Como nascer de novo



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O QUE ACONTECEU NA CRUZ
As joalherias do mundo inteiro, desde as da Quinta Avenida em Nova York até as do Aeroporto de Roma, exibem sempre uma jóia – a cruz. Os mantos clericais têm este emblema gravado, na frente e nas costas. As igrejas também têm a cruz, seja de madeira, bronze, concreto ou cobre. No último mês do ano, alguns prédios de escritórios deixam acesas as lâmpadas de algumas salas; de modo que as janelas, vistas de fora, formem uma cruz que é avistada a quilômetros de distância.

Qual é o significado da cruz de Jesus? Se parássemos as pessoas na rua e lhes fizéssemos esta pergunta, talvez ouvíssemos as seguintes respostas: "Ela é o símbolo do cristianismo'', ou "Jesus foi um mártir que morreu pregado numa cruz". Outros talvez dissessem que ela era um mito; um estudioso de História talvez explicasse que ela era um tipo de execução empregado pelos romanos.

Outra resposta à pergunta "Qual é o significado da cruz?" foi dada pelo poeta Thomas Victoria. Ele tentou expressar o que Jesus diria da cruz, se lhe perguntássemos. O poeta imaginou-o na cruz, cercado de homens cujo único propósito era matá-lo.

Jesus olha para esses homens e diz:

Ah, como é doce o madeiro da cruz,

Como são doces seus cravos,

Já que eu posso morrer por vós.

E foi a essa visão íntima e profundamente pessoal da cruz que Paulo se referiu quando disse: "Entre os homens é raro alguém dar a vida pelo seu semelhante... embora às vezes haja quem tenha coragem de o fazer. Ainda nos resta a seguinte prova do amor de Deus: é que Cristo morreu por nós enquanto éramos ainda pecadores." (Rm. 5:7,8 – Cartas às Igrejas Novas.) O ponto central do ministério de Paulo na grande e comercializada cidade de Corinto foi por ele resumido, quando disse: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado." (1 Co. 2:2.)

As pessoas de Corinto, em geral, teriam respondido a esta pergunta acerca do significado da cruz do mesmo modo que qualquer homem da rua, nos Estados Unidos ou em qualquer cidade da Europa, África ou Ásia. Os coríntios viviam numa cidade conhecida por seu caráter moral depravado. Era o tipo de comunidade onde não quereríamos criar nossa família. Os coríntios eram um grupo de pessoas sexualmente dissolutas e sofisticadas, que pensavam que a cruz era algo de muito ridículo, tolo e até idiota. Falando a respeito disso, Paulo escreveu: "Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (1 Co. 1:25.)

Em Corinto, a mensagem da cruz de Cristo era uma pedra de tropeço para judeus, e uma idiotice para os filósofos gregos. Estes últimos acreditavam que poderiam deslindar todos os mistérios divinos, pois tinham excesso de confiança em sua capacidade mental. Entretanto, Paulo disse que o homem natural (referindo-se á pessoa que não possui o Espírito de Deus habitando nela) não pode entender as coisas de Deus. Ele queria dizer que o pecado distorceu nosso entendimento de uma forma tal, que não podemos reconhecer a verdade acerca de Deus.

Mas para que o ensino bíblico acerca do significado da cruz possa ter algum sentido para nós, é preciso que o Espírito de Deus abra nossa mente. As Escrituras ensinam que, como conseqüência de nossa separação de Deus, um véu encobre nossa mente.

Para uma pessoa "de fora", a cruz deve parecer um conceito ridículo. Mas para aqueles que já experimentaram seu poder, ela constitui o único remédio para os males de cada indivíduo e do mundo.

Apesar de o poder do evangelho de Cristo, que foi crucificado, achar-se ao alcance de todos, ele ainda é irrelevante para milhões de pessoas. Tais pessoas refletem um erro que Paulo analisou quando disse: "O que vem a ser então a sabedoria dos filósofos, dos escritores e dos críticos deste mundo? Acaso Deus a não considera louca e vã? Já que o mundo na sua sabedoria não quis conhecer a Deus, Deus, na Sua sabedoria, determinou salvar todos que cressem na "simplicidade" da mensagem do Evangelho." (1 Co. 1:20,21 – Cartas às Igrejas Novas.)

