ComunicaçÃo empresarial



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Comunicação Empresarial

Português

Como você avalia o texto a seguir?

Que tipo de problemas encontra nele? Tente diferenciá-los.

Senhores de “Marketing”


Com muito respeito:
Tendo em vista este grande relacionamento de muitos anos com esta Empresa, consideramos explicar fatos que estão acontecendo. Para seu conhecimento e rápidas providencias, seguimos com os fatos acima arrolados.

Apartir do dia 4 de janeiro último, fomos surpriendidos com a troca de vendedor (Sr. Cláudio), por esse outro vendedor que colocaram (Sr. Rafael): passamos a ser atendidos por um profissional de poucos recursos, onde esse vendedor não explica às nossas necessidades de informação sobre os produtos, durante o mes de fevereiro as visitas foram interrompidas e retomada mostrando o desinteresse em vir nos atender.

Em março teve preços com reajuste sem prévio aviso quando não sabíamos, assim, ninguém consegue prever a necessidade financeira, causando todo tipo de transtornos. O antigo vendedor anteriormente nos informava as novas “lista de preços” sempre com antescedência.

Em vista, pedimos informações, já que sabemos de nossos direitos como clientes.

Obrigado!


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CARACTERÍSTICAS GERAIS DO TEXTO

COERÊNCIA




O que é?

Articulação temática dos componentes do universo textual que se unem de forma a garantir reciprocidade e relevância entre os usuários.



Como se consegue?



Articulação Temática: todos os enunciados de um texto se articulam em torno de um tema, e a mudança de tema se explicita devidamente.
Ordenação conceitual: as ideias aparecem ordenadas e hierarquizadas.
Aproveitamento de Pressuposições: informação que o emissor pressupõe que o receptor conhece.
Conhecimento de mundo: Abrange tanto o conhecimento das convenções de um meio ou de uma situação, quanto o saber adquirido pelos interlocutores mediante experiências, leituras, vida profissional, etc. Por exemplo, ao ouvir, na música “Codinome Beija-Flor”, de Cazuza, no fragmento “dizer segredos de liquidificador”, devido a nosso conhecimento de mundo, inferimos que a referência não é propriamente a um liquidificador.
Adequação ao contexto: Finalidade e situação comunicativa em que o texto se produz. A coerência de um texto depende, também, de sua adequação ao contexto em que é produzido. O enunciado anterior “Saber segredos de liquidificador” tem pertinência e coerência na canção de Cazuza e seu contexto poético.

Observe os enunciados a seguir:


A maioria dos professores, de qualquer grau, concorda em que os alunos não lêem, não gostam de ler e têm dificuldades para compreender o texto escrito.

Muitos relutam em assumir sua parcela de responsabilidade na formação do aluno leitor.

A escola deveria ser o local de “aprendizado da leitura” por excelência.

A escola acaba atuando ao contrário.

A escola usa o texto fragmentado (muitas vezes sem referência de título e autor).

O texto aparece no livro didático apenas como escada para o ensino de gramática.

O professor, na verdade, acaba “ensinando” que a leitura é uma atividade chata, inútil e que provoca sofrimento.
Estes enunciados constituem um texto?

A maioria dos professores, de qualquer grau, concorda em que os alunos não lêem, não gostam de ler e têm dificuldades para compreender o texto escrito, porém muitos relutam em assumir sua parcela de responsabilidade na formação do aluno leitor. Assim, a escola, que deveria ser o local de “aprendizado da leitura” por excelência, acaba atuando ao contrário: ao usar o texto fragmentado (muitas vezes sem referência de título e autor) que aparece no livro didático apenas como escada para o ensino de gramática, o professor, na verdade, acaba “ensinando” que a leitura é uma atividade chata, inútil e que provoca sofrimento.


SAMPAIO, I. S, apud MOYSÉS, C. A. Língua portuguesa – atividades de leitura e produção de textos, pp. 23-24.
COESÃO

O que é?

Propriedade textual que garante a continuidade de significado em um texto, produzindo vinculação entre segmentos e parágrafos.



Como se consegue?

Através de topicalização, coesão lexical e mecanismos lingüísticos.


Topicalização: transferência de algum elemento do texto à posição inicial.
Coesão lexical: é um tipo de coesão como a coesão pronominal ou verbal que possibilita relação de significado entre partes do texto. Principais mecanismos de coesão lexical: co-referência, sinonímia, antonímia, hiperonímia, hiponímia.
Mecanismos linguísticos: conectivos, elementos de co-referência a pessoas e coisas, morfemas verbais, advérbios de tempo e lugar.
Conectivos: palavras ou locuções que conectam partes do texto estabelecendo entre elas uma relação semântica, por exemplo, causa, conseqüência, condição, oposição, equivalência, etc.



