‘Conteúdo Dinâmico’



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Encontro16.05.2018
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Conteúdo Dinâmico’


Ensaio Sobre Nossas Habilidades
Dom ou Técnica?
Esse constitui um dos embates mais ferozes entre os indivíduos. Mas, na verdade, até onde se pode falar em dom ou técnica?

Inicialmente, podemos tratar conceitualmente o dom como o ‘molejo’ a ‘ginga’ para se fazer determinada coisa ou atividade magistralmente. Já a técnica pode ser entendida como a consciência conceitual de todas as etapas da atividade de modo controladamente.

Por esses conceitos, podemos chegar a algumas conclusões como a de que o indivíduo com apenas o dom, tem o recurso de execução, mas sem seu controle conscientemente, ou seja, sabe fazer, mas não sabe explicar.

A pessoa com apenas técnica, por outro lado, realiza as atividades com controle das etapas, mas seria incapaz de chegar num nível elevado na atividade devido à falta do tal ‘molejo’. Sabe explicar, mas não sabe executar com maestria. Será sempre mediano.

Por fim, chegamos a um terceiro elemento, que abraçaria as duas etapas: tem o dom, a ginga, mas também possui a técnica, o controle consciente da coisa. Este pode chegar a postos realmente bastante elevados.
Em resumo: dom sem técnica – execução inconsciente; técnica sem dom – execução mediana; dom com técnica – maestria com controle.
De posse dessas conclusões poderíamos nos perguntar: mas pode existir dom sem técnica? Isto é, quem consegue algo não tem consciência das etapas ou do controle da atividade?

Imaginemos uma situação. Quem controla uma bola girando-a sobre a ponta do dedo não deveria ensinar a todos o segredo para se realizar a proeza? E por que algumas pessoas não conseguem mesmo depois de muitos treinos? Faltou o que? Ginga? ‘Molejo’? Como o orientador não consegue ensiná-las, geralmente limitando-se a dizer: deve treinar muito... Ter paciência... E por aí vai.

Parece a princípio existir um grande mistério em relação ao dom, à ginga. Uma dificuldade muito grande em se decifrar seus meandros. O resultado? O gênio que não consegue ensinar ninguém seu ofício. O técnico sem habilidade. Quando se consegue reunir as duas categorias num só indivíduo, temos a figura especial do ‘ensinador’. Ou professor, como quiser.

Isso significa dizer que ensino não é para quem quer. Simplesmente são para os melhores. Enquanto estes não estiverem no lugar correto, não pode haver ensino de qualidade.

Portanto, cada sociedade há de se perguntar se em seus diversos ensinos estão os melhores, os que têm o dom e a técnica combinados em sua prática. Apenas e apenas estes podem realizar o ensino de modo completo. Não basta apenas a qualificação técnica, ou se tem os dois ou o ensino será sempre deficiente.

Consequências Práticas
Podemos estender aos diversos campos do dia-a-dia esses conceitos. Por exemplo, se um aluno que estuda matemática estiver na situação de ter o dom para essa aprendizagem, fatalmente terá um ‘molejo’ de raciocínio fluente e poderá resolver muitos problemas desse campo. Agora quanto ao aluno sem o dom para a disciplina? Que resta para o mesmo?

Aprender pela técnica? Então nesse caso será decisivo para ele conhecer muitas, mas muitas mesmo estratégias de resolução de questões. Assim, poderá ter algum sucesso em boa parte dos problemas que porventura se assemelharem com as estratégias que ele adquiriu. Mas, sem o dom, sem a ginga de raciocínio matemático, esse estudante irá muito longe? É provável que não, mas pelo menos se sabe o caminho que poderá ser aplicado para que não fique num nível insuficiente.

E nas redações de escrita, será que apenas as técnicas resolvem? Se faltar o tal ‘molejo’ nas redações?

No futebol temos um exemplo clássico. O gênio que desequilibra; e o atleta que corre, passa bem, marca idem; em suma, cumpre taticamente perfeito suas funções, mas é incapaz por alguma genialidade definir uma partida a seu favor.

Fica então em aberto a questão: por que não se consegue explicar o dom? Existe ao menos resposta? Uma fórmula para ele? Uma senha?

