Como nascer de novo



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O Diagnóstico do Raio-X
Será que alguém, pode ler e entender os mandamentos sem sentir-se incriminado por eles? Eles revelam a situação do nosso coração. O apóstolo Tiago comentou que até mesmo um só mandamento transgredido é suficiente para destruí-nos. Se estivermos suspensos sobre um abismo, seguros por uma corrente de dez elos, quantos deles precisam romper-se para que caiamos no abismo? "Pois, qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos." (Tg. 2:10.)

A Bíblia e nossa consciência nos dizem que erramos o alvo seriamente, e que somos pecadores. O que um Deus santo faz? Como Deus age com relação a nossos pecados?

Temos uma resposta a respeito disso nas palavras de um jovem que se tornou dolorosamente cônscio do mandamento: "Não furtarás." Disse ele: "Minha vida não era propriamente um mar de rosas. Antes de completar treze anos, eu já era ladrão, tanto no coração como em palavras e ações. Fui preso muitas vezes. Cumpri termo num reformatório, e, depois que saí, em menos de uma semana, estava roubando de novo." Disse que sua família desistiu dele completamente, e que achava que seu futuro estava destruído. Certa noite, ele ouviu a pregação do evangelho pela televisão, arranjou uma Bíblia e começou a lê-la. Em seguida, ele pediu a Cristo que o perdoasse por seu passado pecaminoso. Atualmente ele está esperando em Cristo, para que assente novas bases para sua vida e lhe dê um novo futuro.

Como Deus pode perdoar-nos? O que acontece quando o pecado se torna uma constante em nossa vida? E se somos arrastados pela síndrome do pecado? Existe alguma esperança para nós?

Se não houvesse esperança, eu não estaria escrevendo este livro. Se não houvesse possibilidade de uma solução, você não o estaria lendo!
DEUS TEM A SOLUÇÃO PARA OS MALES DO ESPÍRITO?
Um médico australiano relatou-me uma conversa que se passou entre um homem e o barbeiro. Enquanto trabalhava com a tesoura, o barbeiro observou: "Humm – estou vendo que está com uma ferida nos lábios."

"É", replicou o cliente, "é o cigarro que causa isso."

"Bem", disse o outro, "não parece estar-se cicatrizando."

"Ah, mas vai sarar; vil sarar", respondeu o homem confiantemente.

Um mês depois esse homem voltou à barbearia. A ferida de seu lábio estava bem maior e apresentava um feio aspecto...

"Não se preocupe", disse ele ao barbeiro; "agora estou usando uma piteira. Deve sarar logo."

Mas o barbeiro não pôde deixar de preocupar-se com aquele cliente e arranjou algumas fotos de casos de câncer dos lábios. Mostrou-as ao amigo, instando com ele a que comparasse as figuras com seu próprio lábio.

"É; realmente são parecidos", admitiu ele. "Mas não me preocupo."

No mês seguinte o homem não apareceu para o costumeiro corte de cabelo. Telefonou para a casa dele, para indagar a seu respeito, e recebeu a seguinte resposta: "Ah, você não sabia? Ele morreu de câncer há dois dias."

O pecado é como o câncer: destrói pouco a pouco. Lentamente, sem que nos apercebamos de sua insidiosa presença, ele vai-se alastrando, até que por fim o diagnóstico final é pronunciado: "Doente, à morte."

Certo homem estava descrevendo sua vida para nós, como fora criado em um lar cristão, na Europa, depois viera para os Estados Unidos, quando jovem, para tentar a sorte. Convertera-se a Cristo, mas depois se desviara. Cedendo a uma tentação, e depois a outra e mais outra, ele encontrou-se, finalmente, numa situação que considerava irremediável. Nunca me esquecerei do modo como ele descreveu sua condição. "Era como se estivesse nadando no mar, quando ocorre uma forte corrente submarina", explicou ele. "A gente não percebe que está-se afastando demais da praia, enquanto não sente, de repente, que está sem pé, tentando nadar desesperadamente, mas incapaz de resistir à força da maré vazante."

