Desafiando a Paixão & Uma Vida nas Sombras Harlequin Paixão Sagas Ed



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DESAFIANDO A PAIXÃO

DEFYING THE PRINCE

Sarah Morgan


A COROA DE SANTINA 5/8


Parem as máquinas! Princesa pop causa escândalo na alta sociedade!

Foi uma noite repleta de acontecimentos, mas Izzy Jackson, conhecida como a Princesa do Pop, conseguiu roubar a cena! Realeza e convidados VIPs se horrorizaram com sua performance improvisada na festa de noi­vado da irmã. Coube ao príncipe Matteo, segundo na linha sucessória, retirar Izzy do palco, carregá-la para sua limusine e levá-la direto para o luxuoso palácio dele... de onde não saíram mais. Há rumores de que o orgulhoso príncipe e a filha do jogador de futebol estão organizando um show beneficente. Será que o casal irá compor uma doce canção juntos? Ou terminarão se separando alegando diferenças artísticas irreconciliáveis?


Digitalização: Simone R

Revisão: Projeto Revisoras

Tradução Ligia Chabú


HARLEQUIN

2013


PUBLICADO SOB ACORDO CO HARLEQUIN ENTERPRISES B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são

fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: DEFYING THE PRINCE

Copyright © 2012 by Harlequin Books S.A.

Originalmente publicado em 2012 por MB Modern Continuity 2012
Título original: PRINCESS FROM THE SHADOWS

Copyright © 2012 by Harlequin Books S.A.

Originalmente publicado em 2012 por MB Modern Continuity 2012
Projeto gráfico de capa:

Nucleo i designers associados

Arte-final de capa:

Ô de Casa

Editoração eletrônica:

EDITORIARTE

Impressão:

RR DONNELLEY

www.rrdonnelley.com.br
Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

FC Comercial Distribuidora S.A.

Editora HR Ltda.

Rua Argentina, 171,4° andar

São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380

Contato:


virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
CAPÍTULO UM

Ela era uma exibicionista desavergonhada.

Príncipe Matteo, segundo na linha de sucessão ao trono de Santina, assistia, com o rosto sério, a uma garota de cabelo loiro ondulado flertar de maneira ultrajante com o cantor da banda, cuidadosamente aprovada pelos oficiais do palácio como entretenimento “adequado”.

Aquela era uma festa de noivado da realeza, mas aparentemente, ela não deixara que o tipo de traje impresso no convite inibisse sua escolha de roupas para a noite. Usando um vestido vermelho com lantejoulas brilhantes, ela se destacava como uma única papoula em um buquê de rosas brancas. A aparência da garota estava enviando diversas mensagens para os espectadores perplexos. Os sapatos peep toe diziam maliciosa, as alcinhas finas do vestido falavam olhem para mim, a boca pintada de vermelho gritava tome-me.

Quando o cabelo dela foi jogado para trás, revelando ombros delgados desnudos, Matteo quase pôde sentir a textura da pele suave contra suas palmas, o gosto contra seus lábios. Tudo sobre ela o fazia pensar em morangos: aquele cabelo loiro longo, com mechas acobreadas, aqueles seios arredondados pressionados contra o vestido vermelho e lábios que o faziam pensar em fruta doce e suculenta. Não da variedade cultivada que era servida em festas finas, mas os pequenos morangos selvagens que cresciam em abundância no solo rico ao redor do palazzo, na costa oeste da ilha.

Selvagem.

A palavra combinava perfeitamente com ela.

Enquanto ele observava, aqueles lábios se curvaram em um sorriso sexy. Uma explosão de calor sexual queimou o corpo de Matteo, e a intensidade de sua reação o chocou, porque ele se considerava não apenas perspicaz no que dizia respeito às mulheres, mas também impenetrável aos truques delas.

Matteo virou-se para seu irmão mais velho.

— Eu presumo, pela total falta de graça social, que o sobrenome dela seja Jackson, e que ela será outra de seus parentes duvidosos.

Alex levantou seu copo.

