Como nascer de novo



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Os Intelectuais Estão Procurando?
Os homens e mulheres que são considerados parte da elite intelectual, estão à procura do mesmo sentido para a vida, do mesmo senso de realização, mas muitos deles são detidos nessa busca pelo orgulho pessoal. Eles gostariam de salvar-se a si mesmos, pois o orgulho alimenta a auto-estima, levando-nos a crer que podemos passar sem Deus.

O famoso escritor e filósofo inglês, Bertrand Russell, produziu, com abundância, obras acerca da ética, moral e da sociedade humana, tentando provar o que ele acreditava serem os erros da Bíblia. A respeito desse orgulho intelectual, Russell escreveu o seguinte: "Todos os homens gostariam de ser Deus, se lhes fosse possível; e alguns têm dificuldade em reconhecer esta impossibilidade."

Desde o começo dos tempos, o homem tem dito como Lúcifer: "Serei semelhante ao Altíssimo" (Isa. 14:14).

E a busca continua. O coração precisa ser satisfeito, e a maioria dos intelectuais chega a um ponto de sua existência quando a vida acadêmica, a comunidade científica, as atividades políticas ou econômicas não satisfazem mais.

Um excelente crítico do cenário cultural escreveu: "O homem, apesar de ser humano, procura sempre e sempre escapar à lógica de sua própria realidade, e deseja encontrar seu verdadeiro eu, seu humanismo, sua liberdade, mesmo que somente possa fazê-lo através de uma total irracionalidade ou de um misticismo completamente infundado."

Estamos presenciando as conseqüências de o homem buscar seu verdadeiro eu em experiências místicas e novos cultos, e naquilo que denominam "nova consciência". "O homem hoje deseja experimentar a Deus. Nem fé, nem conhecimento são a palavra-chave, mas experiência."

E à medida que se intensifica este anseio pela experiência, as falsas filosofias e os falsos deuses se tornam aceitáveis. Um intelectual europeu afirmou:

"Há séculos que empreendemos a busca daquele ideal que os gregos denominaram ataraxia, a idéia de uma calma tranqüila, de profunda satisfação interior, que transcende as inquietações, frustrações e tensões do viver diário. Muitos a procuraram através da filosofia e religião, mas sempre tem havido uma busca paralela de atalhos."

Certo escritor americano afirma: "À medida que aumenta de intensidade a busca do homem por novas experiências, novos líderes, novas esperanças, existe também aquele anseio contínuo de encontrar-se outra alternativa para um futuro que parece ser tão negro."

Os homens estão desesperadamente desejosos de paz, mas a paz de Deus não é a ausência de tensões e tumultos, mas, sim, uma paz, que, mesmo em meio a tensões e tumultos, continua a existir.

Em Calcutá, na Índia, desejei visitar uma grande serva de Deus que é conhecida no mundo como Mãe Teresa. Eu chegara bem cedo, e as irmãs não queriam perturbar Mãe Teresa, pois três pessoas haviam morrido em seus braços naquele dia, e ela acabara de recolher-se a seu quarto para descansar um pouco. No entanto, o oficial que me levara até lá enviou um recado a ela, e daí a alguns instantes ela apareceu. Imediatamente, aquela santa mulher deu-me a impressão de uma pessoa que goza de paz interior em meio à tormenta. É a paz que ultrapassa todo entendimento, e todos os desentendimentos também.

Como precisamos deste tipo de paz, nesta geração que está senda despedaçada por inquietude interior e desespero! Os jornais diários são exemplos clássicos de um quadro negativo. Terrorismo, bombardeios, suicídios, divórcios e um pessimismo geral são as doenças do dia atual, pois o homem, em seu orgulho, recusa-se a voltar-se para Deus.

Entretanto, o intelectual sincero, aquele que cultiva uma mente aberta juntamente com a busca do coração, faz uma descoberta maravilhosa. Diz o Dr. Rookmaaker:

"Não podemos entender a Deus perfeitamente, nem conhecer sua obra completamente. Mas ele não nos pede que o aceitemos com uma fé cega. Pelo contrário, ele nos pede que olhemos ao redor, e reconheçamos que as coisas que ele nos ensina através de seu Filho, seus profetas, e seus apóstolos são verdadeiras, são reais e são relativas a este mundo, o cosmo que ele criou.

