Coração Dividido



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Coração Dividido

(Impetuous)

Lori Foster


QUAL DAS DUAS MULHERES MERECIA O SEU AMOR?
Bonita, porém muito tímida e séria demais: era isto que todos pensavam de Caria McDaniels. Mas existia outra Carla, extrovertida e sensual, ansiando por desabrochar. Finalmente, em um baile a fantasia, protegida por uma máscara, a mulher sedutora teve a tão esperada oportunidade de aflorar...

Tommy Ramsay sentia o próprio coração dividido. Estava obcecado por uma misteriosa e linda jovem que o enfeitiçara em uma ardente noite de amor, e fascinado pela suave e recatada Carla McDaniels! Como podia estar apaixonado por duas mulheres ao mesmo tempo?




Digitalização: Simone Ribeiro

Revisão: Cynthia

Copyright © 1996 by Lori Foster

Publicado originalmente em 1996 pela

Harlequin Books, Toronto, Canadá.


Todos os direitos reservados, inclusive o direito de

reprodução total ou parcial, sob qualquer forma.


Esta edição é publicada por acordo com a

Harlequin Enterprises B.V.


Todos os personagens desta obra são fictícios.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas

terá sido mera coincidência.
Título original: Impetuous
Tradução: Nancy Aparecida Alves
EDITORA NOVA CULTURAL

uma divisão do Círculo do Livro Ltda.

Alameda Ministro Rocha Azevedo, 346 - 2º andar

CEP 01410-901 - São Paulo – Brasil


Copyright para a língua portuguesa: 1996

CÍRCULO DO LIVRO LTDA.


Fotocomposição: Círculo do Livro

Impressão e acabamento: Gráfica Circulo.


CAPÍTULO UM
— Pare de me apressar, Bren. — Carla ria, apesar do nervosismo. — Você não vai me forçar a entrar correndo na festa, vestida deste jeito.

— Pois saiba que você já está dez minutos atrasada! Carla estacionara nos fundos da casa, evitando a longa fila de convidados. Havia milhares de minúscu­las luzes enfeitando a piscina e a fachada, embora estivesse um pouco frio para se pensar em nadar.

— É culpa sua se estou atrasada. Por que escolheu esta roupa tão... tão... esquisita para mim? — Carla mal encontrava palavras para descrever a roupa de odalisca que sua melhor amiga lhe trouxera. Já que devia ir àquela festa de Halloween organizada por Brenda, preferiria ser uma bruxa ou um cabeça-de-abóbora. Pelo menos, estaria mais coberta do que com aqueles trajes tão finos e reveladores.de mulher de harém...

— Ora, vamos! Você está ótima! Quero que se divirta esta noite! — Brenda argumentou. — Precisa relaxar, conhecer pessoas...

Conhecer homens, você quer dizer. Bren, não sou uma solteirona solitária. Meus alunos e as atividades es­colares são mais do que suficientes para me manter ocu­pada. Mas, afinal, por que escolheu esta roupa para mim?

— Você disse que não tinha tempo para arranjar uma fantasia. Além disso, está muito sensual assim, sabia? Todos os solteiros da festa irão notá-la. Fiz um bem enorme a você, descobrindo a garota linda que se esconde sob aquelas roupas sérias e horríveis do dia-a-dia.

Carla engoliu em seco. Não se sentia atraente ves­tida daquele modo. Na verdade, parecia estar se ex­pondo demais; devia estar ridícula.

— E quais homens solteiros você convidou? — con­seguiu perguntar.

— Você conhece quase todos. Alguns amigos de Jason, vizinhos, conhecidos... Tommy,..

Carla sentiu um arrepio na espinha e franziu as sobrancelhas, encarando a amiga.

— Tommy Ramsay? Numa festa a fantasia? Não achei que seu cunhado gostasse desse tipo de...

— Ora, não zombe da minha festa!

— Não, não é isso. Mas pensei que ele preferisse banquetes.

Carla não conseguia imaginar Tommy usando uma fantasia. Era um homem muito fino e elegante. E tinha sempre unia bela mulher a seu lado.

— Tommy veio a pedido de Jason. Você sabe, eles se dão muito bem. Acho que você e Tommy têm algu­mas coisas em comum.

Carla meneou a cabeça, sorrindo com certa ironia.

— Ora, Bren, vivemos em mundos completamente diferentes.

— Você é que não o entende. Tommy teve uma in­fância difícil também. Só que o irmão sempre esteve ao lado dele, para ajudá-lo a superar as dificuldades. — Brenda sabia que tocava num assunto delicado.

— Meu irmão tinha sua própria vida — Carla res­pondeu logo. — E ele tinha razão: eu mesma deveria enfrentar meus problemas.

— Pois sabia que Jason jamais abandonou o irmão à própria sorte.

— Jason é um sujeito maravilhoso. Mas ele e Tommy são muito diferentes.

— Bem, talvez agora não tanto, mas já foram, sim. Sabe, acho que quando Tommy encontrar a pessoa certa...