— Ela é minha futura cunhada. Meia-irmã de Allegra.

— Eu pensei que a ideia fosse aumentar a reputação da monarquia, e não destruí-la. — Mesmo sem a confirmação de seu irmão, ele teria sabido que a garota era membro da notória família Jackson. — Por que você está fazendo isso?

— Eu estou apaixonado por ela. — O olhar de Alex pousou em sua noiva, Allegra Jackson, também resplandecente em vermelho, embora o vestido fosse bem mais discreto que o da irmã. — E ela está apaixonada por mim.

— Ela estaria “apaixonada” se você não fosse um príncipe?

— Ai, isso é cruel.

— É honesto. — Matteo não se desculpou. Desde muito cedo, aprendera, da maneira mais brutal possível, a desconfiar da natureza humana, e a lição o formara.

Olhou para seu irmão.

Alex franziu o cenho.

— Isso é diferente.

— Tem certeza? — Uma lembrança indesejada penetrou seu subconsciente, e, sem pensar, Matteo olhou para sua mão esquerda, para o alinhamento menos que perfeito de seu indicador, e para a cicatriz prateada que agora não passava de uma linha fraca, que ia de seu pulso até o nó de seu dedo. Havia cicatrizes similares em suas costelas e na parte superior das costas. Seu peito se comprimiu, e, apenas por um momento, estava de volta no chão, com o rosto pressionado dentro da terra, sentindo sangue escorrer por sua nuca. Ali, naquele instante, quase morrendo devido aos seus erros, Matteo entendera que seus relacionamentos nunca seriam como os de outras pessoas. Amor existia? Ele não tinha ideia. Apenas sabia que não existia para ele. E duvidava que existisse para seu irmão. — Eu ainda não conheci uma mulher que pode separar o homem do título.

— E você conhece muitas mulheres. — Alex sorriu. — Zomba da reputação dos Jackson, mas sua própria reputação não é exatamente limpa. Mulheres rápidas, carros rápidos, aviões rápidos.

— Não mais.

— Na última notícia que tive, você ainda estava dirigindo um carro esporte e escoltando a deleitável Katarina.

— Eu estava falando sobre aviões. — Matteo sentia falta daquilo, percebeu, mais do que teria previsto, considerando os anos que haviam se passado. — E nós estávamos falando sobre seu noivado...

— Não, você estava dando avisos horríveis. Alguma vez na vida confiou em uma mulher?

Uma única vez.

— Eu pareço tolo?

Matteo sabia que todas as mulheres que flertavam com ele estavam interessadas no que ele era e no que podia fazer por elas, não em quem ele era. Como resultado, não confiava em ninguém. E confiava menos ainda na garota Jackson balançando sedutoramente no palco. Ela parecia ter acabado de sair da cama de um homem, sem nem mesmo se importar em pentear o cabelo. O sex appeal dela parecia estar na atmosfera, e Matteo imaginou se ele era a única pessoa no salão experimentando um mau presságio. Sim, o rei queria seu filho mais velho vivendo em Santina e assumindo as responsabilidades como príncipe, mas queria tanto isso que estava disposto a permitir uma união com uma família como os Jackson? Superficialmente, o povo adorava a ideia de um príncipe se casando com uma plebeia, mas o quanto eles adorariam quando tudo desmoronasse?

Aquilo parecia tão errado.

Experiência lhe dizia que a garota no palco era o pior tipo de oportunista.

— Ela está fazendo de tudo para chamar atenção. Parece uma ameixa madura, prestes a explodir de sua casca. — Ele trocou de morangos para ameixas porque não gostava de ameixas.

— Mas muito sexy.

Aquele parecia um comentário estranho para um homem em sua festa de noivado, e Matteo teria dito isso, mas viu alguns Jackson reunidos em volta de um quadro inestimável e murmurou:

— Eles estão tentando adivinhar o preço do Holbein.