Portanto, nossa fé nunca pode ser considerada como irracional, nem como algo pré-fabricado. A fé não significa o holocausto do intelecto para quem cré na versão bíblica da História."
Quem Precisa de Socorro?
Na epidemia de filmes sobre catástrofes que grassou nos meados dessa década de 70, houve um que se chamou Terremoto. Quando o devastador tremor de terra ocorre, duas das personagens principais do filme procuram abrigo sob um carro forte, para esconderem-se dos destroços que caíam, e do terror da natureza desenfreada. Naquele momento, eles não pararam para raciocinar sobre o que estava acontecendo, e nem procuraram analisar o que iriam fazer; só sabiam que precisavam de socorro, e correram a abrigar-se.

A pessoa que se encontra nas mais precárias circunstâncias da vida deseja socorro imediato. Ela não precisa analisar o socorro, nem examinar a forma sob a qual ele lhe chega; ela só sabe que precisa ser salva.

Quando nos referimos ao desastre de nossos terremotos interiores, alguns intelectuais desejam saber qual é a fonte de auxílio e conhecer todos os detalhes que se relacionam com esta fonte. O intelectual tem um cerro conjunto de crenças auto-suficientes, e acredita que seu sistema está completo. Outros intelectuais aceitam cegamente as falsificações que lhes são apresentadas em linguagem e linha de pensamento tão complexas, que quem quiser negar suas premissas correrá o risco de parecer ignorante. Para algumas pessoas é muito difícil dizer: "Isto não faz muito sentido; eu não entendo o que quer dizer."

Contudo, vários intelectuais abriram o coração e a mente para a verdade das boas-novas, e encontraram uma nova vida.

Uma jovem hindu que fazia um curso de pós-graduação em medicina nuclear na Universidade de Los Angeles, iniciava seu segundo ano de estudos, quando assistiu a uma de nossas cruzadas. Ao término do culto, ela aceitou Jesus como seu Salvador, e nasceu de novo.

Um brilhante cirurgião que assistiu a uma cruzada ouviu-me afirmar que, se para chegar aos céus cada pessoa dependesse de boas obras, eu não tinha esperanças de chegar lá. Ele dedicara sua vida a socorrer a humanidade, mas naquele momento compreendeu que seus estudos e todos aqueles anos de dedicação e esforço, suas noites de vigília com os pacientes, e seu amor pela profissão não lhe conquistariam um lugar junto a Deus. E esse homem, que vira muitos nascimentos nessa vida, aprendeu o que significava nascer de novo.

Muitas pessoas pensam que Cristo só conversava com pessoas desclassificadas ou com crianças. Mas um de seus grandes encontros, durante seu ministério, foi com um intelectual. Esse homem, cujo nome era Nicodemos, tinha uma ideologia e filosofia teológica muito rígida, e que aliás era excelente, pois tinha Deus como centro. Entretanto, esse intelectual estruturara seu sistema religioso-filosófico sem o nova nascimento, que somente é encontrado em Jesus Cristo.

E o que foi que Jesus, um carpinteiro de Nazaré, disse àquele homem culto? Ele disse mais ou menos o seguinte: Sinto muito, Nicodemos, mas não posso explicar-lhe isso. Você está diante de um fato que o perturba, porque não se ajusta ao sen sistema. Você reconhece que não sou um homem comum, e que eu opero no poder de Deus. Isto não faz muito sentido para você, mas não posso explicar-lhe, porque suas suposições não me concedem um ponto de partida. Nicodemos, para você isto é ilógico. Não há nada em suas idéias que o aceite. Mas você não terá visão espiritual, enquanto não nascer espiritualmente. Você terá que nascer de novo."

Nicodemos estava confuso. "E como é que um homem que já está envelhecendo pode nascer de novo?" indagou ele. "Como pode ele retornar ao ventre de sua mãe e nascer pela segunda vez?"

