Como se comportar em uma entrevista de emprego



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Encontro26.01.2018
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Como se comportar em uma entrevista de emprego

Por Carlos Vitor Strougo


Headhunter, Kadan Consultores

Leia as respostas do headhunter Carlos Vitor Strougo, presidente da Kadan Consultores, sobre Como se comportar em uma entrevista de emprego.

Como devo me comportar numa entrevista de emprego? (Aurelio Felisberto)



Strougo: (a) Entenda que uma entrevista de seleção nada mais é do que um evento no qual alguém de uma empresa conversa com uma outra pessoa, visando saber se ela se ajusta, ou não, ao que esta empresa está procurando. Não é um bate-papo informal, mas também não é uma audiência com o Papa.

(b) Procure obter informações básicas sobre a empresa, para estar situado no tempo e noespaço.

(c) Use o seu bom senso ao máximo.

(d) Procure sempre se colocar no lugar do entrevistador e pensar no que você gostaria que o candidato respondesse.

(e) Não pense que está totalmente em suas mãos a capacidade de ser, ou não, o escolhido. Os bons entrevistadores buscam por compatibilidade entre as necessidades da empresa e o que você é, e não por campeões de desempenho em entrevista de seleção. Procure não fazer nada que possa atrapalhar a entrevista, como comportamentos estranhos do tipo: ficar sério demais, ou tentar ser engraçado e contar piadas. Fuja dos temas ligados à sexo, política e religião. Além disso, não fume, mesmo se o entrevistador fumar.

(f) Preste atenção ao que o entrevistador está falando e responda o que foi perguntado. Parece óbvio, mas o normal é o candidato ficar ansioso para só mostrar ao entrevistador como ele é bom e como a empresa só teria a ganhar contratando-o. Você corre o risco de ocupar o tempo da entrevista com coisas que o entrevistador não quer saber. Não tente conduzir a entrevista, a não ser em último caso, se sentir o entrevistador completamente perdido, o que é raro.

(g) Se tiver, ou quiser, fazer perguntas, faça-as sobre os problemas que a empresa tem e as soluções que está buscando. A tendência normal é de ter mais chances, de ser agregado ao time quem consegue se tornar parte da solução.

(h) Seja você mesmo. Mas, atenção,não esqueça que esta é uma situação profissional. Não entre pelo caminho de mostrar a sua alma ao entrevistador; ele só quer saber se você resolve o problema da empresa.

(i) A verdade é que a preparação para uma entrevista é feita ao longo da sua vida. Se você adicionar somente conhecimentos e experiências vai estar sempre faltando algo. Você tem que, continuamente, enriquecer o seu conteúdo como ser humano, e isso envolve o seu caráter, a sua ética, a sua visão do mundo, o seu conhecimento abrangente das coisas que nos cercam, e, principalmente, como você cuida da sua felicidade pessoal e da sua família.

Quando somos entrevistados por diretores e presidentes de empresas, o que eles esperam de perguntas como Por que nossa empresa deve contratá-lo?; Quais são os seus planos para o futuro?; O que espera estar fazendo daqui a dez anos?. Temos de ser diretos e falar algo sobre a empresa? Ou cada entrevistador espera uma resposta criativa, inesperada? (Luiz Alberto)



Strougo: Os executivos precisam conhecer o candidato. Como fazer isto? Da mesma forma que num interrogatório policial. Faz-se a pessoa falar, falar e falar. Por mais ensaios que possa ter feito, o candidato acaba mostrando o que é. A resposta não é tão importante quanto o que o entrevistador vai enxergar por trás dasua resposta, ou seja: quem é esse indivíduo que se encontra na minha frente?

Quando discordar da opinião do entrevistador sobre determinado assunto, devo expor imediatamente a minha opinião, ou é melhor omitir e esperar a mudança de assunto? (Nilton A. Rey)



Strougo: Use o seu bom senso. Todo mundo sabe muito bem quando pode ou não discordar de alguma coisa. Você pode discordar a vontade, mas o que, quando e como é sujeito às infinitas situações que se afiguram em nossa vida. Inteligência, bom senso, e canja bem quente, são ótimas.