Como podemos tachar a mensagem da cruz de loucura? Será que somos tão bem sucedidos na vida particular, em nossa família e na sociedade, que podemos nos julgar plenamente sábios? Já está na hora de abandonarmos a pretensiosa noção de seres intelectuais, e reconhecer que mesmo a mente mais capacitada, é derrotada pela realidade da vida.

Deus consegue transformar o homem com a mensagem que se centraliza na cruz. Sua forma de tratamento reconhece nossa condição de enfermos, e apresenta o remédio certo. Ele oferece sua sabedoria como uma alternativa para nossos fracassos.

Na vida diária, desfrutamos de muitas facilidades que não compreendemos plenamente. Vamos à pia e abrimos a torneira sem parar para pensar na origem da água, em como ela é conduzida até nós através de sistemas de encanamentos. E que dizer de uma receita médica? Não sabemos lê-la nem analisá-la. Pagamos ao médico uma soma que consideramos exorbitante, mas o fazemos porque confiamos nos conhecimentos dele e em sua autoridade para nos curar.

Do mesmo modo, talvez não entendamos bem todo o significado da cruz, mas nos beneficiamos dela, porque a Bíblia nos fornece a verdadeira solução para o problema do pecado.
O que Aconteceu na Cruz?
A cruz é o ponto central da vida e ministério de Jesus Cristo. Alguns pensam que Deus não queria que Cristo morresse, mas foi forçado a modificar seus planos para que a cruz se encaixasse neles. As Escrituras, porém, nos ensinam claramente que a cruz não foi uma solução de última hora para Deus. Cristo foi "entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus" (At. 2:23).

Deus determinou que a cruz destruísse Satanás, o qual, usando de artifícios, adquirira o direito de posse ao título de propriedade da terra. Quando Satanás, com suas promessas ardilosas, conseguiu separar o homem de Deus, no jardim do Éden, ele não era apenas o enganador de Adão e Eva. De certa maneira, para nos desconhecida, ele começou a exercer uma espécie de falsa soberania sobre o homem. Em sua presunçosa violência, Satanás desencadeou seu mais terrível ataque contra o ministério de Cristo, com o fim de detê-lo, cuidando para que ele fosse morto. Mas Satanás foi frustrado por Deus, e caiu em sua própria armadilha. Ele não compreendera que Deus amava o mundo tão intensamente, que era capaz de deixar seu próprio Filho submeter-se à pior coisa que Satanás podia fazer. O inimigo errou no cálculo. Ele não entendia a grandeza do amor divino, e a inteligência de seu plano.

O poder de Satanás foi desbaratado na cruz. "Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo." (1 Jo. 3:8.) Que golpe foi aplicado em Satanás! Embora ele ainda seja um pretensioso cheio de artimanha, sua destruição já foi efetuada pela vitória de Cristo na cruz. "Para que, por sua monte, destruísse aquele que tem o poder da monte, a saber, o diabo." (Hb. 2:14.) Aquela morte, que parecia a maior derrota da História, revelou-se o maior triunfo.

Através da cruz, Deus não apenas superou a Satanás, mas também reuniu novamente o homem a si mesmo. Cristo resgatou os escravos que Satanás mantivera cativos, e reconciliou-os consigo mesmo. A Bíblia descreve este maravilhoso plano divino com as seguintes palavras: "Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria esta que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivesse conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da gloria." (1 Co. 2:7,8.) A cruz revelou um segredo eterno. Isso era o "mistério guardado em silêncio nos tempos eternos e que agora se tornou manifesto." (Rm. 16:25,26.)

Se foi possível a um homem, Adão, levar à ruína a humanidade inteira, por que não seria possível que outro homem a redimisse? A Bíblia diz: "Porque assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo." (1 Co. 15:22.)
O que a Cruz Custou a Deus?
Sendo como somos, seres humanos cheios de mágoas, anseios e emoções, é quase impossível para nós, pelo esforço da mente, entender o que custou a Deus permitir que seu único Filho morresse na cruz. Se Deus pudesse perdoar nossos pecados por outros meios, se os problemas do mundo pudessem ser solucionados de forma diferente, ele não teria permitido que Jesus morresse. Na noite anterior à sua crucificação, Jesus orou da seguinte maneira no jardim do Getsêmani: "Meu Pai: Se possível, passe de mim este cálice" (Mt. 26:.39). Em outras palavras, se existe outro método para se redimir a rapa humana, ó Deus, encontre-o! Mas não existe outra forma, e então ele diz: "Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres."

