Catequese 1



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CATEQUESE 1
Jesus chama-nos” – 1º bloco:

No primeiro bloco, os catequizandos são levados a descobrir que são chamados por Jesus para a catequese e, se for o caso, a fazerem o seu despertar religioso.

Assim as primeiras catequeses são essencialmente de descoberta:

– da existência de Jesus, e por meio d’Ele, de Deus como Amigo e Criador, que cuida de nós e nos faz crescer, nos fala através de sacerdotes, leitores e catequistas:

– dos vários espaços da Sua casa e do grupo dos Seus amigos, a comunidade cristã que os acolhe e na qual são convidados a integrar-se.

Nas últimas catequeses, as crianças descobrem Maria como a escolhida por Deus para ser Mãe de Jesus. Ela acolhe na anunciação, o dom de Deus: ser Mãe do Seu Filho Jesus. No seguimento disto, as crianças são iniciadas na descoberta do verdadeiro sentido do Natal.


JÁ VOU À CATEQUESE



I – INTRODUÇÃO
APROFUNDAMENTO DO TEMA
1. Há sempre uma primeira vez

Todos nós, como adultos, temos consciência da dificuldade que tantas vezes sentimos, quando nos deparamos pela primeira vez com alguma situação desconhecida. Por muito preparados que estejamos, quando nos defrontamos com um meio ou pessoas desconhecidas, temos tendência a ficar retraídos, até mais vulneráveis, em muitos casos, e isto tanto se dá a nível das ideias como, e talvez acima de tudo, a nível do sistema emocional. Por outro lado, tornámo-nos mais observadores, mais ávidos de conhecer. Qualquer coisa em nós permanece como um 'radar' captando tudo o que se passa à nossa volta – ainda que de forma imperfeita.

Quem não experimentou ter que se deslocar para uma terra ou lugar totalmente desconhecido? Quem não teve já, que enfrentar uma entrevista, a fim de se propor a um emprego? Quem nunca teve de enfrentar algo ou alguém pela primeira vez? Tantas coisas que nos acontecem, pela primeira vez, na vida!... Se umas são experiências que nos estimulam e motivam, deixando-nos o belo sentimento de segurança e de metas alcançadas e vencidas, outras podem ser experiências frustrantes, capazes de roubar a vontade, sobretudo quando o sentimento de frustração está associado a uma experiência péssima de falta de acolhimento, ou mesmo de rejeição.

Em todas as experiências que fazemos, especialmente naquelas em que temos de olhar alguém, olhos nos olhos, pela primeira vez, o acolhimento (delicadeza, interesse, respeito, diálogo, escuta) é o factor essencial para criar aquele clima que nos faz ser nós mesmos e assim desenvolver uma personalidade harmoniosamente integrada e socializada.


2. Acolher e ser acolhido

Jesus conhece bem este 'clima' de acolhimento e sabe criá-lo como ninguém. Mas também, como profundo conhecedor do dinamismo do coração humano, sabe quanto é importante deixar-se ser acolhido. A capacidade para o amor e para o serviço aos demais, dependem fundamentalmente deste dinamismo recíproco de acolher e deixar-se acolher.

Estando Jesus em viagem, entrou num povoado, e certa mulher chamada Marta, recebeu-O em sua casa. Sua irmã, Maria, ficou sentada aos pés de Jesus, escutando-Lhe a Palavra. Marta estava ocupada com muito serviço. Parando, por fim disse: “Senhor, não Te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.” Jesus porém respondeu-lhe: “Marta, Marta, tu andas inquieta e perturbada com muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada” (Lc 10, 38-42).

Jesus revela uma capacidade enorme para acolher e deixar que O acolham. Mostra que sabe discernir os graus e formas de acolhimento. Ele aprecia o serviço atento e acolhedor de Marta, mas exorta-a delicadamente a rever a forma como o faz e por que o faz. Não tira “a melhor parte” a Maria e nem a nega a Marta. Ele sente-se entre amigos e, como Amigo, ajuda-os a crescer, desde dentro.


3. O acolhimento liberta e desenvolve o ser humano

Sabemos como, por vezes, acolher se torna uma tarefa difícil. Acolher e deixar-se acolher implica que duas vontades se unam: a do coração (afecto) e a da razão (inteligência). São dois dinamismos que precisam de se colocar em interacção, a fim de permitir o crescimento e a liberdade mútuas.

Quem acolhe revela-se e permite que o outro se revele. Cria condições de diálogo e, simultaneamente, as condições de silêncio (interior), tão necessárias para que as relações humanas se estabeleçam na confiança e na simpatia. Um bom acolhimento consegue adivinhar, ou melhor, percepcionar as necessidades do coração do(s) outro(s). O acolhimento gera expectativas e motiva as energias psíquicas, físicas e espirituais face aos empreendimentos.

O acolhimento proporciona um correcto conhecimento. Este, por sua vez, desenvolve a aceitação e a integração do outro como um ser pessoal no qual “me completo”. Daí resulta uma capacidade para a doação e para o serviço que é, antes de tudo, uma escuta e resposta gratificante à vida, contribuindo para uma transformação sadia da mesma.

O acolhimento transforma a vida, em ordem a uma personalidade amadurecida. A serenidade e a confiança são a feliz conquista do acolhimento.
OBJECTIVOS

– Proporcionar um bom acolhimento às crianças.

– Conhecer a sala de catequese e os espaços envolventes.