Até agora não. Logo, se tiver alguém por aí com ‘ginga’ para explicar o ‘molejo’, que se apresente.



Na minha modesta opinião, dom seria a descoberta pelo indivíduo do caminho mais fácil para executar a atividade. Mas fácil aqui é sinônimo apenas de correto. Isto é, do ponto de vista desse indivíduo, a tarefa seria fácil devido ao fato do mesmo ter descoberto o melhor caminho. E correto do ponto de vista de quem o vê. Então a consequência de caminho correto é que existem outros caminhos mais trabalhosos e os erráticos.
Habilidades Perceptíveis
Se o dom ainda constitui mistério, as habilidades humanas saltam aos olhos. Vejamos então esta classificação:
-Habilidade de escrita;

-Habilidade com números;

-Habilidade com desenho;

-Habilidade corporal;

-Habilidade de aprendizagem;

-Habilidade de criação;

-Habilidade de autocontrole.

-Habilidade de ensino;
Parece familiar tal classificação? Claro que sim. Não há como não fazer referência aos estudos do norte-americano com suas ‘inteligências múltiplas’. Entretanto, aqui não se reproduz cópias de outros estudos, o que se tem são interpretações de acordo com nossas experiências em face às habilidades humanas. Por isso, algumas ‘inteligências’ apareceram ou tiveram uma nova designação, pois achamos mais conveniente tal linguagem.
Habilidade de Escrita
Diz respeito à fluência em produzir escritos bem feitos em quaisquer que sejam as modalidades: narrativos, descritivos, argumentativos, dissertativos etc.
Habilidade com Números
A propalada inteligência matemática ou física em se operar com ideias de quantidade, o raciocínio lógico-analítico. São comuns os campos da matemática, física, engenharia, economia, contabilidade.
Habilidade com Desenho
Capacidade para executar formas, figuras e traços artísticos. São popularmente conhecidos como desenhistas ou designers, ou ainda programadores visuais.
Habilidade Corporal
Pleno controle corporal em todas as suas possibilidades: força, velocidade, equilíbrio, resistência. Literalmente, faz o ‘que quer’ com o seu corpo. São os dançarinos, acrobatas, malabaristas, esportistas em geral.
Habilidade de Aprendizagem
Consiste na capacidade do indivíduo entender os mais diferentes campos. Desde um conteúdo linguístico, passando pelo numérico, gráfico etc. Perceba que há uma diferença em relação às habilidades vistas até aqui. Enquanto os indivíduos das anteriores são especialistas numa ou noutra, este simplesmente consegue fluência em qualquer campo, ou seja, tem ‘molejo’ para tudo, podem existir indivíduos com muita capacidade para aprender coisas ou tarefas, mas sem competência para criações originais.
Habilidade para Criação
Esse indivíduo consegue criar fórmulas, teorias, sistemas, ou ideias de uso cotidiano que ainda não existem. Vale lembrar que temos dois tipos de criação. No primeiro caso, as criações que ainda não possuem antecedentes; conhecidas como ‘insight’ (criação original). No segundo caso, o indivíduo através da união de duas ou mais coisas existentes, produz uma terceira (criação relativa). As criações são nos mais diversos campos: engenharia, artístico, medicina etc.
Habilidade de Autocontrole
Significa o autorreconhecimento do indivíduo dentro de uma determinada situação. Saber os antecedentes que causam os efeitos por ele sentidos. Esse autorreconhecimento, no entanto, não se dá apenas em termos de consciência, mas na capacidade prática para alterar os estados advindos dos causadores, por isso se denomina autocontrole. Essa parte está bastante associada às nossas emoções, sentimentos, estados mentais.
Habilidade de Ensino
Capacidade de transmissão dos conhecimentos nos mais diversos campos. É clássica aquela afirmação de alguns aprendizes que dizem: ‘fulano de tal’ sabe muito daquele campo, mas não sabe repassar os conteúdos. É verdade mesmo. Possui habilidade de aprendizagem, mas não possui a de ensino.

Aqui se requer muito rigor e percepção apuradíssima para as melhores formas, posições, linguagem, modos de transmissão dos conteúdos.




