. Flávio Antônio dos Santos, diretor geral do CEFET-MG pelo seu apoio na capacitação dos servidores da Instituição.
Aos amigos e colegas do CEFET-MG que, de alguma forma, me prestigiaram e incentivaram a prosseguir os estudos. Em especial, àqueles que estiveram comigo nos trabalhos escolares: Luciana, Lúcio, Marli, Wander.
A minha grande amiga Marta, pelo companherismo na sala de aula e por estar ao meu lado nos momentos de dificuldades, angústias e alegrias.
À Maria José (minha chefe) pela compreensão e apoio, tão valiosos para mim na reta final do trabalho.
Ao meu amado esposo Robson, que sempre esteve ao meu lado, com o seu amor e companherismo, me apoiando, me incentivando e compreendendo as ausências e os momentos que tive que dedicar a este trabalho.
A minha linda filha Larissa, minha preciosidade, presente de Deus que, apesar de tão pequenina, esteve comigo nesta caminhada.
Aos meus familiares, pelo incentivo, compreensão e apoio dispensados em todos os momentos de que precisei.


RESUMO
Este estudo tem por objetivo geral analisar a configuração da identidade profissional de mulheres formadas no curso de engenharia mecânica do CEFET-MG e que se encontram há mais de 3(três) anos no mercado de trabalho e estão inseridas na carreira de engenharia. Para tanto, o referencial teórico abordou duas temáticas centrais: identidade e relações de Gênero. A pesquisa tem caráter descritivo, com abordagem qualitativa, nos moldes de um estudo de caso. Os sujeitos desta pesquisa foram 11 engenheiras da área de mecânica e que atuam profissionalmente como engenheiras. A coleta de dados ocorreu por meio de formulário de identificação e, principalmente, via entrevistas com roteiros semiestruturados. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo. Pelos resultados verificaram-se conquistas e avanços na vida profissional das engenheiras entrevistadas, como também desigualdades de gênero ainda presentes nas relações de trabalho. Para o ingresso nas organizações e na carreira profissional, as principais facilidades encontram-se na amplitude de atuação profissional de que uma pessoa formada em engenharia dispõe e na demanda do mercado por profissionais. As dificuldades estão centradas ainda no fato de o campo da engenharia mecânica ser reduto masculino, portanto as mulheres nessa área sofrem com as questões de preconceito, discriminação, aceitabilidade e credibilidade profissional. Sendo assim, precisa se desdobrar para demonstrar capacidade técnica. As atribuições e afazeres das engenheiras estão relacionados mais a atividades administrativas que técnicas. Os desafios profissionais envolvem a mulher conseguir espaço para demonstrar sua capacidade e não se sentir amedrontada perante o preconceito que ainda envolve a área. Os pontos positivos de ser engenheira referem-se principalmente à satisfação das engenheiras em realizar os processos produtivos. Já as angustias e mal-estares concentram-se em conflitos pessoais e profissionais. Afim de superar os obstáculos que envolvem a área da engenharia mecânica, as entrevistadas utilizam-se de estratégias como: o desenvolvimento de habilidades, competências, qualificação acadêmica continuada e, até mesmo, adiamento da maternidade no plano pessoal. De modo geral, as perspectivas profissionais são boas para a mulher. A maioria sente-se realizada com a profissão. Por outro lado, em termos de sucesso profissional, este está atrelado principalmente no reconhecimento pelo outro. Foram utilizados categorias de análises sobre identidade profissional propostas por Dubar (2005), que nortearam parte das análises dos dados. Em síntese, constatou-se que a identidade profissional das engenheiras pesquisadas é marcada por elementos biográficos como: a família, a escola e a profissão. No processo relacional há reconhecimento, respeito, autonomia e confiança por parte de subordinados, pares e superiores. Quanto ao sentimento de pertença, esse se manifesta pela identificação das entrevistadas com a profissão, o que contribui para a legitimação profissional das mesmas. As engenheiras identificaram características femininas que se têm constituído em um diferencial no exercício profissional. Os elementos que as engenheiras têm utilizado para a construção da identidade profissional referem-se a autoimagem positiva, a autoconsciência profissional, a habilidades e competências pessoais. No âmbito social, a legitimação da identidade surge por meio do status proporcionado pela profissão e também em função de a mulher estar conquistando espaço, rompendo, assim, com a predominância masculina que envolve a área de engenharia mecânica. No âmbito organizacional, a identificação com a organização tem sido um elemento de configuração identitária profissional, porém, não é extremamente essencial. Os dados da pesquisa ainda mostram que a maioria das engenheiras entrevistadas apresentam uma construção identitária profissional, sendo que o reconhecimento pelo olhar do outro tem sido um importante elemento nesse processo.
Palavras-chave: Engenheiras. Identidade. Identidade profissional. Engenharia mecânica. Mulher.
ABSTRACT