– Despertar uma expectativa positiva e motivadora face à catequese.


OBSERVAÇÕES PEDAGÓGICAS

A criança está a iniciar um novo período de desenvolvimento. Entra em contacto com um universo mais aberto que a faz sentir-se importante. Porém, este universo, se a atrai, também muitas vezes a assusta e desanima. Por isso, caso algumas crianças se mostrem receosas em ficar com o novo grupo, o catequista deve convidar os pais a participar no encontro de catequese de forma activa. Um bom ACOLHIMENTO, muita compreensão e acompanhamento serão o trampolim seguro que a fará crescer serena, capaz de enfrentar medos e desafios.


As crianças chegam pela primeira vez aos espaços da catequese e entram em contacto com aquele que vai ser o seu catequista. Este, tem o dever de lhe proporcionar aquilo a que ela tem direito: ACOLHIMENTO. Por isso, antes de entrar para a sala, o catequista deve acolher cada criança com muita atenção; deve dar também atenção aos pais, mas sem gastar muito tempo com eles.

No grupo da catequese ela vai fazer a descoberta de novos amigos, que com ela vão ser acolhidos, crescer e conhecer coisas novas. No entanto, algumas mostram-se mais tímidas, pelo que o catequista dever ter o cuidado de deixar que as crianças, sobretudo nos meios grandes, onde nem todas se conhecem, possam ir ao encontro das mais conhecidas e amigas.

Especialmente nestes primeiros encontros, o catequista deve ter o cuidado de preparar atempadamente a sala/lugar de catequese, para que demonstre disponibilidade e atenção, quando recebe os pais e as crianças.

No decorrer deste encontro, o catequista criará momentos lúdicos que promovam o conhecimento mútuo e um primeiro reconhecimento dos espaços envolventes do local onde irá decorrer a catequese. Propomos duas alternativas, entre as quais o catequista deve escolher, de acordo com as características do seu grupo de catequese e dos espaços.


MATERIAIS

– Gravador ou leitor de CD’s;

– Dístico:” Bem-vindos”;

– Toalha branca;

– Jarra com flores naturais;

– Rosto de Jesus;

– Novelo de lã grossa e cor forte, ou novelo feito com restos de tiras de pano (1ª Alternativa);
MÚSICA

– “Eu venho à catequese”.


II – DESENVOLVIMENTO DA CATEQUESE
1. Olá eu, chamo-me (__) e vou ser o vosso catequista. Sabem o que faz um catequista? (Ouvir as crianças)

É isso que vamos descobrir nos próximos encontros. Entraram este ano para a escola e fizeram amigos; aqui também vão conhecer novos colegas, que se irão tornar novos amigos. Quem gosta de ter amigos? E de fazer novos amigos? (Ouvir as crianças)

Para fazermos novos amigos, é necessário conhecermo-nos bem. Querem fazer um jogo, para nos conhecermos um pouco melhor?
1.ª Alternativa – Grupo grande
O jogo é simples: vamos fazer a “teia dos amigos”.

Quem já viu uma teia de aranha? Quem faz as teias de aranhas? Parece-vos fácil ou difícil de fazer? (Ouvir as crianças)



Se a actividade se realizar na rua, o catequista convida as crianças a fazerem uma roda; se o acolhimento for na sala, coloca as cadeiras em círculo, bem afastadas, e convida as crianças a sentarem-se.
Eu vou começar e cada um de vós vai fazer o mesmo, quando receber o novelo: eu chamo-me ______ e vou ser o vosso catequista durante este ano. Agora vou segurar na ponta da lã e atiro o novelo para o(a) menino(a) que está à minha frente que ainda não conheço e pergunto-lhe: como te “chamas”? Que idade tens?

De seguida, o menino que receber o novelo responde e segura o fio sem o largar, e também ele atira o novelo para outro menino(a) que ainda não conheça bem. Pergunta-lhe como se chama quantos anos tem, etc. Se quiser, até pode perguntar em que escola anda. E todos fazem o mesmo, até que o novelo tenha passado por todos, formando uma grande teia.

(No final:)

Reparem: no meio de nós formou-se uma teia, parecida com a das aranhas; mas a nossa é uma “teia de amizade”, porque agora já nos conhecemos melhor. Já sabemos os nomes e a idade uns dos outros. Alguns até têm o nome igual ou parecido e até a mesma idade.


2.ª Alternativa – Grupo pequeno
O jogo chama-se “O Jogo do Amigo”.

O que fazem os amigos quando se encontram? (Ouvir as crianças)

Cumprimentam-se.

E, quando fazemos novos amigos, gostamos de conhecê-los bem, gostamos até de conhecer a família deles, os outros amigos que têm e até gostamos de conhecer a casa deles, e ir para lá brincar.

Hoje vamos fazer um jogo que nos vai ajudar a conhecer-nos melhor.

Formemos uma roda. Um, de cada vez, vai apertar a mão de todos os outros (como fazem os adultos, quando se cumprimentam) e, ao cumprimentar, diz: Olá! Como estás? Bom dia! Boa tarde! Como te chamas?

Não podemos passar adiante sem que todos se tenham cumprimentado e falado.

E eu, que vou ser vosso(a) catequista, também vou jogar.


2. Agora, já nos conhecemos melhor uns aos outros.

No caso dos jogos não se terem realizado ao ar livre, alterar um pouco a forma das questões, para que as crianças descubram as diferenças e as semelhanças entre as salas onde têm aulas e onde vai decorrer a catequese.
Querem conhecer a nossa sala de catequese?