Os intelectuais perguntam: "Como é que um homem pode nascer duas veles? "

Quem quiser encontrar respostas para suas indagações tem que se dispor a rejeitar muita coisa de seu antigo sistema de pensamento e mergulhar no novo. Então enxergará a possibilidade de algo que pensou ser impossível.

"É por isso que somente esta fé singularmente 'impossível' – em um Deus que existe, em uma encarnação que é terrena e é histórica, em uma salvação que vai de encontro à natureza humana, em uma ressurreição que aniquila o caráter decisivo da morte – é capaz de oferecer uma alternativa para o vacilante pó da terra, e, através de um novo nascimento, abrir-lhe caminho para uma nova vida."

Nas montanhas próximas ao lugar onde moramos, certa vez, um pequeno avião se perdeu com quatro pessoas a bordo. Mais ou menos por essa mesma época, uma jovem de quinze anos perdeu-se na mesma área. Foi uma ocasião de muita tristeza para nossa comunidade, pois as quatro pessoas morreram e a jovem nunca foi encontrada.

Certo dia, quando minha esposa comentava com um senhor que trabalha para nós acerca dos trágicos acontecimentos que sucederam àquelas pessoas, ele contou-lhe um fato de sua própria experiência. Ele nascera e se criara nessas montanhas, disse-lhe, e pensou que nunca iria perder-se nelas. Quando criança, aquela região fora área de lazer, e depois de adulto, era ali que ele caçava. Em certa ocasião, porém, ele ficou a vaguear pelo mato, subindo penhascos, terrivelmente confuso. Ele ia de um lado para outro, até que, de repente, para seu alívio, chegou a um barraco onde morava um velho. E ele disse a Ruth que nunca esqueceria o conselho que o homem lhe deu: "Quando você se perder nestas montanhas, nunca desça – procure sempre subir. Do alto do morro, você avista o lugar e fica sabendo onde está, e pode orientar-se de novo."

É possível que venhamos a perder-nos nas montanhas da vida. Temos duas escolhas: ou podemos descer e nos deixar dominar por drogas, depressões, vazio e confusão de mente, ou podemos continuar a subir. A direção que seguirmos determinará se encontraremos a nós mesmos ou não.

Nessa época de indagações e buscas, a mais importante delas é a nossa busca de um conhecimento acerca da vida, e acerca de Deus. Esta busca nos lançará na única direção certa, no único caminho certo, e então estaremos encetando aquela jornada, quando nascemos de novo.


ALGUÉM PODE DIZER-ME ONDE ENCONTRO DEUS?
Um bêbado estava procurando alguma coisa na rua certa noite, debaixo de um poste de luz. Andava de um lado para outro, tateando a calçada de concreto, vez por outra agarrando-se ao poste para equilibrar-se. Um passante indagou-lhe o que procurava. "Perdi minha carteira", respondeu o bêbado. O outro ofereceu-se para ajudá-lo, mas sem sucesso.

"Tem certeza de que a perdeu aqui?" perguntou ele ao bêbado.

"É claro que não", respondeu. "Foi lá atrás; no meio da quadra."

"Então, porque não está procurando lá?"

"Porque", respondeu o outro, com uma lógica contundente, "lá está escuro."

Procurar é importante, mas não adianta nada, se não procurarmos no lugar certo.

O governador de certo Estado recebeu-nos em sua casa, e, após o jantar, pediu para falar comigo em particular. Fomos para o seu escritório, e ali percebi que ele estava lutando contra a emoção. Por fim, ele disse: "Estou chegando ao fim de minha resistência. Preciso de Deus. Pode dizer-me como encontrá-lo?"

Um jovem militar, endurecido pelo rigoroso treinamento do grupo "Boinas Verdes", e que era tão forte que suas mãos haviam sido postas no seguro, por serem consideradas armas mortais, caiu ao chão de seu quarto, certa noite, chorando como uma criancinha, e dizendo: "Deus! Deus! Onde estás?"

Desde um barraco de favela até a mais rica mansão; de uma autoridade municipal até um prisioneiro aguardando a morte, todos os homens indagam se existe Deus. E se existe, como é ele?