Estou me formando agora no mês de outubro e me inscrevi em programas de empresas renomadas no mercado e que possibilitam um bom desenvolvimento profissional para início de carreira. O que mais posso tentar como formanda? (Heloneida Paulino de Souza)



Strougo: Tudo. O uso da criatividade, hoje em dia, exerce papel fundamental para quem busca uma posição no mercado. Mas há um ponto fundamental aqui. É um grande engano achar que todas as empresas renomadas do mercado possibilitam um bom desenvolvimento para início de carreira. Maior engano ainda é acreditar que as outras empresas não o oferecem.

Uma média empresa, pelo fato de precisar lutar muito mais, pode dar um impulso muito maior a sua carreira, pois, costuma delegar maior responsabilidade do que as outras empresas de maior porte. Tente tudo, até as empresas pequenas.

Hoje uma pós, MBA, ou algo do gênero é realmente importante para a escolha de um executivo, ou a simples formação acadêmica com qualidade e cultura geral (como domínio de idiomas) é que fazem a diferença? (Délio Estrela)

Strougo: Todo o investimento em conhecimento é excelente, mas de nada adiantará se você não tiver o dinamismo, a iniciativa, a garra, a vontade, o entendimento do mundo. Tudo o que você fizer fará diferença se, e somente se, você crescer simultaneamente como ser humano.

Além da aparência pessoal e dos testes de conhecimento que algumas empresas fazem (como matemática e cases em inglês), que outras ferramentas costumam ser utilizadas na seleção dos chamados high potencial? Como se preparar para cada uma e ter certeza de que nada vai furar? A condição emocional de cada candidato dificilmente é observável, e sendo assim, como reverter uma possível má interpretação de nossas capacidades quando porventura não nos damos bem nos testes aplicados? (Carlos Eduardo)



Strougo: Não conheço nenhuma empresa que contrate high potentials baseando-se somente em testes de conhecimento e aparência pessoal. Não se dispensa a entrevista de seleção e é muito usual a utilização, nestes níveis, de dinâmicas de grupo. Não concordo que a condição emocional de um candidato não seja observada, a não ser que não tenha havido a participação de psicólogos no processo, o que não é recomendável em casos como esses.

É verdade que olhar no olho do entrevistador é importante durante a entrevista? (Joana deAguiar Freitas)



Strougo: Evidente. Aliás, para qualquer situação que a gente passa na vida. Alguém compra pão olhando para o chão ou para o vazio? Mas cuidado, não vá ficar encarando o entrevistador! Comporte-se normalmente. Use o bom senso, Joana.

O que devo fazer se eu estiver sendo entrevistado em inglês e não compreender uma pergunta feita pelo entrevistador? Finjo que entendi ou assumo que não conheço determinada palavra? (Márcio Reis)



Strougo: Márcio, ninguém vai entrevistá-lo em qualquer outro idioma, que não o português, sem antes perguntar primeiro se você o domina. Se você vai ser entrevistado em outro idioma procure deixar claro, antes de começar, os limites do seu conhecimento, e aja dentro destes limites. Se não entender algo, explique isto no outro idioma, nunca voltando ao português, a não ser que tenha deixado claro a sua pobreza de conhecimentos.

Perguntar sobre a empresa durante a entrevista pode dar a impressão de que não conheço o negócio com o qual pretendo trabalhar ou demonstra interesse? (Ricardo Santanna)



Strougo: Você não deve ir para a entrevista sem saber nada sobre a empresa. Também não precisa conhecer mais do que o entrevistador! Você deve buscar informações básicas, como: nacionalidade, áreas de atuação, áreas geográficas envolvidas, faturamento, algo sobre a estória da empresa, os seus principais concorrentes, e como a empresa está no mercado.

Perguntar é bom, mas não só por perguntar, pois você corre o risco de ouvir uma longa explicação e acabar tendo a sua entrevista prejudicada. Se o entrevistador não conversou direito com você, como é que ele pode ter feito uma boa avaliação?



Todos se iludem ao imaginar que uma entrevista foi boa porque o entrevistador falou à beça; boa é aquela entrevista em que o entrevistador falou pouco, direcionando o rumo dos assuntos, e por conseqüência foi capaz de fazer uma boa avaliação do candidato.

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