Centro municipal de educaçÃo infantil



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CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL

PADRE JOÃO PALKO

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

2009

SUMÁRIO

1.0 - ORGANIZAÇÃO DA ENTIDADE ESCOLAR. 07

1.1 - IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO. 07

1.2 - MODALIDADE DE ENSINO. 08

1.3 - HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO. 08

2.0 - FILOSOFIA DA INSTITUIÇÃO. 09

3.0 - AS CONCEPÇÕES DE INFÂNCIA E DE FORMAÇÃO HUMANA. 11

3.1 - O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL. 12

3.2 - A ARTICULAÇÃO ENTRE AS AÇÕES DE CUIDAR E EDUCAR. 14

3.3 - GARANTIA DE ARTICULAÇÃO ENTRE AS AÇÕES DE CUIDAR

E EDUCAR. 16

4.0 - CARACTERIZAÇÃO DA CLIENTELA E DA INSTITUIÇÃO. 19

5.0 - REGIME DE FUNCIONAMENTO. 20

5.1 – NORMAS INTERNAS DE FUNCIONAMENTO. 20

5.2 - CALENDÁRIO DA EDUCAÇÃO INFANTIL. 21

5.3 – PROJETOS DE ARTICULAÇAO DA INSTITUIÇÃO COM A

FAMILIA E COMUNIDADE DA INSTITUIÇÃO. 21

6.0 - DESCRIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO, INSTALAÇÕES E

EQUIPAMENTOS. 25

6.1- MATERIAIS DIDÁTICOS. 26

7.0 - RELAÇÃO DO CORPO DOCENTE E TÉCNICO-ADMINISTRATIVO. 27

8.0 - ORGANIZAÇÃO DE CONTEÚDOS. 28

8.1 - EIXO FORMAÇÃO SOCIAL E PESSOAL. 28

8.2 - EIXO CONHECIMENTO DE MUNDO. 30

8.3 – EIXO MUSICA. 31

8.4 - EIXO ARTES VISUAIS. 32

8.5 - EIXO LINGUAGEM ORAL E ESCRITA. 33

8.6 - EIXO NATUREZA E SOCIEDADE. 34

8.7 - EIXO MATEMÁTICA. 35

8.8 - CONTEÚDOS (Crianças de 0 meses a 1 ano). 36

8.9 - CONTEÚDOS (Crianças de 1 ano a 2 anos). 37

8.10 – CONTEÚDOS (Crianças de 2 anos a 3 anos). 38

8.11 – CONTEÚDOS (Crianças de 3 anos a 4 anos). 39

8.12 - CONTEUDOS (Crianças de 4 anos a 5 anos). 41

8.2 - ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO. 42

8.3 – AVALIAÇÃO. 44

9.0 - GESTÃO ESCOLAR. 45

10 - ARTICULAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL COM O ENSINO

FUNDAMENTAL. 47

11 - AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA. 48

12 - AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL. 49

12.1 - FICHA AVALIATIVA DA INSTITUIÇÃO. 50

12.2 - FICHA DE AVALIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO. 51

13 - FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFISSIONAIS DA

INSTITUIÇÃO. 53

14 - EDUCAÇÃO INCLUSIVA. 54

15 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS. 56


APRESENTAÇÃO.

O maior desafio dos gestores é a habilidade de gerenciar as mudanças contínuas que os anos atuais e os próximos lhes reservam. A questão hoje não é mais porque se deve mudar, mas como, de que forma fazer acontecer às mudanças necessárias. Todas as organizações, principalmente a educacional têm como atributo fundamental, a capacidade de antecipar os acontecimentos, pois o novo século apresenta novos paradigmas, que exigem desempenhos eficazes para permanecer e progredir no mundo do trabalho.

O Sistema Educacional não pode omitir-se desses pressupostos, pois cairá no risco de tornar-se obsoleto e fugir aos seus propósitos mais elevados. Para oferecer ensino de qualidade voltado para a formação de alunos críticos, participativos, conscientes e preparados para serem os futuros empreendedores, de acordo com as exigências de uma sociedade competitiva e seletiva, em permanente mudança, faz-se necessário a elaboração de uma proposta pedagógica, que contenha fundamentação e condição de aplicabilidade onde resulte a efetivação desse objetivo. Desta forma, a dimensão educacional deve ser concebida na perspectiva da qualidade, da modernidade e do fortalecimento, as quais implicam em mudanças fundamentais nas estratégias, na organização e na revisão sistemática dos procedimentos.

