De onde surge a filosofia



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RUSSELL, Bertrand. A perspectiva científica. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1977.


2 Adaptado de OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de. Francis Bacon e a fundamentação da ciência como tecnologia. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

3 Ao passo que termos derivados da mesma origem como technique e technic passam a ter seus significados e uso bem mais restritos. Uma detalhada análise desses conceitos em diferentes línguas pode ser encontrada em GAMA. A tecnologia e o trabalho na história.

4 “O eixo central da história das ciências é claramente dirigido no sentido de uma compreensão melhorada e de uma experiência alargada. A história das ciências está situada num crescimento absoluto. Ou bem ela relata um crescimento, ou então não tem nada a dizer” (Bachelard). “Fórmula um pouco excessiva, mas que exprime bem, quanto ao essencial, um importante traço da história das ciências” (Russo. L’histoire des sciences). In: JACOB, A. L'univers philosophique. Encyclopédie philosophique universelle. p. 936.


5 MITCHAN. Thinking through technology, p. 134. Os sóciosconstrutivistas provavelmente retrucariam esta contestação de Mitchan, dizendo que estas “ideias filosóficas” não nascem da mente brilhante de indivíduos inspirados, mas são fecundadas, gestadas, paridas e nutridas em certos nichos no qual interagem com panoramas culturais e disputas sociais. Do que não temos por que discordar, senão com a especificação de que tais tramas e contextos muitas vezes se expressam através de obras escritas (ao menos assinadas) por um indivíduo. Nesse sentido, nossa análise do projeto baconiano de reforma do conhecimento procurará mostrar a articulação, por Bacon, de diferentes tradições e interesses.



6 Mesmo quando a dimensão religiosa acompanha o trabalho técnico, como era marcante na história da civilização, esta dimensão não se teorizava a ponto de se tornar uma teologia. Isto não quer dizer que técnicos não pudessem nem tivessem desenvolvido teorias filosóficas ou sistemas teológicos. O caso do moleiro Mennocchio, que se tornou célebre entre nós pelo O queijo e os vermes, de Guinzburg, é um bom exemplo. Mas estes e outros contra-exemplos não invalidam a percepção histórica de que os rituais mágicos e religiosos, que durante boa parte de nossa história se misturavam como o fazer técnico, não iam além de regras e receitas de atuação (cf. ELIADE. Ferreiros e alquimistas).

7 Também Serres organiza seu Éléments d’histoire des sciences a partir da noção de bifurcações históricas. Uma vez que sua metáfora central são cartas e rios, onde as bifurcações se alternam com cruzamentos, junções e meandros abandonados, ele preserva esta noção da desvantagem do distanciamento que apontamos.

8 Embora o contexto da retórica sugira o sentido “de arte das palavras”, esta poderia também, segundo algumas interpretações, ser pensada como lógos da atividade da técnica de persuasão. Cf. MITCHA. Thinking through technology, p.129.

9 Bigelow apud SALOMON, From technique to technology In: BAHTTACHARYA & REDO. Techniques to technology, a french historiography of technology, p. 10.


10 O conjunto desses fatores é apresentado por Rumpert A. Hall, em seu importante “The scholar and the craftsman in the scientific revolution”. Ao buscar responder a questão da origem do maquinismo, em seu artigo “Les philosophes et la machine”, Koyré afirma que embora a técnica tenha se aperfeiçoado isoladamente, ela só se torna tecnologia pela teorização científica. (KOYRÉ. Études d'histoire de la pensée philosophique, p. 338). Ver também HELDEN. The birth of the modern scientific instrument 1550-1700. In: BURKE. The uses of Science in the age of Newton, p. 49-84, e KELLER. Minerva, p. 161-182.


11 “Ainda que a investigação experimental das ciências naturais tenha uma relação de condicionamento recíproco com respeito ao desenvolvimento técnico, os diferentes objetivos levam a diferenças metodológicas e de organização da investigação que não podem ser descuidadas. No desenvolvimento técnico, a resistência, a confiabilidade, a estandardização, a rapidez e a eficácia são mais valorizadas que a profundidade teórica, o alcance, a precisão, a verdade e os novos princípios que geram o progresso teórico nas ciências” (LENK. Filosofia Pragmática, p.171).

12 Vale notar que a eficácia deve ser pensada em termos de custos e benefícios, não apenas materiais ou energéticos, mas também sociais e políticos. Assim, por exemplo, uma queimada pode ser uma forma pouco dispendiosa para limpeza de um terreno, mas seus efeitos têm repercussões negativas que interferem na sua eficácia.

