Complexo Viário Tropeiro Mestre Zé Mira



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PROJETO DE LEI Nº 1384, DE 2014
Da denominação de "Complexo Viário Tropeiro Mestre Zé Mira" ao trevo situado no Km 23+100 da Rodovia Dos Tamoios, - SP 099, no Município de Jambeiro.



A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º - Passa a denominar-se “Complexo Viário Tropeiro Mestre Zé Mira” o trevo situado no Km 23+100 da Rodovia Dos Tamoios, - SP 099, no Município de Jambeiro.
Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.


JUSTIFICATIVA


JOSÉ ALVES DE MIRA, Mestre Zé Mira, como é carinhosamente conhecido, nasceu em Cristina-MG, em 24 de outubro de 1925. Seus pais José Rodrigues de Mira, natural de Pouso Alto-MG e Albertina Maria de Jesus de Mira, nascida em Cristina-MG.
Faleceu no dia 23 de agosto de 2008, na Santa Casa de Misericórdia em São José dos Campos-SP.
Foi casado com Nair Toledo de Mira, natural de Cristina-MG, que faleceu no dia 28 de dezembro de 2007, também na Santa Casa de Misericórdia em São José dos Campos-SP. Tiveram 12 filhos, dos quais 3 faleceram ainda bebes e criaram os outros 9, com muito amor, carinho, honestidade e bondade. Ao falecer, o casal deixou 24 netos e 5 bisnetos.
Uma lenda, assim poderia ser definido Zé Mira. Um caipira que veio de Cristina, Minas Gerais, de onde saiu com 19 anos incompletos, para descobrir novas trilhas pelo Vale do Paraíba, Dividindo seus dias entre Jambeiro e São José dos Campos, e preservava a sabedoria ingênua e descompromissada de um homem da roça.
Na cidade de Jambeiro-SP, Zé Mira era proprietário do Sítio São João Batista. A família reside até hoje em São José dos Campos-SP. Ele fazia o percurso de 4 km, do Sítio para Jambeiro, a pé, pelo menos duas vezes por dia. De Jambeiro, Zé Mira ia de carona ou de ônibus para São José dos Campos. Muitas caminhadas de Jambeiro até a Rodovia dos Tamoios, Zé Mira fazia a pé, para cumprir com seus compromissos em São José dos Campos.

A vida desse homem, que fez do folclore da região a sua rotina, foi transformada no livro "Nas Trilhas do Zé Mira - Um Caipira Mira o Vale do Paraíba", com fotos e textos da jornalista Lídia Bernardes.

Para Zé Mira, todo o trabalho de três anos que envolveram a produção do livro foi a realização de um sonho. Ele não tinha idéia de que a vida dedicada à preservação da cultura popular era suficiente para um livro. "Nunca pensei nisso, pra mim é obra do Divino Espírito Santo", disse.

Com a simplicidade do menino que aos sete anos de idade, no bairro do Cachoeirinha onde morava, aprendeu a tocar cavaquinho com seu pai, não freqüentou escolas, portanto, Zé Mira não aprendeu a ler nem a escrever. Todavia, a natureza não lhe poupou em sensibilidade. Em sua música Minha Infância, conseguiu passar com poesia o que era sua vida naquela época.

“Cum sete ano di idade

Já pegava no pesado

Menino de carça curta

E de carcanhá rachado...”

Dono de uma simplicidade única, foi fonte de sabedoria popular e muito contribuiu para a preservação desta cultura na região do Vale do Paraíba.

Em são José dos Campos, quando chegou, nos idos de 1969, trabalhou como servente de pedreiro ajudando a construir o Estádio Martins Pereira, casas no Jardim Esplanada e o prédio da Clínica de Repouso Francisca Júlia. Era tão bom no que fazia, que de servente passou a encarregado de obras onde participou também das reformas de galpões da Embraer.

No sítio São João Batista, Zé Mira plantava e colhia arroz, feijão, milho, café, além do cultivo da horta. Fazia fumo de rolo, torrava café, tirava leite e cuidava da criação. Foi com o cultivo da lavoura e da pecuária que Zé Mira, ao lado de dona Nair, criou e contribuiu para a formação dos filhos.

Nas horas de folga, lá estava ele com acordeom ou cavaquinho ou violão, cantando as músicas de seus ídolos Tonico e Tinoco, Pedro Bento e Zé da Estrada, Tião Carreiro e Pardinho, dentre outros da época. Como ele dizia: “trabaio no braço da inxada durante a semana e discanso o braço na viola nos fins de semana”.

Zé Mira foi um grande divulgador do folclore. Era compositor de 23 músicas, ressaltando a vida do homem no campo, da natureza, de política dentre outros temas, cantador de música caipira e contador de “causos”. Aos domingos pela manhã, era sagrada sua participação e de seus companheiros de cantoria na Manhã Sertaneja (batizada por ele), no mercado municipal de Jambeiro.

