Cândido de Mello Leitão: As Ciências Biológicas, a Valorização da Natureza e da Diversidade da Vida



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III Encontro da ANPPAS

23 a 26 de maio de 2006

Brasília, DF
Cândido de Mello Leitão: Ensaios sobre a Valorização da Natureza e da Diversidade da Vidai

José Luiz de Andrade Franco

Doutor em História pela Universidade de Brasília. Pesquisador Associado do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.

e-mail: jldafranco@terra.com.br

José Augusto Drummond

Ph. D. em Recursos Naturais e Desenvolvimento. Professor Adjunto do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.

e-mail: jaldrummond@uol.com.br




Resumo
O texto faz um pequeno resumo da biografia pessoal e examina o pensamento do zoólogo brasileiro Cândido de Mello Leitão (1886-1948), a partir da análise de dois livros - A Vida Maravilhosa dos Animais e A Vida na Selva - escritos com o objetivo de divulgar as suas idéias para um público mais amplo que o acadêmico. Explora aspectos relacionados com a preocupação de Mello Leitão com a valorização do conhecimento científico e da natureza em toda a sua diversidade. Mostra ainda, como em seus textos havia a intenção de elaborar argumentos em defesa da necessidade de um processo civilizador que reconciliasse o homem e o mundo natural, processo no qual a ciência e o Estado teriam responsabilidades a compartilhar, sobretudo no Brasil, país em busca de construir a sua identidade nacional e o seu modelo de civilização.

Introdução – objetivos e escopo

O presente texto dá prosseguimento à pesquisa anterior realizada por Franco sobre Cândido de Mello Leitão (1886-1948). Ele explora aspectos do seu pensamento relacionados com a sua preocupação com a valorização do conhecimento científico e da natureza em toda a sua diversidade. A ênfase recai em episódios relevantes de sua biografia pessoal, bem como na análise de duas obras - A Vida Maravilhosa dos Animaisii e A Vida na Selvaiii - escritas com o objetivo de divulgar as suas idéias para um público mais amplo que o acadêmico.

A trajetória de Mello Leitão demonstra uma intenção de unir razão e sentimento, de resgatar por meio da pesquisa e do conhecimento a proximidade com os elementos da natureza, restabelecendo, assim, os vínculos entre o homem e o mundo natural. Sua obra cumpriu um papel importante no esclarecimento do modo como a Biologia se constituiu em fonte de conhecimentos sobre o Brasil, e de como ela poderia orientar na transformação de uma relação com a natureza fundamentada no imediatismo predatório de seus recursos, para outra baseada no seu cuidado e desvelamento de seus segredos.


Dados Biográficos

O zoólogo Cândido de Mello Leitão foi professor do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Juntamente com Alberto José Sampaio e Armando Magalhães Corrêa, também professores desta instituição, ocupou-se e escreveu extensamente sobre a proteção da natureza no Brasil, nos anos de 1930 e 1940. A esta preocupação somava-se o seu empenho pelo desenvolvimento da pesquisa científica no campo da biologia. Além dos estudos sobre os aracnídeos, a sua especialidade, interessou-se pela distribuição geográfica dos animais, pela conformação dos seus habitats e por suas formas de comportamento. Dotado de extensa erudição, pretendeu historiar e sistematizar o saber biológico produzido até então sobre o Brasil.iv

Mello Leitão, além de professor do Museu Nacional, lecionava no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, onde se tornou amigo pessoal de Fernando Azevedo (1894–1974), o principal responsável pelos projetos pedagógicos inovadores dessa escola e editor da famosa Coleção Brasiliana, da Companhia Editora Nacional. Leitão foi um autor privilegiado por essa coleção, tendo seis títulos publicados em menos de dez anosv. Era amigo também de Edgar Roquette-Pinto (1884-1954), o que lhe possibilitou a transmissão de seus conhecimentos e ideais científicos e de proteção à natureza por intermédio de programas de rádio. Foi presidente da Academia Brasileira de Ciências, entre 1943 e 1945, e desenvolveu atividades junto ao Ministério da Agricultura, nos anos 1930-1940. Vemos que Mello Leitão teve amplas possibilidades de exercer a sua influência pessoal em ambientes prestigiosos, política e academicamente, da sociedade brasileira.



As maravilhas e a diversidade da vida

A Vida Maravilhosa dos Animais e A Vida na Selva, publicados respectivamente em 1935 e 1940, são livros que reúnem conferências de Mello Leitão sobre a zoologia. Eles divulgaram as suas idéias para um público não-especializado e nos revelam aspectos importantes do pensamento do autor sobre a organização do mundo natural.

Em A Vida Maravilhosa dos Animais, Mello Leitão pretendia, por meio da observação dos comportamentos de várias espécies de animais, compreender as formas de organização dos seres vivos no planeta. A sua perspectiva enfocava a vida como um processo evolutivo, embora discordasse do papel determinante atribuído por Darwin à competição entre as espécies e à seleção natural. O autor considerava a cooperação como o aspecto fundamental. Para ele, a sobrevivência dos seres dependia, em grande parte, da capacidade de articular vínculos cooperativos.

