Como nascer de novo



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Deus Fala Pela Natureza
Eu assisti ao nascimento de meu filho mais novo. Também meus três genros e meu filho mais velho assistiram ao nascimento de seus filhos. Todos sentimos que havíamos presenciado um milagre. Como disse um dos médicos: "Quem pode negar a existência de Deus, depois de assistir a um parto?"

Em sua linguagem peculiar, a natureza nos fala da existência de Deus, seja no choro de uma criancinha, ou no canto de uma cotovia. É a linguagem da ordem, da beleza, da perfeição e da inteligência. A complexidade de detalhes de uma flor é obra das mãos de Deus; os instintos das aves foram designados por ele. Deus fala ao homem pela regularidade das estações do ano; pelos movimentos do sol, da lua e das estrelas; pelo equilíbrio dos elementos que nos permite respirar. "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite." (Sl. 19:1,2.)

As próprias dimensões do universo sempre se constituíram num ponto incompreensível para o homem, mas, com as explorações do século XX que lançaram o homem no espaço, nossa mente ficou ainda mais intimidada. Os cientistas que não crêem em Deus devem estar completamente confusos ao constatarem como o homem é pequeno nesta terra – que é parte de um grupo de galáxias estimadas em 100 bilhões, cada uma delas com 100 bilhões de estrelas e planetas.

Juntamente com a exploração do universo, esta geração está examinando também o outro lado da escala. O microscópio eletrônico e as pesquisas bioquímicas capacitaram os pesquisadores a estudar células que são ampliadas até 200.000 vezes o seu tamanho natural. Existem tantas moléculas em uma gota de água que se elas fossem transformadas em grãos de areia, seriam em quantidade suficiente para pavimentar uma estrada de Los Angeles a Nova York.

O apóstolo Paulo disse: "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas." (Rm. 1:20.) Deus disse que poderíamos aprender muita coisa a respeito dele simplesmente pela observação da natureza. E como ele se revela através do universo que criou, os homens não têm desculpas para não crerem nele. É por esta razão que o salmista afirma: "Diz o insensato no seu coração: Não há Deus" (Sl. 14:1).

Deus nos fala através da natureza, mas não podemos conhecê-lo simplesmente sentando-nos debaixo de uma árvore e contemplando o céu. Ele tem outro meio de revelar-se a nós, que, por vezes, é denominado "um cicio tranqüilo e suave".


Deus Fala Pela Nossa Consciência
O que é a consciência? Um dicionário define-a assim: "É o senso de certo e errado; idéias e sentimentos que dizem a uma pessoa quando está agindo certo, e a advertem acerca do que é errado."

"Faça aquilo que a consciência lhe ditar", por vezes é um conselho sábio, mas nem sempre. Deus se revela em nossa consciência. Por vezes, ela nos ensina com mansidão, inclinando-nos para a direção certa, como um introdutor, num teatro às escuras, nos conduz para nossa poltrona. Outras vezes, a consciência é nosso pior inimigo, torturando-nos dia e noite, com uma inquietação agonizante.

Paulo descreve a operação da consciência nos seguintes termos: "Quando, pois, os gentios que não têm lei, procedem por natureza de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei, gravada nos seus corações, testemunhando-lhes também a consciência, os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se." (Rm 2:14,15.)

"A consciência humana é como o farol do Senhor, revelando todas as suas intenções secretas." (Pv. 20:27 - Salmos e Provérbios Vivos.)

Quando compreendemos que Deus pega uma possante lanterna e ilumina com ela os recessos escuros de nossa mente, examinando não apenas nossas ações, mas também os intentos que geram tais ações, vemos claramente que ele realmente nos fala através da consciência.

Até mesmo as pessoas que não são crentes percebem a existência de uma força orientadora em seu interior. Thomas Jefferson escreveu o seguinte, há quase duzentos anos: "O senso moral ou consciência é uma parte tão real do homem como um braço ou uma perna. Ela é dada a todos os seres humanos, em graus mais fracos ou mais fortes, assim como seus membros são mais fracos ou mais fortes."

Algumas pessoas, mesmo não tendo Deus, possuem um senso de consciência mais forte do que outras. Mas aquele que tem uma consciência morta ou cauterizada, é como um avião sem piloto, ou um barco sem leme, e navega em rota de colisão com as circunstâncias. Por causa do pecado, a consciência pode tornar-se entorpecida e até morrer.
Deus Fala Pelas Escrituras
A Bíblia é o livro de texto da revelação. Na grande escola de Deus, contamos com três livros de texto – um chama-se natureza, outro consciência, e o outro, as Escrituras. As leis de Deus, reveladas na natureza, nunca mudam. No livro de texto da revelação, o que está escrito – a Bíblia – Deus nos fala com palavras. A Bíblia é o único livro que revela o Criador à sua criatura. Nenhum outro livro, produzido pelo homem, pode fazer tal declaração, e apoiá-la com fatos.

