Como nascer de novo



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O Nascimento da Religião
Como foi que começaram todas as religiões do mundo? Um grande conquistador militar do passado fez uma declaração verdadeira, sem perceber que chegara bem perto da Verdade. Napoleão Bonaparte disse: "Eu creria ruma religião que tivesse existido desde o início dos tempos; mas quando penso em Sócrates, Platão e Maomé, não creio mais. Todas as religiões foram criadas pelo próprio homem."

João Bunyan disse certa vez: "A religião é a melhor armadura que um homem pode ter; mas, como manto, seria o pior."

Quando foi que o homem inventou esta confusão de religiões? Tudo começo com duas pessoas bem conhecidas.

Deveríamos pensar que, quando Adão e Eva tivessem filhos, eles teriam capacidade de instilar neles a importância de termos um relacionamento correto com Deus. No entanto, Caim quis fazer tudo à sua maneira. Ele aproximou-se do altar, pela primeira vez, com uma oferta do "fruto da terra", tentando reaver o "Paraíso", rejeitando o plano de Deus para a redenção. Caim trouxe a Deus algo que ele havia cultivado, elementos distintivos de sua própria cultura. Hoje interpretamos a oferta de Caim como uma tentativa sua de obter a salvação pelas obras. Mas Deus nunca disse que poderíamos chegar ao céu através de nosso próprio esforço.

Seu irmão Abel obedeceu a Deus, e humildemente ofereceu as primícias de seu rebanho, em um sacrifício de sangue. Abel aceitou a determinação divina de que o pecado merecia a monte, e só poderia ser compensado diante de Deus pela morte expiatória de um animal sem culpa. Caim rejeitou este plano deliberadamente. Deus requeria um sacrifício de sangue.

Os autores bíblicos sabiam que o sangue era essencial à vida. Qualquer pessoa ou animal pode passar bem sem uma perna ou sem um olho, mas nem o animal nem o homem podem viver sem sangue. É por isso que o Velho Testamento diz: "Porque a vida da carne está no sangue" (Lv. 17:11).

Assim, a Bíblia ensina que a expiação pelo pecado só é possível com derramamento de sangue: "Com efeito, quase todas as cousas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão." (Hb 9.22.)

Quando falamos do sangue de Cristo, portanto, estamos dizendo que ele morreu por nós. O sacrifício de sangue acentuou para nós a gravidade do pecado. O pecado é uma questão de vida ou de morte. Somente o derramamento de sangue poderia fazer expiação pelo pecado. A morte de Cristo também emprestou maior ênfase ao princípio da substituição vicária. No Velho Testamento, um animal era visto como um substituto; um animal inocente tomava o lugar de um culpado. Do mesmo modo, Cristo morreu em nosso lugar. Ele era inocente, mas, de livre vontade, verteu seu sangue por nos, e tomou nosso lugar. Nos merecíamos a morte por causa de nossos pecados, mas ele morreu em nosso lugar.

E como Cristo morreu por nós, podemos experimentar sua vida – agora e eternamente. "Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis... que fostes resgatados... mas pelo precioso sangue... de Cristo." (Hb. 1:18,19.)

Quando Caim deliberou seguir seus próprios intentos, e não a determinação de Deus que exigia o derramamento de sangue, entrou amargura em seu coração. Ele começou a odiar seu irmão Abel. Da mesma forma que o verdadeiro crente muitas vezes não é bem aceito por aqueles que seguem uma religião criada pelo homem, Abel não era mais aceito por Caim, e este ódio se acirrou cada vez mais até ao ponto de Caim matar o irmão.

Orgulho, ciúme e ódio são sentimentos que sempre se encontram no coração dos homens, de todas as épocas e de todas as culturas. Muitos anos atrás, quando eu estudava numa escola da Flórida, um rapaz matou seu irmão num acesso de ciúmes. O pai e a mãe haviam morrido num acidente automobilístico, e quando foi lido o testamento, viram que eles haviam deixado dois terços da propriedade – um imenso laranjal – para o filho mais velho, deixando apenas um terço para o mais moço. O rapaz ficou deprimido e emocionalmente instável, sentindo raiva dos país já falecidos, e com intenso ciúme do irmão. O rapaz mais velho desapareceu, e cerca de um mês e meio depois seu corpo foi encontrado num rio, amarrado com arame a um tronco de cipreste.