Ao observarmos as formas de organização social dos animais, encontrávamos “os mesmos tipos que nos apresenta, em sua evolução, a história da humanidade”.vi Havia um contraste vivo entre “o egoísmo feroz, a indiferença completa, o individualismo intransigente dos animais aquáticos e a tendência, cada vez mais notável, à vida social dos terrestres”.vii

Mello Leitão defendia, portanto, que o comportamento animal se estruturava em torno de dois eixos: um agressivo e individualista, predominante na fauna aquática; outro cooperativo ou social, amplamente estabelecido entre os seres terrestres. Resultaria da interação desses comportamentos antagônicos um estado de simbiose, característico dos equilíbrios encontrados na natureza.

Após comentar a vida social dos animais, examinando diversos grupos de artrópodes e vertebrados, Mello Leitão deleita-se com as maravilhas do mundo animal em capítulos que apresentam as “obras de engenharia”, as “relações de amizade e comensalidade entre espécies distintas, e o “canto e a dança nos animais”. Em todos esses casos, procurava mostrar que o homem encontrou na natureza as soluções para os problemas surgidos no seu desenvolvimento em sociedade através da história. A arquitetura e as construções, o vôo, a navegação, o rádio, a camuflagem, o canto e a dança como formas de sedução e distensão das energias, e mesmo modos de cooperação e organização social – tudo teríamos aprendido por meio da observação do mundo natural.

Ao tratar da questão da “amizade e comensalidade” entre os animais, Mello Leitão explicava que “a natureza apareceu sempre ao homem como incessante combate, como luta sem tréguas”. No entanto, quando observadas mais de perto as relações entre os seres vivos, o que se percebe é “que a natureza é sempre uma grande harmonia, onde a mútua dependência, o auxílio, diria mesmo a amizade, é regra geral”.viii

A observação atenta do mundo natural levava à percepção de um equilíbrio orgânico, do qual participavam todos os seres. As tensões e conflitos se resolviam na conformação geral do habitat. Assim ao estudarmos as relações entre os seres que vivem na mesma região, “podemos encontrar todos os graus, desde a mais completa indiferença até a mais estreita dependência, seja em benefício de um e dano mais ou menos grave do outro – parasitismo, predatismo – seja em benefício cada vez mais manifesto de ambos – mutualismo, simbiose”.ix

O mesmo equilíbrio, que envolvia manifestações de competição e cooperação, encontramos em capítulo devotado à observação das “plantas que devoram” e das que “abrigam” os animais. Mello Leitão começava por ressaltar o papel desempenhado pelas plantas, dando sustentação a todas as formas de vida animal existentes no planeta. Reconhecia, também, a importância dos animais na polinização e propagação das sementes. Havia entre os dois reinos imbricada dependência, manifesta das mais diversas formas.

Mello Leitão não acreditava na ciência como um saber definitivo. As respostas por ela proporcionadas eram parciais, embora importantes o suficiente para justificar a pesquisa constante e a procura de soluções cada vez mais satisfatórias para os enigmas da natureza. O maravilhamento frente ao processo evolutivo é a tônica dos capítulos dedicados a discutir: a) a relação entre as fantasias humanas sobre os animais monstruosos e aqueles que a natureza realmente produziu através dos tempos; b) sobre a vida das formigas, seus engenhos e vida social; c) sobre a vida das aranhas, suas teias e estratégias.

Seguem-se ainda: um capítulo que trata do inusitado do consumo de insetos e aracnídeos por diversos povos, mostrando que os hábitos alimentares relacionam-se a aspectos culturais e de utilidade prática, e outro que trata das origens e evolução do homem, no qual são discutidas as teorias e hipóteses em voga na época sobre esse assunto.

Os três últimos capítulos introduzem o debate sobre visões de natureza. No primeiro deles, Mello Leitão discute os “grandes marcos” da zoologia: a) Aristóteles, pelo seu pioneirismo em estabelecer um sistema de classificação dos animais e por seu esforço de compreender, por meio da observação, os fenômenos primordiais da vida (crescimento, reprodução, sensação e movimento); b) Cuvier, por ter criado a anatomia comparada, possibilitando com isso avanços fundamentais nos campos dos sistemas de classificação dos animais e da paleontologia; e c) Darwin, pela teoria da evolução das espécies.

Para Mello Leitão, a hipótese de Darwin era brilhante e fecunda, embora fosse importante notar como “o darwinismo aparecia como aliado do liberalismo, porque se apresentava elevando a doutrina da livre competição, uma das pedras angulares do progresso, ao nível de lei natural” e como “os povos imperialistas fizeram da “sobrevivência do mais forte” princípio básico de sua política e pretexto para domínio senão extermínio das nações mais fracas”.x

Não era a idéia de evolução que era questionada, mas, a ênfase que se dava à competição e à afirmação dos mais fortes. Mello Leitão discordava do uso das explicações da biologia para justificar determinadas práticas sociais que considerava “imperialistas”. Entendia, também, que, em muitos aspectos, as hipóteses de Darwin careciam de confirmação ou mesmo de reformulação. Não negava a doutrina da evolução, que “vale por uma das mais férteis hipóteses de trabalho”.xi

Do ponto de vista sustentado por Mello Leitão, a teoria de Darwin apresentava-se dividida em duas partes. De um lado, havia a teoria da evolução, que sustentava que as diferentes formas de vida desenvolveram-se gradualmente a partir de uma origem comum, e que se comprovava pelas evidências fósseis. De outro, estava a seleção das populações e indivíduos, que implicava em uma luta pela existência e na sobrevivência do mais apto. Na expectativa de comprovar esta segunda parte de sua teoria, Darwin acreditou ter descoberto as causas da evolução, embora carecesse de comprovação empírica. Para Mello Leitão foi o frade agostiniano Gregor Mendel, ao lançar os fundamentos da genética moderna, quem possibilitou estudos mais acurados e com maior aporte científico, visando descobrir os mecanismos efetivos a atuar por trás da evolução das espécies.

