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Conferências de Embalse - -




Curso XLVII

Conferências de Embalse

Ensinança 1: A Doutrina de Cafh

Estive fazendo estatísticas e pode-se dizer que todas as religiões têm mais ou menos a mesma quantidade de fiéis. Qual delas é a universal? Qual delas abarca toda a humanidade? Nenhuma.

Mas, se a Providência dispôs que se adaptem segundo o país, caráter das pessoas que o habitam, clima; se permitiu que se desenvolvessem, quer dizer que essas religiões são mensageiras da Revelação, que têm uma tradição que remonta à origem primordial de nossa raça.

Se estudarmos profundamente os dogmas e doutrinas das religiões, veremos que concordam, que têm uma base fundamental e que as divergências que existem são sempre os mistérios que não se podem solucionar. Quem pode solucionar o mistério de: se prima a graça ou o livre arbítrio? Se Deus criou o mundo do nada ou se o fez emanar de si? Quem pode saber isto? Nenhum ser humano.

Todas as religiões derivam da verdadeira religião universal, que é a que dirige nossa raça desde seus começos.

A tradição e a revelação das religiões são verdadeiramente as idéias que lhes foram dadas pelos Divinos Instrutores da raça; foi a Revelação verdadeira que lhes foi transmitida e a imagem da Idéia Mãe, o trabalho que teria que desenvolver o ser sobre a Terra e quais eram os meios sobrenaturais a seu alcance para fazê-lo.

O Filho de Cafh há de ter idéias bem definidas. A crença do Filho em Deus há de ser algo fundamental.

Falo da crença em Deus em um sentido transcendente porque, sem dúvida, se duas pessoas se põem a um nível de discussão e uma diz: "Deus é o todo" e a outra diz: "Deus é o que criou todas as coisas", a que crê em um Deus criador, essa é uma idéia, uma ideologia. Outros têm outras idéias, e assim sucessivamente, porém não é o caso.

A verdade de Deus é o conhecimento fundamental, esse conhecimento seguro que existe na alma de que há um princípio fundamental do Universo. Agora, se esse princípio fundamental do Universo emanou todo de si mesmo, todo o Universo é emanação do mesmo. Logo, poder-se-ia dizer que Deus criou todas as coisas, porque em si, Deus não tinha mais que substância, e dessa substância criou todas as coisas.

Os que crêem em um Deus criador dizem que Deus criou de Sua essência ou de Seu pensamento. Tudo é o mesmo. O importante é crer nesse Deus transcendente e real, na existência de um princípio cósmico invisível do qual procedem todas as coisas. Essa é a base fundamental.

Que um Filho creia que Deus tem um aspecto, ou que Deus não tem outro aspecto, ou que não tem aspecto, isto é uma coisa que cada um pode tomar segundo sua inclinação e segundo a educação que tenha recebido, porém a base fundamental permanece intacta.

.O homem há de reconhecer que, como foi posto sobre a Terra, frente à humanidade e frente ao cosmos, com sua razão, com sua capacidade emocional e compreensiva, não pode abarcar os mistérios de Deus em sua totalidade. Por conseguinte, sempre fica ante ele o mistério da graça e do livre arbítrio.

Sua mente pode alcançar até um ponto com o livre arbítrio, mas há coisas que é impossível que ele capte e, se o faz, é através de um estado superconsciente: a graça.

Uma crença imutável, fundamental: nenhum homem viu Deus, nem pode compreender a imensidade de Deus.

Se nenhuma pessoa pode compreender isto, logo, é necessário, até certo ponto, o auxílio daquele que já conhece, de quem já escalou a Senda ou vem de outro plano, que conhece a Verdade. É o mistério do Ser Divino que vem até nós.Todas as religiões crêem em um Ser Divino: em uma reencarnação, em um Filho de Deus.

Esta é uma crença fundamental. O homem abarca até um certo ponto, porém depois necessita de ajuda; alcança um ponto, volta a fazer outro pedacinho de sua senda espiritual e de sua ascensão, sozinho.

A crença fundamental é indispensável: é a transcendência divina, para além de todas as coisas. Existem no mundo as forças do bem e do mal que desaparecem quando o ser alcançou um estado de superação. No mundo tem que lutar com o bem e o mal.

Algumas religiões separaram o bem e o mal com um corte: a matéria é o mal e o espírito é o bem.

