Decepcionado com Deus



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DECEPCIONADO COM DEUS

Três perguntas que ninguém ousa fazer.
Philip Yancey

Título original:

Disappointment with God:

Three Questions No One Asks Aloud

Tradução: Márcio Loureiro Redondo

Editora Mundo Cristão - 4a ed. - 1997

ISBN 85-85670-39-8

Digitalizado, revisado e formatado por SusanaCap



www.portaldetonando.com.br/forumnovo/

Para meu irmão, ainda decepcionado.
* * *

Sumário


LIVRO I - DEUS NAS SOMBRAS

Primeira Parte: Ouvindo o Silêncio

Segunda Parte: Estabelecendo Contato: O Pai

Terceira Parte: Aproximando-se: O Filho

Quarta Parte: Transferindo-se: O Espírito

LIVRO II - ENXERGANDO NO ESCURO



Prefácio


APÓS TER COMEÇADO A TRABALHAR neste projeto, re­cebi alguns telefonemas de pessoas de minha igreja, que ha­viam ouvido a respeito dele.

— É verdade que você está escrevendo um livro sobre pes­soas decepcionadas com Deus? — indagavam elas pelo telefo­ne. — Nesse caso eu gostaria de dizer algo. Nunca antes con­tei isso para alguém, mas a minha vida como cristão tem incluí­do épocas de grande desilusão!

Entrevistei algumas daquelas pessoas que me telefonaram, e as histórias que elas contaram ajudaram a estabelecer o ru­mo deste livro.

Descobri que para muitas pessoas existe um grande abis­mo entre o que esperam de sua fé cristã e o que de fato aconte­ce. A partir de um verdadeiro mundo de livros, sermões e tes­temunhos, todos prometendo vitória e sucesso, elas aprendem a esperar que Deus atue impressionantemente em suas vidas. Se não enxergam tais intervenções, sentem-se desapontadas, traídas e freqüentemente culpadas. Como disse uma mulher: "Eu ficava pensando na frase Relacionamento pessoal com Je­sus Cristo'. Mas, para minha surpresa, descobri que isso é diferente de qualquer outro relacionamento pessoal. Nunca vi a Deus, nunca o ouvi, nunca o senti, nunca experimentei os ele­mentos mais básicos de um relacionamento. Ou existe alguma coisa de errado com o que me ensinaram, ou existe alguma coisa de errado comigo."

As entrevistas me convenceram de que essa desilusão de­pende em grande parte daquilo que, em primeiro lugar, espera­mos de Deus. Por essa razão, a primeira parte deste livro ex­plora a Bíblia para ver aquilo que realmente podemos esperar de Deus. Hesitei em começar por aí, pois sei que algumas pes­soas, de modo especial as que estão decepcionadas, quase não procuram mais a Bíblia. Mas como começar senão deixando Deus falar por si mesmo? Procurei me livrar de preconceitos e ler a Bíblia como uma história com um "enredo". O que descobri me surpreendeu grandemente. Era uma história bem diferente daquela que haviam me ensinado quase a vida toda.

Certa vez, quando expliquei este projeto a um amigo, ele franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça. — Acho que nun­ca tentei "psicanalisar" a Deus — disse. Espero que não seja isso o que estou tentando! Mas quero mesmo entender Deus melhor, aprender por que ele algumas vezes age de maneira misteriosa — ou nem parece agir.

Na verdade tive o propósito de escrever dois livros diferen­tes; foi o que fiz. Mas terminei pondo os dois sob a mesma capa. O segundo livro se dirige para questões mais práticas e existenciais, e aplica as idéias que desenvolvi a situações reais — situações do tipo que cultiva o desapontamento com Deus. Por fim, cheguei à conclusão de que os dois enfoques deveriam fazer parte do mesmo livro; isoladamente qualquer um dos dois enfoques estaria incompleto.

Algumas palavras de advertência, entretanto. Este não é um livro de apologética, por isso não me darei ao trabalho de apontar para as provas em favor da existência de Deus na natu­reza, nas profecias, em Jesus. Outros autores têm feito isso com sucesso, e, além do mais, estou lidando com dúvidas que são mais emocionais do que intelectuais. A decepção normal­mente ocorre quando alguém querido não se porta como espe­ramos.

Também, não irei discutir a questão "Será que Deus rea­liza milagres?" Para mim é evidente que ele possui poderes e que os tem empregado. Deus pode intervir. Então por que não o faz com mais freqüência? Por que não evidenciar-se aos céticos sinceros, que gostariam de crer caso apenas vissem um si­nal? Por que permitir que a injustiça e o sofrimento proliferem na terra? Por que as intervenções divinas são raras e não fre­qüentes?

Uma última advertência: de modo algum estou apresentan­do um ponto de vista equilibrado acerca da fé cristã. Afinal, estou escrevendo para pessoas que, numa hora ou outra, têm ouvido o silêncio de Deus. Estudar pessoas como Jó e Abraão como sendo exemplos de fé é um pouco parecido com estudar a história da civilização examinando somente as guerras. Por outro lado, há muitos livros cristãos que não fazem qualquer menção às guerras e prometem somente vitórias. Este é um li­vro sobre a fé, mas examino a fé através dos olhos daqueles que duvidam.

Finalmente, devo explicar o método que escolhi para li­dar com as referências bíblicas. Resisti à idéia de colocá-las em notas de rodapé ou em parênteses dentro do texto: isso cria uma dificuldade de leitura, algo não muito diferente de ouvir alguém gago. Em vez disso, estou indicando as fontes de citações diretas no final de cada capítulo. Os detetives de verdade devem ser capazes de identificar a passagem bíblica correta.

***

Desperta! Por que dormes, Senhor?

Desperta, não nos rejeites para sempre.

Por que escondes a tua face?

— Salmo 44:23-24

***

LIVRO I - DEUS NAS SOMBRAS


Você não precisa ficar sentado lá fora no escuro.

Se, todavia, desejar olhar para as estrelas,

descobrirá que se requer escuridão. As estrelas

não a requerem nem a exigem.

Annie Dillard




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