Compilação da Obra de Marques Porto



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COMPILAÇÃO DA OBRA DE MARQUES PORTO


ANEXO I – REVISTAS



FONTES

- Mário Nunes – 40 anos de Teatro – Volumes 2 e 3 – Serviço Nacional de Teatro

- Lysias Enio & Luiz Fernando Vieira – Luiz Peixoto pelo buraco da fechadura – Ed. Vieira & Lent. Rio de Janeiro – 2002.

- Salvyano Cavalcanti de Paiva – Viva o Rebolado! Vida e morte do teatro de revista brasileiro – Editora Nova Fronteira - 1991.



- Outros autores

1922

“Os autores novos foram Patrocínio Filho que, com Domingos Magarinos, escreveu Pau de goiaba, engraçada. Marques Porto e Ari Pavão, Canalhas nas Ruas, medíocre;”... (MN, volume 2, pag. 40)

Realiza-se, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna, reunindo a vanguarda da intelectualidade rebelde. Artur Bernardes é eleito e toma posse na Presidência da República. Comunistas fundam, em março, o seu partido brasileiro. Em julho, revolta na Vila Militar, na Escola Militar e no Forte Copacabana. Reportagem da Gazeta de Notícias cria o mito dos “Dezoito do Forte”. Morre o Marechal Hermes da Fonseca. Visita o Rio de Janeiro o Rei Alberto, da Bélgica. Em setembro, a Exposição Internacional, no Rio, comemora o primeiro Centenário da Independência...


Francisco Serrador inicia a construção da Cinelândia nos terrenos do antigo Convento da Ajuda, na Capital da República...
A época de ouro da revista ocorre entre 1922 e 1940. (SCP, pag. 216).

CANALHAS DAS RUAS (07/04/1922)

Cia. De Burletas e Revistas do São José – Empresa Pascoal Segreto
Marques Porto e Ari Pavão
Música : Paulino do Sacramento
Música: Paulino do Sacramento e Bernardino Vivas
Música: Paulino Sacramento e B. Vivas

Dois estreantes. Não foi brilhante a estréia. Pobres de idéias, falta-lhes espírito, de pouco valendo a montagem com relativo brilho e decência. Começa com um quadro que copia outro de Ai seu Melo! Cabral desce da estátua e vem palestrar com a canalha. Merecem destaques as apoteoses e que as explicam. Sobressaíram Cândida, Ítala, Nair, Asdrúbal e Figueiredo. (MN, volume 2, pag. 66).

A 7 de abril o Teatro São José começou a levar à cena, em dois atos, 10 quadros e duas apoteoses, Canalhas das Ruas, de uma nova dupla de autores que vinha com muita garra concorrer com os melhores do gênero, Marques Porto e Ari Pavão. A peça tinha música de Paulino Sacramento e Bernardino Vivas; o título repetia, de caçoada, uma frase irritada do presidente Bernardes a propósito do povo a quem não tolerava e a quem pouco ligava – segundo se propalava; o tema seguia os moldes tradicionais. Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, descia da estátua da qual descansava no largo da Glória, no Rio, e vinha conversar com o poviléu, a “canalha das ruas” no dizer da burguesia. Espantava-se com o estado de degradação a que chegara a Terra de Vera Cruz desde 1500. A crítica do Correio da Manhã considerou a revista “fraquinha”, mas o público prestigiou-a durante quatro semanas. Pelos padrões então vigentes, traduzia êxito moderado, despesas pagas, lucro. Brilhava o elenco da casa com Alfredo Silva, Asdrúbal Miranda, J. Figueiredo, Elisa Campos, Antonieta Olga, Irene do Nascimento, Emília de Sousa, Isaura Pereira, Henriqueta Brieba, Luísa Faria, João Matos, Ernesto Begonha, Pedro Dias, Franklin de Almeida, Tobias Rodrigues, Eduardo Viana, Cândida Leal, Ítala Ferreira, Nair Alves e seu irmão, Francisco Alves, cantando modinhas e representando dois papéis de malandro, nos quadros “Charada” e “Zuzu”. Direção de Isidoro Nunes, regência musical de Bento Mossurunga, cenários de Lazary e J. Silva, figurinos de Pautília de Azevedo. (SCP, pag. 222 - 223).

Revista em 2 atos, 6 quadros e 2 apoteoses de A. J. Marques Porto e Ari Pavão.