— Isso vai ser difícil — Carla interrompeu. — Ele não fica com uma garota tempo suficiente para conhecê-la.

— E você parece muito bem informada sobre meu cunhado... Olhe, Tommy pode até trocar de namoradas com certa freqüência, mas é porque elas estão sempre impressionadas pela posição que ele ocupa na socie­dade e por sua situação financeira bastante confortá­vel. Tommy diz que não quer um relacionamento sério, mas não está satisfeito com a maneira como vive.

Carla sabia que a aparência e o charme incríveis de Tommy interessavam às mulheres muito mais do que o dinheiro, mas preferiu ficar quieta. Não queria que a amiga notasse o quanto se sentia atraída por ele também. Preferiu murmurar apenas:

— Bem, o que ele faz ou deixa de fazer não é da minha conta.

— Certo. Acho melhor entrarmos, então. Logo vai chover. Carla olhou para o céu escuro"e respirou fundo.

— Vá você, Bren. Acho que vou esperar mais um pouco. Brenda pareceu hesitar, mas assentiu.

— Está bem. Mas não demore.

Carla não conseguia imaginar quanto tempo ainda demoraria para encher-se de coragem e entrar naquela festa. Não que fossem reconhecê-la, porque, vestida como estava, não se parecia nem um pouco com a pro­fessora primária, solteira, solitária, de todos os dias. Até seu cabelo estava diferente. E as lentes de contato mudavam por completo a cor de seus olhos. Sentia-se covarde, mas os últimos dois anos tinham sido muito difíceis, após seu divórcio. Tivera tempo para tornar-se independente e colocar sua vida em ordem, mas ainda não conseguira recuperar a confiança em si mesma enquanto mulher.

Brenda dizia achá-la atraente, bonita; mas o ex-ma­rido de Carla a fizera acreditar no contrário, e de um modo bastante cruel.

Estremecendo, procurou afastar as lembranças dolo­ridas. Era melhor ir para a festa. Brenda ficaria contente com sua presença; permaneceria ali por uma hora, no máximo, e então poderia ir embora sem que a amiga reclamasse. De repente, sua casa, tão pequena, arruma­da e solitária, pareceu-lhe o melhor lugar do mundo.

Tommy Ramsay odiava festas. Olhava ao redor, pro­curando não parecer aborrecido. Tudo se mostrava ar­tificial e sem novidades. Muitas mulheres, sozinhas e em busca de um homem, com certeza, não paravam de encará-lo desde que chegara. Todas conheciam sua reputação, e, no entanto, o engraçado era que a maioria das coisas que se falavam a seu respeito não eram verdade.

Como fora deixar-se convencer a vir a essa festa? Andava aborrecido, precisava encontrar alguém que o fizesse rir. E Jason ria tanto ultimamente. Estava feliz; casado e feliz.

Tommy não pensava em casamento. Ainda não en­contrara a mulher com a qual quisesse passar o resto de seus dias. Jason tivera sorte em encontrar Brenda, ela era ótima. Mulheres iguais a sua cunhada, porém, eram raras.

Tornou a passar os olhos pela sala. Não havia pes­soas interessantes ali. Já lhe haviam dito como estava bem em suas roupas de pirata. Todos o haviam reco­nhecido, apesar do tampão sobre o olho esquerdo. Afi­nal, não havia muito naquela fantasia que disfarçasse sua identidade: camisa de cetim branca, calça preta, botas até os joelhos, cinturão largo de onde pendia uma espada. Sentou-se em uma cadeira, observando o movimento sem muito interesse. Logo, uma garota loira, fantasiada de viking, veio sentar-se em seu colo, trazendo nos lábios um sorriso pretensamente sedutor.

Tommy reconheceu logo aquele sorriso; pertencia a Valerie, sua ex-namorada. Haviam tido um romance bre­ve, sem nenhum envolvimento emocional mais sério. Ela queria um homem que pudesse lhe dar apenas o melhor, que fosse capaz de circular nas mais altas rodas sociais. Valerie gostava de carros esportivos, de freqüentar a alta sociedade e de fazer sexo. E nessa ordem.

Tommy buscava alguém que preenchesse seus mo­mentos de solidão, seus pensamentos, sua vida. Era óbvio que aquele relacionamento não poderia dar certo. Ele enxergara isso depressa; por que Valerie não fazia o mesmo?

— Não me reconhece, Tommy?

Como não houvesse outro lugar onde colocar suas mãos, ele tocou-lhe de leve as costas e a perna despida sobre a sua.

— É claro que sim. Você é uma linda deusa nórdica. — A resposta ocultava a irritação que sentia.

— E você é um autêntico pirata! Planeja capturar alguma mulher e fugir com ela da festa?

Tommy não sentia vontade de prolongar a brinca­deira, por isso foi taxativo:

— Na verdade, eu já escolhi uma para capturar. A garota pareceu vacilar; passou a mão pelos cabelos de Tommy e murmurou:

— Você parece tão impetuoso esta noite... Valerie não desistiria tão facilmente. De repente, a idéia de sair dali e voltar para casa pareceu a Tommy a melhor opção.