A Bíblia é singular em suas afirmações e ensinos, e na maneira como tem sido preservada através dos séculos. Hoje em dia, muitas pessoas estão examinando livros que dizem contar as soluções para as grandes indagações da vida e da morte; muitos desses livros são produto das religiões orientais ou da filosofia humanista.

Em seu livro Evidence that Demands a Verdict (Evidências que exigem um veredito), Josh McDowell cita um antigo professor de sânscrito que passou quarenta e dois anos estudando a literatura oriental, e disse, comparando-a com a Bíblia: "Coloque-os, se desejar, no lado esquerdo de sua escrivaninha; mas coloque a Bíblia Sagrada à direita, sozinha, somente ela – e com uma boa separação entre os dois. Pois... existe uma profunda diferença entre ela e os chamados livros sacros do Oriente, um abismo que a separa dos outros de forma cabal e inconciliável, para sempre... um verdadeiro vácuo que não pode ser ligado por nenhuma ciência de pensamento religioso."

Os céticos atacam a Bíblia, mas depois recuam, perplexos. Os agnósticos zombam de seus ensinos, mas não conseguem formular uma refutação intelectual genuína. Os ateus negam sua validade, mas são obrigados a render-se, ao verificarem que ela é acurada historicamente, e provada pela arqueologia.

Peguei, certa vez, uma renomada revista noticiosa, e li uma declaração de certo chefe de Estado, a respeito das atuais tendências econômicas. Até aí nada de espantoso. Todos nós temos ouvido ou lido declarações feitas por homens e mulheres todos os dias. E quando as ouvimos de várias fontes, sentimo-nos inclinados a crer nelas, e passá-las a outras pessoas.

Se encontrarmos um livro que afirma em centenas de situações diversas, que, por exemplo, a rainha da Inglaterra disse certas coisas, acreditaremos que ela realmente fez tais declarações. Não há dúvida nenhuma.



Os escritores bíblicos falaram de muitos modos para indicar que fora Deus quem lhes dera as informações que possuíam. Somente no Velho Testamento, eles afirmam 3000 vezes que Deus falou alguma coisa. Apenas nos cinco primeiros livros da Bíblia encontramos várias frases assim:

"E chamou o Senhor Deus ao homem."

"E disse o Senhor Deus à mulher."

"E disse o Senhor a Noé."

"E Deus falou a Israel."

"Disse Deus."

"E falou o Senhor dizendo."

"E ordenou o Senhor."

"Ouvi a palavra do Senhor."

"Diz o Senhor."

Será que Deus falou a estes homens da forma como descreveram? Se não o fez, eles são os mais consumados mentirosos que o mundo já conheceu, ou então eram mentalmente perturbados. Mas será que um grande número de pessoas, residindo em regiões diversas, muitas das quais não se conheciam poderiam dizer mais de três mil mentiras com relação a um assunto apenas? E se eles se enganaram nesta questão, por que deveríamos acreditar em quaisquer das outras coisas que disseram? E se não acreditarmos que Deus falou a estes autores bíblicos, então não podemos crer que as profecias destes grandes homens se cumpriram – mas elas se cumpriram!

Se uma pessoa mente para nós uma ou duas vezes, começamos a desconfiar dela. Começamos a achar difícil, quando não impossível, crer em qualquer coisa que ela diz.

Jesus citava o Velho Testamento freqüentemente. Ele o conhecia bem, e nunca duvidou das Escrituras. Ele disse: "A Escritura não pode falhar." (Jo. 10:35.)

Os apóstolos também citavam textos do Velho Testamento muitas vezes. Paulo disse: "Toda Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3:16). E o apóstolo Pedro declarou: "Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo." (2 Pe 1:21.)

Muitas pessoas passam a crer na Bíblia, por intermédio de uma fonte de segunda mão. Um conhecimento superficial, colhido de filmes épicos sobre a Bíblia, filmes de TV, coisas que se ouvem dizer, e cursos de religiões comparadas, fornecem-nos apenas uma visão humana das Escrituras. Hoje, no ginásio e nas faculdades, os jovens têm aulas sobre "A Bíblia como literatura". Muitas vezes, estes cursos têm a finalidade de solapar a fé dos jovens, a não ser nos casos em que o professor compreende a Bíblia e tem uma fé robusta em Deus.