Quando um deles comentou, em voz alta, que as cores eram um pouco sombrias, ele murmurou:

— Eles não diferenciam Michelangelo de Michael Jackson. Ela realmente será sua sogra? — Observando Chantelle Jackson estudando um vaso inestimável, Matteo meneou a cabeça. — A qualquer momento ela vai jogar o vaso dentro da bolsa. E, sem dúvida, este estará à venda na internet na segunda-feira. — Subitamente, desejou que tivesse um relacionamento mais próximo com Alex.

— Você ia se casar com Anna. O que aconteceu?

— Eu me apaixonei.

Alguma coisa naquela resposta não soava verdadeira, e Matteo imaginou se esse noivado era um ato de rebelião da parte de Alex.

— Talvez você deva esperar um pouco mais.

— Eu sei exatamente o que estou fazendo. E Chantelle não será minha sogra. Ela é madrasta de Allegra.

Matteo ia fazer mais perguntas quando viu que a garota morango estava agora no centro do palco.

E de repente, aqueles olhos sábios estavam fixos nos seus, e ela começou a cantar uma música que dedicou à irmã, uma música sobre agarrar seu homem, a qual era muito apropriada, pensou Matteo.

No mundo da escalada social, seu irmão devia ser o equivalente ao Monte Everest.

Não era de admirar que os Jackson estivessem celebrando.

No momento em que ela se inclinou para frente e cantou bem perto do microfone, ele viu um movimento pelo canto do olho, quando Bobby Jackson, um ex-jogador de futebol, cuja vida amorosa variada era catalogada pelos jornais, tentava remover sua filha dali.

Matteo observou com sentimentos mistos.

Era definitivamente a hora de tirar a garota de perto do microfone, mas o fato de que o escandaloso Bobby fizesse isso parecia aumentar a transgressão.

— Venha, querida. — Bobby Jackson agarrou o braço de sua filha, mas ela se desvencilhou e quase perdeu o equilíbrio. — Devolva o microfone, seja uma boa menina. — O rosto dele estava rubro, o que podia ser resultado do enorme embaraço, mas Matteo suspeitou que o rubor se devesse mais ao consumo exagerado do melhor champanhe. Bobby Jackson era muito casca grossa para sofrer embaraço. Matteo sabia que ele subira na vida do nada e estava determinado que a família fizesse o mesmo, embora, aparentemente, tal ambição não se estendia para encorajar a filha a cantar.

Matteo olhou para seu próprio pai e viu que as feições do rei estavam tão rígidas quanto às de uma das estátuas de Michelangelo.

— Izzy! — Bobby tentou segurar novamente, sem sucesso. — Não agora. Comporte-se.

Izzy.

É claro.


Matteo percebeu onde a vira antes. Reconheceu-a como a garota que tivera seus cinco minutos de fama como cantora pop, depois de aparecer em um reality show de música na televisão. Izzy Jackson. Ela não aparecera nas manchetes por usar um biquíni no palco? Basicamente por ter feito qualquer coisa, exceto cantar. Parecia que ela possuía uma voz de gralha com infecção na garganta.

Nem mesmo a própria família a queria cantando em público, pensou ele, observando o pai dela tentar arrastá-la do palco.

Era como puxar uma mula. Ela firmou as pernas no chão, ergueu o queixo e continuou cantando.

Era óbvio que ela achava que aquela era a sua oportunidade de brilhar, e não ia desistir tão facilmente, um fato que alertou Matteo para a possibilidade de problemas.

— Talvez nós devêssemos transformar toda esta farsa num reality show na TV — murmurou ele para seu irmão. — Celebridades amam palácio? Eu sou um príncipe, tire-me daqui?

— Pode me fazer um favor? Tire Izzy de lá. O foco da atenção tem de ser no meu noivado. — Alex falou com uma urgência que tocou sinos de alarme no cérebro de Matteo.

— Você vai me contar por quê?

— Apenas faça isso, Matteo, por favor.

Sem mais perguntas, Matteo entregou seu champanhe para um garçom que passava.

— Você fica me devendo uma. E eu cobrarei.