Na escola também têm uma sala de aulas, não é verdade? Gostam dela? (Ouvir as crianças)

Na nossa paróquia também temos salas para a catequese (cuidar da forma como se fala sobre este assunto, pois deve estar o mais possível de acordo com a realidade).

Vamos conhecer a nossa sala. (Entram ordenadamente na sala, anteriormente embelezada)

Gostam? Está bonita? Porque será que está assim arranjada?

É igual à vossa sala de aulas? Quais são as diferenças? (Ouvir as crianças)

É aqui, nesta sala, que ao longo deste ano vamos aprender a ser amigos, de verdade, e vamos conhecer um Amigo muito importante, que não vemos com os nossos olhos, mas é a principal razão por que vimos à catequese. Sabem quem é? (Ouvir as crianças)

Jesus! Muito bem. É por causa d’Ele que vimos à catequese.

Querem conhecê-lo? (Ouvir as crianças)

Para isso, têm de vir todas as semanas à catequese.

Vou contar-vos uma história. Querem escutar?

Eu tinha mais ou menos a vossa idade…
O catequista, em cinco minutos, no máximo conta a sua experiência de, quando criança, foi para a catequese. Realça, desta experiência, o lugar, as condições e o (a) catequista que teve, dando relevo aos aspectos mais positivos da sua experiência.

Caso seja difícil ou impossível falar da sua experiência pessoal, pode pedir ajuda a outro catequista, ou até convidar um adolescente, para dar um breve testemunho da sua.
Gostaram?

Já nos conhecemos um pouco melhor. Já conhecemos a nossa sala de catequese. Mas será que já conhecemos todos os espaços da catequese? (Ouvir as crianças)

Como alguns de vós ainda não conhecem, vamos dar um passeio, para descobrirmos todos os espaços do nosso centro de catequese.

Vamos dar a mão dois a dois e vamos sair com muita ordem. Eu vou à frente. Vou ser o vosso guia.


O catequista sai e mostra-lhes, sem demoras, os espaços que circundam todo o ambiente da catequese, sobretudo os mais necessários, como sejam o local do acolhimento – se o houver – e a casa de banho, indicando-lhes as regras de utilização. Se a catequese for dentro da igreja, o catequista terá o cuidado de a mostrar e dar as devidas explicações, porém sem entrar em pormenores, visto que haverão catequeses para esse efeito.

Outra proposta para conhecer bem as instalações, poderá ser feita através da dinâmica “Caça ao Tesouro (ver Doc. 1). Acabada a visita, que não deve ser muito longa, regressam à sala.
3. Tantas novidades que hoje descobrimos: Já conhecemos novos amigos, já me conhecem a mim, já conhecem os espaços da catequese…

Quando os amigos nos dão coisas de que gostamos muito e nos fazem sentir muito felizes, o que é que nós lhes dizemos, para mostrarmos que estamos contentes e agradecidos? (Ouvir as crianças)

Isso mesmo: dizemos obrigado. Os vossos pais, familiares e amigos ficam felizes por já estarem mais crescidos e virem à catequese. Querem dizer obrigado, por estarmos aqui todos juntos?

Vamos fazer uma roda e aprender uma canção:


Canção: Eu venho à catequese
Se possível, termine-se este primeiro encontro de catequese com um pequeno convívio/lanche. Podem convidar-se os pais ou outros educadores, que normalmente vêm buscar as crianças, a participarem nele.
III DOCUMENTOS

DOCUMENTO 1


Jogo “Caça ao Tesouro”

De modo muito simples e com estratégias do género da gincana, o catequista prepara alguns símbolos de acordo com os espaços que vão visitar. Exemplos:

1.º- Desenho de uma criança em frente a uma porta e a dizer: “ai, ai, despacha-te daí para fora que estou aflito”. Adivinha: “Que local vamos conhecer?” – A casa de banho.

2.º - “Que bom, agora já podemos correr, saltar e até falar bem alto.” Adivinha: “Que local vamos conhecer?” – O pátio…



CATEQUESE 2

TENHO MAIS AMIGOS



I – INTRODUÇÃO

APROFUNDAMENTO DO TEMA
1. Gostamos de ter amigos

Um amigo é um tesouro. Quantas vezes ouvimos e sentimos esta verdade?

A amizade é um bem tão essencial à nossa vida como o ar que respiramos. É condição e fonte de vida nova, que se desenvolve no tempo e se prolonga para além dele.

Todos aspiramos por amizades profundas, verdadeiras. Nada há mais excelente do que ter um amigo em quem confiar. Só o amor nos pode fazer verdadeiramente felizes. É talvez a única coisa que vale por si mesma.

A verdadeira amizade é aquela que culmina em amor. Supõe uma entrega em grau particularmente elevado e leva a uma intimidade cada vez mais intensa.

Atribui-se a Platão a seguinte afirmação: “Só te ama quem ama a tua alma”. De facto, tem de ser assim a verdadeira amizade. Esta, não só é pessoalmente desinteressada, como nos leva a preocupar-nos em exclusivo pelo bem da pessoa amada, e encerra, por si mesmo, uma dinâmica de eternidade.

A amizade cresce no bem que se quer ao outro, no respeito pelas suas diferenças. Supõe um acolhimento integrador das diferenças. Quando conhecidas, respeitadas, proporcionam ao amigo a oportunidade e a alegria de poder crescer e valorizar-se como pessoa. E, nessa pessoa, também eu me torno mais pessoa.