Ergueu os olhos e viu sua cunhada, parada junto à porta da cozinha, conversando com um homem vestido de centurião. Brenda olhou para dentro da cozinha e abriu seu melhor sorriso, enquanto o centurião quase deixou cair o copo de bebida que segurava.

O quê, ou quem, teriam visto?

Tommy levantou-se, desvencilhando-se do abraço in­conveniente de Valerie. Estava curioso e tão interes­sado no jeito feliz de Brenda, que nem sequer ouviu as queixas da ex-namorada. Seus olhos não se desvia­vam da porta da cozinha. Foi então que a viu. Sentiu-se imediatamente atraído.

A garota estava junto de Brenda e parecia não ter percebido os olhares interessados que provocara. Era linda. Seu corpo era suave, mas não magro; tinha todas as curvas nos lugares certos. As pernas bem torneadas revelavam-se sob o tecido transparente da fantasia oriental. As ondas macias dos seios insinuavam-se, sensuais, firmes, atraentes. E ela usava uma máscara que lhe cobria metade do rosto, criando um aspecto misterioso e fascinante.

A mulher sussurrou algo aos ouvidos de Brenda, que parou de sorrir e passou os olhos ao redor, como à procura de algo. Notando o olhar fixo de Tommy, voltou-se para a recém-chegada.

E então seus olhares se cruzaram. Apesar da dis­tância, Tommy podia sentir que a moça estava tensa; parecia surpresa com seu interesse. Mais do que isso: mostrava-se irritada.

Tommy retirou o tampão de sobre o olho e caminhou na direção da garota. Ao se aproximar, notou-lhe a palidez e o azul vivo dos olhos. Seriam lentes de contato?

Já bem próximo, viu-se obrigado a parar, interrom­pido por Valerie.

— Preciso ir — disse, aborrecido.

— Tommy, espere! Quero falar com você. Preciso,de alguém para me acompanhar a um jantar amanhã.

Tommy não estava com tempo para esse tipo de conversa. Valerie sempre tinha algum interesse quan­do se aproximava dele. Sabia que ela precisava de sua companhia para algum banquete onde encontraria muitas pessoas influentes. Não, não estava interessa­do. Voltou-se, disposto a ir ao encontro da odalisca que acabara de chegar. Mas... ela se fora.

Foi até a cozinha e chegou a vê-la saindo pela porta dos fundos. Parecia estar fugindo de algo ou de alguém.

Não queria perdê-la de vista; parecia-lhe ridículo, mas não queria deixar passar a oportunidade de co­nhecê-la melhor. Sentiu seu braço preso e voltou-se para ver Brenda.

— Quem era aquela moça? — ele perguntou, abrupto.

— Apenas... uma convidada.

— E já está indo embora?

— Não, é que ela é um pouco tímida. Foi difícil convencê-la a vir e parece que, agora, ela decidiu algo diferente.

— Ah, é? Bem, eu acho que vou sair para respirar um pouco de ar puro.

— Mas está começando a chover, Tommy. — Brenda ria, com certa malícia.

— Não se preocupe, cunhada. Não vou sujar meus pés na lama.

Tommy saiu para a noite, procurando a garota no jardim dos fundos. Um caminho iluminado levava até a piscina. Ele percebeu um movimento pouco adiante. Ignorando a chuva que lhe caía sobre o rosto, resolveu segui-lo. Sentia-se impaciente e ansioso e parou diante da pequena casa ao lado da piscina, onde ficavam me­sas, cadeiras e objetos utilizados em dias de verão. Abriu a porta, um tanto hesitante, e encontrou o local em penumbra. As luzes multicoloridas que enfeitavam o jardim filtravam-se pela janela do pequeno cômodo, criando reflexos suaves e agradáveis por entre a semi-escuridão.

Lá estava ela, virada de costas para ele. Mas, quando a porta se fechou, voltou-se depressa, parecendo assustada.

Tommy engoliu em seco. Sentia que aquela linda odalisca estava nervosa, frágil, vulnerável. Algo essen­cialmente masculino brotou em seu coração; uma ne­cessidade de confortar, de inspirar confiança, de ofe­recer segurança, abrigo.

Queria tocá-la, abraçá-la, fazer amor com ela.

Respirou fundo, então, e recostou-se à porta, forçando-se a sorrir com gentileza.

— Olá! — murmurou.

Carla tremia por dentro. Não sabia o que fazer. Sen­tia o olhar de Tommy e temia que ele a reconhecesse, embora fosse óbvio que gostava do que via na mulher à sua frente.

— Você é linda! — ouviu-o murmurar, surpresa por provocar tal reação num homem; especialmente na­quele homem.

Tommy jamais prestara atenção a ela, jamais a olha­ra duas vezes. No entanto, ele nunca a vira vestida daquele jeito.

