Compilação de roteiros, exercícios de trabalho, fotos, cartas, Impressões colhidas durante o processo



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Servir bem, para servir sempre

Compilação de roteiros, exercícios de trabalho, fotos, cartas,

Impressões colhidas durante o processo

ÍNDICE

ABRIL

PREPARAÇÃO: Base, aquecimento, técnicas, criações,
MAIO

COZIMENTO: palavra, dramaturgia, tema, prato, som, narrativa, bicho, espaço.
JUNHO

MISTURA:
JULHO

PROVA: Paladar público, despojamento, despejamento, desprendimento.


AGOSTO

COMPROVA: Festival de performance, fisicalidade e ficcionalidade, segredos.



SETEMBRO

ADICIONA: Paladar Gourmet, processo digestivo, processo degustativo, processo documentado.


OUTUBRO

TRANSFORMA: roteiro e depoimentos
NOVEMBRO

SER-VIR.

INTRODUÇÃO
O Programa-Livro é uma das propostas do Projeto “Fomê de quê?”, um diário de bordo com escritos de todos compartilhados com o espectador para que, agora leitor, pudesse saborear o percurso de um processo de criação.

Vários foram os “pratos” feitos e combinados, por vezes servimos, por vezes fomos servidos. Muita coisa foi posto à prova.

Espectador-Leitor você que experienciou nossa obra, veja quais os temperos e ingredientes usamos e quais pratos criamos frente ao banquete que servimos.

Boa digestão.


ABRIL

Para abrir o apetite
PREPARAÇÃO: Base, aquecimento, técnicas, criações,

BASE

CAVALO MARINHO

Ta ta taracata e

1 1 1 1
“ta ta taracatá e ta ta taracatá” E: começar de novo.


AQUECIMENTO

SAUDAÇÃO AO SOL


(sugestão: digitalizar desenhos feitos e inserir Legendas abaixo)

1-Pés juntos braços em volta das pernas

2-Tronco 45˚ mão em cima dos joelhos

3-“cachorro” com os quadris pra cima

4-Quadril “cai” gira para um lado e outro ( movimento parte da bacia)

5-Braços sustentam o corpo reto (como flexão de braço)

6-Braços seguram o corpo próximo ao chão sem encostar

7-Cobra torção da coluna um lado e outro

8-“cachorro”

9-Uma perna a frente 45˚ outra esticada calcanhar puxa pro chão (troca pernas)

10-Junta pés na frente braços abraçam a perna

11- arco com corpo (podendo ir para a ponte)



TÉCNICAS

MÁSCARAS


NEUTRAS:

O signo é nosso

A máscara é vivência

Objeto extensão do corpo

Explorar- triangular – espelhar

Forma- som – contato

Cor- forma- textura

Vontade – coluna

Decisão - presença

Pega. Desapega.


Advertência: linha tênue entre exploração e história.

Como descobrir sem ser curioso?O que te chama atenção agora? Há um percurso para a percepção das coisas. Onde o som bate no seu corpo e até onde ele reverbera? Perceber o estado do outro. Pensar sempre que a proposta do nosso trabalho é o mínimo. Há uma escuta coletiva que deve se estabelecer primeiro, depois essa mesma proposta pede modificação. Dar o tempo de se apropriar do jogo depois pra onde ele leva... Quem detona o jogo não vira foco o tempo todo pega o gancho e se apropria do jogo. Não criar outros jogos pela impossibilidade de não desenvolver a proposta que já estava. Tem uma necessidade de jogo, o jogo pede algo. Descemos imaginando que estamos subindo subimos imaginando que estamos descendo. Como estou descendo é uma pergunta. Estou vendo este impulso? Jogar com a materialidade do objeto e deixar o óbvio aparecer, tamanho, movimento.

MÁSCARAS OBJETOS:

Existe uma forma-corpo para a máscara?

Como descobrir a corporeidade dessa máscara?

Como é que meu corpo lida com a máscara?

Como ler a natureza dela?

Como jogar com materialidade do objeto?

Como uma ação leva a outra? Onde começa, desenvolve e termina?

Como manipulo o que eu vivo?
O objeto gera ação.

A melhor coisa da ação é o problema.

Uma ação começa se intensifica e transforma.

Ela se transforma ao fazer.

Caminhar pelas ações como passagens.

(fotos abril)


CORPO SONORO 50 %50%.

Meio calabresa. Meio mussarela.


A base do trabalho é o som como estímulo e sensibilização do corpo.

A idéia é que o som estimule outros lugares do corpo.

Quais são as características do som? Timbre altura andamento e ritmo

A partir dessas qualidades se deixem influenciar pelo som

Onde o som te mobiliza? Não é sempre o corpo todo.

Há uma trajetória do som no corpo.

De qual maneira meu corpo captura o som?
Você manipula o som e o som te manipula.
Há de se ter a necessidade de se apropriar de um elemento e só depois agregar outro. É preciso tempo para agregar. Como que uma coisa passa para outra?
Alguns cuidados: Neste trabalho não há psicologia

O ator vira um timbre. Que timbre é o outro?

Não ficar só em uma característica

O acumular é que cria o timbre.

Incluir a musculatura do rosto no corpo sonoro sem criar personagem

Para onde ir com os movimentos repetitivos?

Caminhar primeiro para o acumulativo depois dissociativo.

Diálogos entre corpos

Tudo é possível, provável, desde que exista uma relação.

Movimento do outro contamina partes.

Quais são os elementos para jogar?

Será que eu estou percebendo o outro?

Será que eu mesmo estou escutando?
Um anjo passando...
Ativar uma escuta de presença absoluta.

Não existe antes nem depois.

O quanto você esta presente?

À medida que a exaustão chega

Coisas começam a acontecer...


CRIAÇÕES

O QUE SE VÊ DO QUE SE FAZ



!

Eu traída – ela traidora

Bate-dor

Cabe-los


Corpo- alma

Coca-cola

Para-peito

!!

Homem coisificado

Dialogo - maquina mãe

códigos - conduta

Futuro atual

Feira de caras

Saco: Vôo e sufoco

!!!

Cabeça – Travesseiro

Omissão – indignação

Fisicalidade - noticia

Culpa - Violência

Conta o mundo

Contra si

!V

Ironia


Universo adulto e infantil

Passa o anel

Bala - pirulitos

“Um homem bateu

em minha porta

e eu abri”



V

Busca de sabedoria

Procura de linguagem

Palavra no corpo

Levar ao invés de mostrar

Movimentação x imagem

Velha com vela x Oratório

V!

Mulher fruta

Experimento do clichê

Jogo – roubo

Sombra – espelho

Ver confronto espectador

Flashes

V!!

