Controlo de infestantes monocotiledóneas em pós – emergência na cultura do trigo em sementeira directa



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RELATÓRIO

(Científico)




(Syngenta)


Controlo de infestantes monocotiledóneas em pós – emergência na cultura do trigo em sementeira directa

Ensaio: Topik




(2005/2006)

Universidade de Évora
Departamento de Fitotecnia

José F.C. Barros e Pedro Nunes



Indíce


1. RESUMO……………………………………………… …3

2. MATERIAL E MÉTODOS………………….………… ……… … .4


3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS…………. .9

3.1. Eficiência dos tratamentos………………………………..…… ..9

3.1.2. Efeito dos tratamentos na produção de grão………………..11

5. CONCLUSÕES……………………………… …….. 12

RESUMO
No ano agrícola de 2005/2006, realizou-se um ensaio cujo objectivo foi estudar o efeito de doses iguais e inferiores às recomendadas de clodinafope + cloquintocete (Topik) no controlo de infestantes monocotiledóneas em pós-emergência e, na produção de trigo de Inverno em sementeira directa.

Na área de ensaio onde se aplicou o herbicida, predominavam claramente as monocotiledóneas Lolium rigidum G. (Azevém anual) e a Avena sterilis L As dicotiledóneas mais representativas eram as seguintes: Polygonum aviculare L. (sempre – noiva); Chamaemelum mixtum L. (margaça); Torilis arvensis (Huds) Link (salsinha); Plantago afra L. (plantagro); Galium aparine L. (amor de hortelão); Diplotaxis catholica L. (grizandra); Lactuca serriola L. (alface-brava-menor); Laminum amplexicaule L. (chucapitos); Daucus carota L. (cenoura-brava); Scandix pecten-veneris L. (agulha-de- pastor) e Anagallis arvensis L. (morrião).

Os ensaios realizaram-se na herdade da Revilheira, pertença da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo (DRAAL) situada no Concelho de Reguengos de Monsaraz.

Os resultados obtidos mostram que o herbicida Topik é bastante eficiente no controlo da Avena sterilis L. (balanco-maior) em pós-emergência na cultura do trigo mesmo para doses inferiores às recomendadas, principalmente quando a aplicação do herbicida é efectuada numa fase mais precoce do desenvolvimento da infestante. A eficiência deste herbicida baixa quando a infestante a controlar é o Lolium rigidum G. e as doses utilizadas são inferiores às recomendadas, continuando contudo, a fase mais temporã do desenvolvimento da infestante (início do afilhamento) a ser mais eficaz que a fase mais tardia (afilhamento completo).

Uma maior eficiência no controlo das infestantes e um menor período de competição destas com a cultura conduziram para a generalidade dos tratamentos, a uma maior produção de grão quando estas foram efectuadas na fase de início de afilhamento das infestantes (1ª época de aplicação).
2. MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio para estudar o efeito de três doses do herbicida inferiores às recomendadas pelo fabricante no controlo das infestantes monocotiledóneas anteriormente referidas, em interacção com três volumes de água também inferiores aos recomendados, em dois estádios de desenvolvimento das infestantes (início do afilhamento e afilhamento completo), foi levado a cabo no ano agrícola de 2005/2006, na herdade da Revilheira (Reguengos de Monsaraz), pertença da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo (DRAAL).

O herbicida utilizado foi o designado comercialmente por Topik. Este herbicida é um concentrado para emulsão com 80 g/l de clodinafope + 20 g/l de cloquintocete. É selectivo e indicado para combater as principais infestantes gramíneas das culturas do trigo mole e duro. A este herbicida juntaram-se 15 g ha-1 de sulfuniloreia (Tribenurão – metilo, 75 %) para o controlo das infestantes dicotiledóneas.

As doses recomendadas para este herbicida variam em função da infestante a controlar. Assim, para os balancos recomenda-se 300 – 400 ml ha-1, para a erva – cabecinha, 400 -500 ml/ha e para a erva – febra, 500 – 600 ml ha-1. Em aplicações terrestres, o volume de calda pode variar entre 200 e 600 l ha-1.