Com isso, ele atravessou o salão para separar o problema do microfone.
— ELE É o único para voceeeeeee... — cantou Izzy em seu rico contralto, satisfeita consigo mesma por conseguir uma nota difícil e furiosa quando seu pai tentou afastá-la do microfone.

Não era ele que sempre lhe dizia para aproveitar o máximo das oportunidades? Bem, aquela era uma grande oportunidade. Izzy a planejara cuidadosamente. Sua meta do dia era cantar a música que escrevera para o príncipe. Não para o príncipe sorridente, herdeiro ao trono, que sua irmã agarrara, mas para o irmão dele, Matteo Santina, conhecido, por um público fascinado, como Matteo Mal-Humorado, porque ele era mortalmente sério. E mortalmente sexy, pensou Izzy de maneira sonhadora. Ele era alto, forte, lindo e muito, muito rico. Mas ela não estava interessada em nenhum desses atributos. Não estava interessada na estrutura óssea espetacular ou na herança da realeza. Também não se importava com o corpo atlético ou com as habilidades dele como piloto. E, embora seu lado romântico sentisse um pouco de inveja do romance da irmã, ela não tinha interesse na fantasia de se casar com um príncipe. Não, só havia uma coisa com a qual Izzy se importava, e era com a extensão da influência dele. Em particular, o papel de Matteo como presidente dos Fundos do Príncipe. Naquele papel, ele era responsável pelos famosos shows Rock and Royal, um evento para levantar fundos, televisionado ao vivo no mundo inteiro e que aconteceria dentro de algumas semanas.

Cantar naquele show seria todos os seus sonhos englobados em um, dando o impulso inicial em sua carreira inativa.

Por isso, a meta de hoje era se certificar de que ele a ouvisse.

Desvencilhando-se de seu pai, ela aumentou o volume, mas o príncipe agora estava conversando com o irmão, o herdeiro ao trono e o noivo da irmã dela.

Izzy sentiu um momento de desespero, seguido por uma onda de desapontamento. Estivera tão certa de que este seria seu grande momento! Bebera champanhe para ganhar coragem e subir ao palco. Imaginara cabeças se virando, enquanto as pessoas ouviam sua voz. Imaginara sua vida inteira mudando em um instante. Trabalho árduo e perseverança finalmente seriam recompensados.

Cabeças estavam se virando. Mas Izzy não bebera tanto champanhe para não perceber que o fato de estar sendo o centro das atenções não tinha nada a ver com sua voz.

Eles a estavam olhando porque ela fizera papel de tola. Novamente.

Estavam zombando dela.

Então, na verdade, sua vida não mudara, porque, como sempre, ela estava sendo vista como ridícula. Toda vez que se reerguia, era derrubada de novo, e cada vez, emergia um pouco mais ferida.

A confiança induzida pelo champanhe estava se transformando em um sentimento horrível.

Ciente da desaprovação estampada nos rostos aristocráticos ao seu redor, ela decidiu que Allegra devia estar muito apaixonada se estava disposta a aguentar aquilo. Pelo que Izzy podia ver, o casamento com um príncipe prometia um futuro tão interessante quanto estar presa dentro de um recipiente de vidro, em um museu, para que todos vissem.

Izzy suspirou. De súbito, percebeu que estava com fome. Por que eles não estavam servindo nada para comer? Desde que ela chegara, tudo o que vira sendo oferecido era champanhe, champanhe e mais champanhe.

Os membros da família real certamente sabiam beber. Pena que pareciam não comer muito, o que talvez explicasse por que eram tão magros. E por que ela quebrara sua regra de ouro e bebera demais?

— Apenas um amor... — cantou ela, sorrindo para um grupo de mulheres que a fitava com desaprovação e ignorando as tentativas nada sutis de seu pai de tirá-la do palco.

O fato de que nem sua própria família a ouvia adicionava dor à sua humilhação. Famílias não deveriam apoiar você, independentemente de qualquer coisa? Izzy os adorava, mas eles a tratavam como se ela estivesse cantando bêbada em uma máquina de karaokê, em vez de dando tudo de si. Ela sabia que possuía uma voz boa. E mesmo que eles não gostassem da música, e a considerassem tola por querer fazer carreira como cantora, deveriam estar gratos por sua tentativa de alegrar um noite tediosa.

