Classicismo



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1. Introdução


A forma de escrever um texto literário não possuiu regras fixas, o autor escreve as palavras de um modo em que explore o pensamento dos leitores, que fazem diferentes interpretações, dependendo de seu conhecimento. Dependendo de seu tipo de texto, o escritor pode variar o gênero. Esses gêneros também se subdividem em três, dependendo também de seu texto

2. Conceituação


2.1. Classicismo
A história da criação estética no Ocidente desenrolou-se, em grande parte, com a alternância de períodos "clássicos", em que predominou a busca de harmonia e proporção, e de fases caracterizadas por tendências mais livres, como o barroco e o romantismo, em que se valorizou sobretudo a expressão da subjetividade e da fantasia do artista.

O termo classicismo, a rigor, refere-se a um movimento cultural baseado nos modelos da antiguidade clássica e que impôs em diferentes momentos históricos: Renascimento, século XVII e, em sua versão conhecida como neoclassicismo, entre o final do século XVIII e começo do XIX. Como traços peculiares a essa atitude estética devem ser apontados a importância conferida aos mestres gregos e romanos, o sentido das proporções, a harmonia entre as partes e o todo, a busca do equilíbrio e o desejo de imitar a natureza (mimese). Essa imitação, no entanto, não pretendia apenas a cópia, mas a seleção dos princípios básicos da realidade e sua representação racional. O classicismo, portanto, buscava antes de tudo refletir a ordem do mundo e seus componentes essenciais.

Sob tal perspectiva pode-se dizer, em sentido amplo, que o classicismo constitui uma determinada atitude artística que tem reaparecido continuamente nos mais diversos momentos da história. A decomposição da natureza em suas formas geométricas, postulada pelo neo-impressionista francês Cézanne e levada ao extremo pelos cubistas, ou a arquitetura racionalista do século XX, partilham muitos dos princípios classicistas. Na realidade, os grandes mestres do classicismo nunca se limitaram a imitar modelos do passado: absorveram seu espírito, para adaptá-lo a seu próprio tempo.

Antiguidade clássica. O período clássico por excelência da arte grega foi o século V a.C., quando, principalmente em Atenas, estabeleceram-se os princípios fundamentais do classicismo. Nas artes plásticas, partia-se das proporções ideais do corpo humano para chegar à proporção total no universo. Essa concepção relacionava-se às idéias dos pitagóricos, para os quais a harmonia se fundava nos números.

Na arquitetura, a linguagem clássica difundiu-se com maior intensidade graças ao êxito das duas grandes ordens: a dórica, sóbria e rigorosa, e a jônica, de maior plasticidade. A Acrópole de Atenas, com seu estudado equilíbrio de ambas, constituiu a síntese do espírito grego. Uma mesma preocupação estética marcou os escultores Fídias, Miron e Policleto. Este último, com seu "Doríforo", fixou as proporções ideais do corpo humano.

Embora os poemas de Homero já apresentassem concepções clássicas, foram os filósofos Platão e Aristóteles e os trágicos Sófocles, Ésquilo e Eurípides que estabeleceram as normas e princípios literários fundamentais que reapareceriam ao longo da história nas diversas versões do classicismo. Este encontrou em Platão um caminho para a idealização da realidade, enquanto que Aristóteles, em sua Poética, estabeleceu os princípios da mimese ou imitação da natureza.

O mundo romano, mais pragmático, viu-se atraído pela estética grega, e acentuou seus traços naturalistas (bustos, estátuas-retrato e relevos históricos). Vitrúvio, em De architectura, consagrou o emprego das ordens clássicas. No campo da literatura, o poeta Horácio, no século I a.C. reuniu em sua Ars poetica os ensinamentos de Aristóteles - coerência, ordem, harmonia --, sustentou que a literatura deveria "ensinar e deleitar" e defendeu a necessidade de combinar o talento com o empenho reflexivo: "De que serviria o trabalho sem uma grande inspiração, ou o trabalho sem empenho? Um precisa do outro, e ambos conspiram juntos, amistosamente." A Eneida, de seu contemporâneo Virgílio, representa a expressão poética máxima dessa filosofia.