A sua resistência e mesmo miopia em relação a certos aspectos da obra de Darwin, sobretudo no que diz respeito à seleção natural como explicação dos mecanismos envolvidos no processo de evolução das espécies, se deve em parte à associação estabelecida entre as facetas da teoria darwiniana que envolviam a competição entre os organismos vivos e a competição legitimada pela ideologia liberal – muitas vezes reforçada por argumentos transpostos mecanicamente do campo da biologia para a explicação da sociedade, como no caso do darwinismo social. Por outro lado, a negação da seleção natural não era um apanágio de Mello Leitão, era um ponto de vista bastante estabelecido entre os cientistas do Museu Nacional e vale lembrar que ela foi rejeitada com veemência nos meios científicos europeu e norte-americano durante as quatro primeiras décadas do século XX. Foi só em meados do século que os evolucionistas começaram a articular os avanços da genética mendeliana com os mecanismos de explicação da seleção natural, reabilitando-a.xii

A biologia possibilitava desvelar os segredos de uma natureza, que para Mello Leitão era, sobretudo, harmonia. O desenvolvimento dessa ciência implicava em uma valorização de seu objeto, os seres vivos. O penúltimo capítulo de A Vida Maravilhosa dos Animais trata da relação entre a fauna do Brasil e a produção científica dos naturalistas viajantes, indicando os horizontes abertos ao conhecimento pelos aspectos inusitados da interação da vida no Novo Mundo.

No último capítulo, Mello Leitão destacou a importância do espírito romântico para a valorização do mundo natural: “o nacionalismo, o individualismo, talvez um pouco exagerado dos românticos, levou-os à contemplação da natureza. Ensimesmando-se, emprestam à natureza um espírito capaz de vibrar acorde com as vibrações de suas almas”.xiii

Mello Leitão valorizava, sobretudo, o lado mais ativo da sensibilidade romântica, aquele que teria inspirado os homens de ciência a lançarem-se em busca do desconhecido. Havia também, para além da racionalidade técnica implícita no métier do cientista, uma sensibilidade para os aspectos estéticos da sua atividade e de seu objeto de conhecimento. A pesquisa procurava entender o funcionamento da natureza para melhor aproveitá-la, mas nesse ímpeto, aprendia a admirar os seus encantos e o concerto harmônico por ela encenado.



A Vida na Selva, segundo seu autor, era a continuação de A Vida Maravilhosa dos Animais. Logo no primeiro capítulo, Mello Leitão destacou as expressões de maravilhamento dos viajantes estrangeiros frente à selva tropical, com o propósito de fornecer uma idéia da organização e complexidade de sua flora.

Mello Leitão descreve as comparações estabelecidas pelos naturalistas entre as florestas tropicais e os bosques temperados, e entre as florestas tropicais da América do Sul e Central, da Ásia e da África. Acompanhava, também, as observações, baseadas em pesquisas recentes sobre as complexas interações entre os diversos tipos de vegetação que compõem o emaranhado das selvas tropicais e as diversas formas de especialização - que permitem a adaptação a fatores como a claridade, a umidade, a variação das estações seca e chuvosa, os diversos andares da floresta etc.

Tratava-se, para Mello Leitão, de valorizar as selvas tropicais: a sua riqueza e diversidade, os seus mecanismos complexos de interação e adaptação, uma estética caracterizada pelo entrelaçamento das formas de vida as mais variadas, uma genuína fonte de conhecimentos científicos pouco explorada.

Os próximos quatro capítulos tratam de características específicas da vida animal. Em um deles, sobre os “Reis das Selvas”, Mello Leitão descrevia o comportamento dos grandes carnívoros que dominam a vida terrestre nas selvas e bosques do planeta. Antes, porém, chamava a atenção para os três andares da floresta pluvial: “três modos de vida bem diversos ou, para empregar os termos dos ecologistas, três biótopos distintos”.xiv

Segundo Mello Leitão, diferente do embevecimento dos botânicos, os zoólogos, ao primeiro contato com a selva tropical americana, se sentiam desenganados, pois era difícil encontrar os macacos, o jaguar ou o tapir (anta) a cruzar o caminho. A vida “espreita” em silêncio, calmamente desenvolve as suas tramas, exige um período de adaptação por parte do pesquisador, que necessita aprender a perscrutar atentamente os seus segredos.