— Basta! — A voz alta de seu pai, com o sotaque do leste de Londres, confirmou o que todos já sabiam: que nenhuma quantidade de dinheiro poderia comprar classe. Izzy já sabia disso. Sabia exatamente como as pessoas se sentiam com relação a sua família. — Deixe para cantar quando estiver no chuveiro. Você está embaraçando a si mesma, querida.

Não, eu não estou, pensou Izzy. Eu estou embaraçando você. E a hipocrisia daquilo doía. Ela amava seu pai, mas sabia que o comportamento dele era frequentemente questionável. E agora eles estavam rindo dela, e a zombaria machucava ainda mais porque Izzy nunca estivera tão desesperada para ser levada a sério.

Isso era parcialmente culpa sua, reconheceu. Ela nunca deveria ter entrado naquele reality show ridículo Estrela da Música. Fizera aquilo por pensar que finalmente alguém ouviria sua voz, mas os produtores estavam menos interessados em seu talento do que na figura que ela formava no palco e no fato de terem a filha do famoso ex- jogador de futebol Bobby Jackson no show. Eles a tinham induzido a fazer todo tipo de coisas duvidosas para aumentar a audiência, nenhuma das quais focava em seu canto. E Izzy estivera muito envolvida em seu momento de fama para enxergar a verdade.

Até que fosse tarde demais.

Até que ela se tornasse uma piada nacional.

A fama desaparecera rapidamente. Para sempre, ela seria “a garota horrível de Estrela da Música”.

Incapaz de pensar naquilo sem se contorcer, Izzy fechou os olhos e cantou, perdendo-se nas notas musicais, até que sentiu alguém fechando uma algema fria ao redor de seu pulso.

Estava sendo presa por crimes contra música.

Abriu os olhos em choque, e percebeu que não era uma algema, mas dedos de uma pessoa, frios e inflexíveis como metal. Ergueu a cabeça e seu olhar colidiu com olhos escuros não amigáveis, e o som morreu em sua garganta.

Era o príncipe.

Pura atração sexual a percorreu, porque, de perto, ele era simplesmente o homem mais espetacular que ela já conhecera, até mesmo mais incrível do que todas as fotografias a tinham feito acreditar. Uma câmera de televisão podia mostrar aqueles cílios escuros e o formato perfeito da boca, mas nenhuma lente seria capaz de capturar a masculinidade inata que o distinguia dos outros.

— Basta. — Falou ele entre dentes, o tom de voz tão abrupto que a fez tremer.

O Príncipe e a Mendiga, pensou ela, esforçando-se para manter o equilíbrio sobre seus sapatos com saltos plataforma, quando ele praticamente a arrastou do palco.

Era óbvio que ele não tinha a intenção de se apresentar formalmente. Talvez porque não visse necessidade. Todos sabiam quem ele era. E ele estava correspondendo à sua reputação, as feições espetaculares sérias enquanto ele usava o corpo poderoso para a remover de sua posição perto dos músicos.

— Ai! O que você está fazendo? Eu só estava cantando. Pode não me apertar com tanta força? Eu tenho pouca tolerância a dor, e não me arraste, porque estes sapatos definitivamente não foram feitos para andar.

E ela que pensara que ele poderia relançar sua carreira de cantora!

Pela linguagem corporal do príncipe, estava claro que ele não lhe daria um emprego para limpar os banheiros do palácio, muito menos um papel no show musical iminente.

E ela não poderia culpá-lo, porque sabia que não cantara bem. Tentara arduamente. Forçara sua voz.

Enquanto ele a levava para o outro lado do salão, falou baixinho:

— Você é uma convidada, e não uma cantora da festa. E está bêbada. — Embora não fosse sua língua nativa, ele falava inglês tão fluentemente quanto Izzy, mas era aí que as semelhanças acabavam O comportamento aristocrático tinha sido incutido nele e polido pela melhor educação que o dinheiro poderia comprar. A mãe de Matteo era monarca. A mãe de Izzy era comerciante de barraca de mercado.

