Curso: TÉcnicas de alfabetizaçÃo e letramento módulo 2 caminhos do saber letrado



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CURSO: TÉCNICAS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
MÓDULO 2

CAMINHOS DO SABER LETRADO

As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.



Aprendemos palavras para melhorar os olhos.”

Rubem Alves
A escolarização como assunto de políticas públicas passa a ser vista somente na Constituição de 1891, muito embora com responsabilidade maior com ensino secundário e superior. Com relação ao ensino elementar as normatizações e reformas eram as maiores preocupações, porémporém, as reservas orçamentárias pouco contribuíram com as práticas eficazes. Lembrando que o Censo de 1920 apontava que 72% da população ainda encontra-se iletrada e o direito a voto era restringido aos não alfabetizados, o direito a cidadania ainda seria uma conquista.

Aos poucos, as Cartas Magnas vieram trazendo em seus textos pontos relativos à educação básica e apenas em 1946 menciona-se um percentual de recursos que Estados e União deviam na Educação.

A Lei 5692/71 foi onde se observou maiores vínculos e responsabilidades do governo relacionados a educação. Nesse texto foi onde estabeleceu-se diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus.

Embora ainda precisemos de muitos avanços no que diz respeito a educação básica, podemos dizer que o texto da Carta de 1988 constitui no princípio do ideal em educação cidadã, participativa e democrática propondo a "igualdade de condições para o acesso e permanência na escola" (art. 206, I), gestão democrática no ensino público, o dever do Estado em prover creche e pré-escola às crianças de 0 a 6 anos de idade (art. 208, IV), a oferta de ensino noturno regular (art. 208, VI), o ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive aos que a ele não tiveram acesso em idade própria, (art. 208, I), o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiências (art. 208, III) estabelecendo, também, a parceria técnica e financeira entre Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios priorizando o atendimento prioritário a escolaridade obrigatória (art. 211, § 1º).

Portanto, mesmo tendo assegurados os direitos a educação e sabendo que muitas melhorias surgiram e que o índice de analfabetismo do Censo de 2010 caiu para 9,6% para a população maior de 15 anos, ainda precisamos de muitas conquistas no que diz respeito a alfabetização no Brasil.

Gráfico 01 – Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais no Brasil de 2007/2013

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007/2013.

Nessa trajetória oficial a alfabetização foi absorvendo estudos, pesquisas, fundamentações e implantações que puderam colaborar com o aumento dos índices de pessoas com direito ao acesso a leitura e a escrita.

Embora, hoje ainda saibamos que possuímos parte da população que mesmo considerada alfabetizada sabe somente o essencial, não supomos ou concebemos que a aprendizagem da leitura e escrita não faça parte do contexto da maioria da população. Concomitante a tudo isso surgem uma enorme gama de métodos e técnicas para poder auxiliar e contribuir com o crescimento da população que tenha acesso ao mundo letrado, mas somente após os anos 70/80 surge a consideração ao que diz respeito a compreensão do processo de aprendizagem.

Ao final do século XIX inicia-se a produção de cartilhas no Brasil ampliando o acesso a cultura e ao saber letrado. Ao mesmo tempo surgem as discussões acerca dos métodos a serem aplicados, as políticas públicas do momento, as necessidades editoriais, estudos científicos de diferentes profissionais da educação e as possibilidades e necessidades de educandos e educadores.

Inicialmente, dava-se notoriedade ao reconhecimento e nomeação das letras, depois a organização de sílabas e posteriormente formação de palavras e, finalmente, frases, enfatizando a caligrafia, ortografia e o desenho das letras.

Era considerado alfabetizado aquele que sabia ler e escrever. Não sendo relevante o tipo de escrita. A interpretação não era levada em consideração em qualquer momento, escrever o próprio nome e ler um bilhete simples, já colocaria a pessoa nos dados de alfabetizado.

Hoje, há um consenso que todas essas discussões devem permear os campos: educacional, científico e cultural que se entrelaçam proporcionando ou não as aquisições do saber letrado, o acesso cultural e político a toda e qualquer camada da população.