É importante lembrarmos que quando Jesus orou dessa maneira, ele não estava considerando apenas o simples fato de morrer. Assim como sua vida foi singular, assim iria ser a sua morte. O que se passou com ele quando morreu, nunca sucedeu a mais ninguém no passado, e nunca sucederá a ninguém no futuro. Para entendermos bem este fato, temos que estudar a revelação divina anterior ao ministério terreno de Cristo, no Velho Testamento.

A religião ortodoxa judaica foi fundada sobre os alicerces da graça de Deus. Deus estabeleceu um relacionamento com Israel baseado em uma aliança, declarando-se ser o seu Deus, e afirmando de uma forma toda especial que eles eram o seu povo. (Dt. 7:6.) Neste tipo de relacionamento, como deveriam eles expressar seu amor pelo Senhor? A resposta é: fazendo a vontade dele, que lhes fora apresentada pelas leis do Velho Testamento. Mas o povo não conseguia observar a lei de forma perfeita, e quando eles a transgrediam, pecavam. Pois a Bíblia diz: "Porque o pecado é a transgressão da lei." (1 Jo 3:.4.)

Os sacrifícios do templo foram determinados por Deus como demonstração de que a culpa de uma pessoa e a penalidade conseqüente poderiam ser transferidas dela para outrem. No caso do Velho Testamento, um animal perfeito sofria o castigo simbolicamente, e era imolado.

Por que Deus estabeleceu a lei, se sabia que o povo não poderia guardá-la? A Bíblia ensina que a lei foi dada para servir de espelho para o homem. Quando nos miramos nela, vemos o que é a verdadeira retidão. Os Dez Mandamentos descrevem a vida que agrada a Deus. Se somos separados de Deus pelo pecado, a lei revela o pecado e nossa verdadeira condição espiritual. A imagem que o espelho revela não é muito agradável.

O pecado tinha que ser expiado. Por isso, Deus, no princípio, instituiu o sistema de sacrifícios pelo qual, finalmente poderíamos obter um relacionamento com ele. Nos tempos do Velho Testamento aqueles que pecavam levavam a Deus sacrifícios de animais, e os ofereciam a ele. Estes sacrifícios eram imagens do grande sacrifício que ainda deveria ocorrer.

Em Levítico 4, Moisés descreve uma situação na qual um líder nacional se apresenta para oferecer holocausto pelo seu pecado. Podemos dividir o texto em sete etapas:

1. "Quando um príncipe pecar...

2. trará por sua oferta um bode

3. (macho) sem defeito,

4. E porá a mão sobre a cabeça do bode

5. e o imolará... é oferta pelo pecado.

6. Então o sacerdote com o dedo tomará do sangue da oferta pelo pecado e o porá sobre os chifres do altar...

7. Assim o sacerdote fará expiação por ele no tocante ao seu pecado, e este lhe será perdoado" (vv. 22-26).

Observemos a seqüência dos fatos. O homem pecou e quer o perdão de Deus. Ele dirige-se ao sacerdote levando um animal, um exemplar sem defeito, e coloca a mão sobre a cabeça do animal. Simbolicamente, nesse ato, sua culpa e o castigo que ele teria que suportar por causa do pecado, são transferidos para o animal. A seguir ele o imola, como oferta pelo pecado, e o sacerdote coloca uma parte do sangue sobre o altar.

Qual é o significado disto tudo? É a expiação para o homem, com relação ao seu pecado. O relacionamento está interrompido, mas a "expiação" é efetuada, e quanto ao pecado, "este lhe será perdoado" por Deus.

Os holocaustos do Velho Testamento eram imagens visuais para ensinar aos pecadores que havia esperança para eles, pois o castigo pelo pecado poderia ser transferido para outrem. Porém, estas coisas eram apenas símbolos, pois "é impossível que sangue de touros e de bodes remova pecados." (Hb. 10:4.)