Um fato digno de nota para todos os que buscam a Deus é que a crença em algum deus é praticamente universal. Qualquer que seja o período da História que estudarmos, qualquer que seja a cultura que examinarmos, se analisarmos o passado histórico da humanidade, veremos que todos os povos, primitivos ou modernos, reconhecem a existência de algum tipo de deidade. Nos últimos dois séculos, as escavações arqueológicas têm revelado as ruínas de muitas civilizações antigas, mas nenhuma delas encontrou ainda uma cultura que não desse alguma evidência de adoração a um deus. O homem adorou o sol, e fez, para si imagens. O homem adora um código de leis, adora animais, e até outros homens. Alguns parecem adorar a si mesmos. O homem faz deuses criados por sua imaginação, embora ele creia que Deus exista – uma crença meio confusa e indistinta.

Algumas pessoas, frustradas, desistem desta busca de Deus e passam a considerar-se "ateus" ou "agnósticos", professando não ter religião. Mas eles têm necessidade de preencher aquele vácuo que existe em seu interior com algum outro tipo de deidade. E portanto, o homem cria seu próprio deus – dinheiro, trabalho, sucesso, fama, sexo, álcool, ou até comidas.

Na atualidade muitos fazem de sua pátria seu objeto de adoração, esposando o evangelho do nacionalismo. Erroneamente, tentam substituir o Deus vivo e verdadeiro pela religião do nacionalismo. Outros transformam em deus a causa que defendem. Embora muitos grupos radicais neguem fé em Deus, milhares de seus seguidores, de bom grado, entregam sua vida e sofrem privações e pobreza por sua crença na "causa" ou na "revolução".

Não conseguindo encontrar o verdadeiro Deus, milhões de pessoas consagram sua lealdade a uma causa menor ou a um deus menor. Contudo, tais pessoas não encontram nem satisfação nem respostas para suas indagações supremas. Assim como Adão foi criado para manter comunhão com Deus, assim o são todos os homens. Jesus fez o seguinte comentário acerca do primeiro mandamento: "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, e de toda tua força." (Mar. 12:30)

Ele deu a entender que o homem, diferentemente de um mineral ou de um animal irracional, tem a capacidade de amar a Deus.


Uma Dupla Busca
Como já vimos, uma pessoa sábia busca a Deus, mas ela não tem a capacidade intelectual necessária para encontrar, através de raciocínios, seu caminho para Deus. Então ela deve fazer uma pergunta séria: "Será que há alguma esperança de eu ser bem sucedida nesta busca? Será que realmente posso conhecer a Deus?"

Certa vez, quando eu estava sendo entrevistado por Ludovic Kennedy, da BBC de Londres, ele indagou: "Quem criou a Deus?" A resposta foi simples: "Ninguém." Deus tem existência própria.

"No princípio, Deus" são as palavras que formam a pedra fundamental de toda a nossa existência. Sem Deus, não existiria começo nem continuação. Deus foi a energia criadora, e a força coesiva que tirou o universo do nada. Com o divino haja, ele criou a forma, do nada; da desordem, criou a ordem e das trevas, criou a luz.

Os cientistas não conseguem ver a Deus em um tubo de ensaio, nem num telescópio. Deus é Deus, e a mente do homem é por demais pequena.

Blaise Pascal, o célebre físico francês do século XVII, disse certa vez: "Se acrescentarmos uma unidade ao infinito, ela não lhe acrescenta nada, do mesmo modo que ele não cresceria se lhe acrescentássemos a medida de um pé. O finito é engolfado pelo infinito, e se torna zero absoluto. Assim é nossa mente diante de Deus."

O fato de não compreendermos a Deus completamente não deveria espantar-nos. Afinal, vivemos cercados de mistérios que não conseguimos entender – e mistérios muito mais simples. Quem saberia explicar por que todos os objetos são sempre atraídos para o centro da terra? Newton descobriu a lei da gravidade, mas ele não sabia explicá-la. Quem pode explicar o mistério da reprodução? Há anos que os cientistas tentam reproduzir uma célula viva e desvendar o mistério da procriação. Eles crêem que estão-se aproximando do segredo, mas ainda não obtiveram a vitória.