Na Europa medieval, os ideais clássicos nunca chegaram a desaparecer, graças às ordens monásticas, aos bizantinos e aos muçulmanos, que souberam compilar e difundir as grandes obras da antiguidade. Essa tradição também foi resgatada no Renascimento, por meio do humanismo.

Renascimento. O movimento renascentista, iniciado no século XV, na Itália, recuperou os ideais clássicos e conciliou-os com a tradição cristã. O homem voltou a ser o centro do mundo, ao contrário da visão teocêntrica propagada na Idade Média. Desenvolveu-se o individualismo e o espírito crítico, surgiram múltiplas iniciativas e experiências que deram grande impulso ao panorama cultural. Estudaram-se, na arte, os modelos clássicos, graças em boa parte à recuperação do tratado de Vitrúvio, que tinha espírito científico, e buscou-se uma beleza perfeita, baseada na harmonia, na razão e na perspectiva, idéias que encontraram seu primeiro grande expoente em Leonardo da Vinci. Transformou-se nos principais centros do classicismo a Florença do século XV, com os arquitetos Filippo Brunelleschi e Leone Battista Alberti e o escultor Donatello, assim como Roma no século XVI, com Michelangelo, o arquiteto Donato Bramante e o pintor Rafael.

O alto classicismo do século XVI teve seus mais rigorosos representantes em Bramante, que realizou o tempietto de São Pedro, em Roma, com a planta centralizada e a enorme cúpula de estilo sóbrio e austero, e em Rafael, que pintou composições equilibradas e harmoniosas, com personagens delicadas e de grande beleza ("Retrato de Baltazar Castiglione"). Em Veneza, Andrea Palladio construiu diversas mansões campestres e criou o "motivo palladiano", um vão semicircular entre dois vãos adintelados.

O Renascimento literário italiano teve como seu grande precursor Petrarca, que difundiu os modelos clássicos e renovou a métrica de sua língua. Em seguida foram estudadas as teorias literárias de Horácio, resgatadas por eruditos como Gian Giorgio Trissino e Julius Caesar Scaliger, que em suas Poetice (1561; Poéticas) estabeleceu a regra das três unidades (tempo, lugar e ação), conforme o modelo aristotélico.

Partindo da Itália, essa corrente classicista estendeu-se por toda Europa, chegando até à corte francesa de Francisco I (Fontainebleau), à corte espanhola de Carlos V (I da Espanha) e Felipe II (o Escorial), e à corte portuguesa de D. João III, em que viveu Camões, um dos mais altos poetas do Renascimento. Depois dos grandes mestres, porém, seus seguidores caíram freqüentemente no academicismo e na imitação, realizando obras "à maneira" (maneirismo) dos grandes mestres. Esse espírito anticlássico maneirista transformou-se numa corrente barroca que, na Itália, tomou dois caminhos opostos: o naturalismo de Caravaggio e o classicismo dos irmãos Carracci, artistas ecléticos que se basearam nos grandes mestres do século XVI para decorar a galeria do palácio Farnese, e conferiram grande importância à natureza e ao desenho.

Classicismo francês. Quando a estética barroca prevalecia na Europa, renasceu na França um classicismo peculiar, cujo momento de esplendor de 1654 a 1715, ocorreu no reinado de Luís XIV. O pintor Charles Le Brun e o escritor Nicolas Boileau, autor de L'art poetique (1674), obra bastante influente, impuseram oficialmente esse estilo.

No princípio do século XVII esse classicismo demonstrava tranqüilidade. Exemplo disso foram as telas de Nicolas Poussin, que trabalhou sobretudo em Roma e recriou o mundo da antiguidade em telas como "Paisagem com Diógenes", que elevaram ao máximo a representação intelectual da natureza. No reinado de Luís XIV, o desejo de glorificar a realeza - próprio do absolutismo monárquico - deu lugar a um estilo majestoso e imponente. Seu paradigma arquitetônico foi o palácio de Versalhes, reformado e aumentado sucessivamente por arquitetos como Louis Le Vau e Jules Hardouin-Mansart.