Esta amizade é, assim, um tesouro, semelhante ao do Reino dos Céus. Neste caso, o que é preciso deixar ou vender são os nossos individualismos e egoísmos (cf Mt 13, 44-46). Mas vale a pena.


2. Jesus, o nosso melhor Amigo

Jesus vive e conhece, mais do que ninguém, a profundidade deste amor, que gera uma confiança sem limites e uma verdadeira fraternidade, vivida na liberdade. Mesmo quando está longe, fisicamente ausente.

Foi o que aconteceu com o seu amigo Lázaro (cf Jo 11, 1-45).

As irmãs mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente.” Mas, quando Jesus chegou, Lázaro já tinha sido sepultado, havia quatro dias. Nada mais havia a fazer. Marta, porém, disse a Jesus: “Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido. Mas, ainda agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Ele to concederá.” Disse-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará.” Perguntou-lhes onde o tinham colocado e, ao aproximar-se do local, estremeceu de comoção, perturbou-se no seu íntimo e chorou. Até alguns dos judeus presentes reconheceram a sua amizade por Lázaro: “Vede como era seu amigo!”

Depois de retirada a pedra que tapava o sepulcro, Jesus ergue os olhos ao céu, reza a Deus, seu Pai, e brada com voz forte: “Lázaro, vem cá para fora”. E Lázaro saiu.

A força do amor vence tudo, até a morte, e tudo o que a ela conduz: o amor d'Aquele que, ao morrer por nosso amor, ressuscitou para sempre e se tornou definitivamente a “ressurreição e a vida” para quem nele acreditar. “Crês nisto?” – pergunta Ele a cada um de nós, como perguntou a Marta. É que, é da fé no seu amor extremo que nasce e vive o seu amor em nós.


3. O amor que nasce e vive da Fé

O amor aprende-se por contágio. Repare-se na criança pequenina que, nos braços da mãe, estende os seus lábios para o seio de que se alimenta: tanto ou mais do que o leite que bebe, o que ela saboreia é o carinho da mãe que a envolve com os seus braços e lhe transmite o calor do seu corpo e da sua alma, o calor do amor. Por isso é que a criança se entrega sempre de novo e cada vez com mais intensidade: pelo amor a que responde com a entrega confiante, o amor que, assim, vai formando parte integrante da sua vida e lhe dá sentido. Pelo amor que recebe, experimenta e integra na sua vida, aprende que a sua própria vida só tem sentido, se vivida no dom, na entrega, no amor. E quanto maior for a intensidade do amor que recebe, tanto mais intenso será o amor com que se dá.

Uma experiência fundamental para a vida, mas que, infelizmente, é cada vez mais rara no mundo em que vivemos. Daí os desequilíbrios que se notam já nos primeiros anos da escola e crescem com o passar do tempo. Quantos males, dos que padece grande parte da nossa juventude, têm a sua raiz profunda na falta de carinho, afecto, amor, durante os anos de crescimento! Se muitos jovens não sabem o que é amar, no sentido profundo do termo, foi porque nunca experimentaram amor da parte daqueles - pais e outros - dos quais foram recebendo a vida.

E se esses não quiseram ou não puderam transmitir-lhes amor, foi porque lhes faltava a fonte do verdadeiro amor: o Deus cuja vida consiste em amar sem fronteiras, nem de tempo nem de espaço; o Deus cujo amor teve a manifestação mais intensa no dom do seu único Filho, em sentido próprio; o Deus que, neste seu Filho, morre por nós, para nos libertar de tudo o que é destrutivo do amor: o pecado, fonte de tantos males, tantas desgraças, tanta morte.

É deste Deus que precisamos: do amor que Ele continua a oferecer-nos na sua Igreja; o amor que faz de nós irmãos de todos, até daqueles que não nos amam, os nossos inimigos.

Saboreemos esse amor, deixemo-nos conquistar e contagiar por ele: o amor que está na origem da fé, da entrega confiante a quem tanto nos ama, e, em nós, atinge dimensões que ultrapassam os limites do tempo e do espaço em que decorre a nossa vida.

Entreguemo-nos, pela fé, ao Deus de Jesus Cristo, e estaremos em condições de darmos testemunho dele: no amor que temos, nomeadamente, às crianças que nos são confiadas na catequese. É essa a nossa missão: abrir-lhes os olhos para Deus, que tanto as ama. Vê-lo-ão, na medida em que o experimentam ao vivo em nós.
OBJECTIVOS

– Partilhar a alegria do encontro com novos amigos.

– Compreender a catequese como descoberta de um amigo especial: JESUS.

– Respeitar os outros, para viver em amizade.


OBSERVAÇÕES PEDAGÓGICAS

A criança é muito sensível ao acolhimento que lhe fazem. Os elogios, o carinho fazem-na sentir-se importante e segura. Gosta de ter amigos, quer ter muitos amigos da sua idade; mas dá-lhe particular alegria ter a amizade especial deste ou daquele adulto. Ter um adulto, para além do pai ou da mãe, como grande amigo, ajuda-a a crescer na sua auto-estima. Aprende a ser depositária da amizade: ela recebe amizade e irá retribuir a amizade aos outros. A amizade dos adultos vai ajudar a criança a viver com verdade diante dos amigos, libertando-se progressivamente de interesses próprios e egocentrismos.