— Na verdade, eu não estou bêbada. — Izzy estava inundada por desapontamento, porque seus planos haviam dado errados. — Pelo menos, não muito. E mesmo se eu estiver, a culpa é de vocês, por servirem baldes de álcool e nenhuma comida. — Ela olhou ao redor, procurando um rosto amigável, e avistou sua irmã, mas Allegra também não a estava olhando, claramente tentando distanciar-se do comportamento de Izzy. Ferida por aquela traição e mortificada que a música na qual trabalhara por semanas tinha sido recebida com o mesmo entusiasmo que um vírus, ela momentaneamente perdeu seu equilíbrio emocional. O que precisava fazer para que pessoas a ouvissem?

— Muito bem, eu já entendi. Fiz bobagem Solte-me e prometo me comportar de modo enfadonhamente apropriado. Falarei sobre o tempo ou sobre qualquer coisa que as pessoas falam sem mover seus rostos. — Esperando acabar ali, ela puxou o braço, mas ele não a soltou, conduzindo- a, através de uma porta, para uma antessala alinhada com retratos.

— Pare de me arrastar! Eu não posso andar rápido nestes saltos.

— Então por que usar sapatos tão ridículos?

— Eu sou pequena. — Izzy tentou desesperadamente manter o equilíbrio. — Se eu não usar saltos, as pessoas olham sobre o topo de minha cabeça. Estou tentando causar uma impressão.

— Parabéns, você foi bem-sucedida. - O tom dele deixava claro o tipo de impressão que ela causara.

Fileiras dos ancestrais do príncipe olhavam para ela de molduras de ouro, e Izzy fez uma careta para seus rostos sérios.

— Por que todos eles parecem tão deprimidos? Ninguém em sua família é feliz? Eu gostaria de não ter vindo.

— Nós todos compartilhamos o sentimento. — Ele deu um olhar silencioso para o lacaio uniformizado, e a porta foi fechada. Eles estavam sozinhos.

— Outra porta se fecha — sussurrou Izzy dramaticamente, e dedos fortes se apertaram em seu pulso. A incrível altura dele significava que ela precisava inclinar a cabeça para o olhar, e o movimento fez sua cabeça girar.

— Ei, você acha que pode parar de me apertar? — O cheiro dele era tão bom, pensou Izzy, distraidamente. — Não é como se eu fosse fugir. Mal consigo andar nestes saltos, quanto mais correr.

Ele a liberou instantaneamente, o desprezo no olhar diminuindo ainda mais a confiança já abalada de Izzy.

Por mais que detestasse admitir, ela o achava muito intimidador.

Ele era tão seguro de si. Aquele homem nunca tinha sido derrubado no chão e precisado se levantar novamente. Ele pulsava poder e autoridade, e a fazia se sentir tão insignificante quanto um grão de areia. E então havia outros sentimentos. Sentimentos nos quais ela não queria pensar. Como a onda de desejo instalada em seu baixo-ventre e o calor onde os dedos fortes tinham pressionado sua pele.

Rejeitando tais sentimentos, Izzy deu um passo atrás.

— Eu só estava cantando. Não estava nua, falando palavrões ou contando piadas pesadas. Eu queria que você me notasse.

Choque brilhou nos olhos dele.

— Usou a festa de noivado do meu irmão para chamar a minha atenção? O quão atrevida você pode ser?

— Bastante atrevida. Você não chega a lugar nenhum na vida sem atitude — replicou Izzy. — Eu sei o que quero e luto por isso.

— Eu tive mulheres se jogando em cima de mim nos momentos mais inoportunos, mas sua performance superou tudo.

— Superou num bom sentido? — A súbita esperança de Izzy foi imediatamente esmagada pelo olhar condescendente dele. — Obviamente não num bom sentido. Então você não está interessado. Não importa. Não é a primeira vez que tento e fracasso. Eu superarei isso.