O ensaio foi delineado em blocos casualizados, estando os tratamentos em combinação factorial. O número de repetições foi de quatro e os tratamentos realizados foram os seguintes:




Doses de herbicida

Controlo – 0 dose (D0)

Herbicida, 200 ml ha-1 (D1)

Herbicida, 300 ml ha-1 (D2)

Herbicida, 400 ml ha-1 (D3)
Volumes de água

100 l ha-1 (V1)

200 l ha-1 (V2)

300 l ha-1 (V3)


Épocas de aplicação
- Início do afilhamento das infestantes (monocotiledóneas)

- Afilhamento completo das infestantes (monocotiledóneas)

O ensaios foi realizado num campo experimental cujas características edafo - climáticas são apresentadas nas Tabelas 1, 2 e 3.
Tabela 1. Características físicas e químicas do local do ensaio


Prof. (cm)

Areia

(g kg-1)



Limo

(g kg-1)



argila

(g kg-1)



Dap

MO

(g kg-1)



pH

(H2O)



pH

(KCl)


0 – 20

722

123

155

1.31

9.7

6.15

4.60

20 – 40

625

131

244

1.16

5.6

6.51

4.41

40 - 70

636

142

222

1.24

3.7

6.95

4.55

Tabela 2. Precipitação mensal (mm) no ano agrícola de 2005/2006


Anos

Meses

Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out Nov. Dez.

2005 - - - - - - - - 1.4 161.4 77.3 56.6

2006 30.2 36.0 83.8 52.4 0.2 28.2

Fonte: Centro de Geofísica de Évora


Tabela 3. Temperatura media mensal (oC) no ano agrícola de 2005/2006


Anos

Meses

Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.

2005 - - - - - - - - 21.2 17.7 10.7 8.4

2006 6.9 8.2 11.7 14.9 19.2 22.3

Fonte: Centro de Geofísica de Évora

A cultura do trigo foi estabelecida através de sementeira directa, em meados de Outubro. A rotação praticada é Trigo mole → Ervilha forrageira → Trigo mole. Dois dias antes da sementeira foi aplicado um herbicida sistémico, total e não residual, no caso o Glifosato, com uma concentração de 360 g L-1 por 100 litros de água e por hectare.

Os talhões foram pulverizados com um equipamento próprio para ensaios, equipado com bicos de fenda (110o - 12), quando aproximadamente 90 % das infestantes monocotiledóneas estavam na fase do início do afilhamento (1ª época de aplicação) e quando cerca de 90 % das infestantes monocotiledóneas estavam na fase de afilhamento completo (2ª época de aplicação). As pressões e as velocidades de avanço utilizadas foram função dos volumes de água utilizados. A dimensão dos talhões era de 10 m x 3 m e a área colhida foi de 15 m2. As infestantes de folha larga foram controladas com 15 g ha-1 de Tribenurão – metilo (75 %) (Granstar) adicionado à calda.

As infestantes foram contadas duas vezes em cada ano, mas não foram removidas. A primeira contagem teve lugar imediatamente antes do tratamento e a segunda contagem cerca de dois meses depois do tratamento, em caixilhos de madeira com 50 cm x 50 cm, colocados em todos os talhões e na parte central destes.

A eficiência dos diferentes tratamentos é expressa como a percentagem de infestantes controladas e pode ser calculada pela seguinte expressão:



Ef = 100 – ((C2 - d)/C1)* 100

em que,


Ef – eficiência do tratamento (%)

C1- número de infestantes por m2 contadas antes do tratamento

C2- número de infestantes por m2 contadas depois do tratamento

d – diferença no número de infestantes por m2 contadas nos talhões testemunha.

O trigo (Triticum aestivum L.) foi semeado com uma densidade de 180 kg ha-1 e a cultivar utilizada foi o Almansor. A fertilização em N, P e K foi aplicada de acordo com as recomendações, para manter o nível de fertilidade. A área de colheita correspondeu a 15 m2 da parte central de cada talhão para evitar o efeito de bordadura, usando-se para tal, uma ceifeira debulhadora própria para ensaios. A produção de grão por unidade de área foi determinada directamente, depois da correcção da humidade.

O tratamento estatístico consistiu na análise de variância que se aplicou aos diferentes parâmetros estudados, sendo feita de acordo com o delineamento experimental dos ensaios. A separação de médias foi efectuada sempre que o teste F revelou uma probabilidade do erro justificar diferença, menor ou igual a 5 % (p ≤ 5%), pelo teste de separação múltipla de médias de DUNCAN. O programa estatístico utilizado foi o MSTAT-C.