Música dos maestros Paulino Sacramento e B. Vivas.
Representada pela 1ª vez na noite de 7 de abril de 1922 no Teatro São José, Empresa Paschoal Segreto, no Rio de Janeiro em 1922. (O Percevejo, editado por Tânia Brandão, pag, 131)

Nota: No livro O Percevejo, editado por Tânia Brandão, da página 131 a 163, iremos encontrar o texto da revista Canalhas das Ruas, que futuramente será trazido para cá em forma de anexo.

1923

... “A Otília Amorim entremeava burletas e revistas... Sucessos foram também...e Cabocla Bonita, Marques Porto e Ari Pavão, mais de 50 reapresentações.

Outras revistas assistidas com agrado: ...A Botica do Anacleto, Marques Porto, 28 dias;...e Minha Terra tem Palmeiras, Marques Porto e Afonso de Carvalho. Encerraram o ano com Penas de Pavão, revista, grande sucesso também, esses mesmos autores.” (MN, volume 2, pag. 74).

Nesse ano regressa da Europa, para onde fora em 1921, a serviço do Ministério de Viação e Obras Públicas, do qual era funcionário, o revistógrafo Luiz Peixoto. Volta cheio de idéias de renovação. Uma delas: eliminar, por obsoleto, o velho esquema de partir de um determinado incidente celestial para passar em revista os acontecimentos da cidade ou do país. Outra: abrir espaço para substituir o sublinhamento musical de ritmos ultrapassados pela utilização intensa de ritmos do dia, especialmente os das composições populares brasileiras. (SCP, pag. 226)



CABLOCA BONITA ( 11/05/1923)

Cia. Otília Amorim – Teatro Recreio
Burleta de Marques Porto e Ari Pavão
Música: Assis Pacheco

Enredo interessante e bonita música. Deve demorar-se no cartaz. Passa-se em uma fazenda, em dia de festa pela chegada do dia do proprietário, que se faz acompanhar de um amigo. Tomam os rapazes, estudantes, parte em desafios ao violão, mas são derrotados por um caboclo que possui estro poético e amor à terra. Casa-se este com a disputada cabocla bonita e o rapaz amigo com a filha do fazendeiro. José Loureiro, no professor Terêncio, e João Martins, no moleque Zacarias, fizeram rir o público; e Otília foi aplaudidíssima, assim como os dois autores, chamados à cena.

Em 1 de junho: Festejando a 50ª apresentação, ofereceu a Empresa aos autores, aos artistas e à imprensa um chá, à tarde, no Revista. (NM, volume 2, pag. 99)

A BOTICA DO ANACLETO (12/07/1923)

Cia Otília Amorim – Teatro Recreio
Burleta de Marques Porto
Música: Assis Pacheco

Estreou Augusto Aníbal; teatro cheio, grande animação. Série de episódios burlescos, explorados com graça que os intérpretes avivaram; principais, Aníbal, dono de botequim, e Otília, na filha, além de João Martins e José Loureiro. MN, volume 2, pag. 99).



MINHA TERRA TEM PALMEIRAS (13/11/1923)

Cia Otília Amorim – Teatro Recreio
Burleta de Marques Porto e Afonso de Carvalho

Foi reforçado o elenco com Júlia Martins, há muito ausente do palco, intérprete da trova nacional; J. Figueiredo; Ernesto Cardoso e J. Mafra; 8 dias. (MN, volume 2, pag. 99)



PENAS DE PAVÃO (20/12/1923)

Cia Otília Amorim – Teatro Recreio
Marques Porto e Afonso de Carvalho
Música: Sá Pereira

Como texto, encenação, e interpretação atestam o progresso que o gênero teatral atingiu entre nós. São inúmeros os quadros de agrado certo como a paródia ao Pretório do Mártir do Calvário charge política espirituosa, em verso, sendo principais figuras João Martins e J. Figueiredo. Otília, na melhor época de sua carreira, é atriz completa, representa, canta e dança, agradando plenamente. Muitos são os números de sucesso e a representação correu entre aplausos gerais. (MN, volume 2, pag. 99)