Neste contexto, visando contribuir para um sistema educacional de qualidade, propõe-se também, a Formação Continuada dos Profissionais da Educação Infantil, através de capacitações, voltadas para a faixa etária de 0 mês a 05 anos, pautando-se na filosofia do comprometimento de garantia e de respeito aos direitos fundamentais das crianças.

A Educação Infantil não deve ser entendida como um espaço onde os pais, para trabalharem, deixam seus filhos para serem cuidados, mas deve ser compreendido como um espaço de aprendizagem, de desenvolvimento das diversas dimensões do conhecimento.

JUSTIFICATIVA.

Ao analisar as razões do estado, da sociedade civil e das famílias quando propiciam Educação Infantil, pode-se cair facilmente em argumentos sociológicos a respeito das transformações e necessidades das famílias, e em particular de pais e mães que trabalham profissionalmente fora de casa, exigindo um tempo longe dos filhos, entregues ao CMEI -Centro Municipal de Educação Infantil.Pode-se pensar em argumentos econômicos de diminuição de custos escolares, ao se constatar que os índices de repetência e evasão diminuem quando os alunos do Ensino Fundamental são egressos de boas experiências em educação infantil, mas há que se pensar na própria natureza dos afetos, sentimentos e capacidades cognitivo/lingüística, sócio/emocionais e psico/motoras das crianças, que exigem políticas públicas, que propiciem às famílias igualdade de oportunidades e às crianças uma educação de qualidade.

Partindo dos princípios filosóficos sociológicos a que se destina esta Proposta Pedagógica que considera a educação como compromisso político do Poder Público para com a população, visando à formação do cidadão participativo, o CMEI – Centro Municipal de Educação Infantil, norteia seus princípios como direito de todos, alicerçada nas múltiplas necessidades humanas. A epistemologia leva em conta que o conhecimento é construído e transformado coletivamente, pautando-se na socialização-histórica e na democratização do saber, garantindo uma unicidade entre teoria e prática, enfocando o conhecimento como processo contínuo, flexível e dinâmico. Os pressupostos didático-metodológicos têm por finalidade favorecer os educadores na elaboração crítica dos conteúdos, por meio de métodos e técnicas de ensino e pesquisa que valorizam as relações solidárias e democráticas, através de um trabalho interdisciplinar, ampliando a perspectiva de pesquisa como princípio educativo. O que fundamenta o processo de ensino aprendizagem é a relação entre os princípios de pesquisa e o cotidiano educacional.

Portanto, esta proposta é construída coletivamente envolvendo a família, comunidade e educadores; numa Tendência Histórico-Crítica, aberta às adaptações, correções que darão margens para que novas práticas educacionais sejam acrescidas em todos os momentos de sua operacionalização.

¨ A Educação sozinha não transforma a sociedade.

Porém, a sociedade não será transformada sem a educação¨. (Paulo Freire)

1.0 - ORGANIZAÇÃO DA ENTIDADE ESCOLAR.


1.1 - IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO.

Centro Municipal de Educação Infantil Padre João Palko.

Código da Instituição: 41374754

Endereço: Rua Presidente Getúlio Vargas, nº 728.

Bairro: Vila Brasília.

Cidade: Mandirituba.

Código da Cidade: 1440.

Fone: (41) 3626-1236.

E-mail: cmeijpalko@yahoo.com.br

Entidade Mantenedora: Prefeitura Municipal de Mandirituba.

Dependência Administrativa: Municipal.

1.2 - MODALIDADE DE ENSINO.

O CMEI - Centro Municipal de Educação Infantil Padre João Palko, oferta o Ensino de Educação Infantil. Caracteriza-se como uma unidade educacional e atende nos períodos manhã e tarde; numa jornada de 47 horas semanais, tem como entidade mantenedora a Prefeitura Municipal de Mandirituba.

