Cultura e religiosidade popular no Terno de Reis Humildes em Alegria



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Cultura e religiosidade popular no Terno de Reis Humildes em Alegria –

1966 a 1993

Fabiane da Silva Andrade


Resumo


O presente artigo busca discutir as festividades desenvolvidas pelo Humildes em Alegria, grupo de Terno de Reis da cidade de Santo Antonio de Jesus – Ba, que manteve suas apresentações entre os anos de 1966 e 1993. A partir das narrativas dos ex-integrantes do grupo discutimos como as festividades do Terno de Reis possibilitaram o ressignificar do bairro do Andaiá, espaço cotidiano que é repensado, sendo a ele atribuído significados simbólicos a partir das experiências da festa.

Palavras-Chave: Terno de Reis; Cultura; Memória.

Abstract


This article aims to discuss the festivities developed by “Humildes” in “Alegria”, a group of “Terno de Reis” from Santo Antonio de Jesus city, estate from Bahia, which kept their presentations between the years 1966 and 1993. From the narratives of ex-members of the group,

we discussed how the celebrations of the “Terno de Reis” allowed the meaning and the context of the neighborhood “ Andaiá”, a everyday space that is rethought, and we attributed the symbolic meanings from the experiences of the party.



Keywords: “Terno de Reis”; Culture; Memory.

Neste trabalho nos dedicamos a discutir as festividades do Terno de Reis Humildes em Alegria a partir de seu imbricamento com as vivências pessoais de D. Maria Bernardina de Jesus, idealizadora do grupo, sem perder de vista as vivências coletivas geradas pela e na festa de Reis. Percebemos que a festa não se limita ao dia festivo, ela é tecida no cotidiano da localidade com o trabalho coletivo de pessoas que se dedicavam à sua organização e que viam nela parte integrante de sua labuta cotidiana.

Nas análises em torno das comemorações do Humildes em Alegria, a festa é tomada por nós como uma prática que acontecia durante boa parte do ano, e que culminava nas apresentações que se davam em fins de janeiro. Assim, a preparação da festa de Reis tornava-se elemento característico do cotidiano local. De acordo com a concepção de festa apontada por Del Priore, (PRIORE, 2000.) buscamos atentar para as funções sociais da festa de Reis do Humildes em Alegria, dando ênfase para as relações de poder, devoção e para os múltiplos usos dos espaços festivos que congregavam em si o rezar e o festar.1

Para tanto, passamos a coletar as narrativas daqueles que, de alguma maneira integravam a festa de Reis do Humildes em Alegria. Através dessas narrativas conseguimos compor imagens múltiplas das festividades do grupo que abordavam questões diversas; imagens essas permeadas de religiosidade, diversão, elaboração de fantasias, poder, dentre outros elementos que se revelarão ao longo do texto. A multiplicidade de perspectivas apontadas pelas narrativas nos revela os diversos interesses dos indivíduos que faziam uso da festa do Terno. Esse termo “fazer uso” não deve ser notado como pejorativo ou desvalorativo; ao contrário, é justamente por ter tantos usos que a festa se mantinha e se tornava uma manifestação dinâmica e rica em significados.

As narrativas nos conduziram para uma diversidade de elementos vinculados aos ensaios, aos leilões desenvolvidos para angariar fundos para o Terno de Reis, aos segredos da escolha dos Reis do Terno, ao caruru de Santa Bárbara ofertado na casa de D. Bernardina; enfim, as narrativas nos possibilitaram perceber a amplitude de elementos que se congregavam nessa festividade de caráter popular.

