ConsideraçÕes interartística na poética de raquel naveira



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CONSIDERAÇÕES INTERARTÍSTICAS NA POÉTICA DE RAQUEL NAVEIRA

Grazielli Alves de Lima*




RESUMO: O presente artigo pretende analisar, por meio dos estudos comparativos, os aspectos pictóricos presentes no poema Moça com brinco de pérola, de Portão de ferro (2006), de Raquel Naveira, escritora sul-mato-grossense. Com bases teóricas relacionadas aos estudos das relações entre Literatura e Pintura, e com a leitura de pesquisadores da área, como Souriau, Oliveira, entre outros, o texto engloba a correspondência existente entre a poesia de Naveira, selecionada para o trabalho, e o quadro de Vermeer.

ABSTRACT: The present article intends to analyse, through comparatives studies, painting aspects present on the poem Moça com brinco de pérola, by Portão de ferro, Raquel Navera, sul-matogrossense writer. With theoretical bases related to the studies of relashionship between Literature and Painting, and with reading of some researches on the area, such as Souriau, Oliveira, and others, the text include the correspondence existent between Naveira poetry, which was selected for the work, and the painting made by Vermeer.The text includes the correspondence existent between Naveira poetry, which was selected for the work, and the painting made by Vermeer.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia; Pintura; Raquel Naveira.

KEYWORDS: Poetry; Painting; Raquel Naveira.

INTRODUÇÃO

As relações entre pintura e literatura datam desde a Antiguidade greco-latina e percorrem toda a história da literatura. Usar a linguagem literária para descrever quadros e a linguagem pictórica para criar poesia não é um dado recente. Entretanto, num primeiro momento, essas relações entre pintura e literatura tinham por finalidade auferir a superioridade de uma arte em relação a outra. Ora a Literatura era dada como arte superior à pintura, ora a pintura expressava maior relevância. Mas se ambas as artes possuem o poder de interarem-se, existe, portanto, uma relação que as liga e que as completa.

Muitos teóricos divergiam sobre essa relação de correspondência entre artes. Segundo esta visão contrária aos alicerces que ligam poesia e pintura, as definições de ambas são bastante distintas. Para esses teóricos, a pintura é uma arte espacial, enquanto a literatura, ao exercer a função do tempo, é considerada uma arte temporal. Sendo assim, cada uma delas tem um ponto de individualidade muito forte, o que tornaria inviável a sua mistura. Mas, ao mesmo tempo em que a negação da intersecção dessas artes aumentava, artistas concebiam, com força crescente, artes que se interligavam.

Os movimentos de vanguarda do século XX, aliados a uma co-irmandade artística impulsionaram os estudos interartísticos. Num primeiro momento o movimento simbolista se debruçou exaustivamente na ligação da poesia com as demais artes, com ênfase principalmente na música. Logo em seguida, a euforia do movimento modernista deixou para o passado todas as relações de rivalidades entre as artes, para postular a união entre pintura e literatura e demais movimentos artísticos em prol de uma cultura originalmente brasileira. Mário de Andrade, um dos expoentes do movimento modernista, assim se manifestava com relação à correspondência entre as artes: “Entre o artista plástico e o músico está o poeta, que se avizinha do artista plástico com sua produção consciente, enquanto atinge as possibilidades do músico no fundo obscuro do inconsciente”. (apud OLIVEIRA, 1999, p. 17).

Com a crescente manifestação de co-irmandade entre as artes, a ideia teórica também se acentuou, promovendo várias ideias acerca da correspondência entre as artes. Souriau (1983), teórico que instaurou os parâmetros da disciplina estética comparada, foi um dos primeiros a postular o conceito de correspondência. Anos mais tarde, Pound (1990) defendia um conceito denominado fanopéia, ou seja, a imagem que pode ser visualizada por meio de um texto verbal. E são vários os teóricos que seguem essa linha de pesquisa, dos quais podemos destacar: Magalhães (1992), Gonçalves (1997), Oliveira (1999), entre outros.

Seguindo a gama de artistas que têm se preocupado com a expansão da cultura de sua terra, com a divulgação de seus costumes, do localismo, e assim, utiliza a criação artística em defesa de movimentos e culturas, Raquel Naveira, escritora sul-mato-grossense, vem divulgando expressivamente a produção artística de nosso estado, uma vez que em muitos de seus poemas, a escritora, dentre tantos temas, aborda a correspondência entre as artes, especialmente entre a literatura e a pintura. Na vasta obra de Naveira, não é difícil deparar com quadros de pintores universais, bem como obras de artistas regionais. A cada verso encontramos pinceladas inteiras de quem transpõe da pintura, uma linguagem capaz de promover a interação com a literatura.