  • As conjunções e alguns advérbios funcionam como conectivos.

Ingressei na faculdade a fim de ascender socialmente. (finalidade)

Ingressei na faculdade porque pretendo ser tecnólogo. (causalidade)

Ingressei na faculdade depois de concluir o curso técnico. (temporalidade)

Ingressei na faculdade embora houvesse muita concorrência. (oposição)

Ingressarei na faculdade se passar no vestibular. (condicionalidade)

Ingressei na faculdade e consegui um trabalho novo. (adição)

Ingresso na faculdade ou viajo para o exterior. (disjunção)



Alguns conectivos segundo a relação que estabelecem:


adição

e, também, não só...como também, tanto...como, além de, além disso, ainda, nem, etc.

causalidade

Porque, visto que, já que, uma vez que, pois, etc.

condicionalidade

se, caso.

conformidade

conforme, segundo, consoante, de acordo com.

disjunção

ou...ou, seja...seja, quer...quer, ora..ora.

finalidade

para, a fim de, para que.

oposição

mas, embora, porém, todavia, contudo, no entanto.

temporalidade

quando, enquanto, antes que, depois de, depois que, logo que, assim que, no momento em que, etc.

consequência

portanto, logo, pois, então, por conseguinte, por isso.

comparação

tanto(tão)...como, tanto(tão, tal)...quanto, mais...(do)que, assim como.


Elementos de co-referência a pessoas e coisas


  • pronomes pessoais sujeito;

  • pronomes pessoais complemento;

  • pronomes demonstrativos;

  • pronomes possessivos;

  • pronomes relativos


Exemplo:

Ricardo diz que está muito feliz no novo emprego. O pai dele não acha que isso seja verdade.


  • morfemas verbais


Exemplo:
Uma empresa faz parte de um contexto social e, por isso, precisa valorizar as pessoas e as iniciativas comunitárias.
A natureza plural da instituição acadêmica oferece ao estudante a observação permanente do conflito das idéias, que é um dos mais apaixonantes fenômenos da vida intelectual. Com os elementos recolhidos nessa observação cotidiana, o jovem constrói livremente seu projeto de vida, desenha seu perfil de cidadão pensante, aprende a compreender a diversidade.



  • advérbios de lugar e tempo


Exemplo:

Perto da faculdade havia uma lanchonete. Costumávamos ir depois das aulas.




Exercícios:

I) Leia este texto de Jô Soares e responda às questões:


O perigoso vírus
Não sei se é verdade, mas circula um boato nos meios da Informática de que está sendo preparado um novo vírus de computador, feito especialmente para interferir nos programas que escrevem os discursos do presidente. A característica mais fantástica desse vírus é que sua influência, ao contrário dos outros, não aparece dentro da máquina, mas apenas na hora que ele é instalado no teleprompter, aparelho que permite às pessoas ler olhando diretamente para a televisão. É o que se usa normalmente nos telejornais, e teme-se que o vírus depois se propague, mas a intenção inicial é colocá-lo apenas para os discursos presidenciais. Não há dúvida de que esse vírus vai revolucionar e dinamizar todos os pronunciamentos feitos à nação. Os testes realizados têm sido muito promissores, mas ainda faltam alguns aperfeiçoamentos, pois, por mais que mexam na programação, o vírus ainda insiste em dar algum nexo a certos trechos do discurso. Os técnicos acham que esse pequeno problema poderá ser resolvido em pouco tempo, inclusive com o auxílio do próprio texto dos pronunciamentos, já fico pensando nas maravilhas que poderiam acontecer. Oito horas da noite, todos sentados em frente à televisão, ansiosos pelas palavras do presidente, entra o emblema anunciando a cadeia nacional, contam-se os segundos regressivos e aparece a imagem simpática e “descontraída” do presidente. Olha direto para a câmara e começa:


Senhoras e senhores, moços e moças. É fundamental, antes de tudo, que neste pronunciamento eu informe à nação que o rato roeu a roupa do rei de Roma.

Mas só os pessimistas não percebem que isso nunca impedirá o nosso desenvolvimento porque, enquanto a aranha arranha a jarra, a jarra a aranha arranha.

É claro que ainda não dominamos a inflação, mas continua a nossa luta contra esse monstro, esse pato, que papou a pinta do Pluto, e o papa, num papo, passou um pito no Pepe, que pintava pipa no pé da papaia.

