Da Sapucaí para casamentos



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A Comissão de Frente

Saúda o leitor, pede passagem e apresenta sua história
Elizeu de Miranda Corrêa

Mestrando em História da PUC/SP

Elizeu.m.c@uol.com.br

Da Sapucaí para casamentos

Comissão de frente da Unidos da Tijuca vira atração em eventos esportivos,

festas corporativas e particulares



POR BRUNA TALARICO
Rio - Com a apresentação mágica no Carnaval, a comissão de frente da Unidos da Tijuca conquistou um nicho no mercado do entretenimento que até então era dominado pelas baterias de escola de samba. Os bailarinos ilusionistas são agora atração cobiçada em eventos corporativos e esportivos, shows em cabarés e até festas de casamento. Anfitriões ávidos por deixar os convidados de boca aberta gastam no mínimo R$ 10 mil para tirar esse ‘coelho da cartola’. (TALARICO, 2010)

Imagem 1: Comissão de Frente da Unidos da Tijuca, Carnaval 2010. 1

Inebriados em meio a uma erupção de sensibilidades, o tempo era real, mas a imagem uma ilusão, e, numa fração de milésimos de segundo a cena se redesenhava, dando sentido ao acto fixando em nossa memória a um período de tempo muito curto como imagens caleidoscópicas, e, como que num flash do olhar já não o era mais. E a todo instante a tensão nebulosa entre o real e o imaginário, era solucionada na medida em que a magia das trocas de roupas era concretizada na cena.

Com a suave e sutil passagem do tecido que cobria os personagens da comissão de frente, durante a dinâmica teatralização, da coreografia proposta pelo conjunto, como que numa tela de cinema, tudo se descolava de uma cena para outra em frações de segundos, sugerindo novo sentido e ecoando outros discursos, a partir da roupa apresentada ao contexto idealizado. Assim desfilou a comissão de frente da Escola de Samba Unidos da Tijuca, arrebatando o título de campeã absoluta do carnaval 2010 à agremiação, este tido como maior espetáculo popular a céu aberto da terra, que é o desfile das Escolas de Samba da cidade Rio de Janeiro.

Não obstante, a proposta do trabalho transbordou a passarela do samba, na Sapucaí e se apropriou de um espaço até então, genericamente convencionado aos sambistas e não aos atores/bailarinos que executam performances, nas modernas comissões de frente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Acreditamos que pelo fato do espetáculo ter arrebatado toda atenção do público presente, da mídia televisiva, impressa e falada, devido à fácil comunicação articulada pela desenvoltura apresentada pelo grupo em questão, à materialização do tema do enredo defendido pela agremiação que era: É segredo!

Nesse cenário composto pelas informações produzidas acima, salientamos, que, “[...] O historiador parte do presente para remontar o fio do tempo até as sociedades do passado” (DOSSE, 2003, p. 101). Nesse panorama permeado pela performance, pretendemos dar um sentido a essa prática cultural, ao contextualizar o ponto de partida da gênese da comissão de frente, pois, compreendemos que a história que escrevemos parte de problemas do presente para a interrogação do contexto pretérito.

Assim, buscaremos envolver a inquietação que permeia parte das indagações que originaram esse artigo, bem como perceber como esse setor tão específico ao universo do desfile das Escolas de Samba se banaliza, tornando-se mais um fragmento da agremiação a virar mercadoria, e, portanto, se insere a sociedade capitalista de consumo.

Cabe ressaltar que o objetivo da imagem afixada no início desse texto, serve apenas como mera ilustração, assumindo a condição de simples moldura para esboçar nossa idéia, sendo assim, a mesma não adquire a condição de fonte imagética, para nossa pesquisa. Neste artigo, trataremos das transformações ocorridas na comissão de frente ao longo dos anos de 1928-1950.

Percebemos diante da bibliografia consultada que até o término da década de 1960, pouca coisa foi alterada nas normas dos regulamentos dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, conforme nos mostra Hiram Araújo e Jório Amaury: “[...] o chamado Regulamento Oficial, que sai todo o ano. Até a presente data – 1969 – pouco ou quase nenhuma alteração houve dos Regulamentos primitivos”. (ARAUJO & JÓRIO, 169, p. 24).

Estabelecemos aqui uma intercessão com o quadro apresentado pelos autores acima, uma vez que, observávamos a cada leitura dos regulamentos da década de 80-90 a não ocorrência de qualquer alteração significativa, no corpo do documento, principalmente no que tange à comissão de frente, nosso foco de análise.

