Departamento de Psicanálise e Psicopatologia



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Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Instituto de Psicologia

Departamento de Psicanálise e Psicopatologia


Psicopatologia I

Professoras: Ana Marta Meira e Marta D´Agord




Maurício Pinto Marques




Formação das Fixações Perversas:

Uma Criança é espancada e outros casos




Introdução


Esta cadeira, que agora se finda, nos impeliu a fazer uma difícil escolha no seu princípio: o que quero estudar? Uma opção eliminaria todas as outras. Então escolhi o tema da perversão por ser exatamente um dos menos falados na minha trajetória acadêmica. O uso coloquial da palavra “perverso” não era aceito por mim facilmente, bem como alguma de suas definições. Perversão muitas vezes parece ser apenas algum diagnóstico dado a qualquer tipo de aberração sexual. Fetichismo, sadismo, masoquismo, e até sociopatia, são alguns dos diagnósticos dados a partir de uma visão nosológica ou fenomenológica da perversão. Não satisfeito com isso, resolvi procurar o entendimento psicanalítico da perversão, que pode tanto aparecer como estrutura ou montagem, em ato isolado.

A cadeira de Clínica I nos permitiu ver o comportamento perverso na transferência, na clínica em si, em Psicopatologia II podemos ver um pouco dessa instigante estrutura (?) fora do setting, no social. As transformações da visão do mundo sobre o homossexualismo e excentricidades sexuais, contribuiram para se alterar o que muitos entendiam como perversão. Então resolvi procurar o que poderia me explicar a essência, o primeiro ponto, em que o perverso se apoiaria. Um clássico Freudiano “Uma criança é espancada” parece dar muitas pistas disso. Ainda mais após a leitura do “Caso Blaise” e a apresentação do filme “O lenhador”, em que experiências da infância pareciam determinar a forma de gozo de adultos considerados perversos.

Uma criança é espancada:
Freud escreveu o artigo com esse nome em 1919 por notar uma grande incidência de pacientes que manifestaram ter essa fantasia: “uma criança é espancada”. Essa fantasia teria sentimentos de prazer, quase marturbatórios, o que leva o paciente a reproduzi-la muitas vezes no passado. Entretanto, após um início em que isso ocorre voluntariamente, começa a acontecer contra a vontade do analisando, tendo características de obsessão. Essa fantasia sempre é revelada com hesitação, vergonha e culpa, sentimentos que a acompanham. Geralmente são nutridas desde cedo, antes da idade escolar e jamais após o quinto ou sexto ano de vida. Essa constatação acaba com a suposição de que a fantasia teria sido gerada pelas práticas de punição das escolas da época, o que às vezes aparecia, porém, não se mantinha. É interessante observar que mesmo a fantasia sendo invariavelmente catexizada com um alto grau de prazer e tendo “sua descarga num agradável ato de satisfação auto-erótica”, a visão real de outra criança sendo espancada na escola tinha um sentimento de excitação, contudo, com a repugnância predominando. Sendo em alguns casos até intolerável.

Na clínica, Freud observou que estas pessoas não tinham necessariamente apanhado em sua infância e em nenhum caso tinham tido a vara como corretivo. Então com a impossibilidade de atribuir essa fantasia ao trato escolar, ou doméstico, sendo eliminada também a possibilidade de serem criadas a partir da literatura ele começou a buscar maiores informações sobre as cenas. As informações de diversos casos não continham unidade eram muitas vezes conflitantes em um mesmo paciente. Sendo impossível de início até decidir se o prazer seria de caráter sádico ou masoquista.

Uma fantasia dessa natureza retida com o propósito de satisfação auto-erótica foi considerada por Freud como um traço primário de perversão. Um dos componentes da função sexual teria se desenvolvido à frente do resto, tornando-se prematuramente independente, sofrendo assim uma fixação, desta forma sendo afastada dos processos posteriores de desenvolvimento. O que formaria uma “constituição peculiar e anormal no indivíduo”. Uma perversão infantil não duraria necessariamente por toda vida, podendo ser submetida à repressão, transformado, por sublimação ou ainda substituída por uma formação reativa. Todavia se estes processos não ocorrem a perversão persiste até a maturidade provocando alguma aberração sexual em adultos como o fetichismo e a inversão. Binet, anterior à psicanálise, atribui estranhas aberrações sexuais da maturidade a impressões similares ao um período da infância entre os cinco e seis anos.