Sentia que precisava dizer-lhe algo; afinal, Tommy acabara de elogiá-la de um modo tão galante...

— O que... o que aconteceu com sua acompanhante? Tommy pareceu pensar por instantes. Então afas­tou-se da porta e disse:

— Ela não era minha acompanhante.

Carla sabia que ele mentia. Um homem como Tom­my Ramsay não iria a uma festa desacompanhado. Além disso, Valerie Rush era uma bela mulher, sofis­ticada, elegante, confiante em seu próprio charme; tudo o que ela, Carla, não era.

Entretanto, por que Tommy estava ali agora?

Bonito, charmoso, atraente, inatingível como Carla sempre o considerara.

Após seu casamento desastroso, ela jamais se interessara por outro homem, mas aquele era simplesmen­te impossível de se ignorar.

Ele deu mais um passo, fazendo-a recuar, receosa, e dar de encontro à parede. Sentia o coração acelerado, o corpo trêmulo, a respiração difícil. Tommy a sufocava com sua presença forte, devastadora.

A chuva caía mais forte agora, e as sombras no apo­sento pareceram se intensificar.

Carla gostou disso. Não queria que ele a reconhe­cesse. Ainda não.

Tommy esticou o braço, como se fosse tocá-la, mas deteve-se. Perguntou:

— Você sabe quem sou eu?

— Não — Carla mentiu.

Via os olhos dele mergulhados nos seus e estava encantada com isso. Pena ser tudo uma ilusão. Se Tom­my soubesse quem ela era na realidade, perderia o interesse, e toda aquela fantasia maravilhosa acabaria. Ele a trataria com a gentileza fria de sempre e seguiria seu caminho, ignorando-a.

Mais um passo e a mão dele, afinal, tocou-lhe o braço. Carla fez menção de fugir, mas parou ao ouvi-lo: — Espere, por favor!

Ela tremia, incapaz de controlar-se. Era uma mulher madura, uma professora capaz, uma ótima profissio­nal. Por que, então, se comportava como uma tola co­varde diante daquele homem?

Tommy soltou-lhe o braço. Não queria que sua pro­ximidade, seu toque a fizessem fugir. Não pretendia assustá-la.

— Desculpe... — sussurrou e, vendo-a estremecer, acrescentou: — Você está gelada. Sente frio?

Carla não respondeu. Voltou-se, dando-lhe as costas, mas sentindo ainda o calor do corpo dele logo atrás do seu. A sensação era inebriante.

Devagar, muito cuidadosamente, Tommy tocou-lhe

Tommy encarou aqueles lindos e assustados olhos. Ela era a mulher mais fascinante que já conhecera na vida. Paradoxal, ele diria, já que era tão inexpe­riente e pura e, no entanto, usava uma fantasia tão provocante.

— O que você quer? — perguntou a ela, sem saber como agir para agradá-la.

— Você.

Tommy não se deu tempo para pensar naquela res­posta. Ela era tudo o que poderia querer ouvir. Tor­nou-a beijá-la, mas agora com um desejo crescente, incontrolado. Não pensava apenas em saciar sua pró­pria paixão, mas queria que aquela mulher encontras­se tudo que esperava, tudo com o que sonhara, em seus braços. Queria que ela confiasse em tudo o que sua paixão poderia criar de maravilhoso para ambos.



— Minha dama misteriosa... — sussurrou, levando as mãos aos botões que prendiam o pequeno corpete oriental que ela vestia.

Com cuidado e muito carinho, Tommy passou a des­pi-la lentamente, saboreando cada nova visão de seu corpo escultural; beijava-a com suavidade conforme fa­zia o tecido escorregar, primeiro por seus braços, depois por suas pernas.

Queria fazê-la sentir-se segura de sua beleza, do poder de sedução que tinha sobre ele.

Tommy desconhecia todas as reações de seus sen­timentos àquela mulher. Ela o enlouquecia, tirava-o da realidade, fazia-o esquecer de sua própria identi­dade. E ele queria que ela soubesse disso.

Olhou ao redor, à procura de um lugar que lhes pudesse servir de leito, e viu uma das espreguiçadeiras aberta a um canto. Puxou-a consigo até ali e a fez deitar-se, enquanto dava-lhe um longo e ardente beijo.

Ela não se opunha a nada, e isso deixava-o cada vez mais afoito, numa necessidade premente de satis­fazer a paixão que aquela mulher lhe despertava.

Livrou-se depressa de suas roupas, sem nunca parar de beijá-la e acariciá-la com mãos e lábios, totalmente tomado pelo desejo.

A respiração profunda da garota incitava-o e mostra­va-lhe o quanto ela o queria também, o quanto poderia ser bom quando seus corpos trabalhassem num mesmo ritmo, unidos, em ondas ardentes de paixão. Ali, naquela penumbra, sobre o leito improvisado com a cadeira da piscina, o amor que fizeram foi intenso para ambos.