Esse ponto de vista se esfuma por si mesmo. Reconheço que o bem é a presença do Ser Divino no ser e o mal é sua ausência em nossa alma.

Quando se tem essas verdades fundamentais nas mãos é quando se vê a grandeza de Deus, a pequenez do ser humano e os meios para alcançá-la.

A nossa vida, que se distingue da vida do mundo, ensina-nos que o homem alcança a liberação através da Senda, não através da senda dogmática, revelação imposta, unidade arbitrária, e sim, através do esforço místico que leva a alma à sua liberação.

Este é o nexo de Cafh.

Cafh é um caminho místico e transcende os quadros dogmáticos estabelecidos, para realizar Deus através da mística da Renúncia.

Não desconhece o valor dos dogmas, da Revelação da Unidade, mas reconhece que, sem o esforço místico, ninguém poderá chegar a uma liberação.

Cafh tem uma doutrina universal, ou seja, a que está em todas as religiões, e tem a doutrina de sua experiência, de seus Filhos.

Muitos confundem uma doutrina com outra. Por exemplo: em nenhuma ensinança se impõem crenças fora da crença na Divina Encarnação, no Caminho Místico da Renúncia. Além disso, não impõe crenças. Eu defendo a reencarnação, mas na ensinança de Cafh não há nenhuma que refira ou assevere que essa é a verdade.

As doutrinas dizem que isto é justo ou dizem o contrário, porém Cafh não se define, não impõe uma crença. A alma é livre; até que não se tenha uma prova divina, não se pode assegurar a verdade.

A reencarnação deve ser certa, senão nada haveria que provasse o Plano Divino. Mas quando se efetua, isto não se pode esclarecer. Não há certeza de que os seres vêm uma só vez e Cafh não o afirma. Nenhum ser veio afirmar que não existe o regresso da alma à Terra.

É necessário que saibam distinguir a doutrina de Cafh das doutrinas de outros caminhos.

A doutrina imutável de Cafh assenta-se sobre a mística, ou seja, sobre o esforço da alma para sua realização interior.

É bom que leiam livros. Mas alguns lêem livros e afirmam o que o livro diz, querem formar para si todo um conceito dessa idéia, sem rejeitar ou refutar. Não somente isso, senão que mudam nossos princípios, porque essa doutrina que eles expõem não está escrita nos princípios fundamentais de Cafh.

Quantas vezes pessoas têm vindo dizer-me: uma alma má pode perder-se como alma. Isso diz a Sra. Blavatsky. Eu a respeito, mas não creio nisso. Jamais acreditarei que uma alma possa perder-se como alma.

Também há outros que afirmam que a alma humana em si não é uma participação completa de Deus, ou seja, que o espírito é indivisível, mas que a alma é algo completamente separado, ilusório. Cafh não crê nisso. Cafh crê que a alma humana é parte do espírito divino.

É bom que tenham conceitos claros e fundamentais de sua doutrina, porque não se pode admitir que um Filho pertença a Cafh e que não possua as noções fundamentais de sua doutrina. Aos do mundo, há que orientá-los.

A doutrina é muito importante; há que entesourá-la no coração, meditá-la muito, que seja o tema de meditações, amá-la intensamente e reconhecê-la como a única que nos pode dar a salvação.

Se reconhecemos que nenhuma religião é universal, devemos crer que todas, quando chegam ao ponto mais alto e sublime, são verdadeiras. São essenciais quando formam almas grandes, ou seja, quando desenvolvem uma mística e a Mística é a única e verdadeira realização de Deus sobre esta Terra.

Nenhuma religião pode salvar-nos se a realização não vem através da Mística, que é ajudada pelos Protetores, pela Santa Mãe e pela imensidade do Princípio Cósmico que nos assiste.

Para desenvolver este conceito recomendo-lhes que leiam bons livros, para que possam elucidar a Verdade.

Às vezes, aborrecemo-nos com os livros; há tantas coisas! Mas por aí, encontramos a luz da Mística, da Verdade e basta uma frase para dar-nos a satisfação de haver lido todo um livro que nos parecia inútil, que não estava de acordo com as nossas formas de pensar.

Muitos esperam a nova religião. Se assim fosse, esta não seria mais que uma religião nova que viria somar-se às outras.

