Como preparar um trabalho para apresentaçÃO



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O artigo Como preparar um trabalho para apresentação no congresso de pesquisa e ensino em transportes” dos autores José Reynaldo A. Setti e Manoel Henrique A. Sória contém instruções para a preparação de trabalhos para os Congressos da ANPET – Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes. Apesar de específico para publicações da ANPET, sua leitura é útil a autores preparando textos para relatórios técnicos e para publicação em veículos técnicos ou científicos como revistas, anais e similares.


O texto a seguir, extraído do referido artigo, dá maior ênfase às considerações gerais a respeito da produção de artigos científicos. O artigo completo está disponível na página http://www.anpet.org.br/instr_autores_2001.pdf.
COMO PREPARAR UM TRABALHO PARA APRESENTAÇÃO NO CONGRESSO DE PESQUISA E ENSINO EM TRANSPORTES

José Reynaldo A. Setti e Manoel Henrique A. Sória.

Universidade de São Paulo

Escola de Engenharia de São Carlos


1. INTRODUÇÃO

Este artigo é endereçado aos autores que pretendam escrever textos para serem apresentados nos Congressos de Pesquisa e Ensino em Transportes, que são organizados anualmente pela ANPET. Por este motivo, contém recomendações específicas das normas de publicação e preparação de artigos adotadas por esta organização. A despeito disto, sua leitura pode ser útil a autores preparando textos para serem publicados em veículos técnicos ou científicos como revistas, anais e similares.


Muitas das recomendações aqui apresentadas baseiam-se na experiência adquirida pelos autores escrevendo seus próprios trabalhos, orientando dissertações e teses e ao participar de comissões científicas e corpos editoriais de congressos e revistas, analisando trabalhos preparados por colegas de profissão. Uma outra parte dos conselhos aqui apresentados provém de autores que dedicaram-se a tratar da difícil arte de escrever trabalhos científicos. Em virtude do pequeno espaço disponível este artigo só aborda as questões mais relevantes, e de modo abreviado. As recomendações aqui contidas, além de expressar a opinião dos autores, estão restritas no espaço e no tempo: refletem costumes da região (quiçá do país...) e dos tempos atuais.
2. FORMATO GERAL DO TRABALHO
2.1 Equações, Tabelas e Figuras

As equações, figuras e tabelas devem estar inseridas no texto, ser escritas com o mesmo tipo e tamanho de letra usado no texto do trabalho (Times Roman 12) e numeradas seqüencialmente. Os números devem aparecer entre parênteses, alinhados pela margem direita do papel, estando as equações centralizadas, como indicado no exemplo:



(eq. 1)
em que: Qa = vazão de produção de água (l/s)

P = população (hab)

QPC = consumo per capita de água (l/hab.d).

k1 = coeficiente de reforço do dia de maior consumo

Não deixar linhas em branco entre a equação e os parágrafos que a precedem e antecedem, como pode ser visto no exemplo da Equação 1.
Para as tabelas, usa-se o mesmo tipo de letra do texto, mas faculta-se aos autores o uso de letras num tamanho menor, desde que este tamanho não seja inferior a Times Roman 9, pois a tabela deve ser perfeitamente legível quando reduzida em 70%. A Tabela 1 serve como exemplo.
Tabela 1: Relação volume-velocidade medida no local


Volume (veic/h)

Velocidade (km/h)

1.852

43

1.576

101

820

122

As tabelas devem ser elaboradas com espaçamento simples e numeradas seqüencialmente, aparecendo centralizadas na folha. Todas terão um título auto-explanatório. O título é limitado a duas linhas e deve aparecer acima da tabela, sem estar separado dela. Se o título tiver apenas uma linha, ele deve ser centralizado; caso contrário, será alinhado pela margem esquerda do papel. Use linhas verticais apenas nos casos em que sua ausência pode tornar mais difícil a leitura da tabela. Não use negrito para os títulos das colunas, nem use sombras para ressaltar linhas ou colunas da tabela.