A busca por fontes para a feitura desse artigo nos levou até o Centro de Memória da LIESA2, onde constatamos diante do material levantado e digitalizado por nós, além dessa questão da inércia das regras pertinentes à comissão de frente, percebemos a escassez de materiais referentes às normas e regulamentos do carnaval carioca anteriores aos anos de 80-90.

Tal afirmação é reforçada, no instante em que percebemos no discurso de Fernando Vinícius da Costa Araújo, coordenador do banco de dados e informatização do Centro de Memória da LIESA, durante nossa entrevista, o qual ratifica todas essas problemáticas apresentadas nos revelando que: “A história é importante, a informação de 2009 é fácil de ter, as informações de 80, é difícil. Por que não, o maior problema era guardar, não tinha como guardar, ou porque guardar a informação da Escola [...]”. (ARAUJO, 12 Nov. 2009)

Diante disso, recorremos à expressiva obra História do Carnaval Carioca, sendo ela metaforicamente um manancial de possibilidades e reflexões sobre a história do carnaval, recorrentemente apropriada por inúmeros pesquisadores para elucidação de questões. Essa obra é aqui utilizada, não com a pretensão de preencher lacunas, mas estabelecer um diálogo sólido com os objetivos eleitos para essa pesquisa em face da carência crônica de estudos sobre nosso tema em questão.

Sendo assim, achamos ser pertinente apresentar a procedência da palavra comissão, no Dicionário Houaiss (2009, p. 501) é apreendida como: “comissão sf (lat commissione) Conjunto de indivíduos encarregados de ocupar-se de determinado assunto”. Já a palavra frente: “sf (cast frente) é entendida nesse contexto como: vanguarda, que segundo sua origem: sf (fr avant-garde) Fileira, linha avançada de um exército, [...] onde se travam de uma batalha, parte anterior de qualquer coisa [...]”. (HOUAISS & VILLAR, 2009, p. 929)

Portanto, a própria etimologia do verbete frente sugere ao entendimento da comissão de frente da Escola de Samba, como sendo uma espécie de linha de combate, logo, ela impede infiltrações de pessoas não integrantes ao grupo em desfile. A partir dessa premissa, percebe-se uma prática do processo de exclusão social nos primórdios da comissão de frente enquanto função, aliás, contrariando então, o pensamento de alguns teóricos3 quanto à afirmação em haver a “participação”, “igualdade” e “ambiente democrático”, presentes na dinâmica de uma Escola de Samba.

Tangenciando nossa problemática, num primeiro momento qualificamos a comissão de frente como sendo, materialmente e simbolicamente, a guardiã da agremiação durante o desfile. Por conseguinte, pressupomos que outrora a ordem ameaçava a sobrevivência de prática ditas grotesca e violentas do Entrudo4, tal configuração tendia a anulação dessa atividade, ao revisitarmos Mikhail Bakhtin, o autor nos dá subsídios para concretude do nosso argumento, como podemos observar: “[...] Na prática, a festa oficial olhava apenas para trás, para o passado de que se servia para consagrar a ordem social presente”. (BAKHTIN, 2008, p. 8)

Na narrativa que se segue, para maior objetividade das questões sugeridas em passagem anterior, realizaremos um percurso bibliográfico para repensar algumas questões fixadas no imaginário universal do samba, muito embora, advertimos aos leitores não serem pormenorizados. Assim, a literatura produzida sobre o tema em debate, realiza-se em latitudes longitudinais, porém, problematiza-se de forma singela em alguns casos e omitindo-se em outros.

Nesse sentido, compreendemos que ao se tratar da comissão de frente da Escola de Samba, nos trabalhos produzidos. Nosso tema, aparece de maneira natural e reduzida ao patamar de mero quesito obrigatório que compõe a estrutura inicial do desfile da agremiação, e, portanto, suprimindo inúmeros valores.

Esse quadro se consolida a luz do trabalho de Julio César Farias, lançado pouco tempo depois do nosso ingresso no Programa Pós Graduação em História Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Por comissão de frente o autor insiste em desconsiderar sua inter-relação com outras dimensões para além da performance e sua função artística, na conjectura do momento do desfile, ao longo do seu texto, alguns aspectos poderiam ser mais aprofundados como o alcance da abordagem do tema e seus enfoques no domínio econômico, social e simbólico. Tampouco, parece promissor tecer críticas a obra, mas perceber a complexidade conceitual e metodológica envolvida na história da comissão de frente ausente em seu trabalho.