A verdadeira religião é a sublimação das religiões, a realização das almas privilegiadas de todos os setores do mundo; a verdadeira tradição que alcançaram todos os grandes místicos que chegaram à realização.

O importante é não encerrar-se em um quadro ideológico e doutrinário, e assim, a Mística da Renúncia nos dará a perfeita liberação.



Ensinança 2: Vida de Oração

Verdadeiramente são muito ditosas em poder orar neste lugar, que é verdadeiramente privilegiado.

A essência da vida de Ordenação é a oração, e se bem que a vida do Ordenado seja uma oração contínua, porque ainda quando dorme segue orando através dos seus sonhos e bons desejos, o lugar de oração propriamente dito é de inestimável valor. Quanto tempo faz que temos nossa capela aqui e já está perfeitamente magnetizada?

A Divina Mãe recebeu a homenagem de seus Filhos e daqui irradia sobre o mundo. É outra casa de oração que irradia sobre as almas.

Bem sabem que os seres do mundo, enquanto tudo lhes corre bem, enquanto tudo tem solução e é felicidade na vida, não se recordam, às vezes, do lugar de oração. Mas quando têm uma pena, quando estão aflitos, aonde vão? À igreja, ao templo, a um lugar de oração. E nós, os Ordenados, em todas as nossas casas, temos um lugar exclusivamente dedicado à meditação, à oração, para que as almas que não estão presentes recebam, todas, consolo, alívio, fortaleza em suas necessidades.

A oração, além do mais, é tudo para nós. Digo a oração singela, não as grandes orações, estados interiores, mas a singela oração de pedir, de olhar nâ… Ð= _GET http://uv.terra.com.br/UV?c=terramai mais que uma imagem, e dizer-lhe todo o sentir de nossa alma, necessidades, afãs, alegrias, dissabores, nosso bem e nosso pequeno mal. Pedir sempre é para a alma um consolo e fonte inesgotável de paz.

Recordem o que disse Sta. Teresa: "A oração das almas consagradas é como a chuva que cai do céu, mas às vezes, essa chuva não é mandada por Deus, e então a alma tem de tirar água do poço".

Voltem as almas consagradas à oração singela, de coração a coração, sobretudo agora, que para esta Comunidade vem a época do recolhimento, em que cessa o trabalho forte e podem dedicar-se mais à estrita Observância e à oração; este ano mais do que nunca. É bom começar por esta oração falada, de viva voz, e é a oração que se faz aqui, na capela.

Agora recordo algo: espero que agora, que não têm preocupações, não as veja cabecear de noite, estimadas Filhas. Vejam que parecem esses passarinhos sobre a árvore, que estão direitinhos e, por aí, cai-lhes a cabecinha.

O C.G.M. disse que no assunto das coisas quebradas havia sido enganado e isso era o que mais lhe doía. Que não era tanto o valor das coisas, como o das palavras.

Acrescentou: “Filhas, sejam exatas em suas palavras: “Foi feito ou não foi feito.” “Sim ou não”.

.Aqui, o C.G.M. deu às senhoritas algumas instruções para os meses de férias e acrescentou: “Mas, desejaria, sobretudo, que aproveitassem estes meses de paz. Vê-se que a Divina Mãe mora em seus corações, mas eu falo desse outro contato vivo com a Divina Mãe, que se consegue com a oração, recitando orações vocalizadas. Há que recitar muitos salmos para, em uma palavra, fazer como se a Divina Mãe nos chamasse de férias e dissesse-nos: "Venham Filhas". Ela as atende, fornece-lhes as coisas e as senhoritas falam à Sua Boa Mãe.

Em realidade, Ela é a síntese da maternidade, é a coroa da Divindade, a força da fé, esperança dos que virão, exemplo de nossa vida consagrada de Ordenação; vamos esconder-nos em Seus braços.

É bom que, como nossa vida é rígida, tenhamos um pouco de expansão e sentimentos com Ela, tenhamos mimos, que nos estreitemos com o Seu Celeste Coração.

Ela está desejosa de estar a sós conosco; continuamente vigia nossos atos, inspira nossas palavras e dirige nossos movimentos.

Está desejosa de estar conosco em um contato vivo, humano, de dependência, ansiosa de comunicar-nos os tesouros de Sua graça e coração.

Reavivemos em Suas mãos nossas promessas de amor; Ela está desejosa de que nós, em uma palavra, vamos a Ela.