Conheço jovens que estudaram assuntos tais como: "Os mitos e discrepâncias da Bíblia".

Informações de segunda mão não servem.

Um verso ou um relato bíblico pode falar a um coração de uma forma que outra pessoa nunca imaginaria. Foi uma fonte de primeira mão, numa livraria de segunda mão, que transformou a vida de toda uma família.

Minha esposa tem uma fraqueza por livros – principalmente livros antigos, velhos clássicos evangélicos, que já saíram de publicação. Algum tempo atrás, a livraria Foyles, de Londres, mantinha um grande departamento de livros religiosos de segunda mão. Certo dia, durante a cruzada que realizamos ali em 1954, ela estava examinando alguns livros na loja, quando um nervoso balconista apareceu, surgindo de trás de uma pilha de livros, e perguntou-lhe se ela era a Sra. Graham. Depois que ela respondeu que sim, começou a narrar-lhe uma história de confusões, desespero e frustração. Seu casamento estava indo mal, seu lar estava desajustado, e seus problemas econômicos estavam aumentando. Explicou que já lançara mão de todos os meios de ajuda que encontrara, e, como último recurso, tencionava assistir ao culto da campanha, naquela noite. Ruth disse-lhe que oraria por ele. E ela o fez. Isso foi em 1954.

Em 55, retornamos a Londres. E novamente minha esposa foi ao departamento de livros de segunda mão de Foyles. E dessa vez o mesmo balconista apareceu de trás das pilhas de livros, mas o rosto iluminado por um sorriso. Depois de expressar seu contentamento em vê-la de novo, ele contou-lhe que fora ao culto, naquela norte, no ano anterior, como dissera que faria. Ele encontrara o Salvador, e os problemas de sua vida haviam sido solucionados.

Depois, ele indagou de Ruth se ela estaria interessada em saber qual fora o versículo que tocara o coração dele. Ela estava. Ele desapareceu por uns instantes, e depois voltou com uma Bíblia bem gasta. Abriu-a no Salmo 102, que eu lera na noite em que ele fora à cruzada. Indicou o verso 6: "Sou como pelicano em o deserto, como a coruja das ruínas." Esta palavra descrevera para ele as condições de sua alma com tanta exatidão que, pela primeira vez, ele compreendeu bem como Deus o amava e o entendia. Em conseqüência disso, ele experimentou uma conversão genuína ao Senhor Jesus Cristo. E posteriormente toda a sua família foi salva também.

Em 1972, minha esposa esteve em Londres, participando de uma reunião em Harringay. Ao término da cerimônia, um cavalheiro aproximou-se dela, e não foi preciso que ele se apresentasse. Ela reconheceu aquele balconista da Foyles. Ele estava radiante de felicidade e apresentou-lhe sua família, todos crentes, e relatou-lhe que agora todos trabalhavam na obra do Senhor – tudo porque Deus lhe falara, quando ele era "uma coruja das ruínas".

Faça uso deste instrumento de comunicação pelo qual Deus nos fala – isto é, a Bíblia. Leia-a. Estude-a. Memorize-a. Ela modificará sua vida inteiramente. Ela não é um livro qualquer. É um livro "vivo", que opera em seu coração, mente e alma.

Falando em Lugares Escuros
Nos lugares onde existe fácil acesso à Bíblia, ela pode até ficar empoeirada numa prateleira. Entretanto nos países onde é considerada literatura subversiva, ela fala de maneiras as mais incomuns.

Um famoso violinista foi convidado alguns anos atrás, por Chou-En-Lai para lecionar em uma das mais proeminentes universidades da República Popular da China. Disseram-lhe que quando quisesse deixar o país poderia fazê-lo imediatamente. Sete anos depois, esse violinista achou-se completamente desiludido.

Quando se dirigiu ao departamento para obter um visto de saída, este lhe foi negado. Mas ele continuava indo ali todos os dias, e numa dessas vezes, alguém colocou um pedaço de papel em seu bolso. Chegando em casa, sentiu-o no bolso, tirou, e verificou tratar-se de uma página da Bíblia. Leu-a com muito interesse, e sentiu que ela lhe falava ao coração de maneira estranha. Numa das outras vezes que foi ao departamento, um homem aproximou-se dele, e indagou se ele desejaria outra página da Bíblia. Respondeu que sim.