A preocupação com a infância e suas peculiaridades são instrumentos da modernidade. Até o século XIX por diversos fatores, inclusive físicos, como altas taxas de mortalidade, o papel da criança na sociedade praticamente não existia. A criança nasce socialmente no final do século XVIII quando surge o capitalismo, a família começa a ser um núcleo independente e responsável pelas suas próprias condições de sobrevivência. A criança desse período é aquela que não tem conhecimentos, vontades, mas é vazia, ignorante, frágil e dependente. “Nesse momento a escola confirma-se como instituição responsável pela separação das crianças e jovens do mundo adulto, por meio de práticas autoritárias e disciplinares em defesa da formação do futuro cidadão”. (ANDRADE, 2010, p.6)

Para Andrade apud Moreira e Vasconcelos (2003, p.171), É importante considerar que o projeto de escolarização do século XVIII destinava-se às crianças e jovens da aristocracia e burguesia, visto que, por muito tempo, as crianças camponesas permaneceram misturadas ao mundo adulto. [ ...] a escola tornou-se uma instituição fundamental na sociedade, quando a infância passou a ser vista como fase dotada de diferença, a ser institucionalizada, separada do restante da sociedade e submetida a um regime disciplinar cada vez mais rigoroso.

No que diz respeito a alfabetização brasileira ainda há muitos caminhos a serem percorridos, uns bem amplos outros nem tantos, mas o que se torna relevante é o desejo que esse direito seja ampliado, superado e absorvido a todos os passageiros dessa viagem ao mundo colorido da alfabetização.

Nos próximos passos serão mencionados os diversos métodos e técnicas utilizados pelas escolas brasileiras. As nomenclaturas e classificações sofrem variações, por isso iremos focar nos objetivos, organização e interferências que cada um deles apresenta.
O QUE SÃO OS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO ?

"As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos."
"Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem.
O ato de ver não é coisa natural.
Precisa ser aprendido!"


Rubem Alves
Sobre a importância do mundo letrado assista ao curta-metragem premiado: Vida Maria


  • https://www.youtube.com/watch?v=Bs87_NQTM0M

Os métodos são caminhos, etapas, princípios, procedimentos baseados em teorias que organizam e sugerem a prática do professor com a intenção de desenvolver e possibilitar a aprendizagem da linguagem escrita e da leitura.

Alfabetizar ensinar ler e escrever. Vem do grego ALFA (primeira letra do alfabeto) BETA (segunda letra do alfabeto) e IZAR (tornar, fazer com que).
Como menciona MORATTI, 2008

A história da alfabetização no Brasil se caracteriza, portanto, como um movimento complexo, marcado pela recorrência discursiva da mudança, indicativa da tensão constante entre permanências e rupturas, no âmbito de disputas pela hegemonia de projetos políticos e educacionais e de um sentido moderno para a alfabetização.


A prática da alfabetização no Brasil, até hoje, baila em uma música cheia de ritmos buscando encontrar seus pares perfeitos para assim desfrutar de uma valsa tranquila e arquitetonicamente executada transformando a vida de todos os participantes dessa festa uma dança mais harmônica e brilhante.

Enquanto não se consegue chegar a um consenso sobre o melhor para nossas crianças participamos de altos índices de analfabetismo, exclusão escolar e o analfabetismo funcional sendo tolerado como aceito.

O leque de sistemas de aprendizagem, métodos e teorias acerca da alfabetização são inúmeros. As vezes as mudanças são ínfimas, outras usa-se uma mistura de várias propostas, outras vezes as crianças participam de aulas sem nenhum preparo prévio pelos adultos responsáveis pela aprendizagem.

O importante é identificar o melhor trabalho a ser desenvolvido para que a aprendizagem seja funcional, proveitosa e enriquecedora para o maior interessado, o educando.