Há um capítulo que trata da “linguagem dos animais”. Mello Leitão distribuía em diversos níveis as possibilidades de comunicação, estando o homem no ápice da escala. Para exemplificar estes níveis e as várias formas e meios de comunicação, discutia observações e pesquisas sobre caranguejos, grilos, cigarras, formigas, abelhas, aranhas, peixes, aves (galos, patos, andorinhas, rouxinóis e, sobretudo, papagaios) e mamíferos (cangurus, antílopes, tuco-tucos, castores, cães e, sobretudo, os símios). Concluía que, embora somente os homens fossem capazes de expressar por palavras os seus raciocínios e abstrações, os animais, de diversos modos (sons e gestos), eram capazes de expressar as suas necessidades, instintos e, até mesmo, sentimentos.

O “andar superior” das florestas tropicais mereceu capítulo à parte, já que: “Um dos aspectos mais evidentes da vida nas selvas tropicais é a adaptação à vida arbórea, no alto dos ramos, onde há luz e alimento, abrigo seguro e facilidade de fuga”.xv Mello Leitão destacou o contraste entre as condições de vida animal arbórea nas florestas tropicais do velho e do novo mundo. No velho mundo, era comum o desenvolvimento de membranas em forma de pára-quedas, tornando o salto um vôo planado, enquanto no novo mundo, a maior agilidade e capacidade de se agarrar às árvores possibilitavam atingir aos pulos os alvos desejados.

Ainda tratando dos animais, havia um capítulo sobre a orientação (como os animais se guiam em suas jornadas). Fascinado pelo assunto, Mello Leitão discutia: a) as peregrinações de formigas e abelhas em sua faina diária; b) os trajetos de vespas e marimbondos; c) a volta para o ninho dos beija-flores após a colheita de pólen nos campos; d) o vôo das aves migratórias (sobretudo das andorinhas); e d) a capacidade dos pombos correios de retornarem aos seus locais de origem. A conclusão era que “no fenômeno da orientação tomam parte todos os órgãos dos sentidos, simultânea ou sucessivamente. Todos registram imagens variadas, e tais imagens se encadeiam umas às outras, formando um complexo”.xvi

Os três últimos capítulos de A Vida na Selva tratam da relação entre o homem e a natureza. O primeiro deles nos interessa sobremaneira, pois traça um histórico do surgimento de “Parques e Reservas”, mostrando as suas funções e justificativas. Inicia-se pelo assombro diante do fato de que um animal como o homem “sem garras, de dentes fracos, força muscular pouco desenvolvida, nu, de escassa agilidade e com os pés feitos para a marcha no solo, sem facilidades de trepar nas árvores, tenha vencido os outros animais, e tomado posse de toda a terra”.xvii

O homem primitivo, porém, vivia sobressaltado. Fragilizado frente aos formidáveis carniceiros seus contemporâneos, achou na lapa o primeiro refúgio seguro. Mais tarde inventou os instrumentos capazes de defendê-lo: o machado de pedra lascada, a foice de sílex, as armas de arremesso. Durante milênios o homem sobreviveu “exclusivamente do que lhe oferecia a natureza: os frutos maduros, as sementes, os animais que conseguia surpreender e matar”.xviii

A domesticação de animais e plantas foi um passo fundamental na evolução da humanidade que, daí em diante, se expandiu ocupando áreas cada vez mais extensas do planeta “aumentando cada vez mais as áreas ocupadas pelas aglomerações humanas, e as destinadas à agricultura ou às pastagens para o gado”.xix

Mello Leitão notava que muitos animais, abundantes na Europa central ainda em tempos históricos, haviam desaparecido ou refugiaram-se muito ao norte: auroques, bisões, o cavalo selvagem, cuja carne era deveras apreciada pelo povo, foi também a vítima preferida no sacrifício aos deuses germânicos, sofrendo por este motivo uma campanha de extermínio no século VII, instigada pelo papa Gregório III e por São Bonifácio. A perseguição aos grandes carniceiros, sobretudo ao lobo, foi intensa durante séculos. A caça era franca, matavam-se animais de todas as espécies, não importando o tamanho ou a raridade.

O desejo de matar mais caça com menor fadiga e a intenção de aclimatar espécies estrangeiras para caçadas especiais haviam levado ao estabelecimento de parques fechados:
... Tais reservas de caça já eram conhecidas do antigo Egito. Lê-se em Xenofonte que Astiage, avô de Ciro, possuía um parque de caça onde o futuro rei dos persas se adestrava, perseguindo, ferindo, abatendo os animais selvagens; e Plínio refere que Fulvius Lupinus instalara um parque para os javalis e outras caças.

Além dos seus vastos territórios de caça, possuía Carlos Magno parques especiais em suas florestas, cercados de muros e que foram chamados ‘Brogili’. Muitos grandes senhores estabeleceram instalações desse gênero, destinadas principalmente a animais de outras terras, com especialidade dos que eram trazidos pelos que vinham das Cruzadas...