Mas, se não conhecermos alguns dos sinais de perigo, como iremos procurar socorro? Podemos obter o auxílio que a Bíblia nos apresenta, quando sabemos quais são as partes de nossa personalidade que o pecado ataca e corrompe.


Ataque à Mente
É possível que uma pessoa seja excepcional em certos aspectos, mas completamente despreparada quanto ás realidades espirituais. A Bíblia ensina que existe um véu que encobre nossa mente, e que precisa ser removido para que possamos conhecer a Cristo. Sem este desvendamento espiritual não podemos chegar a Deus.

Às vezes ouvimos pessoas dizerem: "Como um homem inteligente pode crer na Bíblia, com todos aqueles mitos e contradições?" (Querendo dizer com isso que o evangelho de Jesus Cristo é anti-intelectual.) Esta inferência é falsa. A compreensão exige o esforço da mente, mas quando a mente está afetada pelo pecado, ela é nebulosa e confusa.

Joel Quinones era um exemplo típico de pessoa cuja mente estava sob os efeitos deste ataque. Eu o conheci em San Diego, ande fiquei a par de sua extraordinária história. Joel fora preso pela primeira vez com a idade de oito anos, por haver tentado matar um homem sádico que batera nele, e o queimara com pontas de cigarro. Quando Joel foi solto, saiu da cadeia transformado num "poço" de ódio, e daí por diante, fez tudo para demonstrar seu desprezo pela sociedade. Em conseqüência disso, aos dezenove anos, achou-se na prisão de San Quentin, e ali passou doze anos. Entregue aos psiquiatras da instituição, estes o examinaram, deram-lhe tratamento de choque elétrico, e depois, declararam-no "louco criminoso".

Joel foi colocado entre os incorrigíveis. Na hora das refeições, o alimento lhes era entregue numa espécie de pá de cabo longo, introduzida pelo vão que havia sob a porta dupla. "Nem mesmo um tigre precisa ser alimentado dessa forma", disse-nos Joel, "mas era assim que nos tratavam ali."

Depois de ele haver passado todos aqueles anos em San Quentin, o governo decidiu livrar-se de todos os estrangeiros indesejáveis, e Joel, juntamente com outros mexicanos, foi levado para o outro lado da fronteira, e ali solto. Sua mãe era uma pessoa crente, que trabalhava como cozinheira numa escola bíblica, e estivera presente ao primeiro julgamento em que ele fora condenado. Então ela lhe dissera: "Joel, isto não é o fim. Jesus tem uma obra para você."

E quando ele foi solto no México, ela estava ali para recebê-lo. Abraçando-o, ela disse: "Joel, você precisa do Senhor Jesus; precisa pedir-lhe perdão dos pecados, pedir-lhe que lhe dê um novo coração e uma nova vida."

Joel tentou resistir, mas o Senhor começou a operar em seu coração, e depois de algum tempo, já era outra pessoa. Foi para uma escola bíblica; casou-se com uma das alunas, e hoje é capelão de uma prisão no México. Já ganhou tantos prisioneiros para Cristo, que agora está tentando construir um lar para a reabilitação de detentos, antes que estes se reintegrem na sociedade – a "Cidade de Refúgio".

O pecado afetara a vida de Joel, mas o poder transformador de Cristo o dotou com novas qualidades.

Enquanto escrevo, tenho diante de mim uma faca de cabo de osso, cuja lâmina tem mais de doze centímetros de comprimento, arma esta que pertenceu a um homem de nome Joe Medina. A história de Joe é uma das mais incríveis, cômicas e espantosas demonstrações do poder de Deus numa vida que poderia ser considerada por alguns como a mais irrecuperável que já se conheceu. Falamos de mente atacada pelo pecado? Joe simplesmente não conseguia raciocinar em termos de certo e errado.