Quanto ao sentido do contexto do surgimento dessa prática cultural, há quase que uma unanimidade entre os autores5, por nós selecionados em reconhecer que as mesmas surgem como proposta dos préstitos6 carnavalescos, com o surgimento das Grandes Sociedades, em meados de 1855 e caracterizado por componentes montados a cavalo e elegantemente vestidos e posteriormente composto pela diretoria nas Escolas de Samba, vestidas por trajes tradicionais, tais como fraques e cartolas.

No entanto, o primeiro préstito realizado pelo Congresso das Sumidades Carnavalescas, como eram chamados os clubes ou associações carnavalescas, formada por intelectuais, políticos, músicos, comerciantes e pessoas da sociedade de melhor condição econômica na segunda metade do século XIX, conforme podemos observar em anuncio contido no Jornal Correio Mercantil (1955, p. 3), que na “[...] primeira linha de estrutura do desfile”, apresentava-se “uma patrulha da cavalaria municipal permanente” [grifos nossos], bem como, “[...] fecha o préstito outra patrulha de cavalaria, [...]” no encerramento do desfile.

Como bem indica em notícia veiculada pelo periódico da época supra citado, percebe-se nessa estrutura inicial de organização do préstito carnavalesco das Grandes Sociedades, uma linha de frente literalmente composta por militares da cavalaria da guarda municipal do Rio de Janeiro, remetendo a constituição do que viria a ser a comissão de frente da Escola de Samba, abrindo e encerrando o desfile. Contudo, acreditamos que antes de ser elemento estético e agregador a representação do conjunto, era um instrumento segregador. Exercendo um controle sistemático sobre o desfile da agremiação.

Diante dessa questão, impedia a infiltração de pessoas não pertencentes ao grupo de integrantes daquelas Sociedades Carnavalescas. Assim, uma vez que, o povo que formava a grande multidão no local dos desfiles, ficava a margem observando o préstito passar com suas carroças enfeitadas, nas estreitas ruas do Rio de Janeiro, sem ter acesso e numa condição de espectador passivo. A representação dessa população, através das nossas leituras e o contexto, nos submetem a pensar que o público fosse formado, por um grande contingente de escravos, ex-escravos e imigrantes.

Sinalizando uma postura crítica em relação ao período aqui referenciado, José Murilo de Carvalho nos proporciona a condição de visualizar uma fração da sociedade carioca, podendo tecer um paralelo lúcido a questão da segregação social no espaço do carnaval, embora, não seja pretensão do autor em seu estudo, mas acreditamos ser pertinente discorrer sobre o assunto, assim como podemos observar: “[...]. Os altos índices de população marginal e de imigração, o desequilíbrio entre os sexos, a baixa nupcialidade, a alta taxa de nascimentos ilegítimos são testemunhos seguros dos costumes soltos”. (CARVALHO, 1987, p. 27),

Paralelamente a manifestação carnavalesca das Grandes Sociedades, existiam os Zé-Pereiras7, e, segundo Jota Efegê esses conjuntos,
[...] levavam à frente vários “índios” em evoluções que pretendiam imitar as características de suas fantasias. Assim, [...] ameaçando com suas lanças e flechas, os “índios” abriam caminho. Ao jeito de batedores precediam o “pano” (gíria empregada para designar o enorme estandarte) [...]. (EFEGÊ, 1965, p. 65)
A partir da premissa referenciada no quadro acima, observamos uma insinuação de dramatização coreográfica no grupo dos Zé-Pereiras, cronologicamente situado na segunda metade do XIX. Pode parecer óbvio, o discurso de que as variadas e complexas coreografias, bem como as encenações das comissões de frente das atuais Escolas de Samba, nada mais são do que, o fruto amadurecido do ontem.

Nesse sentido, ruído até o caroço nos dias atuais, é preciso notar quais transformações as comissões de frente sofreram ao longo da passarela do tempo. Feito esses registros, cabe perguntar: a comissão de frente ainda está paralisada nas inspirações de ontem? A vida biológica da comissão de frente está intrinsecamente ligada a essa permanência, sendo um percurso natural? Essas interrogações devem ser respondidas por partes.

De imediato, aceitamos inquestionavelmente que os laços ainda não foram dissociados, sendo uma atualização, com enormes revitalizações das primeiras manifestações, embora em nossa concepção entendamos que o modelo atual negue os projetos fundadores, ou seja, uma velha fantasia que não cabe mais! Consideramos que essa manifestação não possuía o caráter civilizador/disciplinador das Sociedades, vez que o grupo caracterizava-se por desfilar pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, batendo bumbo, acompanhado pelo grupo de índio tocando apitos de forma estridente.