This study aimed at analyzing the professional identity setting of women graduated in Mechanical Engineering at CEFET-MG, who have been in the job market for more than 3 (three) years as engineers. Thus, two central themes were approached: Identity and Relations of Gender. The research was descriptive, based on the qualitative approach in line with a case study. The subjects were 11 female engineers who work in the field of mechanics.  The data were collected through forms of identification, and mainly through semi-structured interviews with scripts and were subjected to content analysis. The results presented achievements and advances in the life of the engineers interviewed, as well as gender inequalities still present in labor relations. The range of  activities that a person with a degree in engineering and the market demand for  such professionals was found to be the main point to help the female engineers to enter the career and companies. The difficulties are still focused on the fact that the field of mechanical engineering is male based. Women in this area suffer from gender prejudice, discrimination, acceptability and professional credibility. They have to overwork to demonstrate their technical abilities. Duties and tasks assigned to female engineers are more related to administrative activities than technical ones. Their professional challenge consists of making room to demonstrate their capacity and not to give up due to to the prejudice that still surrounds them.  The strength of being a female engineer seems to refer primarily to the satisfaction they have in working with productive processes.  As for the anguish and frustrations,su they are focused on personal and professional conflicts. In order to overcome obstacles involving the field of mechanics the interviewed women use strategies such as skills development, academic continuing studies and even by postponing maternity. In general, the job prospects are good for women and most feel satisfied with the profession. On the other hand, professional success is accepted as "recognition by the other." Categories for analysis of professional identity proposed by Dubar (2005) guided some of the data analysis. In short, it was found that the professional identity of the female engineers surveyed was marked by biographical elements such as family, school and profession. In the relationship process there is recognition, respect, autonomy and trust of subordinates, peers and superiors. The feeling of belonging manifests itself through a natural leaning towards the profession which contributes to the professional legitimacy of them. The interviewed engineers identified female characteristics which make the difference in the professional practice. The elements that engineers have used for the construction of their professional identity are positive self-image, self-awareness training, personal skills and capacities.  In the social sphere, the legitimacy of identity emerges through the status afforded by the profession and also because women are gaining ground, thus breaking with a male predominance involving mechanical engineering. In the workplace, identification with the organization has been a professional identity setting element, but it is not essential. The survey data also showed that most of the engineers surveyed are in process of professional identity construction, and the recognition by the other's has been an important element in the process. 


Keywords: Female Engineers. Identity.  Professional identity.  Mechanical engineering. Women. 