Jogue pedra

Sofrimento x prazer

Vela derretida

Ar-dor

V!!!

Jacaré


Toxinas

Acumulo


Edição jornal

Papa imagem



!X

Nascimento de cores

Dor x felicidade

Expressionismo abstrato

Pictórico poético

Corpo giz



X

Ser metamorfose

Criança – boneco

Animalidade



X!

Caos divino

Indizível - Indefinível

Paradoxos

Dosagem - Detalhes

Atrito


Tempo - corpo

X!!

Flor de Lótus

Caixa-corpo

Belo – feio

Luz - instalação

Partes – Cadáver?



X!!!

Amarras


Submeter

Submetido

Frente costas

Mãe society

Papeis de poder

X!V

Sina


Escada

Risco
PSICOGEOGRAFIA


é o andar sem rumo propriamente dito, que possibilita uma percepção diferenciada do espaço ao contrário do caminhar cotidiano, vinculado à pressa e à alienação do sistema capitalista; técnica empregada pelo movimento situacionista, fundado nos anos 50 por Guy Debord, em Paris. Os situacionistas estudavam o comportamento e as sensações humanas através da elaboração de "mapas afetivos", que levavam em consideração registros essencialmente humanos no meio urbano, método chamado psicogeografia. O situacionismo visava ao fim da "espetacularização urbana" e à participação dos cidadãos como "vivenciadores", transformadores do espaço urbano.
TRAJETÓRIAS E NARRATIVAS

PSICOGEOGRÁFICAS


!

Todos em linha

Corpo sonoro trem ônibus

Balanço coletivo



!!

ritmo de descarrego



!!!

Uma vela. Um metrô

Homem estranho atrás de Vale

!V-

entra no ônibus

Vê poça de água suja

V

inexorável indelével

vaca decapitada

Uma santa

Vê uma fábrica


!

Ela saiu e viu a luz

O barulho do carro a incomoda.

Outra rua. Esconde-se. Observa o silencio

Enxerga apenas igrejas, no céu

uma planta que nasce do silencio

Uma rosa que nasce até no cimento

E um homem de língua estranha



!!

“Língua 1,99.”

Ela vê um botão de rosa

preso a uma redinha

no chão do sacolão

Depois no açougue

O açougueiro

Com uma costela na mão

“A mulher veio

da costela do homem.”



!!!

Calango


de língua estranha

come flor



!V

Caminha... caminha...caminha

Com um copo de café

V!

Até que encontra

O Paraíso dos Salões de Cabeleireiros

Escova progressiva marroquina



V!!

Ela lisa .

Ela fuma

Um cigarro

Ele um maço

Paraíso dos Cigarros

Ela suja

Alma vazia

...

...

De onde nasce a ação? Que fome é essa?

O que esconde - o que revela.

Máscara e contra máscara.

Crueldade – Generosidade

Simples – Complexo




SUGESTÕES:

Campo descritivo

Campo sonoro

Campo cinético

Campo sinestésico

...


Caráter objetivo

Caráter ficcional

Caráter subjetivo

...


Silêncio, suspensão, comédia.

Reações interjeições

Onomatopéias

...


Tempo de formar a imagem

Contaminação pelo outro

Assumir o erro, incorporar.
A narrativa vem pra falar do que se faz

e não do que não se faz.

A palavra não pode ficar num discurso vazio. Eu preciso de mais além da palavra. Mais fisicalidade mais direito a fala.

...


 A figura se torna coisa

porque foi tratada como coisa

toda vez que ele ia ao humano

a mãe impedia-o de ser.

Mãe tecendo o filho

códigos de comportamento.

...

Como essa culpa chega? Como essa culpa sai? A indignação, a impotência ao invés de culpa. A omissão é uma violência. O que é essa materialidade travesseiro? Ele passa uma idéia de conforto. Como é isso no corpo? Como isso te modifica a cada respiração?



...

Manipular o épico, o timbre desse discurso. Que tipo de noticia trazer?

Já viu Alborguetti?
Relação com a toalha: de onde você vem pra onde vai? O mascaramento além da relação com outro. Qual é a trajetória? Qual relação com espectador?

...

Sintetizar e fazer algo mais poderoso.

Poder participar, apedrejar, não se sentir cruel e gostar. O prazer é pela dor. Dar uma vela a cada um e se despir, um pode queimá-lo vivo.

O que é a sua religiosidade? No que acredita hoje?

Sabendo o significado de cada coisa não se faz as ações de qualquer maneira.

....


Repetir uma seqüência pode ser um tanto sofrível, qual potencial é possível gerar?

...


O divino está em qualquer pessoa, na importância da repetição de algo pra ela

...


O homem ventilador - o que ele pode trazer de humano?

...


Respirando as articulações

...


Terra X Ar.

...


Trabalhar oposição das partes.

...


Tempo individual e Tempo coletivo.

...


Como gerar pelo sincretismo o que vai alem da religião?

...


Radicalizar até virar uma ladainha não há palavras pra dizer o incomunicável o indizível o indefinível.

...


Às vezes o obvio é bom

MAIO

Fome maior
COZIMENTO: palavra, dramaturgia, tema, prato, som, narrativa, bicho, espaço.
FOME DE PALAVRA
Mais de oitenta formas de comer no teatro: fome faminto comer devorar comida rango bóia iguaria gourmet ambrósia cozinheiro/a chef fritar grelhar untar cozinhar assar dourar queimar misturar mastigar triturar engolir digerir amassar deixar crescer

picar descascar ralar morder bater provar tirar uma casquinha cortar destrinchar palitar garfar espetar salpicar polvilhar temperar caramelizar salgar adoçar degustar

saborear tomar beber bebericar tomar todas encher a cara arrumar preparar limpar guardar lavar secar reservar soprar esquentar esfriar congelar chupar sorver banquete almoço café da manhã jantar larica petisco petiscar tira gosto pôr a mesa encher a pança comer que nem padre...