O título das tabelas deve iniciar-se pela palavra Tabela, em negrito, o número da tabela (também em negrito), dois pontos (:), seguidos pelo texto do título, como mostrado no exemplo da Tabela 1. As tabelas devem estar separadas do parágrafo que a antecede por uma linha em branco. O parágrafo, tabela ou figura que aparece após uma tabela deve estar separado dela por uma linha em branco.
As figuras serão numeradas seqüencialmente e terão título auto-explanatório. O formato dos títulos das figuras é similar ao das tabelas, substituindo-se apenas a palavra Tabela por Figura e invertendo-se a sua posição em relação à figura: o título deve aparecer abaixo da figura e não acima dela. As figuras devem estar separadas do texto por uma linha em branco, como no caso das tabelas, e devem ficar centralizadas na página. Para os gráficos serão usadas letras do mesmo tipo do texto (Times Roman) ficando facultado aos autores usar um tamanho menor que Times Roman 12, desde que as letras não tenham tamanho inferior a 9 pontos.
Os gráficos e figuras devem ser elaborados em preto e branco ou tons de cinza. A Figura 2 ilustra como uma figura deve aparecer no trabalho.
As equações devem, obrigatoriamente, fazer parte do arquivo que contém o texto do trabalho, no disquete. As figuras e tabelas devem também estar contidas no mesmo arquivo do texto do trabalho, no disquete. Caso isto não seja possível, os autores devem entrar em contato com o comitê organizador do congresso para instruções sobre como agir.


Figura 2: Investimentos realizados por modos de transporte 1994 – 1998

Fonte: Ministério dos Transportes


2.2. Referências Bibliográficas
As referências bibliográficas são obrigatórias. No texto, as citações deverão ser referenciadas pelo(s) sobrenome(s) do(s) autor(es) e o ano da publicação, tudo entre parênteses. Desta forma têm-se: (Beltrano, 1994), para um único autor; (Fulano e Beltrano, 1987), para dois autores; e para mais de dois autores, (Fulano et al., 1990). Nos casos em que o nome do autor faz parte do texto, apenas o ano é colocado entre parênteses, logo após o nome do autor: Fulano (1994). Nos casos onde existem duas referências publicadas no mesmo ano, estas devem aparecer como (Fulano e Beltrano, 1994a) e (Fulano e Beltrano, 1994b). Se as referências forem relativas a dois trabalhos do mesmo autor, não é preciso repetir o nome do autor, bastando repetir o ano (Sicrano, 1988, 1992, 1994b). Às vezes, é necessário fazer referência a diversos trabalhos no conjunto de parênteses; nesses casos, usa-se ponto e vírgula para separar trabalhos de autores diferentes (Fulano, 1987; Beltrano, 1994a, 1994b; Sicrano et al., 1992).
No final do texto do artigo haverá uma lista com as referências bibliográficas, em ordem alfabética dos sobrenomes dos autores. Cada referência deve aparecer num parágrafo, cuja primeira linha deverá estar alinhada pela margem esquerda da página e cujas linhas subseqüentes deverão estar recuadas de 1 cm. Não deixe nenhuma linha em branco entre referências. Use o mesmo tipo de letra do texto do trabalho (Times Roman), tamanho 10. Inclua na lista apenas as referências que são citadas no texto; não esqueça de incluir na lista todas as referências citadas no trabalho.
Uma referência inicia-se com o sobrenome do autor, uma vírgula e suas iniciais. Caso exista um segundo autor, após as iniciais do primeiro autor aparece a conjunção e, as iniciais do segundo autor e seu sobrenome. Se existirem mais de dois autores, coloque o nome de todos os autores. Após o(s) nome(s) do(s) autor(es), coloque o ano de publicação, entre parênteses. Note que não se usa ponto nem traço para separar o ano e o título da referência. O título e os itens restantes da referência vão depender do tipo de trabalho referenciado. Veja os exemplos, para melhor compreensão.
No caso de artigos publicados em periódicos, o nome do artigo deve ser escrito em maiúsculas e minúsculas (conforme as regras gramaticais da língua portuguesa) e o nome do periódico deve aparecer em itálico. Não deixe de colocar o volume, o número e as páginas inicial e final, na forma v. 23, n. 5, p. 1025–1029. Veja Hong e Lind (1996), nas referências bibliográficas ao final deste texto, para verificar como um artigo de periódico deve aparecer naquela lista.
Para artigos publicados em anais de conferências, o título do artigo é escrito em maiúsculas e minúsculas e o título dos anais aparece em itálico. Fonseca et al. (1995), na lista de referências bibliográficas ao final deste texto, mostra como um artigo publicado em anais de congressos científicos deve aparecer na lista de referências bibliográficas. Não se esqueça de colocar o volume e as páginas inicial e final na referência.
No caso de livros, o título deve aparecer em maiúsculas e minúsculas, em itálico. Rosemberg (1996), na lista de referências bibliográficas, ilustra como um livro aparece na lista de referências bibliográficas. Num capítulo de livro, o autor do capítulo aparece em primeiro lugar, seguido pelo ano da publicação entre parênteses e o título do capítulo. A seguir, aparece a palavra In:, em itálico, o(s) nome(s) do(s) editor(es), seguidos da palavra (eds.), entre parênteses e em itálico, do título do livro, em itálico, da nome da editora e do local de edição. Johnson (1990) mostra como um capítulo de livro deve aparecer na lista de referências.
No caso de publicações sem autor, o nome ou a sigla da instituição responsável pela publicação deve aparecer no lugar do nome do autor. GEIPOT (1995), na lista de referências, é uma referência sem autor.
3. O TEXTO ESCRITO