Oferece atendimento às crianças de 0 a 05 anos, visando à socialização e a manifestação cultural, a qual garante a articulação do conhecimento científico construído historicamente, com as experiências e vivências de educandos e educadores. Entendendo que um dos grandes papéis da educação é de efetivar-se enquanto instrumento fundamental de Formação Humana, isto é, a educação através de suas ações pode possibilitar a mudança da sociedade (cultura, grupos, pessoas, instituições). Dessa forma, não podemos conceber a educação como uma ação imobilizadora, muito pelo contrário, ela deve ser entendida como processo que está em permanente construção histórico-social e cultural.


1.3 - HISTÓRICO DO ESTABELECIMENTO.

A Creche Municipal “Padre João Palko” foi inaugurada aos três dias do mês de março de 1994, nas dependências de uma casa prefeiturada. A mesma surgiu devido à necessidade e o crescimento da própria comunidade. Em maio do mesmo ano iniciou-se reformas e ampliações do espaço físico da antiga escola municipal para adaptação e atendimento de aproximadamente 50 crianças.

O CMEI – Centro Municipal de Educação Infantil Padre João Palko atualmente atende às crianças que pertencem à faixa etária de 4 meses a 05 anos, sendo elas da própria comunidade e comunidades vizinhas. Os funcionários possuem formação de nível médio (Magistério) e alguns estão cursando Pedagogia.



2.0 - FILOSOFIA DA INSTITUIÇÃO.

O Centro Municipal de Educação Infantil - CMEI, na sua função pedagógica fundamenta-se na Pedagogia Progressista, Tendência Histórico-Crítica. Nesta concepção de Educação o CMEI trabalha com o conhecimento historicamente construído, realiza as adaptações necessárias para dar direcionamento ao processo ensino-aprendizagem.

Com a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, artigo 21 consta o reconhecimento da Educação Infantil como etapa inicial da Educação Básica. Através da mesma há valorização da Infância (criança 0 a 10 anos), considerando-a ativa e capaz de construir o seu próprio conhecimento. A Infância é um dos processos onde a criança está em permanente construção Histórico-Social e Cultural, o que compreende a garantia de práticas pedagógicas significativas, condizentes com os diferentes tempos de vida.

Os Tempos da Infância são tempos de constituição de identidade e significados, esses, se efetivam via processos socializadores de aprendizagem e de Formação Humana nas suas dimensões afetiva, cognitiva, biológica, corpórea, histórico-cultural, política e social compreendendo e garantindo o processo educativo, pois cada criança tem seu tempo certo de aprender.

A Formação Humana, na fase da Infância, requer ações pedagógicas que considerem as relações intrínsecas entre os conteúdos sistematizados historicamente e as dimensões acima citadas, valorizando e respeitando a criança enquanto sujeito histórico/social, em função do desenvolvimento e aprendizagem, auxiliando na aquisição de autonomia e independência das mesmas. Compreende também como ação pedagógica à organização do espaço e tempo educacional, bem como da aprendizagem. Essa organização na perspectiva da Formação Humana, implica definir com professores, pedagogos e diretores, critérios de reagrupamentos de educandos a partir do planejamento que explicite a reflexão sobre a Infância em diferentes fases.

O Educador/professor assume o papel de mediador do conhecimento, ou seja, ele organizará sua prática/teórica levando em consideração todo conhecimento de mundo que a criança já possui. Organiza assim, seu plano de trabalho docente, evidenciando o contexto estrutural e cultural da sociedade capitalista e as diversas relações: familiares, econômicas, políticas, sociais, religiosas.

As crianças desde que nascem participam de diversas práticas sociais no cotidiano, dentro e fora da Instituição de Educação Infantil. Dessa forma adquire conhecimentos sobre as relações sociais, a família, os parentes, os amigos, a instituição, a igreja, posto de saúde, comércio, entre tantos outros, constituem espaços de construção de conhecimento.

Na Instituição de Educação Infantil, é que elas encontram possibilidades de ampliar as experiências que trazem de fora, e de estabelecer novas formas de relações e de contato com a diversidade de costumes, hábitos e expressões culturais, cruzar histórias individuais e coletivas, compor um repertório de conhecimentos comuns ao grupo.



3.0 - AS CONCEPÇÕES DE INFÂNCIA E DE FORMAÇÃO HUMANA.