Ele fora criado em um gueto do Bronx, em Nova York. Sua mãe e as duas avós eram médiuns espíritas. As ruas de Nova York haviam sido o seu lar, desde a mais tenra infância, e as batalhas de gangues, as lutas de faca, roubos e mentiras haviam sido seu modo de vida. Ele foi um dos jovens rebeldes e desesperados da década de 60 – viciado em drogas, e ladrão habilidoso.

Aconteceu, porém, que Joe foi a uma reunião em que pregava Akbar Hacq, um de nossos evangelistas. Antes que a norte terminasse, ele entregou o coração a Jesus Cristo. No dia seguinte ao da sua conversão, um de seus amigos tentou convencê-lo a ir com ele obter algumas drogas, mas Joe não queria ser incomodado. O amigo puxou de uma faca e tentou feri-lo. Foi uni grande erro. Joe era de compleição franzina, mas, numa briga de faca era rápido como um corisco, e antes que se desse conta do que acontecera, enterrara a arma (a que agora se acha em minha escrivaninha) no companheiro. O rapaz que ele feriu ficou no hospital durante duas semanas.

Como Joe não tivesse uma base cristã em que se apoiar, passou por muitos altos e baixos na vida espiritual. Matriculou-se em uma pequena escola evangélica em nossa região, mas abandonou-a antes de concluir o primeiro ano. Ainda não estou muito certo quanto aos motivos que o levaram a tal decisão, mas creio que foi uma vaga noção de que devia voltar ao Bronx e testemunhar de sua fé aos companheiros.

Minha esposa tentou conversar com Joe antes de ele sair, e insistiu com ele para que assistisse à cruzada que realizaríamos no Madison Square Garden. Soube depois que numa das noites de conferência, Joe reuniu alguns de seus amigos valentões e foi com eles ao ginásio. Mas quando lá chegaram, o recinto estava lotado e as portas fechadas. O policial de guarda não deixou que entrassem. Eu havia recebido uma amaça contra a minha vida naquela noite, e a polícia estava encarando com muita seriedade qualquer indivíduo de aparência suspeita. E Joe e seus amigos se enquadravam perfeitamente nessa descrição.

Eles conversaram entre si por um momento, e por fim decidiram avançar contra o policial. Conseguiram chegar à galeria mais elevada do ginásio, mas de repente encontraram-se frente à f'rente com uma muralha de policiais à paisana, que avançava em sua direção. Virando-se para escapar, viram-se diante de outra linha de policiais. Foram atirados para fora do recinto sem mais explicações. Quando ouvi falar disso depois, pensei: "Ah, não! Justamente as pessoas que queremos ganhar."

Apesar disso, Joe não se modificou e na noite seguinte trouxe seu irmão e irmã para a reunião. Ambos foram à frente, recebendo a Cristo.

Mas, durante algum tempo, Joe teve muitas dificuldades, enquanto corrigia seu senso de valores. Certa vez telefonou para Ruth e disse que queria falar-lhe. Logo que chegou, ela percebeu que havia qualquer coisa errada com ele. "Que foi que você fez, Joe?" perguntou ela.

"Ruth, eu assaltei um posto de gasolina."

"Ah, Joe; por que você fez isso?"

"Bem, foi o seguinte: eu tenho um amigo, você sabe. Ele precisava de dinheiro e nunca havia assaltado um posto antes. Puxa, Ruth, achei que era meu dever de cristão ajudá-lo."

Ruth perguntou-lhe quanto haviam roubado, e depois indagou se seu amigo era crente. Não era, respondeu Joe. Ruth explicou-lhe então que ele teria que responsabilizar-se em devolver a quantia toda. Joe pareceu haver levado um soco na boca do estômago. Depois ela lhe perguntou, à queima-roupa, se tinha mais alguma coisa em seu poder que fora roubada. Ele fitou-a espantado, e respondeu-lhe, como se aquela fosse a pergunta mais idiota que alguém já lhe fizera: "Tudo que possuo!"

Joe devolveu tudo que roubara. Depois de mais alguns avanços e recuos na caminhada cristã, coisas que não me interesso em relatar, ele foi finalmente admitido na escola evangélica Columbia Bible College. No último ano foi eleito vice-presidente do corpo docente, e hoje faz um curso de pós-graduação, possuindo um admirável conhecimento bíblico, e grande amor pela Palavra de Deus.