Nos anos seguintes, formaram-se outros grupos similares aos dos Congressos das Sumidades, e essa estrutura de organização de desfile com o grupo da comissão de frente foi mantido. Porém, o conjunto era integrado por jovens cavaleiros bem trajados (imagem 2), que além da função de abrir o caminho para a passagem das carruagens e os foliões mascarados, adotaram o gesto de saudar o grande público presente ao cortejo, já com o nome de comissão de frente. (FERREIRA, 2009, p. 11)



Imagem 2: Comissão de frente das Grandes Sociedades, primeira metade do século XX.

Antes de introduzir nossa análise sobre a imagem posta acima, cabe a nós estabelecermos um diálogo com estudos que abordam a imagem como possibilidade de conhecimento. No rastro desse pensamento, François Dosse ao analisar os pais fundadores do movimento dos Annales, Marc Bloch e Lucien Febvre, que em 1929 propunham ao historiador não satisfazer-se ao escrever estritamente sob os auspícios dos documentos, necessitando questioná-los e problematizá-los. (DOSSE, 2003, p. 113).

Transgredindo a ditadura dos documentos escritos, analisaremos a imagem posta acima, não como símbolo que ficou circunscrito ao passado. Pois, entendemos e aceitamos a fotografia como uma testemunha visual de um determinado momento histórico, não por si só, mas por revelar aspectos íntimos da sociedade pela lente da máquina e o olhar do fotógrafo. No entanto, cabe ressaltar que, de acordo com a interpretação dos autores sobre o objeto. (CARDOSO & MAUAD, 1997, p. 46)

Para nossas intenções, a imagem posta acima representa significados de uma natureza disciplinar, ou seja, padrões militares explícitos na ordenação das pessoas montadas nos cavalos e abrindo passagem, muito embora, não trajados com uniformes militares, mas com trajes elitistas, carregando em seu âmago as insígnias do poder, em outro momento da imagem temos uma grande quantidade de espectadores observando o desfile. Considera-se a partir da nossa leitura sobre a imagem, sem juízo de valores uma segregação espacial da população que não usufruía dos valores burgueses.

Assim, é preciso considerar, entretanto, que as imagens são polissêmicas e indefinidas, verdadeiros códigos de um só tempo, mas que desvelam sensibilidades omitidas há todos os tempos. É oportuno, por assim dizer, que em meio ao universo de fontes posta ao historiador, a imagem ainda encontra-se nas pesquisas como meros recortes ilustrativos. Nessa perspectiva, Ivan Gaskell apresenta que:
[...]. Consequentemente, são muitas vezes mal equipados para lidar com material visual, muitos utilizando as imagens apenas de maneira ilustrativa, sob aspectos que podem parecer ingênuos, corriqueiros ou ignorantes a pessoas profissionalmente ligadas à problemática visual. (GASKELL, 1992, p. 237)
A comissão de frente inquestionavelmente é um reflexo da organização social, cultural e política do ontem, hoje e do amanhã. Não se trata aqui de re-escavar nos subterrâneos da bibliografia existente sobre o tema, procurando encontrar vestígios de uma ancestralidade e originalidade das comissões de frente, que garanta status e importância para ela. No entanto, antes de tudo, a comissão de frente ao longo dos tempos é portadora de múltiplos sentidos simbólicos.

Deste modo, os trabalhos citados em passagem anterior contribuem com referencial teórico para o presente artigo, sobretudo os aspectos da comissão de frente. É pertinente destacar que em outrora os gestos, posturas e movimentos inscritas no corpo eram controlados, em face à presença e resquícios da herança militar, que disciplinava através de regulamento a apresentação de seus integrantes no desfile. Nesse sentido, podemos afirmar a postura mecânica e marcial da comissão de frente dos primórdios, ainda que, tentando expressar-se de maneira polida, preocupava-se mais com a idéia de pertencimento e exclusão quão a incorporação, irradiando símbolos característicos da distinção social.