Foi sobretudo no século XVII que se fez sentir a necessidade da instalação de parques de caça, quando as condições da economia rural não mais permitiram deixar viver em liberdade a quantidade enorme de animais silvestres que então existiam... xx
Segundo Mello Leitão, as maiores devastações ocorreram mais tarde, quando “aberta a caça a toda a gente, houve, pelo prazer da matança ou pela ambição do lucro, verdadeiras hecatombes dos animais silvestres”.xxi

Só muito tarde o homem percebeu os seus erros:


... a caça dos animais insetívoros (especialmente das aves) trouxe como conseqüência a proliferação de grande número de insetos nocivos à agricultura, transformados em pragas terríveis, cujo combate pesou assustadoramente sobre o erário público. A este interesse puramente econômico veio juntar-se mais tarde o interesse científico de conservação das faunas características de cada região, formando-se aos poucos, no espírito dos homens de governo, a noção de proteção dos animais selvagens, abrigos para a fauna e conservação da flora, verdadeiros santuários da vida selvagem.

Foi uma larga campanha, iniciada em 1872 nos Estados Unidos, mas que só neste século se generalizou, e quase todos os países civilizados começam a compreender o interesse que representam os animais selvagens. Desapareceram quase de todo as tapadas reais, os domínios de caça dos grandes senhores, e o homem moderno, sob a influência desse longo e ativo processo de educação empreendido por zoólogos apaixonados, se não olham ainda as aves e as feras com os olhos de S. Francisco de Assis, vêem, pelo menos, nos animais não domesticados criaturas com o mesmo direito à vida, dignas de proteção e amizade.xxii
Neste pequeno trecho aparecem sintetizadas as justificativas da conservação da natureza: o interesse econômico, a ciência, a estética e mesmo a ética, pois os animais tinham direito à vidaxxiii. A questão da ética desempenhava um papel central para Mello Leitão, pois o desenvolvimento das sociedades humanas não podia ser encarado como um problema exclusivamente tecno-científico, tratava-se, sobretudo, de uma evolução moral.

Segundo Mello Leitão, foi quando a situação já se mostrava crítica que começaram a ser tomadas medidas que poderiam garantir a existência da fauna do planeta: “Há uns seis lustros que se vem reunindo congressos e conferências de proteção da natureza, defendendo as belezas naturais contra realizações humanas interesseiras, quase sempre descuidosas da estética, e procurando impedir que o homem, cujos meios de ação e destruição se multiplicam com o progresso, rompa em proveito passageiro o equilíbrio dos três reinos da natureza”.xxiv

Os parques nacionais e as reservas naturais eram, sob a perspectiva de Mello Leitão, fundamentais para garantir a perpetuação da variedade de espécies da flora e da fauna. Para ele, uma definição precisa do que se devia entender por estes termos foi estabelecida pela primeira vez na Conferência para a proteção da fauna e flora africanas, realizada em Londres, em 1933.

Mello Leitão elaborou um histórico dos parques e reservas espalhados pelo planeta e, sobretudo, de como vinham contribuindo para a preservação das espécies faunísticas. Observava que já “em 1831 Jorge Catlin, o grande paisagista e etnólogo americano, reclamava do seu governo a constituição de um parque nacional para preservar as belezas naturais da região de Yellowstone. Foi lenta em germinar a esplêndida semente lançada pelo apaixonado dos selvagens do seu país e das belezas de sua terra. Passaram-se quarenta e um anos: em 1872 o presidente Grant assinava o decreto criando o primeiro Parque Nacional do mundo, nessa mesma região de Yellowstone”.xxv

De início, o que se pretendia era a preservação de uma região de maravilhosa beleza paisagística, com suas montanhas, cascatas, gêiseres e fontes termais. A preocupação com a proteção dos animais, segundo Mello Leitão, surgiu somente mais tarde, quando a “sede de lucros e o prazer de matar” haviam reduzido quase ao extermínio as manadas de bisões da América. Em 1894, o Congresso americano votava uma lei protegendo os animais de Yellowstone, o que possibilitou, em pouco tempo, o crescimento do número de bisões de quarenta para mais de mil. Então, o governo americano decidiu limitar a sua quantidade em mil cabeças, sendo o excedente enviado para outros parques nacionais, zoológicos e mesmo particulares, o que demonstrava já uma preocupação com o manejo da fauna.

Mas não foram os bisões os únicos a encontrar ali abrigo e proteção:


... Em Yellowstone, que Bridges chama ‘o país das maravilhas’ com seus 450 quilômetros de estradas, seus hotéis, seus chalés, ‘os animais aprenderam que o homem não é mais o seu inimigo’. E todos os anos acorrem a este célebre parque milhares de visitantes para contemplar, vivendo sem temor do homem, seguros de uma aliança que dispensou as assinaturas protocolares, os grandes ursos e pesados bisões, como as renas, antílopes, gamos, cargalís. Mais de duzentas espécies de aves aí vivem em paz, desde as grandes águias que se empoleiram nos cimos alcandorados, até os cisnes, pelicanos e patos selvagens que nadam nas águas tranqüilas. Os grandes ursos grizzly, tidos na conta de ferozes e traiçoeiros, aí se mostram afáveis, habituando-se a receber as guloseimas que lhes são atiradas (com consentimento dos guardas) e vivendo numa quase camaradagem com os funcionários e visitantes...xxvi
Na América, quase todos os estados possuíam já os seus parques de proteção à fauna selvagem: uns maiores, de caráter geral, procurando copiar o de Yellowstone, outros mais especializados, destinando-se à proteção de um pequeno número de espécies, principalmente de pássaros e outras aves. Eram citados por Mello Leitão: o Parque das Montanhas Rochosas, no Colorado; o Parque das Sequóias, em Sierra Nevada, na Califórnia; o pequeno parque de Bryce Canyon; o Parque da Paz Internacional, no coração das Montanhas Rochosas, já na fronteira com o Canadá; o Parque Mac Kinley, um dos maiores do mundo, situado no Alasca; o Parque Zion, de Utah; o de Wind Cave, em Dakota; e o de Mesa Verde.