O ESTUDO DA LÍNGUA E CONTRIBUIÇÕES AOS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO.
Guimarães Rosa me disse uma coisa que jamais esquecerei, tão feliz me senti na hora:

disse que me lia "não para a literatura, mas para a vida" 
Clarice Lispector. 

A linguística é a ciência que investiga a linguagem e os fenômenos relacionados a ela, buscando entender a forma, princípios, características e estruturas da linguagem verbal humana. Aos linguistas cabe o estudo e desenvolvimento de modos de entendermos a linguagem.

A relação da linguística com a alfabetização é estreita e direta, seja pelo educador, que precisa entender os diversos tipos de estruturação da língua, seja pelos teóricos que estudam a ciência da aprendizagem. Como a escrita e a leitura são mais um instrumento de comunicação a aprendizagem está ligada a linguagem oral.

Um dos primeiros meios de comunicação com o mundo é a fala e ela é uma aprendizagem de relações sociais. A criança aprende a falar comunicando-se com os que estão ao seu redor. Portanto, a fala é uma soma entre a racionalidade humana e da socialização do indivíduo, uma necessidade.

No ambiente familiar a fala é uma simples maneira que a criança encontra de satisfazer seus desejos e necessidades. É com ela que começa a selecionar o que deseja, sente e necessita. No ambiente escolar a criança começa a perceber que sua linguagem não serve mais apenas para comunicação, mas que ela também é avaliada. O que a principioprincípio era um instrumento de comunicação passa a ser corrigido e conduzido a um padrão formal do que se espera de um indivíduo que tem acesso a informação e a aprendizagem.

A alfabetização é um somatório de estudos da linguagem, da língua e dos signos (grafia e fonema) que formam a comunicação e expressão do educando.

Por isso é importante o educador, principalmente em um país de grandes dimensões como o Brasil, que entenda e perceba as peculiaridades da aprendizagem da alfabetização.

Quando se trata das capacidades essenciais para alfabetização, é fundamental que o agente alfabetizador conheça como a mensagem linguística possui diversos tipos de estruturação e saiba como eles se inter-relacionam: “nível figurativo (fonético-fonológico), nível semiológico (sintático-semântico) e nível comunicativo (textual-transfrasal). (Poerch apud Klein, 1990, p.18)
A aprendizagem da escrita é um processo longo e repleto de ansiedades e expectativas, seja por parte das famílias, políticas públicas, comunidade educacional e pelas próprias crianças.

Se levarmos em consideração todos os aspectos e pessoas envolvidas nesse processo, deveríamos ter em mente que não há como determinar tempo. A progressão precisaria ser de acordo com o que o maior interessado, o aluno, compreende como aprendizagem. Mas sabemos que o real trabalho desenvolvido em boa parte das instituições de ensino brasileira é acelerado de acordo com o que determina o calendário escolar, as equipes de profissionais da escola e o que a família almeja.

Aos interessados na aprendizagem, sob o aspecto alfabetização, cabe discernir, compreender, estudar sistematicamente com eficácia os problemas, buscando soluções viáveis, capacitações, intervenções aprimorando o desenvolvimento e aprendizagem do aluno.

A grandeza da Educação emana precisamente de sua capacidade de responder, à altura, ao desafio de promover o desenvolvimento das competências e habilidades dos educandos, a despeito das mais adversas e limitadoras circunstâncias. Frente a uma dificuldade de aprendizagem, educadores de estatura (como uma Anne Sullivan, por exemplo) jamais pensariam em atribuir o fracasso momentâneo de seus educandos (seja a notável Helen Keller ou o anônimo Zezinho) a limitações imanentes ou circunstanciais desses educandos (como cegueira-surdez ou pobreza), mas sim à falta de um método apropriado para ajudá-los a aprender e a desenvolver-se, apesar dessas limitações. (CAPOVILLA, 2007, p.4)

Aprender a ler não é um ato mecânico, nem automático, decorar não é aprendizagem e saber ler e escrever é conhecer o mundo.

