Dedicatória



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LIBERATO BITENCOURT

HOMENS DO BRASIL – SERGIPE

Organizado a parcialmente anotado por Luiz Antonio Barreto


DEDICATÓRIA




(Apenas à 1ª edição)
A Pequena Bitencourt, a mais modesta e uma das mais nobres filhas de Sergipe, na superioridade arguta da inteligência, como na pureza do sentir sempre honesto, emérita formadora do meu espírito e santa purificadora do meu caráter, eu dedico este livro, pequeno nas dimensões quanto na sinceridade avantajado. Ele foi de feito escrito pela minha mão; foi, porém, ditado pelo exemplar proceder dessa dedicada Amiga de quinze anos, máxima no desinteresse e abnegação sublime, exemplo vivíssimo de Mulher brasileira, o que importa afirmar das mais elevadas qualidades de coração e dos mais puros atributos do caráter. Praza aos céus as Sergipanas de manhã, nas doçuras atraentes do lar, imitar consigam essa Esposa estremecida e essa Mãe carinhosíssima.
Rio, 4 de setembro de 1912.

Liberato Bitencourt

UM DICIONÁRIO SERGIPANO


A falta de informações biográficas e bibliográficas dos autores brasileiros impede que se tenha uma melhor compreensão da história literária. Todos os Estados sofrem do mesmo mal, reclamam do mesmo modo e se valem das poucas fontes, procurando aqui e ali um dado qualquer que ajude a elucidar as dúvidas, produzindo um conhecimento mínimo, necessário à história e à crítica.

O Brasil teve em Sacramento Blake um pioneiro, a organizar o Dicionário Bibliográfico Brasileiro, em 1883, reeditado pelo Conselho Federal de Cultura, com anotações do bibliógrafo sergipano, radicado no Rio de Janeiro, Antonio Simões dos Reis, em 1970. Armindo Guaraná, que organizaria um Dicionário Biobibliográfico Sergipano, editado em 1925, foi um dos colaboradores, fornecendo a Sacramento Blake pequenas biografias de sergipanos. Por longo período, o livro do autor baiano, de vários volumes, permaneceu único, como repositório de biografias, atendendo a curiosidade dos interessados.

Nas Províncias raras foram as obras com os mesmos propósitos, ainda que uma delas, o Dicionário Biográfico de Pernambucanos Célebres, de 1882, não fosse exatamente um livro de biografias de intelectuais. No Ceará Guilherme Studart, com seu Dicionário Bibliográfico Cearense, deu seqüência aos esforços de registrar a vida cultural brasileira. Outros autores deram continuidade, ainda que cada um tomasse direção isolada, sem qualquer preocupação de método.

O militar e professor Liberato Bittencourt tomou para si, a partir de 1912, a tarefa de organizar uma grande obra, seriada, intitulada de Brasileiros Ilustres, saindo a pedir ajuda aos intelectuais e instituições estaduais, para montar os diversos volumes. O primeiro e dos poucos volumes publicados tomou o título de Homens do Brasil – Sergipe, editado pela primeira vez em 1913 e reeditado em 1917, com 216 páginas, contendo 451 nomes, distribuídos em verbetes alfabéticos, alguns pequenos e pobres de informações, outros acrescidos de textos e opiniões. Por ser pioneiro, é um trabalho desbravador, que abre caminho a Armindo Guaraná, por exemplo, que se valeu muito do livro de Liberato Bittencourt.