FOME DA DRAMATURGIA


A partir das minhas experiências processuais, a dramaturgia foi proposta não apenas como o lugar das textualidades da cena, mas também como o modo uma arquitetura de organização de ações, manipulada pelos atores famintos e pelo olhar da direção (impetuosa?!). Atrelada a essa prática, dois mecanismos foram aprofundados: o depoimento como uma forma narrativa de diálogo com o público e a edição como a junção de materiais temáticos e estéticos, recolhidos a partir de percursos por locais públicos e privados, pesquisa essa que continuo aprofundando hoje como atriz e dramaturga. Arrematando a construção das cenas, optei por apresentar cada “prato” como o fragmento de uma rotina, na qual as cenas se apresentam como contos mínimos ou quadros inter-dependentes, que apresentam uma lógica a partir da imagem de um grande self-service. A linguagem do espetáculo busca uma relação direta com os espectadores, inserindo-os na trama ficcional e explora a ironia dos discursos e das condições dos personagens.
Esta obra é resultado do processo de montagem do espetáculo que começou com a pergunta: você tem fome de quê? A partir de cada desejo, surgiram várias “fomes”: consumismo, pedofilia, religiosidade, ditadura da beleza, o corpo como receptáculo de memórias e cicatrizes, o corpo banalizado pelo sexo, as obsessões das dietas, a fuga da rotina nos bares e vícios, a solidão e a impressão de que tudo está sendo deglutido rápido demais: não há tempo de se digerir nada. Durante sete meses, atores, dramaturgia, direção e equipe criadora, através de pontos de vistas, materiais visuais, sonoros e textuais, percursos por ruas, terrenos baldios, bares, açougues, salão de beleza e restaurante popular, entre outros lugares, compuseram as imagens, intervenções e situações a seguir. Outras vertentes de construção cênica do espetáculo partiram da ocupação de todos os espaços do prédio que abriga o Galpão Cine Horto e da pesquisa em relação à narrativa. No fundo, são depoimentos sobre o quanto temos fome de falar sobre o que o queremos, pois no fundo quero que isto tudo se torne um grande banquete para o espectador: ácido, delicioso, saboroso, enjoativo, etílico e divino.

Bom apetite, espectador.



Letícia Andrade



FOME DE TEMA



Fome & Amor

Fome & Poder

Fome & Cárcere

Fome & Liberdade

Fome & Antropofagia

Fome & Religião

Fome & Sabedoria

Fome & Língua

Fome & vício

Fome & formas

Fome & Vida

Fome & criação

Fome & Êxtase

Fome & consumo

Fome & intimidade

Fome & devoração do corpo

Fome & degustação do corpo

Fome & abuso

Fome & devoração da mulher

Fome & degeneração

Fome & tirania do espelho

Fome & pontos de vistas

Fome & Culpa

Fome & Fúria

Fome & anonimato

Fome & Barbárie

Fome & solidão

Fome & interrupção

Fome & divino


(fotos maio)
FOME DE PRATOS

1º de maio:

Elise: Banana Sai da casca Fálico-Vital.

Válber: Feijão fradinho com Couve e farofa em folhas de bananeira e cesta de vime trançada. Doce de amendoim. Mistura. Religiosidade.

Renata: Maças em calda vinho e canela. Mito Desejo Vermelho

Gabriel: Ovos e bacon café da manha gorduroso.

Ana Flávia: Cogumelos amanteigados. Fungos, Outro reino. Mutação.

Mariana: Salada de frutas. Cores, alegria, diferenças.

Patrícia: Ovos cozidos. Clara gema. Corpo alma.

Lucas: Bolo de chocolate confeitado com falos e bundas de chocolate recheado com bonecos. Gostoso e constrangedor.

Daniela: Salada de Grãos. Alimentação rígida.

Fabiana: Chilli. Carne apimentada. Arde. Pesa.

Leonardo: Pinguela Costelinha com pimenta de bico, batata doce. Entre lugar. Entre sabor

Andréia: Língua com mandioca cozida Para o Gosto de poucos

Valeria: Alfajor com doce de leite; entala e adoça.

Juliana: Prana; jejum samba e grãos de maconha.

A JUNTA “PRATOS”



Renata Emrich
Pratos plásticos

Pratos estampados

Pratos fundos mesmo rasos
Pratos frios

Pratos quentes

Pratos de versos tons de vermelhos
Pratos carnes

Pratos cores

Pratos limpos em pratos sujos
Pratos forrados

Pratos juntos

Pratos cheios de olhos
Prato cesta

Prato rosto e cabeça


Prato prata

Prato pia

Prato peito e língua
Prato frito

Prato cuzido

Prato bolas e bolo
Prato cru

Prato fungo

Prato grão de prato mundo
Prato doce

Prato bico

Pratos

especiarias



& alambiques

FOME DE SOM

A mesma qualidade sonora tem várias possibilidades de intensificação.

A gente vai fazer o dicionário juntos se um chega com o dicionário todo não existe jogo. Menos é mais tempo. A pausa tem que ser jogo.

Não tem como decupar um corpo que mexe tudo o tempo todo.

Quando é um som muito complexo a tendência é mover varias partes do corpo.

O que interessa é o objetivo. Objetivo não é chegar à forma a forma é conseqüência.

O objetivo é mobilizar o corpo através do som.

O surgimento de algumas palavras, sonoridade dela independentemente do significado dela. A qualidade do arranque do som dá a qualidade do movimento.

- è uma mesma coisa o som e o movimento! Encontrou o som justo? Decupe



Movimentos da psicogeografia

Corpo Sonoro + psicogeografia


Relação com espaço e com o outro
Alterações rítmicas;

O som deve estabelecer universos


Como o som da voz altera o físico?

ação-palavra


Buscar envelhecimento da ação quando a ação se repete.
Quando se fecha determinada ação deve haver alteração no corpo.
Repetição das palavras

Resignificação ou esvaziamento da palavra


A desconstrução da palavra traz a poética
Tentar trazer a sonoridade da imagem e do som para o registro vocal.
Discurso poético

Comicidade:

Realidade x poesia
.
Ficar parado e transportar o lugar
Ação síntese

Corporificarão de imagens e sons no corpo.


Espaço no corpo.
O estado que a psicogeografia trouxe vem de um trajeto

Sintetizar lugares trazer pontuação


Lugares de respiro

Degustar a movimentação

? Como um movimento se transforma em outro?
Para iniciar e finalizar ação trazer diferença de energia
Se apropriar das passagens
Trabalhar impulso x relaxamento.
Manipulação do olhar do público.
? Se no momento sonoro o corpo fosse só impulso?

FOME NARRATIVA


-objetiva

-subjetiva

(experiência pessoal)

-subjetiva/ficcional (relação corpo/palavra muda o contexto)


Narrativa

-sonoro


-cinético (anda/para/corre – traz propriedade cinética da palavra)

-sinestésico


Narre e faça:

Algumas palavras da narração são muito subjetivas e não contribuem para a ação.


Nada no passado ou futuro. Está= presente.
Deixe que a voz ganhe fluidez e volume Aproveite a posição para deixar a voz ecoar no espaço.
O que da vivência gera reações?
Trazer as pessoas corpos e respirações

Utilização da voz ativa associada ao épico narrativo.

Trazer para a narrativa os sons do ambiente.
A ação vocal também tem que estar presente na narrativa
A narrativa pode se alterar: quem narra e quem faz a ação vivem e manipulam

FOME DE BICHO


Como dorme o animal?