Baseado nas relações de correspondência entre as artes, o presente artigo propõe-se a analisar o processo de transposição da linguagem pictórica para a linguagem poética, no poema “Moça com brinco de pérola (inspirado num quadro de Jan Vermeer)”, da obra Portão de ferro (2006), da escritora Raquel Naveira.


1. A LINGUAGEM PICTÓRICA: CONCEITOS TEÓRICOS.

Um dos postuladores da ideia de correspondência entre as artes, Etienne Souriau (1983), afirma que “artes são todas as artes”. Partindo do pressuposto de que o mesmo termo, Arte, abrange em seu significado todas as formas de manifestação da criação humana, como, por exemplo, a dança, a pintura, a literatura, a arquitetura, entre outros, Souriau acredita que as mesmas possuem um ponto de correspondência. Se um só termo liga todas as formas artísticas, subentende-se que há entre elas uma gama de relações. Entretanto, Souriau ainda afirma que cada forma de arte tem sua linguagem própria, sua individualidade, tal como expressa no trecho abaixo:


Longe, pois, de aceitar uma correspondência entre todas as artes por serem todas traduzíveis em poesia, linguagem artística universal, devemos tomar cada arte em seu idioma próprio e estabelecer com paciência e cuidado o léxico das traduções. (SORIAU, 1983, p. 7).

Souriau (1983) acredita que devido a essas individualidades, a correspondência entre todas as artes torna-se um tanto impraticável, exceto com a poesia, manifestação que o esteta considera universal. Partindo dessas análises, o autor delimita o seu campo de estudo, instaurando os parâmetros da estética comparada, uma disciplina que procura observar as semelhanças e diferenças que podem ser relacionadas entre as artes. Segundo esse estudo, é certo que há um parentesco entre as artes, mas o grande questionamento é como encontrá-lo. Souriau (1983) afirma que essas correspondências acontecem à medida que empréstimos ocorrem de uma arte para outra, de um período para o outro. Frente a isso, ocorre o que ele chama de tradução. Escolhe-se um elemento da pintura que é transformado pelo poeta, da melhor forma que sua criatividade permite, em poesia. É nesse ponto que a correspondência entre as artes ocorre. Dado o estudo analítico do ponto em comum entre as formas estéticas de criação humana, instaurada as analogias, o dialogismo ocorre, permitindo a comunicação entre as artes.

Outro expoente na defesa do diálogo entre as artes é Valdevino Oliveira (1999). Para relacionar literatura e pintura, o autor percorre a teoria semiótica dos signos, propondo uma análise icônica do texto, a fim de extrair da linguagem verbal aspectos imagéticos. É dele uma das mais belas reflexões acerca da correspondência entre as artes:
No encontro das artes, na inter-relação dos traços, há uma troca que implica ganhar e perder. Aproximadas às duas artes, a determinante e responsável pela equalização icônica é a pintura. É ela que atrai para si as formas do verbal simbólico, e empresta a ele sua propriedade visual e imagética. A poesia vela as imagens do mundo. Ela vê e faz ver por seu poder de palavra. As imagens, guardadas nas palavras, tornam-se visíveis pela força dinamogênica da própria palavra. Combinadas em jogos translativos, elas liberam as imagens, e a poesia, revestida de olhos, fornece a visão do que estava velado. E ela o faz pela metáfora. (OLIVEIRA, 1999, p. 162).

Parafraseando Neurivaldo Campos Juniori (2009), o estudo sobre a correspondência entre as artes proporciona, muitas vezes, a compreensão com maior amplitude do conhecimento das mesmas. Compará-las exige um amplo conhecimento do objeto estético, bem como proporciona um nível de aprendizagem fascinante. Souriau (1983) já nos alertava que o conhecimento da correspondência entre as artes é um dos meios de acesso ao compreendimento do ser humano. Conhecimento que pode transformar-nos em espectadores de diversas manifestações culturais com a leitura de apenas um texto, que insere várias artes e suas diferentes criações. Manifestações que, por vezes, nos são expostas por meio de templos, construídos a partir da percepção artística, ou melodias inteiras eternizadas nos pés da bailarina, tudo perfeitamente traduzível, conforme as individualidades de cada arte, mas unidos pelo sentimento de irmandade. Essa é a real correspondência que as artes podem nos oferecer.