LISTA DE ILUSTRAÇÕES



Quadro 1 – Perfil das respondentes. 70

Quadro 2 – Elementos de referência para exprimir a identidade de mulheres engenheiras 121





LISTA DE TABELAS



Tabela 1 - Evolução da matrícula nos cursos de graduação no País, por tipo de instituição e por sexo, entre 1999 e 2008 16

Tabela 2 - Evolução dos egressos nos cursos de graduação por sexo, entre 2001 e 2008 16

Tabela 3: Alunos matriculados e formados no curso de engenharia mecânica do CEFET-MG, no período de 2000 a 2008 31

Tabela 4 – Tempo de experiência total no cargo de engenheira 72

Tabela 5 - Faixa etária das engenheiras 72

Tabela 6 - Área de qualificação das engenheiras 74

Tabela 7 – Faixa salarial das engenheiras entrevistadas 75

Tabela 08 – Facilidades para o ingresso na organização e na carreira profissional 78

Tabela 09 – Dificuldades para o ingresso na organização e na carreira profissional 80



Tabela 10 – Dia a dia das engenheiras 86

Tabela 11 – Desafios profissionais apontados pelas engenheiras 89

Tabela 12 – Pontos positivos de ser engenheira 91

Tabela 13 – Pontos negativos de ser engenheira 93

Tabela 14 – Fontes de mal-estar e angústia no trabalho 96

Tabela 15 – Estratégias que a engenheira deve usar para se manter na profissão 98

Tabela 16 – Perspectivas das engenheiras sobre seu próprio futuro 100

Tabela 17 – Fontes de prazer e satisfação no trabalho 104

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CEFET-MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

CREA – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura

DAES – Diretoria de Avaliação da Educação Superior

DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos

INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

MEC – Ministério da Educação e Cultura

SEEC – Secretaria de Informações e Estatísticas Educacionais


SUMÁRIO


1.1 Problematização 15

1.2 Objetivos 18

1.3 Delimitação do estudo 20

1.4 Justificativa 20

2.1 História da engenharia 23

2.1.1 A engenharia no Brasil 25

2.1.2 O surgimento da engenharia mecânica 28

2.1.3 O profissional de engenharia contemporâneo 29

2.1.4 A engenharia mecânica no CEFET-MG 30

3.1 Identidade: concepções teóricas , conceitos e níveis 33

3.1.1 Concepções teóricas e conceitos 33

3.1.2 Níveis de identidade 39

3.1.3 Identidade versus processos de identificação 40

3.1.4 Identidade organizacional 44

3.1.5 Identidade profissional 47

3.1.5.1 Identidades biográfica e relacional e o sentimento de pertença 50

3.2 A relação de trabalho e a identidade profissional 54

3.4 As relações de gênero e o trabalho feminino 57

4.1 Caracterização da pesquisa 63

4.2 Unidade de análise e sujeitos da pesquisa 65

4.3 Técnica de coleta de dados 65

4.4 Técnicas de análises dos dados 66

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 69

5.1 Caracterização dos sujeitos de pesquisa investigados 69

5.2 Facilidades e dificuldades para o ingresso na organização e na carreira profissional 77

5.2.1 Facilidades 77

5.2.2 Dificuldades 80

Você pode ser muito bom em uma coisa, mas você tem que saber fazer tudo. [...] Na verdade, todos os processos possíveis, a gente tem que saber fazer. (E03) 82

Ela [a empresa] te dá um laptop para você trabalhar em casa, te dá um celular para não perder contato com você [...] Se você não estiver na empresa trabalhando até tarde, você está em casa trabalhando até tarde. (E04) 82

Então acho que o desafio aqui é a parte de pesquisa mesmo. [...] É pesquisar, é criar, é desenvolver. Então, acho que o desafio da engenharia aqui no Brasil, tanto para homem, quanto para mulher, é a pesquisa. (05) 82

[...] o grande desafio do engenheiro hoje [...] é a aprendizagem, você tem que aprender, você tem que saber muito. (E06) 82

Acho que a gente mata um ‘leão’ a cada dia. (E08) 82

Acho que, por estar em constante crescimento, você tem que se atualizar, você tem que estudar, fazer um curso de especialização. (E09) 82

5.3 Atribuições e funções destinadas às mulheres engenheiras, em sua percepção e as suas expectativas em relação a sua atuação 86