Já nos acostumamos a aceitar muitos mistérios que não sabemos explicar. Fico admirado ao ver minha esposa misturar fubá de milho, com óleo, ovos, fermento e leite, e depois ver aquela massa espessa crescer lentamente dentro do formo, e depois ser retirada de lá leve e macia, com uma crosta corada. Não entendo isso, mas aceito os resultados.

Deus é muito mais complexo do que alguns dos fenômenos terrenos que não compreendemos.

E, apesar de tudo, poderíamos apresentar, perante um júri cético, muitos argumentos em favor da tese da existência de Deus. No plano científico, sabemos que qualquer objeto em movimento é movido por uma força externa, já que o movimento é resultado de matéria mais energia. Entretanto, no mundo da matéria não pode existir energia sem vida, e vida pressupõe a existência de um ser que produz a energia que move coisas tais como as ondas do mar e os planetas.

Outro argumento é que nada pode ser a sua própria causa. Se alguma coisa causasse a própria existência ela seria anterior a si mesma, e isto é absurdo.

Consideremos a lei da vida. Vemos objetos que não possuem intelecto, assim como estrelas e planetas, que se movem seguindo sempre um plano definido, em perfeita harmonia uns com os outros. É evidente que sua movimentação não é produto do acaso, mas de um cuidadoso planejamento.

Aquilo que não possui inteligência não pode mover-se inteligentemente. O que dá direção e planejamento a esses objetos inanimados? É Deus. Ele é a força motivadora da vida, que está por trás de tudo.

Existem muitas evidências e argumentações que atestam a existência de Deus, mas a verdade é que ela não é provada apenas com argumentos. Se a mente humana pudesse provar a Deus plenamente, ele não seria maior que a mente que o prova.

A suprema aproximação do homem para Deus é pela fé. A fé é o elo que nos liga a ele. As Escrituras dizem que temos que crer que ele existe. O termo "fé" aparece inúmeras vezes na Bíblia, e Deus toma a si o incentivo desta fé. Deus continua a buscar o homem, assim como o homem está buscando por ele.

A despeito das repetidas rebeliões do homem, Deus o ama com amor eterno. Alguns pais terrenos desistem de seus filhos quando estes se entregam a hábitos desprezíveis e a companhias indesejáveis. Há pais que expulsam um filho ou filha de casa, e lhe dizem para nunca mais voltar. Por outro lado, há pais que negam os filhos antes mesmo de nascerem. Conhecemos jovens – e até adultos – cuja vida está marcada por causa dessa rejeição paterna. O único modo de essas pessoas serem restauradas é aceitar o fato, e pedir ao Senhor para preencher essa lacuna de sua vida. A Bíblia diz: "Porque se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá." (Sal. 27:10.)

Deus nunca abandona o homem. A mais dramática busca de todos os séculos é a procura terna e paciente de Deus pelo homem.

Quando o homem, no jardim do Éden, resolveu desobedecer a Lei de Deus, e interrompeu a linha de comunicação entre ele e o Senhor, a comunhão entre eles deixou de existir. A luz e as trevas não podiam coexistir lado a lado. Por que foi que surgiu esta barreira entre Deus e sua criatura? O que causou isto foi uma característica divina que a média das pessoas não compreende. Deus é "santidade" absoluta.

No passado Deus disse a Israel: "Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Lev. 19:2).

No livro de Apocalipse, o clamor que ressoa nos céus dia e noite é o seguinte: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que há de vir." (Ap. 4:8.)

Um Deus santo retrai-se à nossa pecaminosidade; ele não pode contemplar o pecado, pois este é terrível e revoltante para ele. E como o homem se manchou com o pecado, Deus não pôde mais manter comunhão com ele. Entretanto, Deus nos ama – apesar de tudo.

Deus tinha um plano para restaurar o homem, apesar do seu pecado. E se Deus não tivesse um plano, ninguém mais poderia ter. Logo no início, ele disse a Adão: "Certamente morrerás" (Gên. 2:17). Num dos capítulos posteriores, iremos discutir as três dimensões da morte. O homem teria que morrer, ou Deus teria que voltar atrás em sua palavra, e ele não pode mentir, pois nesse caso não seria mais Deus.