Na literatura, imitaram-se os temas e gêneros da antiguidade, com suas regras estritas, enquanto a filosofia racionalista, com Descartes, apresentou uma visão "geométrica" do universo. Ressurgiu a dualidade horaciana da finalidade da arte: ensinar, como nas obras de Racine, e distrair, como no teatro de Molière. La Fontaine, com suas fábulas, tentou combinar os ensinamentos morais com a diversão.

Na arquitetura inglesa, que sempre realizou uma síntese própria das tendências européias, durante os séculos XVII e XVIII se desenvolveu um classicismo peculiar, baseado no veneziano Palladio. Destacou-se também Inigo Jones, autor da "Casa da rainha", em Greenwich. O palladianismo desembocou no classicismo de Sir Christopher Wren, cuja catedral de São Paulo, em Londres, foi construída com uma grandiosa cúpula semelhante à da basílica de São Pedro, de Roma. Foram esses artistas os precursores do neoclassicismo inglês de Robert Adam e Lord Burlington.

Neoclassicismo. Na segunda metade do século XVIII e nas primeiras décadas do XIX, voltou-se a valorizar em toda Europa o ideal clássico da clareza e harmonia como reação contra os excessos do rococó. A França mais uma vez seria a origem desse retorno aos modelos da antiguidade, que se distinguiu dos anteriores por um maior conhecimento do mundo greco-romano. Isso deveu-se sobretudo às escavações arqueológicas de Pompéia e Herculano, às pesquisas do historiador alemão Johann Winckelmann sobre a arte grega e aos desenhos de ruínas dos italianos Giovanni Paolo Panini e Giambattista Piranesi.

Na França, por volta de 1760, o arquiteto Jacques Germain Soufflot recorreu aos elementos clássicos para construir a monumental igreja de Sainte-Geneviève de Paris, mais tarde o Panteão. Esse neoclassicismo arquitetônico, severo, de volumes simples e clássicos, estendeu-se por toda Europa: na Rússia, o "estilo Catarina II" teve como grande expoente o Palácio de Inverno de São Petersburgo; na Espanha, sobressaíram Ventura Rodríguez e Juan de Villanueva; e, na Alemanha, K. G. Langhans ergueu a monumental Porta de Brandemburgo, em Berlim.

A escultura foi uma das mais notáveis manifestações do neoclassicismo, graças ao italiano Antonio Canova e ao dinamarquês Bertel Thorwaldsen, que preferiram a brancura do mármore à policromia, pois acreditaram, erroneamente, que toda escultura clássica era branca. A serenidade e o equilíbrio desses grandes artistas foram uma fiel recriação dos modelos gregos do século V a.C.

Na pintura, o grande mestre foi o francês Jacques-Louis David, que se inspirou na antiguidade para suas representações pictóricas teatrais, de grande austeridade e harmonia, cujos ensinamentos morais eram inspirados na ética dos heróis clássicos, como "O juramento dos Horácios". Com Napoleão Bonaparte, David converteu-se em pintor oficial dos fastos do império, para propaganda e exaltação do imperador ("Coroação de Napoleão I em Notre-Dame"). O final dessa corrente pictórica contou com outro francês, Ingres, defensor da primazia do desenho.

A literatura do século XVIII, como ocorrera no Renascimento, fez do ser humano a medida de todas as coisas. Apareceu a figura do "ilustrado", racionalista e empírico, erudito e crítico, voltado para a natureza e para o homem, preocupado com o saber, que tinha uma grande relação com a figura do humanista da Renascença. Os ideais românticos, porém, com sua ênfase em uma maior imaginação e na noção do "gênio" em oposição ao mero intelecto, subverteram, já no final do século, as concepções neoclássicas. Dessa forma, o alemão Johann Wolfgang Goethe, admirador do mundo grego e expoente máximo do "classicismo de Weimar", conseguiu, em suas obras, conciliar a razão com o sentimento.

Também a música conheceu um período classicista, iniciado no final do século XVIII, após a morte de Johann Sebastian Bach, e que se estendeu aproximadamente até 1830, quando foi substituído pelo romantismo. Viena tornou-se a capital musical da Europa. Buscava-se uma linguagem harmônica distante das formas polifônicas barrocas, na qual predominasse o equilíbrio, a serenidade e a alegria. Sua expressão mais freqüente foram a sonata e a sinfonia. O apogeu desse movimento viu-se marcado pela supremacia da escola alemã, com Haydn e Mozart.