Quando uma organização promove um congresso ou faz publicar uma revista, ela acolhe e apoia o autor, inclusive seu estilo. Por esse motivo, as preocupações com o estilo são mais que justificadas. Aspectos técnicos, de estilo e de correção gramatical são julgados por um comitê de especialistas. A seguir serão abordadas algumas facetas dos elementos que compõem o tom, o estilo e a correção de um texto.


3.1 Assunto

Se você procurou um veículo técnico ou científico para expor os resultados de suas reflexões ou pesquisas, deve, obrigatoriamente, tratar da técnica ou ciência. Por esse motivo seu artigo não deve ser propaganda de produto ou método, não deve ter estilo panfletário e nem ser declaração de convicção técnica, política ou ideológica. Deve sim tratar de fatos, sejam eles científicos, técnicos ou mesmo políticos. Há casos em que aceitam-se artigos em que uma posição metodológica ou mesmo política é apresentada: quando o problema abordado é de relevância inquestionável e o autor é reconhecido como autoridade sobre o assunto. Via de regra, além de trazer sua posição frente ao problema, esse autor vale-se também em precedentes históricos, políticos ou metodológicos.


3.2 Estilo e linguagem

A rigor, o estilo é uma característica pessoal. Entretanto o estilo técnico, em contraposição ao literário, impõe regras rígidas, e por isso é mais fácil de caracterizar. O texto deve ser claro, exato, sóbrio e na medida do possível, impessoal. Além disso, seria aconselhável que a escrita fosse agradável e elegante, de modo que o leitor não se sinta entediado. Não são usadas palavras que não estejam no dicionário e nem figuras de linguagem. Ingredientes para um estilo agradável e correto são: objetividade, simplicidade, honestidade e coerência. O tom geral do trabalho deve ser compatível com o assunto. Isso implica que outros tons, que não o técnico, são inadequados. Não são aceitos, portanto, textos panfletários, ufanistas, poéticos, herméticos, propagandistas etc.