Como sonha o animal?

Ser observado

Ser atacado;

Reação; ataque.

Mari- avestruz

Paty-barata

Déia- galinha/cachorro

Elise- gavião

Leo-bicho carnívoro;

Válber- galinha/pombo

Re- cobra

Dani- gazela macho

Ana- seres imaginários

Fabi- leão

Gabi-Porco

Valeria-minhoca

Lucas – pavão

FOME DE ESPAÇO

Objetivos

Maçã cheiro, imagem, palavra, paladar despertar sentidos.

Vísceras corda, vomitar: flor-ferro, alegria/dureza.

Morte cria perspectiva da vida. Sensação de subida; santinhos no caminho e foto ao fim.

Ninho cheiro, umidade costela, ovos, ossos.

Bala tema-brinquedo, sexo-inocência, textos externalizar o íntimo;

Escuro medo; risco; incômodo; toque.

Caminho trânsito, terra galhos e pontos de luz.

Interativo sonoro corpo gera som

Templo em construção casa demolida, altar microfone: lugar de exposição de cada um. Polifonia; Sincretismo religioso pelas vozes.

Açougue Caráter intervencionista Ruptura no cotidiano.

Humano - animal; Venda para sobrevivência.



Bar-banheiro - quente denso; relação íntima.

Camarim rearranjar o corpo em função de algo externo

Luz desequilíbrio visão-ofuscamento; pensar no divino da loucura.





JUNHO

Junta ingredientes
MISTURA:
MÁSCARAS GEOMÉTRICAS OBJETOS ESPAÇO

Caixa: fronteiras geométricas, eixo, só pernas - assimetria.

Travesseiro: bobo, velho, infantil, insônia.

Colar elisabetano:

Impedimento, postura cachorro, Circular.



Óculos de natação:

Universo esportivo, feminino e de inseto.



Toalha: linhas, rosto puxado, movimentos.

Touca Térmica: general, plug elétrico, energia lateralidade, desmonte.
Espuma: grotesca, mutável, baba.

Argila: texturas, deformações, cabelo.

Pão: frontal, delicado, neném. Instável. Comestível.
Meia arrastão: marginalidade, língua, marcas, deformação.

Saco plástico: aéreo.

Maleável, barulho.



Celofane: frenético, boneca, bombom.

Papel Filme: sufocamento.

São três lugares por onde passa a máscara



Movimento; gesto: limiar – significa, mas não é ação; Ação: Composta de gesto e movimento.
Eixo

Oposição


Propriedades

Deslocamentos

Materialidade fisicalidade

Formatos


Encaixes
ETAPAS DRAMATURGIA

1-Temas Materiais

2-Roteiros

3-Verticalização


Breve ocupação Gruta

  1. radioativo, coca ½ Bem vindos

  2. lavar as mãos

½ animalidade

  1. escada relação ½ Roma

  2. Coração ½Passagem

  3. praça e piscina ½ canto

  4. Sapo bar

½ ratos

  1. piano e veneno

½ fotos

  1. radiografada

½ Bicicleta

8-purificação

ÉPICO-DRAMÁTICO

Manipular.

Capacidade

de sair e entrar.

O drama absoluto

não existe

Realidade com a ficção.

Fricção dramática.

O épico,

Item de ruptura

Tempo, discurso, representação, Espaço, Descrição, Repetição.

Distanciamento.

ATOR PRESENCIAL, OCUPACIONAL.
Como mapeamos

cada espaço?

Acústica, planos, proximidade e distância.
Provocar.

Sinestesia. Olfato.

Direcionamento do discurso.
Registros

Físicos Transponíveis

Registros de ocupação

Instâncias: Fora e dentro.


O coração de boi se costura e se separa. E se o coração está podre?
O bar tem que envelhecer o lugar de trânsito.

(fotos de junho)



JULHO

Julgamento do sabor


PROVA: Paladar público, despojamento, despejamento, desprendimento.



PALADAR PÚBLICO.

Primeiro ensaio aberto.
Sensações devolvidas:

Engolidos pelo excesso.


Não sentem fome.

Circuito de consumo,

Caos. Gula. Ânsia.

Território sem saída.

Sufocamento.

Máscaras sociais.

Respiração? Libertação?



Psicogeografia

Doce


Salgado

Acido


Amargo

Vinho


Argila

Suor


Melancia
Despojamento

Sobe em bando

Desgarra

Corre oposta

Sobe de novo

Roteiro ovo

Encruza

Sacramenta



Casas

Desordem


Arvore cão

Sol de inverno

Renovação de inverso

Estado despojado

Biográfico
Deitada na calçada

Lembra praia Quer

Mar além de formiga
Um encontro

Uma pergunta

Está passando mal

ou tomando um sol?

Resposta.

a camarada

conta da cunhada

sempre bronzeada

Reencontra depois ela

Pergunta: cansada?

Resposta.

Ocupada!


Independência

Constrangedor

Descaso americano

De novo quer deitar

Mas tem um deitado outro no portão
Retorna

Ao ponto


um

do ovo


Quer Sol

de novo


Uma ova!
Despejamento

coletiva


solitária

suspiros


respiros

gemidos


um dois três

quatro oito treze

memória de sol

cheiro
ritual sem acordo

discorda concorda

conflita acorda


som e palavra

desvios assobios

oxigênio bioquímico

puríssima lisergia


O tempo

Cárcere do instante

Transe Estanque.
Um sai

Choque


vocal

Dos saem


Sai

Vai


Vem
O corpo no despejo

Choque de silencio

Água frio corpo triplo

Assim prossegue vinho


Gole de chão

Boca de terra

Tambor ritmo

Tremor impulsivo


Implosivo

O corpo toma

Gole de forma

Argila e palato


Desprendimento
O que faltava

Dá-se por fim

O outro, o outro

O animal carnaval

Serpente serpentina

Enroscamento

Entroncamento

Corpo Plástico


Primitivo Contemporâneo

Transformações

Bote espontâneo


Renata Emrich



AGOSTO

A gosto
COMPROVA: Festival de performance, fisicalidade e ficcionalidade, segredos.
I FESTIVAL PERFORMANCE : A partir das trajetórias e narrativas psicogeográficas dos atores, ocupou-se a vizinhança e espaços internos do Galpão Cine Horto criando composições cênicas de caráter intervencionista. Esta vivência gerou propostas para participar do Festival e trouxe mudanças essenciais ao processo realçando o sabor do trabalho.
Bar-ba-cena - Bar e restaurante recanto do Horto

Quatro horas de intervenção. No lixo, nas mesas, na programação da televisão, no cotidiano do bar. Transformações com máscaras: argila, travesseiro, travestimento.