5.3.1 Atribuições e funções destinadas às mulheres engenheiras 86

5.3.2 Suas expectativas em relação a sua atuação enquanto engenheiras 89

As engenheiras foram questionadas quanto às fontes de mal-estar e angústia no trabalho. Os elementos apontados são variados e estão relacionadas a diversificados tipos de conflitos, conforme TAB. 14. 96

5.4 Percepções das engenheiras quanto ao sentimento de realização e o sucesso profissional 102

5.5 Identidade biográfica, relacional e os sentimentos de pertença 107

5.5.1 A identidade biográfica 107

5.5.1.1 Família 108

5.5.1.2 Escola 109

5.5.1.3 Campo Profissional 111

5.5.2 A identidade relacional para si na percepção das engenheiras em face dos outros 113

A maioria das entrevistadas não tem subordinados. Entre aquelas que apresentam, 27% das respostas indicam uma relação boa, de igualdade, confiança e respeito. Percebe-se, assim, que, por parte dessas engenheiras no âmbito relacional com os subordinados, há um reforço do papel delas como engenheiras. 115

5.5.3 O sentimento de pertença 119

5.6 Elementos utilizados como referência para exprimir a identidade na atuação profissional 121

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 130

REFERÊNCIAS 136

APÊNDICE A – Dados demográficos 146

1 INTRODUÇÃO

A temática identidade tem sido tratada em diversos campos teóricos. Os primeiros trabalhos deram-se nos campos da filosofia, psiquiatria, psicologia e, posteriormente, alcançaram outras áreas como a sociologia, a antropologia e a administração. No âmbito dos estudos organizacionais, o tema envolve diversas esferas de análise, dentre os quais, se destacam os níveis pessoal, social, organizacional e profissional. Todos esses níveis são embasados na relação do sujeito com o outro e são importantes elementos para compreensão do indivíduo no contexto social do trabalho e da profissão (CALDAS; WOOD JR., 1997; SILVA; VERGARA, 2002; MACHADO, 2003; BRITO, 2004; VELOSO 2007; VIEIRA, 2007).


A identidade pessoal resulta de experiências próprias de se sentir e também de ser reconhecido pelo outro. Ela se constrói a partir das relações intersubjetivas e de forma dinâmica. A identidade social provém da participação em grupos e se estrutura por intermédio de referências que são tidas como identificatórias, conforme o meio em que está inserido. A identidade organizacional é fruto da interação do indivíduo com a organização, em que a mesma participa com objetivos, valores, crenças e regras na vida de seus membros. A identidade profissional se constitui a partir da autopercepção que o sujeito tem no decorrer do tempo, em se tratando de papéis ocupacionais, considerando o local em que está inserido, a trajetória histórica educacional e o contexto social. Esse nível de identidade se constrói ao longo de toda a trajetória profissional e da carreira (CALDAS; WOOD JR., 1997; BERGER; LUCKMAN, 1999; SENNET, 2001; FREITAS, 2002; MACHADO, 2003; DUBAR, 2005; HALL, 2006; BAUER; MESQUITA, 2007).
Para autores como Bock et al. (1995), Caldas e Wood Jr. (1997) e Dubar (2005), o estudo da temática identidade envolve maior compreensão por parte do indivíduo de si mesmo, mas tendo o outro como referência. Isto porque, a maneira como o sujeito constrói seus significados, a forma como interage com os diversos grupos sociais e as diversas experiências vivenciadas ao longo da sua trajetória contribuem para a interiorização de processos identificatórios por parte dele mesmo. Isso possibilita ao individuo ter maior compreensão da sua localização objetiva e subjetiva no ambiente social (BERGER; LUCKMAN, 1999).

O trabalho contribui para a configuração da identidade, pois interfere na projeção que o indivíduo faz de si mesmo durante sua trajetória profissional. Por meio dos processos de socialização, o indivíduo incorpora maneiras de pensar, formas de agir, interioriza valores, normas, ao mesmo tempo que se faz reconhecer e se reconhece perante outros (DUBAR, 2005).






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