Os tempos não mudaram. Milhões de pessoas desejam a salvação, mas à sua maneira; querem esta$belecer sua própria rota nesta vida e inventar diversos tipos de caminhos para alcançar a Deus.

Quando o cristianismo é verdadeiro, ele não é uma religião. A religião é um esforço do homem para chegar a Deus. Um dicionário define religião do seguinte modo: "Crença em Deus ou deuses... adoração a Deus ou deuses." Qualquer coisa pode ser religião. Mas o verdadeiro cristianismo é um relacionamento pessoal entre Deus e o homem.

O atual interesse pelo ocultismo e pelas religiões orientais é uma prova da eterna busca do homem para Deus. Não podemos fugir ao fato de que o homem é instintivamente religioso, mas Deus escolheu revelar-se a nós pela natureza, pela consciência, pelas Escrituras e através de Jesus Cristo. As Escrituras dizem que não existem desculpas para quem não conhece a Deus.
Em Nome da "Religião"
Não é de se admirar que as pessoas digam com certa satisfação: "Não tenho religião", pois grandes injustiças e atos de extrema crueldade têm sido praticados em nome da religião.

Na China, onde minha esposa viveu quando criança, muitas vezes as criancinhas que morriam antes da dentição, eram atiradas aos cães para serem devoradas. As pessoas temiam que, se os espíritos maus percebessem que elas amavam seus filhos, viriam, e lhes tirariam os outros. E dessa maneira rude, tentavam provar sua indiferença para com os filhos. A idéia que Ruth formou de "religião" foi de algo sombrio, sem alegria – por vezes, cruel.

Certa vez, vi um homem na Índia deitado sobre um leito de pregos. Ele já estava ali havia muitos dias, sem comer, e bebendo pouca água. Com isto tentava fazer expiação pelos seus pecados. Em outra ocasião, na África, vi um homem caminhar sobre carvão em brasa. Ao que se pensava, se ele saísse dali ileso teria sido aceito por Deus; se se queimasse, seria considerado pecador, necessitado de arrependimento.

Certa missionária na Índia, ao passar pelas margens do rio Ganges notou uma mulher sentada ali com dois de seus filhos. No colo, estava uma belíssima criancinha, e choramingando ao seu lado, uma criança bastante retardada, de cerca de três anos. Ao retornar para casa mais tarde, a missionária viu a jovem mulher ainda sentada no mesmo lugar, tentando consolar o filho retardado, mas o bebê não estava mais ali. Horrorizada pelo pensamento que lhe ocorreu e que poderia ser verdadeiro, ela hesitou um momento, mas dirigiu-se à mulher e perguntou-lhe o que acontecera. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, a mulher ergueu os olhos e disse: "Não sei do seu deus, mas o deus da minha terra exige o melhor." Ela dera o bebê perfeito ao deus do Ganges.

As pessoas sempre f'azem sacrifícios humanos em nome da religião. Adoram toda espécie de ídolos desde macacos até árvores. Então fazem oferendas às árvores, e crêem que se alguma coisa ferir a árvore, algum infortúnio sobrevirá à aldeia. Temem que se a árvore for cortada, o povoado e todos os seus habitantes perecerão.

Em nome da religião, reis, imperadores e líderes de nações e tribos têm sido adorados como deuses. Certo erudito inglês escreveu: "Num certo estágio da sociedade primitiva, o rei ou sacerdote muitas vezes é considerado como sendo investido de poderes sobrenaturais, ou como sendo uma reencarnação de uma divindade; ele é responsabilizado pelo mau tempo, pelo fracasso nas colheitas, e outras calamidades semelhantes."