Recentemente, ele veio passar um fim de semana conosco e o pastor da igreja presbiteriana de nossa localidade pediu-lhe que desse seu testemunho, e falasse um pouco acerca de seu ministério. Joe contou como se identificara com os toxicômanos, rebeldes e marginais. Seu relato foi tão cheio de sabor, de humor e compaixão, que os ouvintes saíram dali com a certeza de que "ninguém é irrecuperável".

Somente aqueles que conhecem Joe desde o começo, podem avaliar plenamente as maravilhas do novo nascimento na vida deste jovem. Sua mente fora tão atacada pelo pecado, que foi preciso um longo tempo para que o processo curativo se completasse. Quando nascemos de novo, somos todos bebês, e não crentes maduros; e os bebês precisam de muito amor e paciência.

A Bíblia ensina que o pecado afeta a mente do homem, quer esta mente seja de uma inteligência superior, ou apenas regular. Uma pessoa pode ser intelectualmente brilhante, mas espiritualmente ignorante. "Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus... e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente." (1 Co. 2:14.)

Uma mente intelectual pode ser transformada, quando Cristo entra no coração.

Gerhard Dirks, um dos homens mais inteligentes do mundo, que segundo consta, tem um QI de 208, possui mais de cento e quarenta patentes junto à companhia IBM, e já tentou, teoricamente, reproduzir o cérebro humano. Mas ele ficou completamente perplexo e aturdido ao constatar a total impossibilidade desse feito. Não sabia o que fazer ou a que recorrer. Ele só podia chegar a duas conclusões: ou o cérebro humano resultava de um fantástico acaso, ou de um planejamento altamente inteligente. Encarando as duas possibilidades, reconheceu que tinha apenas uma escolha, e tornou-se um crente, por uma revelação de Jesus Cristo, cuja inteligência ele nunca poderia superar.

O Dr. Boris Botsenko um brilhante fisico-matemático de origem russa, estava assistindo a uma conferência de cientistas em Edmonton, e, no hotel pegou uma Bíblia gideonita. Leu-a e através dela recebeu a Jesus Cristo, e nasceu de novo. Agora ele trabalha no departamento de pesquisas da Universidade de Toronto.
O Ataque à Vontade
Mas o pecado ataca também outra faceta de nosso ser – a vontade. Disse Jesus: ''Todo o que comete pecado é escravo do pecado." (Jo. 8:34.) Mesmo nos países onde há liberdade política, existem milhões de pessoas que vivem sob a tirania do orgulho, do ciúme ou do preconceito. Outras são escravas do álcool, dos barbitúricos ou dos tóxicos. Estas pessoas possuem características que detestam, ou são consumidas por desejos que desprezam, mas sentem-se impotentes contra eles. Tais pessoas desejam libertar-se, e algumas buscam essa libertação através dos meios oferecidos pelo homem. Mas Cristo disse: "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (Jo. 8.32.) E Cristo é essa verdade.

Já conheci muitas pessoas que conseguiram libertar-se do cativeiro da vontade e do desejo.

Em maio de 1972, certo pastor fez um apelo evangelístico, e um homem de nome Johnny Cash levantou-se, desceu pelo corredor central, e foi até o altar, onde se ajoelhou. Johnny conta que entregou sua vida a Jesus Cristo naquele dia. Este é um homem cuja existência havia sido profundamente malbaratada pelas drogas e pela prisão, e que se tornara uma espécie de herói no mundo da música "caipira" dos Estados Unidos. Atualmente, ele é uma força para o bem, no mundo, e está sendo muito usado na causa de Cristo.