Ao longo dos séculos XIX e XX, os sucessivos movimentos artísticos levaram a uma ruptura com a noção "acadêmica" de criação, que implicava a sujeição a determinados preceitos. Isso não significou, no entanto, o desaparecimento dos ideais greco-romanos, que sobreviveram até hoje em todos os artistas que dão ênfase à harmonia formal, ao equilíbrio e à captação intelectual do mundo.
2.2. Modernismo
O termo modernismo, na história das artes, foi usado para designar dois movimentos: um na América espanhola e na Espanha, no fim do século XIX, predominantemente literário, e o outro no Brasil das décadas de 1920 e 1930, que abriu um prolongado processo renovador de literatura e das artes plásticas. Em Portugal, nas décadas de 1910 e 1920, os grupos de renovação estética só empregaram a palavra casualmente, junto a outras como futurismo.
Modernismo hispânico
Modernismo, na literatura de língua espanhola, é um movimento originário de países hispano-americanos e que se firmou por volta de 1880, principalmente sob influência do parnasianismo e simbolismo franceses. A renovação das técnicas literárias caracterizou-se sobretudo pelo refinamento verbal e pela inovação de metros, ritmos e imagens. Impôs-se, também, uma espécie de nova sensibilidade, marcada pelo amor do raro, do requintado e exótico.

Os primeiros poetas a destoarem da retórica romântica, prejudicada pelo sentimentalismo e, em alguns, pelo caráter melodramático -- e que podem ser considerados precursores da corrente modernista -- foram os cubanos José Martí e Julián del Casal, os mexicanos Díaz Mirón, Manuel Gutiérrez Nájera e Manuel Othón, e o colombiano Asunción Silva. É com o nicaragüense Rubén Darío, contudo, que o movimento se delineia de maneira mais nítida: ampla liberdade de invenção nos temas, imagens e metros, gosto pelo raro e exótico, atitude aristocrática, valorização da musicalidade, vocabulário suntuoso e preciosismo. O livro Azul (1888), de Darío, é obra definitiva, de sentido inovador e revolucionário.

A partir de Darío e sob sua liderança, o movimento propagou-se rapidamente por todos os países da América espanhola. O argentino Leopoldo Lugones, já em seu primeiro livro de poemas, Las montañas del oro (1897; As montanhas do ouro), apresenta notável versatilidade e orquestração verbal, domínio pleno das palavras, musicalidade que se enriquece com extraordinária riqueza de timbres.

O mexicano Gutiérrez Nájera, capaz de muito requinte formal e cultor de uma arquitetura estilística haurida em Baudelaire e nos parnasianos franceses, foi o fundador da revista Azul, órgão divulgador do modernismo. No Uruguai, Julio Herrera y Reissig, por alguns considerado voz mais forte e genuína do que o próprio Darío, escreve poesia de intensos traços modernistas: satanismo, exotismo, metáforas arrojadas, sinestesias. Também sobressaíram o peruano José Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o mexicano Amado Nervo.

Da América o movimento adentrou a Espanha, onde teve em Salvador Rueda seu precursor e em Francisco Villaespesa, Manuel Machado, Eduardo Marquina e Emilio Carrère os nomes mais proeminentes. A influência estética de Darío fez-se sentir, particularmente a de suas Prosas profanas (1896), de forma burilada e viva sonoridade. Buscava-se a superação das fronteiras nacionais, sonhava-se com países distantes, com o encanto de Paris.

Evocações do Oriente enfeitiçavam os espíritos, a exemplo da América, onde o movimento cultuava a mitologia e as reminiscências históricas estrangeiras. A realidade hispano-americana afigurava-se de tal modo contraditória a seus escritores, que eles se evadiam para realidades ideais, em busca de maior encanto e significado poético nas coisas: Grécia, Roma, o Renascimento, os reinos orientais, a Versalhes do século XVIII.