A renovação e a revolução continuaram o Recreio estreou, a 20 de dezembro, Penas de Pavão, de Marques Porto e Afonso de Carvalho, música de Sá Pereira. Em termos de texto, encenação e interpretação atesta o progresso que o gênero atingira, segundo a crítica abalizada. Otília Amorim, aos 29 anos, na melhor fase de sua carreira, representava, cantava e dançava como estrela absoluta e popular coadjuvada por J. Loureiro, J. Figueiredo, João Martins, Manoela Mateus, Cândida Palácios, J. Matos, Judith Vargas, Maria Matos, Júlia Martins, Adelaide Santos, Diola Silva, Maria Vidal, Cleontino Gonçalves, Júlia de Abreu, Irene Nascimento, César Marcondes, Agostinho de Souza, Ernesto Cardoso, Pascoal Américo, e Eduardo Ferreira. Penas de Pavão cumpriu mais de 100 representações. E seria reprisada em maio de 1924. (SCP, pag. 232 - 233).

(...) Em 1923, Penas de pavão, de Marques Porto e Afonso de Carvalho, estreada no Recreio em 20 de dezembro, parodiava a Ba-ta-clan em uma cena em que o guarda do Passeio Público, que também é ensaiador de uma “tropa” teatral (como ele chama sua trupe), conversando com a personagem do autor, resolve apresentá-lo ao seu “Batacran nacioná” e não perde tempo em perguntar-lhe se, sendo um autor, não poderia escrever-lhe a peça de estréia. O Guarda faz entrar seus atores, que não usam galicismos, e apresenta Dargisa, “a Pistinguette nacioná” e Ophrasio, “tenô dramático e marítimo nas hora vaga”. Os dois, então, cantam, dando uma mostra de sua “beleza geográfica”:



DARGISA – Eis o Bata-cran
Que não tem rival
Com a gente é ali no maxixe
Viva o Brasil e o carnaval
OPHRASIO – Somos os artistas
Não levem a mal
Vejam a melhor companhia
Do bam-bam-bam que é nacional
TODOS – Quem quiser vencer
No meio teatral
Faça revistas com chanchada
De-lhe maxixe e carnaval (1923: 13)

E depois saem, cantando e dançando. A cena é significativa, pois mostra como a influência estrangeira foi, não apenas copiada, mas também usada para valorizar aspectos nacionais, incorporando o elemento estrangeiro através da brincadeira e da paródia. Ainda na mesma revista, faz-se uma referência à companhia espanhola, em um quadro em que o Autor e a Comére estão sendo apresentados às novidades para uma revista e Manuel, português, dono de uma loja de penhores, diz que, depois da Velasco, a novidade agora é “manton de manilha”, provavelmente uma referência à mantilha – um traje típico espanhol, trazido pela Velasco. O autor comenta que é um capricho da moda – “a saída do Municipal assemelha-se a uma praça de touros...” (Estudo – Pernas à Ba-ta-clan: A influência das companhias estrangeiras na cena revisteira dos anos 20 – Ana Bevilaqua – Livro: O Percevejo, editado por Tânia Brandão, UNIRIO, 2004, pag. 251-253)

1924

“Na Companhia do São José... Secos e Molhados de Marques Porto e Luiz Peixoto ficou um mês e meio em cartaz.

O grande sucesso do ano foi A La Garçonne , no Recreio, de Marques Porto e Afonso de Carvalho, com Margarida Max, 4 meses, quase 300 reapresentações. ”(MN, volume 2, pag. 104 ).

Margarida Max

Foi no teatro de revista a interessante novidade do ano. Atriz já conhecida do público que a aplaudida nos últimos tempos, na comédia, a maneira por que se apresentou no gênero ligeiro, valeu por uma verdadeira revelação, de tal maneira se impôs aos aplausos gerais por sua graciosidade, seu ar risonho, elegância natural e picante malícia.

Motivo poderoso do sucesso alcançado pela revista de Afonso de Carvalho e Marques Porto, À La Garçonne, que conta mais de 200 representações, Margarida Max alcançou já o prêmio merecidíssimo e valioso da popularidade.

A festa teatral em sua homenagem, realizada no Recreio a 4 de setembro, teve o aspecto de definitiva consagração.” MN, volume 2, pag. 114).