Um exemplo de monarca adorado como deidade era o caso do Mikado, o imperador espiritual do Japão. Ele recebia, em ato oficial, o título de "Manifestarão ou encarnação da divindade". Um relato antigo dizia o seguinte acerca do Mikado: "Era considerado para ele um ato vergonhoso e degradante tocar com os pés no chão... Nada era retirado de seu corpo; nem seu cabelo, nem sua barba e nem suas unhas eram cortadas."

Muitas pessoas desprezam a religião, e concordam com certo professor de filosofia de uma famosa universidade americana, que escreveu: "O termo 'religião' foi posto em uso para identificar, ao mesmo tempo, seitas como judaísmo, cristianismo, maometismo, budismo, hinduísmo, taoísmo e confucionismo, bem assim como muitas outras ideologias irmãs, das quais algumas têm nomenclatura própria e outras não, mas todas suficientemente semelhantes às sete primeiras para serem agrupadas com elas."

Será que realmente podemos incluir o cristianismo junto com as outras religiões do mundo?
Indesculpáveis
Desde os primórdios da criação, a "religião" natural foi introduzida na vivência humana como um substituto para o plano divino. O apóstolo Paulo descreve esse fenômeno em sua carta aos romanos, fazendo referências a imagens parecidas com pássaros, animais e serpentes, para ilustrar a religião criada pelo homem. Mas isso não descreve todas as formas dela. Hoje existem novas e inúmeras expressões religiosas mais sofisticadas – principalmente em certas universidades americanas – mas todas elas brotam da mesma raiz: o homem buscando a Deus, consciente ou inconscientemente.

Paulo descreve do seguinte modo a corrupção que o homem faz da revelação divina: "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis. Porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos... pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém." (Rm 1.20-25.)

O apóstolo está dizendo simplesmente que todos os homens possuem pelo menos um conhecimento primitivo de Deus. Algumas pessoas encaram esta questão com certo cinismo, que provoca uma pergunta inevitável: "E os pagãos que nunca ouviram falar de Jesus?"

E os "pagãos" dos Estados Unidos, ou da Universidade de Oxford ou da Sorbonne? Deus criou a todos nos á sua imagem e semelhança; cada um terá que prestar contas a Deus de acordo com os esclarecimentos que recebeu. Como é que um Deus justo condenará pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho? A resposta encontra-se em Gênesis 18.25: "Não fará justiça o Juiz de toda a terra?"

A natureza criada por Deus dará testemunho de um poder ou pessoa divina, ao qual todos corresponderão. Por outro lado, a justiça de Deus se manifestará contra aqueles que não vivem de acordo com os esclarecimentos que Deus lhes tem dado.

Em minha vida, tenho sabido de muitos exemplos de pessoas que receberam revelações acerca do "poder eterno e da natureza divina" de Deus, sem a ajuda de uma Bíblia ou de uma campanha evangelística.

Nos meados da década de 50, realizamos uma grande campanha em Madras, na Índia. Certo homem caminhou mais de 180 quilômetros para assistir àquelas reuniões. Disseram-me que ele era de um povoado onde nunca estivera um missionário, e onde, ao que se sabia, o evangelho de Cristo era completamente desconhecido. E, no entanto, esse homem desejara de todo o coração conhecer o Deus vivo e verdadeiro. Ele ouvira dizer que um "guru" dos Estados Unidos estava ali e iria falar acerca de Deus. Seu anseio de conhecer o Senhor era tão intenso que ele veio à cruzada e encontrou-se com Cristo. Oito meses depois, quando o Bispo Newbigin, da Igreja do Sul da Índia (que foi quem me relatou o fato) visitou o povoado, descobriu que toda a comunidade se tornara uma igreja. Todas as pessoas dali haviam sido levadas a Cristo por meio desse homem.