A fim de fundamentar nossos argumentos propostos, apoiamos ainda nas reflexões de Eneida, onde a autora associa o glamour dos préstitos carnavalescos e ápice das comissões de frente ao momento de reordenação do espaço urbano na cidade do Rio de Janeiro, período conhecido como Belle Époque8 carioca, conforme abaixo:

Mas a grandiosidade dos préstitos só realmente atingiu ao auge com o aparecimento da Avenida Central. Aí sim começaram a aparecer trajando as mais diversas roupas, ora casacas cinzas e chapéu alto, ora vestons escuros e chapéus de couro, a chamada Comissão de Frente, aquela que vai acolhendo e agradecendo os aplausos;[grifos nossos] (MORAES, 1958, p. 89)


A citação acima, limita-se a enunciar as considerações referentes ao tema proposto pelo trabalho, específico ao contexto da manifestação das Grandes Sociedades, na primeira década do século XX, afirmando a função e as características da comissão de frente que perdurou, por praticamente mais de meio século junto às Escolas de Samba, com seu tradicionalismo corrompido em seu percurso, por raríssimas exceções como veremos mais a diante.

Eneida (1958, p. 89) trata que, “Em 1906 os Pingas Carnavalescos exigiam depois da Comissão de Frente um carro alegórico representando a nova cidade surgindo de uma outra e servindo de pedestal aos bustos de Pereira Passos e Paulo Frontim. [...]”

Reforçam-se as reflexões quando à precedência desses grupos, serem originárias das Grandes Sociedades, pois ao debruçarmos nas leituras para a nossa pesquisa encontramos nas considerações de Hiran Araújo, o discurso da seguinte narrativa:
As Grandes Sociedades foram as primeiras agremiações carnavalescas a formar grupos de desfilantes e denominá-los comissão de frente. Eram pessoas vestidas a rigor, que abriam o desfile saudando o público e os jurados. O nome surgiu porque um grupo de rapazes montados a cavalo desfilava à frente dos carros alegóricos, trajando casacas e chapéus altos, com os quais faziam reverência, em retribuição aos aplausos do publico. (ARAÚJO, 2003, p. 319)
Constatamos diante da referência de Hiran, um jogo ou aparências: bem trajados, saudando o público e jurados. Por seu caráter cordial ultrapassou o limite das transformações ao longo do tempo. Em conformidade a exposição acima, em 5 de março de 1908 o Jornal do Commercio publicava: Tenentes do Diabo – Deram uma nota vibrante na noite de ante-hontem os heróicos carnavalescos Tenentes do Diabo. Por meio dessa leitura, apreendemos aspectos excêntricos inseridos no contexto carnavalesco, por parte da Grande Sociedade, nos induzindo a uma apologia do grandioso e memorável feito. Conforme ainda discorre o enunciado: Seguia-se a comissão de frente composta de cavalheiros vestidos a rigor montados em belos cavalos puro-sangue. (Jornal do Commercio, 1908, p. 4)

Na busca incessante pelas raízes das Escolas de Samba, Eneida trata que no ano de 1917, o Rancho Ameno Resedá, apresentou uma comissão de frente assim descrita: “Na Comissão de Frente vinham quatro sátiros, transformados em quatro “príncipes caçadores”; [...]”. (MORAES, 1958, p. 139) O que nos importa aqui, é verificar indícios das representações cênicas da comissão de frente através das reminiscências dos autores. Não obstante, é pertinente ressaltar que, segundo Sérgio Cabral [...], na hierarquia do carnaval popular, o rancho ocupava uma posição de absoluta liderança. Foi uma liderança que perdurou durante muitos anos, [...]. (CABRAL, 1996, p. 44)

Sendo assim, a partir da leitura desses trabalhos podemos visualizar uma ênfase, na inclusão do grupo da comissão de frente, no desfile carnavalesco dos Ranchos. No entanto, até que ponto houve uma mudança de paradigmas, na estrutura das comissões de frente de outrora para os dias atuais? Logo, é fundamental entender que, as diferentes formas de abordagem, caminhos e apresentações relacionam-se com as primeiras insinuações das comissões de frente nas Grandes Sociedades.

Portanto, não seria forçoso pensar que os grupos dos dias atuais são apenas um retoque mais elaborado. Nos remetendo assim, à uma reflexão referente a um fio condutor entre o ontem e o amanhã, prontamente, permite-nos problematizar, até que ponto as “modernas” comissões de frente das Escolas de Samba, inserem-se em um universo dito contemporâneo?

Nota-se ainda, que já havia uma tendência originária nos Ranchos Carnavalescos, no sentido de se apropriarem do discurso cênico, para elaborar o modelo de apresentação de suas comissões de frente, a qual nesta pesquisa tal discurso desse grupo, que compõem as Escolas de Samba é caracterizado como proposta moderna.