Ao iniciar-se 1924 continuavam em cena Penas de Pavão e Sonho de Ópio...
(SCP, pg.234)

À LA GARÇONNE (30/05/1924) (05/05/1924)

Empresa Rangel & Cia
Marques Porto e Afonso de Carvalho
Música: Sá Pereira

Atordoantes as palmas e o riso do público, início auspicioso de nova fase da companhia organizada por Rangel & Cia e cuja direção foi, em boa hora, entregue a Francisco Marzulo. Urdida à moderna, aproveita assuntos em foco, através de comentários amáveis ou mordazes, fazendo rir ou deliciando. Faltou-lhe brilho de guarda-roupa e corpo de coros mais elegante e certo, em suas marcações e evoluções. Interessantes os quadros Antes do Tempo, Teatro por dentro, Cenas de bastidores; o Bombeiro feito por José Loureiro; Sol indiscreto, por Manoela Mateus, deliciosa banhista; Uso da sobrinha, Margarida Marques num galanteador e Maria Matos, graciosa; Bahia Futurista, Margarida, numa baiana também notável no número dos cabelos cortados; Família a prestação, Edmundo Maia, turco verdadeiro; Dentro da Noite, quadro apache; Jazz-band e Arlequinada, Margarida Max, se já não se impusera como tal teria, desde ontem, direito a ser nomeada como uma das nossas estrelas de revista. É graciosa, sua fisionomia risonha capta as simpatias da platéia, canta fazendo-se entender. Música toda muito bonita, sendo vários números bisados. Até 30 de setembro, quase 300 reapresentações! (MN, volume 2, pag. 136/7).

Aconteceram remontagens: Penas de Pavão, Sonho de Ópio (de 27 de maio a 5 de junho) e a 5 de maio estreou no Recreio À la Garçonne, de Marques Porto e Afonso de Carvalho, música de Pedro Sá Pereira. Foi a seqüência natural da revolução de forma e conteúdo que a revista estava sofrendo. Se Alô!... Quem Fala?, graças à direção de Luiz Peixoto e Isidro Nunes, ampliava o desfile de mulheres lindas (vestidas e bem despidas) em atitudes elegantes, movimentos certos e harmoniosos, À la Garçonne apresentava uma urdidura moderna aproveitando assuntos da atualidade através de comentários ora amáveis, complacentes, ora mordazes, implacáveis, deliciando e fazendo rir à socapa ou abertamente. O sucesso absoluto garantiu-lhe o apoio unânime de toda a crítica e de um público que lhe assegurou mais de 300 reapresentações ininterruptas, em quatro meses, o posto de maior revista do ano e de uma das 10 maiores de todos os tempos. Havia um elencaço a defendê-la: Margarida Max – que fizera, anos antes, pequena incursão no gênero – bonita, vistosa, cheia de talento, juventude, disposição e enorme força interior, e viria a ser a maior das vedetas do gênero -, bonita, vistosa, cheia de talento, juventude, disposição e enorme força interior, e viria a ser a maior das vedetas do gênero. Esta paulista de descendência italiana ganhara renome na comédia e, graças aos seus dotes vocais e uma estranha inclinação “elitista” equivocada, encerraria a carreira como soprano de operetas – como se a opereta, seu sonho de toda vida, fosse superior à revista. Em 1924, Margarida iniciava uma carreira de estrelíssima da revista, desbancando do trono sua colega Otília Amorim – a quem ajudaria, na decadência – e resistindo à concorrência de Antônia Denegri, Eva Stachino, Lia Binatti, Zaíra Cavalvanti e Aracy Cortes que, por fim, a desalojaria sem atingir o seu status de grande dama do gênero, sua classe de estrela autêntica, que jamais seria igualada...
Em À la Garçonne Margarida iniciava um decênio de reinado glorioso e inimitável. A música da revista era de Sá Pereira; a direção, de Francisco Marzulo; a regência orquestral de Antônio Lago; a coreografia de Gus Brown; a cenografia de Lazary, Públio Marroig, Raul de Castro, Marco Tullio; os figurinos de Alberto Lima. E com Margarida representavam Ester Lutin, Luísa Fonseca, Diola Silva, Téo Dora, Antonieta Fonseca, Isaura Pereira, Henrique Chaves, Francisco Correia, J. Figueiredo, Balbina Milano, Agostinho de Souza, José Loureiro, Orlando Nogueira, Pascoal Américo, Edmundo Maia, Domingo Terras, Claudionor Passos, Manoela Mateus, Júlia de Abreu, Maria Matos, Judith Vargas, Renée Bell, João Martins, Lídia Reis e Lola Guiner.

Qual a gênese da revista de Marques Porto e Afonso de Carvalho?