Aos detratores da nossa política econômica, respondo que o nosso desenvolvimento jamais se fará farinha farinhada, porque não esfarela farofa de faroleiro fazendo farol, e às favas o povo.

Evidentemente que o Brasil é um país de características próprias, pois se aqui nevasse aqui se usava esqui, mais como aqui não neva aqui não se usa esqui.

Não posso deixar de dizer também que não sou daqueles que se intimidam na hora da batalha. Quanto maior o desafio, maior o meu empenho prenhe de pinho de pamonha do pampa.

Finalmente, para terminar, pois já está na hora da novela, afirmo que é claro que, quando aqui cheguei, constatei na hora que aqui há eco e que aqui o eco há. E aos céticos ”que me perguntarem: “O quê? Aqui há eco? Aqui há eco? Que eco é? ” Eu respondo sem medo: “É o eco que há cá.”





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(Veja, 2/2/94.)

1. Considerando a situação em que o presidente fala à nação, ao término de cada parágrafo há um corte que desarticula a nossa expectativa em relação ao discurso político, podemos afirmar que este procedimento interfere na coerência ou na coesão. Justifique sua resposta.

2. Identifique, nos três primeiros parágrafos do discurso do presidente, marcas de coesão textual que indiquem:
Temporalidade: ____________________________________________________________________________

Causalidade: ______________________________________________________________________________

Simultaneidade: ___________________________________________________________________________

Oposição: ________________________________________________________________________________


3. A que elementos do texto se referem os termos destacados abaixo:
a) ele (linha 6) ____________________________________________________________________________

b) lo (linha 8) _____________________________________________________________________________

c) esse pequeno problema (11) ________________________________________________________________

II) Selecione dentre as opções apresentadas as conjunções que completam as frases.
a)A conversa era tão chata __________________ ele ficou aborrecido

(ainda que – no entanto – entretanto – que – mesmo que)


b)Fez as modificações _________________ não estivesse de acordo.

(mal – embora – tanto que – caso – já que)


c)Não foram encontrados os requerimentos ________________ os memorandos.

(e – portanto – ao passo que – senão – nem)


d)Perderás o prazo de pagamento, ___________________entregues a documentação a tempo.

(desde que – à medida que – tanto que – a menos que – posto que)


III) Para evitar a repetição e manter a coerência, una as duas frases e substitua os termos sublinhados pelos pronomes relativos convenientes apresentados dentro dos parênteses.
a) Eis as fotografias. Sua revelação apresentou defeitos.

(cuja – que – da qual – as quais – pelas quais)

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b) Comprarei os fichários naquela loja. Irei àquela loja na próxima semana.

(onde – aonde – em cuja – da qual – a qual)

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c) Encontrei o desembargador. Entreguei a petição ao desembargador.

(que – do qual – pelo qual – a quem – cujo)

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IV) Junte os pares de orações abaixo, iniciando conforme se sugere, de tal forma que entre elas se estabeleça a relação indicada. Faça as alterações que forem necessárias.
1.1-Relação de consequência


  1. O dia estava tão frio.

  2. Resolvemos ficar em casa.

O dia estava tão frio __________________________________________________


1.2-Relação de concessão

  1. Seu projeto foi recusado.

  2. As explicações foram convincentes

Embora ____________________________________________________________


1.3-Relação de finalidade

  1. Resolvemos ficar em casa

  2. Assim poderíamos descansar.

Resolvemos ficar em casa ______________________________________________


1.4-Relação de proporção

  1. Ele crescia.

  2. Ele ficava mais magro.

À medida que _______________________________________________________


1.5-Relação de comparação

  1. Ele era estudioso.

  2. Todos os outros alunos da turma eram estudiosos.

Ele era tão __________________________________________________________


1.6-Relação de tempo

  1. Meus amigos vieram visitar-me.

  2. Cheguei de viagem.

Assim que _____________________________________________________________


V) Organize as frases em pequenos textos. Empregue os conectivos adequados e faça as adaptações necessárias. Você poderá usar também pronomes que retomem as ideias anteriores.


  1. O exemplo dos pais que lêem é fundamental.

  2. A criança encara a leitura como uma atividade em seu cotidiano.

  3. Produzir-se-á na criança a ideia de que a leitura é importante como lazer e como meio de procurar respostas às suas perguntas.



O exemplo dos pais que lêem é fundamental para que a criança encare a leitura como uma atividade comum em seu cotidiano. Isso produzirá nela a ideia de que a leitura é importante não só como lazer, mas também como meio de procurar repostas às próprias perguntas.