Zé Mira, mira, Catira, Jongo, Poesia, Música, Viola, Violão, Cavaquinho e Acordeom.

Zé Mira, professor das professoras, no Moçambique e no catira.

Zé Mira recebeu os títulos de Cidadão Joseense e Cidadão Jambeirense, por sua grande contribuição para com a cultura da região.

Mira tropeiro, moçambiqueiro, agricultor, pedreiro e lavrador.

Zé Mira canto, encanto, amor e paixão.

Paixão pela preservação da natureza. Pelas criações, pelos pássaros, pelos rios e cascatas.

Zé Mira, mira o Rio Paraíba e enxergava as garças brancas, “voano pelo sereno i posano nas barranca”, mas não conseguiu ver os peixes. Defendeu esse patrimônio “dado pur nosso Sinhô” através de bela canção, alertando as autoridades governamentais com a música Tributo ao Rio Paraíba que diz: “tem um doénti im nosso meio / ele não pódi morre / pra sarvá esse pacienti / só dependi di você / não tem remédio i nem médico / qui faça ele vive / ele não pódi morre...”


Zé Mira foi incansável. Fez parte do Patrimônio Cultural da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, onde participou do grupo Piraquara por mais de 15 anos, tocando cavaquinho, cantando e ensinando a dança de Moçambique. Foi Mestre do Grupo Raízes do Vale, conjunto musical de músicas raízes, do qual fazem parte sua filha Marina e seu neto Tiago, os quais o acompanharam por muitos anos em suas cantorias.
Ouvir Mestre Zé Mira, sua luta pela sobrevivência, seus causos, suas canções, sim, ele foi também compositor com mais de 25 letras de músicas. Embora analfabeto, retratou em suas melodias, problemas voltados para com a natureza, o homem do campo, a política e a justiça de nosso Pais, nos fez voltar às origens do homem do campo, das brincadeiras de criança, dos mutirões nas grandes fazendas, enfim, era como viajar no tempo, descansar e relaxar.
Compôs CPI do Congresso, quando da saída do presidente Collor do governo “... PC fugiu do país / I feiz a maió bestera / pulano di gaio im gaio; i caiu na ratoera...”. Compôs Justiça sem Juízo, que diz: “... Na cidadi di Brasilha / veja só o resurtado / os filhinho di papai / i até di deputado / pusero fogo no índio / mataro o póbri queimado / os assassino foro preso / logo foro preso, libertado, aaai / o índio num foi respeitado...”.
Mestre das Folias de Reis e do Divino, e do Moçambique, Zé Mira teve a religiosidade muito presente em sua vida. Devoto de São Benedito por ter sido abençoado com a cura de uma das pernas, Zé Mira prometeu ao Santo, só deixar de dançar e ensinar o Moçambique até quando Deus quisesse. Ele compôs uma oração para São Gonçalo, protetor dos violeiros e, antes de iniciar qualquer apresentação, respeitosamente tirava o seu chapéu e dizia: “me vale meu São Gonçalo /bão amigo i cumpanhero / eu lhe peço proteção, protetor dos violero, / nóis tamo aqui riunido / espero não seja o primero / qui Divino Espirto Santo, seja o nosso cumpanhero”.
Mestre Zé Mira foi um sonhador. Por muitos anos lutou na cidade de Jambeiro para conseguir um espaço onde pudesse ensaiar o Moçambique com as crianças, crianças as quais ele tirou das ruas, do uso das drogas. Os governantes que por lá passaram não deram ouvidos aos sonhos de Zé Mira.
A família muito lutou e conseguiu através do patrocínio da Bandeirante Energia, um espaço para visitação pública, onde foi inaugurada em 15 de março/2004, a Casa de Cultura Caipira Zé Mira, onde estão em exposição permanente as tralhas da vida de carreiro, tropeiro, pedreiro e lavrador, além de uma belíssima exposição de fotos das atividades desenvolvidas por Zé Mira, da fotógrafa e jornalista Lídia Bernardes que colocou em sua obra literária Nas Trilhas de Zé Mira, um caipira mira o Vale do Paraíba toda a sua trajetória de vida. No espaço, Zé Mira tomou o cuidado de construir uma casa de pau-a-pique, chamada Casa Caipira Pilito, como era carinhosamente chamado pelos netos, o seu saudoso pai José Rodrigues de Mira. Na casa o visitante conhecerá o colchão de palha, a cama de tarimba, o fogão à lenha, e a cultura dos habitantes da casa.
Colaborou para a criação do acervo de dois museus, doando peças pessoais: Museu Municipal de São José dos Campos e Museu do Homem do Campo, no sítio Santa Maria do Tapanhão em Jambeiro.
PARTICIPAÇÕES ARTÍSTICAS
FESTA DE SÃO BENEDITO

