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CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
Edital CT-AGRONEGÓCIO/MCT/CNPq Nº 25/2008
Seleção pública de projetos de pesquisa e desenvolvimento em bambu para formação da Rede Nacional de Pesquisa do Bambu - Redebambu
RELATÓRIO TÉCNICO FINAL
Projeto: “Tecnologias para o Aproveitamento do Bambu Nativo Guadua spp. no Sudoeste da Amazônia”

Código: CNPq 574659/2008-0


Coordenador: Elias Melo de Miranda
Identificação do Coordenador

Instituição de Origem: Embrapa Acre

CPF: 138.658.542-49

E-mail: elias@cpafac.embrapa.br



Telefone: (68) 3212-3235

Duração: 24 meses

Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade - SISBIO

Autorização para atividades com finalidade científica

Número: 22069-1 Data da Emissão: 18/11/2009 12:02
Agosto – 2011

RESUMO


O bambu apresenta-se como uma alternativa para diversas aplicações e usos, sendo muitos os setores desenvolvidos no país para sua utilização. Atualmente esta matéria-prima é demanda tecnológica emergente e já são conhecidas algumas iniciativas da utilização dessa gramínea, mas ainda se faz necessário a geração de conhecimentos científicos que garantam maior sustentabilidade, inovação tecnológica e visibilidade do seu uso, de modo a potencializar os benefícios socioeconômicos. No sudoeste da Amazônia ocorrem florestas dominadas por bambus arborescentes, na fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia, as quais abrangem cerca de 16 milhões de hectares, com a presença de várias espécies de bambus lenhosos, compondo os chamados tabocais amazônicos. Este projeto teve como objetivo a execução de pesquisas visando o manejo e domesticação dos bambus nativos amazônicos. Alguns resultados apresentados são ainda preliminares, sendo necessário que as avaliações sejam continuadas por mais tempo para a definição de variáveis importantes para a elaboração de planos de manejo sustentáveis e de sistemas de produção para o cultivo racional do bambu nativo. Entre os estudos realizados sobre a ecologia das florestas abertas com bambu, destacam-se o mapeamento da ocorrência, abordando aspectos populacionais e dos padrões espaciais e temporais dos eventos de mortalidade da população. Quanto aos tratamentos de preservação aplicados, foi verificado que as concentrações de ácido bórico em água, de 3% e 5%, elevaram a classe de resistência de não resistentes (colmos não tratados) a resistência moderada, o que pode aumentar a durabilidade dos bambus do gênero Guadua. Entretanto, todas as amostras sofreram ataques moderados de fungos e insetos xilófagos. Foi testada também a seiva do Jatobá como alternativa para a preservação dos colmos, mas no curto período da avaliação não foi possível concluir sobre a sua eficiência, devendo ser testadas novas metodologias para aumentar a imunização dos colmos. A espécie Guadua sp. é um material de baixa densidade, mas apresenta coeficiente de anisotropia que indica uma excelente estabilidade dimensional, principalmente em sua região basal, sendo portanto uma alternativa de matéria-prima viável para a aplicação na construção civil, onde não são exigidos grandes esforços mecânicos. Os ensaios para dureza Janka mostraram que o material estudado apresenta baixa resistência a dureza, quando comparado com algumas madeiras tropicais nativas, sendo necessárias pesquisas sobre tratamentos físicos e químicos que possam melhorar os indicadores de resistência a abrasão. Quanto à produção de mudas por propagação vegetativa, foram obtidos bons resultados com o método de separação de perfilhos das plantas ainda no viveiro, sendo um método simples e eficiente com taxas de sobrevivência razoáveis. O fungicida Amistar eliminou até 100% dos fungos, dependendo da época da aplicação e o crescimento bacteriano foi inibido com mais eficiência com Ácido Nalidíxico, Cefaclor e Cefotaxima, sem efeito tóxico aos explantes, a partir da concentração de 256 mg.L-1. Porém a contaminação ainda foi elevada não permitindo obtenção de um protocolo eficiente para a micropropagação de Guadua sp. Foi realizado também um plantio piloto de Guadua sp. e avaliado o crescimento em altura e diâmetro de 189 mudas originadas de sementes, cultivadas a pleno sol, em área de terra firme, sendo verificado excelentes taxas de crescimento e vigor. A formação da atual “Rede Brasileira do Bambu”, bem como dos grupos de pesquisa regionais como a “Rede Acreana do Bambu”, grupo cadastrado no CNPq e certificado pela Embrapa, foi importante para concentrar esforços e impulsionar ações que já vinham sendo desenvolvidas de forma isolada pelas instituições que compõem o grupo, sendo este um dos resultados mais importantes da participação no Edital CTAGRONEGÓCIO/MCT/CNPq Nº 25/2008.

INTRODUÇÃO


O Bambu possui grande importância econômica, serve para múltiplos usos, possui enorme impacto social, cultural e ambiental. É uma das plantas de maior eficiência no resgate de CO2, podendo contribuir significativamente para a diminuição do efeito estufa, e ainda, prestar uma grande diversidade de serviços ambientais, como a recuperação de áreas degradadas, no controle da erosão e do assoreamento de corpos d'água, no enriquecimento físico e químico de solos, entre outros.