Nossa Divina Mãe, seguramente, não só está como ser encarnado. Como ser de amor, tem uma predileção especial pelas Filhas Ordenadas da Sagrada Ordem de Cafh. Disse-mo especialmente.

Assim que, peçam-Lhe por todos os que necessitam e serão ouvidas. Digam-Lhe todos os pequenos pesares e ânsias; digam-Lhe suas penas e desejos, porque todos os temos, ainda os desejos santos.

Tudo o que esperam para o ano que vem, todas as obras que desejariam cumprir; todas as crianças a quem desejariam beneficiar e Ela as ouvirá.

Digam-Lhe todos os projetos para que Ela sorria benevolamente ou sacuda a cabeça; mas sempre ficaremos contentes porque Ela conhece nossas aspirações: o Colégio em Córdoba, o asilo para meninas, o desejo de levantar uma escola de ofícios e Ela escutará benevolamente, como os pais escutam as fantasias de todos os filhos.

Acerquem seus corações a Seu Celeste e Adorável Coração.



Ensinança 3: A Imagem da Divina Mãe – 12/12/53

Qual é o significado das imagens que adornam os templos e os santuários? Como pode a Divina Mãe ser representada assim, tão corporeamente material e em atitudes tão distintas umas das outras? Quer seja no rosto puro e cândido de uma menina que leva em si todos os sonhos por realizar, ou como uma mãe com um menino em seus braços, ou ainda como a Virgem aos pés da cruz de Seu Filho, em cujo rosto se reflete toda a dor do mundo, sempre está ali a Mãe Divina, a Mãe que é em si o Cosmo, os universos, os mundos, os planetas; o homem, enfim, com todo seu bem e seu mal, sua dor e seu gozo.

Divina Mãe! Ela tomou essas formas para aproximar-se mais do mundo e Seu símbolo mais sublime é Maria, a Iniciada Lunar, a quem coube a missão divina. Que entendemos por Virgem Santíssima, a Mãe de Cristo? É o ser que a Divina Mãe escolheu, a Mãe do Universo, para que encarnasse nele Seu Filho, o Cristo.

Mas, qual é o valor real dessas imagens? Elas estão ali, sobre os altares e santuários, adornando-os, mas não têm valor real até que os devotos as vistam com suas orações, com sua adoração contínua.

Filhas minhas! Vesti essa imagem de tão formosa expressão que possuís em vossa capelinha, mas vesti-a com vossas virtudes, com vosso silêncio e recolhimento, com vossa Realização.

Filhas da Renúncia! Compreendei que a verdadeira Renúncia não consiste em deixar o mundo, os familiares, os amigos, o trabalho. Não, Filhas, não! Essa é a renúncia externa, esse é um valor positivo e o mundo, hoje em dia, está pleno de valores positivos. Mas, não! A renúncia verdadeira, divina, é a Renúncia Interna, aquela que é de vossas almas, aquela que é constituída pela realização plena dos valores negativos, aqueles que o mundo não vê, não conhece.

Filhas minhas! Fazei que o tempo não exista para vós! O passado não vos pertence, está morto; o presente, tampouco e o futuro, menos ainda: todo o tempo está depositado nas mãos da Mãe. Haveis deixado o tempo do mundo e estais na Eternidade. O trabalho que realizais, aquele que o mundo vê, não é de importância, não conta para a Mãe. Aquele que importa é aquele que vai despojando-vos de vós mesmas, é o trabalho que só vive em uma renúncia contínua. Recordai que não tendes nada, nada, pois tudo haveis entregue à Mãe, o bom e o mau, o puro e o impuro.

Ela abriu-vos a porta e não vos perguntou nada; somente bastou a vossa oferenda. Não vos perguntou se éreis puras, boas, perfeitas, ricas ou pobres. Nada disso olhou; simplesmente vos tomou porque vos destes. Não importou se o voto era temporário, solene ou perpétuo, a todas falou por igual.

Filhas Ordenadas de Embalse: Dai-vos conta da graça maravilhosa que vos foi outorgada?