A Concepção de Infância, na perspectiva da Formação Humana, requer a garantia de uma unidade pedagógica que assegure a memória, a percepção e consciência como pontos chaves dos processos de ensino e aprendizagem. Fundamentando-se na Educação como direito, sendo a Instituição Educativa um espaço de manifestação cultural, a qual garante à articulação do conhecimento científico, construído historicamente, com as experiências e vivências de alunos e professores.

O CMEI – Centro Municipal de Educação Infantil deve ser um espaço de construção e reconstrução de conhecimento, onde a criança consuma e produza conhecimento. A mesma compreende a realidade apropriando-se de informações, refletindo e dirigindo suas ações seguindo suas necessidades postas historicamente aos homens na vida em sociedade.

Desde a educação infantil, as crianças devem vivenciar atividades que despertem curiosidade, que estimule a investigação do mundo, e que propõem situações desafiadoras e significativas. A proposta de educação infantil deve estar receptiva as descobertas das crianças, estimulando para o processo de conhecer e orientando-as em suas relações com o espaço, com as tarefas do dia a dia com os materiais e com os colegas. Favorecendo desta maneira que a criança construa sua autonomia e atue de forma cada vez mais independente. As salas de aula e a escola devem formar uma comunidade nas quais as regras, a ordem e a disciplina são estabelecidas em conjunto; para um convívio harmonioso produtivo e alegre.

Assim a criança aprende desde cedo a cuidar do que é seu e do que é comum, a respeitar para ser respeitado e a colaborar com os outros para quando necessário poder contar com eles. Nesse caminho tudo é conhecer, tudo é participar do mundo. As atividades desenvolvidas na educação devem ser significativas, lúdicas e prazerosas, devem estimular a reflexão o debate a pesquisa contribuindo dessa maneira para produção de avanço e desenvolvimento da criança.

3.1 - O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Entendemos que brincar não é brincadeira. É sério é a coisa mais importante que devemos fazer com nossas crianças, o brincar não é secundário é sim prioridade absoluta, com a brincadeira a criança aprende pela própria experiência, esta é a semente da cidadania, a partir daí que se inicia o processo de socialização onde a criança aprende a se respeitar e respeitar os outros, é onde se estreitam os laços de amizade.

A brincadeira é atividade predominante e constitui fonte de desenvolvimento, ao criar zona de desenvolvimento, segundo Vygotsky , no brincar a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e aprende a separar objetos e significados. Devemos romper o ciclo das desculpas e mudar a situação de submissão. A cada idade há um jeito ideal de brincar, existem diferentes dinâmicas que junta afeto e brincadeira de um modo particular em cada criança , essas diferenças acontecem de região para região, continente para continente, afirmando que em todo canto do país as crianças são semelhantes: pois todas, em qualquer canto do planeta são iguais: querem brincar; por isso em nossa proposta apostamos na diversão ao ar livre, dando-lhes a chance de serem simplesmente criança, e desenvolvendo a consciência ecológica, já que a natureza é a matéria prima mais importante no processo de formação das crianças.

Devemos ultrapassar as paredes de tijolos, fazendo crianças respeitadoras da natureza e menos intelectuais emparedadas que levam ao desprezo pelas vontades do corpo. O brincar, junto com a relação natureza, são vitais e constitutivas do ser humano. Temos em mente que a rotina pode ser inimiga da conscientização, pois separa o corpo e mente, razão e emoção.

Pensamos em ações que harmonizem o sentir e o pensar, que não aprisionem os movimentos e que estimulem a liberdade de expressão e exploração. Acoplando o brincar e a natureza, estaremos possibilitando uma forma privilegiada de interação, as crianças aprendem práticas sociais específicas dos grupos ao qual pertencem, aprendendo sobre si mesmas e sobre o mundo em que vivem.

Entendemos que a infância é um período em que o ser humano está se constituindo culturalmente, então o brincar assume importância fundamental; é a atividade que possibilita a apropriação, a resignificação, reelaboração da cultura pelas crianças.