Um sonho: Humildes em Alegria

O Terno de Reis Humildes em Alegria surgiu e manteve-se durante quase três décadas na rua Ferreira Silva, localizada no bairro do Andaiá, na cidade de Santo Antonio de Jesus2. O surgimento do Terno, segundo narrativas dos moradores locais, tem origens míticas, sendo fruto de uma revelação tida em sonho por D. Bernardina. Segundo os narradores, ela teria sonhado com a representação bíblica da visita dos três Reis Magos ao Messias, como narra Eliseu:3


Um sonho. Ela foi dormir e teve um sonho. Ela viu uma mulher com uma criança e um menino, um rapaz de junto, ela viu, uma mulher, uma criança e um rapaz de junto e ao redor daquele menino e aquela senhora e o senhor tinha...inúmeras pessoas dançando e cantando, no sonho dela.4
Eliseu nos informou que esse sonho fora interpretado por D. Bernardina como uma revelação, onde o nascimento de Cristo era representado. Desde então, ela se sentiu na obrigação de efetuar os festejos de Reis, o que foi feito a partir da elaboração de um Terno de Reis que, segundo nos informou Losa5, a princípio, chamava-se “Terno das Irmãs Unidas, depois foi que ela arrumou Terno das Humildes em Alegria”.6 O nome Irmãs Unidas devia-se ao fato do primeiro desfile se constituir apenas por senhoras moradoras da localidade.

Araújo, ao fazer um panorama das festividades populares da Bahia, descreveu em breves linhas o Terno de Reis Humildes em Alegria:


No final do mês de janeiro sai às ruas de Santo Antonio de Jesus o Terno de Reis Humildes em Alegria, concebido há aproximadamente vinte anos por Maria Bernardina de Jesus, de 54 anos. Durante as suas apresentações, o quarteirão de sua sede, no bairro de Andaiá, transforma-se em local de festas e ponto de atração para o povo da cidade. (ARAÚJO, 1986: 198).

As informações apontadas por Araújo nos permitem, a princípio, situar em 1966 o ano de início das festividades, quando D. Bernardina, ainda muito jovem, com cerca de trinta e seis anos de idade, organizou o referido Terno de Reis.

Araújo, além de descrever as festividades do grupo, entrevistou D. Bernardina a fim de compreender o impulso inicial que a levou a organizar o Humildes em Alegria:
Eu estava muito jovem. Tive um sonho que me disse que eu tinha de fazer terno. Uma voz me disse: “Faça um terno de Reis”. “Meu Deus, como é que eu vou fazer um terno de Reis, se é tão difícil?” A voz respondeu: “Faça! Experimente! Tenha coragem, enfrente a realidade!” Foram três dias de sonho. E eu fiz o terno. (ARAÚJO, 1986: 199).
A narrativa acima é a única que nos apresenta a própria D. Bernardina falando do Terno de Reis. Ao se referir ao início do grupo, destaca o sonho que tivera, ressaltando a repetição desse durante três dias. O que poderia ser associado ao número dos primeiros visitantes do Messias, já que, de acordo com as narrativas bíblicas (BÍBLIA SAGRADA, 1991.), foram três os Magos que se dirigiram para o local de nascimento de Cristo. Assim, as apresentações do grupo surgiram a partir de uma revelação mítica, tida em sonho, o que caracteriza a sacralidade da festa, que passa a ser notada pelos moradores da localidade como uma manifestação religiosa.

Na entrevista com D. Bernardina, transcrita por Araújo, percebemos ainda que não havia a intencionalidade dela desenvolver as festividades aos Reis Magos: “Meu Deus como é que eu vou fazer um terno de Reis, se é tão difícil?”. Transparece na transcrição a resistência em efetuar o festejo, possivelmente por perceber as dificuldades que se imporiam para sua efetivação. Inferimos, no entanto, que a insistência da voz e dos recorrentes sonhos levaram D. Bernardina a organizar o Terno de Reis Humildes em Alegria, que manteve suas apresentações durante 27 anos.