Quando pregávamos no nordeste da Índia em 1972, soubemos de pessoas que caminharam até dez dias, carregando nos ombros todos os seus pertences, trazendo a família inteira, provenientes de lugares tais como Nepal, Sikkim e Birmânia. Informaram-me de que muitas daquelas pessoas nunca haviam ouvido falar do nome de Jesus Cristo. Apenas haviam sabido que uma reunião religiosa estava-se realizando, e elas quiseram vir ver de que se tratava. Muitos ficaram e encontraram a Cristo.

Estou convencido de que, quando uma pessoa busca a Deus de todo o coração, Deus se revela a ela de alguma maneira. Deus usa qualquer coisa para alcançar aquele que o busca: uma pessoa, a Bíblia, um contato com outros crentes, etc.

Um famoso conhecedor da Bíblia, o Dr. Donald Barnhouse, falou acerca de uma viagem fluvial que teve de realizar, pelo centro da África. Logo que entrou no barco, viu uma galinha, e pensou tratar-se do almoço deles. Cerca de duas ou três horas depois, ouviu um rumor distante e percebeu que se aproximavam de corredeiras. Os homens naturais do lugar, que remavam a embarcação, dirigiram-na para a margem do rio, pegaram a galinha, e foram para a mata. Fizeram um altar tosco. Antes de oferecerem a ave no altar, deceparam-lhe a cabeça e espargiram o sangue na parte anterior do bote. O Dr. Barnhouse disse que percebeu uma vez mais que, mesmo sem terem ouvido um missionário e sem a Palavra de Deus, aqueles homens sabiam que havia necessidade de um sacrifício.

Então o apóstolo Paulo diz que Deus tomou previdências para que todos os homens, em todo lugar, possuam um conhecimento básico acerca dele, de seus atributos, de seu poder, de sua natureza divina. Através da observação, e da própria consciência, eles podem responder a ele, se assim o desejarem.

Mas a humanidade afastou-se dele. A mente humana não amou a verdade o suficiente para ficar; a vontade dos homens não desejou obedecê-lo; suas emoções não vibram com a idéia de agradar-lhe.

O que aconteceu? O que ainda acontece? O homem reprime a verdade; mistura-a ao erro e cria as religiões do mundo.

As religiões humanistas muitas vezes se escandalizam com a fé bíblica, que é a crença que aceita a Bíblia como a fonte de informação básica com relação a questões como o pecado, e como a justificação do pecador que Deus declara "justo" pela monte expiatória de Cristo. A religião natural contém verdade suficiente apenas para torná-la mais ilusória. É possível que contenha aspectos da verdade, ou elevados padrões de ética. Alguns de seus adeptos, por vezes, usam termos que podem parecer expressões da linguagem bíblica. O escritor inglês, C. S. Lewis, disse que todas as religiões são, na realidade, ou uma "pré-estréia" do cristianismo ou uma perversão dele.

A religião do homem pode ter um sonido muito agradável. Thomas Paine escreveu o seguinte: "O mundo é minha pátria; toda a humanidade é minha irmã, e fazer o bem é minha religião." Embora a moralidade ou "fazer o bem" possa conquistar a aprovação dos homens, não é aceitável para Deus, nem reflete plenamente a obediência a seus requisitos morais. Na verdade, alguns dos atos da mais crua imoralidade da História humana, têm recebido a aprovação da religião natural.

Existe um grande enganador que se adapta a todas as culturas, chegando até mesmo a iludir, por vezes, os verdadeiros crentes. E ele não se apresenta no palco, vestido com um manto vermelho, e usando uma máscara horrenda, mas abre seu caminho de maneira sutil, como "anjo de luz". É assim que Satanás opera. Milhares de pessoas têm entrado em igrejas sem nunca conhecerem uma experiência vital com Jesus Cristo. Elas recebem substitutos para essa experiência, sob a forma de ritos religiosos, boas obras, trabalho comunitário, ou reforma social, os quais são todos elogiáveis em si mesmos, mas nenhum deles conquista para o homem o direito de um relacionamento com Deus.

