Contribuições para a Pesquisa-Intervenção: Cartografias de uma Pesquisa sobre Subjetividade e Televisão Contributions to Participatory Action Research: Cartographies of a Research on Subjectivity and Television



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Cardoso, M. L. M. Contribuições para a pesquisa-intervenção: Cartografias de uma pesquisa sobre subjetividade e televisão.




Contribuições para a Pesquisa-Intervenção:

Cartografias de uma Pesquisa sobre Subjetividade e Televisão
Contributions to Participatory Action Research: Cartographies of a Research on Subjectivity and Television

Maria Luiza Marques Cardoso1

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Resumo
Este artigo propõe algumas reflexões sobre as propostas metodológicas de uma pesquisa sobre as relações entre a televisão e a produção de subjetividade no momento contemporâneo, articulando-as aos pressupostos da Pesquisa-Intervenção, com intuito de contribuir para as reflexões epistemológicas, mas também, e principalmente, para as reflexões ético-políticas presentes na produção do conhecimento científico. Em especial, analisa as contribuições que a utilização de ferramentas dramáticas, com destaque para o Esquizodrama, pode trazer para a Pesquisa-Intervenção e sua proposta de uma abordagem micropolítica das produções humanas.
Palavras-chave: pesquisa-intervenção, esquizodrama, subjetividade, televisão.
Abstract
This article analyses methodological proposals of a research on the links between television and production of subjectivity in contemporaneity, connecting them to the assumptions of Participatory Action Research, aiming at contributing to epistemological reflections, as well as, and mainly, political-ethical, reflections, found in scientific knowledge production. It analyses, in particular, the contributions of drama tools, used specially in schizo-drama, to Participatory Action Research, and its proposal of a micro-political approach to human production.
Keywords: participatory action research, schizo-drama, subjectivity, television.


Este artigo pretende apresentar algumas reflexões sobre as propostas metodológicas desenvolvidas na pesquisa intitulada “Máquinas de comunicação e máquinas-desejantes: televisão e produção de subjetividade”, realizada ao longo do mestrado da autora junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais durante os anos de 2003 a 2005.

Tal pesquisa teve como objetivo investigar as relações entre a televisão e a produção de subjetividade no momento contemporâneo, particularmente, na realidade da cidade de Belo Horizonte / MG. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo qualitativa, que procurou mapear, nas vivências concretas de um grupo de espectadores, as conexões que eles estabelecem entre suas experiências com a televisão e os processos de construção de seus territórios subjetivos.

Intenta-se, pois, analisar a escolha do arranjo metodológico dessa pesquisa e o seu desenvolvimento ao longo do processo de investigação, relacionando-o aos pressupostos da Pesquisa-Intervenção, com intuito de contribuir para as reflexões epistemológicas, mas também, e principalmente, para as reflexões ético-políticas que estão sempre presentes na produção do conhecimento científico.

Em especial, propõe-se considerar as contribuições que a utilização de ferramentas dramáticas, com destaque para o Esquizodrama, pode trazer para a Pesquisa-Intervenção e sua proposta de uma abordagem micropolítica das produções humanas.



Breve apresentação da proposta de pesquisa

A presença e os usos cotidianos da televisão são, hoje em dia, fatos planetários. A TV está ligada em muitos momentos (freqüentemente diários) de relaxamento e descanso dos espectadores ou mesmo em momentos de realização de tarefas, domésticas e outras. Há, de fato, pessoas que gostam de cozinhar, bordar, ler, estudar com a “companhia” da televisão. A TV também está presente em ocasiões de compartilhamento e trocas em família e com amigos, ligando-se a conversas, expressões, interações. E ela ainda opera em espaços públicos, como ônibus, metrôs, salas de espera e outros.

Nesse contexto, que encontros e experiências são possíveis a um espectador em sua relação com a televisão? E como esses encontros e experiências operam na composição de seu território subjetivo?

Essas questões motivaram a pesquisa aqui referida. E, diante delas, foi necessário demarcar referenciais teóricos, metodológicos, epistemológicos e éticos que atravessaram tanto as reflexões conceituais elaboradas ao longo do trabalho, quanto a própria postura de pesquisa diante das perguntas acima colocadas e dos modos como se pretendia buscar (algumas) respostas.

Um dos aspectos importantes foi a concepção de subjetividade adotada na pesquisa e suas implicações para a relação a ser estabelecida, na investigação de campo, com os espectadores da televisão. Pois, de acordo com as postulações de Paulon (2005) sobre a Pesquisa-Intervenção, não basta apenas incluir o pesquisador no campo de suas observações, ou mesmo problematizar a relação entre pesquisador e o campo de investigação; é preciso aprofundar a concepção de subjetividade que orienta a investigação e os modos como se pretende conhecê-la.