Como que numa mutação de teatro, os cenários se redimensionam, farejando em meio aos cacos, fragrâncias suaves da civilização exalando pela avenida, a imagem e semelhança da sociedade dominante, profundamente identificada com o modo de vida francês, nos préstitos das Grandes Sociedades ainda nas primeiras décadas do século XX. Por outro lado, em meio às transformações do espaço público, modo de vida e mentalidade carioca como se processam as relações de poder e segregação no universo invertido pelo carnaval, exposto nas Escolas de Samba?

Dando continuidade às nossas reflexões, os membros da diretoria que faziam parte das comissões de frente, ao se apresentarem em posição de destaque à frente do conjunto e com traje formal, DaMatta, ainda nos esclarece que “[...] o traje formal, como a farda, opera por meio de uma individualização ou de um modo analítico, segregando rígida e nitidamente um papel de outros [...]”. (DAMATTA, 1997, p. 61) Como percebemos o sentido de hierarquia e segregação é materializado por meio da indumentária, quando a comissão de frente se apresentava nos modos tradicionais.

Tal discurso é reforçado nas abordagens realizadas por Sérgio Cabral, ao mencionar em sua obra, o anúncio do Jornal de Manhã, no ano de 1933, o qual atribuía grande a importância à comissão de frente da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, conforme narrativa abaixo:


Mas a grande atração foi, mais uma vez, a Estação Primeira de Mangueira, a grande campeã, aliás, bicampeã do carnaval carioca [...]. “Trazendo à frente uma comissão vestida a rigor que pedia passagem para a escola apresentar o seu enredo ‘Uma segunda-feira do Bonfim, na Ribeira’, a escola de samba Mangueira foi, sem dúvida alguma, um sucesso”. (CABRAL, 1996, p. 82)
Na mesma perspectiva, Cabral, nos dá mais elementos ao enunciar em sua obra a entrevista feita com Antonio Candeia Filho, onde o mesmo destaca o feito de seu pai ter sido o fundador da comissão de frente nas Escolas de Samba e ratifica mais uma vez a importância dos membros que a compunham, enquanto símbolo de representação da diretoria, e, portando, do poder e hierarquia junto à agremiação carnavalesca.
[...]. Não sei se você sabe que a Portela foi a primeira escola a apresentar comissão de frente, ou seja, um grupo de pessoas desfilando na frente representando a diretoria da escola. Aliás, eu fico magoado porque vejo uma criação do velho praticamente abolida das escolas de samba. [...] Esse era o orgulho que eu tinha, mas as escolas de samba estão apresentando comissões de frente cada vez mais diferentes. [...] Á comissão de frente cabia agradecer os aplausos do público, em nome da diretoria. (CABRAL, 1996, p. 344)
O que nos chama a atenção da citação acima é o exemplo magnífico das inconstantes e profundas transformações da comissão de frente. Em meio a um tom de frustração e lamentação do depoente, percebemos sob seu olhar as adaptações e assimilações processadas na comissão de frente. Por mais sólidas que essa atividade aparente ser ela está sujeita a rememorações. Assim, o depoente expressa que o objetivo da comissão de frente nada mais era que agradecer os aplausos e apresentar a diretoria.

Na obra O Marquês e o Jegue, Ferreira dá mais eco, ao reforçar o sentido de hierarquia e poder ao grupo que formava o quesito, além de ressaltar o processo de transformação latente nessa prática cultural, balizadas pelo tempo, ao discorrer que na gênese da ala da comissão de frente da Escola de Samba era,


[...] composta pelos altos dignitários de cada escola, que desfilavam com ternos – geralmente brancos – cumprimentando o público. Com o passar do tempo, a função da comissão de frente foi se ampliando e hoje ela, além de cumprimentar o público e apresentar a escola (coisas que não podem deixar de ser feitas), realiza uma pequena apresentação de balé teatral, resumindo o enredo que será apresentado a seguir. (FERREIRA, 1999. p. 85)
Nesse contexto, o que importa para a Escola de Samba é o reconhecimento, respeito e a valorização social. Projetada essa imagem pela comissão de frente, a preocupação que emergia era em apresentar-se com uma postura corporal aprumada e ereta, com delicadeza e sutileza no caminhar dos passos e demais movimentos.

Feito isso, os dados mostrados nos indicam os múltiplos domínios da comissão de frente, como: política, poder, hierarquia, arte, segregação, ou seja, um complexo sistema de valores que aflorava na passagem da comissão de frente. Deve-se esclarecer aqui, para não restringir ou induzir à uma interpretação equivocada sobre essa ala que desfilava à frente das agremiações carnavalescas, face às referências sobre essa prática contida na bibliografia consultada. De todo modo, privilegiando os aspectos cênicos e hierarquizados no andamento do desfile.

