Criada em 14 de março de 1959, pelo arcebispo da época, dom Manuel da Silveira D`Elboux, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (puc) festeja, na próxima quarta-feira, com missas às 9h 10 e 18h 30, seu 42º aniversário de fundação



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Encontro27.02.2018
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O Deputado GUSTAVO FRUET (PMDB-PR, pronuncia o seguinte discurso)- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, analisando a relação entre informação e poder, pergunta-se quais suas conseqüências em matéria eleitoral. É inegável o poder de influência exercido pela mídia. A propaganda objetiva, sem hipocrisia, obter o voto, influenciar a vontade do cidadão, persuadir, sendo difícil dimensionar com precisão a influência da propaganda ou do conjunto de fatos que se produzem durante o período eleitoral.

Marketing eleitoral é uma ferramenta muito poderosa. As pessoas precisam ser "tocadas", apelando-se ao uso de rótulos e definições curtas, de impacto, notadamente quando se fala a milhões de eleitores. Daí, a necessidade de estratégia, expressão bem ao gosto de publicitários. Se há "responsabilidade sobre a imagem de determinado candidato, a quem você julga honesto, competente e dono das idéias corretas, tem de saber que não será fácil passar isso para o eleitorado. O mau candidato poderá passá-lo para trás, atropelar suas idéias se tiver uma máquina de propaganda melhor. Mas isso é o jogo."

Quem bem compreende este "jogo" é Hannah Arendt, que em ensaio sobre "verdade e política", afirma que a verdade primeira da política é a verdade factual - não é nem evidente nem necessária, é o que lhe atribui a natureza de verdade efetiva é que os fatos ocorreram de determinada maneira e não de outra. Assim, cada vez mais o debate político submete-se à publicidade. Felizmente ou não, mas excludente. Comunicação não é o que se transmite, mas o que as pessoas entendem. Tal destaque, inclusive, deve ser tratado como uma distorção na relação de igualdade, remetendo-se o tema às promessas não cumpridas da democracia, em particular a não eliminação do poder invisível. Representa a consolidação da criação de instrumentos capazes de criar ou destruir imagens - 'tirania da media', que tornou obsoletas as técnicas tradicionais de campanha.

Destaque-se que o século XX foi marcado por grandes transformações, apresentando contradições e impasses. Dentro destas transformações, especial destaque aos novos meios de comunicação social, os quais superaram as naturais resistências e transformaram-se em importante instrumento de conhecimento, de decisão, de poder.

Analisando se esta transformação em matéria eleitoral, pode-se afirmar também, que uma das grandes revoluções na propaganda, talvez a maior, seja a incorporação e o aprimoramento do denominado marketing político na busca do controle do poder, sendo importante ressaltar a diferença entre informação e interpretação; entre informação e opinião.

Se o surgimento de novos instrumentos na área de comunicação, permite sua democratização, por outro lado, a informação é imposta aos indivíduos sem que estes tenham podido se preparar para recebê-las, nem prever as suas conseqüências. Na sociedade contemporânea, por excelência comunicante, será importante recordar que informação não é saber, ter acesso à informação não significa ter acesso a conhecimento dos fatos. Cumpre desmistificar a crença de que o homem moderno por estar informando está na posse do sentido dos acontecimentos. E um dos maiores exemplos de manipulação e de percepção seja a emissão difundida por Orson Welles, em 1939, a qual anunciou a invasão da terra pelos marcianos. Este fato entrou para os anais da radiodifusão americana, quando massas humanas em pânico, saíram às ruas escapando daquilo a que chamavam "a Guerra dos Mundos". Comentando essa ocorrência, o famoso sociólogo Mac Luhan afirmou: "Hitler fez a mesma coisa; só que não brincava". Note-se que trata-se de conceito que vem sendo aperfeiçoado ao longo ao longo dos anos, tendo por referência, em especial, as técnicas de propaganda política do Terceiro Reich, as quais demostraram eficiência na manipulação da sociedade alemã em torno de um projeto autoritário. Este período da história consagrou, de forma desvirtuada e brutal, a propaganda como instrumento essencial para a persuasão. "o projeto nazista foi o primeiro a conceber uma estratégia de marketing político para assumir o controle do Estado e dominar toda a sociedade". Sem dúvida, uma manipulação inédita na história que pode ser percebida pela presença de símbolos nazistas ainda presentes no imaginário contemporâneo. Segundo a jornalista Paula Diehl, "Hitler considerava abertamente a manipulação das massas como instrumento político. Esta é a grande novidade e força do nacional-socialismo: a explicitação de um método para o combate da massa por meio da propaganda." "Pode-se dizer que Hitler foi inovador em sua propaganda. Não porque novas técnicas tivessem sido inventadas pelo nacional-socialismo, mas o que faz a sua propaganda tão eficaz são principalmente as combinações de elementos coletados de várias fontes, como teatro, ópera, propaganda política e dos meios de comunicação de massa que acabavam de nascer nos anos 20." Este período demonstra de forma clara, a utilização da emoção como elemento de identidade, num discurso muitas vezes, ambíguo. "A memória de um acontecimento é invariavelmente mais redonda e completa do que o próprio".