O conceito de alfabetização como decodificação já não cabe mais em nossas escolas. Precisamos de seres letrados, que entendem a leitura em diferentes contextos, situações. Sabem usar a leitura e a escrita a seu favor para transformação e cidadania. Assim, precisamos de uma série de fatores para contribuírem com essa aprendizagem, independente de metodologia.



A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES

"Ensinar não é transferir conhecimento e sim criar


ar possibilidades de apreensão."

Paulo Freire
Enquanto tínhamos classes de crianças doutrinadas e não educadas, em que o professor era o transmissor de conhecimentos, que o papel social da família não interferia na aprendizagem, o que se exigia de formação do educador era simplesmente que ela precisava saber mais que seus alunos. Uma formação básica assegurava a aprendizagem, não havia necessidade de formação continuada e capacitação permanente.

Com as mudanças sociais do que se espera da escola e da educação, o professor também precisou rever e se adaptar ao novo modelo de um profissional qualificado, caso contrário não há lugar no mercado de trabalho.

Ou seja, para responder aos interesses e desafios das demandas do mercado, a docência criou um novo aspecto de adquirir, manter e renovar competências profissionais através de um conjunto de saberes e informações adquiridos não só na teoria, mas na prática e na atualidade.

O professor alfabetizador precisa também ter competência, conhecimento a entendimento sobre a linguística, afinal ela é a base da aprendizagem alfabetizadora.

Precisa entender o processo de aquisição da linguagem oral, da leitura e da escrita, capacidades essas que não são inatas, mas sim apreendidas e influenciadas socialmente, o que muitas vezes gera regionalismos e que são refletidas na aprendizagem da língua escrita. O professor como um auxiliar na formação da cidadania não basta ser um mero reprodutor de metodologias e exercícios programados para um padrão pré-determinado de aluno, mas precisa entender, avaliar e buscar alternativas que se encaixem melhor as necessidades de seus educandos.

São as situações de uso da leitura e da escrita e o valor que se dá a essas práticas sociais que configuram um ambiente alfabetizador – um contexto de letramento – e um espaço de reflexão sobre como funcionam as coisas no mundo da escrita: os materiais em que se lê, as situações em que se escreve e se lê, a forma como os adultos lêem e escrevem, como se escrevem os nomes das pessoas queridas e o próprio nome, o que dizem as embalagens que circulam em casa, a direção da escrita e da leitura em nossa língua (da esquerda para a direita), quantas e quais letras se colocam para escrever, por que há mais letras do que parece necessário nos textos escritos, o que está escrito aqui e ali, que letra é essa, como se lê essa escrita… e assim por diante. (PROFA, MEC)

Para assegurar aos alunos seu direito de aprender a ler e escrever, é indispensável que os professores tenham assegurado seu direito de aprender a ensiná-los. Cabe às instituições formadoras a responsabilidade de preparar todo professor que alfabetiza crianças, jovens e adultos para:

• encarar os alunos como pessoas que precisam ter sucesso em suas aprendizagens para se desenvolverem pessoalmente e para terem uma imagem positiva de si mesmos, orientando-se por esse pressuposto;

• desenvolver um trabalho de alfabetização adequado às necessidades de aprendizagem dos alunos, acreditando que todos são capazes de aprender; • reconhecer-se como modelo de referência para os alunos: como leitor, como usuário da escrita e como parceiro durante as atividades;

• utilizar o conhecimento disponível sobre os processos de aprendizagem dos quais depende a alfabetização, para planejar as atividades de leitura e escrita;

• observar o desempenho dos alunos durante as atividades, bem como as suas interações nas situações de parceria, para fazer intervenções pedagógicas adequadas;
• planejar atividades de alfabetização desafiadoras, considerando o nível de conhecimento real dos alunos;

• formar agrupamentos produtivos de alunos, considerando seus conhecimentos e suas características pessoais;

• selecionar diferentes tipos de texto, que sejam apropriados para o trabalho; • utilizar instrumentos funcionais de registro do desempenho e da evolução dos alunos, de planejamento e de documentação do trabalho pedagógico;

• responsabilizar-se pelos resultados obtidos em relação às aprendizagens dos alunos.