Mas Deus podia perdoá-los em face do que ele realizaria, um dia, na cruz. Jesus "tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se á destra de Deus." (Hb. 12:10.)

Deus não introduziu os sacrifícios porque estivesse sedento de sangue, ou porque fosse injusto. Ele queria que nós entendêssemos duas coisas: primeiro, o horror do pecado; segundo, a cruz em que o próprio Deus iria satisfazer, para sempre, as exigências de sua justiça. "Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu (Jesus) próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção." (Hb. 9:12.)

Quando Cristo fez expiação pelo pecado, ele tomou o lugar de homens e mulheres pecadores. Se Deus houvesse perdoado nossos pecados por meio de um decreto, ou emitido uma espécie de documento celestial, isto é, sem o emprego da expiação que implicou na vergonha, sofrimento e monte de Cristo, então talvez pudéssemos pensar que Deus era indiferente ao pecado. E conseqüentemente todos continuaríamos pecando, e a terra se tornaria num terrível inferno.

Pelo sofrimento de Jesus, temos a participação divina no ato da expiação. O pecado traspassou o coração de Deus. Deus sentiu a penetração de cada prego e a da lança. Ele sentiu o sol ardente. Sentiu a zombaria de seus atormentadores e as pancadas aplicadas em seu corpo. Na cruz está o amor sofredor de Deus, levando a culpa pelos pecados do homem. Somente este amor é capaz de quebrantar o coração do pecador, e levá-lo a um arrependimento para a salvação. "Àquele (Jesus) que não conheceu pecado, ele (Deus, o Pai) o fez pecado por nós." (2 Co. 5:21.)
A Razão da Ceia
Muitas pessoas não compreendem a Ceia do Senhor. Para tais pessoas, o culto da santa ceia não tem nenhum significado espiritual. E, no entanto, a comunhão é simplesmente uma representação da cruz. Na Ceia do Senhor, Jesus se compara ao Cordeiro que seria oferecido em sacrifício ou expiação e diz aos discípulos e a todos aqueles que iriam crer nele: "Isto é o meu corpo que é partido por vós." É um símbolo da obra que ele realizou na cruz. Ao oferecer o cálice, ele enfatiza o fato de que seu sangue é vertido para a remissão dos pecados. Os elementos pão e vinho nos transmitem a realidade da expiação e do perdão. Podemos tocá-los, prová-los, vê-los. Temos um pedaço de pão na mão, mas temos Cristo no coração. O cálice está em nossas mãos, mas os benefícios do perdão através de seu sangue são aplicados em nosso coração.

Um dos mais famosos teólogos da Escócia foi John Duncan, de New College, Edimburgo. Certa vez, durante a celebração de uma Ceia do Senhor em uma igreja da Escócia, quando os elementos foram oferecidos a uma jovem de dezesseis anos, ela virou o rosto subitamente para um lado, e com um gesto indicou ao presbítero que afastasse o cálice – ela não poderia tomá-lo. John Duncan estendeu seu longo braço, tocou-lhe o ombro, e disse ternamente: "Tome-o, mocinha; é para pecadores."


Como Posso Entender Tudo Isso?
Existe um mistério na morte de Cristo que foge à nossa compreensão humana. A profundidade do amor de Deus, ao enviar seu Filho para pagar um preço tão terrível, ultrapassa a capacidade da mente humana. Mas temos que aceitá-lo pela fé, senão continuaremos a carregar os fardos da culpa. Temos que aceitar a expiação que Cristo realizou para concretizar a nossa própria expiação, pois isso é algo que nunca poderemos fazer. A salvação é por intermédio de Cristo somente, pela fé somente, e para a glória de Deus somente.

Cristo levou o castigo que era nosso.

Meu sócio e amigo, Cliff Barrows, contou-me o seguinte fato acerca de castigos. Ele se lembrava de uma ocasião em que teve que receber um castigo em lugar de seus filhos, quando estes o desobedeceram. "Eles faziam tudo que eu lhes proibia de fazer. E eu lhes disse que se fizessem aquilo de novo, eu teria que castigá-los. Quando regressei do trabalho, e descobri que não haviam obedecido, meu corarão fraquejou. Eu simplesmente não consegui castigá-los."