Na catequese, precisa de encontrar, na pessoa do catequista, esse amigo que está com ela, para ajudá-la a crescer (exige e estabelece regras) e para vê-la crescer (está presente, para a amparar e estimular nos avanços e nos recuos do seu crescimento). A figura meiga, acolhedora e amiga do catequista deve sobressair no espaço da catequese, para que a criança possa, de facto, confiar nela, sentir carinho, segurança, acolhimento, mas também autoridade (no bom sentido do termo).
Este encontro principia, de uma maneira muito simples, com a descoberta pelas crianças do que distingue um colega de um amigo. Assim, na 1ª Alternativa, são convidadas a participar num jogo, cujo objectivo é permitir o conhecimento maior dos seus gostos (jogos preferidos, desenhos animados, etc). Na 2ª Alternativa, é-lhes proposto plantar a flor da amizade; o objectivo é levar a criança a descobrir o que é necessário para manter uma verdadeira amizade.
Na segunda parte, faz-se uma breve apresentação de JESUS como o Amigo, por excelência, das crianças. É seu amigo, porque o é também do catequista. Isto é, na amizade que experimentam do catequista, descobrem a fonte última e fundamental dessa amizade. E, na medida em que experimentam assim o amor de Jesus, sentir-se-ão motivadas para o amor, nomeadamente para com os colegas do grupo de catequese.
No final do encontro, propõe-se um pequeno momento de oração, na qual se agradece a JESUS o amor que tem por nós. Termina-a com um jogo, que ajuda as crianças a descobrir como se devem comportar na catequese. E isto, a oração e o jogo, já como vivência do amor.

MATERIAIS

– Leitor de CD (1ª alternativa);

– Música alegre para o jogo “ Encontro musical” (1ª alternativa);

– Caixa com um vaso, terra, planta, regador com água, pá (2ª alternativa);

– Dístico: “Jesus”;

– Ou a sua imagem, igual ou semelhante à do catecismo;

– Material para jogar “As regras do nosso grupo”.
MÚSICAS

– Música alegre (1ª alternativa);

– “Nós Somos Amigos”;

– “Obrigado Jesus, porque és meu amigo”.



II – DESENVOLVIMENTO DA CATEQUESE

I. EXPERIÊNCIA HUMANA
1. Na catequese da semana passada conhecemos novos colegas e fizemos um novo grupo. Cada um disse o seu nome. Nós conhecemos os amigos pelo nome. Querem dizer o nome dos vossos amigos? (Ouvir as crianças)

Quem se lembra dos nomes dos novos colegas que conheceram aqui, na semana passada? Vamos ver quem acerta mais. (Ouvir as crianças)


O catequista procura identificar a criança ou crianças que mais nomes conheçam, para a elogiar pela vontade de fazer novos amigos.
Será que podemos dizer que já somos amigos? (Ouvir as crianças)

Talvez não. É ainda necessário conhecermos os gostos dos outros (jogos preferidos, desenhos animado…), estarmos juntos, partilharmos brincadeiras, termos carinho e amizade uns pelos outros.

Querem conhecer-se melhor?
1.ª Alternativa – Grupo grande
Vamos fazer um jogo: eu coloco uma música a tocar e, enquanto a ouvimos, vamos andar pela sala. Quando a música pára, cada um dá o braço ao menino que estiver mais perto de si e começa a conversar com ele, perguntando-lhe: em que escola andas? gostas da tua professora? tens irmãos? com quem costumas brincar mais? qual o teu jogo preferido? qual o teu filme preferido? (…) Depois de ouvir as respostas, é a sua vez de responder às questões colocadas pelo seu par.
Quando o catequista vir que a maior parte das crianças já parou de conversar, continua o jogo, colocando a música, e assim sucessivamente, até que todos tenham falado uns com os outros.
Então o que descobriram? (Ouvir algumas crianças)
2ª Alternativa – Grupo pequeno
Os nossos amigos podem ser comparados a uma flor.

Gostam de flores?

Quem já plantou uma flor? (Ouvir as crianças)

E, se plantássemos aqui na catequese a “flor da amizade”. Para isso, precisamos de alguns materiais. De que materiais precisamos? (Ouvir as crianças)


De uma caixa ou açafate grande, que até então permaneceu fechada, e, à medida que as crianças forem mencionando os utensílios necessários, o catequista retira-os da caixa.

Precisamos de uma flor ou planta! – Vamos ver se nesta caixa temos?

Precisamos de terra! – Vamos ver se…

Precisamos de água! – Temos aqui um regador com água…

De uma pá!

(Em cima de uma mesa, coberta com um papel ou plástico, todos colaboram no trabalho de “jardinagem”).
A nossa flor já está plantada, e seguimos todas as regras necessárias.

Mas, falta ainda uma regra que temos de seguir, para que ela não morra. Que vamos precisar de fazer? – Regar, dar-lhe luz, falar baixinho com ela…

As flores precisam de tantos cuidados para crescer, como a nossa amizade! Para sermos amigos verdadeiros, é necessário tratarmo-nos com muito carinho e atenção.
2. (Para as duas alternativas)
Sabem o que estou a concluir do que fizemos? É isto: não podemos viver sozinhos. Se vivêssemos sozinhos, a nossa vida seria triste. Sabem por que precisamos tanto uns dos outros, para sermos felizes, e por que é que os meninos precisam tanto da mãe, do pai, dos avós? (Ouvir as crianças)

Sem os mais crescidos, que nos ensinam tantas coisas, teríamos muita dificuldade em crescer, pois há muita coisa que ainda não sabemos, nem podemos fazer.