Cabe destacar que é recorrente nas festividades do catolicismo popular a relação entre o desenvolvimento de um festejo devocional com sonhos ou revelações. Carvalho, ao discorrer sobre os Ternos de Reis da cidade de Jequié na Bahia, destaca o fato dessa festividade, por vezes, ser fruto de revelações, como ocorreu com o senhor Altamiro Ribeiro Nascimento, daquela localidade:
seu” Mirão conta que estava certo dia fazendo um café em um fogão de carvão quando ouviu uma voz que dizia “ele mora aqui”, seguida de vozes que cantavam e instrumentos que tocavam cantos de Reisado. Quando saiu de dentro de casa, nada encontrou e não viu os cantadores de Reis. Segundo ele, esse foi “um sinal dos Santos Reis” e, então, a partir daí, decidiu formar um Terno de Reis que denominou Boa Esperança. (CARVALHO, 2002:56).
Muitas festividades em homenagem aos Santos Reis têm início por motivos religiosos como promessas devocionais que são direcionadas a esses “santos”.7 Em outros casos os motivos de serem iniciados grupos de Terno de Reis partem, como o exemplo de Jequié–BA, de revelações. Assim como ocorreu com seu Mirão, D. Bernardina também desenvolveu seu Terno de Reis a partir de uma revelação. O elemento diferenciador no caso de D. Bernardina é o fato dela não ter recebido apenas a revelação para fazer o Terno. Os sonhos se mantiveram durante todos os anos de existência do grupo, e ela recorrentemente sonhava com as fantasias e canções da festa, como nos informou Eliseu: “O importante de tudo de Bernarda8 é que Bernarda só fazia tudo quando ela sonhava”.9 Os sonhos de D. Bernardina direcionavam a organização do grupo, as fantasias, as canções, todos os elementos que compunham o Terno eram fruto dessas revelações.

Os modelos das fantasias, inclusive os detalhes como capas e adereços, eram confeccionados com base nos sonhos de D. Bernardina. Segundo Eliseu, ela descrevia suas revelações a fim de que as pessoas que auxiliavam na produção dos trajes o fizessem exatamente igual ao que ela havia sonhado. Seguir as orientações de D. Bernardina se tornava algo imprescindível, uma vez que seus sonhos eram notados como revelações, por meio das quais o sagrado se mostrava. Dessa forma, suas orientações deveriam nortear as ações dos integrantes e organizadores do grupo.

Eliade, (ELIADE, 1998) ao analisar questões referentes às manifestações do sagrado, entende que as relações do sagrado encontram-se intermediadas pela relação com os elementos simbólicos que expressam a sacralidade, mas também encontram-se vinculadas às vivências dos indivíduos. Determinados elementos passam a ser notados como sagrados ou a representarem a sacralidade em situações históricas específicas, o que aponta a inter-relação entre os processos sociais e a manutenção ou criação de crenças e de ritos, como aconteceu com os sonhos, notados pelos componentes do Terno como norteadores da elaboração do festejo de Reis do Humildes em Alegria.

Das narrativas dos moradores da rua Ferreira Silva emerge sempre a relação entre a religiosidade católica e as vivências de D. Bernardina; não obstante, algumas narrativas se referem à oferta de caruru no mês de dezembro, às canções que se reportavam a alimentos tipicamente ofertados nos terreiros aos orixás, dentre outros elementos, que nos conduziram a perceber que, além das experiências católicas, D. Bernardina trazia consigo conhecimentos acerca da religiosidade afro-brasileira, mais especificamente sobre o candomblé. Passamos, portanto a buscar inter-cruzar as experiências pessoais da idealizadora do grupo com os elementos que compunham as festividades do Terno, assim notamos que na festa do Humildes em Alegrias havia espaços para sambas-de-roda, coroação de Reis Negros, desfiles de baianas que expressavam rememorações de festividades afro-brasileiras.



Festa e poder: os Reis do Terno

Nas festividades do Humildes em Alegria muitas características se revelam, porém um dos elementos mais lembrado pelos entrevistados refere-se à coroação dos Reis e Rainhas da festa, figuras de destaque nos desfiles. Eles eram escolhidos secretamente por D. Bernardina, gerando, portanto muita curiosidade e burburinhos durante os preparativos e ensaios do Terno.