Sendo assim, a própria comissão de frente blindava o acesso de personagens desprivilegiados junto ao desfile. Em síntese, o Estado como agente patrocinador, objetivava “domesticar” a população menos favorecida, inserindo-a ao um universo paralelo rígido e rigoroso, demarcando limites em um espaço social e controlando a “massa”, mediado pela diretoria da agremiação.

Mas, antes de completarmos essa reflexão, é pertinente destacar que, por muito tempo a comissão de frente ficou marcando passo ou a compasso de espera, aguardando o momento preciso, para então se tornar parte consistente dessa melodia denominada, Escola de Samba. Desse modo, os acordes só ecoaram a partir do regulamento de 1946, o qual oficializou a comissão de frente enquanto quesito de julgamento, conforme afirma Sérgio Cabral:


O regulamento do desfile de 1946 apresentou uma novidade que significava o final de uma fase de escolas de samba: [...]. Além dos quesitos tradicionais colocados em julgamento – samba, harmonia, bateria, bandeira e enredo –, foram acrescentados indumentária, comissão de frente, fantasia do mestre-sala e da porta-bandeira e iluminação dos préstitos. (CABRAL, 1996, p. 142)
Averiguou-se que há uma contradição quanto a data em que a comissão de frente foi inclusa no regulamento e virou quesito de julgamento no desfile oficial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, pois segundo Hiran Araújo regulamentou-se as normas para a mesma, no sentido de avaliar a apresentação do grupo, valendo pontos segundo o regulamento do certame,
A partir de 1938, a comissão de frente passou a integrar o regulamento oficial dos desfiles, valendo-se os artifícios usados pela Vizinha Faladeira. Antigamente, a comissão de frente era formada por figuras representativas das escolas de samba, membros da diretoria, benfeitores da agremiação, sambistas mais idosos ou pessoas de prestígio na comunidade, desfilando a pé. O grupo apresentava a escola ao júri, ao povo e as autoridades, enquanto recebia aplausos da multidão. [grifos nossos] (ARAÚJO, 2003, p. 320)

Pelo que se observou nas citações acima mencionadas, ficou evidente uma divergência entre os autores, com relação ao ano exato da introdução da comissão de frente no regulamento oficial. Todavia, não se pretende aqui discutir a veracidade das citações, mas dar visibilidade a certas problemáticas que ficaram veladas se partíssemos por esse viés de analise interpretativa. Uma vez que, “[...]. No limite, não existe um documento-verdade. Todo documento é mentira”. (LE GOFF, 2003, p. 538)

Não devemos nos contentar somente com essas versões propostas pelos autores. No discurso de Hiran Araújo o que mais chamou nossa atenção foi a transição interna da comissão de frente. Inicialmente percebemos de acordo com o autor, uma ruptura brusca em relação à estrutura e organização da comissão, o veto corresponde a partir de nossa leitura, negando as inovações da Vizinha Faladeira nos anos de 1935 e 1936, momento em que a mesma desfilou com os integrantes elegantemente trajados e em 12 limusines e a cavalo, imitando as Grandes Sociedades, sucessivamente, como mencionado anteriormente.

No entanto, não podemos esquecer que no contexto da Escola em questão, prestígio e status social materializavam-se, no compasso dos sambistas e diretores e que vinham na frente, já que, o referido autor em outro momento de sua obra apresenta que, com o passar do tempo ocorreu uma modernização do grupo nos aspectos da postura, atitude, aprumo, apresentação, trajes e “componentes”. (ARAÚJO, 2003, p. 320)

Não sem sentido, é possível sustentar nossas observações acerca do desenvolvimento da comissão de frente. Manifesta-se desta forma, a degradação não apenas do coletivo, mas do poder da tradicional, hereditário e sua inserção na modernização que promoveu uma reordenação espacial dos próprios integrantes da comissão de frente.

Tomando-se, portanto, a leitura feita por Sérgio Cabral, o regulamento que incluía a comissão de frente como quesito de avaliação de desfile, corresponde ao ano de 1946 divergindo com Hiran Araújo. É evidente que, a imagem projetada reflete outros aspectos da modernidade no contexto da Escola de Samba, como a iluminação dos préstitos e o uso obrigatório de fantasias, findando o momento da hegemonia do tradicional.

A comissão ao se revitalizar e se desprender das estruturas hierárquicas dos diretores, torna-se uma mercadoria do Estado, subordinada aos instrumentos de domesticação e dominação de Vargas. É próprio do imaginário popular sobre a postura varguista a existência de uma política de “boa intenção” junto ao popular e a busca incessante pela identidade nacional.