O desenvolvimento dessas competências profissionais é condição para que os professores alfabetizadores ensinem todos os seus alunos a ler e escrever. Não é possível ensinar a todos quando se sabe ensinar apenas àqueles que iriam aprender de qualquer forma, por viverem em um contexto que provê condições e favorece suas aprendizagens. (PROFA, MEC)
Entretanto, vivemos em uma sociedade que valoriza títulos. Esta é a nossa realidade. Com este tipo de comportamento social, é bastante comum, conhecermos professores alfabetizadores que, apesar de não terem um título, são extremamente competentes, aprenderam com suas experiências na vida e em estudos particulares. Portanto, um título de universidade, por exemplo: graduado em Pedagogia, por si só não é uma garantia de que o profissional é competente. Ser um bom profissional requer estudo e dedicação constante, não apenas até a colação de grau.

MÉTODOS ANALÍTICOS E SINTÉTICOS

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música


não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

Rubem Alves
Os considerados métodos conteudistas, tradicionais ou clássicos são os nomeados como sintéticos e analíticos.

Esses métodos têm como características o professor como o único detentor do saber, a criança é apenas um ser que chega para como uma página em branco e não possui saberes.


...atribui-se ao sujeito um papel irrelevante na elaboração e aquisição do conhecimento. Ao indivíduo que está· adquirindo conhecimento compete memorizar definições, enunciados de leis, sínteses e resumos que lhe são oferecidos no processo de educação formal a partir de um esquema atomístico. (Leão apud Mizukami, 1986. p.11)
Esses métodos contavam com aulas expositivas e com praticamente nenhuma contribuição dos educandos, como se fossem súditos a cumprir os mandamentos de seus mentores intelectuais, os professores.

Estruturou-se através de um método pedagógico, que é o método expositivo, que todos conhecem, todos passaram por ele, e muitos estão passando ainda, cuja matriz teórica pode ser identificada nos cinco passos formais de Herbart. Esses passos, que são o passo da preparação, o da apresentação, da comparação e assimilação, da generalização e da aplicação, correspondem ao método cientifico indutivo, tal como fora formulado por Bacon, método que podemos esquematizar em três momentos fundamentais: a observação, a generalização e a confirmação. Trata-se, portanto, daquele mesmo método formulado no interior do movimento filosófico do empirismo, que foi a base do desenvolvimento da ciência moderna. (Saviani, 1993. p.55)



SINTÉTICOS
Entre os métodos chamados sintéticos encontramos os alfabéticos, fonéticos e silábicos.

O processo de alfabetização sintético parte dos elementos menores que as palavras como letras e sílabas. Iniciam a correspondência entre sons e letras, oral e escrito. As unidades sonoras são transcritas em unidades gráficas. Assim sendo as percepções auditivas e visuais e controle motor são essenciais para que ocorra aprendizagem. Seu pressuposto baseia-se na “junção” de elementos menores aos maiores compondo um todo.

A leitura é a decodificação de sons e a audição é sentido mais estimulado no curso da aprendizagem.
ALFABÉTICOS
Usado na Grécia antiga é um dos métodos mais antigos que se tem registro.

O processo consite em iniciar o processo memorizando as letras e seus nomes. Unindo a representação gráfica com o som.

B + A =

BA

Posteriormente a representação da família fonética, inicialmente monossilábicas, dissílabas e assim por diante, até formar frases e por fim textos segmentados.



BA – BE – BI – BO – BU

BEBÊ – BOBO – BABA

O BEBÊ BOBO BABA.

O BOI BABA.

E as memoriza através de inúmeros exercícios, para em uma próxima etapa iniciar o processo com outra letra.

A prática da caligrafia já surge no início do processo de alfabetização. O desenho da letra é tão importante quando a escrita.