Se o principal traço do modernismo foi a renovação poética, não podem ser esquecidos alguns de seus mais brilhantes escritores que se dedicaram ao romance, conto e ensaio. Foi grande nome do romance modernista o venezuelano Manuel Díaz Rodríguez, em livros como Ídolos rotos (1901) e Sangre patricia (1902; Sangue patrício), de personagens pessimistas, derrotistas, em que se projeta a situação do autor, intelectual culto em país ainda algo bárbaro.

Outros nomes de importância indiscutível são o do argentino Enrique Larreta, que escreveu La gloria de don Ramiro (1908; A glória de dom Ramiro) e o do colombiano José Maria Rivas Groot, autor do romance Resurrección (Ressurreição). No ensaísmo, o uruguaio José Enrique Rodó passou a ser o ideólogo do movimento: em Ariel (1900), explica, em estilo inconfundivelmente modernista, a aversão do movimento ao materialismo dos Estados Unidos e o orgulho de pertencer à "raça latina espiritualista".

Por volta de 1914, concomitantemente ao desgaste dos modelos europeus, tão caros aos hispano-americanos, o movimento modernista esgotou-se, com seus cultores já cansados do artificialismo formal e da evasão da realidade. O golpe de misericórdia foi dado pelo escritor mexicano Enrique González Martínez, que usou a estética modernista para atuar contra ela própria, como no célebre soneto "Tuércele el cuello al cisne" ("Torce o pescoço do cisne").
Modernismo no Brasil
Conhece-se por modernismo, no Brasil, o movimento de renovação literária, musical e artística que se originou com a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, e que teve implicações tanto culturais quanto políticas. Enquanto a Europa vivia uma agitação espiritual, no Brasil imperava uma estagnação no campo das artes, o que levou um grupo de artistas e intelectuais a tomar a dianteira de verdadeira revolução, cujo marco foi o evento.

Foi intenso o impacto junto ao público, que reagiu com incompreensão das novas tendências. Muitas apresentações foram vaiadas, outras aplaudidas, mas o que se queria era mesmo o escândalo: chocar para mudar, apresentar "ousadas novidades", que revelassem a realidade brasileira como tal.

Domício Proença Filho (1967; Estilos de época na literatura) enumera as características do movimento: "(1) contra o passado: 'sabemos discernir o que não queremos'; (2) contra a ênfase oratória, a eloqüência, o hieratismo parnasiano, o culto das rimas ricas, do metro perfeito e convencional, da linguagem classicizante e lusitanizante; (3) contra o academicismo, contra o tradicionalismo; (4) contra os tabus e preconceitos; em contrapartida, a favor da perseguição permanente de três princípios fundamentais, como assinala Mário de Andrade: (a) direito à pesquisa estética; (b) atualização da inteligência artística brasileira; (c) estabilização de uma consciência criadora nacional."

Antecedentes. Podem-se alinhar vários fatos que, entre 1912 e 1922, prepararam a eclosão do movimento modernista brasileiro: em 1912 Oswald de Andrade retornou ao Brasil e trouxe na bagagem os ecos do Manifesto futurista de Marinetti. Divulgou-os em São Paulo, pessoalmente e pela imprensa; Lasar Segall fez em São Paulo (1913) a primeira mostra de pintura não-acadêmica realizada no Brasil; Anita Malfatti realizou sua primeira exposição de pintura em São Paulo (1914), com telas influenciadas pelo expressionismo alemão; nesse mesmo ano foi publicado em O Estado de S. Paulo o artigo "As lições do futurismo", de Ernesto Bertarelli.

Em 1915, Oswald de Andrade defendeu, no jornal O Pirralho, a necessidade de se dar à pintura brasileira motivações nacionais; com um ideário de ousada modernidade, foram publicados em Portugal os dois números (março e junho) da revista Orfeu, o primeiro dirigido pelo escritor português Luís de Montalvor e o brasileiro Ronald de Carvalho, o segundo por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

Em 1916, Alberto de Oliveira proferiu conferência na Academia Brasileira de Letras, em que afirmou: a "consciência das novas tendências", inclusive do futurismo de Marinetti; que "formas literárias desconhecidas e desconhecidos gêneros" surgiram e que "virão amanhã as novas idéias de um novo período social". O ano de 1917 foi riquíssimo em acontecimentos importantes na trilha do modernismo: foram publicados os livros Juca Mulato, de Menotti del Picchia, Carrilhões, de Murilo Araújo, A cinza das horas, de Manuel Bandeira, Há uma gota de sangue em cada poema, de Mário de Andrade, e Nós, de Guilherme de Almeida. Em função de tais obras, João Ribeiro declarou que Olavo Bilac e Alberto de Oliveira já estavam fora de época.