O CMEI procura ultrapassar o trabalho centrado apenas em conteúdos específicos, procuramos fazer de nossas crianças pequenos pesquisadores e ao trabalharmos com a natureza, fazemos com que incorporem atitudes de prevenção, cooperação e apropriem-se de diferentes formas de argumentar, registrar e comunicar seus saberes por meio da escrita, da oralidade e desenhos etc. Desta forma estarão ampliando suas experiências e se apropriando de formas de pensar, de conhecer e de agir sobre o mundo . Do mesmo modo assim ocorre por meio da brincadeira, quando as crianças representam cenas da vida cotidiana, assumindo papéis, construindo narrativas, apropriando-se e reinventando práticas sociais e culturais.

A incorporação da dimensão lúdica contribui para o crescimento da criança, o brincar tanto para educandos como para educadores constitui uma atividade humana promotora de grandes feitos no âmbito da Educação Infantil devendo ser incentivada, garantida e enriquecida. É também um canal de encontro e de diálogo entre adultos e crianças que se faz com encantamento, alegria, criatividade, imaginação, transgressão, participação e cooperação.

Os jogos e brincadeiras possibilitam que a criança crie sua identidade e autonomia em um ambiente em contínua mudança, onde ocorre constante recriação de significados.

Concluímos que uma ação pedagógica, que visa a autonomia não pode apoiar-se em medidas baseadas em um controle externo da criança, mas deve se pautar em ações que levem, progressivamente, a autodisciplina; assim a criança se percebe num coletivo, vive a condição de cidadão e goza de seus direitos especialmente o de brincar.



3.2 - A ARTICULAÇÃO ENTRE AS AÇÕES DE CUIDAR E EDUCAR.

O conceito de educar e cuidar esteve por muito tempo centrado no trabalho desenvolvido somente na Educação Infantil. Principalmente, o conceito de cuidar estava associado ao trabalho de satisfazer às necessidade primárias de alimentação, higiene e saúde das crianças em creches, cujos pais, por diferentes motivos precisavam trabalhar, pois sem o mesmo não tinham condições mínimas de dar sustento a seus filhos.

Neste contexto as Creches estavam sob legislação estabelecida pela Secretaria Municipal de Assistência Social e não pela Secretaria Municipal de Educação.

Com a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do adolescente e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 surge outro caráter ao atendimento, e as creches passaram, aos poucos, para a responsabilidade da Secretaria de Educação, perdendo, então, o caráter assistencialista, passando a assumir papel educacional. Outro fato importante a ressaltar foi à transferência do direito a creche: que antes era direito dos pais passou a se consolidar como direito fundamental da criança.

Essas mudanças na legislação e nas concepções fizeram com que os governos repensassem suas políticas educacionais, não só do ponto de vista do conceito do trabalho a ser desenvolvido, mas também das reorganizações de tempos, espaços e da formação dos profissionais da educação.

Na Educação Infantil ficou clara a necessidade da construção de uma Proposta Pedagógica centrada na criança e seu processo de desenvolvimento e aprendizagem que considerasse, não só os educadores/professores, mas também os familiares no processo educativo. Nesse sentido, as políticas para a infância passaram a incorporar um duplo compromisso: as necessidades das crianças (seus direitos e deveres) e de suas famílias.

Ao longo do processo de desenvolvimento do ser humano, cuidar das crianças varia de cultura, de acordo com as relações que a sociedade lhes concede. Nesse sentido, não é possível dissociar o cuidar do educar, pois o desenvolvimento das crianças depende de aprendizagens realizadas através das interações estabelecidas com o outro, as quais, ao mesmo tempo influenciam e potencializam seu desenvolvimento individual e a construção de um saber cultural.

O ato de cuidar relaciona-se ao desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social da criança. Não se limita somente a sobrevivência física, pois a medida que vão sendo satisfeitas suas necessidades primárias de alimentação, higiene, saúde, locomoção, vão surgindo novas necessidades relacionadas à exploração do mundo, de si mesmo e do outro.

Assim, educar e cuidar são ações que devem ser planejadas, sistematizadas, organizadas, em gestão compartilhada (professores, educadores, pais), cada um deles possui diferente visão sobre o ato de cuidar. Por isso, é necessário que haja constante diálogo entre as diferentes culturas que circulam no interior das escolas para que o cuidar/educar sejam processos complementares e indissociáveis, que tenham como um dos objetivos a autonomia física, intelectual, emocional dos alunos. Conceber uma escola para a infância é pensar um espaço educativo com ambientes acolhedores, alegres, seguros, instigadores, com profissionais bem qualificados, organizando e oferecendo experiências desafiadoras.