No Terno de Reis de D. Bernardina, os Reis e Rainhas, em sua maioria negros, eram escolhidos e desfilavam à frente do grupo. A importância desses personagens nas festividades do Terno era tamanha que o momento mais esperado pelos espectadores era a coroação da Rainha da festa, o que ocorria antes da saída do cortejo, em frente à casa de D. Bernardina.

Eliseu, em suas narrativas, costuma se referir aos Reis e Rainhas como o “carro chefe” do Terno de Reis, o que nos chama a atenção para o fato de que nas festividades do grupo havia destaque para aqueles que eram “empossados” e que nos dias de desfile do Terno adquiriam importância central nas representações do grupo. Esses Reis e Rainhas que compunham o Terno são figuras que nos remetem a possíveis rememorações das cortes africanas existentes na África cristianizada e no Brasil Colonial.

Em seus estudos sobre as festas de reis negros no Brasil escravista Souza afirma que “A Eleição de Reis por comunidades de africanos e seus descendentes foi costume amplamente disseminado na América portuguesa” (SOUZA, 2001: 249). As festas aos Reis Negros se desenvolveram no Brasil com o objetivo de manter a lembrança africana de seus rituais, bem como, proporcionar-lhes um momento em que pudessem se sentir em situação de privilégio sobre a corte portuguesa, mesmo que isto não extrapolasse os limites dos valores simbólicos. A tradição de coroar os Reis Negros se manteve no Brasil e se desenvolveu em várias localidades, Henry Koster, descreve estes festejos do século XIX na Ilha de Itamaracá - PE da seguinte maneira:

Aos negros do Congo permitiram e eleição do reis e da Rainha entre os indivíduos dessa nação. Os escolhidos para esses cargos exercem uma espécie de falsa jurisdição sobre seus vassalos, da qual muito zombam os brancos, mas é nos dias da festa em que exibem sua superioridade e poder sobre seus companheiros.(CASCUDO, 2003: 72-73).

Souza chama nossa atenção para a interligação que havia no século XIX entre a coroação do Rei negro e a igreja católica, pois “No dia de reis, quando a irmandade festejava o ‘santo Baltasar’, o capelão coroava os reis na missa e lavrava no livro da irmandade o termo de eleição do rei, da rainha e dos demais cargos” (SOUZA, 2001: 251). O Rei negro era coroado no interior da igreja católica e por um representante direto desta, no entanto, com o passar dos anos as festividades de coroação aos Reis negros passam a ganhar outros significados, dissociando-se da ação direta da Igreja Católica.

As celebrações que se mantiveram no Humildes em Alegria em muito se assemelham às descrições efetuadas por Souza, o que nos conduz a reflexões sobre as possíveis manutenções de heranças dos rituais afro-brasileiros. Dona Balbina se refere ao motivo da existência dos Reis da festa dizendo que “não porque ela botava o rei pra combinar com a ... como é que fala? Ela dizia... africano”10, apesar de não especificar que relação havia entre o Rei do Terno e os rituais africanos, a fala de D. Balbina nos revela a possibilidade de existir um conhecimento acerca da ancestralidade afro-brasileira deste ritual.

No Humildes em Alegria o que chama atenção não é apenas o fato de haver a coroação de Reis da festa, pois a coroação de Reis ou Imperadores em festividades do catolicismo popular é recorrente, mas a particularidade de durante os primeiros anos do desfile haver a presença de apenas um Rei negro. Apesar da festa do Humildes em Alegria constituir-se num Terno de Reis, não havia a figura dos Três Reis Magos nas festividades do grupo. Esses só foram inseridos após anos de desfiles quando D. Bernardina sonhou com tal representação, como aponta Eliseu:


Antigamente era um Rei, era só um Rei quando ela sonhou que viu os três homens vestidos com aquela capa de padre, com aquela roupa de padre, eu disse: “olha Bernarda, eu já sei, é os três Reis”. Ela disse: “É mesmo, agora que eu vim a entender”. “Bernarda, os três Reis, vamos colocar os três Reis?” “Vamos”. Peguei, pegava o jornal, cortava o modelo das capas do Rei, aquela coisa.11
Nos primeiros anos da festa havia apenas a figura de um Rei Negro nos desfiles do Terno, a partir do referido sonho de D. Bernardina passam a ser inseridos os três Reis, representando os Magos que visitaram Jesus na manjedoura. A partir do momento em que Eliseu e D. Bernardina inseriram os três Reis no Terno, tiveram o cuidado de atentar para que fossem escolhidos rapazes que lembrassem as supostas raízes nacionais. Para tanto, os três escolhidos deveriam ser um negro, um moreno e um branco, a fim de que representassem a multiplicidade de raízes étnicas existentes no país.

A Rainha do Terno era, ao lado do Rei, a figura mais esperada do desfile. Todo o mistério que permeava sua escolha, a eleição, as fantasias criavam em torno dos Reis uma atmosfera de curiosidade e de admiração coletiva. Eliseu aponta, em suas narrativas, a possibilidade de que a Rainha Negra fosse utilizada como meio de afirmação identitária, uma vez que D. Bernardina era uma mulher negra:


Ela também não esqueceu de colocar dentro do Terno de Reis uma pessoa negra, porque ela era negra e era apaixonada por negros. Ela colocava uma Rainha Negra no Terno. Se bem que isso não faz parte do Terno de Reis, mas ela botava.12

Conforme Lody, não percebemos as manifestações e a manutenção de tradições afro-brasileiras no Brasil como representativos apenas de traços culturais; ao contrário, percebemos e ressaltamos a carga identitária e a “busca de ocupação de poder, unindo-se a diferentes seguimentos do amplo processo de conscientização do negro”. (LODY, 2006:05) Afinal, a busca de permanências de traços culturais destaca a necessidade de manutenção de características que identifiquem e que destaquem as vivências afro-brasileiras. Essas vivências podem ser percebidas em momentos da festividade do Humildes em Alegria, mais especificamente no destaque dado aos Reis negros da festa.

A consciência de que novos elementos eram acrescentados no Terno de Reis fica explícita na fala de Eliseu ao afirmar que, mesmo sabendo que a Rainha Negra não fazia parte do Terno, ela (D. Bernardina) colocou a Rainha Negra e a manteve durante todos os anos da festa. Perceber a consciência da criação de um elemento é essencial para notarmos que havia o desejo do grupo de inovar as apresentações, mantendo o interesse de pessoas das mais diversas faixas etárias, já que desde crianças de sete anos até senhoras de terceira idade desfilavam e se divertiam nas festas do Humildes em Alegria. Além disso, os segredos que circundavam as figuras dos Reis da festa levavam muitos jovens a ambicionarem o cargo, participando intensamente dos ensaios e da organização do festejo.

Considerações finais


Nesse artigo privilegiamos as questões referentes às revelações que impulsionaram o desenvolvimento da festa de Reis de D. Bernardina, bem como, a presença dos Reis Negros que integraram as festividades do grupo em questão, por notarmos que as narrativas dos ex-integrantes do Terno davam ênfase a esses aspectos.

Não tivemos como objetivo esgotar as discussões acerca das permanências e reestruturações das tradições afro-brasileiras nas festividades do Terno de Reis Humildes em Alegria, mas buscamos apontar as possibilidades de ressignificação das festividades do catolicismo popular que podem agregar em si elementos diversos que rememorem tradições cristãs, intercruzando-os com características típicas da localidade e com tradições étnicas diversas.



FONTES ORAIS:


  1. Eliseu dos Santos, 52 anos, professor. Eliseu foi um dos grandes companheiros de D. Bernardina na construção dos festejos do Terno, ele auxiliava nas tomadas de decisões, nos ensaios, na confecção das fantasias, na arrecadação de donativos, enfim, era o seu braço direito e pessoa de sua total confiança.

  2. Balbina de Jesus, 78 anos, aposentada. É moradora da rua Ferreira Silva há mais de 25 anos, costumava levar os filhos e netos para participar dos ensaios do Terno, tendo seus filhos desfilado como Reis do Terno.