Diante de uma bibliografia sobre o tema, podemos visualizar que ao valorizar a identidade nacional brasileira, nada mais era do que um subterfúgio do autoritarismo promovido pelo Estado, tendo em vista o controle da ordem e conseqüentemente o povo, da mesma forma que reforça a imagem de uma cultura dita “superior”.

Yaskara Manzini, pesquisadora de dança, teatro e coreógrafa de comissão de frente em São Paulo, nos aponta as seguintes considerações:
A “forma tradicional” está ligada aos primórdios desta ala, quando os fundadores e “mais antigos”, ou seja, a ala que hoje chamamos de Velha Guarda da agremiação, apresentavam na avenida o trabalho que desenvolviam junto a suas comunidades, enfatizando a continuidade e preservação do e no samba. Aproximadamente desde os anos 80, a Comissão de Frente passou a apresentar um espetáculo à parte dentro do próprio espetáculo, no desfile das escolas de samba, quando a tradição cedeu lugar à criação, e os integrantes da ala passaram a representar a parte inicial do enredo de suas agremiações. Tal alteração fez aparecer no universo do carnaval à figura do profissional de artes cênicas chamado coreógrafo, ou em alguns casos, do diretor teatral. Esta mutação, da tradição à criação, fez com que a Comissão de Frente abandonasse a função de somente “apontar” o desfile (apresentar) e abarcasse a comunicação de um tema (representar) [...]. (Manzini, 2008)
Realizando um percurso historiográfico acerca da transformação da comissão de frente, com o intuito de apreender as interpretações sobre essa manifestação, percebeu-se uma lógica perpétua, prova disso são as leituras dos autores feitas acima. Restringindo-se a apresentar a diretoria e a velha guarda que saudava o público, composta por integrantes da Escola e sua aliança com o Estado, sendo ele o agente patrocinador do desfile, em síntese, leituras que se repetem a décadas na academia.

Sendo assim, a comissão de frente da Escola de Samba ainda traz em seu âmago as representações de poder e hierarquia no universo da Escola de Samba, não obstante permanece em sua performance o posicionamento no desfile e seus gestos precípuos de saudar o público, pedir passagem e apresentar a Escola.


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TALARICO, Bruna. Da Sapucaí para casamentos. Rio de Janeiro: Agência O Dia. Disponível em: . Acesso em: 05 Mar. 2010



1 Foto: Marcelo Régua. Agência O Dia. Disponível em: . Acesso em: 05 Mar. 2010.



2 Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

3 (ALENCAR, 1980), (BAKHTIN, 2008), (VALENÇA, 1996), (DAMATTA, 1997).

4 A brincadeira consistia no lançamento aos transeuntes de potes d’água, arremesso de punhados de farinha de trigo ou de limões de cheiro, contendo liquido nem sempre fazendo jus ao nome. Para um estudo mais aprofundado ver, MORAES, 1958. Op. Cit., pp. 17-28.

5 ([(MORAES, 1958), (ARAÚJO, 2003), (FERREIRA, 2004), (SIMSON, 2007), (FARIAS, 2009)]

6 O termo préstito significa: passeata dos desfiles carnavalescos. Segundo Eneida, “Inicialmente chamavam-se passeatas os desfiles; só muito mais tarde tomariam o nome que usam até hoje: préstitos. Também tudo nos leva a crer que êles só tomaram verdadeira expressão carnavalesca – a que até hoje mantêm – quando as três grandes sociedades, fixando-se, começaram a promover os préstitos”. “Em 1901, as passeatas começam a se chamar préstitos”. (MORAES, 1958, pp. 87/8).

7 Segundo Felipe Ferreira, a brincadeira é caracterizada, pelo desfile nas ruas do Rio de Janeiro, de certo senhor nascido em Portugal, de nome José Nogueira, sapateiro batendo um grande bumbo, entre o final da primeira e início da segunda metade do século XIX, quanto à data há imprecisão entre os autores que estudaram o tema, no entanto, manifestação, estimulou o surgimento de muitos outros Zé-Pereiras, na segunda metade do século XIX. E tal expressão foi trazida de Portugal. FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, p. 208.

8 Para estudo mais aprofundado consultar: Nicolau Sevcenko: Literatura como Missão e Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20; Jaime Larry Benchchimol: Pereira Passos: um Hussmam Tropical; José Murilo de Carvalho: Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi.





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