Muitas pessoas costumam dizer: "Acho que sou cristão", ou "Tento viver como um cristão". Mas não existe a possibilidade de "achar" ou "tentar", na vida cristã. Nem mesmo alguns de nossos intelectuais conseguiram entender esta verdade: a simplicidade do evangelho está ao alcance tanto dos retardados mentais como dos gênios.
Os Contemporizadores
Onde existe verdade e erro sempre existe a possibilidade da contemporização. Em algumas igrejas, há um movimento no sentido de se reformular a mensagem de Cristo, a fim de torná-la mais aceitável para o homem moderno. Há quem defenda a tese de que as "igrejas cristãs têm sido, e ainda são, a maior fonte do anti-intelectualismo e da oposição ao pensamento crítico".

Escrevem-se livros e pregam-se sermões com a finalidade de depreciar a Bíblia e as crenças básicas da fé cristã. Existe um volume grosso, intitulado Bible Myths (Mitos bíblicos), que tem um capítulo cujo título é "Os Milagres de Cristo", e que se inicia da seguinte maneira: "A legendária história de Jesus Cristo, contida nos livros do Novo Testamento, está cheia de prodígios e milagres. Estes chamados prodígios, e a fé que o povo parecia depositar em tal teia de falsidades, indicam a prevalente disposição do ser humano para crer em tudo, e foi entre tal classe que o cristianismo se propagou."

A revista Time, num longo artigo sobre a Bíblia, disse o seguinte: "Indagações acerca da Bíblia não são novidade; elas surgiram desde os seus primeiros dias."

Conheci um professor de arqueologia no Wheaton College, que fazia um curso na Universidade de Chicago. Muitas vezes, um professor seu da universidade apresentava argumentos para abalar a veracidade das Escrituras. E em cada uma dessas vezes, este professor de arqueologia respondia com uma descoberta arqueológica, que provava a autenticidade das Escrituras. A certa altura, aquele professor da Universidade de Chicago exasperou-se e exclamou: "Esse é o problema de vocês, arqueólogos evangélicos. Estão sempre escavando alguma coisa para provar que estamos errados e a Bíblia está certa."

A arqueologia nunca descobriu nada que desaprovasse as Escrituras.

Entre os contemporizadores estão alguns teólogos que não conseguem concordar entre si acerca de que partes do Novo Testamento devem aceitar e quais as que devem rejeitar. Alguns deles parecem estar de acordo em que alguns dos milagres eram somente mitos. Consideram a ressurreição de Jesus como uma experiência subjetiva dos discípulos, e não um fato acontecido. Questionam o fato de Jesus Cristo haver sido sobrenatural, e rejeitam qualquer explicação que diga que parte de seu mérito residiu no fato de que ele era Deus, e ao mesmo tempo homem. C. S. Lewis ficava sempre perplexo com os críticos bíblicos que escolhiam certos eventos sobrenaturais para aceitar. Ele se espantava com a mentalidade seletiva de certos cristãos exegetas que "depois de engolir camelos tais como a ressurreição, coavam mosquitos tais como o milagre da multiplicação dos pães".


Os Enganadores
Da contemporização ao engano, a distância é pequena. Por toda a Bíblia há textos advertindo-nos acerca dos falsos profetas e mestres. Jesus disse: "Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores... Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis." (Mt. 7:15,20.)

Às vezes, estes "disfarces de ovelhas" são mantos clericais. Pode tratar-se de um liberal ou de um fundamentalista. O liberal é como os saduceus do passado, negando a verdade bíblica. Os fundamentalistas extremos, como os antigos fariseus, aceitam a teologia pura, mas acrescentam a ela muitas idéias não bíblicas. Outras vezes, este "disfarce" é usado por uma pessoa com muitos diplomas, falando palavras de aparência lógica. Às vezes, é bem difícil para um crente saber se certa pessoa é um falso mestre ou não, já que, em alguns aspectos, ela lembra um mestre verdadeiro. Jesus mencionou os falsos profetas que estarão "operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos" (Mt. 24:24).