Assim, a pesquisa não concebeu os territórios subjetivos como aspectos muito particulares e profundamente íntimos de um indivíduo, algo que seria único e existente no interior de tal ou qual pessoa. De outro modo, inspirados nas propostas da filosofia da diferença produzidas por Deleuze e Guattari (1995, 1966, 1998, 1988), consideramos que a subjetividade envolve os modos como as existências humanas são produzidas num contexto sócio-histórico-natural, ligadas às práticas sociais, aos arranjos institucionais, aos modos de expressão, às linguagens, aos equipamentos e tecnologias, às relações dos homens com seus corpos e com a Terra, às disponibilidades naturais, entre outros. Enfocamos os processos que produzem, com diversos componentes que circulam no mundo em certo momento, os territórios subjetivos, seja um território individual, sejam territórios coletivos, como grupos e comunidades.

Entre os componentes que atravessam os processos de subjetivação no momento contemporâneo, focalizamos a televisão. O que envolve considerá-la como aparato institucional constituído de toda uma organização de corpos, tempos, espaços, práticas, discursos, relações, equipamentos e conhecimentos para a produção e veiculação dos programas televisivos. Aparato que está inserido nas redes sociais atuais e se liga a outras instituições, a lógicas, normas e interesses que circulam nas redes do mundo capitalista atual e, em nosso caso particular, do Brasil. Tal aparato oferece aos seus espectadores os programas da TV. Esses programas podem ser entendidos, com as contribuições de Jost (2004, p. 31) e Duarte (2004, p. 70), como “textos”, ou seja, como conjuntos heterogêneos de elementos semióticos – discursos falados, imagens de vários tipos e texturas, escritos, trilhas sonoras, ruídos variados – articulados de forma dinâmica e aptos a estabelecer um processo comunicativo, através de suas propostas de endereçamento e relação com os espectadores.

Dentro de uma perspectiva rizomática (Deleuze e Guattari, 1995), a pesquisa não procurou observar as influências, ideológicas e outras, existentes entre duas formas constituídas, individuadas e identificáveis: o sujeito-espectador, o objeto-televisão. De outra forma, procuramos entender os elementos e linhas que conectam um-e-outro, que tecem composições as mais variadas, articulando espectadores-televisão-cotidiano-experiências nos agenciamentos sociais.

Essa proposta procurou articular-se aos pressupostos da Pesquisa-Intervenção, uma vez que esta propõe:
Não mais uma relação dialética de mútua interferência, mas a partir de uma perspectiva na qual já não se trata da melhor forma de apreender sujeito e objeto, mas de acompanhar os processos de subjetivação que se objetificam e corporificam não necessariamente em sujeitos individuados. O problema de pesquisa assim compreendida passaria a ser formulado em termos de como acompanhar as diversas expressões dos processos de singularização. (Paulon, 2005, p. 22)
Nesse contexto, é preciso detalhar como, na prática, procuramos acompanhar os processos de subjetivação e as composições singulares entre espectadores-televisão-cotidiano-experiências.

A Proposta Metodológica



A montagem do grupo de pesquisa
O primeiro aspecto a ser considerado é a montagem do grupo de espectadores.

Para a pesquisa, formamos um grupo com onze espectadores. Esse número pareceu-nos adequado para uma composição heterogênea que permitisse, por um lado, o funcionamento integrado do grupo (mais pessoas poderiam dificultar a dinâmica grupal) e, por outro, a análise qualitativa que intentamos realizar.

Sobre a composição do grupo de pesquisa, o mesmo se organizou com a presença de pessoas nascidas e sempre residentes em Belo Horizonte e outras que passaram parte da vida em outras cidades; moradores da região sul, oeste, leste e norte de Belo Horizonte; pessoas com atuações (profissionais e outras) diversas: faxineira, pesquisadora de entidade pública com doutorado em biologia molecular, consultor ambiental, arquiteto, psicóloga social, professor de capoeira com ensino médio incompleto, mecânico de manutenção aposentado, dono de bar, atriz, dona-de-casa, estudante universitária do curso de fisioterapia; homens e mulheres com uma variação de faixa etária entre vinte e um e setenta e dois anos.

A constituição heterogênea do grupo teve o intuito de viabilizar as transversalidades, as misturas, as trocas, o compartilhamento de experiências entre os diferentes integrantes. Nesse sentido, intentamos investigar, por exemplo, que elementos do modo de existir de uma jovem branca estudante universitária poderiam reverberar no arranjo subjetivo de um senhor negro aposentado. Não foi nosso objetivo pesquisar a diversidade fazendo leituras a partir das variáveis de mediação social (situação socioeconômica, gênero, raça, idade, contexto cultural, etc.), ainda que estas não tenham sido desconsideradas, já que cada um (cada pessoa, cada grupo, cada comunidade) organiza suas sensibilidades, sua percepção, seu repertório de discursos e práticas sociais também com base em sua vivência cultural.