Tenho em meu poder um cachimbo de haxixe, como recordação de um jovem que fora escravo das drogas. Ele quase destruíra a própria vida, bem como a da jovem que amava. Em conseqüência disso tudo, certo dia, dirigiu-se de carro para um lugar deserto e solitário, e ali cortou os pulsos. Evidentemente, não fez um corte muito profundo, pois o sangue estava escorrendo muito lentamente, e ele pensou que naquele ritmo iria levar muito tempo para morrer. Então deitou-se sob o carro, com o motor ligado, cobriu-se com um cobertor, e começou a aspirar os gases.

Relatou depois que, quando começou a ficar sonolento por causa dos vapores, fez uma oração a Deus, pedindo-lhe que o perdoasse pelo que estava fazendo. De repente, sobreveio-lhe uma horrível sensação de trevas, e reconheceu que o que estava para fazer não agradava a Deus. Fraco, com os pulsos sangrando e a sua mente entorpecida, dirigiu o carro para a casa de um pastor. Este levou-o para um hospital. Depois que o jovem foi socorrido, o pastor explicou-lhe que somente Cristo pode fazer expiação pelos nossos pecados, e libertar-nos da culpa do pecado, e conceder-nos o gozo de um coração perdoado.

Este jovem hoje é bem casado, e se constituí numa influência positiva para a vida de muitos.

O ódio acumulado no coração de uma pessoa também é uma espécie de tirania que faz de qualquer um escravo do pecado, que ataca sua vontade. Alguns anos atrás, o Dr. William P. Wilson, professor de psiquiatria do centro médico da Universidade Duke sistematicamente afastava a Bíblia de seus pacientes do centro. Mas depois ele experimentou o poder de Jesus Cristo, que transformou sua vida, e sua prática da medicina. Hoje ele aplica os conhecimentos que obteve no evangelho, no tratamento de seus pacientes. Ele dispõe sempre de alguns exemplares da Bíblia em seu consultório para distribuir. Diz o Dr. Wilson: "Uma das maiores causas da doença mental é o senso de culpa acumulado. Sentimentos de vergonha, inadequação, fracasso, deficiência total, são algumas das origens dos sentimentos de culpa. A solução do problema da culpa é a aplicação da graça divina, e o novo nascimento conduz ao perdão dos pecados."

Para muitas pessoas, o perdão é difícil de ser acreditado. O Dr. Warren Wiersbe, de Chicago, chama o perdão de "á maior milagre da Bíblia".

Tenho em meu poder uma carta de uni jovem que disse: "Em 1971, abandonei a Universidade Northwestern e me tornei traficante de drogas. Durante sua cruzada em Chicago, atendi ao apelo e fui à frente. Pedi ao Senhor Jesus Cristo que me salvasse, embora eu pessoalmente não estivesse muito sentido pelas minhas práticas erradas. Pedi-lhe também que perdoasse meus pecados (eu tinha um conceito intelectual deles, mas, pessoalmente, não os sentia), e que se revelasse a mim de uma forma pessoal.

"Estava esperando um relâmpago celeste que viesse derrubar-me, ou então esperava que Deus me fizesse passar por um colapso mental, para acertar minha mente e usá-la para sua glória. Desnecessário é dizer que ele não fez nada disso. Comecei a ficar decepcionado, e também um pouco assustado, e pensei que todo aquele negócio de Deus, afinal, poderia vir a revelar-se como sendo uma tremenda fraude. Naquele instante, um conselheiro, um senhor de meia idade, cabelo aparado, trajando um terno, com uma Bíblia na mão, aproximou-se de mim, pregou em minha camisa um desses dísticos acerca de Jesus, e apertou-me a mão: "Que Deus o abençoe, meu jovem!" disse ele. Imagine só! Um "careta" desses apertando minha mão – eu, um estranho hippie. O amor de Deus revelado através dele, mostrou-me que Jesus me amava, independentemente de como eu me vestia, e de meu desprezo pela sociedade. Aquele ato simples atingiu-me em cheio, e, de repente, compreendi a simplicidade da salvação de Deus. Ele não queria submeter-me ao sofrimento de um colapso mental – tudo que queria que eu fizesse era que recebesse seu Filho, como eu acabara de fazer."