No Canadá, as medidas de proteção à natureza também se fizeram sentir, sobretudo, após a Primeira Guerra Mundial, quando o “poético refúgio canadense de Ajawaan” foi transformado numa reserva especialmente destinada aos castores (perseguidos sem trégua pelo valor de sua pele). Eram citadas também: a reserva de Thelon, criada em 1928, com o propósito de garantir um abrigo para o boi almiscarado, e uma pequena reserva administrada por Charles Jones, constituída em verdadeiro paraíso ornitológico. Entre os parques nacionais, destacavam-se: Yoho, criado em 1886, Banff e Kvotenay, que juntos constituíam uma enorme reserva faunística, encerrando os mais belos aspectos do país.

A mais antiga reserva africana era o Parque Nacional Paul Kruger, surgido em 1898 como reserva de caça, e depois ampliado progressivamente até 1903, quando toda a caça foi proibida. Segundo Mello Leitão, este parque podia ser considerado como um modelo, constituindo-se no maior e mais belo jardim zoológico do mundo, com cerca de meio milhão de animais selvagens vivendo em paz com o homem e convenientemente manejados: leões, leopardos, guepardos, chacais, mangustas, elefantes, rinocerontes, hipopótamos, búfalos, girafas, zebras, antílopes, babuínos, etc.

Mello Leitão chamava a atenção para o turismo como atividade econômica compatível com a conservação da natureza. Havia, de sua parte, a percepção de que, ao lado das medidas para preservação da flora e da fauna, era preciso viabilizar perspectivas de desenvolvimento econômico e social.

Ainda na África, existiam na Rodésia duas vastas reservas para os elefantes: uma em Uweru Uarsh, onde viviam cerca de dois mil animais, outra, a David Livingstone, abrigando um milhar. Havia a intenção de estabelecer uma terceira reserva no vale Luangva. Com o propósito de proteger a fauna selvagem e realizar um estudo científico sistematizado, encontrávamos os três parques nacionais do Congo Belga: Alberto, criado em 1925, Cagera, em 1934, e Garamba, em 1938.

Na Ásia eram conhecidas apenas as reservas florestais da Birmânia, onde se proibia a caça, garantindo assim o refúgio para cerca de quatro mil elefantes, e o parque nacional de Gunong Tahan.

Já na Nova Zelândia, o governo destinava grandes extensões de terra para os parques nacionais e reservas, garantindo a preservação da exuberante fauna ornitológica nativa, além de proporcionar refúgio para grande número de mamíferos, em extinção em outras partes do mundo e ali introduzidos com a finalidade de conservação.

A fauna australiana estava sendo perigosamente ameaçada pelo comércio de peles. Os parques nacionais e reservas eram a única esperança para animais como o coala, os opossuns, o ornitorrinco, o dasiuro, o rato castor, o vombate, as diversas espécies de cangurus, os valabis, assim como os pássaros-lira e os emús. Com o propósito de protegê-los, o estado de Vitória estabeleceu um grande parque nacional no Cabo Wilson, além de outros refúgios nas ilhas French, Philip e Quail, enquanto que na Nova Gales do Sul foi criada uma pequena reserva perto de Sidney.

Na América do Sul, Mello Leitão observava a existência de quatro parques nacionais: Nahuel Huapi, na Argentina; Itatiaia, Iguaçu e Serra dos Órgãos, no Brasil. No entanto, nenhum deles correspondia, em sua opinião, plenamente à finalidade de reserva faunística, sendo antes simples regiões de turismo. Sobre o parque argentino notava que:
O parque Nahuel Huapi, ao sul do território de Rio Negro, no limite com o Chile, compreende uma das regiões mais lindas da América do Sul, com sua cadeia de lagos, seus bosques, seus picos nevados, e o Tronador que, de quando em vez, ergue o seu penacho de fumo ou resmunga, contrariado talvez pela intromissão do homem. Não são, porém, as suas condições as mais favoráveis para uma reserva, dada a pobreza faunística dessa região e antes deve ser considerado como destinado a preservar os monumentos naturais desse maravilhoso recanto, evitando que a ‘mão civilizada do homem’, com as suas industrias e necessidades mais uma vez destrua a obra harmoniosa e perfeita do Criador.

Poderia ser vantajosamente Nahuel Huapi um parque para animais importados de outros pontos, cujas condições ecobióticas fossem idênticas, ao mesmo tempo em que se repovoasse de guanacos, de chinchilas, de marás, desses animais de magnífico pelágio sacrificados à moda.xxvii
A perspectiva era sempre de uma natureza bela e harmônica que, no entanto, podia ser manejada pelo homem, desde que equipado dos conhecimentos científicos que lhe permitissem um cuidado consciente e adequado. Era fundamental, segundo Mello Leitão, tentar prever os efeitos da ação humana sobre os equilíbrios bióticos.