O que está em questão não é deixar de considerar a possibilidade de um recorte social referido às classes [classe social, gênero, cor], mas perceber que outras clivagens podem estar em jogo, pois as formas de inserção na vida social são múltiplas e muitas vezes outros vetores movem o cotidiano com mais intensidade. (Rocha e Aguiar, 2003, p. 68)
Escolhemos mudar um pouco o foco para mapear não aspectos que compõem um conjunto – uma classe, um gênero, uma faixa etária, uma etnia – mas os componentes que promovem a singularidade de uma vida. Em especial, nos arranjos subjetivos que um espectador da TV pode construir tendo o mosaico televisivo como parte.

O arranjo metodológico

Para investigar os processos de subjetivação e singularização, apostamos no seguinte movimento do pesquisador: a investigação cartográfica. E, para tanto, foi preciso ponderar qual a postura de um “pesquisador-cartógrafo” nos seus encontros com os outros sujeitos da pesquisa.

Um primeiro aspecto trabalhado na pesquisa foi: não se tratou de buscar “a verdade”, a ser observada com neutralidade e objetividade científica, no objeto de estudo – neste caso, o espectador da TV. Privilegiamos os encontros, em que espectadores e pesquisadora (também uma espectadora) interagiram saberes, práticas, sensibilidades, experiências e novas experimentações, como co-autores do processo de conhecimento.

Assim, seguindo as propostas da Pesquisa-Intervenção, importou antes o respeito à complexidade dos elementos heterogêneos e dos arranjos processuais que compõem as organizações sociais e subjetivas. Abdicamos de um ponto de partida tal como uma categorização geral bem delimitada, um macromodelo teórico já constituído a priori, que assumiria o papel de “unidade transcendente” a rebater toda a realidade nas regularidades instituídas, absorvendo “o múltiplo no uno, a diferença na identidade” (Rocha & Aguiar, 2003, p. 69).

Procuramos, desse modo, uma abordagem micropolítica, em que a pesquisa se articulou à intervenção para introduzir uma outra relação, visando desconstruir práticas e discursos instituídos (inclusive os produzidos como científicos) e substituindo-se a fórmula “conhecer para transformar” por “transformar para conhecer” (Coimbra, 1995). Conhecer que relações inusitadas se estabelecem entre os espectadores e a televisão, que funcionamentos são transversais aos modos, sentidos e representações dominantes, que elementos não codificados aí operam, que virtualidades podem se atualizar nesses processos. E, ainda, conhecer na interação em que o pesquisador-cartógrafo está “no meio”, propõe experimentos, vive experiências, sente, afeta e é afetado, bem como necessita, constantemente, de rever seus conceitos, teorias, técnicas, inventar e construir-se também ao longo da pesquisa.

Nesse contexto, compor cartografias implicou, considerando as contribuições de Rolnik (1989), descobrir que matérias de expressão, misturadas a quais outras, que composições de linguagens favorecem a passagem de intensidades que percorrem um corpo no encontro com outros corpos e elementos do mundo. Ou ainda, mergulhar na geografia dos afetos, na produção de máquinas de toda ordem; seguir as linhas e não se fixar em um ponto; deixar-se atravessar pelos acontecimentos ao longo dos encontros com os espectadores; abrir as sensibilidades, as percepções, o corpo, as atividades cognitivas para as possíveis conexões por vir (Deleuze & Guattari, 1995).

À pesquisadora, coube embarcar na constituição dos territórios existenciais dos envolvidos na pesquisa e, a partir daí, fazer mapas: contribuir para as conexões de campos, performar uma escrita, um estudo, sem fechá-lo sobre si mesmo, deixar atravessar vozes, corpos, ruídos, risos e medos. Ver onde a televisão pode nos levar, sem retirar a importância das diversas experiências.

Para tanto, foi necessário elaborar um arranjo de métodos e técnicas capaz de conectar linhas, forças e elementos heterogêneos, ultrapassando os limites formalmente constituídos entre os sujeitos com suas “identidades pessoais”, entre estes e as coisas (como a televisão), entre estes e as instituições e grupos de que fazem parte. Cartografar envolveu, assim, apreender as paisagens subjetivas e sociais que se compõem segundo os desenhos do tempo e as conexões de afetos produzidas em certo território existencial. À pesquisadora-cartógrafa coube:


acompanhar os movimentos, perceber entre sons e imagens a composição e decomposição dos territórios, como e por quais manobras e estratégias se criam novas paisagens. Quais linhas predominam em sua articulação? Das linhas de fuga às linhas mais duras, qual a relação entre elas? Quanto às linhas de vida, estão capturadas? Qual a força que as mantém? (Mairesse e Fonseca, 2002, p. 115)
Procuramos, desse modo, produzir um arranjo metodológico que proporcionasse espaços-tempos de ver, dizer, fazer e experimentar os elementos, linhas, agenciamentos que atravessam os espectadores em suas vivências cotidianas. Entre os elementos, a presença da televisão.