13 A ciência e a técnica se diferenciariam também pelos ambientes sociais e culturas institucionais. Há uma certa correspondência da distinção entre ciência básica e acadêmica e a ciência industrial, com uma clara vocação tecnológica, com a histórica separação entre scholars e craftsman proposta por Hall, pois embora nem toda ciência acadêmica seja básica, praticamente toda ciência básica é desenvolvida em ambientes universitários ou congêneres. Além disso, a busca de conhecimentos para o desenvolvimento de produtos lucrativos ainda é mal vista em ambientes universitários, como reciprocamente, o culto da pesquisa pura, de verdades abstratas e universais, é ridicularizada em laboratórios industriais.

 LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio: 34, 1999.

14 Ver Mark Johnson, Gerge Lakoff, Les métaphores dans la vie quotidienne, Paris, Minuit, 1985.

15 É, por exemplo, a tese (que exponho de forma caricatural aqui) de Gilbert Hottois em le signe et la technique, Paris, Aubier-Montaigne, 1984.

16 Como é possível que formas institucionais e técnicas materiais transmitam idéias... e vice-versa? Esta é uma das principais linhas de pesquisa do empreendimento midialógico iniciado por Régis Debray. Ver, por exemplo, seu Cours de médiologie générale, Paris, Gallimard, 1991, Transmettre, Paris, Odile Jacob, 1997, e a bela revista Les Cahiers de Médiologie.

17 Desenvolvemos longamente este assunto em nossa obra As tecnologias da inteligência, São Paulo, Editora 34, 1993. Ver também os trabalhos da nova antropologia das ciências e das técnicas, por exemplo, Bruno Latour, La science en action, Paris, La Décourverte, 1989.

18 Ver o famoso artigo de Heidegger, “O sentido da técnica”, que gerou uma numerosa descendência intelectual entre filósofos e sociólogos da técnica, em particular, bem como entre os pensadores críticos do mundo contemporâneo em geral.

19 A técnica encontra-se sempre do lado da “razão instrumental”?

20 O paralelo entre a eletrônica e a energia nuclear foi desenvolvido sobretudo por Derrick de Kerckove em The skin of culture, Toronto, Sommerville Press, 1995.


21 BBS (Bulletin Board System) é um sistema de comunicações do tipo comunitário, baseado em computadores conectados através da rede telefônica.

22 Comunidade virtual é um grupo de pessoas se correspondendo mutuamente de computadores interconectados.

23 Hipertexto é um texto em formato digital, reconfigurável e fluído. Ele é composto por blocos elementares ligados por links que podem ser explorados em tempo real na tela. A noção de hiperdocumento generaliza, para todas as categorias de signos (imagens, animações, sons etc.), o princípio da mensagem em rede móvel que caracteriza o hipertexto.

24 A World Wide Web é uma função da Internet que junta, em um único e imenso texto ou hiperdocunento (compreendendo imagens e sons), todos os hiperpertextos que a alimentam.

25 Para uma expçlicação mais detalhada sobre as questões relacionadas à criptografia, consultar, no capítulo XIV, sobre o conflito de interesses e as interpretações, a seção sobre o ponto de vista dos Estados.

26 Ver Pierre Lévy, A inteligência coletiva, São Paulo, 1998.


27 A conferência A questão da técnica (Die Frage nach der Technik) foi proferida no dia 18 de novembro de 1953 no Auditorium Maximum da Escola Superior Técnica de Munique, fazendo parte do ciclo de conferências cujo tema era As artes na época da técnica, promovido pela Academia Bávara de Belas Artes, sob a direção do presidente Emil Preetorius. O texto foi publicado pela primeira vez no volume III do anuário da Academia (Redação: Clemens GrafPodewils), R. Oldenbourg München, 1954, p. 70 e ss. O texto desta tradução encontra-se na coletânea Conferências e ensaios (Vorträge und Aufsätze), 2a. ed. Tübingen, Günther Neske Pfullingen, 1959.


28 A repetição de Heidegger é intencional e visa ressaltar o significado do termo alemão que, numa tradução mais livre, designa o seguinte: “o caráter de coisa <Sach> originária/primeira <Ur>”. Por outro lado, ressalta o sentido histórico do termo “causa” <Kausalität>, marcado pela língua latina e, principalmente, pelo modo de pensar de tradição latina, não-grega.