3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3. 1. Eficiência dos tratamentos
Tabela 4. Efeito dos tratamentos na eficiência (%) do controlo da Avena sterilis

L. (balanco - maior), no ano de 2005/2006




Épocas de aplicação


Doses


Volumes




V1

V2

V3

Média

1


D1

94.5

93.5

80.4

89.4

D2

98.1

99.3

97.1

98.2

D3

94.0

96.4

95.6

95.3

Média

95.5

96.4

91.0

94.3 (a)

2


D1

82.8

85.6

80.1

82.8

D2

95.5

92.5

91.5

93.2

D3

92.6

96.8

97.8

95.7

Média

90.2

91.6

89.8

90.5 (b)



Média

D1

88.6

89.6

80.2

86.1 (b)

D2

96.7

95.9

94.3

95.7 (a)

D3

93.3

96.6

96.7

95.6 (a)

Média

92.9

94.0

90.4



Os valores seguidos pela mesma letra ou letras não são significativamente diferentes para um nível de 5 % (teste de separação múltipla de médias de DUNCAN)

O herbicida Topik mostrou ser muito eficiente no controlo da Avena sterilis L. mesmo para as doses mais baixas, quando o tratamento se efectuou numa fase mais temporã do desenvolvimento da infestante (início do afilhamento). Nesta fase, quando se aplicou a dose mais baixa de herbicida (200 ml ha-1) verificou-se uma tendência de decréscimo da eficiência com o aumento do volume de calda aplicado, não se verificando o mesmo para as outras duas doses (300 e 400 ml ha-1). Nesta fase de desenvolvimento da infestante, a maior eficiência foi obtida pela dose intermédia (300 ml ha-1) em todos os volumes de calda aplicados, correspondendo esta dose, à dose mínima recomendada para o controlo da Avena sterilis L (balanco-maior). O atraso da aplicação do herbicida para a fase de afilhamento completo das infestantes, conduziu a uma redução da eficiência para a maioria dos tratamentos, não sendo no entanto, essa diferença significativa.

Tabela 5.. Efeito dos tratamentos na eficiência (%) do controlo do Lolium

rigidum G. (erva – febra) no ano de 2005/2006

Épocas de aplicação


Doses


Volumes




V1

V2

V3

Média

1


D1

86.7

79.3

72.6

79.5

D2

90.1

86.5

82.1

86.2

D3

88.2

84.0

91.5

87.9

Média

88.3 (a)

83.3 (a)

82.0 (a)

84.5 (a)

2


D1

65.1

64.4

55.9

61.8

D2

64.2

68.8

72.7

68.5

D3

65.1

75.1

84.3

74.8

Média

64.8 (b)

69.4 (b)

70.9 (b)

68.4 (b)



Média

D1

75.9 (b)

71.9 (bc)

64.3 (c)

70.7 (b)

D2

77.1 (b)

77.6 (b)

77.4 (b)

77.4 (a)

D3

76.7 (b)

79.6 (b)

87.8 (a)

81.4 (a)

Média

76.6 (a)

76.4 (a)

81.4 (a)



Os valores seguidos pela mesma letra ou letras não são significativamente diferentes para um nível de 5 % (teste de separação múltipla de médias de DUNCAN)


Para a generalidade dos tratamentos e ambas as épocas de aplicação, o herbicida mostrou uma menor eficiência no controlo do Lolium rigidum G. em comparação com a Avena sterilis L. (Tabela 4). Na 1ª época, de aplicação, as doses menores mostram uma tendência de decréscimo da eficiência com o aumento do volume de água aplicado, o mesmo não sucedendo com a dose mais elevada, a qual obteve uma maior eficiência para o maior volume de calda (300 l ha-1). Quando o tratamento se realizou numa fase mais avançada do desenvolvimento da infestante (afilhamento completo), houve necessidade de aumentar a dose de herbicida e o volume de água aplicado para se obter uma maior eficiência no controlo do Lolium rigidum G.