Um defeito freqüente de estilo é a construção de períodos muito grandes, com várias orações encadeadas. Para evitar isso, conte as linhas entre dois pontos finais. Se passar de quatro ou cinco, cogite em dividir o período em dois. Quanto ao parágrafo, deve ele encerrar um corpo de idéias coerentes. Quando há mudança considerável de assunto, comece outro parágrafo. Mas não abuse de parágrafos, pois um texto com parágrafos muito curtos também é desagradável. A não ser quando estritamente necessário, não repita palavras no mesmo período, principalmente se for um substantivo, verbo ou adjetivo.
Quanto à pessoa de tratamento usada na redação, há hoje uma certa preferência para a escrita impessoal. Isso eqüivale a dizer que o sujeitos das orações, geralmente objetos, estão na terceira pessoa e também que o relato é feito na voz passiva. Em lugar de dizer “fizemos o experimento” é comum dizer “o experimento foi feito” ou ainda, “fez-se o experimento”. Essa última forma, a voz passiva sintética encerra dois perigos: cansa pela repetição dos pronomes reflexivos se usada demais, e impõe dificuldades de concordância, pois a forma gramaticalmente correta pode não soar bem aos ouvidos. Por exemplo, o correto é dizer “fizeram-se os ensaios e obtiveram-se os resultados”, com os verbos no plural.
Quanto às palavras, há várias recomendações. Use palavras simples e construa frases na ordem direta. Como exemplo, verifique se “usar” não fica melhor do que “utilizar”. Advérbios, alguém mais radical já disse, quase todos podem ser cortados do texto técnico sem prejudicar o sentido. Adjetivos, use-os com parcimônia. Há certas expressões que, segundo puristas da língua, não devem ser usadas porque são dispensáveis e comprometem a estética. A mais comum é “o mesmo” (ou “a mesma”). Evite expressões cujo uso é objeto de disputa como “ao nível”, “a nível”, ou ainda que provocam ambigüidades como “ao encontro” e “de encontro”.
Não use modismos, pois além de irritar o leitor eles tornarão seu texto anacrônico em pouco tempo. Palavras como “resgatar” e expressões como “pinçar o objeto de estudo” só devem ser usadas se você quiser dizer isso mesmo. Geralmente os modismos estão associados com o uso de palavras em sentido figurado, como os dois exemplos citados. Palavras muito rebuscadas podem dar a impressão que o autor chama mais atenção à forma do texto do que ao conteúdo. Há ainda palavras muito usadas que não constam nos dicionários mais comuns ou que não têm o sentido que se espera. Geralmente são verbos criados pela necessidade, como “agilizar”, “listar” e “penalizar”. Mais grave ainda são os falsos neologismos derivados da versão apressada do inglês: “deletar”, “escanear” etc. Em caso de dúvida, consulte um bom dicionário.
Os gerúndios, quando possível, devem ser evitados, com lucro para a elegância e simplicidade. Eles ficam ainda mais destoantes quando o verbo é de uso pouco freqüente. É o caso de “objetivando”, por exemplo.
Palavras em língua estrangeira, de modo geral, são grafadas entre aspas ou em itálico para destacar. Não se deve abusar do uso de palavras e expressões estrangeiras.
3.3 Citações

Ao repetir ou comentar resultados obtidos por outros autores eles devem, obrigatoriamente, ser citados. O modo de fazer essa citação é de conhecimento geral e não será tratado aqui. É prudente, entretanto, ressaltar que quando é feita a citação direta, isto é, quando parte do texto original é transcrita para o seu texto, deve ser destacada. Isso faz-se colocando a transcrição entre aspas e citando o autor. No caso de serem várias linhas, podem ser grafadas com tipo diferente e identificadas por dimensões diferentes de margem. Uma dificuldade quanto à citação, ocorre uando o assunto foi abordado originalmente há algumas décadas atrás, e retomado em épocas mais recentes. O cuidado especial que deve ser tomado é o de não citar o autor mais recente como se a abordagem original do assunto tivesse sido feita por ele. Quando o assunto é muito difundido, como por exemplo, no caso de métodos convencionais de estatística, é comum omitir-se a citação. É entretanto errado citar um autor de 1995 como responsável pelo método de análise estatística criado várias décadas antes.