- Apresentação com o Moçambique de Jambeiro;

- Procissão com o carro de boi cantador

- Oficina de pião de reio


GRUPO PIRAQUARA – atividades anuais

- Grupo Pirô-Piraquara

- Auto de Natal

- Comissão de apoio ao Grupo

- Revelando São Paulo – Parque da Água Branca - SP

- Revelando São Paulo – Parque da Cidade - São José dos Campos

ENCONTRO DE FOLIA DE REIS
ORQUESTRA DE VIOLA CAIPIRA

- 1992 – PROGRAMA JÔ ONZE E MEIA – TV Globo - com a Orquestra de Viola Caipira

- 1997 – PROGRAMA VIOLA MINHA VIOLA – TV Cultura – com a Orquestra de Viola Caipira

- 2000 – PARTICIPAÇÃO DO ENCONTRO DE VIOLEIROS – Sesc Pompéia-SP

- MÚSICAS GRAVADAS EM CD´S da Orquestra de Viola Caipira: Garça Branca e Tributo ao Rio Paraíba – CD Paraíba - O Rio da Minha Terra; Casal de Roça e Os PintosCD Modas e Violas do Vale; Viola de Pinho – CD Feito na Roça.
LIVRO E CASA DA CULTURA
1998 – Lançamento do livro NAS TRILHAS DE ZÉ MIRA – UM CAIPIRA MIRA O VALE DO PARAÍBA – objeto de pesquisa patrocinado pela Petrobrás, através da Lei de Incentivo Fiscal (LIFE) – da jornalista e fotógrafa Lídia Bernardes.
2004 – Inaugurada a Casa de Cultura Caipira Zé Mira, onde estão expostas as suas tralhas, bem como uma belíssima exposição fotográfica retratando a sua trajetória de vida.
ENTREVISTAS E PALESTRAS
1997 – PROGRAMA GLOBO RURAL – TV Globo

1999 – PROGRAMA LEILA FERREIRA - Rede Minas

TV VANGUARDA: Garoto Propaganda da TV Vanguarda: “E Vanguarda ponto com, E trem bão”.

Entrevistas: Jornal Vanguarda – Vanguarda Comunidade – Papo Vanguarda

JORNAL O VALE – inúmeras reportagens sobre a vida do Mestre Zé Mira.

PALESTRAS: Deu várias palestras sobre a cultura popular em escolas municipais, estaduais e particulares do município de São José dos Campos.


CERTIFICADOS, TÍTULOS E HOMENAGENS
1990 – participou da Saga Tropeirista – Fundação Nacional do Tropeirismo – São José dos Campos

1992 – Projeto 12h30 – Fundação Cultural Cassiano Ricardo – FCCR

1992 – PATRIMÔNIO HUMANO HISTÓRIA ORAL – Fundação Cultural Cassiano Ricardo

1997 – TÍTULO: CIDADÃO JOSEENSE – Câmara Municipal de São José dos Campos

1997 – HOMENAGEM DA COMUNIDADE JAMBEIRENSE – Tropeiro

1998 – TÍTULO: CIDADÃO JAMBEIRENSE – Câmara Municipal de Jambeiro

2001 – II Encontro de Violeiros – Museu do Folclore – FCCR

2003 – Sócio de Honra – Unesco – Comissão Nacional e Paulista de Folclore

2003 – Seminário Tradições Populares Hoje – Univap, CCP, Museu do Folclore e FCCR

2003 – III Encontro de Violeiros – Museu do Folclore - FCCR

2004 – Mesa Redonda – Dia Internacional de Museus – FCCR

2004 – Cidadão Benemérito da cidade de Cristina - MG

2005 – Diploma de Mérito Cultural – Prefeitura Municipal de Caçapava

2007 – 4º Encontro Regional da Ação Griô Nacional – Presidente Getúlio – Santa Catarina

2008 – 12ª Semana de Comunicação e Turismo e 3ª Semana de Moda – Univap

Jogral: Nas Trilhas de Zé Mira – homenagem dos alunos da 2ª Série – Prof. Daniela Eufrázio


23 de Agosto de 2008 – Falecimento
2008 – Homenagem da Cia Cultural Bola de Meia;

2009 – Homenageado no Revelando São Paulo – São Paulo;

2010 – Homenageado no Revelando São Paulo – São José dos Campos;

2013 – Homenagem da Escola, com a inauguração da Biblioteca em seu nome;



2014 – MESTRE IN MEMORIAN – FCCR – São José dos Campos.



Sala das Sessões, em 25-11-2014.
a) Hélio Nishimoto - PSDB



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