A melhor explicação histórica é a de Edigar de Alencar:

O aparecimento escandaloso do romance La garçonne (1922), de Victor Margueritte, que logo esgotou sucessivas edições na França e se espalhou por todo o mundo, repercutiu com intensidade no Brasil, no ano seguinte, quando foi lançada a edição brasileira sob o título A emancipada e como sub-título o título original. Começaram a surgir coisas com o nome la garçonne, inclusive os cabelos femininos aparados na altura da nuca – grande escândalo na época.

Aliás, à la garçonne ou à la homme, como ainda se dizia na infância do autor deste livro, nos anos 30, foi moda de corte de ida e volta: esteve em voga de novo nos anos 60 e nos anos 80. O compositor Pedro de Sá Pereira e o letrista Américo F. Guimarães comentaram o fato no carnaval de 1925 (lançado na revista de 1924), através da marchinha “Tudo à la garçonne”, que Margarida Max e todas as coristas submetidas aos cabeleireiros implacáveis, por ordem da produção, de tesoura e máquina zero à mão, cantavam com estrondosa repercussão, e que foi gravada pela cantora Zaíra de Oliveira, em 1924 mesmo, em disco Odeon 122.768:

Hoje no Rio o que está na moda,
E o que se usa com perfeição
Qualquer menina de alta roda
Faz um mocinho andar na contramão.

Cabelos curtos, bem aparados


Lindos cangotes nos deixam ver,
Tão sedutores e tão perfumados
Que aos gabirus fazem padecer.

À la garçonne


É a tal moda de sensação
À la garçonne
Lá na Avenida é a toda mão!

A revista “abafou a banca”, como se dizia na gíria da época.

Muitas e muitas moças haviam aderido com entusiasmo a essa moda, pondo abaixo enormes cabeleiras, arejando de todos os modos as cabecinhas, de acordo com os novos rumos do tempo e com a temperatura elevada do verão carioca. (R. Ruiz)

Além das 300 reapresentações originais, À la Garçonne, a revista, provocou um remonte a 14 de outubro que se estendeu a 5 de novembro – ou seja, mais 30 reapresentações, aproximadamente...

O que disse a crítica na ocasião do lançamento de À la Garçonne? Declarou-a “leve, engraçada, brejeira, sem quadros fatigantes”. Disse que a revista era “urdida à moderna, aproveitando assuntos em foco através de comentários ora amáveis ora mordazes”. Exaltava a classe e a elegância de Margarida Max, a vivacidade de Manoela Mateus, “estrelíssima” graças à sua natural simpatia. Mencionava as interpretações positivas de João Martins, José Loureiro e Edmundo Maia nos quadros de crítica de costumes, e chamava a atenção para o quadro apoteótico que traía a gritante influência da Ba-ta-clan francesa.

Em junho, a despeito do êxito insuperável de À la Garçonne, uma revista de Manoel White e Rubem Gill, Não te Esqueças de Mim, ocupou o palco do Teatro São José a partir do sai 6. Talvez pela música de Alfredo da Rocha Viana Jr., o Pixinguinha, ou dos esforços do ator Alfredo Silva mais o mesmo elenco que o teatro vinha mantendo em 1924 – inclusive, entre as coristas, Aracy Cortes, sem destaque (antes ou depois de adoecer, detalhe que escapou ao seu biógrafo, Roberto Ruiz) e o professor Duque, com as “sombras diabólicas”, o espetáculo ficou em cena até 3 de julho. Mas À la Garçonne é o que eletrizava a cidade e o país; o quadro “Sol indiscreto”, brincava com a distração de uma banhista de praia que despia o busto, e Manoela Mateus foi a heroína da proeza. A 30 de setembro, a revista arribou do Recreio para outras plagas (SCP, pag. 238-242)

Personagens Masculinos: 12   Feminino: 12 
Sinopse: Música de Sá Pereira. O título parece ter vindo do livro "La Garçonne" , de Victor Marguerite, que causou escândalo inclusive no Brasil, traduzido com o título de "A Emancipada". A partir daí surgiram várias coisas com o nome "la garçonne" , inclusive os cabelos femininos cortados curtos, à maneira masculina. O que daria origem a complacentes ou mordazes comentários dos autores nos quadros de revista.
(Catálogo da Dramaturgia Brasileira – Maria Helena Kühner)
http://www.kuhner.com.br/catalogo/pecas_autor.php?autor=2193&f=999&m=999&g=0