Ainda nesse ano, Anita Malfatti fez sua segunda exposição de pintura, que mobilizou intelectuais e artistas inconformados. Suas telas, muito renovadoras, sofreram feroz crítica de Monteiro Lobato, que preveniu os espíritos conservadores contra as novas concepções. Em 1918, Andrade Muricy chamou a atenção, num ensaio crítico, para a presença de novas vozes na poesia nacional. Em 1920, a obra do escultor Vítor Brecheret, o "Monumento às bandeiras", em São Paulo, empolgou os novos artistas.

Finalmente, em 1921, a atuação dos rebeldes fez-se ostensiva e com alto senso de cumplicidade: repudiaram as visões de mundo expressas nos ideais romântico, parnasiano e realista; empenharam-se na independência da mentalidade brasileira e abandonaram as sugestões de origem européia, sobretudo de Portugal e da França; rejeitaram o aprisionamento da linguagem nas preocupações com a rima, a métrica e a rigidez gramatical que caracterizava a dicção lusitana e apregoaram a necessidade de uma nova linguagem, mais adequada à representação da vida e dos problemas contemporâneos.

Os novos autores rejeitaram também o regionalismo, que caricaturava o Brasil como país involuído, ignorante do progresso e da técnica, cujos influxos, na verdade, já percebia e assimilava. Foi então que Oswald de Andrade divulgou Paulicéia desvairada (1922), livro de poemas de Mário de Andrade, mais uma fonte de polêmica e escândalo. Mário, por sua vez, publicou a série de artigos "Mestres do passado", em que analisou à luz de critérios então inusitados a poesia de Francisca Júlia, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Vicente de Carvalho.

De retorno ao Brasil, Graça Aranha foi escolhido pelo grupo para liderar a projetada Semana de Arte Moderna, cuja idéia surgiu durante uma exposição de pintura de Di Cavalcanti, na livraria de Jacinto Silva, onde habitualmente se reunia um grupo de jovens escritores e artistas.

Divisão do movimento. Após atingidas as metas da Semana, o grupo de 1922 entrou num processo de desagregação: estavam unidos em torno do repúdio ao que não queriam e agora dividiam-se em correntes à procura de uma identidade mais definida. As principais sãs as que se seguem.

(1) Corrente dinamista (Rio de Janeiro), cujo traço marcante foi um espírito futurista, uma valorização poética da técnica no mundo moderno, uma preocupação com o progresso material, o movimento, a velocidade. Ronald de Carvalho, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Agripino Grieco, Villa-Lobos e Álvaro Moreyra foram seus representantes mais expressivos.

(2) Corrente primitivista ou anarcoprimitivista (São Paulo), encabeçada por Oswald de Andrade, que propôs-se remontar às fontes originais da civilização brasileira, anterior à colonização portuguesa, e ao primitivismo, sem compromisso com a ordem social estabelecida. Considerava a moral cristã uma moral de escravos e suas posições foram apresentadas inicialmente no "Manifesto do Pau-Brasil" (1924), com a divisa "Tupi or not tupi", e retomadas na Revista de Antropofagia e no "Manifesto Antropofágico" (1928), que se opôs ao movimento Anta (1927).

(3) Corrente nacionalista (São Paulo), contra a influência européia e a favor de uma literatura de motivos brasileiros, folclóricos e indígenas. Englobou os seguintes movimentos: (a) verde-amarelismo (1925), de tendências políticas direitistas e que via na poesia pau-brasil uma imitação mal-feita do dadaísmo francês; (b) movimento Anta (1927), que, inspirado nas obras de Euclides da Cunha e Oliveira Viana, entre outros, buscava analisar em profundidade os problemas da vida brasileira; derivou daí o integralismo de Plínio Salgado; (c) movimento da Bandeira (1936), de filosofia autoritária, que desembocou no Estado Novo.



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