2. RAQUEL NAVEIRA: CONSIDERAÇÕES PLÁSTICAS.
Raquel Naveira nasceu em Campo Grande, no dia 23 de setembro de 1957. Formou-se em Direito e Letras pela FUMT, atual Universidade Católica Dom Bosco, onde exerceu o magistério de 1987 a 2006. É mestra em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo/SP e Doutoranda em Literatura Portuguesa pela Universidade São Paulo (USP). Atualmente leciona na Universidade Santa Úrsula do Rio de Janeiro, no curso de Pós-Graduação; na UNINOVE, de São Paulo e na Faculdade Anchieta, em São Bernardo do Campo/SP. Pertence à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, é consultora da Editora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e sócia correspondente da Academia Mineira de Letras, dentre outras em que participa como membro.

A vasta obra de Raquel Naveira (cerca de 24 livros publicados) abrange várias temáticas. Dentre elas podemos destacar o cunho religioso de alguns de seus livros, bem como o cunho memorialístico de muitos de seus versos, que retratam a infância, as riquezas culturais de sua vida na cidade de Campo Grande. Além disso, Raquel resgata, em sua obra, figuras e fatos relevantes em nossa cultura, como o índio, ou acontecimentos marcantes na história de nosso estado, como a Guerra do Paraguai. Entretanto, o que mais nos chama a atenção na obra de Naveira é o cunho imagético e pictórico de alguns de seus versos. Resgatando obras universais, a escritora vai delineando em sua literatura aspectos que lembram as composições plásticas, elevando o conhecimento do leitor, que de uma só vez, contempla poesia e imagem. Tal exemplo pode ser observado no trecho abaixo, do poema “Monet” de Casa de tecla (1998, p. 67-69), inspirado na vida e obra do pintor impressionista:


A delicadeza do sol,

Levavam-me a pintar

Em pinceladas rápidas

Como se quisesse captar

O momento em que a onda se quebra

E tudo se torna cambiante,

Cheio de chuviscos

Como champanhe

Em taça de cristal.
Bebi tanta luz

Que me embriaguei

E me ceguei,

Herói trágico,

Vazados os olhos

E minha visão de Arte.

A inspiração poética de Naveira vai além. Do universal ao regional, a escritora vai pincelando em seus versos obras plásticas, resgatando e promovendo culturas, principalmente os aspectos culturais de Mato Grosso do Sul, tal como podemos observar no poema “Confissão de uma Monja” de Fonte Luminosa (1990, p. 31-32), baseado num quadro de Lídia Baís, precurssora das artes plásticas sul-mato-grossenses, que reproduz um homem carregando uma cruz de seu tamanho e uma mulher elevada às alturas por um dragão, uma serpente e uma maçã:
Eu sei irmã

Que minha cruz é de bom tamanho,

Que posso carrega-la,

Que as formigas suportam muitas vezes mais

O próprio peso,

Que ela é leve

Comparada a outras cruzes,

Que devo agradecer volume

E medidas razoáveis

Para uma cristã,

Eu sei irmã,

Que não se deve lamentar,

Que no caminho da mulher

Há sempre um dragão,

Uma serpente,

Uma maçã.

Dentre tantos poemas que Naveira explora a linguagem pictórica, selecionamos o poema “Moça com brinco de pérola”, do livro Portão de Ferro (2006).

3. ANÁLISE DO POEMA “MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA (INSPIRADO NUM QUADRO DE JAN VERMEER)”
Moça com brinco de pérola

(inspirado num quadro de Jan Vermeer)


Como é bela a moça

Com brinco de pérola!

A pele alva,

O pescoço de cisne,

O olhar leitoso,

O cabelo oculto

Sob o turbante azul-noite.
A face brilha como lua nas águas,

De sua orelha pende

Uma gota de orvalho

Que se cristalizou

Numa concha madrepérola
“Moça com brinco de pérola”

É um retrato,

Um pintor fascinado por um rosto,

Ele a amava…

E nesse momento

Deve tê-la pedido em casamento.