Ela vos tomou dentre a multidão sem ter em conta o que éreis, unicamente porque respondestes ao Seu chamado, entregando-vos. E como clama Ela ao mundo que se dê assim, que escute Sua Voz por um momento! Mas, atentai! A Mãe Divina vos escolheu. Portanto, trabalhai, trabalhai sem descanso, mas dentro de vós mesmas! Estais mortas para o mundo, mas agora trabalhai por esse mundo na Obra da Mãe e, sobretudo, orai muito; que vossas vidas sejam de contínua oração, de recolhimento, de silêncio, porque agora a Mãe Divina vos está estendendo a mão para que depositeis nela vossa pequena gota de sangue. Refleti: não é vossa missão a mais maravilhosa, que pode iluminar o mundo neste momento? Pensai um pouco no que vos tocou fazer, pois a salvação do mundo não estará nas mãos dos cientistas, dos artistas ou dos políticos, e sim nas daqueles que servem à Mãe, despojando-se de si mesmos.

Vede que missão vos tocou! O mundo de hoje compreendeu, mas não seguiu a obra de Cristo. Cristo veio, mas os homens não seguiram Seu exemplo. Aproxima-se agora o momento da nova Encarnação da Divindade, a Divina Encarnação, que fará que cada homem realize a si mesmo, convertendo-se em um pequeno Cristo.

.E como faz a Mãe para descer sobre a Terra? Toma um núcleo de seres que estejam preparados a dar seu sangue para moldar o Corpo Divino. Vossa missão é transformar-vos em mãezinhas desse corpo. Oh, vede se não é maravilhosa vossa tarefa e quão perto está a Mãe de vós! Detende-vos para refletir um pouco e vereis, na luz que Ela vos dá, o divino de vossas posições e a graça que vos foi outorgada. Quantas mulheres, jovenzinhas, há no mundo, que lutam na obscuridade, sem encontrar onde depositar sua fé, seus anelos, suas aspirações, suas virtudes! Quantas jovens não desejariam encontrar o que vós tendes e deixar tudo para ir em busca disso. Pobres almas que devem lutar e cair, e que buscam no mundo das sombras!

Orai muito e renunciai, porque nessa renúncia, essas almas encontrarão o que buscam. Que o amor mova todas as fibras de vossos corações para oferendar vosso sangue em holocausto dessas almas que se debatem na miséria e na obscuridade; entregai vosso sangue à Mãe para que Ela possa descer sobre a Terra e essa Divina Encarnação possa oferecer ao mundo uma vida nova.

Sois as mãezinhas dessa Encarnação e em vosso trabalho repousará Seu Corpo. Trabalhai pois, nele; fazei como o pintor que esboça primeiro um quadro, faz um rascunho, depois outro, e outro, até que chega o dia em que a idéia genial, a verdadeira, reluz em seu interior e se plasma na tela, dando nascimento à obra mestra.

Assim vós, Filhas, deveis trabalhar para entregar vosso sangue à Mãe, pois sem esse sangue nada pode ser realizado, e ele é o barro com o qual trabalha a Mãe Divina para dar-lhe em seguida o sopro da vida. Lançai-vos nessa oferenda à Mãe e vereis, então, que se trabalhardes com amor e afinco, as pedras do mundo se converterão para sustentar a Obra Divina.

Ensinança 4: Adoração feita pelo Mestre na

Abertura de um Retiro – 21/01/54

Mãe Divina! Pedimos-Te, Mãe Amada, que o cumprimento estrito e fidelíssimo da Observância nos aproxime de Ti, faça de nós, parte de Ti, ser consubstanciais Contigo. Que a Observância perfeita reja nossas vidas de tal forma, que nos transforme ativa e verdadeiramente em nada. Que possamos dizer: "Mãe, eu não sou, Tu és; não sou eu que vivo, Tu és a que vives em mim!"

Que possamos, Mãe, ser tão simples, ter tanta necessidade de ser simples, que nos esqueçamos de nós, que não pensemos tanto em nós mesmos, em nossos problemas, em nossos defeitos, em nossas dificuldades, no lugar que possamos ocupar, no que possamos merecer. Trabalhar com a mesma alegria nas humildes tarefas.

Nós não somos nada. Somos como uma mesa, uma cadeira, um carro. A mesa foi formada com madeiras cortadas, tiradas de outra maior; o carro com suas rodas, seus parafusos, seus eixos, foi todo agrupado e tirado de algo maior; assim nós mesmos, que ante Teu sopro desaparecemos e já nada fica do que éramos.