Optamos por procedimentos metodológicos que não se restringissem à observação e à análise da produção de sentido organizada em discursos verbais (orais ou escritos), ligados basicamente aos processos lógico-cognitivos de significação/simbolização a partir do repertório já constituído da cultura. Não desconsideramos as produções discursivas, pois elas são sempre de grande importância nas organizações sociais humanas. Mas tais produções não podem ser tomadas de maneira isolada, nem podem implicar apenas a busca dos conhecimentos significantes elaborados pelos sujeitos.

Nesse sentido, a pesquisa procurou observar também as percepções e sensibilidades envolvidas nas relações dos espectadores com a televisão. E, especialmente, os afetos que, em muitos casos, não são (ao menos a princípio) nomeáveis e conectáveis ao que já se sabe, ao que já está instituído.

Escolhemos, pois, uma “metodologia híbrida”, composta de entrevistas individuais que privilegiaram as histórias verbais narradas pelos espectadores do grupo de pesquisa, mas também composta de um laboratório esquizodramático, que viabilizasse outros modos de expressão bem como a presença em conjunto dos espectadores. Nesse contexto, procuramos apreender, através do arranjo metodológico, diversos aspectos das experiências cotidianas dos espectadores em suas relações com a televisão e com os textos televisivos. Intentamos mapear os diferentes dispositivos2 que os espectadores, em contato com a TV, produzem para assisti-la e fazer com que ela funcione em suas vidas.



As entrevistas semi-dirigidas

Em uma primeira etapa, realizamos uma entrevista com cada participante selecionado para a pesquisa, em sua casa. O objetivo das entrevistas foi buscar elementos da história de vida cotidiana de cada espectador bem como investigar as relações que ele ou ela e os outros moradores de seu lar estabelecem com a televisão. Quanto a esta, procuramos conhecer, em especial: os lugares que o(s) aparelho(s) de TV ocupam nas residências; a relação da televisão com os hábitos e rotinas da casa e de cada um de seus membros; as opiniões, emoções e lembranças que cada entrevistado.

Optamos por entrevistas semidirigidas. Por um lado, não quisemos aplicar um procedimento mais fechado, como um questionário estruturado, em virtude das limitações desse método para investigar questões mais subjetivas e/ou complexas. Entretanto, por outro lado, não quisemos deixar a entrevista aberta à infinidade de caminhos que os espectadores poderiam percorrer. Elaboramos, desse modo, um roteiro orientador que deixasse claros os objetivos da entrevista, a fim de que as informações, sensações, questões trazidas pelos entrevistados pudessem efetivamente contribuir para nossas propostas de pesquisa.

Seguindo as ponderações que já fizemos sobre nossa postura como pesquisadora-cartógrafa, não consideramos a entrevista como procedimento neutro, em que um sujeito (supostamente imparcial) – o entrevistador – se encontra com um outro – o entrevistado – para dele extrair “dados”, este último como mero informante no processo. De outro modo, vislumbramos o encontro da entrevista como uma experiência em que circulam repertórios culturais, expectativas, sensações, processos desejantes.

A realização das entrevistas nas casas dos espectadores teve o intuito de ir lá onde os espectadores estão no seu dia-a-dia, onde ocorrem seus encontros habituais com a televisão, onde, enfim, acontecem experiências importantes de sua vida. A casa, de fato, é um lugar privilegiado em nossa cultura para muitos encontros, práticas e trocas sociais. Assim, as entrevistas possibilitaram-nos escutar um pouco das histórias de vida de cada um: atividades, rotinas, convivências, opiniões e sentimentos em relação à televisão e diante das questões particulares que permeiam seus cotidianos.

Ainda que as entrevistas tenham contribuído, em grande medida, para a pesquisa, é preciso assinalar as limitações desse método. Com efeito, em um procedimento de entrevista, é solicitado ao entrevistado que utilize basicamente seus recursos lógico-cognitivos ligados à sua memória para a construção de frases coerentes e capazes de produzir sentidos compartilhados, por isso comunicáveis, dentro de certo contexto sociocultural. Nessa circunstância, outras formas de expressão (corpóreas, plásticas, sonoras não-linguísticas) são inibidas em prol do discurso. A entrevista demanda, ainda, usos já habituais dos recursos comunicativos verbais (em geral, fazem-se verbalizações opinativas e/ou descritivas), o que permite um controle maior, por parte daquele que fala, sobre o que está sendo dito. Nesse contexto, aspectos mais difíceis, ambíguos, pouco elaborados acabam sendo omitidos.

Diante dessas considerações, decidimos promover, além das entrevistas, um laboratório esquizodramático com encontros em que todos os espectadores selecionados para a pesquisa estariam presentes, constituindo um grupo. Visamos, com isso, empregar uma metodologia que propiciasse outras formas de expressão, e também que as expressões verbais pudessem avançar em relação aos aspectos abordados nas entrevistas.
O esquizodrama
Optamos pelo Esquizodrama, uma vez que essa metodologia baseia-se nas propostas de Gilles Deleuze e Felix Guattari acerca da subjetividade e dos processos de subjetivação, autores que inspiraram o desenvolvimento teórico da pesquisa. De todo modo, não descartamos as contribuições de outras correntes teórico-metodológicas3 para enriquecer o trabalho empreendido.