E, a cada vez que ele voltava à repartição recebia outra folha da Bíblia: E ali, na República Popular da China, ele foi convertido a Cristo. Afinal, ele conseguiu o visto de saída, e foi para Hong-Kong. Atualmente, ele leciona em outro país.

Quando Corrie ten Boom se encontrava no campo de prisioneiros de Ravensbruck, foi o fato de ela estudar e ensinar a Palavra de Deus que conservou sua mente lúcida, de modo que, quando foi libertada, encontrava-se mentalmente saudável. Muitos daqueles presos, quando foram soltos, não passavam de pobres doentes, que requeriam cuidados especiais, até que recuperassem, em parte, as condições normais.

Uma experiência semelhante é contada por uma missionária que estivera presa na China, pelos japoneses. Em certo campo de concentração, a penalidade para quem possuísse sequer uma porção das Escrituras era a morte. Todavia, um pequeno Evangelho de João chegou-lhe às mãos, dentro de um casaco de frio. À noite, quando ia deitar-se, ela se cobria bem, e, com uma lanterninha, lia um verso das Escrituras, depois ia dormir, memorizando aquele verso. Desse modo, depois de algum tempo, ela decorara todo o Evangelho de João. Todas as vezes que ia ao lavatório, tirava uma página do livrinho, dissolvia-a em água e sabão, atirava-a no vaso e dava descarga. "E foi dessa maneira", explicou ela, "que me desfiz daquele livro de João."

Esta missionária foi entrevistada por um repórter do Time pouco antes de os prisioneiros serem libertados. E depois, quando todos já saíam, por acaso, esse repórter encontrava-se junto aos portões. Em sua maioria, eles iam andando aglomerados, olhos fixos no chão, quase como autômatos. Então surgiu a missionariazinha, tranqüila e feliz. Um dos jornalistas presentes indagou: "Será que conseguiram aplicar-lhe lavagem cerebral?"

O repórter do Time, ouvindo aquilo, observou: "Deus aplicou-lhe lavagem cerebral."

A Palavra de Deus, escondida no coração de qualquer pessoa é uma voz teimosa demais para ser abafada. Ruth teve outra experiência em Londres com ênfase no mesmo fato. Durante a campanha que realizamos em Earl's Court, em 1966, ela travou amizade com uma jovem hippie, de Cockney. Todas as noites quando ali chegávamos, a jovem estava esperando por Ruth. Era uma moça adorável, mas irreprimivelmente rebelde. Durante os primeiros dias da cruzada, muitas vezes, ela se assentou junto a Ruth, e algumas vezes ela apenas acompanhava minha esposa até seu lugar. E foi assim que nasceu uma amizade incomum, mas duradoura.

Ruth veio a saber que antes de sua conversão, a jovem fora viciada em drogas, e instruiu-a para que decorasse vários versos das Escrituras, que ela cria poderiam ser de grande importância para ela, como João 3:16, 1 João 1:8, e os últimos dois versos de Judas. Numa daquelas noites, Ruth advertiu-a de que, por causa de seu passado, quando enfrentasse uma adversidade, ela se acharia diante de dois caminhos: um Seria recorrer ás drogas, e o outro seguir em frente, firme em Jesus.

Certo dia, durante o culto, um dos introdutores entregou à minha esposa um bilhete onde se lia: "Estou dopada; preciso de sua ajuda. Por favor, ajude-me." Estava assinado o nome da jovem amiga.

Ruth saiu quietamente da reunião, e encontrou-a a esperá-la – rosto pálido, olhos encovados, visivelmente drogada. Tendo tido pouca experiência com viciados, Ruth pensou que devia tratá-la como se trata um bêbedo, e levou-a a um stand de cal do estádio, e deu-lhe um pouco da bebida. Ela não sabia que essa era a última coisa que deveria ter feito. No caminho perguntou à jovem por que fizera aquilo e recebeu a seguinte resposta: "Minha melhor amiga morreu hoje de uma dose excessiva."

Ruth queria que ela ouvisse o sermão, e elas se assentaram numa escada, não muito distante de um alto-falante. Mas a moça não estava em condições de escutar. Percebendo que sua jovem amiga estava rapidamente perdendo a noção das coisas, Ruth escreveu em um cartãozinho que retirara do fundo de uma caixa de lenço de papel, as seguintes palavras: "Deus me ama. Jesus morreu por mim. Não importa o que eu faça, ele me perdoará, se eu me arrepender, e pedir-lhe perdão."