A leitura por sua vez também discorre silabada e desconexa com o contexto. Em geral somente depois de soletrar a palavra é que, através da memorização, a criança decodifica o que leu. Muito utilizado, ainda, em diversas regiões brasileiras, no momento da leitura surgem algumas dificuldades, como:

BE + A = BA

ENE + A = NA

ENE + A = NA

BANANA

A abstraçao necessária no que diz respeito ao nome da letra, no momento da leitura, fez surgir em determinadas regiões brasileiras, um novo tipo de alfabeto, carregado de brasilidade, como: A, Bê, Cê, Dê, Ê, Fê, .... Lê, Mê....


“Meu fá, minha fã

A massa e a maçã

Minha diva, meu divã

Minha manha, meu amanhã

Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã

Meu velar, meu avelã

Amor em Roma, aroma de romã”

Lenine – Meu amanhã

rnet

Cartilhas do método alfabético



Certamente quem foi alfabetizado nos anos 70 lembra de brincadeiras que surgiam com o uso do nome das letras do alfabeto que eram formas de as próprias crianças criavam na tentativa de decorar os nomes da letras, como pular corda recitando a ordem alfabética “qual a letra do nome do seu namorado? “, ou o jogo do a, b , c com as mãos onde em dupla se batia na mao do colega e quando eram as vogais o cumprimento era cruzado.

NOTA: lembrando que esses métodos são os que nos remetem a escolarizaçao formal. Durante muito tempo a prática do ensino ocorria informalmente em igrejas, em casa realizado por pessoas que soubessem um pouco mais sobre o mundo letrado. Assim, não havia uma “obrigação”no que diz respeito a sistematização ou formalização da alfabetização.



FÔNICO

A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”



Albert Einstein
Caiu em desuso após a implementação dos métodos chamados construtivistas, final dos anos 70, porém hoje volta a tona sendo considerado por alguns especialistas em educação como a melhor escolha para alfabetização na língua portuguesa.

As políticas públicas, inicialmente tinham como preocupacção garantir a ocupar o espaço escolar. Atender a demanda de colocar a populçao na escola, aumentando os índices de pessoas atendidas. Depois desse espaço ocupado e as crianças frequentando a escola passa ser necesária uma avaliaçao do andamento desse processo., pois frequentar a escola não garante aprendizagem. Cria-se então SAEB1 que como avaliava as escolas como um todo, precisou de um apoio avaliativo mais específico para que os gestores de cada escola pudessem mensurar os problemas de aprendizagem que enfrentavam. Inicia-se a aplicação da Provinha Brasil.2

Ao longo da aplicação dessas avaliações percebeu-se que havia sido instaurada uma crise no que diz respeito aos níveis de aprendizagem brasileira elevando as críticas aos métodos construtivistas, implemenatdos nesses período como sugestões de diversos materiais do MEC, retomando a confiabilidade e aplicabilidade do método fônico. Lógico que a metodologia aplicada provavelmente é a apenas umas das causas dessa significativa baixa de rendimento dos educandos. Falta de preparo dos professores, baixos salários e condições desfavoráreis de trabalho sã outras causas.

Com uma nova roupagem e com uma maior interação aluno/professor/aprendizagem o método volta a ser alvo de novos estudos e aplicações em escolas de todo país como o mais apropriado no processo de alfabetização, segundo uma parte dos estudiosos.

Como a alfabetização não é um ato inato, é necessário a construção da aprendizagem, a solidariedade entre os envolvidos no processo, o desejo, a frequência, a habilidade e a disponibilidade de aprender e de ensinar. Aprender é refeletir, imergir e transpor barreiras, é resignificar e interpretar o mundo sob um novo olhar, configurando também o método, a apropriação dele pelo educador e a aplicabilidade.

Ao longo do tempo houve uma variedade de nomeclaturas que têm como base a metodologia fônica. Método Abelhinha, Casinha Feliz, Campovilla, Boquinhas. Mas todos usam a mesma base da linha sintética que privelegia a correspondência grafofônica, tendo como princípio a relação direta fonema/grafema, ou seja, o som da fala e a escrita. Há uma sequência de implementação do processo, sendo letras, sílabas, palavras, frases e por fim, textos.



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