O Esquizodrama foi desenvolvido por volta de 1970, por Gregório Baremblitt (2001), com contribuições de Pavlovsky e Kesselman (1991 & 1995), entre outros. Sua metodologia tem sido empregada em estudos e práticas profissionais no Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela, Portugal, Espanha e Itália, podendo ser praticado individualmente, com casais e famílias, com grupos variados e equipes de trabalho, de maneira avulsa, regular ou dentro de certo período, tanto com finalidades predominantemente formativas, como terapêuticas, estéticas, políticas e organizativas (Baremblitt, 2001, p. 358).

Baremblitt (no prelo) aponta duas vertentes de “tarefas” como orientadoras dos procedimentos esquizodramáticos, construídas a partir das propostas de Deleuze e Guattari. Por um lado, as tarefas negativas, que consistem em um processo de flexibilização, de questionamento e, em alguma medida, de desconstrução das entidades já estabelecidas e endurecidas no socius, o que inclui a produção de subjetividade e os discursos preferenciais que ali circulam. Em outros termos, trata-se de “raspar”, de problematizar as identidades que se fundamentam nas características do estável, do exclusivo e do excludente. Nesse sentido, como aponta Suely Rolnik (1988, p. 63), é preciso ter clareza de que uma provocação perante as texturas rígidas, burocratizadas, submetidas a controles e ordenações de poder de uma determinada ordem social não implica a destruição de toda e qualquer organização social (algo como a instauração do caos absoluto). Trata-se, de outro modo, de um movimento de auto-análise e abertura dos participantes do Esquizodrama diante do que já está instituído.

As tarefas positivas, por sua vez, consistem em intensificar e deflagrar os pontos de singularidade dos participantes e dos movimentos do grupo, para a proliferação das diversidades, das multiplicidades e para a atualização de novos elementos de subjetivação, de socialidade, enfim, de existência. Contudo, não se trata apenas de intensificar, mas também de conhecer esses elementos de singularidade e de assumi-los em suas potencialidades ético-estéticas.

Essas tarefas formaram, para nós, o “pano de fundo” orientador na escolha das técnicas, na montagem dos encontros e na condução das vivências experenciadas pelos participantes no grupo a cada momento. A partir desse pano de fundo, exploramos nossa questão da pesquisa: as relações da televisão com os processos de subjetivação contemporâneos. Assim, procuramos trabalhar com o grupo aspectos que atravessam a televisão ligados às lógicas, aos ordenamentos (morais, jurídicos, econômicos), às tecnologias e, principalmente, aos modos de existir instituídos pelo capitalismo em seu momento atual. Além disso, buscamos cartografar relações singulares entre elementos da TV e seus espectadores (presentes na pesquisa), cujas conexões e experiências proporcionassem a atualização de diferenças e de novos modos de perceber, pensar, existir.

Por certo, ponderamos as possibilidades de aparecimento de outros elementos, trazidos pelos espectadores para o grupo, não ligados direta e claramente ao foco de nosso estudo – televisão-subjetividade contemporânea. Mas, uma vez que pretendemos pensar a realidade como uma rede, em que os elementos circulam por caminhos muitas vezes não determináveis pelos métodos científicos mais tradicionais, acreditamos que, se esses elementos aparecem, isso implica que, em alguma medida, eles também fazem parte. De todo modo, em nossa condução, procuramos, sempre que possível, costurar, conectar a diversidade de elementos com as questões mais específicas de nossa pesquisa.

Com relação às técnicas, o Esquizodrama propõe procedimentos denominados “klínicas” (Baremblitt, no prelo). A idéia se liga ao termo grego klinamen e não ao termo, também grego, klinus. Este último significa “posição horizontal”, “estar recostado” e tem sido utilizado para se referir à origem de “clínica”, tal como tradicionalmente se pensa em psicologia e psicanálise. Segundo Baremblitt, o termo klínica, ligado a klinamen, resgata a idéia filosófica democritiana de que a realidade é constituída por elementos (átomos) que, quando se colidem uns com outros, criam novas unidades inexistentes até o momento, as quais constituem invenções. Esse autor propõe diferentes klínicas, conforme as circunstâncias e elementos da realidade que se pretende trabalhar.

Por nossa vez, escolhemos a klínica Proliferação dramática intensiva que, segundo nossa avaliação, mostrou-se como a mais adequada e enriquecedora para nossas propostas investigativas. Cumpre ressaltar que não utilizamos aqui a proposta de uma klínica como um procedimento terapêutico, mas sim como um procedimento investigativo condizente com as propostas da Pesquisa-Intervenção apontadas.