1.


  1. Nenhuma recessão é boa.

  2. Ela provoca desemprego, quebra de empresas, arrasa a poupança das pessoas, faz com que a sociedade se mova num terreno minado pela insegurança e pela intranquilidade.

  3. Alguns economistas gostam de recessão.

  4. A recessão pode ser, segundo eles, o remédio extremo para que as contas do país sejam colocadas em ordem.

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2.

  1. Os Estados Unidos têm uma dívida de um trilhão de dólares.

  2. Essa dívida é simplesmente rolada.

  3. Não interessa aos outros países exportadores que baixe o poder aquisitivo do povo americano.

  4. Ela está sendo em parte compensada pelos juros cada vez mais altos cobrados aos países do Terceiro Mundo.

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3.

  1. A greve geralmente decorre de deficiências da competência gerencial em lidar com o permanente potencial de insatisfação dos trabalhadores.

  2. A empresa desenvolve um programa honesto e intensivo de valorização e participação dos empregados.

  3. A empresa exercita a competência em dialogar com seus trabalhadores e dirigentes sindicais.

  4. A empresa detecta e administra eficazmente os primeiros sinais de insatisfação.

  5. O sistema imunológico da empresa estará preservado para reduzir as proporções e os efeitos da crise.

(“b”, “ c” e “ d” se opõem à “a” e são condições para “e”)
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4.

  1. A escala mínima de eficiência de montagem de automóveis, hoje em dia, é da ordem de duzentos mil veículos por ano.

  2. No Brasil, apenas as famílias Uno e Gol alcançaram esse padrão.

  3. Todas as demais linhas são insuficientes.

  4. A Fiat tem proposto uma redefinição estratégica para a indústria automobilística.

  5. A redefinição estratégica estimula a produção de carros populares e baratos.

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ADEQUAÇÃO DE ESTILO
O que é?
Propriedade que garante que os textos sejam apropriados à situação comunicativa.
Como se consegue?
Utilizando normas que afetam o receptor, o objeto e a situação comunicativa. Assim devemos considerar:


  • o interlocutor: conhecimento, idade, nível cultural e social

  • o tema

  • o registro: coloquial ou formal

  • a linguagem específica dos diversos tipos de textos: científico, jornalístico, literário, administrativo, comercial, técnico, publicitário, político, jurídico.



Leia o texto e responda as perguntas que o seguem.


Níveis de linguagem1
Diferentes níveis de linguagem
Você já deve ter observado que a língua portuguesa não é falada do mesmo modo em todas as regiões do país, não é falada do mesmo modo por todas as classes sociais e, além disso, passou por muitas alterações no decorrer do tempo. Ou seja, o português, como qualquer outra língua, não é estático e imutável. Assim sendo, podemos dizer que uma língua não é uma unidade homogênea e uniforme. Ela poderia ser definida como um conjunto de variedades.

Essa diversidade na utilização do idioma, que implicou o surgimento de diversos níveis de linguagem, é consequência de inúmeros fatores, como o nível sociocultural. Pessoas que não frequentaram sequer a escola primária utilizam o idioma de modo diferente daquelas que tiveram um contato maior com a escola e com a leitura. Ainda no plano social, é importante observarmos as diferenças na utilização da língua em função da situação de uso. Falamos de um modo mais informal quando estamos entre amigos, por exemplo, e de um modo mais formal quando estamos no ambiente de trabalho. Assim, as condições sociais são determinantes no modo de falar das pessoas, gerando o que podemos chamar de variações socioculturais.

Um outro fator determinante na utilização do idioma é a localização geográfica. Nas diversas regiões do Brasil, observamos diferenças no modo de pronunciar as palavras, ou seja, há diferentes sotaques: o sotaque mineiro, o gaúcho, o nordestino, etc. Também no vocabulário observam-se diferenças entre regiões e também na fala de quem mora na capital e de quem vive na zona rural.

Além desses fatores, é importante destacar as variações que a língua sofre no decorrer do tempo, ou seja, a variação histórica. Por exemplo, o vocabulário muda: muitas palavras usadas frequentemente no século XIX caíram em desuso nos séculos XX e XXI. Por outro lado, novas palavras e expressões surgiram no século em decorrência de diversos fatores, como o desenvolvimento tecnológico. Palavras como avião, satélite espacial, computador e televisão certamente não faziam parte da conversa das pessoas no século XIX...