3. 2. Efeito dos tratamentos na produção de grão


Tabela 6. Efeito dos tratamentos na produção de grão (g m-2) no ano de

2005/2006



Épocas de aplicação


Doses


Volumes




V1

V2

V3

Média

1


D0

175.3

175.3

175.3

175.3 (d)

D1

438.3

359.6

344.5

380.8 (b)

D2

430.0

405.5

455.3

430.3 (a)

D3

395.4

381.8

370.0

382.4 (a)

Média

359.8

330.6

336.3

342.2 (a)

2


D0

199.8

199.8

199.8

199.8 (d)

D1

361.6

249.8

327.1

312.8 (c)

D2

351.1

318.9

303.2

324.3 (c)

D3

396.6

406.9

389.2

397.6 (b)

Média

327.2

293.8

304.8

308.6 (b)



Média

D0

187.5

187.5

187.5

187.5 (c)

D1

399.9

304.7

335.8

346.8 (b)

D2

390.5

362.2

379.3

377.3 (a)

D3

396.0

394.4

379.6

389.9 (a)

Média

343.5 (a)

312.2 (b)

320.5 (ab)



Os valores seguidos pela mesma letra ou letras não são significativamente diferentes para um nível de 5 % (teste de separação múltipla de médias de DUNCAN)


Um melhor controlo e uma menor competição exercida pelas infestantes, conduziu a 1ª época de aplicação do herbicida a uma maior produção de grão para a generalidade dos tratamentos. No entanto, nesta época de tratamento e para o volume de calda mais baixo (V1-100 l ha-1) verifica-se uma redução da produção de grão com o acréscimo da concentração do herbicida. Isto, poderá indicar ter havido alguma toxicidade provocada pelo herbicida com o aumento da sua concentração, numa fase em que não só as infestantes se encontram mais sensíveis ao produto químico, mas também a própria cultura. Contudo, há a salientar a excelente produção obtida pelo tratamento D1V1 (200 ml ha-1 x 100 l ha-1), que apesar de produzir menos que o tratamento mais produtivo (D2V3 – 300 ml ha-1 x 300 l ha-1), a diferença não foi significativa. Constata-se também que quando o tratamento é atrasado (2ª época), haverá necessidade de aumentar a dose de herbicida para se obterem maiores produções de grão, não parecendo que o volume de calda aplicado seja importante).



4. Conclusões
O herbicida Topik mostrou ser bastante eficiente no controlo da Avena sterilis L mesmo a doses inferiores à dose mínima recomendada para o controlo desta infestante (300 ml ha-1), quando o tratamento seja efectuado numa fase mais precoce do desenvolvimento das infestantes (início do afilhamento). No entanto, a dose de herbicida mais eficiente no controlo desta infestante foi precisamente a dose mínima recomendada, não parecendo que o volume de calda tenha sido importante. O atraso no tratamento para uma fase mais avançada do desenvolvimento da infestante (afilhamento completo) conduziu a uma redução embora não significativa, da eficiência do herbicida para as duas doses menores (200 e 300 ml ha-1). Isto, significará que para se obter uma maior eficiência no controlo da Avena sterilis L. quando a aplicação é realizada numa fase mais tardia do desenvolvimento da infestante, será necessário aumentar a dose de herbicida.

Para a generalidade dos tratamentos e épocas de aplicação, a eficiência do herbicida no controlo do Lolium rigidum G. foi menor que a verificada para a Avena sterilis L. Mesmo na 1ª época de aplicação a dose menor de herbicida foi a que obteve também uma menor eficiência para todos os volumes de água. Por sua vez, foi a dose mais alta de herbicida (400 ml ha-1) e para todos os volumes de calda, que conseguiu uma maior eficiência no controlo desta infestante, quando a aplicação se realizou na fase de afilhamento completo (2ª época).



Um melhor controlo e um menor período de competição exercidos pelas infestantes, conduziu para a generalidade dos tratamentos a uma maior produção de grão na cultura do trigo quando os tratamentos se efectuaram numa fase mais precoce do desenvolvimento das infestantes. Há a realçar a excelente produção de grão obtida pela interacção D1 x V1 (200 ml ha-1 x 100 l ha-1) na 1ª época de aplicação, cuja diferença não foi significativa em relação aos outros tratamentos. Verificou-se na 1ª época de aplicação, que para o volume de água mais baixo (100 l ha-1), houve um decréscimo da produção de grão com o aumento da dose de herbicida. Isto, poderá indicar que nesta fase em que a cultura se encontra mais sensível, o aumento da concentração do herbicida possa ter causado alguma fitotoxidade na própria cultura. Será um assunto a merecer um estudo mais aprofundado em trabalhos futuros.






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