Vemos que, como o homem ainda peca, ainda desafia a autoridade e ainda age independentemente de Deus, existe uma grande separação entre ele e o Senhor. Os homens e mulheres do século XX não são diferentes de Adão e Eva. É verdade que atingimos uma tecnologia sofisticada, construímos alguns arranha-céus, e escrevemos milhões de livros, mas ainda permanece um abismo entre o homem pecaminoso e o Deus santo. Contudo, Deus apela e suplica ao homem, através deste abismo escuro e estéril, a que se reconcilie com ele.

Deus nos ama. O apóstolo João disse: "Deus é amor" (1 João 4:8).

O profeta Jeremias repete as palavras divinas: "Com amor eterno eu te amei, por isso com benignidade te atraí." (Jer. 31:3.) Outro profeta, Malaquias, disse: "Eu vos tenho amado, diz o Senhor" (Mal. 1:2).

Todos os romances e peças teatrais precisam apresentar um tipo de conflito. Mas nem mesmo Shakespeare poderia ter criado uma trama mais forte que a do dilema divino. Sabemos que o homem é pecador e está separado de Deus. E como Deus é santo, ele não pode perdoar nem ignorar automaticamente a rebelião do homem. Mas como Deus é amor, ele não pode atirá-lo para um lado, tampouco. Aí está o conflito. Como pode Deus ser justo e justificador? A pergunta que Jó propôs a Deus foi: "Como pode o homem ser justo para com Deus?" (9:2.)


Deus Fala
Quando eu era garoto o rádio estava começando a aparecer. Lembro-me de que nos reuníamos em torno de um tosco aparelho, de fabricação caseira, e girávamos os três botões de sintonia, num esforço de estabelecer contato com a estação transmissora. Muitas vezes, o único som que partia do amplificador eram os estalidos e chiados da estática. Não era muito agradável escutar todos aqueles ruídos confusos, mas continuávamos a tentar, com muita expectativa. Sabíamos que, em algum lugar, havia uma estação transmissora, que não víamos, mas se conseguíssemos estabelecer contato com ela, se o dial fosse ajustado adequadamente, poderíamos ouvir uma voz falando em alto e bom som. Após um longo tempo de esforços laboriosos, o som distante de uma música ou uma voz, repentinamente, se fazia ouvir, e um sorriso de triunfo iluminava o rosto de cada uma das pessoas no aposento. Por fim conseguíramos sintonizar com a estação.

Talvez você esteja surpreso de os profetas haverem dito que Deus lhes falava. Ele fala conosco? Ele nos diz onde está – como podemos encontrá-lo – e como podemos acertar as coisas com ele? Na segunda parte deste livro estudaremos como Deus respondeu a estas perguntas, e veremos que tipo de pessoa era Jesus Cristo e a obra que realizou. Deus resolveu o problema; ele nos falou de si mesmo e de seu terno interesse por nós. O segredo de tudo é uma linha de comunicação que se chama "revelação". Revelar significa "tornar conhecido, desvendar". Mas uma revelação pressupõe um elemento "revelador", que neste caso é Deus. Também pressupõe "ouvintes" – os profetas e apóstolos escolhidos por Deus, e que registraram na Bíblia aquilo que ele lhes falou. A revelação é uma linha de comunicação na qual Deus se encontra em uma das pontas e o homem na outra.

Na revelação que Deus estabeleceu entre ele e o homem, encontramos uma nova dimensão de vida, mas temos que "sintonizar". Existem níveis de vida que nunca atingimos e que nos aguardam. Paz, satisfação e gozo que nunca experimentamos estão à nossa disposição. Deus está tentando chegar até nós. Os céus estão chamando e Deus está-nos falando.

Você já ouviu a voz de Deus? Na mesma hora em que você está buscando a Deus, ele está-lhe falando.



DEUS REALMENTE FALA CONOSCO?
Deus tem nos falado desde o início. Adão ouviu a voz do Senhor no jardim do Éden. Deus também falou a Eva, e ela sabia quem estava falando, e deve ter tremido pois reconheceu que o desobedecera.