A partir da experiência clínica Freud (1919) notou que as fantasias de espancamento têm um desenvolvimento histórico e complexo, no qual a relação dela com o autor da fantasia e seu objeto, conteúdo e significado, são modificados. Assim, o psicanalista austríaco esquematizou e dividiu em três fases essa evolução, se referindo, primeiramente a casos femininos. A primeira fase seria muito primitiva, com escassez de informações. Uma das poucas afirmações é: uma criança é espancada (ou Uma criança é sendo batida, em outra tradução). Entretanto não é quem cria a fantasia e sim outra criança, freqüentemente irmão ou irmã, se existem . Não há relação entre os sexos de quem bate ou apanha. Tudo isso garante que a fantasia não é masoquista e mesmo com uma inclinação não podemos chamá-la de sádica, pois quem bate não é o autor também. O “agressor” que permanece obscuro por algum tempo se revela mais tarde como um adulto. Mais tarde ainda essa visão se clareia e revela-se inexoravelmente sendo o pai da menina. Logo, a representação dessa fase se dá pela frase: Meu pai esta batendo na criança. Posteriormente a frase ganha um adendo: Meu pai está batendo na criança que eu odeio.

Entre a primeira e a segunda fase ocorrem profundas transformações. A pessoa que bate continua sendo o pai mas a criança que está apanhando transformou-se em quem produz a fantasia. Ela e acompanhada por um alto grau de prazer e adquire um conteúdo significativo. A frase que define este segundo estágio é “Estou sendo espancada pelo meu pai”, o que lhe confere um conteúdo masoquista. É considerada a fase mais importante, mesmo se podendo dizer que nunca foi real. Nunca foi lembrada e jamais tornou-se consciente, é uma construção da análise, o que não diminui sua importância. A terceira fase se assemelha com a primeira. Nela a pessoa que bate nunca é o pai e é indeterminada. Ou ainda, é substituída por alguém como um professor. A figura do criador da fantasia também não aparece. Quando perguntado onde estão os pacientes respondem: “Provavelmente estou olhando”. Há agora várias crianças presentes. Geralmente meninos apanham, contudo, alguém desconhecido. A situação de espancamento, antes monótona, pode ter alterações e elaborações mais complexas. Castigos e humilhações podem estar presentes. Então temos o elo entre as três etapas. “A fantasia liga-se agora a uma forte e inequívoca excitação sexual, proporcionando, assim, um meio para a satisfação masturbadora”. A grande questão é por que caminho a fantasia (agora sádica) de meninos sendo espancados impôs-se à posse permanente das tendências libidinais da menina?

Análises profundas, levadas a períodos primitivos mostraram crianças envolvidas nas agitações de seus complexos parentais. As afeições da menina estão fixadas no pai e ela tentou ao máximo conquistar seu amor, o que edipicamente resultou em um sentimento de rancor e rivalidade com a mãe. Entretanto a dependência afetiva para com a progenitora concorre com isso, o que pode ao longo do tempo atingir sua consciência de forma clara ou dar vazão a uma excessiva dedicação a mãe. Todavia não é com ela que a fantasia de espancamento está ligada e sim a outras crianças, de idade próxima de quem o analisando não gosta por diversos motivos. Principalmente por ter que compartilhar o amor dos pais com ela, o que causa uma repulsão violenta. Se esta criança é um irmão (ou irmã) mais novo é desprezada e odiada, pois ver os pais lhe dando carinho é insuportável, e ela aprende que ser espancada (mesmo que não doa) se configura em uma privação de amor e uma humilhação. A irmã mais velha se vê fora de sua segurança da inabalável afeição dos pais e cai de sua onipotência imaginária. Desta forma, a idéia do pai batendo nesse inimigo é agradável, independente do fato ter acontecido. O que cria a significação: “O meu pai não ama essa outra criança, ama apenas a mim”. Neste ponto voltamos à primeira fase. A fantasia gratifica o ciúme e depende do lado erótico da criança. Mas é reforçada pelos seus interesses egoístas. O questionamento de Freud é se a fantasia pode ser descrita como puramente “sexual”, ou pode ser definida “sádica”. “Como é sabido, todos os sinais sobre os quais nos acostumamos a basear nossas distinções, tendem a perder a clareza à medida em que nos aproximamos da fonte” Ele então sai com a definição de que a natureza não é claramente nem sexual nem sádica em si, mas que a natureza de que esses impulsos surgiram se revelarão depois. Todo caso a excitação envolvendo os genitais encontra uma saída através de um ato masturbatório.