A klínica Proliferação dramática intensiva baseia-se no conceito de multiplicidade, tal como proposto por Deleuze e Guattari (1995). Não vamos nos aprofundar, por ora, nesse conceito. Limitamo-nos a pontuar que, para esses autores, a multiplicidade não se refere ao múltiplo do um, ao “muito” do mesmo (multiplicidade aritmética). Trata-se de tomá-la como substantivo. “É somente quando o múltiplo é tratado como substantivo, multiplicidade, que ele não tem mais nenhuma relação com o uno como sujeito ou como objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo” (p. 16). Uma multiplicidade não se refere ao igual em suas reproduções multiplicadas, nem a entidades unificadas e nomeáveis como um sujeito ou um objeto específico. Trata-se da pura diferença intensiva e singular, que compõe um plano de consistência (ou imanência). Contudo, as multiplicidades, diferenças em si, conectam-se, na rede-mundo, às entidades já constituídas, em suas extensões, espacialidades, temporalidades, modos e atributos; atualizam-se e acoplam-se às máquinas e territórios formados no socius, tais como os territórios subjetivos.

Como apreender esses aspectos em um laboratório esquizodramático é, por certo, uma pergunta a ser feita. Uma primeira resposta é que se trata, sempre, de um desafio. Por vezes, as lógicas sociais já instituídas, as leituras preferenciais de mundo, os modos de existir já configurados estão tão endurecidos que se torna difícil, em certo grupo, a atualização de elementos intensivos e singulares, de elementos não tão ligados às identidades e às organizações dominantes. Contudo, consideramos instigante a possibilidade de adotar tal procedimento metodológico, assumindo o desafio, pela riqueza que um laboratório poderia trazer para a pesquisa.

É importante colocar que, em verdade, as multiplicidades em si só são mapeáveis em seus rastros. Tratamos, no laboratório, com sujeitos que, em geral, têm sua identidade constituída, sua organização corporal-emocional-cognitiva operando em certo território em que eles já se sabem e a partir do qual produzem seus sentidos e ações no mundo. Assim, é a partir desses sujeitos, de seus modos de existir, que procuramos mapear aquilo que se compõe como novo, que os afeta e os arrasta para além do que constituía todo o real possível até então.

Quanto aos procedimentos, realizamos cinco encontros com a presença, em conjunto, dos espectadores. De fato, acreditamos que a continuidade do processo (cinco e não apenas um encontro) poderia viabilizar uma exploração mais consistente dos elementos e contribuições do grupo. Além disso, apostamos que, à medida que os integrantes do grupo se conhecessem e compartilhassem suas experiências nos encontros, o espaço-tempo do grupo tornar-se-ia mais dinâmico e intenso, o que, de fato, ocorreu.

Outro aspecto refere-se ao papel da pesquisadora durante os encontros. Apropriando-nos das contribuições de ‘’ et al. (2002, p. 87), coube a ela facilitar os processos do grupo, a expressão dos integrantes (inclusive dos aspectos difíceis e conflituosos, se fosse o caso), as trocas e as negociações das palavras, espaços e tempos, a articulação entre afetos, modos de sentir e pensar, experiências e reflexões, reproduções e invenções.

Antes do começo dos trabalhos, montamos uma proposta inicial de atividades e procedimentos para cada encontro. Entretanto, consideramos a possibilidade de rearranjos a serem feitos à medida que cada encontro acontecesse e mesmo as “mudanças de plano” necessárias dentro de um mesmo encontro, uma vez que um novo caminho poderia formar-se nas conexões rizomáticas grupo-televisão-subjetividades-singularidades. Evitamos sempre enrijecer o processo; ao contrário, procuramos caminhar junto com as mobilizações e potências, dificuldades, elaborações e propostas que o grupo, em sua dinâmica, que é sempre peculiar a cada grupo, a cada momento, fosse apresentando.

Assim, no laboratório esquizodramático, procuramos proporcionar um espaço-tempo em que os espectadores pudessem contar, fazer e experimentar suas conexões, rever aquilo que já percebem, apropriar-se de outras dimensões não tão instituídas e identificadas, articular novas linhas. Utilizamos dinâmicas de aquecimento e propostas de dramatização, bem como abrimos sempre um espaço-tempo para o processamento das experiências cujo intuito foi aproximar as pessoas do grupo, sensibilizá-las para as diversas dimensões de suas experiências com a TV e intensificar a auto-análise de cada um e do grupo.

Quanto às dramatizações, é interessante assinalar que essa proposta permite que as pessoas se dispam de grande parte das resistências: ao dramatizar, um sujeito pode ser “outro que não eu”, ainda que seja sempre de si e de sua vivência que cada um fale. Além disso, os afetos, as idéias, os sonhos, as fantasias têm um espaço performativo para sua expressão, no qual as produções de cada um e do grupo (como território subjetivo coletivo) não se restringem a uma discursividade organizada de forma lógica e racional. E há sempre a implicação do corpo, que ganha uma importância expressiva.