3.4 Título e resumo

Muitos irão ler apenas o título e o resumo do seu trabalho. Alguns lerão também as conclusões e poucos estudarão o artigo inteiro. Por isso o título e o resumo merecem cuidados especiais.


O título deve dizer do que o trabalho trata, sem subterfúgios. De maneira geral devem ser evitadas palavras acessórias como “estudo”, “investigação” e mesmo os artigos definidos e indefinidos. Uma certa imprecisão resultará da necessária brevidade do título, mas isso não deve preocupar o autor, porque o leitor sabe das limitações do título. Uma boa prática é verificar se o título está adequado, depois de o trabalho estar escrito. Pergunte-se: o que está no corpo deste trabalho corresponde a este título? Os títulos, assim como os trabalhos, não devem ser panfletários, metafóricos ou enigmáticos. Títulos como “Abaixo os proprietários de lotes urbanos sem benfeitorias!” “ou “O pai, a sogra e o gato” são inaceitáveis, segundo os critérios atuais.
O resumo requer estilo aprimorado pois, pretende-se dizer muita coisa em poucas palavras. Deve dar uma visão do assunto que será tratado e das conclusões obtidas, de modo claro e conciso. É redigido em um único parágrafo e, a não ser em casos excepcionais, não contém equações, citações bibliográficas e abreviaturas. Há norma brasileira para elaboração de resumos, a NBR 6028 (ABNT, 1989b). O número de linhas, palavras ou caracteres do resumo é limitado, no caso dos congressos da ANPET, a 150 palavras (250 palavras para os relatórios de teses e dissertações em andamento). O abstract é a versão em inglês do resumo. Por uma questão de coerência, deve conter texto com tamanho e significado compatíveis com o resumo. Mesmo respeitado o fato que algumas línguas permitem maior concisão que outras, é inaceitável que o resumo e abstract contenham divergências.
3.5 Introdução

A introdução deve colocar o problema de que o artigo trata, ou propor uma questão a ser discutida. Se durante a redação do artigo houve modificação dos objetivos, volte e retoque os objetivos. Na introdução não cabe uma lista exaustiva de citações bibliográficas, mas apenas as citações que mostrem que o problema existe e é relevante. Nas últimas linhas da introdução pode ser adiantada a conclusão geral do trabalho, de maneira breve, de modo a deixar o leitor saber o que o autor pretende mostrar. Na introdução não se deve repetir o que foi dito no resumo.


3.6 Corpo do texto

Aqui o problema de que trata o trabalho é analisado mais profundamente e relata-se o que foi feito e como chegou-se às conclusões. É comum, principalmente nos campos que tratam mais dos entes físicos do que das idéias, que apareça aqui o item “materiais e métodos”, tão comum em certas áreas de pesquisa. Levada em sentido amplo a expressão quer dizer que devem ser expostos os objetos estudados e os métodos usados para o estudo. Entenda-se que objetos podem ser, por exemplo, modelos de demanda, população urbana de baixa renda ou superfície do pavimento.


Nesta parte do trabalho que pode ser menos conceitual e tratar mais dos fatos, a clareza, a simplicidade e a honestidade na descrição são fundamentais. O leitor não dever ter dúvida de como foi feito o experimento, quem é responsável por que resultado obtido, e assim por diante. Aqui a redação na forma impessoal e voz passiva, embora recomendada, pode trazer problemas quanto à clareza dos relatos. Ocorre que na voz passiva o agente pode ficar indefinido. Quando for necessário deixe explícito quem fez o que.
As figuras e tabelas devem permitir, o mais possível, uma leitura direta sem que seja necessário recorrer ao texto. Lembre-se que os leitores olham primeiro as figuras e as tabelas. Pergunte-se se as tabelas e as figuras têm alguma utilidade à compreensão do texto e elimine aquelas que forem supérfluas. Ao elaborar gráficos e figuras, preste especial atenção à sua área útil. Programas como o MS-EXCEL, por exemplo, automaticamente estabelecem escalas para os eixos que podem resultar num gráfico no qual todos os pontos acumulam-se numa área pequena do plano xy, dificultando a sua compreensão.
3.7 Discussão e conclusões