(NAVEIRA, 2006. p. 111 )

“Moça com brinco de pérola”, pertence à obra Portão de Ferro (2006). O poema, como o próprio título informa, foi inspirado na tela, em anexo, do pintor Jan Veermer (1632-1675). O mesmo quadro já inspirou muitos artistas, até inclusive um cineasta, que produziu um filme com título homônimo. Apesar de toda a popularidade do quadro, Veermer não teve o privilégio de assistir ao sucesso que sua obra alcançaria.

Jan Vermeer nasceu em Delft, nos Países Baixos. Tem reconhecidas, aproximadamente, 35 telas, e, dessas, apenas duas são assinadas: A alcoviteira (1656) e O astrônomo (1668). Devido à essa ausência de assinaturas, a possibilidade de criação de uma ordem cronológica da obra do pintor é remota. Nela há uma valorização do espaço interior. Ao contemplarmos uma obra de Veermer percebemos suas maiores características: a preferência por ambientes fechados em que a luz é decorrente de janelas abertas e usada sempre com grande êxito para valorizar a expressão.

A imagem no texto poético, segundo Oliveira (1999), pode engendrar-se como mera representação do objeto, mostrar aquilo que aos olhos não é claro, mas que por analogias se revela. O poema de Raquel Naveira, representação de uma tela enigmática, revela todo um imaginário acerca da obra de Veermer. O primeiro verso do poema, Como é bela a moça, nos descreve a beleza alva da moça retratada e toda a magia e mistério que envolve a sua imagem. Os versos vão se delineando na medida em que misturam os tons claros da face da moça com os acessórios que ela usa. Segundo uma leitura semiótica, “a imagem se coloca na esfera dos signos que representam seus objetos por semelhança” (apud OLIVEIRA, 1999, p.47). Os versos nos mostram como os detalhes físicos da moça são captados da mesma forma como o pintor os viu. A imagem se revela exatamente como a pintura foi pensada, sendo representação, espelho frente à obra. Dessa forma, observamos que o branco da pele e o perolado dos acessórios da moça se misturam, permitindo um tom sereno e calmo para a imagem dela: A pele alva, / O pescoço de cisne, / O olhar leitoso. Aqui, a pele clara lembra a beleza de um cisne, ave de plumagem extremamente branca e símbolo de beleza.

As cores começam a tomar forma no poema, criando um ambiente de mistério. A descrição da moça continua pela sugestão de seus cabelos, indefinidos, já que estão escondidos dentro de um turbante azul-noite. O tom de azul escuro, que lembra a noite, permite um contraste com as cores claras da face descrita.

Na segunda estrofe, o eu lírico se detém ainda mais na face da moça retratada. A luz, tão presente na obra de Vermeer também é identificada à medida que o brilho é descrito diante do rosto da moça. Agora a face brilha como luz nas águas. O reflexo, a imagem retratada tal como ela é, começa a ser concebida no poema. A poesia descreve cada traço minuciosamente, o que permite essa impressão de reflexo. Oliveira (1999, p. 41), quando relata os aspectos da imagem, segundo as relações tricotômicas de Pierce, nos descreve: “o objeto aparece à visão enquanto aparência. Com a reprodução da aparência, esta se parece com o que nos pareceu. (…) O que permanece é uma semelhança”. Portanto, a imagem descrita é apenas uma semelhança do real. O rosto cheio de luz, como as águas transparentes, se soma à leveza da pele e às cores anteriormente retratadas.

Uma vez caracterizada a face, o eu lírico passa a contemplar um outro objeto, presente no título do poema e no quadro de Vermeer: De sua orelha pende / Um gota de orvalho. A gota, que se desprende da atmosfera no período noturno, mais uma vez permite um contraste de cores, tendo em vista que a cristalização dessa gota acontece numa concha de madrepérola. A gota, a concha, a orelha, são sinais pictóricos do brinco de pérola usado pela moça e que é tão poeticamente descrito.

A última estrofe permite uma nítida correspondência com a obra e com o pintor. O título é mais uma vez mencionado. Os versos permitem que sua compreensão se faça por intermédio de um retrato, criado pelo pintor. Essa poesia pode ser entendida, então, como uma fotografia, que capta o real por meio de palavras, de imagens e por meio de analogias. O pintor fascinado, Vermeer, se encontra com sua obra-prima e se encanta com a beleza de sua composição. Em Naveira, o rosto da moça é poeticamente construído e, o eu lírico vai além: ele acredita num amor, numa tentativa de união do pintor com sua obra.