Mas a pessoa que inspira o grande engano é o próprio Satanás. Ele é ardiloso e inteligente, e opera com meios tão sutis e secretos, que nenhum crente deve vangloriar-se, dizendo que se encontra a salvo de seus ataques.

O apóstolo Paulo advertiu-nos de que: "Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados." (2 Tim. 3:13.)

Também avisou a Igreja de Éfeso, dizendo: "Ninguém vos engane com palavras vás" (Ef. 6.5); e também "Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. " (Ef. 4:14.)

Uma senhora que atualmente dirige uma classe bíblica na Califórnia com centenas de participantes, disse que durante muitos anos seu pseudo-intelectualismo fez com que ela aceitasse qualquer "pensamento religioso" que lhe era apresentado. Mas depois de aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e passar pela experiência do novo nascimento espiritual, ela disse: "Não sou mais criança... levada por todo vento de doutrina."

Estamos numa época em que aparecerão mais falsos profetas. Vivemos num período da História que pode representar o final desta era. O apóstolo Pedro disse: "Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e sua destruição não dorme." (2 Pe. 2:1-3.)

Quando entendermos que as heresias e enganos são introduzidos secretamente, nos tornaremos mais alertas quanto a esses perigos. A escola dominical, a classe bíblica, o púlpito, a sala de aula e os meios de comunicação em massa estão sendo totalmente invadidos. Alguns dos termos da linguagem cristã são até usados por eles, como por exemplo: paz, amor, nascer de novo. Fiquemos atentos, porém, a algumas palavras que estão semeadas pela literatura secular, mas com significado inteiramente diverso do cristão: messias, um cristo, redenção, regenerar, gênesis, conversão, misericórdia, salvação, apóstolo, profeta, libertador, salvador, líder espiritual. Até mesmo alguns termos de sentido essencialmente teológico estão perdendo seu significado original, termos tais como: evangélico, Bíblia infalível, etc.

Milhares de cristãos indoutrinados estão sendo enganados hoje em dia, bem como milhões de pessoas que rejeitam ou ignoram o verdadeiro Cristo. Enganadores que apresentam argumentos intelectuais que mais parecem compêndios escolares estão enganando a muitos.

Paulo não tem complacência com os falsos mestres. Ele diz: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras." (1 Tm. 1:2.) A Bíblia é muito clara ao dizer que muitos apostatarão da fé por darem ouvidos às mentiras de Satanás, e resolverem deliberadamente aceitar doutrinas de demônios, em vez das verdades de Deus.


Voltando às Doutrinas Básicas
Tanto as pessoas que são membros de igrejas como algumas que não são membros, mas possuem sede espiritual, têm estado ansiosas por uma experiência pessoal e vital com o Senhor Jesus Cristo. E muitas recorrem a outras formas de adoração, além do culto da igreja.

Em 1965, escrevi em meu livro Mundo em Chamas que "a menos que a igreja retorne prontamente à mensagem bíblica correta, presenciaremos o espetáculo de milhões de cristãos deixando a igreja instituída, para buscar alimento espiritual em outras fontes". E é exatamente o que está sucedendo.

Temos uma estimativa de que existem mais de dois milhões de grupos de oração e estudo bíblico, reunindo-se em lares e igrejas, nos Estados Unidos, e que não existiam há dez anos. Uma das grandes esperanças que divisamos é a de que a liderança denominacional esteja principiando a conscientizar-se disso, e a promover estudos bíblicos orientados para a classe leiga, com ensino adequado.

Nos últimos anos, os trabalhos preparatórios de nossas cruzadas têm revelado um aumento bem significativo no número de grupos de oração nos lares. Em nossas campanhas mais recentes, temos procurado abrir um centro de oração em cada bairro da cidade. O resultado é que milhares de grupos estão sendo acrescentados aos grupos normais da cruzada em alguns lugares chegam a ser em número de 5.000.

Sabendo-se que quase cinqüenta milhões de americanos adultos professam haver experimentado a conversão religiosa do novo nascimento, creio ser importante compreendermos de que se trata.



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