Deputado simão sessim – ppb/RJ



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Encontro26.03.2018
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DEPUTADO SIMÃO SESSIM – PPB/RJ


D06112002 – VESPERTINO.
O SR. SIMÃO SESSIM (PPB-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) Senhor presidente, senhoras e senhores deputados, a Nação brasileira, com certeza, ainda vive o clima de euforia provocado pela vitória esmagadora, nas urnas, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, a quem também depositamos todas as nossas esperanças de ver um país mais justo e humano sob o seu comando, a partir de janeiro de 2003.

É bem verdade, a esperança venceu o medo. Mas, precisa também vencer o Brasil que ainda desafia o novo mandatário na sua promessa de matar a fome de 54 milhões de pobres e indigentes, de mudar a situação de 42 milhões de trabalhadores informais, subempregados e sem direitos ou garantias, e de 10 milhões e meio de desempregados, entre outros excluídos.

Digo isto, senhor presidente, emocionado e orgulhoso que estou diante da expectativa de ver a minha querida escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, defendendo, na segunda-feira de Carnaval, na passarela da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, exatamente o que mais de 50 milhões de eleitores de Lula disseram nas urnas - que querem um Brasil melhor para todos os brasileiros.

O enredo da Beija-Flor, para o Carnaval de 2003, eu diria sem medo de errar, é um primor de manifestação, exatamente em defesa da liberdade, da igualdade e da fraternidade que ela vai defender com muito garbo, em nome de todos os moradores pobres e oprimidos, especialmente os da Baixada Fluminense, a que temos a honra de representar nesta Casa.

O enredo “O povo conta sua história: saco vazio não pára em pé – a mão que faz a guerra, faz a paz” é uma obra primorosa para os tempos atuais de uma nação que clama exatamente por paz, por trabalho, por comida e, sobretudo pela dignidade que lhe vem sendo tirada ou negada há mais de meio século.

Quero, aqui, senhor presidente, render minhas homenagens à Comissão de Carnaval da Beija-Flor, tão-bem capitaneada pelo magnífico Laíla. Mas não posso deixar também de ressaltar o trabalho magnífico, poético, que vai encantar a passarela da Marquês de Sapucaí, feito pelos compositores Betinho, J.C. Coelho, Ribeirinho, Glyvaldo, Luís Otávio, Manoel do Cavaco, Serginho Sumaré e Vinícius.

O CD com os sambas-enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro deverá chegar às lojas até o final desde mês, quando então o Brasil poderá ver, com antecedência, a contribuição que a minha querida Beija-Flor dará à Nação, sempre no ritmo e cadência de uma era de afirmação da consolidação da democracia - que também está chegando para os operários e o povo no sentido mais profundo de sua essência.

A Beija-Flor, senhor presidente e senhores deputados - que a exemplo do povo brasileiro também tem sofrido injustiças por parte daqueles que têm a responsabilidade de julgar o desempenho das escolas de samba -, vai falar da fome que assola sem piedade a humanidade, do caos moral e espiritual, da ganância cega e cruel, do inferno, da dor, da fome e da escravidão; de um povo sofrido, oprimido, sem direito e sem alternativa.

Mas, vai dizer também senhor presidente, que é no meio desse mesmo povo, de sua dor, que faz morada a esperança. Até porque, a forca mortal a nos ameaçar durante todos esses séculos não foi capaz de apagar o sonho de vermos a pátria e seus filhos livres.

A Beija-Flor vai denunciar com muita propriedade, que somos uma pátria de desigualdades, filhos do medo, da violência crescente, do desemprego desolador e da fome opressora. É como se este país continente desconhecesse que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, sem distinção de raça, língua ou religião; que tem direito a vida, à liberdade e à segurança.

A Beija-Flor, senhor presidente e senhores deputados, vai lembrar que, em meio a esta eterna luta desigual contra a miséria, nasceu uma região poderosa e guerreira, chamada de Baixada Fluminense; e que seus filhos, sempre humildes, ganharam uma grande defensora e porta-voz, ou seja, a Beija-Flor, sempre revestida de muita garra e, acima de tudo de muito amor por seus soldados.

É a mesma Beija-Flor de Nilópolis que já defendeu o povo de rua, as meretrizes, os pedintes e os desocupados. É a mesma Beija-Flor que, na sua luta por justiça, por várias vezes vestiu seus soldados de reis e rainhas, que fez lata virar prata e lixo virar ouro – e aí quem não lembra de Joãozinho trinta?

E há se perguntar também: por que o Brasil não fez a Beija-Flor de exemplo? Onde ficou a promessa de um povo bem nutrido, de um país desenvolvido? Cadê o nosso direito à paz e à moradia?

Como disseram os mais de 50 milhões de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, chega, ninguém agüenta mais! Chega, senhores mandatários do Brasil, de ganhar tão pouco, de tanto sufoco, chega de covardia!



Muito obrigado!

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