Uma experiência única, incomparável. Depois, quan­do seus corpos já repousavam, cansados e satisfeitos, juntos, Carla ouviu-o perguntar em voz fraca:

— Você tem hora para ir embora? Quero dizer... ficaria comigo por algum tempo, se eu lhe pedisse? — Tommy não queria que aquela noite terminasse. O que acabara de viver fora bom demais, inusitado, especial.

Ela apenas sorriu. Mas isso foi suficiente para fazê-lo entender que ficaria; que passaria o resto da noite junto dele. Tommy tornou a beijá-la, sentindo o desejo acender-se mais uma vez em seu corpo.

— Vou amar você a noite toda — murmurou, rouco. — Quero que sinta tanto prazer que não consiga mais me esquecer. Porque eu jamais vou esquecê-la.

Horas mais tarde, muito depois da meia-noite, Tom­my dormia, tendo Carla apoiada em seu peito. Ela ainda estava confusa e encantada com tudo o que acon­tecera. Pena ele não poder saber a verdade. Ela ficaria muito embaraçada se Tommy descobrisse que fizera amor com a amiga de sua cunhada, que ele provavel­mente considerava sem nenhum atrativo. Ele nem se­quer olhava para mulheres iguais a ela.

Não que isso a fizesse sofrer. Após seu divórcio, Car­la jamais quisera estar com um homem. Sabia o quanto um relacionamento poderia ser difícil, doloroso mesmo. Além disso, achava que podia confiar apenas em si mesma.

Desde que seus pais morreram, quando ainda era pe­quena, aprendera a não confiar em ninguém. O avô a tratara sempre como um fardo. O irmão deixara claro, desde cedo, que não a ajudaria em nada, nunca. E seu casamento fora o pior erro que poderia ter cometido.

Jamais contaria a Tommy o que acontecera nessa noite. Ele nunca saberia quem era aquela odalisca. No entanto, o melhor de tudo para Carla fora a certeza de ser uma mulher ardente, capaz de dar e sentir muito prazer. As acusações que o ex-marido lhe fizera mostravam-se, agora, totalmente injustas. Na verdade, elas eram apenas outra das armas dele para destruir sua autoconfiança.

Ergueu os olhos para ver Tommy adormecido. Era um belo homem. Tinha sido ótimo fazer amor com ele.

Aproximou-se, deu-lhe um beijo muito suave nos lá­bios e ergueu-se. Já era hora de sair dali. O encanto acabara.



CAPÍTULO TRÊS
— Onde foi que você se enfiou a noi­te toda? Por que saiu da festa tão cedo? Eu queria tanto que se divertisse!

Carla ouvia a repreensão da amiga em silêncio. Pu­xou uma cadeira e sentou-se à mesa redonda da cozi­nha de Brenda.

— Desculpe. Eu não quis preocupá-la — disse.

— Afinal, por que fugiu daquele jeito?

Carla pensava; não sabia exatamente o quanto de­veria revelar sobre sua aventura com Tommy.

— Brenda, eu estava me sentindo tão mal com aque­la roupa... — começou. — Talvez, se não estivesse usan­do algo tão... tão...

— Sensual?

Carla viu o sorriso maroto no rosto da amiga. Con­tinuou, um pouco vacilante:

— E. Eu não conseguia olhar para as pessoas vestida daquele modo.

— Sinto muito ter escolhido algo que a desagradou. Só queria que percebesse o quanto pode ser atraente. Sabe, Tommy notou você.

O coração de Carla bateu mais forte ao ouvir aquele nome.

— Ele comentou alguma coisa? — indagou, num murmúrio.

— Perguntou quem você era.

— E você disse a ele?!

— Não, fique tranqüila. Falei apenas que era uma convidada. Afinal, não seria tão ruim assim se ele co­meçasse a gostar de você, não?

Carla demorou a responder. As lembranças dos mo­mentos que passara com Tommy voltavam-lhe à mente e perturbavam-na. •

— Ele... se aproximou de mim — conseguiu dizer.

— É mesmo?

— Sim. Conversamos um pouco perto da piscina. Estava chovendo, lembra? Ele pareceu atraído...

— Você está falando sério? E o que aconteceu?

— Bem... nada... — Carla odiava ter que mentir para a amiga, mas não via outra saída. — Ele não me reconheceu.

— E óbvio que não. Está acostumado a vê-la assim! — Brenda indicou o vestido escuro que Carla usava.

Com o cabelo preso na nuca e os óculos de lentes grossas, estava muito longe de se parecer com a odalisca da noite anterior.

— Não zombe, Brenda. E prometa que nunca vai dizer a ele.

— Mas, Carla, querida, eu...

Brenda foi interrompida pela chegada de Jason e Tommy. Carla sentiu-se tensa de imediato.

— Achei que vocês dois tinham ido pescar — disse Brenda, parecendo surpresa. — O que houve?

Tommy aproximou-se da cunhada e, fazendo-a le­vantar-se, deu-lhe um abraço apertado e um longo beijo no rosto.

— O que eu fiz para merecer isso? — ela perguntou, sorrindo.