A vida sexual da criança já atingiu o estádio de organização genital e o seu amor incestuoso uma prematura escolha de objeto. O desejo de procriar com a mãe, nos meninos e obter uma criança do pai, nas meninas são constantes. Mesmo que sejam incapazes de formular uma idéia clara de como realizar seus desejos parece haver um convencimento (inconsciente) de que os genitais têm ligação com isto. Com o passar do tempo estes casos de amor “predestinados a fracassar” encontram a repressão. Como anteriormente foram impelidos a ter uma escolha objetal, nesta fase do desenvolvimento eles são compelidos a recapitular a repressão dessa escolha incestuosa. Ao mesmo tempo em que nenhum produto mental deste amor incestuoso é assumido pela consciência, nada que já tenha sido parte dela é expulso. Junto com a repressão surge o sentimento de culpa.

A fantasia da segunda fase, de ser espancada pelo pai, pode ser considerada expressão direta do sentimento de culpa da menina cujo amor pelo pai sucumbe. Desta maneira o sadismo torna-se invariavelmente masoquismo pelo sentimento de culpa. Contudo não apenas por isso, uma parcela é devida ao sentimento de amor. Essas crianças que por motivos constitucionais desenvolveram prematura e isoladamente um componente sádico, são as mesmas que acham particularmente fácil voltar à organização pré-genital, anal-sádica, da vida sexual. Se a organização genital, que mal firmou-se, se defronta com a repressão, não apenas toda representação psíquica do amor incestuoso se torna (ou permanece) inconsciente mas também ocorre um rebaixamento regressivo da própria organização genital. O “Meu pai me ama” que expressava um sentido converte-se para “Meu pai está me espancando.” Ser espancado é uma convergência do sentimento de culpa e do amor sexual. “Não somente o castigo pela relação genital proibida, mas também o substituto regressivo daquela relação, de onde deriva a excitação libidinal que se liga à fantasia a partir de então e que encontra escoamento em atos masturbatórios”. Aqui, há ausência do masoquismo.

Provavelmente a intensidade da repressão é o que consegue manter inconsciente a fantasia de ser espancada. O que diferenciaria a fantasia masculina da feminina é que na segunda fase, quando se torna masoquista, ocorre para o menino uma inversão a mais. A substituição da atividade pela passividade. Este grau extra de distorção pode salvar a fantasia de ter que permanecer inconsciente, em conseqüência da repressão. Assim, o sentimento de culpa seria satisfeito pela regressão, invés da repressão. Enquanto nos casos femininos o sentimento de culpa só pode ser apaziguado pela combinação dos dois. A fantasia da terceira fase seria um substituto do que Freud imaginava ser inicialmente masturbação por fantasias inconscientes e depois substituídas por conscientes. A criança como observadora e o pai permanecendo ou sendo substituído por outra autoridade. A fantasia parece voltar a ser sádica. Contudo, apenas a sua forma é sádica, pois a satisfação que vem dela é masoquista. Pois ela assumiu a catexia libidinal da porção reprimida e ao mesmo tempo o sentimento de culpa ligado aquela porção. Todas as crianças espancadas pelo professor, seriam apenas substitutas da principal. As crianças espancadas seriam meninos, tanto nas fantasias masculinas, quanto femininas. Isso seria explicado nas meninas pelo fato delas se afastarem do amor incestuoso pelo pai, com sei significado genital, abandonam com facilidade o papel feminino. Colocando, assim, em atividade seu complexo de masculinidade. Talvez por isso na terceira fase meninos a representam.