Cortem-lhe os cabelos - Walquiria esthetic

Quatro intervenções de meia hora. Máscara toca térmica, ela se liga na tomada do salão de beleza e sai elétrica para as ruas.


As Carnes mais baratas do mercado - Frigorífico Moreira

Promoção relâmpago! Desfile de carnes. Atores ofertados, vendidos e carregados.


O ator de plantão – Galpão Cine Horto

Ator parado fica dando tchau e precisa que depositem moedinhas para ele contar uma historinha. (fotos agosto)


CÍRCULO DE NARRATIVAS

FICCIONALIDADES E FISICALIDADE



!

Um homem tão acostumado com jornais ouve e vê noticia em tudo.

“Ele acorda pulando, rebolando, acorda e olha a corda acima da sua cabeça. Ele vê uma blusa rosa, depois lê sua própria blusa- J’ ame Paris. Parada gay é a noticia. Ele vê uma blusa listrada e tenta ler suas entrelinhas. Enfia a cara na barriga da noticia e se esbalda. Ele Super vê uma Super gostosa. Isso abre seu apetite, mas ele sabe que pra matar sua fome o buraco é mais embaixo. Ele sente o peso da noticia.”

“Ela abraça sua irmã e percebe que a menina está molhada, deixa a irmã escorrer preta até o chão frio e escuro, chão negro. Ela arrasta a irmã pelo chão preto.”

“Ele não quer ir, mas a noticia leva ele.” “Ela acaricia a irmã para passar confiança”.

“Ele começa a gostar da notícia que o abraça.”

“Aquela negritude toda a incomoda, tudo preto, o short, o chão, os cabelos. Na sua cabeça passa: Vou clarear tudo com água sanitária”.

“Ele sente a noticia arrastada, escorrendo pelo seu corpo. Até chegar ao fim da página.”.

“Menina de sete anos afoga sua irmã na água sanitária! Ela diz que só queria ajudar!”



!!

“Ela atravessou o corredor para se olhar no espelho. Olhou o cabelo, olhou o cabelo, ela estava ligeiramente descabelada. Foi pra rua. Um homem sorriu pra ela que feliz retribuiu. Encostou-se a uma arvore e quando percebeu estava no chão. Isso chamou a atenção de todos, da louca, do churrasqueiro, do cachorro. Ela ficou parada como se estivesse grudada no concreto. De repente, ela conseguiu andar e ficou assustada, era a primeira vez que andava e desse ponto de vista todas as outras coisas pareciam paradas. Mas tudo era comovente. Então ela escutou a respiração daquele homem do riso e chegou a conclusão que o homem a seguia. A liberdade era assustadora, ela começou a querer se prender de novo e foi quando viu um canteiro. A arvore se lançou a terra e o concreto voltou pra cima dela. Então ela se viu indecisa, lembrava a sensação concreta de sua liberdade passageira.”


SEGREDOS

Preservar o espaço do improviso.

Fazer tapete sonoro coletivo para narrativa individual.

Capturar com olhar os estímulos externos

Atentar para assuntos e polifonia

Sinalizar o discurso: Pra quem se fala?

Munir a fala de ação.

Além de escutar, se deixar atravessar.

Jogar com os universos: coletivo-particular.

Receber, desviar, roubar: o outro.

Respirar. Pausar, Ritmar: Comandos internos.

Escuta séria, estado de recepção.


...
Agarrar a plena significação da vida.

Ser humano ter humanidade ser essência!

Depois de um tempo descobri que minha fome era de humanidade...

Desvendar o humano retirar máscaras e mesmo através delas ser puramente cru...

Para isso:

Uma porção de Simplicidade

Obviedade e detalhes à gosto

Temperos de vivências, agoras e sentidos

Esperar crescer FRITAR FRITAAARR MUIIITOO ATÉ FICAR NO PONTOOO!!!

Jogar ! Mexer mexer mexer...

Experimentar Sempre!

Salgar... Adoçar... Azedar melar!

Misture tudo e vê o que dá o sabor a se degustar...

Atuar como a arte de cozinhar...

Se doar para o outro se deliciar!

Mariana Jacques

SETEMBRO

Os temperos
ADICIONA: Paladar Gourmet, processo digestivo, processo degustativo, processo documentado.

PALADAR GOURMET



Retornos de ensaios abertos
O que é espetacular e o que não é?

O que são depoimentos?


Teatro de ocupação:

primeiro se vive, depois se organiza.

Viver a experiência sem sofrer.
As marcações são propostas, nortes. Não são definitivas.

Não ironizar a condição que relata, vivenciar e poder transformar.

A peça fala sobre a poesia da vida. Essa busca desesperada tem que ficar mais evidente. Como comunicar essa necessidade? Narra, não representar que narra. Insistir na urgência do querer narrar. Uma busca só estética seria uma hipocrisia.

As narrativas estão éticas. Falta experiência e poética. A peça é uma critica feroz. Criticar a sociedade, mas dar a mão para o público. Preservar as pessoas.


PROCESSO DIGESTIVO
Três Lugares
vivência experiência ação

mergulho acúmulo síntese


Compartilhar a crise para superá-la

Estruturação e desestruturação.

O que eu quero com isso?
“Solidão tem uma língua estrangeira que não sei entender,

mas quando ela canta e pega na minha mão...”.

“Amores azuis, janelas quebradas.”

“Queria passar um blush na sua careca!”


“A grade sempre esteve aberta”

“Preciso do meu livramento.”

“Brasil não controla suas usinas nucleares.”
PROCESSO DEGUSTATIVO
A pergunta crucial é: O que eu estou fazendo? O que preciso trazer pra manter meu material vivo? Voltar a poética do ator, do fazedor. O ser só é possível no diálogo. Preciso receber o outro para me reconhecer, compartilhar a crise para sair delas.
Experiência Humana – como isso me atravessa? como trazer a poética? A ação está, tem que ter a natureza de entrega. Como a começo? Para onde a levo? Como eu a levo? Em que ela transforma? O ator deve viver a ação, o que vier é conseqüência.
Pode-se transformar a ação com outro objeto ou sem nenhum, o ator tem que transportar a fisicalidade do que foi descoberto anteriormente.

Como resgatar ações de experiências e se repetir sendo mobilizado sempre?

A ação é conseqüência de sua experiência, é onde você manipula.

Quanto mais o ator mergulha na sua experiência, mais seu material o entranha.

Criar a capacidade de fazer e manipular o que vive.

PROCESSO DOCUMENTADO



Exemplo: Lucas
1º experimento

Local: Sede do Grupo Galpão. Ator se barbeando numa bancada com balas, pirulitos e brinquedos. Ao som da música Tato de Arnaldo Antunes, ele usa uma meia arrastão como mascaramento, calça um sapato de salto vermelho e preto e sai pelo público. Chupando um pirulito, puxando um carrinho e com um urso que reza o pai nosso na outra mão.