No ano seguinte, 1967, voltamos a Londres e realizamos outra série de conferências no Earl's Court. Certa tarde, Ruth estava tomando chá com sua jovem amiga hippie. A jovem enfiou a mão em sua bolsa-sacola, e tirou de lá um cartãozinho amarfanhado, o mesmo no qual Ruth escrevera aquelas palavras no ano anterior. Indagou de minha esposa quando ela escrevera aquilo. Ela respondeu-lhe, mas a moça não se lembrava de nada do que se passara na ocasião. Depois ela repetiu de cor os versos que Ruth lhe recomendara que decorasse, e perguntou-lhe quando os memorizara. Ruth explicou-lhe, mas ela não se recordava. É interessante notar que as drogas haviam-lhe causado uma amnésia apenas parcial, pois não tinham apagado de sua mente a Palavra de Deus que ela escondera no coração.

Uma situação semelhante ocorreu quando Ruth sofreu um acidente, certa vez. Quando tentava armar um balanço para nossos netos, ela caiu de uma árvore. Sofreu uma concussão bem séria e ficou inconsciente por quase uma semana. Logo que recobrou a consciência, o que mais a preocupou foi o fato de que não se recordava de muitas coisas. Mas sua maior perda foi a dos versículos bíblicos que decorara no decorrer dos anos.

Em seu caderninho de anotações, ela registrou o que lhe acontecera certa noite, quando estava orando acerca do fato. Como que brotando do nada, ocorreram-lhe as palavras: "Com amor eterno eu te amei, por isso com benignidade te atraí." Não se lembrava absolutamente de quando memorizara aquele verso, pois sua mente ainda estava meio nebulosa. Mas o certo é que o verso fora fixado ali.


Deus Fala Através de Jesus Cristo
Deus nos fala com a maior clareza na pessoa de seu Filho, Jesus Cristo. "Deus... nestes últimos dias nos falou, em um que é seu Filho." (Hb. 1:1,2.) Em todos estes séculos, muitas pessoas têm acreditado que Deus é apenas um espírito que se encontra no interior de todos nós. Tolstoi, o grande escritor russo, disse: "Todos os homens reconhecem existir dentro de si mesmos um espírito livre e racional, independente de seu corpo. Este espírito é o que chamamos de Deus."

Os filósofos encontram Deus em todas as coisas. No primeiro século, o filósofo romano, Sêneca, estabeleceu um princípio para a crença através dos séculos, ao escrever: "Chamem-no de natureza, destino, fortuna: todos estes nomes são designações de um mesmo e único Deus."

Sêneca estava errado, naturalmente. E, como ele, milhares e milhares de pessoas têm estado igualmente erradas.

Em algumas religiões do mundo, encontramos referências à crença de que Deus visitaria a terra. Já houve muitos homens que se declararam ser Deus. Um certo homem da Coréia, mesmo em nossos dias, tem atraído a si muitos seguidores, alegando ser o "Senhor da segunda vinda".

Todavia, foi somente na "plenitude dos tempos", quando todas as condições eram perfeitas e todas as profecias foram cumpridas, que "Deus enviou seu Filho, nascido de mulher" (Gl. 4:4).

Numa pequenina cidade do Oriente Médio, há quase dois mil anos, cumpriu-se a profecia de Miquéias 5.2, e Deus "foi manifestado na carne'' (1 Tm. 3:16). Esta manifestação veio na pessoa de Cristo.

As Escrituras dizem de Cristo que "nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade" (Cl. 2:9).

Esta é a forma de revelação mais completa que Deus fez ao mundo. Você deseja saber como Deus é? Tudo que tem a fazer é olhar para Jesus Cristo.

A natureza tem perfeição e beleza; no mundo material que nos cerca, vemos ordem, força e majestade. E todos estes adjetivos aplicam-se a Jesus Cristo. No trabalho de nossa consciência e na magnificência da Palavra escrita encontramos justiça, misericórdia, graça e amor. Todas estas coisas são atributos de Jesus Cristo. "E o Verbo (logos) se fez carne, e habitou entre nós." (Jo. 1:14.)

Jesus disse o seguinte aos seus discípulos e a todos nós que vivemos no século XX: "Credes em Deus, crede também em mim" (Jo. 14:1). Esta seqüência de fé é inevitável. Se cremos no que Deus fez e no que Deus disse, devemos crer também naquele que ele enviou.