O principal dessa discussão é a sua aplicação à origem das perversões. Este crescimento prematuro de um único componente sexual ou o reforço constitucional não abrange toda a verdade. A perversão não é mais um fato isolado na vida sexual da criança, mas encontra o seu lugar em processos típicos, “normais”, de desenvolvimento, e nos são familiares. É levada a uma relação como objeto de amor incestuoso da criança, com seu complexo de Édipo. Ele destaca-se no início do complexo e permanece quase sempre por si, como “herdeiro da carga de libido daquele complexo, oprimido pelo sentimento de culpa ligado a ele”. Esta constituição sexual anormal impõe sua força ao complexo de Édipo levando-o a uma determinada direção e obrigando-o a deixar para trás um resíduo incomum. Esta perversão infantil pode ser a base para uma perversão com sentido similar que permanece na vida do sujeito. Consumindo sua via sexual. Contudo, ela pode ser interrompida e continuar ao fundo de um desenvolvimento sexual típico, mesmo assim, retirando uma porção de energia.

Descobriu-se que os pervertidos por diversas vezes tentam desenvolver uma atividade sexual normal, comumente em sua puberdade. Tentativa sem força suficiente que acabava sucumbindo diante dos obstáculos que os levavam a retornar à fixação infantil de uma vez por todas. Na recordação de suas anamneses, Freud nota que a primeira experiência, a impressão decisiva de todos os pervertidos, fetichistas, etc, dificilmente se refere a períodos anteriores ao sexto ano de vida. Depois de terminado o domínio do complexo de Édipo a experiência que é recordada e efetiva de modo desconcertante, representa seu legado. As ligações entre a experiência e o complexo “estão destinadas a permanecer obscuras na medida em que a análise não esclarece o período anterior à primeira impressão “patogênica”. O complexo de Édipo, para Freud, seria o núcleo das neuroses. O que resta dele no inconsciente representa a inclinação para o posterior desenvolvimento das neuroses no adulto. Assim, a fantasia de espancamento e outras fixações perversas análogas, também seriam apenas resíduos do complexo,que terminou. É interessante notar a passagem onde Freud fala sobre a origem do complexo de Édipo e “destino que compele o homem, provavelmente sozinho entre todos os animais, a iniciar duas vezes a sua vida sexual”.

A respeito do masoquismo parece se confirmar que ele não é a manifestação de um instinto primário, mas se origina do sadismo que foi voltado ao eu (self) – ou seja, uma regressão do objeto para o ego (Freud sugeriu em a “As pulsões e seus destinos”, 1915, que poderia haver um “masoquismo primário”). Não apenas a passividade, o desprazer também pertence ao masoquismo. A transformação do sadismo em masoquismo parece sofrer influências do sentimento de culpa, que participa da repressão. Ela opera de três maneiras: torna inconsciente as conseqüências da organização genital, obriga a organização a regredir ao estádio sádico-anal e transforma o sadismo desse estádio em masoquismo, que é passivo. O segundo desses três efeitos torna-se possível apenas pela fraqueza dessa organização genital, que deve ser pressuposta em tais casos. O terceiro torna-se necessário porque o sentimento de culpa faz tantas objeções ao sadismo, como à escolha objetal incestuosa, genitalmente concebida. A origem do próprio sentimento de culpa é que não seria explicada ainda pela análise.




Exemplos de fixação:
Pude ver dois casos de perversão em que a fixação parece ser explicitada, nas infâncias de Walter, no caso do filme “O lenhador” (2003) e no Caso Blaise, um caso clínico no livro “A impostura perversa” de André Sage. Blaise acabou se “revelando” perverso com o andamento de sua análise, o que o levou a buscar terapia foi uma nevralgia facial extremamente dolorosa. Ele havia consultado os melhores profissionais da Europa em neurologia e a única coisa em que o ajudaram foi na receita de analgésicos cada vez mais fortes. Após mais de um ano de análise as suas dores começaram a se estender do maxilar até o braço esquerdo por completo, sendo entendido como um fenômeno de conversão, já que não existe trajeto nervoso neste percurso da dor. Quando sentia essas dores Blaise se masturbava.