Quando a Consciência Falha
O pecado não somente afeta a mente e a vontade, mas também a consciência. Começamos a ficar muito lentos para perceber a aproximação do pecado. É como contar uma mentira. Na primeira vez que passamos adiante uma inverdade, aquilo realmente nos aborrece; mas com a repetição do fato, a consciência deixa de ser nosso guia, e, pouco depois, o hábito já está tão arraigado, que passamos a pensar que a mentira é verdade. Perdemos a sensibilidade às coisas que sabemos serem erradas.

Certa vez, Joe Medina, o jovem a quem já me referi anteriormente, ligou para minha esposa de um telefone público, e disse-lhe: "Ruth, não estou bêbedo, mas queria dizer-lhe uma coisa."

Ruth perguntou-lhe por que estava chamando de uma cabine. Ele explicou que estivera passeando de carro com um amigo que trazia consigo uma dose de uísque num vidro, e que seu amigo não tinha carteira de motorista do Estado de Carolina do Norte, e, portanto, não podia estar dirigindo ali, e muito menos bebendo ao volante. Então, Joe, com seu raciocínio típico, explicou: "Senti que era meu dever de crente beber aquela dose de uísque para ele."

Nunca deixo de admirar-me da paciência de minha esposa. Ela lhe disse: "Joe, você bebeu esse uísque porque queria beber." Houve uma longa pausa. Depois, "Ruth, você tem toda a razão", disse ele.

Joe acostumara-se a chamar o mal de "bem". Ele sabia mentir, trapacear e racionalizar todo tipo de situação a fim de safar-se dela. Se não fosse pela graça de Deus, ele ainda seria assim até hoje.

Os resultados desse mal – não conhecer a diferença entre o certo e o errado – estão manifestos em várias partes da Bíblia. Quando Davi fitou Bate-Seba pela primeira vez, deu início a uma cadeia de erros, que foi de adultério, para mentira, e até o assassinato. Davi foi perdoado pelos seus pecados, mas teve que sofrer as conseqüências naturais dele. Colheu o fruto amargo que plantara, e seu reinado foi anuviado por constantes dificuldades.

Em vista da maneira como permitimos que nossa consciência fique amortecida, é admirável observar-se a paciência de Deus. A Bíblia diz: "Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento." (2 Pe. 3:9.)

Mas não importam as dimensões da paciência de Deus, ele é sempre justo. Quando o homem endurece o coração, Deus continua a falar-lhe, mas o homem não pode ouvir. O texto de Gênesis 6:3 diz: "O meu Espírito não agirá para sempre no homem". E se eventualmente Deus percebe que certa pessoa não se arrependerá, diz a Bíblia que "Há pecado para morte" (1 Jo 5:16). Isto se refere à blasfêmia contra o Espírito Santo, que é a rejeição absoluta do plano divino para nossa salvação, que também é descrito em Hebreus 6:4-6.

"É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados e provaram o dom celestial e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que de novo estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o à ignomínia."

Quando a consciência de um homem está acabada, ele emprega toda espécie de desculpa para justificar suas ações. Ele inculpa sua família, seus sócios na firma, seus azares. Ele trapaceia no imposto de renda, porque as leis são injustas. É infiel à esposa (ou a esposa ao marido) porque ela é fria – ou ele é egoísta. O bem e o mal já não existem mais, e a vida toda é vivida nas faixas de tons neutros.

Em Atenas, descobriu-se que a erosão das estátuas e colunas do Partenon, ultimamente, tem atingido um índice acelerado. E não foi o tempo nem as intempéries que causaram a iminente destruição destes inestimáveis exemplares da arte antiga, mas a poluição dos resíduos de nossa sociedade moderna. Do mesmo modo, não são as grandes tempestades da vida que nos abalam, mas a gradual e insidiosa poluição do pecado, que termina por efetivar nossa destruição.
Doente, à Morte
Assim como o crime exige uma punição, o pecado tem seu castigo. Embora este seja um assunto que as pessoas preferem ignorar, a verdade é que esse fato é inevitável. Não somente cada um de nós sofre nesta vida como resultado do pecado, mas cada um terá que enfrentar o julgamento. "Porque o salário do pecado é a morte." (Rm. 6:23.)