Local: Galpão Cine Horto, embaixo da pia do corredor antes de entrar ao teatro. Salto, balas, pirulitos, lanterna, urso que reza o pai nosso, carrinho, meia arrastão, presto barba e escova de dente. Ator chupando pirulito faz a barba e depois raspa as pernas, fazendo um barulho na pia de alumínio. Coloca a meia arrastão no rosto, calça sapatos de salto vermelho e preto. Faz uma trajetória da pia ao portão de entrada, com o urso rezando o pai nosso, o carrinho e dando risadas. Retorna e escova os dentes com agressividade. Limpa a boca com papel higiênico. Repete texto de diversas formas. “Por mais que se reprima nunca seca a secreção,o corpo não é templo, casa nem prisão.”


Local: Sede da Cia Maldita, bancada com balas, pirulito, caixinha de música, papel filme. Ator entrega um pirulito para um homem e fala: Menino brinca com menino. Entrega uma bala para uma mulher e fala: Menina brinca com menina. Entrega pirulito e fala: Homem brinca com homem. Entre bala e fala: Mulher brinca com mulher. Pausa. Quer brincar feminino? Quer brinca masculino? Retira o cinto e começa a brincar de pular corda com ele. Texto: Um dia o homem bateu sua porta e ele abriu, senhoras e senhores, ele colocou as duas mãos no chão, ficou de quatro pé só, só, sozinho e hoje esta no olho da rua. MÃEEEE. Da corda na caixinha de música, pega o papel filme e faz um peito postiço com as balas, envolve todo o rosto com o papel filme, calça o sapato de salto vermelho e preto e sai pelo público.



Texto feito a partir da Psicogeografia: Na porta do açougue ele observa. Quem entra e quem sai. Depois de um tempo, ele dá três passos entra no açougue e observa. Logo pensa: É uma vitrine animal! Peito, coxa, pescoço, sobrecú, língua. Ele olha o açougueiro nos olhos e pergunta: Tem coração? A tá só por encomenda! Ele observa mais um pouco, o peito, a coxa, o pescoço, o sobrecú, a língua. Não tem coração! Logo pensa: É uma vitrine carnal. Ele sai do açougue e caminha pela Av. Silviano Brandão, encontra um homem, pergunta as horas, agradece e caminha. Ele para e olha. O homem também olha. Ele para e olha o homem olha. Ele para e olha o homem parou no ponto de ônibus e ele anda. Até que chega no início de um grande morro. Ele sobe o morro, não tem ninguém. Ele observa casas, apartamentos, paisagens urbanas. Derrepente num ponto alto de uma das casas, entre as folhas de uma amendoeira ele vê um travesti. Diminui os passos até que o muro esconde aquele ser noturno. Para surpresa dele o muro tem um buraco de onde o travesti o observa atentamente, olho no olho. Ele esboça um sorriso e caminha. O travesti fixa um olhar desconfiado, já ele um olhar curioso e medroso.

Local: Banheiro masculino do teatro Galpão Cine Horto: Brinquedos de meninos e meninas, bonecas dentro de camisinhas, balas dentro de camisinhas, pirulitos dentro de camisinhas, meia arrastão no vaso até o sapato de salto vermelho e preto, fotos de homens pelados, diário no papel higiênico, teste de HIV. Texto do Teste: Mas qual doença seria tão perigosa quanto a criatura humana? B.B. Texto do diário no Papel higiênico: “O amor verdadeiro é mais forte e poderoso do que qualquer impulso carnal. Faz parte da natureza masculina a necessidade da variedade. Coração só por encomenda.” Se o coração pudesse pensar ele pararia. F.P.”.O homem que padecer de gonorréia, será impuro. 3 Esta é a lei da impureza por causa da gonorréia. Quer o corpo tenha deixado escorrer o líquido, ou o tenha retido, a impureza é a mesma. Levítico 20:13 . Menino brinca com menino. Homem brinca com homem. Menino brinca com homem? Homem brinca com menino?Com homem não te deitarás, como se fosse mulher, é abominação.Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.Levítico 20:13. Os travestis traem a lógica dualista que dividiu o mundo em masculino e feminino.

Diário de um pedófilo: Envelope com várias reportagens sobre abuso sexual infantil.

Local: Corredor do teatro Galpão Cine Horto. Homens sentados no sofá e mulher em pé uma do lado da outra na parede de frente para os homens. Ator vestido de travesti, rola o diário do papel higiênico. Texto: Homem brinca com homem. Menino brinca com menino. Homem brinca com menino? Ator direciona a cada mulher e dá o texto: Ele se olha no espelho e se acha uma mulher. . .Passa batom. Aquilo ali é uma ilusão. A vida dele é feita de ilusões. Se inicialmente ele imitou uma mulher foi para livrar-se dela, como um dia se livrou do homem. É uma mulher com cabeça de homem. Onde a mulher parou o travesti continuou. Mas o travesti jamais pode ser superior a uma mulher. Um dom que o travesti jamais vai ter é o de gerar filhos . . . Ao som da reportagem do Globo Repórter sobre pedofilia o ator entrega batom, bolsa, óculos e cinto para os homens e vai se desmontando até ficar nu e entrar no banheiro feminino de onde da o ultimo texto. A noite me deseja. Na luz do dia me despreza. A noite desejo, o dia desprezo. Desejo, desprezo.



Carta de uma fome

Eu tenho uma fome. Eu tenho muitas fomes.

Tenho pelo menos mais de 14 fomes.

Quinze pessoas se encontraram sozinhas e mascaradas.

Aos poucos, um a um, foram se abrindo, soltando, desgarrando.

Às vezes doía, outras dava vontade de rir.

Eu, particularmente cheguei de gelo...

Mas o calor desses solos brasileiros me derreteu

Acendeu dentro de meu coração um fogo, muitos fogos...

Meus olhos brilharam de novo.

A fome de um diretor foi compartilhada com 14 atores.

E em vez da fome se expandir em forma de carência,

a fome se expandiu em forma de abundancia.

Todos para todos.

Eu tenho minha fome,

Vou comer da tua e quero que você coma da minha.

As fomes de um, alimentaram outros.

Todos começaram a sentir a satisfação de compartilhar.

De criar junto. De dar um sentido a tudo isso.

Um dia de setembro, nossa parte de terra foi visitada por um gringo,

ele deu um olhar global e falou onde a gente estava.

Do que a gente era parte. O olhar dele mudou nossa urgência.

Para alimentar nossa carne e abençoarmos nosso único material.

O material de que somos feitos e que é motivo de que sintamos essas fomes.