O relato da lembrança infantil mais primitiva que ele afirmava ter foi a entrada para esclarecer a formação de seu sintoma. Quando tinha aproximadamente 7 anos ele teve a oportunidade de ver uma garotinha de 10 anos urinando. Observando por baixo da porta do banheiro, ele contemplou a vagina da menina, sem nenhum pêlo pubiano, lhe impressionando a linha dos dois lábios vaginais unidos e o líquido brilhante que saía dele. Essa visão lhe obcecou, bastava avistar um grão de café (a menina era africana) ou ainda uma mulher de lábios cerrados, para que tivesse uma ereção e se masturbasse. A mulher dele acabou aceitando suas fantasias, raspando seus pelos pubianos, e permitindo que ele olhasse sua vagina. Pois ele não se dava a nenhum ato sexual sem ter esta visão e após se masturbar deitar-se nos braços da mulher. Quando sua mulher se excitava, havendo a natural abertura dos lábios vaginais, Blaise apagava a luz para não se desestimular. Após algum tempo o analista pediu para que ele narrasse mais uma vez, com todos os detalhes possíveis, a cena da garota. Chegou-se à conclusão que ele, quando deitado, estava com o rosto apoiado nas pedrinhas do chão. No lado esquerdo, o mesmo das dores. Da noite para o dia a nevralgia sumiu. Não foi ali que a análise terminou, pois não ter que pagar por suas fantasias masturbatórias durante seu fetiche, gerou uma postura mais perversa na relação transferencial.

No filme, O lenhador, Walter é um homem em liberdade condicional, após ter cumprido pena por abuso sexual em meninas de dez, doze anos. Mesmo tentando fugir de seu sintoma ele aluga uma casa a 102 metros de uma escola (a distancia mínima permitida por lei) e continua a observar meninas. Teve muitos problemas em sua nova vida, já que a família não queria mais vê-lo, havia se afastado de sua nova namorada após contar o motivo de sua prisão e de seus colegas de trabalho descobrirem seu segredo. Ele era obrigado a freqüentar terapia por causa de sua condicional e após resolver se implicar no tratamento chegou à cena primária de sua fixação. Com o psiquiatra lhe perguntando qual era seu pensamento quando lhe falavam a palavra Prazer e Menina, Walter se recorda de uma cena de seus seis anos. Ele deitado em sua cama, dormindo com sua irmãzinha mais nova. Apenas deitado, porém, cheirando seu cabelo e sentindo muito prazer nisso. Um pouco mais tarde, durante uma relação sexual, Walter se percebe cheirando o cabelo de sua namorada e isso acaba lhe dando um baque. Quando está em uma praça conversando com uma menina que ele observava ele pergunta a ela se sentaria em seu colo. A menina revela que seu pai também pede isso para ela e revela um grande sofrimento. Neste momento Walter consegue se tocar pelo sentimento do outro e quando ela se propõe a fazer o que ele pediu, Walter diz que não quer mais. Escapando da repetição. Em seu retorno para casa ele espanca um homem que abusava de garotos na escola próxima, sendo que em um pequeno quadro da cena ele espanca a si mesmo. Desta maneira ele consegue se libertar de seu sintoma, não negando que seria uma luta diária, porém que ele estaria disposto a enfrentar.
Conclusão
Encerrar meus estudos sobre perversão é algo que não pretendo com o final deste trabalho. Tudo o que li e discuti com meus grupos nas duas cadeiras em que este tema foi abordado somente serviu para aumentar minha curiosidade acerca desse tema controverso. Algumas leituras já estão reservadas para as férias como: “A pulsão e seus destinos” e “O problema econômico do masoquismo” duas outras obras das mais clássicas de Sigmund Freud. Um texto que se mostrou interessante como obra literária foi “A Causa Secreta” de Machado de Assis.

Por mais fundamental que seja a leitura sobre a perversão acho que somente na clínica psicanalítica poderei ter alguma idéia mais clara sobre o tema. Na relação transferencial provavelmente acabe com um dos temas que mais instigou meu grupo: estrutura ou montagem? Da existência da perversão não duvidamos, nem de que somente com trabalho, trabalho e trabalho poderemos ser profissionais competentes e realizados na vida que escolhemos.



Referências e Leituras feitas para este trabalho:
Calligaris, C. (1986) Perversão : um laço social? : (conferência) ; Introdução a uma clínica psicanalítica (seminários).  Salvador: Cooperativa Cultural Jacques Lacan
Freud, S. (1919) Uma criança e espancadauma contribuição ao estudo da origem das perversões sexuais. In: Freud, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. 2.ed. Rio de Janeiro : Imago, 1987. vol.17, p.225-253
Freud, S. (1905) Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: Freud, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. 2.ed. Rio de Janeiro: Imago, 1972. vol. 7, p. 123-252
Sérge, A. (1995). A Impostura Perversa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor
Filme: O Lenhador (2004) Diretor: Nicole Kassel. Ator principal: Kevin Bacon.

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