— Você me convidou para sua festa, cunhada que­rida! Obrigado!

Jason sorriu e meneou a cabeça, dando a Carla a sensação horrivelmente embaraçosa de que Tommy lhe contara tudo o que acontecera. Pedia a Deus que não orasse, que não demonstrasse o quanto estava se sen­tindo constrangida. As palavras de Jason desviaram-lhe um pouco os pensamentos:

— Está muito frio para pescar. Além disso, Tommy está agitado demais hoje para conseguir ficar quieto, esperando os peixes aparecerem.

Tommy também sentou-se à mesa. Parecia, de fato, ansioso, alegre demais.

—Que tal um café, cunhada? — pediu. — Depois, quero falar com você. — E, voltando-se para Carla, cumprimentou-a casualmente: — Ah... você é Carla, não? Como vai?

— Olá. — Carla não conseguia imaginar como ele fora capaz de lembrar seu nome.

Era difícil estar ali, ao lado daquele homem, e lem­brar-se de tudo o que ocorrera na noite anterior. Precisou desviar os olhos, para não trair seus próprios pensa­mentos. Era bom que Tommy não a tivesse reconhecido.

— Vou fazer um café caprichado para você, cunhado! — Brenda foi até o fogão, deixando Tommy tamborilando os dedos sobre a mesa num excesso de energia incontrolável.

Os olhos dele passaram, alheios, pela cozinha, até incidirem sobre Carla outra vez.

— Então? O que vocês duas pretendem fazer hoje? Ela sentiu-se corar. Achava-se uma idiota por não conseguir parecer natural diante dele. Procurou com­por a melhor expressão possível para responder:

— Estávamos falando sobre o novo programa esportivo no qual estou trabalhando na escola. Ele procura facilitar o relacionamento entre crianças que têm problemas para se sociabilizar. São meninos e meninas que precisam se exercitar, queimar energias e aprender a compartilhar suas alegrias e decepções. O esporte ajuda muito nisso.

Pensei em começar com basquete, mas não sei se vai funcionar porque não é um esporte que exija muito contato físico. Eu e Brenda estávamos comentando que foi ótimo Jason ter aceitado ser instrutor.

— Você parece realmente ligada a essas crianças.

— Sou, sim. Adoro meus alunos.

— E acha que pode provocar alguma mudança com esse programa? Não acha que é esperar demais?

Carla esqueceu por segundos o que vivera na noite passada. Não gostou do tom que ele usou ao fazer-lhe tal pergunta.

— Faço o melhor que posso. Pelo menos, estou ten­tando ajudar as crianças.

Jason percebeu o tom de animosidade entre ambos e interveio:

— Ah, Carla, preciso avisá-la de que não poderei ajudá-la na escola. Apareceram alguns problemas no escritório e não vou mais dispor de tempo para ser o instrutor. Conversei com Tommy hoje pela manhã e ele concordou em levar o projeto adiante, com você.

Ela não podia acreditar no que acabara de ouvir. Olhou para Tommy e viu-o sorrindo de leve. Pigarreou e ajeitou os óculos sobre o nariz.

— Não sei se... isso seria uma boa idéia.

— Por que não?

Na verdade, Carla não conseguia achar uma razão plausível para não aceitá-lo.

— E que... serão três ou quatro noites por semana e precisamos de alguém que tenha muita paciência com as crianças, que seja um exemplo, um modelo para elas...

— Mas eu sou um bom exemplo! Sou advogado, como Jason. Tenho uma vida bem estruturada. E sou paciente.

— Eu não sei. Você já trabalhou com crianças antes? Essas, em especial, podem ser bem difíceis.

— Tommy deve compreendê-los bem — Jason interrompeu.__Ele mesmo foi um garoto bastante difícil.

Tommy riu e definiu a situação:

— Então, estamos acertados. Quando começo?

Carla levantou-se devagar. Percebeu que ele seguia seus movimentos com o olhar, mas não percebeu ne­nhum sinal de que a estivesse reconhecendo.

—. Eu ligo avisando — respondeu. Voltou-se para

Brenda e Jason e despediu-se.

Antes que chegasse à porta da rua, pôde ouvir Tom­my comentando:

— Essa é a mulher mais séria e fria que já conheci.

Acho que ela não me suporta.

Jason riu.

— Não está acostumado a ser tratado com distância pelas mulheres, não?

— Meu irmão, às vezes dá até para cansar. Carla bateu a porta atrás de si, irritada, e se foi.

O escritório estava na mais absoluta ordem. Carla notava a funcionalidade de cada peça de mobília. Nada ali parecia ser demais, ou estar fora dos padrões de praticidade. A sala era confortável, sem nenhuma se­melhança com o estilo de vida pessoal de Tommy. A porta se abriu, e ele apareceu, acompanhado pela se­cretária, com a qual Carla já falara. Tommy sorria, cordial, e, de repente, ela achou que sua visita ali fora precipitada. Mas, afinal, se não tivesse agido por im­pulso, talvez jamais achasse coragem novamente.