Qualquer pai amoroso entende o dilema de Cliff. Quase todos já nos encontramos em situação idêntica. E ele continuou: "Bobby e Bettie Ruth eram bem pequenos. Levei-os para meu quarto; tirei a camisa e a correia. Ajoelhei-me diante da cama com as costas nuas. Fiz com que cada um deles me batesse com a correia, dez vezes. Você precisava ter ouvido o choro! O deles – quero dizer. Não queriam fazer aquilo. Mas eu lhes disse que o castigo tinha que ser aplicado, e assim, entre lágrimas e suspiros eles fizeram o que eu lhes ordenara."

Cliff sorriu ao recordar o incidente. "Devo reconhecer que não fui nenhum herói. Aquilo doeu mesmo. E não me ofereci para fazer a mesma coisa de novo. Mas também nunca mais foi preciso bater neles. Aprenderam a lição. Quando acabou, eu os beijei e eles me beijaram, e a seguir oramos."

Sabemos que, numa dimensão infinita que assombra nosso coração e mente, Cristo pagou a penalidade que nos era devida pelos nossos pecados passados, presentes e futuros.

Foi por isso que ele morreu na cruz.
NO TRIBUNAL DO REI
Nos Estados Unidos temos eleições presidenciais de quatro em quatro anos. E geralmente ocorrem mudanças na Casa Branca, no Congresso e em muitos dos palácios estaduais. Sempre que um chefe de Estado está para entregar o governo ao seu sucessor, ele pode conceder anistia a alguns prisioneiros sob sua jurisdição. É sempre interessante observar quem serão os beneficiados por estes gestos de despedida.

Se eu ou você estivéssemos presos e nos dissessem: "Vocé está livre! O presidente concedeu-lhe anistia", com toda a certeza faríamos as malas e partiríamos bem depressa. Aquele perdão presidencial modificaria toda a nossa vida.

No tribunal do Rei dos reis, o perdão tem um significado muito mais amplo. Na cruz, Deus não apenas livrou do castigo o crente em Cristo, mas também recebeu-o de braços abertos em sua família. Ele nos franqueia sua casa.

Na cruz, recebemos não apenas a absolvição, mas também a justificação (como se nunca houvéramos pecado); não somente o perdão, mas também a aceitação divina. Vimos no capítulo anterior, que o próprio Deus levou o fardo de nossos pecados e sofreu em nosso lugar. Agora, veremos que a cruz nos oferece mais que apenas o perdão.

A questão toda não envolve apenas o sangue de Jesus, que nos purifica de todo pecado, mas também sua justiça. A chave de tudo é a palavra "justificado". Somos "justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm. 3:24.)

Alguns anos atrás, fui entrevistado em minha casa, por um conhecido programa de televisão. Sabendo que o programa iria ser mostrado em todo o país, minha esposa preocupou-se em que tudo estivesse na mais perfeita ordem, e com a melhor aparência possível. Ela passou o aspirador e tirou o pó de toda a casa; mas na sala, onde a entrevista iria ser gravada, ela deu uma arrumação detalhada e minuciosa. Quando o pessoal chegou, com suas câmeras e holofotes, ela cria que tudo estava impecável. Colocamo-nos no canto determinado com o entrevistador, e quando, de repente as luzes foram ligadas, enxergamos teias de aranha e poeira em lugares onde nunca tínhamos visto antes. Como explicou minha esposa: "A sala estava toda engalanada de teias de aranha que simplesmente não eram visíveis à iluminação normal."

Naturalmente, a lição que tiramos disso é que não importa o quanto tentemos purificar a nossa vida, no momento que nos examinamos à luz da Palavra de Deus, à luz da santidade divina, todas as teias de aranha e toda a poeira aparecem.

Imaginemos uma sala de tribunal. Deus, o juiz, está sentado em sua cadeira, vestido em todo o seu esplendor. Nós somos arrastados perante ele. Ele nos examina sob o prisma de sua natureza justa, como está expresso na lei moral. Ele se dirige a nós.

DEUS: João (ou Maria), vocé me amou de todo o coração?

JOÃO/MARIA: Não, meritíssimo.

DEUS: Vocé amou ao seu próximo como a si mesmo?

JOÃO/MARIA: Não, meritíssimo.