Ela perguntou-se por que ele estava tão zangado. Não era como se ela tivesse machucado alguém. Enquanto ele andava ao redor da sala, os olhos de Izzy o seguiam em relutante fascinação. O homem era um símbolo sexual no mundo, e de perto, era fácil entender por quê.

— Você acha que pode parar de se mover? Estou me sentindo um pouco estranha, e observá-lo está me deixando tonta.

— Quanto você bebeu? — A voz profunda enviou uma onda de calor pelo corpo de Izzy.

— Eu não bebi o suficiente para aguentar uma noite como esta, acredite. E não é culpa minha que aquelas pessoas em uniformes...

— Eles são soldados de infantaria.

— Sim, eles. Eles continuavam enchendo meu copo, e eu não quis negar e ofender ninguém. - Ela pausou brevemente. — De qualquer forma, eu estava com sede, porque está calor aqui e não há comida, exceto aqueles minúsculos canapés que grudam nos dentes e não enchem a barriga. E, devo lembrá-lo, esta deveria ser uma festa. Eu estava tentando alegrar a atmosfera. Parece um funeral lá, não um noivado. Se esta é a vida que minha irmã vai levar quando se casar com seu irmão, então sinto pena dela. — Izzy parou, distraída por um rosto masculino tão impossivelmente bonito que quase doía olhar para ele.

Apesar da total imobilidade do príncipe, ela sabia que ele estava zangado. Podia sentir a raiva sobre o verniz da sofisticação. Izzy estava imaginando se ele ficaria ainda mais zangado se ela removesse os sapatos que a estavam matando, quando aqueles olhos escuros queimaram os seus.

— Você planejou tudo isso, não foi?

— Sim, eu planejei. — Ela não acabara de lhe dizer isso? — Todos os dias eu traço um objetivo para ajudar a me manter focada. Hoje, você era meu objetivo.

— Cristo. Você admite isso?

— É claro. — O que havia de errado em ter objetivos? — Eu confesso o crime, Excelência. — Ela bateu uma continência e quase perdeu o equilíbrio.

— Tudo é uma piada para você?

— Eu tento rir da vida quando posso. — E sua carreira era definitivamente uma piada, pensou ela com tristeza. Uma grande piada.

— Você é escandalosa e indiscreta. Se você estará ligada à nossa família, precisa aprender a filtrar o que dizer.

Izzy pensou em todas as vezes que pessoas haviam lhe dito uma coisa querendo dizer outra.

Vista-se assim e você será uma estrela, Izzy.

Eu amo você, Izzy.

Seu estômago se contorceu. Não ia pensar sobre aquilo agora. Nem depois.

— Por “filtrar”, você quer dizer mentir? Você quer que eu seja como essas mulheres aí fora, com sorrisos congelados e rostos inexpressivos, que não falam realmente o que pensam? Lamento, mas esta não sou eu.

— Eu também lamento. O fato de que sua irmã vai se casar com o futuro rei torna você de interesse para o público.

— Verdade? — Izzy alegrou-se com a perspectiva de que alguém pudesse ter interesse nela. — Isso é que eu chamo de final feliz.

— Se este casamento tem uma chance de ser aceito pelo povo, então você terá de ficar longe do olhar público. Nós não podemos ter publicidade negativa. O foco tem de estar em Alex e Allegra. E se sua irmã vai se casar com o futuro rei, você precisa aprender a se comportar. E a se vestir. — O olhar dele percorreu-lhe o corpo, como se ela tivesse sido queimada pela chama de um maçarico.

Ou ele estava enviando mensagens mistas ou seu radar emocional não estava bom. Havia desaprovação ali, sim, mas também havia outra coisa. Uma corrente perigosa que ela não conseguia ler propriamente.

— Não é meu vestido que está errado, é sua festa. Ninguém neste lugar sabe rir, dançar ou se divertir. Os candelabros são bonitos, mas vocês poderiam ter adicionado alguns globos espelhados para animar a festa.