Nascido na antiga cidade do Desterro, atual Florianópolis, em 30 de outubro de 1869, Manoel Liberato Bittencourt estudou na Escola Militar, no Rio de Janeiro, da qual tornou-se professor a partir de 1902, lecionando as disciplinas Mineralogia e Botânica, , efetivado em 1910. Positivista, foi sócio e assíduo freqüentador das sessões da Sociedade Brasileira de Filosofia. Publicou cerca de 25 livros, alguns deles de crítica literária. Casado com a sergipana Isaura de Oliveira Policiano, conhecida como Pequena, natural de Laranjeiras, Liberato Bittencourt passou a ter relações estreitas com Sergipe e com intelectuais sergipanos, sendo parceiro do também militar Samuel de Oliveira, igualmente nascido em Laranjeiras, no compêndio de Geometria Algébrica, publicado em 1896. Em 1912, tornou-se Sócio Honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, que naquele ano era fundado em Aracaju, graças a ação intelectual de Florentino Menezes. Admirador incondicional de Tobias Barreto candidatou-se, em 1932, à Academia Brasileira de Letras, justo na Cadeira que tem o pensador sergipano como Patrono. Dedicou sua História da Literatura Brasileira, em 1944, a Tobias Barreto e escreveu ainda sobre o poeta de Dias e Noites, Um atleta do pensamento ou O Homem sol do Império, romance psicobiográfico, em 1940, além da Carta Crítico-literária ao presidente da Academia Brasileira de Letras, de candidatura à Cadeira de Tobias Barreto, em 1932. Escreveu diversos outros livros, mantendo relação com Silvio Romero, Samuel de Oliveira e outros autores sergipanos. Liberato Bittencourt morreu no Rio de Janeiro, em 14 de dezembro de 1948, passando naquele mesmo ano a ser Patrono de uma das Cadeiras da Academia Catarinense de Letras, recebendo também a homenagem da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, como Patrono da Cadeira 23.

O livro Homens do Brasil – Sergipe é obra referencial, permanentemente consultada, e sua reedição, depois de quase 90 anos, oferece às novas gerações de estudiosos uma oportunidade de leitura, recuperando um texto e um autor que permaneceram praticamente ignorados. Ao promover a 3ª edição, a Secretaria de Estado da Cultura, pela visão sensível e responsável do Secretário José Carlos Teixeira, aviva na bibliografia um livro verdadeiramente sergipano, na mesma estante de outros clássicos recentemente reeditados, de autores como Antonio José da Silva Travassos, Baltazar de Góes, Dom Marcos Antonio de Souza, Padre Filadelfo Jônatas de Oliveira, Joel Macieira Aguiar, Padre Antonio Carmelo, dentre outros.

Luiz Antonio Barreto

COMO INTRODUÇÃO

Na 1ª edição deste livro, em 1913, publiquei o seguinte e sincero prefácio:

“PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO



Na fria história do passado é que se encontram os melhores ensinamentos à conquista brilhante do futuro.

L.B.
Este livro, apesar de trabalhado com sinceridade e amor, não passou de um mero ensaio histórico. É o primeiro dos vinte e um que pretendo publicar sucessivamente, um ou dois por ano, em honesto preparo a um grande tentamen histórico.

Reconhecendo, certo dia, a falta de dados a respeito dos maiores da nossa curta mas já sugestiva história, a ponto de bem não se saber o verdadeiro sitio de naturalidade de muitos deles, pensei não agüentar esse desgosto às gerações futuras, desde logo planejando um grosso volume, onde menção se fizesse cuidadosa da vida e obras dos vultos notáveis, em todos os ramos da atividade e do saber, de 1500 aos nossos dias. Na fria história do passado é que se encontram os melhores ensinamentos à conquista brilhante do futuro. Brasileiros Ilustres devia ser o nome daquele trabalho empreendedor, vasto na erudição, eminentemente sugestivo na história e no patriotismo, quanto na pesquisa imensurável. Destinava-se à mocidade das escolas primárias, àqueles que amanhã têm que dirigir, porventura com mais acerto e mais amor, os altos destinos desta grande pátria. E pus mãos à obra, na doce esperança de públicos favores. Imprimi circulares às centenas. Apelei para as autoridades estaduais e federais. Dirigi-me enfim aos eruditos, em todos os recantos do Brasil. Pouquíssimas, porém, as respostas conquistadas. E estas em maioria com a categórica afirmação de que me seria impossível qualquer auxílio. A situação era ingrata. Desanimar faria o mais tenaz batalhador. Mas eu, corajoso porque soldado, tinha que seguir avante, ladeando como pudesse as dificuldades encontradas. Arquitetei então o seguinte plano de campanha: cuido separadamente de cada Estado e do Distrito Federal; ouço os comentários feitos; corrijo as inadvertências apontadas; completo em sucessivas edições os ensaios feitos; e depois, fundindo estes, poderei então dar corpo e vulto à grande construção em princípio arquitetada. Resta agora que os Estados me auxiliem, já não digo com algum dinheiro para pagar as despesas feitas e as edições sempre custosas, mas ao menos tornando obrigatória a leitura dos ensaios, nas respectivas escolas primárias e grupos escolares.