Duas pessoas – um homem e uma mulher – resolveram desobedecer a Deus e mergulharem num mundo onde a espiritualidade era negra e morta – um mundo fisicamente improdutivo, a não ser à custa de muito esforço e sofrimento.

O mundo estava sob a condenação divina. A Bíblia ensina que o homem se encontra num período de trevas espirituais. "O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos." (2 Co. 4:4.) Isaías, o grande profeta hebreu, disse: "Apalpamos as paredes como cegos, sim, como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e entre os robustos somos como mortos." (Is. 59:10.)

Ele estava fazendo uma descrição vívida da cegueira espiritual, que, na realidade, é a escuridão espiritual. Encontrar-se em meio às trevas é uma experiência terrível.

Quando estive na Inglaterra, logo após a segunda grande guerra, certo dia o nevoeiro era tão denso que um de nós tinha que caminhar na frente do carro para evitar que batesse na guia da calçada. Foi uma experiência que nunca tínhamos vivido antes, uma espécie de black-out ligeiramente aterrador.

Infinitamente pior será cair em trevas espirituais eternas. Existem pessoas cegas que "enxergam" melhor que outras que possuem ótima visão.

Conhecemos uma belíssima jovem coreana, que tem uma voz maravilhosa, que já foi descrita como "elétrica" e que também toca piano de forma esplendorosa. Essa jovem, Kim, é cega, mas "enxerga" melhor que muita gente com visão total, e não considera sua cegueira como deficiência, mas, sim, como um dom de Deus. Descobri que ela possui uma grande acuidade mental, psicológica e espiritual, absolutamente admirável.

O homem também é espiritualmente surdo. Outro grande profeta disse que o povo "tem ouvidos para ouvir, mas não ouve" (Ez. 12:22). Jesus disse o mesmo, ainda com maior ênfase: "Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos." (Lc. 16:31.)

A diferença entre a surdez física e a espiritual é multo bem ilustrada em nossas campanhas. Sempre temos uma seção do auditório reservada para os surdos-mudos, e muitas vezes passo ali para apertar a mão daquelas pessoas. Em certa cruzada, cerca de doze surdos vieram ver-me em meu gabinete, e conversei com eles através de um intérprete. A luz de Cristo brilhava claramente na fisionomia de alguns deles.

O mundo dos surdos é muito difícil de ser entendido por aqueles que desfrutam de uma boa audição. Mas, todos os dias caminhamos num mundo de pessoas surdas espiritualmente.

Espiritualmente falando, muitos homens estão mais que surdos e cegos – estão mortos. "Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados." (Ef. 2:1.) Para os que estão mortos espiritualmente não existe possibilidade de comunhão com Deus. Milhões de pessoas anseiam por um mundo de felicidade, luz, harmonia e paz, mas, em vez disso, acham-se envolvidas por um mundo de pessimismo, trevas, discórdias e tumultos. Elas procuram a felicidade, mas esta parece fugir delas, assim como um raio de sol ou um facho de luz ilude a criancinha que tenta agarrá-lo.

Muitos desistem e entregam-se ao pessimismo. Muitas vezes esta atitude de desespero os conduz a um círculo de festas ou bares, onde tentam apagar a realidade de seu mundo, com a irrealidade do álcool. Às vezes, tais pessoas são levadas às drogas ou a dedicar-se desesperadamente a um passatempo ou esporte. Todos estes são sintomas da grande enfermidade que é o escapismo, e são causados por uma infecção terrível chamada pecado.

Muitas pessoas gostariam de poder dissecar a Deus em seus microscópios. Estabelecem seu próprio método de análise e depois não chegam a nenhuma conclusão. Deus continua sendo, para elas, o grande silêncio cósmico, desconhecido e invisível. E, no entanto, ele se comunica com aqueles que se mostram dispostos a umedecê-lo. Ele penetra no silêncio escuro com revelações francas e vivificantes, através da natureza, da consciência humana, das Escrituras e da pessoa de Jesus Cristo.



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