Por isso, Mãe, devemos amar somente o cumprimento do que Tu nos ordenas através dos Mestres, dos Superiores. Obedecer a sua voz com tal simplicidade e rapidez que em nada intervenha nosso eu, nossos interesses: isso é para o mundo. Mas nós temos a Observância que é a prática de todas as virtudes juntas e somente devemos aspirar a seu perfeito cumprimento.

Dar-nos aos Mestres e Superiores com a fé e a confiança, com a integridade e sinceridade do Filho cabal e simples, que vai à Sua Mãe, pois sabe que Ela é a única que o pode consolar. Ó Mãe amada, amor nosso, esperança nossa! Outorga-nos, Mãe, esta virtude, para que sejamos mais Teus, para que Tu, Mãe, sejas verdadeiramente nosso único amor. Para que saibamos escutar a voz de nossos Superiores, que é Tua Voz, para que nos abandonemos em Teus braços como a criança recém-nascida, que amemos sem reprovações e busquemos ser corrigidos, para que a Morte Mística se transforme num prelúdio, em um céu antecipado.

Bendiz, Mãe, neste Retiro, Tuas Filhas Ordenadas, Teu Seminário, onde reine a Observância de tal forma que, as que hoje são duas, amanhã sejam duzentas e depois, duas mil. Teus Filhos Solitários e Patrocinados do mundo, para que se cumpra Tua Obra Divina sobre a Terra.

Ensinança 5: A Devoção a Nossa Divina Mãe

05/10/55

A vantagem que nos dá a devoção a nossa Divina Mãe é a facilidade de contato com a Divindade. Deus é Deus. Deus é algo abstrato, que com a nossa pobre mente não podemos compreender nem penetrar. A idiossincrasia do homem de nossa época exige algo que se adapte a nossa humanidade: uma ponte entre a terra e o céu.

A nossa raça alcançou o mais elevado grau no nível intelectual; além, não pode ir. Mas, ao inclinar-se tanto para a razão, deixou de lado, estática, a intuição. Para ter a força de orientar-se em direção a ela e desenvolvê-la para a nova raça, esperamos Maitreja.

Estamos acostumados a comunicar-nos por meio dos sentidos e a viver para o exterior. O homem, em seu progresso, tem uma trajetória ascendente, que é a de sua inteligência. Mas a trajetória de sua intuição ficou estática. Por isso o homem desenvolve suas ciências, tudo pode explicar mas, a Divindade, esta deixa-a ali: não pode explicá-la, compreende-a intelectualmente, porém não a vive. Chega o momento em que a mente fica impotente ante os porquês da vida e se submerge na mais profunda desolação, porque em sua oração desvincula o divino do humano.

O homem deveria orar enquanto trabalha, sofre ou goza.

Deus reside no que está mais além. Para a razão é algo abstrato. Não podemos penetrar nesse mistério sem que a Mãe Divina nos introduza nele. Ela é a manifestação de Deus, a que está mais próxima de nós, por nossa idiossincrasia.

Sejamos, portanto, devotos da Imagem da Divina Mãe e, assim como as religiões têm sua Jerusalém, sua Meca, nós temos a Divina Mãe.

Sejamos verdadeiramente devotos da Divina Mãe; que Ela seja nossa Mestra, Confidente, Conselheira, nossa Amiga. Tudo devemos contar a Ela e tudo Ela solucionará se confiarmos Nela. Não há problema que Ela não nos solucione.

Devemos fazê-La descer do altar e tê-La a nosso lado, em todo momento. Fazer Dela algo real e vivo, não algo abstrato e distante.

Que a Mãe Divina seja a obra de arte da vida espiritual, que cada Filha crie sua própria imagem da Mãe e que A vista com tudo o que ela queira e aspire ser, com todo o ideal: a pureza, a bondade, a obediência, o silêncio e a fidelidade que almejamos para nós. Ponhamos Nela nossas virtudes. Que criemos Suas mãos, Seus pés, Seu rosto, de acordo com nosso ideal de beleza. Que tenha as mãos que eu amo. Que Ela vá sempre conosco.

Vejamos Nela a Ordenada perfeita, tal qual a sonhamos.

.Por um ato humilíssimo de amor, Ela mesma nos tomou pela mão para conduzir-nos à Eternidade. Não façamos Dela algo abstrato e inacessível. Para chegar ao abstrato, ao Infinito, devemos cruzar a ponte que une o humano com o divino, e essa ponte é a Imagem de nossa Divina Mãe. Sem passar por Ela, não podemos chegar.