Mas, com o pai e a mãe a trabalhar, que seria de nós, se não tivéssemos um professor na escola?

Teríamos dificuldade, em aprender a ler, a escrever, fazer contas…

E aqui na catequese, quem é a pessoa que mais vos pode ajudar a crescer e dar-vos a conhecer muitas coisas importantes para a vossa vida? (Ouvir as crianças)
II. PALAVRA
1. Então o que descobriram sobre as qualidades de um verdadeiro amigo? (Ouvir as crianças)

Isso mesmo, um amigo é mais do que um colega. Um amigo é carinhoso e atento, brinca connosco, partilha os seus brinquedos, conta-nos os seus segredos, sente a nossa falta, quando estamos longe… Na catequese, cada um de vós pode contar com a amizade dos outros meninos, mas também com a minha.


2. Já algum dos vossos amigos vos apresentou um amigo seu, que vocês não conheciam, mas que, depois de conversarem e brincarem, esse amigo passou, também, a ser vosso amigo? (Ouvir as crianças)

Isso aconteceu-me já muitas vezes. Mas recordo com especial carinho, o dia em que a minha catequista me deu a conhecer um grande Amigo dela, que era Amigo de todos, e que iria ser meu Amigo também.

Sabem quem é? Como se chama? (Sem dizer mais nada, afixar o nome e/ou a imagem de:) Jesus
Este é o nome (e/ou a figura) do meu grande amigo: Jesus! (Deixar contemplar)

Foi primeiro com a minha mãe e o meu pai (e irmãos) e mais tarde com a minha catequista que eu descobri que afinal o grande Amigo deles, era também meu Amigo. Só que eu não O conhecia bem, mas a minha catequista sim. Falava-me d’Ele com muito carinho e dizia-me que Ele era muito bom e amigo de todas as pessoas. Gosta de ver as crianças a crescer felizes e muito amigas umas das outras. Eu nunca tinha ouvido falar assim de ninguém. Daí em diante fiquei com muita curiosidade em conhecer Jesus.

Descobri muitas coisas sobre Jesus; aprendi:

– que Jesus pensa em mim sempre com carinho;

– a falar com Jesus, no segredo do meu coração, com palavras muito lindas.

– Assim fui crescendo com Jesus como o meu melhor Amigo.


3. Ao longo deste ano de catequese irei falar-vos dele para que possam conhecê-l’O melhor. Ele também nos vai contar muitos dos seus segredos. Querem conhecer melhor este nosso Amigo?

(Ouvir as crianças; Depois se possível, convidá-las a cantar a 2ª estrofe da canção “Eu venho à catequese:)
Uma vez que já sabem o nome do nosso melhor amigo, querem dizer isso a cantar? É assim:
Jesus gosta de mim”…

III. EXPRESSÃO DE FÉ
1. O que fazem quando encontram um amigo? (Ouvir as crianças)

Claro, quando encontramos um amigo queremos logo falar com ele, cumprimentá-lo, contar o que fizemos …

Querem falar um pouco com Jesus?

Que gostariam de Lhe dizer? (Ouvir as crianças)

Nós podemos dizer-Lhe tudo o que quisermos. Proponho que hoje lhe digamos obrigado por pensar em nós, por ser nosso amigo. Estão de acordo?
O catequista, em atitude de oração, convida as crianças a fazer o mesmo; depois diz uma primeira vez a oração por inteiro, e uma segunda vez frase por frase, para que as crianças possam repetir:
Obrigado, Jesus,

porque és meu amigo!

Obrigado, Jesus,
porque gostas de mim!


(Depois de recitarem a oração, o catequista pode convidar as crianças a repetir, cantando)

2. Para sermos amigos uns dos outros, temos que nos respeitar. Que acontece, quando não emprestam um brinquedo a um dos vossos amigos? (Ouvir as crianças)

Normalmente zangam-se ou ficam tristes, porque o vosso amigo ou vocês não respeitaram uma das regras da amizade: emprestar aos outros as nossas coisas.

Em casa também temos regras: ninguém vai jantar para o quarto, nem dormir para a casa de banho. Também aqui na catequese temos que aprender a respeitar certas regras, para nos mantermos amigos uns dos outros e de Jesus.

Querem descobri-las através de um jogo?

Vamos então fazer o jogo: “As regras do nosso grupo” (Documento 1).

3. Vamos ser mesmo um grupo de bons amigos? Vamos cumprir todos os sentidos obrigatórios?

Então cantemos todos, uma canção, em que mostremos a nossa amizade:



Nós somos amigos aqui e agora
(Pode cantar-se a 2ª estrofe, com as crianças de mãos dadas).

III. DOCUMENTOS
DOCUMENTO 1
Jogo: “As regras do nosso grupo”
Em cima da mesa o catequista coloca as seguintes imagens:

– Relógio;

– Crianças amigas, a tratarem-se pelo nome;

– Crianças amigas, a trabalhar em grupo;

– Criança atenta a ouvir alguém;

– Criança com dedo na boca (gesto de mandar fazer silêncio);

– Criança a guardar o telemóvel e o “Game Boy”;

– Criança de dedo no ar, a pedir a vez;

– Criança com catequista;

– Criança (pequenos símbolos) com o nome de cada uma;



– Crianças a caminharem para a igreja ao lado de adultos (pais).
As crianças primeiro escolhem as imagens e tentam interpretá-las, com a ajuda do catequista. De seguida, vão juntando os dísticos de sentido obrigatório ou de sentido proibido, consoante a situação.
Exemplo:




Sentidos Obrigatórios

Sentidos proibidos



- Ser pontual

- Chegar atrasado ou faltar

Descobertas as regras, afixam-se por ordem de importância., O catequista procura, com as crianças, descobrir quais as mais importantes, e, de comum acordo, estabelecê-las.