Esta gramínea apresenta características intrínsecas que favorecem o modelo de produção mais limpa, localizada e barata inerente ao desenvolvimento sustentável, atendendo às questões econômicas, ecológicas e sociais hoje emergentes no Brasil e no mundo. Economicamente, é possível a redução de custos dos produtos que utilizam o bambu como matéria-prima, especialmente nos casos em que o processamento do bambu represente utilização de energia (seu processo consome menos energia em relação a outros produtos com a mesma finalidade). Também no aspecto econômico existe a possibilidade da criação de negócios e geração de empregos.

Em termos sociais verifica-se que a utilização do bambu facilita a inserção social de populações excluídas. Tanto em relação ao seu plantio quanto ao seu processamento, demandam uma tecnologia de fácil absorção por parte dos trabalhadores. Portanto pode vir a ser de grande potencial em termos de geração de trabalho e renda. O grande impedimento ainda é a geração de tecnologias para o aproveitamento sustentável, para a inovação e economia em sua utilização, bem como a instalação de uma cultura empreendedora que consiga vislumbrar as vantagens que podem ser auferidas desta cultura para todos os segmentos sociais que podem ser envolvidos em sua cadeia produtiva. Em termos ecológicos, o bambu ainda é importante na conservação dos solos e na revegetação de áreas alteradas, seu carvão pode ser utilizado como fonte calorífica para fornos com diversos usos, desde siderurgia a padarias e como filtro natural de água, além de ser potencialmente útil para biorremediação de solos contaminados. Esta cultura caracteriza-se, portanto, como economicamente viável ecologicamente correta e socialmente justa.

Pereira e Beraldo (2007) afirmam que um dos maiores entraves à divulgação da importância do bambu junto à comunidade refere-se à falta de produtores de mudas das principais espécies com potencial comercial para os agricultores, que seriam os futuros fornecedores de matéria-prima industrial.

A vegetação na região sudoeste da bacia Amazônica é caracterizada pela ocorrência de florestas de transição entre a Amazônia e áreas extra-amazônicas (Prance 1989), predominando nesse cenário, a Floresta Ombrófila Aberta (IBGE 1997). Esta tipologia florestal é marcada pela abundância de palmeiras, cipós ou bambus no dossel normalmente aberto (Veloso et al. 1991). As florestas abertas com bambu do gênero Guadua - “Pacales” no Peru e “Tabocais” no Acre - são incomuns na Amazônia, mas no sudoeste desta bacia, cobrem áreas extensas, com manchas de floresta com bambu variando de 10 a 104 km2 (Silveira, 2001). Guadua spp. são bambus arborescentes que podem atingir o dossel florestal (20-35 m de altura); com ampla distribuição no sudoeste da Amazônia (Londoño, 1992). Ocupa grandes clareiras e domina o dossel das florestas, formando uma trama quase impenetrável de colmos com espinhos no sub-bosque. O ciclo de vida destas espécies é estimado entre 29-32 anos (Silveira, 1999), após o qual floresce e morre, depositando toneladas de material morto no solo em um espaço de tempo curto (Torezan e Silveira, 2000).

No Acre, Guadua weberbaueri Pilger e G. sarcocarpa Londoño & Peterson apresentam uma distribuição ampla, ocorrendo freqüentemente nos interflúvios tabulares. G. superba Huber restringe-se às florestas temporariamente alagadas ou a áreas de drenagem deficiente, enquanto G. angustifolia Kunth apresenta uma distribuição mais restrita (Silveira, 2001).

Aspectos da ecologia de populações de G. weberbaueri, abrangendo estudos morfológicos das plantas e da dinâmica de populações foram realizados por Silveira (2001). Entretanto, ainda há carência de informações sobre as respostas de Guadua spp. a diferentes épocas de colheita e de intensidade de corte dos colmos, bem como sobre métodos de preservação destes após a colheita, com produtos de baixa toxidade para o homem e o meio ambiente.

A propagação de bambus pode ser por: 1) reprodução sexuada, através de sementes, o qual não é um método fácil e prático devido à esporadicidade de floração de muitos bambus, além da baixa viabilidade e vigor de suas sementes; 2) reprodução assexuada ou vegetativa, através de partes vegetativas da planta, tais como ramos, gemas, colmos e rizomas (Castaño e Moreno, 2004). Cada espécie possui uma forma mais apropriada de propagação, devido suas características ecológicas. Para algumas espécies faltam estudos para definir o método mais adequado para sua propagação e para desenvolver um sistema de produção de mudas.

A definição de estratégias de manejo para os tabocais nativos e o desenvolvimento de tecnologias que possibilitem a sua domesticação para futuros plantios, podem transformar este recurso em uma atividade econômica viável na Amazônia, contribuindo para a sua conservação e para a geração de riquezas nesta região.

O objetivo deste projeto foi realizar estudos que contribuam para a domesticação e o desenvolvimento de sistemas de produção de plantações e de manejo sustentável das populações nativas de Guadua spp. no sudoeste da Amazônia.




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