Conteúdo Dinâmico: Técnicas de Estudo
Nosso ensaio prosa sobre maneiras de estudo. Procurar as melhores formas de se aproveitar os conteúdos de um assunto. Portanto, voltemos à questão inicial do texto: estudar bem requer dom ou através de técnicas direcionadas conscientemente se pode atingir os mesmos resultados?

Como não se chegou a uma definição clara do conceito de dom, fatalmente não se pode falar muito disso por aqui. O que resta então é a possibilidade de se aventurar em técnicas que possam alavancar a aprendizagem do estudante.


Existe Técnica Ideal?
Responderemos a essa questão afirmando que qualquer técnica que tente estrangular o conteúdo do texto para que se adapte à sua estrutura técnica, tende ao fracasso. Simplesmente pelo fato de que qualquer conteúdo tem a tendência em se estruturar de formas diferentes.

Isso significa dizer que algumas partes de um texto podem ser mais bem aprendidas ou memorizadas se organizadas convenientemente de acordo com suas próprias estruturas.

Exemplificando: em algum momento é aconselhável o uso de listas lineares numeradamente; em outros trechos uma imagem visualizada ou uma historinha pode ser mais útil; noutras partes o uso de diagramas subdividindo-se em ramificações tende a ser o mais adequando e por aí vai.

Então perceba que o próprio conteúdo possui um dinamismo interno que força o estudante a procurar a melhor forma de se estruturar tais conceitos na mente. Daí a escolha do título desta seção em ‘Conteúdo Dinâmico’.
Por que a Maioria das Técnicas Falham
Exatamente por causa desse dinamismo de formas, posições, etc. Assim, toda vez que se tenta uniformizar uma técnica geral sem o cuidado com esse dinamismo, torna o estudo extremamente cansativo. É o caso, por exemplo, de se tentar criar métodos mnemônicos para todos os conteúdos. Em alguns trechos pode ser aconselhável tal técnica; mas noutros termina sendo totalmente inoperante o que dificulta o resultado e torna a técnica exaustiva.

Era clássica também aquela figura do estudante pálido, de óculos ‘fundo-de-garrafa’, de corpo feio que simbolizava o aluno aplicado. Na verdade o que ocorria ali era justamente o fato daquele aprendiz estudar de uma só maneira múltiplos conteúdos, pela técnica normal linguística - de se ler a fazer anotações lineares. Aliada também ao fato de uma total negligência para os intervalos de descansos nos estudos. Então, o mesmo sempre chegava ao primeiro lugar, mas em troca de uma rotina massacrante, devido em parte a essa uniformização para se tratar todos os conteúdos. A aparência era justificável.



Então, o segredo é: dai a César o que é de César. Qual é a técnica específica para aquela parte do conteúdo.
Antes, Porém...

...Do início do estudo, tenha em mente três objetivos clássicos:


  1. Adquira o gosto pela competição saudável: nesses locais se podem confrontar nossos conhecimentos e se checar onde está nosso nível em relação aos outros e a si mesmo. Participe de todo tipo de concurso e estabeleça a coragem como sua principal qualidade. ‘Chega de aparência, mostre a sua essência’.

  2. O foco é sempre no primeiro lugar: antes de tudo, primeiro lugar significa controle e domínio do assunto; então a meta é sempre ter o conteúdo 100% dominado. O 2º ou 3º lugares deve ser consequência e não objetivo.

  3. Tenha prazer em produzir: nunca esqueça que todo conteúdo adquirido se presta a uma finalidade. Seja qual for a sua o ideal é sempre produzir algo de bom si ou para a sociedade: seja uma ideia inovadora no trânsito, um sistema político melhor que o de sua cidade, um artefato de utilidade domiciliar, uma fórmula etc. O produto deve aparecer de forma útil.



Nossa Humilde Técnica
Buscar sempre a melhor estratégia após verificação dos resultados. Então a palavra-chave aqui é mudança, desde que se confirme a pouca eficiência da que se usa atualmente. É um trabalho intelectual. A seguir, nossas sugestões para cada etapa do estudo.
PRPOPOSTA DE ESTUDO:
1 - Regra geral sempre: do mais fácil para o mais difícil. Essa é a regra essencial, procure sempre aprender ou memorizar as partes mais fáceis do conteúdo. Pois aqui se vai ganhando motivação para as seções subsequentes. Isso não significa fugir dos conteúdos mais difíceis; simplesmente você ganha tempo para depois gastar mais minutos com as complexas. Isto, claro, se os conteúdos forem independentes em suas partes, porque caso sejam dependentes, então não se pode burlar a sequência.