DÍSTICOS:

Sentidos Obrigatórios

Sentidos proibidos

(Pode-se utilizar o símbolo dos sinais de trânsito)

 - Ser pontual

 - Chegar atrasado ou faltar

 - Somos amigos. Chamamo-nos pelo nome

 - Bater. Chamar nomes feios

 - Participar (trabalhamos em grupo)

 - Ser preguiçoso

- Estar atento

 - Estar distraído

 - Fazer silêncio/ escutar

 - Fazer barulho

 - Mandar no corpo/ pedir a vez

 - Causar distúrbios

 - Vir sempre à Catequese

 - Faltar à Catequese

 - Saber o nome de todos

 - Não chamar pelo nome

 - Ir à Missa

 - Faltar à Missa


Depois de afixadas, o catequista convida a olhar bem para as imagens e a repetir as regras.

É importante que este painel possa ficar na sala durante o ano de catequese. Mas, o catequista evite servir-se dele constantemente, ao longo do ano para moralizar. As regras são um meio, não um fim em si mesmas.
CATEQUESE 3

VISITAMOS A CASA DE DEUS



I – INTRODUÇÃO

APROFUNDAMENTO DO TEMA
1. Um cristão não pode viver na indiferença

No mundo secularizado em que vivemos, é cada vez maior a descristianização de pessoas baptizadas. De tal modo que até se intitulam de cristãos não praticantes. Como se tal fosse possível! Ou se é e se pratica ou se deixa de ser, por falta de prática.

Nota-se ainda uma indiferença religiosa: não se faz a experiência da íntima e vital união com Deus até se rejeita quem a faz (cf GS 19).

O secularismo, o imediatismo, o hedonismo e tantos “ismos”, a que a humanidade rende devoção, têm vindo a mergulhar o ser humano no vazio. Enquanto muitos andam atafulhados de coisas e saberes, a outros falta o essencial para viver, para a dignidade a que têm direito. Na origem de tais desarmonias pessoais e sociais, está a perda da consciência moral e religiosa e da relação com o Ser que nos transcende e, por isso, nos pode levar a transcender-nos, para a abrir-nos aos outros, à vida, ao amor.

O ateísmo, teórico e prático, é uma das realidades mais graves do tempo actual. Embora em formas diversas, aparece hoje especialmente na visão autonomista da pessoa e do mundo. Para o ateísmo, o mundo explica-se por si mesmo, sem ser necessário recorrer a Deus. É bem possível que isto tenha contribuído para o afastamento de Deus, de Cristo e da sua Igreja, por parte de tantos cristãos.

Por isso, neste ambiente cultural, ser cristão implica uma fé esclarecida, viva, fundamentada e provada. O cristão não pode ficar por meias tintas. Ou é ou não é. Quem hoje vai à igreja, tem de estar consciente de que, ao sair para o mundo do trabalho, da escola, da família, da sociedade, leva Cristo e a Igreja consigo. Ser cristão, implica sê-lo em toda a parte.

Se, como proclamaram os Padres do II Concílio do Vaticano, “a luz dos povos é Cristo que resplandece no rosto da Igreja” (LG 1), é dever de todo o cristão, como membro da Igreja, anunciá-lo como Evangelho a toda a criatura Mas que seja um anúncio que se exprima na prática de vida. Só esse convence, conquista, transforma, salva.


2. Jesus zela pela “Casa do Pai”

No fundo, foi esta incoerência entre a fé celebrada no culto e não testemunhada na prática de vida, que levou Jesus a intervir com uma violência desusada, na cena da purificação do templo. Vejamos o que Ele nos diz em Mc 11, 17: “Não está escrito: a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos? Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões”.

Jesus justifica a “limpeza” do átrio externo do templo, com duas passagens do Antigo Testamento: Is 56, 7 e Jer 7, 11. São duas passagens que se completam: para se realizar a promessa de Is 56, 7, tem de deixar de se fazer aquilo de que se é acusado em Jer 7, 11.

Comecemos por esta última acusação. O profeta dirige-se contra aqueles que, no dia -a -dia, levam uma vida contrária à vontade de Deus, e depois, no templo, com as suas devoções Lhe tentam fechar os olhos para não ver o mal que fazem. É assim que o templo se torna um “covil de ladrões”. O que compram no átrio do templo, para oferecer a Deus, compram-no com dinheiro obtido ilicitamente, à custa do bem das suas vítimas.

Portanto, a limpeza feita por Jesus, não é tanto contra os que vendem, como sobretudo contra os que compram: depois de “comprar” a vida dos pobres, tentam “comprar” o próprio Deus – o Deus dos pobres e desfavorecidos. É a isto que Jesus se opõe: à tentação de servir-se de Deus para os próprios interesses, em vez de a Ele se entregar pela conversão e a fé. Tentam mandar em Deus, em vez de deixarem que Ele reine sobre eles: no templo e fora dele.