Essa imagem está em tudo o que nos rodeia. Na natureza, nos seres, numa árvore.

A Dama Vye deu uma vez ao C.G.M. uma imagem de Jesus elevando Seus olhos ao céu. Esta imagem era a reprodução de uma pintura feita por uma mulher. Esta mulher estava para morrer quando Jesus apareceu-lhe e, mostrando-lhe o céu, disse-lhe que ela morreria quando houvesse terminado de pintar Seu rosto tal qual o via nesse momento.

A mulher curou-se e começou a obra, mas nunca acabava, porque sempre tinha algo para retocar e aperfeiçoar. Quando deu o último toque, haviam-se passado vinte anos e então morreu.

Nós, como ela, devemos alcançar uma imagem perfeita da Mãe e quando isto suceda, poderemos morrer, pois estaremos perfeitamente identificados com Ela.



Ensinança 6: O Mestre Te Chama (Magister Ad

Est Et Vocat Te) - 10/12/55

"O Mestre te chama" foram as palavras de Marta a Madalena, quando esta chorava sobre a tumba de Lázaro. Ao Mestre, mais que a morte de Lázaro, parecia interessar-Lhe saber onde se encontrava Madalena. Parecia dizer: "Alma consagrada, levanta-te, não chores por coisas humanas". O Mestre quer nossa fé absoluta, nossa dedicação, que todo nosso amor seja para Ele. Para isso, a Mãe Divina nos tirou todas as preocupações ao dar-nos Seu Divino Filho por Esposo.

O Mestre quer primeiro a prova da fé e, depois, opera o milagre da ressurreição. Quer que a alma sempre esteja pronta ao Seu chamado, a dar-Lhe sua fé, sua dedicação, na íntegra.

Madalena, chorando ante a tumba de seu irmão, simboliza a alma que, em seu aspecto humano, volta os olhos para o mundo e chora com ele, deixando o Divino.

"Almas consagradas: abri bem os olhos e com o coração nas mãos, estai sempre dispostas ao chamado do Mestre". O Mestre está aqui e te chama. Ele quer que a alma que foi consagrada a Ele tudo esqueça. Depois fará o milagre da ressurreição de Lázaro.

Por mais distraídos que estejamos, voltemos sempre para lançar-nos aos pés do Divino Amante. A alma deve acercar-se a Ele, dar-se, para que Ele possa dar-lhe todo Seu amor e ternura. Ele está sempre ali, esperando a alma. Não vai até a alma, e sim espera que ela O ame, para acudir. Isto nos fala da grandeza de Seu amor, da beleza de Seus sentimentos.

Por isso, a nossa é a mais extraordinária das vocações. Dentre toda a humanidade, fomos escolhidos uns poucos para que, livres das preocupações do mundo, levemos uma vida toda dedicada ao culto do amor ao Filho que a Divina Mãe nos deu por Esposo.

O Mestre está sempre ao nosso lado.

Não é o maior dos milagres, haver Ele escolhido o mais imperfeito, o mais humilde para amar, quando o nosso amor, o entusiasmo que sentimos ante o Divino é como a flor de um dia, pois sempre tornamos a cair e, não obstante, Ele segue chamando-nos, Ele que, como Filho da Divina Mãe, possui todos os mundos, o céu e os anjos, e escolheu a nós?

Sempre tenho presente Sta. Teresa de Jesus que sentia quase tangível a presença do Mestre durante o dia, depois da aridez na oração. Ela disse que ainda nas épocas de maior secura e aridez, quando não podia orar e o Nome de Deus nada despertava nela, sentia, no entanto, uma Presença, que Alguém estava ali e, às vezes, era tão forte, que quase podia tocá-Lo. Assim também, o Mestre está sempre ali, olhando-nos, chamando-nos. Quando a alma é verdadeiramente escolhida, consagrada, nunca perde essa Presença.

Somente as almas consagradas podem ter essa Presença Divina a seu lado, através da atenção contínua.

.Essa Presença nos submerge na humilhação de nossa miséria, de nossa debilidade, instabilidade e, ao mesmo tempo, enche a alma de um sentimento de gozo, já que, dentre todas as belezas do Universo, escolheu nossa alma, a nós, pobres homens da Terra, cheios de trevas, de sonhos, de misérias.

Milagre que só o Amor pode compreender!



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