Conexões e Reflexões

Em um dos encontros do laboratório esquizodramático, uma das espectadoras integrantes do grupo de pesquisa pergunta: “Como assim, tem como assistir à televisão de outro jeito?”. Na verdade, como o grupo de pesquisa foi (se) mostrando, existem muitos modos de funcionamento nas relações entre espectadores-televisão. E outros, por serem inventados...

Não é o nosso objetivo abarcar as análises da pesquisa, nem mesmo explicitar detalhadamente os processos vividos ao longo do trabalho de campo. O que procuramos aqui foi apresentar elementos de nossa proposta metodológica, articulando-os com aspectos importantes da Pesquisa-Intervenção. E, neste momento derradeiro, pretendemos refletir sobre alguns pontos de nossa experiência.

É preciso considerar que a televisão é um aparato de comunicação que circunscreve, de acordo com os interesses e o poder de grandes entidades jurídicas estatais ou privadas, o que veicular, como, quanto e quando. Nesse contexto, vários autores (entre eles, Baudrillard, 1993; Sodré, 1999, Bourdieu, 1997) consideram a televisão como suporte mistificador, manipulador e indutor, especialmente ao consumo, do capitalismo, pela reprodução estéril de estilos e invenções para sua fabricação e comercialização em massa; pela veiculação de fórmulas padronizadas de entretenimento, que reproduzem lógicas e modelos sociais estanques e empobrecidos; pela produção de informações para a modulação da opinião pública.

Entretanto, é importante considerar ainda que, em maior ou menor grau conforme o caso, os “textos” televisivos são marcados por sua instabilidade. Como ressalta Leal (2005), há, em sua composição, oscilações, lacunas, negações que perpassam a relação com o espectador e promovem um jogo, no qual quem assiste à TV, com seus desejos, seus modos de sentir, perceber, pensar, agir, seus repertórios culturais, seus contextos, também é muito importante. Ademais, a televisão, em geral, não funciona sozinha. Diferentemente do cinema, a TV está na casa dos espectadores. Por isso, seus encontros com um espectador são permeados por outros elementos que perfazem a vida cotidiana deste.

Ao longo da pesquisa, mapeamos movimentos dos espectadores, a partir das mensagens encadeadas nas narrativas televisivas, que envolvem a significação e a identificação com elementos hegemônicos destas. Movimentos que acabam por (re)produzir as lógicas, modelos, valores, estratégias, padrões dominantes do capitalismo atual.

Contudo, através de nossa proposta cartográfica, procuramos mapear também outros movimentos, utilizando-nos das técnicas esquizodramáticas para raspar os elementos já instituídos, para abrir brechas e promover outros modos de conexão espectador-TV. Procuramos, com efeito, movimentos inusitados, inventivos, ou mesmo, estranhos às expectativas dominantes. Nesse sentido, destacamos aqui, ainda que de forma breve (e, por isso, possivelmente superficial), dois dos muitos movimentos cartografados.

Em primeiro lugar, um movimento em que importa menos “o sentido” do que um sentir; movimento em que um espectador, ao invés de adentrar um texto televisivo, lança-o para fora, para participar de composições com outros textos e elementos de um cotidiano. É nesse movimento que um espectador do grupo de pesquisa conta que pegou, certa vez, uma expressão de um programa humorístico da televisão e a usou na peça teatral que estava ensaiando, baseada em poemas de Carlos Drummond de Andrade:


Durante o ensaio de uma cena, eu me lembrei, sem querer, da expressão ‘ninguém merece’ que tinha ouvido na TV. Achei que a cena tinha uma relação e não resisti, disse a frase... Mas ficou tão bom no contexto que o diretor gostou e deixou com a expressão.
Ocorre então uma mistura inusitada. O espectador captura uma enunciação, retira-a do território midiático e a apresenta em outro contexto: “ninguém merece”, que merece um espaço no teatro sobre a poesia de um reconhecido grande escritor. Não é mais o espectador quem diz. Ele faz passar de um contexto a outro a expressão que se transforma, que ganha outra tonalidade, outro uso, é apropriada por outro coletivo, compõe uma nova linha de enunciação, que pode se endurecer, mas que pode, outrossim, correr, marcar uma brecha, mover um teatro-poesia e suas vidas.