Num sentido mais amplo, cuidar e educar envolve a preocupação com a organização e o processo de apropriação do tempo e espaço, com a escolha e utilização dos materiais, com as manifestações infantis e com o trabalho com as famílias. Os projetos pedagógicos devem assegurar às crianças que as escolas sejam espaços de direitos, brincadeiras, curiosidade, do lúdico, de acolhimento, construção de identidade, interação das crianças maiores com as menores, das crianças com os adultos e com as famílias:



  • Criar uma atmosfera de alegria e entusiasmo;

  • Criar situações de mediação entre as crianças, as suas emoções e o seu ambiente;

  • Oferecer uma base sólida de afeto;

  • Organizar coletivamente o espaço e o tempo;

  • Dialogar com a família e a comunidade;

  • Investir na formação continuada dos profissionais que atuam com as crianças.

Por todas essas características, Educar e Cuidar têm sido entendido automaticamente como conceitos que devem nortear a Educação Infantil.

Entretanto, se entendermos que cuidar significa solicitude, zelo, diligência, atenção e que a atitude de cuidado provoca preocupação, inquietação e sentido de responsabilidade, essa é uma ação que cabe em todos os níveis e segmentos da educação. Relações pessoais, a adquirir novos valores e novas atitudes na sua relação com o meio social, a reconstruir a sua identidade pessoal e grupal, a ser protagonista de sua própria história.



3.3 - GARANTIA DE ARTICULAÇÃO ENTRE AS AÇÕES DE CUIDAR E EDUCAR.

O cuidar na Instituição de Educação Infantil, é parte integrante da educação, exige conhecimentos e habilidades, ou seja, cuidar de uma criança em um contexto educativo é integrar os vários campos do conhecimento à cooperação de profissionais de diferentes áreas. O cuidado é um ato de relação que possui uma dimensão expressiva e implica em procedimento específico.

As atitudes e procedimentos de cuidados são influenciados por crenças e valores em torno da saúde, da educação e do desenvolvimento infantil. Embora as necessidades básicas sejam comuns, como se alimentar e proteger, as formas de identificá-las e atendê-las são construídas socialmente respeitando as diversidades individuais. Esses procedimentos de cuidado também precisam ser potencializados para atingir os objetivos de desenvolvimento das capacidades humanas. É necessário que as atitudes e procedimentos estejam baseados em conhecimentos específicos sobre o desenvolvimento biológico, emocional e intelectual das crianças levando em consideração, as diferentes realidades socioculturais.

As necessidades básicas podem ser modificadas e acrescidas de outras de acordo com o contexto sociocultural. Pode-se dizer que além daquelas que preservam a vida orgânica, as necessidades afetivas são também base para o desenvolvimento infantil.

A identificação dessas necessidades sentidas e expressas pelas crianças, depende também da compreensão do adulto e das formas de comunicação com elas, em cada faixa etária.

O cuidar deve considerar principalmente, as necessidades das crianças que quando observadas, ouvidas e respeitadas podem dar pistas importantes sobre a qualidade dos cuidados que estão recebendo.

Para cuidar é preciso, antes de tudo, estar comprometido com o outro, respeitar a singularidade, as necessidades e as capacidades individuais; disto depende a construção de um vínculo entre quem cuida e quem é cuidado.

Na Educação Infantil a Instituição pode oferecer às crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e nas situações pedagógicas intencionais, ou aprendizagens orientadas pelo adulto. É preciso ressaltar, porém, que essas aprendizagens, de natureza diversa ocorrem integradas no processo do desenvolvimento da identidade das crianças por meio de aprendizagens diversificadas realizadas em situações de interação.

O Trabalho educativo deve garantir condições de desenvolvimento e aprendizagem, sem perder de vista a fundamental tarefa do cuidado físico e mental que requer a criança de 0 à 05 anos .