— Este é um palácio real, não uma boate. Seu comportamento deveria refletir isso.

— Então eu devo fazer reverências?

— Sim — A voz, como tudo nele, era fria e controlada. — E o modo correto de se dirigir a mim é “Vossa Alteza Real”.

Ela mal o ouviu. Estava observando a boca incrivelmente sensual do príncipe e pensando que ele saberia como beijar uma mulher. Um calor a inundou e, subitamente, tudo o que podia pensar era em sexo, o que a chocou, porque depois de sua própria experiência desastrosa e do exemplo permanente do casamento disfuncional de seus pais, envolver-se com um homem não era um de seus objetivos.

Por um momento, eles apenas se entreolharam, então ele falou:

— Depois da primeira vez, você pode me chamar de sir.

— A primeira vez? — O coração de Izzy estava bombeando freneticamente. — Nunca haverá uma “primeira vez”. Eu não dormiria com você nem se estivesse desesperada, o que, a propósito, não estou. Eu não sou assim. Sou uma pessoa romântica.

Ele deu um suspiro exasperado.

— Eu estava falando sobre a maneira correta de se dirigir a mim depois da primeira vez que você me encontrou. Nada mais.

— Certo, é ótimo ter isso esclarecido tão cedo num relacionamento. — Mortificada por ter entendido errado, e sabendo que isso se devia ao fato de que ela estivera pensando em sexo com ele, Izzy continuou: — Eu realmente preciso chamá-lo de sir? A única pessoa que eu já chamei de sir foi o diretor de minha escola, e pensar nele me traz lembranças que eu geralmente tento esquecer.

— O homem tem minha profunda compaixão. Ensinar a você deve ter sido um grande desafio. — Ele parou diante do maior quadro na sala, e Izzy viu as similaridades imediatamente. O mesmo cabelo preto. As mesmas feições perigosas. A mesma linhagem aristocrática.

Não era de admirar que ele fosse arrogante, pensou ela. A linhagem dele era longa e pura, enquanto ela, o produto de duas pessoas que tinham querido alguma coisa um do outro.

— Tanta formalidade não o enlouquece? Ninguém sorri ou mexe o rosto. É como estar numa sala daquelas estátuas de pedra pela qual passamos no caminho para cá.

— Aquelas estátuas inestimáveis de mármore datam no século XV.

— Isso é muito tempo para manter seu rosto numa única posição. E não estou surpresa que sejam inestimáveis. Quem ia querer pagar para ter alguma coisa tão triste olhando para você, sir? — Ela adicionou depois, preocupada pela rapidez com que a sala estava girando. — Eu faria uma cortesia, mas estes sapatos estão me matando, então, no momento estou tentando não me mexer. Se você fosse uma garota, entenderia.

Ele gemeu.

— Você é a mulher mais fútil que eu já conheci. Seu comportamento é horrível, e os danos que alguém como você poderia causar à reputação de minha família são monumentais.

Izzy, que tinha sido chamada de muitas coisas na vida, mas nunca de “fútil”, ficou profundamente magoada, mas, ao mesmo tempo, grata, porque nunca poderia se apaixonar por um homem tão insultante.

— Por acaso, eu acho que o seu comportamento é horrível. Por que seria bom comportamento fazer alguém se sentir pequena e inferior? Você se acha melhor do que eu, mas se alguém vai à minha casa, eu sorrio e faço a pessoa se sentir bem-vinda, enquanto você olha para todos de cima. Eu recebo melhor hospitalidade numa lanchonete. Você pode ser um príncipe, e muito sexy para seu próprio bem, mas não sabe nada sobre bons modos. — Erguendo o nariz no ar, ela estava prestes a dizer mais alguma coisa quando a porta se abriu e um membro pálido do staff do palácio apareceu.

— O microfone, Vossa Alteza Real - disse ele em uma voz nervosa. — Ainda está ligado. Tudo o que vocês estão falando pode ser ouvido no salão de bailes. Em alto volume.



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