Só esta abertura a Deus e, nele, aos outros, deixando que Ele seja verdadeiramente Deus, com a solicitude universal que lhe é própria, só assim a sua “casa de oração” será “para todos os povos”. Para isso, tenho de começar por mim: pela libertação dos meus egoísmos, de uma exclusiva busca dos meus interesses, pela libertação do pecado, que impede que Deus esteja em mim, com o Seu amor sem fronteiras. É esse amor que me leva a acolher todos os outros, independentemente do seu estatuto social, religioso, político ou nacional.

O Reino de Deus, proclamado por Jesus, não tem limites. Todos têm lugar na “casa de oração”, a sua Igreja, desde que se convertam ao Deus, cujo Reino Ele anuncia e inicia, sobretudo na sua morte, em que se oferece todo a Deus, num amor ilimitado.

Foi assim que Ele instituiu o novo templo: a Igreja. Nela se entra pela entrega total ao mesmo Deus a quem Cristo se entregou. É “casa de oração”, “templo do Senhor”, na medida em que Cristo nela se nos oferece, pela Palavra aí proclamada e pelos sacramentos aí celebrados. Uma casa, cujas portas estão sempre abertas para todos.


3. Cuidemos da casa de Deus que somos e temos

Diz-nos S. Paulo em Rm 12, 1-2: “Exorto-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Seja esse o vosso verdadeiro culto: o espiritual. Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual a vontade de Deus: o que é bom, lhe é agradável, o que é perfeito”.

Nestas palavras há, pelo menos, dois pontos que merecem a vossa atenção. O primeiro diz respeito ao verdadeiro culto, em que entramos em total sintonia com Deus. É aquele em que oferecemos os nossos “corpos”, isto é, as nossas vidas. Mas esta oferta é feita fora do lugar, em que sacramentalmente nos oferecemos a Deus e Ele nos oferece o dom ilimitado do seu amor.

Isto não quer dizer que o culto realizado na igreja seja desnecessário. Pelo contrário: sem a Eucaristia, muito dificilmente poderemos fazer de toda a nossa vida uma oferta aos outros. Mas, sem esta oferta, feita em todos os lugares em que vivemos, a Eucaristia - sacramentalmente celebrada na igreja - seria em vão. Na igreja recebemos a energia necessária para nos darmos com mais intensidade, em todos os lugares em que continuamos a ser “Igreja”, “casa de Deus”.


Com isto, chegamos ao segundo ponto: a exortação a não nos “acomodarmos a este mundo”. Vimos como hoje a tentação é grande. E muitos cristãos caem nela. Reduzem a prática religiosa às visitas à igreja, se é que fazem isso. Deixam-se contaminar pela mentalidade reinante no mundo, em vez de se orientarem pela vontade de Deus.

Para evitar tal perversão, só há um caminho: entrar com mais frequência na “casa de Deus”, e, pela oração e a comunhão fraterna, alimentar e fortalecer a união ao único Deus que nos pode salvar, o Deus de Jesus Cristo que se manifesta de modo especial na sua casa.

Esta é mais uma razão para zelarmos por essa casa, como fez Jesus: zelarmos para que seja verdadeira casa de Deus, em que Ele se manifesta no culto que aí lhe prestamos, um culto tanto mais eficaz, quanto mais nos empenhamos em participar activamente nele.
OBJECTIVOS

– Descobrir as diferenças entre a nossa casa e a casa de Deus.

– Conhecer os lugares mais importantes da igreja e o seu significado.

– Despertar o gosto por ir à casa de Deus.


OBSERVAÇÕES PEDAGÓGICAS

É cada vez maior o número das crianças que desconhecem a beleza de imitar um adulto nas suas palavras, gestos, e acções dentro da igreja. É que são cada vez mais os adultos que, ou já lá não vão, ou vão apenas ocasionalmente. Daí que muitas crianças desconheçam até a igreja como o lugar onde os amigos de Deus se reúnem, rezam e celebram.

A criança está na fase da vida em que gosta de conhecer coisas e lugares novos. Além disso, nutrida de alto grau de admiração e contemplação, é-lhe fácil aderir ao divino, através dos seus sinais. Mais: não lhe será difícil abrir-se à assembleia dominical, devido à idade de socialização em que está a iniciar a aprendizagem.

Aberta ao mistério, a criança é capaz de o aceitar e de reconhecer a igreja como a casa onde Deus mora. Isto é uma segurança e apoio para a fé que nela começa a crescer ou, pelo menos, a desabrochar. Deus oferece-lhe um lar. Compete aos pais, aos catequistas e a toda a comunidade cristã acolhê-la e dar-lhe o necessário testemunho


. O catequista não se esqueça de completar o convite para a Festa de Acolhimento que se vai realizar no domingo depois desta catequese. Motive também as crianças para convidarem os familiares a acompanhá-las nessa festa.
MATERIAIS

– Folhas de papel A4 (1ªAlternativa);

– Lápis e borrachas;

– Imagens de vários tipos de casas: habitações, hospitais, teatros, igreja, escolas, etc. (2ªAlternativa);

– Imagens do interior de algumas habitações: salas, cozinhas, casas de banho, quartos de dormir e outros elementos que mostrem as diferenças …(2ªAlternativa);

– Dístico: “Jesus convida-nos para irmos à casa de Deus”;

– Leitor de CD/ ou de cassetes;

– Postais ou fotografias da igreja que visitaram, para oferecer a cada uma das crianças, com as seguintes palavras: “A casa de Deus é casa de oração”;

– Lápis de cores.
MÚSICAS



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