Eles são escritos com sinceridade e amor, sem preocupação partidária de espécie alguma, apenas com um fim, nobilíssimo porque patriótico: ensinar o lidador de amanhã, em cada Estado do Brasil, a respeitar e bem querer os grandes cidadãos de ontem e de hoje. Seria mais que ingratidão, porque seria injustiça, afastá-los portanto das inteligências juvenis, às quais eles se destinam. Nem por sombra me passa pela mente ingratidão tamanha.

Sai hoje o primeiro dos ensaios. É sobre Sergipe. A preferência explica-se. Filho de Santa Catarina mas sergipano de coração, tive a dita de ver ali, ninho de águias, o meu tentamen francamente aceito e divulgado. Mais ainda: fizeram-me desde logo sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico, que se acabava de fundar, ato contínuo me aumentando a distinção, com a graduação cativante de honorário da douta associação. Pago assim em parte a grande dívida contraída, com esta expressiva e natural preferência.

Publicarei a seguir Paraibanos Ilustres, sincera homenagem à douta instituição nortista, que espontaneamente me deu a honra subida de me associar, membro correspondente, à sua evolução e as suas glórias. Os outros virão com vagar e tempo, que as despesas a fazer são muitas e o trabalho a empregar insano.

O primeiro dos ensaios, apesar de hercúleo esforço empregado em sua feitura e arranjamento, não vai nem pode ir perfeito. Contém como todo humano trabalho, graves lacunas e defeitos. Os sergipanos de amor ao berço que me apontem aquelas e me indiquem estes, para ver se menos defeituosa lhe sai a segunda e próxima edição. E como provável é traga esta a fotografia dos lidadores nela contemplados, peço a quem interessar possa todo o auxílio possível. Isto é: aceitarei com prazer máximo o retrato dos vultos incluídos e a incluir no corpo do livro, e bem assim as explanações e correções, honestamente apontadas, sobre naturalidade, datas, feitos e publicações de qualquer deles.

Ainda um pedido, valoroso sobremaneira: os sergipanos vivos, real serviço me prestariam remetendo-me para o Rio de Janeiro, Rua S. Francisco Xavier 866, um exemplar de cada obra por eles escrita, publicada ou reimpressa. Só assim poderei manter em dia, como pretendo, as edições a seguir.

Eis aí o que eu dizia sinceramente à primeira edição do livro. Não fui, porém, entendido pelos jacobinos de Sergipe, os quais caíram desapiedadamente contra mim, querendo-me destruir a reputação e ainda os ossos. Só me não chamaram de santo. Não me abalei, porém: acostumado à luta, bati à porta fidalga do nosso maior crítico literário. E Silvio Romero, que é sergipano da gema, me respondeu com a seguinte e expressiva carta, com que ora, três anos passados, fulmino de vez aquela meia dúzia de cegos jacobinos:
Queridíssimo amigo, camarada e chefe em muitos pontos.

Saude.


Recebi sua prezada carta de 19 deste. Não faça caso das críticas. São vômitos de despeitados. O seu livro, para o fim que teve em mira, é excelente.

Sinto, como não pode avaliar, não poder escrever o prefácio: porque todos os meus velhos incômodos escleróticos e cardíacos se acham agravados de meter medo. Não posso fazer nada. Alguma coisa que tem aparecido na Revista da Academia e Revista Americana são coisas antigas, feitas há muito tempo.

Peço-lhe que me desculpe e tenha pena de mim. Se melhorar, a coisa será outra.

De seu velho amigo muito dedicado,




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