Como podemos crer? O meio pelo qual entendemos as realidades da salvação é a fé. Deus não nos pede que entendamos tudo, mas ele nos diz para crermos. "Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." (Jo. 20:31.)

A necessidade que temos de conhecer a Deus, nossa esperança de vida eterna, o desejo de uma nova ordem social – tudo isso tem que estar associado á única pessoa que pode obter estes objetivos – Jesus Cristo. Quando vamos a Jesus, o desconhecido se torna conhecido, e experimentamos o próprio Deus.

Quando nossa vida, escura e trôpega, encontra-se com a luz da presença eterna de Deus, somos capacitados a enxergar naquele outro mundo que se estende além da confusão e frustração do mundo em que vivemos.

Uma criancinha, que ainda não havia atingido a idade escolar, entrou em um labirinto de certo parque de diversões. Quando o pai percebeu que ela se afastara dele, procurou-a e encontrou-a ali, tentando achar a saída, e já começando a chorar de medo. Ela estava cada vez mais confusa pelos inúmeros caminhos que via, mas, por fim, ouviu a voz do pai gritar-lhe: "Não chore, querida. Estenda os braços e procure tatear. Você encontrará a porta. Siga a direção de minha voz."

E enquanto ele assim falava, a garotinha acalmou-se e, pouco depois, encontrava a saída e corria para os braços do pai, estendidos para ela.

Deus revelou-se à raça humana, que está neste planeta pequeno, através da natureza, da Bíblia, da consciência – e, de modo completo, na pessoa de Jesus Cristo.

MAS, EU NÃO TENHO RELIGIÃO!
Muitas vezes, ouvimos a seguinte pergunta: "E as outras religiões do mundo? Uma religião não é tão boa quanto a outra?"

Poucos vocábulos da linguagem humana têm sido tão deturpados e incompreendidos como este – "religião". O filósofo alemão do século XVIII, Emmanuel Kant, descreveu a religião como sendo a "moralidade ou ação moral". Hegel, outro filósofo, que aliás influenciou o pensamento de Hitler, disse que a religião era "um tipo de conhecimento".

Para muitas pessoas a religião tem vários significados. Pode ser o simbolismo sádico do "grupo Manson", cujas adeptos riscavam na testa um X, com faca; pode ser os rituais da meditação transcendental, ou cânticos de vários cultos; ou pode sugerir uma meditação silenciosa entre as reconfortantes paredes de um templo.

Muitas pessoas dizem, não sem certo orgulho: "Eu não sou muito religioso", mas a despeito das objeções do homem, ele é um ser essencialmente religioso. Tanto a Bíblia como a antropologia, a sociologia e outras ciências ensinam que as pessoas anseiam por uma experiência religiosa de qualquer tipo.

Na faculdade, eu me graduei em antropologia, que o dicionário define como sendo a ciência que estuda o homem, suas raças, costumes e crenças. Tive também o privilégio de viajar bastante em todos os continentes. E já descobri, por experiência própria, que tudo aquilo que aprendi no estudo da antropologia é verdade. O homem revela mesmo uma tendência natural para religião – e não somente ele tem essa tendência, como também a grande maioria das raças pratica ou professa alguma forma de religião.

Podemos descrever a religião como tendo dois pólos magnéticos – o bíblico e o naturalista. O pólo bíblico é descrito nos ensinos da Bíblia. O naturalista é explicado nas religiões criadas pelos homens. Nos sistemas humanísticos existem certos elementos de verdade. Muitas de suas crenças foram retiradas da filosofia judaico-cristã; muitas utilizam porções delas e introduzem suas próprias fábulas. Outras religiões ou crenças possuem, em caráter fragmentado, o que o cristianismo possui como um todo.

O apóstolo Paulo falou desse pólo naturalista, quando disse: "E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem do homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes, e répteis." (Rm. 1:23.)

Todas as falsas religiões seccionam partes da revelação de Deus, acrescentam suas próprias idéias, e aparecem com vários pontos de vista que diferem da revelação de Deus, encontrada na Bíblia. A religião natural não procede de Deus, mas do mundo natural que ele criou e que, em seu orgulho, afasta-se dele.

Uma religião falsa é como uma imitação, no mundo da alta moda. Li em algum lugar que, logo após um desfile de modelos originais exclusivos em uma das casas de modas de Paris, aparecem cópias dos modelos em lojas de venda em massa, com etiquetas diferentes. A própria existência destas falsificações atesta a existência do original. Se não houvesse o produto genuíno não haveria imitações.

O plano original de Deus tem sido sempre imitado e falsificado.



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