DEUS: Acredita que é pecador, e que Jesus Cristo morreu pelos seus pecados?

JOÃO/MARIA: Sim, meritíssimo.

DEUS: Então, sua penalidade foi paga por Jesus Cristo na cruz, e vocé está perdoado.

Agora eu fui perdoado, mas ainda há mais. Quando a Bíblia diz que uma pessoa que cré em Jesus é justificada por um dom gratuito de sua graça (ver Romanos 3.24), isto parece implicar em mais que um simples perdão. E é. Se sou um criminoso a quem o presidente concedeu o perdão, todos sabem que eu, apesar do perdão, ainda sou criminoso. Somente não tenho que cumprir a pena. Mas se sou justificado por Deus, é como se eu nunca tivesse pecado.

Recebemos tanto o perdão como a justificação, quando cremos em Cristo. De um lado, Deus nos perdoa por causa da monte de Cristo. Ele pagou nossa pena. Por outro lado, Deus nos declara justos.

DEUS: Como Cristo é justo e você crê em Cristo, eu o declaro, agora, legalmente justo.

Mas como Deus pode fazer isto e continuar sendo "justo" – sabendo-se que ele vinculou o castigo da morte à prática do pecado? A resposta está na justiça de Jesus Cristo. Ele teve uma vida imaculada, perfeita. Seu caráter apoiou totalmente sua afirmação de que era Deus, como vimos no capítulo sete: "O Homem que Era Deus". É fácil entender Deus, o Pai, declarando que Jesus era justo, porque ele o era. Mas como é que isso pode beneficiar a mim, um pecador? Paulo dá a resposta em 2 Coríntios 5:21. Para tornar o texto mais claro vamos usar as palavras Deus e Jesus nos pontos onde aparecem os pronomes ele, o, etc. "A Jesus, que não conheceu pecado, Deus fez (Jesus) pecado por nós; para que em Jesus fôssemos feitos justiça de Deus."

Deus colocou meu pecado sobre Cristo, que não tinha nenhum pecado, ele castigou-o em meu lugar, como já vimos. E fez ainda outra coisa. De acordo com este verso, por um ato de Deus. a justiça de Cristo foi colocada sobre nós, que cremos, "para que nele fôssemos feitos justiça de Deus".

Deus, o juiz, transferiu a justiça de Cristo para nossa conta legal, se cremos em Cristo. Agora, ele nos examina segundo a lei. O que ele vê? Todos os nossos atos e pensamentos errados, cometidos no passado? Nossos pecados presentes? Não. Ele não vê nosso pecado, porque transferiu tudo para Cristo, quando ele o fez pecado. Ele nos olha atentamente e vê a justiça de Cristo.

Mas alguém pode dizer: "Escute, então não sou mais pecador?"

A resposta é "Sim" e "Não". Se você indaga se ainda se encontra na mesma condição de pecador diante de Deus, a resposta é "Não". Para ele, legalmente, vocé é justo. Sua situação perante ele é justa, e a questão examinada no tribunal é exatamente a "situação".

Vocé ainda conserva a capacidade de pecar? A resposta é "Sim". Naturalmente, você não é perfeito. É possível que algumas vezes você tenha pensamentos e atos contrários aos desígnios de Deus. Mas nosso caráter não está em jogo aqui. Nossa situação legal é que está. E legalmente somos declarados justos.


Sou Livre Para Pecar?
"Ame a Deus e viva como quiser." Agora estamos livres para pecar sem quaisquer restrições? Será que podemos sair correndo daquele tribunal, perdoados e justificados, e fazer tudo que quisermos? Sim; mas agora você "nasceu de novo". Você não quererá cometer os erros antigos; seus desejos mudaram.

Se você confiou em Jesus, e viu aquele profundo interesse que ele demonstrou por você na cruz, pode afirmar como o apóstolo Paulo: "Pois o amor de Cristo nos constrange" (2 Co. 5:14). As mudanças interiores que Deus começa a operar em nosso caráter serão objeto de um capítulo posterior. Mas elas se baseiam numa mudança de situação. Nós que antes havíamos sido, com toda a justiça, condenados, somos agora, com toda a justiça declarados justos, quando confiamos em Cristo.

Imagine o que um repórter de jornal faria com uma matéria dessas.



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