Tomamos decisões, tiramos as últimas máscaras que tínhamos,

Cortamos as raízes que nos aprisionavam. Assumimos nossos corpos de homens,

e mulheres... Assim como são: humanos, celestiais, imperfeitos.

Construímos desde as ruínas nosso próprio céu.

Nossa realidade. Fomos atrás da nossa poética.

Nossa vontade é forte. Carne que luta...

Nessa luta tem vezes que uns comem os outros, ate sem dar conta.

Minha fome num saco de lixo. Meu coração sente as mesquinharias da vida.

De um povo inteiro que apaga seu fogo.

Poderia perdoar e continuar do mesmo jeito. Mas não.

Decidi escrever esta carta. Que não é só minha.

É de gente que é parte de mim e que delas também sou parte.

Nesta carta quero dizer que minha carne, nossas carnes tem uma identidade,

Carne que tem fome, que tem vontade.

Carne que não pode ser vendida.

Minha fome, minha verdade, meu coração...

... Nesta carta declaro:

que a gente avançou com coragem, as portas já estão abertas.
Valeria Fernandez
OUTUBRO

Ou tudo...
TRANSFORMA: roteiro e depoimentos
ROTEIRO: “Docilmente Famintos”: 1. Hora de entrar; os filhos da mãe; 2. Recepção; 3. Café da manhã; o pai e sua musa-coca; 4. Janelas da casa; memórias das irmãsovelhasnegras; 5. Salão de festa; memória do filho en-viado; 6. A primeira cerveja do dia e a ultima dieta; hora do almoço no boteco; 7. O divino no meio disso tudo? 8. O filho sem vale a pena ver de novo; game start. 9. Pac-man: todo mundo se come: game over 10. Hora do jantar: todos tomem seu lugar na mesa.
DEPOIMENTOS:
O que eu, eu mesmo, sem máscara, mulherhomem, escrever-dor de gentes e lugares onde vivo e que engulo sem mastigar, todo dia, atuante e mutante, presente nesta porra do mundo,

quero com tudo isso:
tenho mesmo fome ou isso tudo é apenas uma sensação egoísta que antecede o meu almoço?
sei que a fome daqui de dentro é tanta que sobra,

é tão pouca que continuo faminta.
Por isso, busco estas coisas:

elas começaram a me mastigar e não param mais, sou engolida por inteiro...
Gosto do sabor que deixo na boca de cada um
Esta sensação apetitosa que me leva além de toda mastigação, de toda desintegração.
Apesar de famintos, são dóceis.

Cuidem deles por mim.
Que tudo isso se torne um grande banquete para o espectador:

ácido, delicioso, saboroso, enjoativo, etílico e divino.
Composto na primavera de 2009.

Que as flores floresçam, tornem-se frutos e sejam devorados.
Bom apetite.

Letícia Andrade.

Uma leitura que fazemos é que a linguagem desenvolvida até aqui, tateia nosso encontro no Oficinão, como cada um foi mostrando e tirando suas máscaras.


Máscara Vício Referência ao crack, à coca, ao estado de abstinência e indecisão. Crack como dependência ou sucesso. Dentro destas realidades, saber o funcionamento das coisas. Máscara Margem referência à marginalidade e a visão da sociedade sobre ela. A marginalidade muitas vezes surge do olhar de quem vê e não do olhar de quem vive a situação. Máscara Árvore raízes da condição de mulher. Buscar pelas ruas a afirmação de sua sensualidade. Escravidão na Beleza. A perfeição não se atinge O que é concreto? Máscara Cirúrgica referencia a paranóia atual da higienização. Imposição de regras e procedimentos. Máscara Carne carregada, cortada, exposta na vitrine, comida e depois nada. Representa a condição de carne exposta, preparada, e finita. Máscara Travesseiro revela condições de passividade e negação. Julgamento sem discernimento atitude passiva de espectador - cochilos. Força de influencias externas, limpar a pele negra com água sanitária. Tomar consciência de seu ato culpa? Máscara Boi perfil programado, tele-guiado por vontades impossíveis. Posição de poder, touro, reprodutor. Trabalhador. Máscara Salva-vidas Revela ou ao menos tenta salvar o divino. Responsável pelas portas da percepção entre o drama e a ficção, guia como Deusa. Máscara Artista Representa o artista que não desiste, porém revela sua condição de homem instalado. Como artista propõe representações diversas. Deixa de ser homem máquina e descobre seu poder manipulador da máquina e da vida. Máscara Transformer travestimento e transformação do corpo da mulher para o corpo do garoto e vice-versa. Desmonta-se e se transforma. Duas condições a que vende bombom e a de bombom Máscara Orlando argila e concreto, estabelecimento. Desconstruir e reconstruir. Transformar situações trágicas em bem resolvidas. Máscara Gorda escudo literal” em que algumas pessoas vivem presas. Exibe uma condição não aceita esteticamente, o que deveria ter ou fazer para ser aceita? A carne está sendo maltratada? O corpo é o espaço onde a alma habita? Hábitos novos, gostos antigos Máscara Vaca “musa do consumo”. Condição publicitária. No amor, se entrega se vicia. Rumina sua condição vaca e prevê mais possibilidades. Todo um mundo, uma carreira e se deixa ir Máscara Cordeiro contato espiritual com a carne que alimenta nossos corpos. Ritual de preparação. Dualidade entre o sacrifício de purificação de sua própria carne e a carne a ser comida. Máscara Lixo representa restos do mundo, tanta coisa acumulada para preencher sua vida e no fim tudo é nada. O Lixo-espaço individual de alienação. Sair para ser parte. A infelicidade faz parte de todas essas coisas que não passam de lixo.


Valéria Fernandez e Renata Emrich

Salva Vidas - Eu sou Juliana Capibaribe...


Eu tenho uma fome platônica:

Busco a cópia de mim mesma embora tente fugir de um simulacro.

Verdade?
‘’Parta de uma pessoa Capi, o coletivo se aciona quando você parte de uma pessoa. ’’

(palavras do diretor)
Na busca de organizar o caos, de eleger a tão difícil escolha; sigo nessa direção divina a caminho de uma entrega una. O corpo tenta acompanhar a vibração de cada palavra dita e tudo vai se transformando numa onomatopéia até que silencio. Impermanência.

Improviso. EURECA! As relações são reais. As lembranças dos encontros dentro e fora de sala de ensaio devem servir como mote. Salve as mudanças de ordem das cenas, dos textos, do lugar da platéia; salve as conversas no bar do seu Cícero, banquetes na Gruta, churrasco no sítio.