No mesmo sentido, esclarece Bobbio ao analisar a manipulação dos sistemas de comunicação política operantes nas várias sociedades, a serviço de grupos politicamente privilegiados. Um dos tipos de "distorção é o devido à manipulação indireta da comunicação de massa por parte do Governo e dos grupos privados que a controlam. Nas sociedades de capitalismo avançado, esta manipulação implica o tratamento dos diversos problemas em termos de uma 'paraideologia' científica que reduz as questões da distribuição do poder a problemas técnicos de maximização da eficiência, com uma linguagem concentrada exclusivamente nos meios e não nos fins,..." Em especial, para aqueles que procuram uma falsa dicotomia entre técnico/político. Para o primeiro, a eficiência. Para o segundo, o retrato da atividade brutalizada. Curitiba já conhece esse discurso. Assim, o uso que se faz da informação, de símbolos, pode revestir-se de forma clara ou oculta, de propaganda. Seja ela, direta, indireta ou sublinhar. Porém, com claros propósitos e com a utilização de recursos públicos a favor de um Partido, uma candidatura, uma facção. Como distorção no processo político-eleitoral, deve-se refletir sobre o discurso político como guia na atuação governamental.

Se atualmente, no sistema representativo, a eleição pelo voto reafirma a democracia, é contraditório verificar que cada vez mais o debate político submete-se à publicidade. Submete-se a idéia à forma - aro de óculos, tipo de roupa, mensagem, ...

Deve-se ter como princípio que não se procura estabelecer limites à liberdade de informação e de expressão, não sendo suficiente assegurar o fim da censura formal, de memória viva na história do País. Porém, constata-se como prevalente na atividade política atual o marketing como a grande ferramenta. Ferramenta supostamente neutra, mas que também constrói realidades que muitas vezes chocam-se com os fatos. Constata-se a submissão da razão à emoção, à manipulação. Não se condena a emoção na esfera pública e nem acredita-se na não neutralidade da informação. Bem ensina o eloqüente Padre Vieira sobre a mentira e a maledicência no Sermão da 5ª dominica da Quaresma, Maranhão, 1964: "... estae certos que cada um ouve, não conforme tem os ouvidos, senão conforme tem o coração e a inclinação." Quem esclarece este desvirtuamento é o Prof. Torquato Jardim: "A tirania da 'media', que se tornou pela sua notável capacidade de criar ou destruir imagens, se não o único, certamente um instrumento insubstituível de aliciamento eleitoral, que tornou obsoletas as técnicas tradicionais de campanha." E completa: "Os recursos de manipulação das mentes, subliminares ou mesmo explícitos, são ilimitados. Os exemplos na história deste século são incontáveis: os cultos de personalidade, a 'fabricação' de mitos, a 'produção' de candidatos, a escolha de assuntos para 'públicos-alvo', são apenas algumas das expressões que as campanhas políticas consagram. A 'maioria silenciosa', presa à rotina do trabalho e dos problemas caseiros, é alvo tradicional... Sensível à excitação que possa tirá-la da modorra, tende a abraçar candidatos, partidos, plataformas, idéias, projetos e políticas que lhe ofereçam a ilusão do diferente e do melhor."

A intenção de muitos, é a de controlar a informação, seja através de leis, da violência, da censura, de concessões, ou que é o pior, através do controle publicitário. É menos transparente. Esclareça-se que se fala na abolição da censura oficial, oriunda do poder institucional; no entanto, hoje, a censura conhece novos enfoques não menos perniciosos. Entretanto, este não é o comportamento dominante. Nem seria possível diante da complexidade dos meios de comunicação. Os fatos ainda ditam o comportamento, apesar de alguns pensarem o contrário. Felizmente, pertence à natureza democrática, o fato de que nada pode permanecer confinado no espaço do mistério.





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