29 Verschulden é uma composição linguística com base no substantivo Schuld (culpa). Traduzimos Verschulden por “comprometimento’ para manter afastado o caráter de culpa em sentido moral ou legalista, presente, por exemplo, no termo “cumplicidade”. Deve-se notar, porém, que Heidegger opera neste texto com o termo Schuld segundo um registro, por assim dizer, grego, no sentido do termo “destino”. Para isso, conferir na sequência do texto o próprio comentário de Heidegger sobre o termo.


30 O termo Ver-an-lassen (ocasionamento) deve ser compreendido no sentido de que algo permite que outra coisa aconteça. O ocasionamento está despido de qualquer “poder” para o ocasionar, trata-se antes de um “deixar” <lassen>. É simplesmente ocasionamento, o que, porém, não diminui seu papel primordial.

31 A palavra hifenizada <Her-vor-bringen> marca o movimento próprio da ποίεσίς, um levar <bringen> que vem <her> de uma situação anterior (encobrimento) e se coloca à frente <vor> (descobrimento).

32 Entbergen significa, na terminologia de Heidegger, um “des-abrigar” ent-bergen.


33 Atente-se nesta contraposição operada por Heidegger não apenas para a oposição entre “força” e “arte”, mas também para a identidade presente no termo “obra” <Werk>. Mais adiante se mostrará que a técnica e a arte têm uma origem comum.


34 Bestand, que traduzimos para “subsistência”, remete para um mero subsistir numa determinada posição dentro de um conjunto de entes dispostos pelo pôr desafiante.

35 Note-se que unselbstständig pode ser igualmente traduzido por “não-auto-subsistente”, se lembrarmos de sua relação com a “subsistência” – ständig/Bestand.


36 Para a compreensão desta passagem é preciso ter em mente a distinção que Heidegger faz entre a história narrada, a história fatual e espiritual estabelecida pelos homens, a Historie, e a história oculta desta, a história do ser, ou melhor, a história do esquecimento do ser Geschichte der Seinsvergessenheit, a Geschichte. Esta distinção já está presente em Ser e tempo (quinto capítulo da segunda seção, § 72-77), mas sofre algumas alterações no pensamento de Heidegger dos anos 30, principalmente no que se refere à questão mesma da história do ser, aprofundada com as interpretações sobre Nietzsche e os comentários sobre Hölderlin. Neste sentido, a história do ser é abordada no horizonte da relação entre história Geschichte e destino Geschick, relação à qual Heidegger também se refere na seqüência deste texto.


37 Esta expressão “pertencimento empregado” designa um duplo movimento: remete ao fato de que o homem não é o senhor do destino e da história, mas é alguém que é por essência usado, embora seja ele mesmo a se oferecer a algo que o ultrapassa.

38 Entenda-se “necessariamente” no sentido do “destino”. Faz parte da essência do ser humano estar disposto e exposto a um modo de desabrigar e é preciso resguardar justamente isso, o desabrigar que, em certa medida, é o próprio estar desabrigado do homem. Cf. para tanto a interpretação que Heidegger faz do canto coral da Antígona (v. 332-375) de Sófocles em Introdução à metafísica (p. 170-86 da trad. bras. de E. Carneiro Leão) e no volume 53 das Obras reunidas (Gesamtausgabe) de Heidegger intitulado O hino de Hölderlin “O Istro” (segunda parte, p. 63-152).

39 Ek-sistiert é um termo central para o pensamento de Heidegger, já presente em Ser e tempo. Trata-se da própria expressão do projeto lançado do homem enquanto um ser-no-mundo. O homem existe insistindo na sua existência que não está em seu domínio. O homem está, em princípio, colocado (do latim sistere) fora <ek> de si e tem como tarefa insistir para se afirmar como homem.


40 Do hino Patmos, segunda versão.


41 Johann Peter Hebel é conhecido por seus contos de calendário. Em 1805 Goethe resenhou os Poemas alemânicos (Allemanischen Gedichte) dele. O alemânico era um dialeto do sul da Alemanha no qual escrevia Hebel, dentro de uma certa tradição tardia da “Aufklärung” que pretendia formar o povo a partir de seus próprios elementos. Heidegger tem um texto dedicado exclusivamente a Hebel, intitulado Hebel, o amigo da casa <Hebel, der Hausfreund>, de 1957.


42 Sobre a diferença entre Poesie e Dichtung no pensamento de Heidegger, conferir as páginas finais do ensaio A origem da obra de arte.

43 Do esboço de hino tardio “Em ameno azul...” <In lieblicher Bläue...>.




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