  3. Maria Lealdina Sacramento de Jesus, 60 anos, aposentada. Mais conhecida como Losa, era amiga de D. Bernardina, desfilou no Terno como porta-estandarte por vários anos, até o seu casamento. Posteriormente acompanhava seus filhos nos desfiles do grupo.


REFERENCIAS:
ARAÚJO, Nelson de. Pequenos Mundos: Um panorama da cultura popular da Bahia. Tomo I – O Recôncavo. Salvador: Universidade Federal da Bahia (EMAC). Fundação Casa de Jorge Amado, 1986.
CARVALHO, Domingos Ailton Ribeiro. Tradição e Memória dos Ternos de Reis de Jequié. In AGUIAR, Ednalva Padre (Org.). Recorte de Memória, Cultura, Tradição e Mito em Vitória da Conquista e Região. Museu Regional de Vitória da Conquista. UESB, 2002.
CASCUDO, Luís da Câmara. Antologia do Folclore Brasileiro, volume 1, 9. ed. São Paulo; Global, 2003.
ELIADE, Micea. Tratado de História das Religiões. 2. ed. Tradução Fernando Tomaz e Natália Nunes. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Evangelho de São Mateus. Cap I, versículo de 9 a 11. In Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. Paulus, 1991.
LODY, Raul. O Povo do Santo: religião, história e cultura dos orixás, voduns, inquices e caboclos. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2006.
MACHADO, Maria Clara Tomaz. Folia de Reis: liturgia do povo recriando o mistério da vida. In Rosangela Patrota (Org.). História e Historiografia: Perspectivas contemporâneas de investigação. Universidade Federal de Uberlândia, Programa de Pós- Graduação em História: Edufiu, 2003.
SOUZA, Marina de Mello. História, mito e identidade nas festas de reis negros no Brasil – séculos XVIII e XIX. IN: Festa: Cultura & Sociabilidade na América Portuguesa. Volume I. István Jancsó, Íris Kantor (Orgs.). São Paulo: Hucitec, 2001.


 Mestre em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB. fabhist@hotmail.com.

1 Expressão utilizada por Machado no texto: MACHADO, Maria Clara Tomaz. Folia de Reis: liturgia do povo recriando o mistério da vida. In Rosangela Patrota (Org.). História e Historiografia: Perspectivas contemporâneas de investigação. Universidade Federal de Uberlândia, Programa de Pós- Graduação em História: Edufiu, 2003.

2 A cidade de Santo Antonio de Jesus situa-se no Recôncavo Baiano, tendo uma área territorial de 259 KM2 e população de 84.256 habitantes, censo do IBGE, 2007.

3 Eliseu durante muitos anos auxiliou D. Bernardina na organização do Terno de Reis Humildes em Alegria.

4 Entrevista realizada com Eliseu dos Santos, 48 anos, em 26/03/2003.

5 Losa era vizinha de D. Bernardina e, durante os primeiros anos do Terno, desfilou como porta-estandarte. Após casar-se parou de integrar o grupo, mas sempre acompanhou os festejos e, algumas vezes, suas filhas também desfilaram no Terno.

6 Entrevista realizada com Maria Lealdina Sacramento de Jesus (Losa), 60 anos, em 16/01/2008.

7 Apesar das promessas e da devoção dedicada por muitas pessoas aos “Santos Reis”, eles não são reconhecidos pelo catolicismo oficial como portadores de santidade, apenas como homens pagãos.

8 Os integrantes do Terno de Reis Humildes em Alegria costumam se referir a D. Bernardina como “Bernarda”.

9 Entrevista realizada com Eliseu dos Santos, 52 anos, em 29/01/2008.

10 Entrevista realizada com a Sra Balbina de Jesus , 78 anos, em sua residência no dia 17/06/2007.

11 Entrevista realizada com Eliseu dos Santos, 52 anos, em 19/11/2007.

12 Entrevista realizada com Eliseu dos Santos, 48 anos, em 26/03/2003.



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