Sobre os parques nacionais brasileiros:


O parque do Itatiaia é apenas pequena reserva florestal. Como reserva de nossa escassa flora alpina não podia ser melhor escolhida a situação; quanto à fauna, porém seu valor é quase nulo, por isso mesmo que as suas condições climáticas e ecobióticas, muito diversas do resto do Brasil, fazem dessas elevadas altitudes quase um deserto. Ao par de reserva florística apenas se poderia pensar em aí estabelecer um paraíso para a órnis das matas meridionais, valorizando assim, de quinhentos por cento esse primeiro parque oficialmente criado.

O parque de Iguaçu, nos limites com a Argentina, poderia prestar-se, vantajosamente à reserva e proteção do guará e da lontra, mas as construções que aí se fazem, sem audiência de um zoólogo, são de molde a apressar o desaparecimento da fauna ainda aí, por acaso, encontrada, e será um simples parque de turismo paisagista.

O chamado parque da Serra dos Órgãos, em terras de alta valorização, talvez poupe por algum tempo a flora. Quanto à fauna será um deserto sem expressão. Enquanto isso o cervo, a ema, o mocó, as antas vão aceleradamente em caminho do desaparecimento por falta de proteção eficaz.xxviii
No Brasil, os parques nacionais existiam, mas, não recebiam o apoio devido das autoridades. Não se investia o suficiente para a criação e manutenção de uma estrutura adequada, nem na vigilância, e menos ainda na pesquisa.

Duas outras reservas foram criadas no Espírito Santo. Em uma delas, o governo do estado havia destinado:


... pequena área do baixo Rio doce, para reserva florística e faunística. Estendendo-se a zona delimitada nesse louvável decreto, de modo a encerrar as lindas lagoas das palmas e das palminhas, e dados os meios eficientes de uma inteligente e constante fiscalização aí teríamos o mais maravilhoso paraíso das aves, por sua localização verdadeiramente ideal. Mas tal reserva já foi invadida por lenhadores e colonos. Há coisas mais importantes a fazer... xxix
Mello Leitão criticava, sobretudo, o pragmatismo e o imediatismo das condutas predominantes no país, que constantemente deixava de lado o conhecimento e a preservação do patrimônio natural. Quanto à segunda área de reserva tratava-se de um confortador exemplo que “acaba de dar a Sociedade dos Amigos do Museu (Nacional do Rio de Janeiro), adquirindo no município de Santa Teresa, uma pequena reserva faunística e florística das mais interessantes”.xxx

No penúltimo capítulo de A Vida na Selva, é enfocado o problema da relação, sempre ambígua, entre o homem e a floresta. Mello Leitão procurou fazer um histórico dessa convivência, desde os tempos pré-históricos até a contemporaneidade, concluindo que, malgrado todo o avanço tecnológico, não havia possibilidade de o homem desvencilhar-se de sua relação umbilical com as florestas, pois “quer tratando-a como inimiga a destruir, quer venerando-a como nume próvido e tutelar, tem o homem vivido sempre na dependência estreita da selva”.xxxi

Segundo Mello Leitão, era cobrado um pesado tributo destas florestas: o agricultor exigia que desaparecessem, dando lugar aos campos de cultivo e transformando-se em adubo; o caçador subtraía-lhes espécies da fauna; a construção de casas, a confecção de mobiliário, a navegação e as estradas de ferro, as indústrias, as cidades, consumiam-lhes as árvores, fosse como material de sustentação de estruturas, ou como lenha a gerar calor e energia.

Por outro lado, o mesmo homem que dissipava as florestas tornou-se, por muitas vezes, o seu defensor. A árvore, para Mello Leitão, era um dos mais preciosos presentes da natureza. A Terra, sem os recursos florestais, estaria muito perto de ser inabitável pelos seres humanos, que, ao menos por isso, deveriam conservá-los.

Mello Leitão acreditava que, quando se tratava da proteção do patrimônio natural, e, logo, de interesse público, o Estado tinha o dever de controlar os usos da propriedade privada. E alertava para o fato de que a queimada e a derrubada das florestas ainda eram os principais métodos utilizados na agricultura no Brasil.

Havia, portanto, a necessidade de uma mudança de hábitos, para a qual as autoridades deveriam contribuir: educando, investindo na pesquisa científica, fiscalizando e orientando a produção econômica para atividades e técnicas que não comprometessem os recursos naturais e a diversidade de espécies biológicas. O extrativismo e o aproveitamento dos frutos das árvores silvestres, por exemplo, se constituíam em modelos de iniciativa econômica compatível com a conservação das florestas.

O último capítulo de A Vida na Selva trata da perspectiva elaborada a partir dos valores afetivos e estéticos relacionados à floresta, ou seja, do olhar poético: “O mistério e o encanto da floresta exaltaram os sonhadores de todos os tempos e a selva inspirou a lira não só dos que lhe beberam os mágicos amavios como também dos que a conheceram através das narrativas dos viajantes e peregrinos”.xxxii

O mais importante para Mello Leitão, era mostrar a existência de vínculos afetivos e elementos de identificação com as florestas, aspectos que apareciam refletidos na apreciação estética que delas faziam os poetas.