Primeiro, é a morte física. A Bíblia nos diz que: "Aos homens está ordenado morrerem uma só vez" (Hb. 9:27). Incidentalmente, isto derrota completamente a idéia da possibilidade de uma reencarnação.

A morte é inevitável, e, em muitos casos, imprevisível. E para cada um de nós haverá um dia, uma hora, um minuto quando, fisicamente, não seremos mais terrenos. Se Deus não houvesse decretado o castigo da morte, a Terra logo se tornaria um lugar inabitável, pois os homens viveriam para sempre em seus pecados.

Mas como a vida é breve, a Bíblia nos ensina assim: "Prepara-te... para te encontrares com o teu Deus." (Am. 4:12.) No decurso de minha vida tenho conhecido inúmeras pessoas que estão plenamente preparadas para se encontrarem com Deus. Existe uma diferença espantosa entre estas e as pessoas que levam uma vida sem Deus.

Nunca me esquecerei de certa época em 1973. Foi o ano em que um dos maiores cristãos que já conheci entrou no reino dos céus. Era meu sogro, o Dr. L. Nelson Bell. O Dr. Bell serviu a Cristo durante muitos anos na China, como médico missionário. Em 1972, ele fora moderador da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, a mais elevada honra que essa denominação poderia prestar a alguém. Na noite anterior ao seu falecimento, ele falou na Conferência de Missões Mundiais, em um grande auditório em Montreal.

Ao fim de sua palestra, ele disse: "Antes de orar, quero dizer algumas palavras. Depois de ouvir o cântico desse hino, ninguém pode negar que nossa Igreja Presbiteriana está-se despertando. Agora, neste lugar, há dois tipos de pessoas. Há aqueles que são salvos e amam o Senhor Jesus Cristo, e há aqueles que ainda não conhecem a Cristo. Minha esperança é que antes de deixarem este recinto essas pessoas venham a conhecê-lo como seu Salvador e Senhor. O Senhor disse: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo."

Foram as últimas palavras que o Dr. Bell pronunciou em público. Naquela noite, ele foi dormir, e quando acordou encontrava-se na presença de seu Senhor. Sua vida completara seu círculo. O hino predileto do Dr. Bell era: "Pelo caminho que o Salvador me conduzir", e quando o vi naquela manhã, foi um grande conforto para mim contemplar um rosto tão tranqüilo.

Ele estava preparado para encontrar-se com Deus.

Lembro-me de ter ouvido as últimas palavras de Pearl Goode, uma extraordinária mulher que durante muitos anos foi um de nossos principais sustentáculos em oração, muitas vezes buscando voluntariamente o isolamento para orar dia e noite por nossa equipe da associação, onde quer que se encontrasse. Ela gozava de uma comunhão tão íntima com Deus que, quando chegou seu momento de partir, sentou-se na cama e disse: "Bem, lá está ele. Lá está Jesus." Ela estava preparada para encontrar-se com Deus.

Em julho de 1976, houve uma inundação repentina no Colorado, que ceifou a vida de muitas pessoas. Entre as vítimas contavam-se algumas jovens crentes que estavam ali num retiro, nas montanhas. Os homens encarregados de recolher os corpos daqueles que haviam sido mortos, relataram mais tarde, que a maioria dos cadáveres estampavam no rosto uma expressão de pavor; mas eles ficaram assombrados ao perceber que cada uma das moças parecia estar em perfeita paz. Elas estavam preparadas para se encontrarem com Deus.

A vida é tão curta. A Bíblia diz que temos que estar preparados, em todos os momentos, para encontrar Deus. Nunca sabemos o que nos aguarda, quando entramos em nosso carro, ou saímos pela porta da rua, ou simplesmente quando abrimos os olhos para um novo dia. "Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites, além dos quais não passará." (Jó 14:5.)