Brenda comentara que Tommy sempre perguntava sobre a odalisca da festa. Queria saber quem era. Carla esperava que ele se esquecesse do que acontecera, que considerasse aquilo mas uma aventura sem conse­qüências. No entanto, sabia o quanto isso a magoaria. Sentia-se, na verdade, um tanto confusa.

— Desculpe por fazê-la esperar. — Ele lhe ofereceu a mão, que Carla apertou.

— Espero não estar atrapalhando. Sei que deve estar ocupado. Achei que devia vir até aqui para dizer.-lhe que aceito sua oferta para trabalhar comigo na escola. Pretendemos começar na semana que vem, e quis dei­xar com você o material que tenho sobre as crianças.

Tommy aceitou os papéis que ela lhe oferecia e fez um gesto indicando o interior de sua sala.

— Venha, sente-se um pouco. Vamos conversar. —Não quero tomar seu tempo mais do que o necessário.

— Não, não se preocupe com isso. Também gosto de ter um breve intervalo de vez em quando, para descansar um pouco.

Carla seguiu-o e sentou-se diante da grande escri­vaninha à qual Tommy se sentava, ostentando a ati­tude oficial de qualquer bom advogado.

Após dar uma olhada nos papéis que ela lhe entre­gava, Tommy tornou a encará-la.

— Você é bem detalhista — comentou.

— É apenas um resumo dos aspectos psicológicos das crianças que vamos acompanhar. Achei que seria bom se você conhecesse os problemas de cada uma. Há garotos com problemas de indisciplina; alguns até já receberam cartas de advertência. Uma vez dentro do time, eles sabem que terão de aceitar as regras para continuar no programa. Em outras palavras: entendem que terão de trabalhar juntos para poder chegar a algum lugar. Esse programa já foi utilizado em outras escolas, e os resul­tados têm sido bastante satisfatórios.

Tommy assentiu antes de perguntar:

— Quantas crianças estão inscritas?

— A lista de que lhe dei tem nove nomes, mas esse número pode variar. Além disso, as crianças poderão ser desligadas do programa tão logo apresentem me­lhoras em seu aproveitamento escolar.

— Vai haver algum tipo de competição com outros times?

Carla não respondeu de imediato. O interesse de Tommy parecia verdadeiro e a confundia. Ele estudava com cuidado os papéis que tinha em mãos. Ela obser­vava-lhe os cabelos negros, ondulados. Acariciara-o com tanto carinho naquela noite...

Quando Tommy ergueu o rosto, surpreendeu-lhe o olhar e, instintivamente, passou a mão pelos cabelos, perguntando:

— O que houve? Já tenho muitos fios brancos?

— Não... Eu estava só pensando.

— Sobre?

— Sobre o que me perguntou. Não acho que tenha­mos de competir com outras escolas, a princípio.

Tommy encarou-a por segundos. Depois, recostou-se à cadeira e cruzou os braços.

— Sabe — começou —, você tem um olhar... intenso. Em especial, quando fala das crianças.

Carla endireitou-se na cadeira.

— Bem, eu não acho que meus olhos tenham muito a ver com este programa.

— Eu sei, Foi apenas uma observação.

Ele continuava olhando-a, parecendo tão à vontade, tão tranqüilo, que Carla teve a nítida impressão de que Tommy a estava provocando. Resolveu sair logo dali. Levantou-se.

— Além das observações pessoais, há algo mais que queria discutir? — perguntou, séria.

O sorriso continuava nos lábios dele. Parecia ina­tingível. Passou a examiná-la com maior atenção, bai­xando os olhos por todo o seu corpo. Era óbvio que notava as roupas sóbrias, de corte reto, que lhe ocul­tavam toda a feminilidade.

— Você é alta para uma mulher.

O comentário não a agradou, embora fosse condi­zente com a realidade.

— Se não tem mais nada para dizer sobre o pro­grama, acho que já vou indo. Não quero atrapalhá-lo.

Carla voltou-se para a porta, mas Tommy logo estava à sua frente, bloqueando-lhe o caminho. Eleja não sorria mas ainda havia um ar divertido em seus olhos.

— Desculpe-me. Não quis parecer grosseiro. Posso... ficar com suas anotações sobre as crianças?

Carla não sorriu. Nada disse sobre as desculpas que ele acabara de pedir. Respondeu apenas:

— Faça como quiser. Tenho minhas próprias anotações.

— Ótimo. Então, quando começamos?

— Quando seria bom para você? Mandarei notifica­ções aos pais das crianças tão logo me forneça seus horários disponíveis.

— Bem, eu vou verificar minha agenda e volto a falar com você. A que horas sai da escola?

Carla hesitou por instantes antes de responder:

— Às quatro.

— Estarei lá. Talvez possamos ir a algum lugar e preparar um horário que seja bom para nós dois. In­felizmente, não posso fazer isso agora; estou com muito serviço e...

— Está certo. Obrigada.