A Vida Maravilhosa dos Animais e A Vida na Selva são livros que procuram transmitir aos leigos um pouco do maravilhamento do cientista natural frente ao seu objeto de pesquisa, ao mesmo tempo em que alertam para a necessidade de se valorizar e proteger a diversidade biológica de um mundo do qual o homem depende e é parte integrante.

Conclusão

Do ponto de vista de Mello Leitão a Biologia, ciência da vida, proporcionava ao mesmo tempo esclarecimento e contemplação estética, entrelaçando os ideais da razão iluminista e do transcendentalismo romântico. Ele defendia a necessidade de um projeto civilizador que reconciliasse o homem com o mundo natural, processo no qual a ciência e o Estado teriam responsabilidades a compartilhar, sobretudo no Brasil, “país novo” e em busca de construir sua identidade nacional.





i Baseado parcialmente em José Luiz de Andrade Franco. Proteção à Natureza e Identidade Nacional: 1930-1940. Tese de Doutorado defendida no Departamento de História da Universidade de Brasília, em Julho de 2002.

ii Cf. Cândido de Mello Leitão. A Vida Maravilhosa dos Animais. São Paulo, Cia Editora Nacional, 1935.

iii Cf. Cândido de Mello Leitão. A Vida na Selva. São Paulo, Cia Editora Nacional, 1940.

iv Cf. Regina Horta Duarte. “Biologia e sociedade no Brasil dos anos 1930: práticas de escrita e divulgação científica em Cândido de Mello Leitão”. In: Betânia Gonçalves Figueiredo e Mauro Lúcio Leitão Condé (orgs.). Ciência, História e Teoria. Belo Horizonte: Argumentum, 2005. Regina Horta Duarte. Nação, Natureza e Território: Cândido de Mello Leitão e a Biologia no Brasil. Departamento de História – UFMG/ texto recebido pela Internet.

v Cf. a esse respeito Regina Horta Duarte. “Biologia e sociedade no Brasil dos anos 1930: práticas de escrita e divulgação científica em Cândido de Mello Leitão”. In: Betânia Gonçalves Figueiredo e Mauro Lúcio Leitão Condé (orgs.). Ciência, História e Teoria. Belo Horizonte: Argumentum, 2005. Regina Horta Duarte. Nação, Natureza e Território: Cândido de Mello Leitão e a Biologia no Brasil. Departamento de História – UFMG/ texto recebido pela Internet. As obras de Mello Leitão publicadas na Coleção Brasiliana são as seguintes: Visitantes do Primeiro Império (vol. 32 da Brasiliana, 1934), Zoogeografia do Brasil (vol. 77, 1937), O Brasil visto pelos Ingleses (vol. 82, 1937), A Biologia no Brasil (vol. 99, 1937), História das Expedições Científicas no Brasil (vol. 209, 1941), e a tradução, as notas e os comentários da obra de Henry Walter Bates, O Naturalista no rio Amazonas (vol. 237, 1944).

vi Cf. Cândido de Mello Leitão. A Vida Maravilhosa dos Animais, p. 15.

vii Idem, ibidem, p. 15.

viii Idem, ibidem, p. 63.

ix Idem, ibidem, p. 63.

x Idem, ibidem, p. 226.

xi Idem, ibidem, p. 227.

xii Cf. Regina Horta Duarte. “Biologia e sociedade no Brasil dos anos 1930: práticas de escrita e divulgação científica em Cândido de Mello Leitão”. In: Betânia Gonçalves Figueiredo e Mauro Lúcio Leitão Condé (orgs.). Ciência, História e Teoria. Belo Horizonte: Argumentum, 2005. Ernst Mayr. O Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília: UnB, 1998.

xiii Idem, ibidem, p. 249.

xiv Cf. Cândido de Mello Leitão. A Vida na Selva, p. 43.

xv Idem, ibidem, p. 108.

xvi Idem, ibidem, pp. 167-168.

xvii Idem, ibidem, p. 169.

xviii Idem, ibidem, pp. 169-170.

xix Idem, ibidem, pp. 170-171.

xx Idem, ibidem, pp. 172-173.

xxi Idem, ibidem, p. 173.

xxii Idem, ibidem, p. 174.

xxiiiCf. sobre a questão dos direitos da natureza Keith Thomas. O Homem e o Mundo Natural. S Roderick Nash. The Rights of Nature: a history of environmental ethics. Wisconsin: Wisconsin University Press, 1989. Lívia Neves de Holanda Barbosa e José Augusto Drummond. “Os Direitos da Natureza numa Sociedade Relacional”. In: Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 7, n. 14, 1994.

xxiv Cf. Cândido de Mello Leitão. A Vida na Selva, p. 175.

xxv Idem, ibidem, p. 176.

xxvi Idem, ibidem, pp. 178-179.

xxvii Idem, ibidem, pp. 193-194.

xxviii Idem, ibidem, p. 194.

xxix Idem, ibidem, p. 195.

xxx Idem, ibidem, p. 195.

xxxi Idem, ibidem, p. 198.

xxxii Idem, ibidem, p. 213.


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