Verdade.
‘’Hoje quando voltava do Oficinão vi num bar aqui próximo de casa um homem cantando num Karaokê. Ele trabalha lá. O dono será? Era uma música brega qualquer. Depois de pensar e pensar o que preciso criar pra amanhã. (Ai como queria ter uma viagem assim como a Fabi!) Depois de tentar explicar e fazer entender o que nem eu sei direito o quero dizer. Vou cantar. Ah, amanhã vou cantar! Coragem!’’

Do diário pessoal

Insônia ou Indigestão?

Belo Horizonte, Outubro de 2009. 03h45min h madrugada
O desejo de cozinhar e comer eram tamanhos que fui com muita fome a gamela. Acabei me lambuzando, enfartando no Café da Manhã, o inicio de tudo, sua fartura de novidades, proposições, experimentos, idéias, vivências e principalmente prazer. Por seguidas vezes cheguei a pensar que este seria o restaurante ideal! Porém me sinto com uma indigestão tão grande agora no Almoço que nem sei o que irei preparar para comermos no Jantar. Saborear para mim esta sendo algo meio difícil ultimamente, tenho a leve impressão que meu prato está frio ou que se esqueceram de colocá-lo na geladeira para requentar na segunda-feira de ressaca. Prato de comida de domingo que pela variedade do almoço, ficou ali largado. Já não sei mais que temperos colocar para salvá-lo. Por hora, ficar em cima da mesa ou dentro desta estufa esperando, aumenta a ansiedade e os medos. As perguntas de hoje não são nada instigantes e transformadoras como às de antes. As insônias de agora não são tão aproveitadas para o prato do dia seguinte. Repenso minha responsabilidade enquanto cozinheiro. O que estou preparando para servir nossos convidados? Tentei fugir de vários pratos que julguei não serem apetitosos que eles já estão acostumados a engolir goela a baixo. Será que estou só na receita? Sinto a necessidade do gourmet para o refinamento da alimentação, os convidados já estão na porta para o jantar, será que ainda tenho algum tempo, ou servirei cru, mal passado, frio, queimado?

Lucas Ferreira
Sobre o apetite
Talvez tão dolorido quanto sentir fome de comida (daquelas que ardem fundo no estomago), seja não sentir fome alguma. Ausência de apetite.Quando me perguntaram, no início do processo, qual a minha fome, respondi ser fome de vida. Depois decupei essa fome, tentei focar (afinal a vida é muito ampla!), e cheguei primeiro em fome de estar, de ser, de pertencer, de decidir, metamorfose ambulante. Só agora chego à conclusão que minha fome maior (o que não anula e sim engloba e ao mesmo tempo define todas as outras), é a fome de TER FOME. Digo isso em todos os sentidos da palavra: literais e subjetivos. Comprovo dizendo que até engordei 5 quilos durante o processo.
É certo e até repetitivo dizer que cada artista possua seu próprio ritmo. Isso se amplia ainda mais em um processo onde cada um traz bagagens e vivencias tão estrangeiras ao todo. De mim, posso dizer que cheguei num tempo vazio, em que teatro era apenas uma lembrança de livros e técnicas da saudosa faculdade (quando não se está ativo em algo, talvez seja apenas a técnica que reste). Estava vazia, numa vida técnica: acordar, escovar os dentes, trabalhar, mastigar... Caí ali meio que por acaso, meio que por instinto. Descrente de muita coisa, magra, mecânica.
Foi difícil estar presente, foi muito difícil dizer quem eu era para tantos desconhecidos (mesmo que para dizer não se precise saber a resposta). Perder o pudor.

Talvez tenha conseguido pertencer realmente ao processo quando em uma crise pedi ajuda. Eu escolhi estar ali. Tive que decidir me entregar, deixar de lado outros trabalhos, dinheiro, sentir às vezes fome física e real. Ter vontades consumistas de beber refrigerante, comer um bom prato de comida, coxinhas gordurosas, ir ao salão de beleza, falar, olhar nos olhos, errar... Saber sentir essas coisas para poder falar sobre. Em meio a tantos famintos, tive que correr para construir a minha fome.


De repente uma grande teia se formou. Os estrangeiros já não eram tão estranhos... Tive enfim fome de pessoas. Desejo de envolver, triturar, digerir, sugar cada um. Enquanto eu mesma me doava. Dizem que o importante é o caminho. Que isso possa ser lido no resultado final. No começo do processo as questões já estavam escritas e eu nem sabia...
Que seja integro como um desenho dado por uma criança em aprendizado. É integro e bonito, porque mesmo torto, é o melhor que ela pode dar. Que seja doce (mesmo que amargo e azedo)... E que o apetite nunca termine!
Ana Flávia de Faria

NOVEMBRO

Nos veremos...
SER-VIR.

Espaço reservado ao freguês

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Críticas e Sugestões para o

Prato do dia

Galpão Cine Horto - Oficinão Residência - Belo Horizonte/2009
Direção: Lenine Martins

Dramaturgia: Letícia Andrade

Direção musical: Ricardo Garcia

Preparação Corporal /Oficina de Máscara e Grotesco: Juliana Pautilla

Preparação Vocal: Cristiano Peixoto

Cenografia: Ines Linke

Figurino: Mônica Andrade

Criação de Luz: Felipe Cosse e Juliano Coelho

Assistência de Dramaturgia: Andréia e Renata

Equipe de Cenografia: Mariana, Patrícia e Juliana

Equipe de Criação Gráfica: Gabriel e Ranata

Equipe de Figurino: Ana Flávia, Fabiana e Lucas

Maquiagem: Fabiana Martins

Equipe de Iluminação: Juliana e Leonardo

Equipe de Produção: Daniela, Gabriel e Valeria

Equipe de Sonoplastia: Juliana e Válber

Autoria de textos: narrativas dos atores e de Letícia Andrade

Organização dos registros do programa: Renata Emrich



Fazedores-criadores

Ana Flávia Faria


Andréia Duarte
Daniela Perucci
Elise dos Santos
Fabiana Martins
Gabriel Coupe
Juliana Capibaribe
Leonardo Souza
Lucas Ferreira
Mariana Jacques
Patrícia Lanari
Renata Emrich
Válber Palmeira
Valeria Fernandez
Agradecimentos:

(por vir...)

Amaury Borges, Casa de Passagem, Boteco do Cícero e da Lu, Luiz Alberto de Abreu, Maldita Cia de Investigação Teatral, Padaria da Valeria, moradores e ruas do Horto. Walquiria esthetic, Frigorífico Moreira.Publico que assistiu aos ensaios abertos



Hermandad argentina-brasilera los musos musicos argentinos Bersuit Vergarabat “no hay nada mas antiecológico que un infeliz “.
Luciana Monte-Mor, Tulio Sieiro, Maicon Sipriano,





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