A discussão dos resultados obtidos adquire cada vez mais importância no meio técnico. Isso indica que o texto não deve simplesmente pontificar, mas trazer os resultados para serem analisados pela comunidade. E essa discussão deve ser iniciada pelos autores. Espera-se também que ao apresentar suas conclusões, os autores apontem os rumos possíveis para as pesquisas subsequentes. Destaque os resultados conseguidos pela sua pesquisa e confronte-os com o conhecimento existente. Critique seus próprios métodos à luz dos resultados obtidos. Se na introdução você caracterizou um problema, discuta como fica a sua solução. Reflita com tempo e maturidade (nem sempre disponíveis) a respeito das suas conclusões. A literatura contém exemplos abundantes de raciocínios inconcludentes e mesmo de argumentações falaciosas.


Após a seção de conclusões, se for o caso, pode ser acrescentada uma seção de agradecimentos, onde são dados os créditos às entidades e organismos que apoiaram a pesquisa.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este texto apresenta algumas considerações sobre a preparação de trabalhos científicos. Como sugestões de leitura para os autores interessados em mais informações sobre a preparação de artigos científicos pode-se listar Barrass (1979), Figueiredo (1995), Michaelson (1990), Rey (1991), Turabian (1987) e Vieira (1991). Outros livros sobre este assunto podem ser encontrados em livrarias universitárias especializadas. A leitura das normas da ABNT (1989a, 1989b, 1989c) é também indicada.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT (1989a) NBR 6023 – Referências Bibliográficas. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro.

ABNT (1989b) NBR 6028 – Resumos. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro.

ABNT (1989c) NBR 10520 – Apresentação de Citações em Documentos. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro.

Barrass, R. (1979) Os Cientistas Precisam Escrever – Guia de Redação para Cientistas, Engenheiros e Estudantes. T.A. Queiroz e EDUSP, São Paulo.

Figueiredo, L. C. (1995) A Redação pelo Parágrafo. Editora UnB, Brasília, DF.

Fonseca, A. P.; A. L. Pereira e A. E. L. M. Rezende (1995) O Transporte na Competitividade das Exportações Agrícolas: Visão Sistêmica na Análise Logística. Anais do IX Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes,

ANPET, São Carlos, v. 1, p. 340–351.

GEIPOT (1995) Anuário Estatístico dos Transportes – 1995. Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes, Ministério dos Transportes, Brasília, DF.

Hong, H. P. e N. C. Lind (1996) Estimating Design Quantiles from Scarce Data. Canadian Journal of Civil Engineering, v. 23, n. 5, p. 1025–1029.

Johnson, L. W. (1990) Discrete Choice Analysis with Ordered Alternatives. In: Fischer, M.M.; P. Nijkamp e Y.Y. Papageorgiou (eds.) Spatial Choices and Processes. Amsterdam, Netherland.

Michaelson, H. B. (1990) How to Write and Publish Engineering Papers and Reports (3a ed.). Oryx Press, Phoenix, AZ, USA.

Rey, L. (1991) Planejar e Redigir Trabalhos Científicos (2a ed.). Edgard Blucher, São Paulo.

Rosemberg, M. (1976) A Lógica da Análise do Levantamento de Dados. Ed. Cultrix/EDUSP, São Paulo.

Turabian, K. L. (1987) A Manual for Writers of Term Papers, Theses and Dissertations (5a ed.). The University of Chicago Press, Chicago, IL, USA.

Vieira, S. (1991) Como Escrever uma Tese. Livraria Pioneira Editora, São Paulo.


Endereço dos autores:

Universidade de São Paulo Fone: (16)273-9601

Escola de Engenharia de S. Carlos, Depto. de Transportes Fax: (16)273-9602

Av. Trabalhador Sãocarlense, 400 – Centro E-mail: setti@sc.usp.br e mane@sc.usp.br



1356-590 – S. Carlos, SP, Brazil

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