A segunda dimensão da morte é a morte espiritual. Milhões de pessoas na Terra estão fisicamente vivas, mas espiritualmente mortas. Quando nossos olhos e ouvidos se abrem para os clamores do próximo, ouvimos aqueles que dizem ter uma vida vazia e estarem perdidos. Tais pessoas estão desvinculadas da fonte da vida, como um abajur desligado da tomada – são sombrios e sem vida. O abajur pode até ser muito valioso, possuir um belo quebra-luz, que atrai a atenção de todos, mas se não estiver ligado à energia, não tem luminosidade. Jesus disse: "Eu sou a vida."

Jornais e revistas de todo o mundo noticiaram o suicídio de Freddie Prinze. Aos vinte e dois anos de idade ele atingira uma das posições mais elevadas no mundo artístico. Era muito querido do público feminino da televisão americana, e acabara de realizar um show de gala perante o presidente, em sua posse, em Washington. Contudo, havia alguma coisa errada na vida daquele talentoso artista. Um amigo chegado, o comediante David Brenner, explicou o seguinte à revista Time: "Na vida de Freddie não houve aquela transição gradual. O sucesso para ele foi como uma explosão. É terrível para uma pessoa de dezenove anos, um dia estar viajando de metrô, e no dia seguinte saltar de um Rolls Royce."

O produtor James Komack, também seu amigo e confidente, disse: "Freddie não via nada em sua vida que o satisfizesse. Às vezes, ele me perguntava: "É isso, a fama? É só isso?" E Komack explicou: "Seu verdadeiro desespero, quer ele pudesse expressá-lo ou não, girava em torno de questões tais como: Onde me enquadro nessa vida? Onde está a felicidade? E eu lhe respondia: "Por Deus, Freddie, sua felicidade está bem aí. Você é um grande astro." E ele dizia: "Não. Isso já não significa felicidade para mim." E, como comenta a revista Time ao encerrar o artigo: "Num dos mais singulares casos de fuga na história do gueto, a fuga não foi suficiente."

Podemos estar fisicamente vivos, mas espiritualmente mortos, como a mulher que Paulo descreve em 1 Timóteo 5.6: "Mesmo viva, está monta."

A terceira dimensão da morte é a morte eterna. Isso pode ser um assunto que muitas pessoas tentam evitar. Ouvimos falar bastante de "inferno na Terra", mas existe outro inferno que é mais real e fatal – o inferno da morte eterna. O próprio Jesus falou muitas vezes acerca do inferno. Ele nos adverte do inferno que haverá. As Escrituras ensinam que estaremos sozinhos ali, e sofreremos sozinhos as nossas dores. No inferno não existe nenhum tipo de confraternização, a não ser com as trevas. Já ouvi pessoas dizerem: "Se eu achasse que meu pai estava no inferno (ou qualquer outro ente querido) seria para lá que eu quereria ir." Que ilusão! O inferno é o lugar mais solitário que se pode imaginar.

Jesus advertiu os homens nos seguintes termos: "E irão estes para o castigo eterno." (Mt. 25:46.) E disse também: "Mandará o Filho do homem os seus anjos que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mt. 13:41,42.)

A necessidade de se falar sobre a eternidade nunca é mais premente do que quando somos confrontados com a monte física.

Uma conhecida nossa contou-me que no dia seguinte ao falecimento de seu filho num acidente de avião, ela estava com a casa cheia de pessoas que haviam ido até lá levar-lhe consolo e amor, e a caldeira do aquecimento começou a apresentar problemas. Um bombeiro foi chamado para repará-la. Após ter examinado o aquecedor, ele disse: "Minha senhora, se houvessem demorado um pouco mais a chamar-me, a caldeira poderia ter explodido." E, apesar de todo o sofrimento, ela parou, fitou aquele homem diretamente nos olhos e disse: "Mas há somente uma coisa que realmente importa neste momento. Se a caldeira houvesse explodido enquanto o senhor trabalhava nela, sabe com certeza onde passaria a eternidade?"

E antes de deixar aquela casa, ele aprendera como poderia obter certeza de seu destino eterno.



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