Essa etapa se refere tanto a capítulos separados quanto a tópicos de uma subdivisão. Procure reter o que está facilmente colocado.


2 – Muita teoria e bastante prática. Desconfie sempre daqueles que dizem ser determinado assunto muita prática com pouca teoria ou muita teoria sem prática. Toda prática tem sua teoria e vice-versa.
3 – Reconhecimento do terreno. Diz respeito ao controle geral do conteúdo, em um esquema geral de organização das partes. Isso é importante para se ‘reduzir’ mentalmente o conteúdo e evitar que a mente fique entediada por causa da imensidão de conteúdos. Vale lembrar que esse sempre será pessoal, ou seja, construído pelo estudante mesmo que haja uma classificação por parte do autor do tema.

Também essa ‘redução visual’ dos conteúdos, através do resumo geral, serve para concentrar 100% a mente na parte selecionada, já que aqui se estuda apenas por partes, e de preferência que a sessão seja completa, isto é, ao final a parte tenha sido estudada do início ao final. Caso contrário, ao se estudar um texto longo, a mente deixa de se concentrar na parte central e foca no final do texto, prejudicando a concentração. É fácil perceber se a mente está concentrada ou não 100% no texto: se toda vez ao terminar uma sessão de estudo o indivíduo parar para olhar quanto falta para terminar o assunto, significa que a mente não está totalmente concentrada, prejudicando a atenção.


4 – Controle dos conceitos. Conceito aqui se refere tanto do sentido linguístico, como no gráfico, ou ainda em sentido lógico-numérico. No sentido linguístico são os conceitos comumente utilizados nos livros didáticos. O gráfico pode ser as posições das formas. O lógico-numérico seria a estrutura de partida em que organiza um assunto. O importante antes de tudo é saber o conceito, que é a condição necessária. Em português, por exemplo, seria saber o que é substantivo, adjetivo, oração coordenada etc. Na matemática seria entender a lógica da duplicação, ou a lógica de uma fórmula. Essa é a parte central de qualquer proposta de estudo.
5 – Estudo linear. Por mais que se seja sofisticado em técnicas de estudo, a base sempre será o estudo normal da esquerda para a direita (em nosso caso) com anotações lineares. A questão de se utilizar técnicas específicas deve ser ocasionalmente, caso o texto se adapte. Logo, com esse modo de estudo se resolve a maior parte dos assuntos, apenas se sublinhando algumas partes ou circulando palavras-chave, ou ainda colocando trechos com setas ou dentro de retângulos.
5 – Diferentes técnicas. Aqui, com se disse texto atrás, são quaisquer tipos de técnicas: desde mapas mentais, esquemas gráficos em que se exploram as melhores posições das palavras, métodos mnemônicos, historinhas absurdas, listas numeradas, conteúdos em forma de músicas, de vídeos, de poesias, associação de assuntos com lugares conhecidos etc., vai depender da forma mais adequada para aquela parte do conteúdo. No entanto, ao se iniciar um estudo não se deve ser obcecado em procurar a todo instante a técnica ideal para utilizar no pedaço em questão, simplesmente apenas estudar naturalmente e, caso a oportunidade apareça, se escolhe a proposta. Sendo necessário, claro, que o estudante conheça as técnicas de resumo.
6 – Avaliação. A avaliação consiste na prova concreta de que se dominam os conteúdos. Esta pode vir de diferentes formas: através de exercícios de resolução de questões; um resumo ou resenha do assunto; aplicação direta na construção de artefatos etc. Mas essa etapa é importante porque oferece o diagnóstico para saber onde se está bem ou deficiente visando melhorar o domínio do tema.
7 – Mudança ou manutenção. E, a etapa final. Se durante a avaliação se constatar a deficiência ou eficiência da proposta de estudo que se realiza, simplesmente ou se abandona a mesma ou, no outro caso, continua-se sua execução. O importante é conseguir os objetivos, domínio de 100% do tema, dos assuntos.


Silvio Salgueiro

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