Desafios do trabalho



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Ladislau Dowbor

O QUE ACONTECE COM O TRABALHO?

São Paulo, Agosto de 2006



Prefácio à 3ª edição – 2006 4

O CONTEXTO DO TRABALHO: MACROTENDÊNCIAS 7

O novo contexto 8

As grandes simplificações 10

O dimensionamento do problema 11

Dinâmicas setoriais diferenciadas 12

A hierarquização do trabalho 17

O TRABALHO: EIXOS DE MUDANÇA 22

Os vínculos de emprego 22

A remuneração do trabalho 26

O tempo de trabalho 29

A subjetividade no trabalho 32

Trabalho e regulação social 35

OS CAMINHOS 40

Empregabilidade 40

As políticas locais integradas 42

As políticas públicas 44

O potencial das políticas sociais 46

O Terceiro Setor e as novas dinâmicas organizacionais 49

Revisão do horizonte sindical 53

As novas dinâmicas políticas 55

CONCLUSÕES 57

CRONOLOGIA 60

GLOSSÁRIO 62

BIBLIOGRAFIA 64



O QUE ACONTECE COM O TRABALHO?

Na economia moderna, um fato ligeiramente bizarro,



A produção é agora mais necessária pelos empregos

que oferece do que pelos bens e serviços que proporciona.”

John Kenneth Galbraith, A Sociedade Justa: uma Perspectiva Humana, 1996


O incremento da eficiência técnica tem avançado

mais rapidamente do que a nossa capacidade de lidar

com o problema de absorção do trabalho.”

John Maynard Keynes,

Economic Possibilities for our Grandchildren, 1930

Prefácio à 3ª edição – 2006

As transformações no mundo do trabalho são estruturais, são processos que se modificam lentamente, ainda que gerando impactos profundos sobre a sociedade no seu conjunto. Neste sentido, este livro, escrito em 2001, não exige grandes modificações cinco anos depois, e as principais tendências sugeridas, como por exemplo a informalidade no trabalho, a precarização através da terceirização e o papel crescente dos arranjos territoriais, se confirmam.


No entanto, o principal drama da sociedade brasileira, a desigualdade, está gerando tensões cada vez mais insuportáveis. Não podemos continuar a ter um pé na tecnologia do século 21 e outro nas relações de produção do século 19, não se sustenta este tipo de Casa Grande & Senzala tecnificado onde de dia as madames fazem compras na Daslu e de noite se queimam ônibus. A modernização social e econômica está na ordem do dia, e a janela de tempo que temos para fazê-la é curta. Temos hoje 35 mihões de jóvens entre 15 e 24 anos nos país, e 27% deles estão fora da escola e excluídos do emprego. Só os cegos não vêm a urgência das transformações.
Houve avanços indiscutíveis no que poderíamos chamar de medidas emergenciais, com um esforço muito significativo de redistribuição de renda. O aumento da capacidade de compra do salário mínimo, de 45% entre 2003 e 2006, representa pouco dinheiro, mas uma imensa diferença para quem vive no limite, e ainda assim provoca atitudes de indignação por parte das velhas classes dirigentes. O Bolsa-Familia atingiu um pouco mais de 50 milhões de pessoas, e representa a diferença, para milhões de famílias, entre as crianças terem ou não terem o que comer. São avanços indiscutíveis, pela primeira vez a redistribuição está na agenda da política aplicada.
Mas os avanços reais ainda estão por acontecer, e estão diretamente ligadas ao mundo do trabalho, pois se trata de organizar a inclusão produtiva da imensa massa de desempregados, subempregados, precários, informais e trabalhadores cuja produtividade poderia ser radicalmente melhorada com alguns aportes tecnológicos e organizacionais. Em outros termos, uma coisa é redistribuir um pouco da riqueza do “circuito superior” da economia. Outra coisa é colocar nas mãos do “circuito inferior” – para utilizar os conceitos de Milton Santos – os instrumentos da sua própria libertação econômica e social. Considerando que numa população econômicamente ativa de 93 milhões temos apenas 27 milhões de pessoas com emprego formal no setor privado, a inclusão produtiva poderá se tornar no eixo principal de ação no sentido de transformar o drama da desigualdade numa oportunidade de desenvolvimento. Ter essa massa de gente subutilizada num país que tem tanta coisa para fazer não constitui nenhum “modelo”, neoliberal ou outro, constitui apenas burrice e falta de criatividade na gestão social.
Esta preocupação com a inclusão produtiva tem gerado alguns trabalhos importantes, em particular o amplo estudo do Ipea – Brasil, o estado de uma nação: mercado de trabalho, emprego e informalidade, de 2006, além é claro das PNADs anuais, que nos permitem atualizar as cifras do presente estudo para 2004, e o Anuário Estatístico do Brasil 2005 publicado em 2006. No plano internacional, a publicação da reavaliação da situação social do planeta elaborada pelas Nações Unidas – The Inequality Predicament: Report on the World Social Situation 2005 – também traz à tona a problemática da informalidade e da inclusão produtiva, preocupação igualmente presente no conceito de “trabalho decente” da Organização Internacional do Trabalho. A presente 3ª edição busca atualizar o texto com estes aportes, apresenta portanto dados mais recentes, ainda que o texto e a estrutura do trabalho permaneçam essenciamente os mesmos.
Ladislau Dowbor

Agosto de 2006


INTRODUÇÃO

Vivemos uma era de profundas transformações geradas, em grande parte, pelos impressionantes avanços tecnológicos dos últimos tempos. Ter mais tecnologias à nossa disposição e poder realizar mais com menos esforço não deveria representar uma ameaça. No entanto, os resultados práticos têm sido a concentração de renda, o desemprego, gente estressada e angustiada. Como é que conseguimos transformar avanços em dramas?


A riqueza mundial também é maior: produzimos US$ 6 mil de bens e serviços por pessoa e por ano, o que significa aproximadamente US$ 2 mil por mês para uma família de quatro pessoas, o suficiente par todos viverem com conforto e dignidade. Como foi que chegamos à tragédia, denunciada até pelo Banco Mundial, de metade da população do planeta viver com menos de dois dólares por dia? Diariamente, 30 mil crianças morrem de fome, de contato com água contaminada e de outras causas absurdas.
Conseguimos avanços muito significativos em termos de leis de proteção do trabalho, de controle do trabalho infantil. No entanto, apenas um terço dos trabalhadores, no Brasil, tem um emprego formal no setor privado, com carteira assinada e direitos assegurados.
Este livro discorre sobre essa impresssionante mistura de avanços tecnológicos e recuos sociais, sobre novos setores que surgem e velhos que desaparecem, sobre a busca de novas dinãmicas organizacionais que estão surgindo no Brasil e em outros países.




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