SECOS E MOLHADOS (4/11/1924) (13/10/1924) (13/11/1924) 100 apresentações

Cia de Burletas e Revistas do São José
Luiz Peixoto e Marques Porto
Música: Assis Pacheco

Figuras novas no elenco, Manuela Mateus e Grijó Sobrinho; Ensaiador, Martins Veiga. A primeira qualidade é a vivacidade, sucedendo-se com presteza as cenas engraçadas, as bonitas fantasias; cenários, às vezes, extravagantes, pintados por mão de mestre. Entre os melhores estão Budhas, quadro oriental. Beijos de Rouge, delicadamente picante; Bicho sofredô Gran- guignol; Espelhos; Maravilhosas sobre fundo negro. Jazz-band, Modinha e o Fado; Botafogo, crítica à alta sociedade carioca e outras. Música com felicidade. Guarda-roupa, originais obras primas de Luiz Peixoto. Melhores intérpretes: Manoela Mateus, elegante, bonita, e afinada, voz quente; à cançoneta Parece que lhe falta qualquer coisa deu brejeira intenção, sendo em tudo muito aplaudida; Araci, Mulata, Sapateadora, etc; Grijó Sobrinho agradou e vencido o primeiro contato que teve com o público carioca, muito melhorará; Pepita, figura jovial, que tudo valoriza. Atuação eficiente de Alfredo Silva, Denegri, Nair, Célia, Luiza. (MN, volume 2, pag. 135).

Marques Porto e Luiz Peixoto
Estréia: Teatro São José, 13 de outubro.
A música Leão da noite é apresentada no primeiro ato, por Francisco Alves. Guarda-roupa do próprio Luiz. Alcançou mais de 100 representações.
Música: Assis Pacheco
Ensaiador: Martins Veiga
Elenco: Alfredo Silva, Antônia Denegri, Aracy Cortes, Célia Zenatti, Grijó Sobrinho, Luiza Fonseca, Manoela Mateus, Nair Alves, Pepita Abreu. (LE&LFV, pag. 153).

Em novembro mesmo, a 13, entrou em cartaz no São José o último êxito de 1924, a revista Secos e Molhados, de Luiz Peixoto e Marques Porto, música de Assis Pacheco (original e arranjada), o maestro que Roberto Ruiz chama, com propriedade, de “torrencial”. Martins Veiga ensaia o elenco da casa, com Grijó Sobrinho e Manoela Mateus, mais os donos habituais do espaço, Alfredo Silva, Pepita de Abreu, Antônia Denegri, Aracy Cortes, Nair Alves, Luísa Fonseca, Célia Zenatti etc. Aracy, em um dos bons momentos, sapateava, moda obrigatória em todos os números de atrações estrangeiras, principalmente após o advento dos filmes sonoros americanos (1927). (SCP, pag. 244)

1925

...“As que se impuseram: extraordinário o surto de Margarida Max que em A Mulata ascendeu definitivamente ao estrelato”...(MN, volume2, pag 142).

...O valor das revistas pode ser medido pelo tempo de sua permanência no cartaz, mas interfere soberanamente para o efeito, o préstimo do elenco e a popularidade das primeiras figuras.

...No teatro popular, Manoel Pinto toma a dianteira. São grandes sucessos, Comida Meu Santo... Marques Porto- Ari Pavão, três meses, com Margarida Max;...e a Mulata, Marques Porto, 47 dias.

As melhores do São José: A Mão na Roda, Marques Porto e Ari Pavão; e Verde e Amarelo, Patrocínio Filho e Ari Pavão,ambas quase 2 meses.” (MN, volume 2, pag. 142/3).

A temporada do teatro-revista de 1925 passa pelo crivo da crítica como a da consolidação das novas formas que vinham sendo experimentadas desde 1922. É a fase em que as mulheres, as grandes estrelas, superam em valor comercial, em objeto de marketing direto, os atores bufos, os astros da farsa. Não se vai mais às revistas principalmente para rir por causa do texto e da mímica, como acontecia no tempo de Correia Vasques, Machado Careca ou Brandão-o-Popularíssimo; vai-se ver a beleza, a sensualidade e o desembaraço corporal de Otília, Margarida, Manoela, Aracy, as duas Antônias, e ouvir-lhes as vozes, nem sempre maviosas, em cantigas brejeiras, melodias harmônicas e agradáveis, letras maliciosas. (SCP, pag. 245)



ENTRA NO CORDÃO - (01/02/1925)


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