O segundo movimento que destacamos envolve a observação de que a TV, em certas circunstâncias, torna-se dimensão. Como uma espectadora, após uma dramatização, procura explicar: “Tenho TV no quarto; ela funciona como sonífero. Antes, estava em uma crise de ansiedade e a psicóloga me orientou para colocar uma televisão no quarto e dormir com ela ligada. Funcionou...” Em alguns momentos, como neste, a TV, com sua disponibilidade constante (vinte e quatro horas no ar) de imagens e sons, parece sair do direcionamento ao espectador e deslizar de suas funções prioritariamente de informar e entreter, para se tornar uma dimensão, cujos componentes traçam uma marca de distâncias, conectando-se a outros elementos na diagramação dos arranjos territoriais de uma existência. Desse modo, a televisão, uma sonoridade da TV (alguns gostam, por exemplo, de deixar a televisão em uma língua estrangeira que não conhecem), uma paisagem de imagens e brilhos (outros colocam a TV no mudo), que se compõem com o escuro (luzes apagadas) do quarto, com o cheiro do edredom, com a dança das cortinas na janela semi-aberta, etc., marcam um centro e organizam uma máquina de ninar, de acompanhar, de confortar. A espectadora, por motivos que aqui não importam, sente seu território existencial rachar e a desordem do caos tornar-se mortífera; ansiedade, insônia, medo. Como se sentir novamente segura? Alguma segurança é sempre necessária antes de nos lançarmos no mundo e diante do Novo. Só saímos de casa no fio de uma cançãozinha... (Deleuze & Guattari, 1995). É preciso recompor o território, refazer um centro e as distâncias para poder dormir. E a televisão funciona: TV-quarto-sono; a espectadora consolida uma nova canção.

Diante desses movimentos, trazidos a partir das experiências com o grupo de espectadores da pesquisa, parece-nos prudente considerar que um encontro TV-espectador, por vezes, segue por linhas segmentadas, retomando os sentidos-significados, as estruturas, os funcionamentos instituídos que (re)produzem (com seus sérios problemas) as lógicas hegemônicas instituídas no momento atual. Assim, em muitos casos, o que se pinça da TV ou o que se vive no modo de se assistir à televisão apenas ratifica (ainda que com pequenos ajustes) aspectos sociais e subjetivos tal como estão institucionalizados pelos interesses dominantes. Todavia, é importante considerar que nem sempre é assim. Por vezes, o roubo de uma expressão ou gesto presente em certo texto televisivo cria uma nova linha de enunciação que arrasta um modo de existir. Um espectador, em seus passeios pelos canais através do controle remoto, pode promover um encadeamento inusitado que o toca como se olhasse ou ouvisse algo do mundo pela primeira vez. Os movimentos instáveis de um texto televisivo e de um espectador podem desembocar em conexões que, em alguma medida, desestabilizam as rotinas (dos modos de ver, sentir, decodificar, etc) e promovem apropriações, distanciamentos, maquinações que instauram arranjos inusitados.

Enfim, fizemos uma aposta: construir um arranjo metodológico que pudesse “ir além” das linhas duras e segmentadas que, por certo, existem na relação espectadores-TV e que são tão frisadas em grande parte das reflexões sobre a televisão. Ir à busca de rachaduras, de brechas, da possibilidade de invenção nos encontros cotidianos dos espectadores com a televisão.

Para essa busca, colocamos na “caixinha de ferramentas” as propostas da Pesquisa-Intervenção e levamos em conta que cabe aos pesquisadores “assumir o desafio de ir além do reconhecimento das representações estabelecidas na comunidade investigada, dos consensos que dão forma e apresentam a vida como uma estrutura definida nos seus valores, produções e expectativas” (Rocha & Aguiar, 2003, p. 71).

Antes de tudo, tratamos de assumir um compromisso ético-político com a vida, “como cláusula principal no contrato do cartógrafo/pesquisador” (Mairesse & Fonseca, 2002, p. 115). Vida que, nos arranjos sociais contemporâneos, não pode desconsiderar a presença intensa da televisão. E que, quem sabe, pode envolver a TV em seus processos de invenção e enriquecimento.



Referências

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Recebido: 23/04/2007

Avaliado: 31/05/2007

Versão final: 01/0/2007

Aceito: 03/06/2007



1 Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais e professora da PUC- MG. Endereço para correspondência: Rua Ceará, n° 943 / apt. 601- Bairro Funcionários - Belo Horizonte / MG. CEP 30150-311. Telefones: (31) 3226-3075 e (31) 9164-8183. Email: luizamc@hotmail.com.

2 Um dispositivo, segundo Deleuze (1996), é uma composição de linhas de diversas ordens: linhas de visibilidade e de enunciação que constituem regimes a distribuir o visível e o invisível, o enunciável e o indizível, a cada momento, nos arranjos do dispositivo; linhas de força invisíveis que estabelecem o vai e vem entre o ver e o dizer, entre as coisas e as palavras, o poder e o saber; linhas de subjetivação, que promovem processos de produção de subjetividade, sempre a se fazer, a se territorializar e fugir dos territórios, a constituir ritornelos existenciais e a atravessá-los propondo novos arranjos.

3 Entre as correntes teórico-metodológicas, destacamos a pesquisa-ação (Lewin, 1988), o grupo operativo de Pichon-Rivière (1998), o sociodrama de Moreno (Gonçalvez, 1988), o psicodrama psicanalítico (Anzieu, 1981), a pesquisa participante (Brandão, 1987).

Pesquisas e Práticas Psicossociais, 2(1), São João del-Rei, Mar./Ag., 2007.




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