Carla saiu de lá rapidamente. Concordara depressa demais com a proposta dele, mas não conseguira pen­sar em mais nada. Aquele homem deixava-a tensa e, ao mesmo tempo, provocava-lhe recordações alucinan­tes. Teria que aprender a lidar com elas. Não podia se acovardar diante da situação, não agora. Sabia que o melhor modo de lidar com um problema era encará-lo.

Ela estava junto à mesa quando Tommy apareceu. Parado diante da porta aberta, lá estava ele, olhando-a daquele jeito casual que a desequilibrava por completo.

Para Tommy, era estranho estar ali, diante daquela professora tão dedicada. Não conseguia se lembrar de ter tido uma assim na infância.

Aquela não era mais, apenas, a melhor amiga de Brenda. Começava a respeitá-la como uma mulher de valor; uma professora realmente disposta a ajudar seus alunos. Uma verdadeira educadora.

— Disseram-me onde eu poderia encontrá-la. — Tommy entrou na sala, olhando ao redor. — E muito bonito aqui.

Carla sorriu, com certo orgulho.

— Obrigada. Procuro tornar a sala de aula um local agradável.

Havia muitos cartazes feitos pelas crianças pendu­rados nas paredes. Tommy foi até um armário cheio de jogos e de atividades lúdicas: dominós, tabelas, blo­cos, quebra-cabeças. A sala dava a impressão de ser um local de muito trabalho pedagógico.

Tommy voltou-se para ela.

— Você gosta mesmo de ensinar.

— Sim. E as crianças costumam responder bem a meus métodos.

— Tenho certeza de que sim. Você parece ser au­toritária e gentil ao mesmo tempo. Acho que as crian­ças não a temem, mas a respeitam.

Carla encarou-o por instantes. Não compreendia bem o que havia por trás daquelas palavras. Sinceri­dade, talvez. Ou ironia... Resolveu expor o que pensava de sua profissão:

— Os alunos não devem temer os professores. Faço o melhor para que os meus se sintam à vontade, con­fiantes a ponto de conversar comigo se precisarem.

Tommy desviou o olhar. Aquela mulher o fazia lem­brar-se de quando era pequeno, de quando se sentia magoado e sempre na defensiva porque seu pai não estava por perto e sua mãe não queria ser incomodada. Seus professores não se preocupavam com os problemas dos alunos. A idéia que faziam de compreensão limitava-se a mandá-lo para a biblioteca quando ele atrapalhava as aulas. Tommy jamais tivera uma professora como Carla.

— Algo errado, Tommy?

A pergunta dela, sua percepção aguda de que algo o afetava, despertou-o de suas lembranças. Voltou-Se para vê-la.

— Tenho muito respeito por todos os professores — disse, muito sério. — Aliás, respeito todas as pessoas que cuidam de crianças. Há muita gente que não se importa com elas e nem mesmo com os próprios filhos.

Tommy arrependeu-se de imediato do que disse. Carla o observava, interessada, disposta a descobrir o porquê da angústia que percebera em sua voz. Viu-o dar passos incertos pela sala, tocar de leve as carteiras, colocar no lugar livros ou lápis deixados sem cuidado sobre elas.

— As crianças gostam de mim, mas estão sempre com pressa quando o sinal toca. — Carla passou a ajudá-lo com a ordem das carteiras.

— Você tem filhos? — A pergunta surpreendeu a ambos. Carla não a esperava, e Tommy percebia-se subitamente interessado nela.

— Não.


— Não é casada?

— Bem, eu...

— Quer ter filhos algum dia? — Tommy parecia mais ansioso em formular as perguntas do que em ouvir as respostas.

Ela achou melhor ignorar as indagações sobre sua vida particular. Pegou a bolsa.

— É melhor irmos. Tenho algumas provas para corrigir hoje à noite e preciso preparar as aulas de amanhã.

Tommy não protestou. Sabia que teriam muito tem­po pela frente para se conhecerem melhor. Logo aquela professora o deixaria aproximar-se sem impor uma barreira de frieza e distanciamento.

A idéia o fez lembrar-se de outra mulher, que não oferecera tal barreira, mas que desaparecera de sua vida Ainda se sentia aborrecido ao lembrar que acor­dara sozinho, e não conseguira acreditar que tudo ti­vesse terminado de modo tão rápido.

Pensou poder descobrir quem era aquela garota, mas Brenda dissera que ela não queria ser identificada. Era desagradável a idéia de jamais encontrá-la de novo. Afinal, aquela noite tão maravilhosa significara tão pouco assim para ela?

— Acho melhor irmos no meu carro — surpreen­deu-se dizendo a Carla.

— Prefiro dirigir.

Outra resposta seca e firme. Tommy percebia a frie­za que ela demonstrava, mas não a compreendia.

— Por quê? — perguntou, sem saber ao certo se queria ou não ouvir a resposta. Viu-a morder o lábio inferior e achou-a vulnerável e atraente nesse momen­to de indecisão.

— Está bem — Carla concordou, por fim. — Vou com você.



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