O poema “Moça com brinco de pérola”, como o próprio título já menciona, representa um grande elo de intermediação com a tela de Vermeer. A leitura de cada verso permite a construção da imagem pictórica da tela. Os traços da moça que inspirou Vermeer são poeticamente expressados por Naveira, que é impossível não crer que sua composição não tenha ocorrido diante da tela de Vermeer. É o verbo se fazendo imagem e transportando para nossa mente a beleza das artes, que se fundem diante do fazer poético, seja ele por meio de palavras, seja por meio de pinceladas.

CONCLUSÃO

Este artigo nos permitiu desvendar novas possibilidades de leitura. Por mais que possamos conhecer todas as questões que cercam os estudos comparativos entre a palavra e a imagem, sabemos que esse é um caminho largo e infinito, à medida que a acentuada produção artística se volta para a busca de releituras, do passado para o presente, de novas marcas para uma dada obra, conforme o contexto de cada época.

Constatamos que o poema, “Moça com brinco de pérola”, tomado como análise neste trabalho, integrante do livro Portão de Ferro (2006), de Raquel Naveira, é um poema que estabelece relação direta com obras plásticas. Por meio desse poema, observamos que Raquel Naveira se apóia num elemento externo, no caso a pintura e o seu fazer pictórico, explorando elementos que lembram as técnicas empregadas nas artes plásticas, como o tom de mistério que ronda o quadro de Vermeer e que a escritora acaba reproduzindo nos seus versos; o que o pintor consegue sugerir com a cor, a poeta o faz com a palavra.

As reflexões que nos conduziram ao resultado deste trabalho demonstraram que as relações entre literatura e pintura são, no mínimo, reveladoras: saber que as artes não estão isoladas, mas, ao contrário, que dialogam entre si, faz crer numa espécie de irmandade entre elas, apesar do que as caracteriza per se. Fez-nos reconhecer, também, que o artista, antes de escolher uma forma de expressão, que atenda aos seus propósitos, mostra-se sempre curioso e aberto às mais diferentes formas de criação artística.



ANEXO

Figura 1. Pintura em tela 1



Pintura 1. Moça com o brinco de pérola (1665 – 1666)

Fonte: http://criandoacasos.files.wordpress.com/2009/04/moca-com-brinco-de-perola.jp



Referências

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PEDROSO JÚNIOR, Neurivaldo Campos. Estudos Interartes: uma introdução. Revista Raído. Programa de Pós-Graduação em Letras da UFGD, n. 5 Dourados, MS: Ed. UFGD, 2009.p. 103-111.


MAGALHÃES, Roberto Carvalho de. A pintura na Literatura, In: Literatura e Sociedade. Revista de Teoria Literária e Literatura Comparada, n.2, FFLCH, USP, 1992. p. 69-88.

NAVEIRA, Raquel. Portão de ferro. Escrituras, 2006.


OLIVEIRA, Valdevino Soares de. Poesia e pintura: um diálogo em três dimensões. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
POUND, Ezra. ABC da literatura. Trad. Augusto de Campos e José Paulo Paes. 9 ed. São Paulo: Cultrix, 1990.
PRAZ, Mario. Literatura e Artes Visuais. Trad. José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix; Ed. Universidade de São Paulo, 1982.
SOURIAU, Etienne. A correspondência das artes: elementos de estética comparada. Trad. Maria Cecília Pinto e Maria Helena da Cunha. 3 ed. São Paulo: Editora Cultrix, 1983. p. 03-37.
WELLEK, René e WARREN, Austin. Literatura e outras artes. In. Teoria da literatura. Trad. José Palla e Carmo. 5ª ed. Mira-Sintra – Mem Martins, Europa - América s/d.( Biblioteca Universitária, 2). p.153-166.

*Grazielli Alves de Lima. Possui especialização em Estudos Literários, pela UEMS - Campus de Dourados. Atualmente é aluna do curso de Pós-Graduação em Letras, área de concentração Literatura e Práticas Culturais, da Universidade Federal da Grande Dourados, sob a orientação do Prof. Dr. Paulo Nolasco.



i Disponível em: Cf < http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/Raido/article/viewFile/161/224> Acesso em 13 Abr. 2010.



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