Nesse sentido, é necessário o estabelecer as interações entre a criança e o seu meio de desenvolvimento físico, cultural e social fundamentando-se nos seguintes princípios:



  • Respeito aos direitos individuais da criança, garantindo; segurança, liberdade, dignidade, convivência, aquisição de novos conhecimentos e o direito de ser respeitada por seus educadores;

  • Consideração as suas condições afetivas, favorecendo a auto estima, a construção da identidade e a segurança emocional para o desenvolvimento equilibrado de sua personalidade;

  • Respeito à diversidade de expressões culturais, valorizando o processo democrático, o lugar de onde a criança procede, sem qualquer tipo de discriminação racial, sexual, religiosa, regional ou de características humanas diferenciadas;

  • Promoção de oportunidades para o desenvolvimento físico respeitando os níveis em que a criança se encontra, levando em consideração o fato de que ela constrói os conceitos corporais na medida em que age, observa e relaciona seu corpo com os objetos , com o espaço e com o tempo.

  • O CMEI não é um “estabelecimento social”, destinado para os trabalhadores “deixarem” seus filhos. É um local de desenvolvimento de ¨aprendizagem e produção de conhecimento¨.



4.0 - CARACTERIZAÇÃO DA CLIENTELA E DA INSTITUIÇÃO.

O Centro Municipal de Educação Infantil “Padre João Palko”, atende crianças de 04 meses a 05 anos, oriundas de famílias, na sua maioria, de uma situação sócio-econômica baixa (pais assalariados e mães diaristas) com nível de escolaridade de 1ª à 4ª série e uma pequena parcela com o Ensino Fundamental. Além das famílias nucleares constituídas pelo pai, mãe e filhos há famílias mono parentais, nas quais apenas a mãe ou o pai está presente.

Algumas dessas crianças são filhos de pais alcoólatras, que não possui apoio familiar necessário ao desenvolvimento integral da criança (faixa etária).

O atendimento é ofertado à todos os pais que procuram a Instituição, indiferente de situações de carência ou trabalho.

O CMEI – Centro Municipal de Educação Infantil Padre João Palko conta com a colaboração da Pastoral da Criança que efetiva a pesagem das crianças, com o intuito de verificar se estão com o peso ideal (abaixo ou acima em relação a sua idade).

5.0 - REGIME DE FUNCIONAMENTO.

O CMEI - Centro Municipal de Educação Infantil é uma Instituição Pública Municipal, que oferece atendimento às crianças de 0 mês a 05 anos, numa jornada de 47 horas semanais, tendo início às 07:30 e término às 17:00 horas. O CMEI visa proporcionar guarda, prevenção de saúde, alimentação, estimulação educacional e apoio familiar. Além de contribuir para a redução da morbi-mortalidade infantil.

O Conjunto de ações básicas em saúde: incentivo ao aleitamento materno, terapia de reidratação oral, controle do desenvolvimento, imunização e estimulação são desenvolvidas integralmente na Instituição.

O CMEI visa à socialização do saber elaborado, entendendo a apropriação crítica e histórica do conhecimento enquanto instrumento de compreensão da realidade social e atuação crítica, democrática sendo esse elemento fundamental para a Formação Humana



5.1 - NORMAS INTERNAS.

O Centro Municipal de Educação Infantil tem como norma interna o cumprimento de horários pré-estabelecidos (início e término), sendo tolerados atrasos de 30 minutos (esses justificados). A saída de alunos antes do horário só é feita pelos pais/responsáveis ou sob autorização por escrito dos mesmos.

O CMEI conta com uma linha de ônibus, o qual atende bairros vizinhos. Não é obrigatório o uso de uniforme.

Medicamentos somente são repassados sob orientação ou receita médica.



5.2 – CALENDÁRIO DA EDUCAÇÃO INFANTIL.

O Calendário é elaborado anualmente, pela Secretaria Municipal de Educação em conjunto com os Centros Municipais de Educação Infantil. Atende ao disposto na legislação vigente, às peculiaridades da Educação Infantil, compatível com o calendário da Educação Fundamental.

No calendário da Educação Infantil deverão constar os dias letivos, dias de férias, recessos, reuniões pedagógicas, feriados e dias santificados.

As alterações de Calendário que são propostas pelo Centro Municipal de Educação Infantil (sejam elas determinadas por motivos relevantes), deverão ser comunicadas à autoridade competente, em tempo hábil, para as devidas providências.




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