Esses diversos níveis de linguagem também podem ser observados no texto escrito. Ao abrirmos um jornal ou uma revista podemos perceber uma diversidade de linguagens nos diversos textos existentes: crônica esportiva, o horóscopo, a página policial, a de política e a de economia; todos apresentam termos e “jargões” específicos da área que esta sendo tratada. Essas diferenças se relacionam diretamente à intenção de quem produz o texto, ao assunto e também ao destinatário, ou seja, a quem o texto se dirige.

Certo, errado ou adequado?

Tendo em vista que existem vários níveis de linguagem, é natural que se pergunte o que é considerado “certo” e o que é “errado” em um determinado idioma. Na verdade, devemos pensar a língua em termos de “adequação”. A fim de que o processo de comunicação seja eficiente, devemos sempre ter em vista o que vamos dizer (a mensagem), a quem se destina (destinatário), onde (local em que acontece o processo de informação) e como será transmitida a mensagem.

Levando em consideração esses fatores, escolheremos uma forma adequada de estabelecer a comunicação. Por exemplo, uma propaganda de um determinado produto dirigido ao público infantil deverá ser veiculada em um tipo de linguagem diferente daquela dirigida a adultos. O meio de comunicação – rádio, TV ou revista – também deverá ser levado em conta. Ou seja, não se trata de estar “certo” ou “errado”, e sim de estar adequado, a fim de ser eficiente. Se pensarmos em termos de roupa, o raciocínio é o mesmo: terno e gravata é muito elegante, mas se vamos à praia tomar sol...

Acontece que, normalmente, a escola nos diz que “certo” é tudo aquilo que está de acordo com a gramática normativa. O problema é que, a partir dessa afirmação, somos levados a utilizar a norma gramatical em todas as situações. E, em muitos casos, a linguagem pode soar um tanto “afetada”, sem naturalidade. Uma frase como “Havia muitas pessoas na festa promovida pelos alunos do curso de Odontologia” está, seguramente, de acordo com a gramática normativa ensinada nas escolas; em uma situação de comunicação informal, porém, soará muito mais natural dizer “Tinha muita gente na festa da Odonto”, embora a gramática tradicional não aprove o uso do verbo ter como sinônimo de haver quando significa existir.

Não devemos concluir, entretanto, que a norma gramatical que aprendemos na escola é inútil. Ao contrário. Desde que usada no momento adequado, ela se revela extremamente útil. De novo o critério da adequação: ao responder por escrito a questões de uma prova, por exemplo, ou em trabalhos acadêmicos, como resumos de livros, relatórios, resenhas e monografias, a norma gramatical é fundamental. Não devemos escrever do mesmo modo como falamos. A língua escrita é uma outra realidade.

De fato, falamos de um modo e escrevemos de outro, pois língua escrita e língua falada são duas modalidades de comunicação, tendo cada uma delas suas características próprias. Quando falamos, além das palavras utilizamos outros elementos como os gestos, os olhares, a expressão do rosto e, principalmente, algo chamado entoação da frase. Pela entoação, distinguimos uma frase afirmativa de uma interrogativa, uma frase dita com seriedade de outra dita com ironia, por exemplo. Quando escrevemos, entretanto, não há mais gestos, nem olhares, nem entoação. Sobram apenas as palavras. É por isso que, ao redigirmos relatórios, documentos, resenhas ou quaisquer outros tipos de texto escrito, devemos ter cuidado especial com a pontuação, a ortografia, a concordância e a colocação das palavras. Alem disso, é fundamental pensar também em aspectos relacionados à estrutura do texto, como assunto (tema), a divisão em parágrafos e a coesão. Do contrário, corremos o risco de não sermos devidamente interpretados; nosso texto ficará confuso, comprometendo, assim, a comunicação.

É importante ressaltar que a língua escrita não é nem mais nem menos importante que a língua falada. Não existe “superioridade” de uma ou outra. São apenas modalidades diferentes que se realizam em contextos de escritores considerados clássicos na língua portuguesa. Acredita-se que esses textos deveriam servir como exemplos de bom uso do idioma. O tempo passou, mas a gramática tradicional ainda insiste em apresentar construções antigas que, embora sejam muito expressivas e de grande efeito estético, não refletem a língua exatamente como e utilizada hoje, mas como ela foi escrita em uma outra época. É natural, portanto, que haja defasagens em relação à realidade lingüística atual.



Exercícios:
1. Considere a seguinte situação: um estudante universitário responde por escrito a perguntas propostas sobre o texto acima. Qual é a opção que apresenta uma redação adequada? Qual o problema com as demais opções?
Pergunta 1- O que significa dizer que a língua é um conjunto de variedades?



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