Descobrindo as Riquezas da Teologia da Criação Edegard Silva Pereira



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EDEGARD SILVA PEREIRA




DESCOBRINDO AS RIQUEZAS DA

TEOLOGIA DA CRIAÇÃO

DO GÊNESIS


Desmascara a deturpação da criação

mostrando o que a criação é

Direitos autorais reservados

Nesta apostila estão reunidos os artigos publicados em adventistas.com sobre o tema. Agora com uma nova introdução e um apêndice que apresenta, em categorias atuais, questões que o Gênesis levantou no passado, destacando a deturpação da criação de nosso tempo e, conseqüentemente, a necessidade de se mostrar, em linguagem de hoje, o que a criação é.
SUMÁRIO

Introdução


1. O Deus Criador — Sua Soberania Incontestável


2. O Senhor da Vida — Uma Lição de Vida

3. A Criação da Humanidade — Homem, Mulher e Mundo

4. O Ser do Homem — Conceitos Antropológicos Fundamentais

5. O Padrão Rítmico de Ação — Trabalhar e Descansar em Deus

6. O Início do Mal no Mundo — O Aspecto Problemático e Estranho do Pecado

7. Severa Crítica ao Poder — A Forma Mais Abrangente do Pecado

8. Demitização do Mundo e do Poder — A Anulação do Poder Transcendente

9. A Criação de Israel — O Povo da Transformação

10. B’reshit, o “Princípio” da Criação Original e da Nova Criação

Apêndice:



  1. O Dilema Moderno: Ciência ou Religião

  2. A Soberania de Estado Imita a Deus e os Senhores da Humanidade

  3. Efeitos da Derrocada da Tradição de Dois Mundos

  4. Revolução Francesa, Iluminismo Francês, Civilização Ocidental e Valores Fundamentais

  5. A Deturpação Atual da Criação. Deus, Homem e Mundo Conforme a Abstração Social Dominante no Ocidente

INTRODUÇÃO

Decidi apresentar este estudo depois de constatar que muitos adventistas (inclusive pastores) nunca ouviram falar em teologia da criação nem sabem que ela existe, e que os dois modos mais usados por eles de enfrentar o Gênesis os impedem de descobrir a grande riqueza espiritual contida nesse livro.
O primeiro modo é o seguinte: no meio adventista, não são poucos os que vêem o Gênesis como uma fonte de historietas para se contar. E porque persistem na falta de critérios e na inadvertência, apresentam suas historietas, mesmo antepondo a elas o título “ensino bíblico” ou “estudo bíblico”, como brincadeiras se julgadas na medida da teologia bíblica.
O segundo modo é este: a compreensão adventista dos relatos sobre as origens está muito contaminada com o criacionismo. Esta teoria da criação leva os adventistas pelo caminho do racionalismo, que não é o caminho da teologia bíblica, a fim de combaterem a teoria da evolução ou tentarem harmonizar as narrativas da criação com a ciência, como faz, por exemplo, o Comentário Bíblico oficial da IASD.
Tenho a seguinte convicção: melhor do que combater a teoria da evolução com argumentos racionais, tomados por empréstimo do criacionismo, e desviar-nos para um cientificismo, é concentrar-nos em mostrar as riquezas contidas principalmente nos valores espirituais e idéias transcendentes do Gênesis, os quais são de benefício incalculável para a existência humana. Desse modo —mostrando o que a criação é—, tornamos evidente que temos algo superior a oferecer, pois a teoria da evolução e a ciência nada podem apresentar para corrigir o mal humano e criar um mundo melhor.
Minha intenção não é abordar a teologia da criação de forma exaustiva. É mais modesta: escolhi alguns de seus grandes temas, os que me parecem mais adequados a fim de ajudar os leitores a entender a realidade que o Gênesis apresenta e o significado de suas expressões. Finalmente, espero que descubram que esse livro é uma verdadeira caverna de Ali Babá, cujos tesouros nunca se extinguem.
Ficarei satisfeito se os leitores têm a sensação que aprenderam a ver o Gênesis com novos olhos, e descobriram que o que viam era muito pouco, uma parte pequena e distorcida de seu conteúdo, a parte que os senhores da Igreja e seus ideólogos, os intérpretes fundamentalistas, querem que vejam, pois a teologia da criação ameaça as estruturas de dominação, das quais esses senhores se valem para controlar o povo de Deus e estabelecer privilégios para si mesmos.

Gênesis significa “origem” ou “começo”. O primeiro livro da Bíblia recebe esse nome porque narra as origens do mundo, do gênero humano, da civilização e de Israel, o povo da Aliança. O que esse livro pretende com o retorno às primeiras origens? O que ele vai buscar no passado mais remoto? Estas perguntas nos colocam face à primeira questão que devemos enfrentar, da qual não podemos fugir: como vamos inventariar o significado de seus relatos?


Antes, porém, convém mencionar as maneiras bastante comuns, equivocadas e infrutíferas de abordar o Gênesis, que devemos evitar. Cometemos erros lamentáveis quando consideramos esse livro como uma peça arqueológica, uma fonte de historietas ou desprezamos o significado de suas expressões. Também corremos o risco de não identificar a realidade que suas narrativas expressam quando as consideramos como peças soltas ou quando queremos chegar rápido demais a seu sentido. A seguir, passo a enumerar os critérios que orientam nossa leitura do Gênesis.
1. A teologia da criação do Gênesis adquire seu verdadeiro sentido só quando se respeita a forma como as histórias estão concatenadas no texto. Pois é precisamente com essa concatenação que o Gênesis formula tal teologia. O livro é uma obra literária magnífica. Suas histórias têm uma estrutura de caixa chinesa: a caixa maior contém outra menor, e esta outra, em um processo que, em teoria, poderia ser infinito. Cada história menor está contida dentro de outra anterior e mais ampla, e assim sucessivamente. E nessas histórias há personagens e episódios que são outras caixas chinesas. Todas as histórias menores, personagens e episódios estão contidos na história mais ampla do livro, a história das origens, que, por sua vez, leva os leitores a uma outra que a contém, a história da salvação, que lhes parece não ser exatamente aquela que estão lendo, porém é a mais ampla da Bíblia, e que os menos informados só conseguem adivinhar.
2. Gênesis não foi escrito no vazio. Ele está situado no ambiente cultural do Antigo Oriente Médio. Foi escrito de acordo com formas literárias próprias desse ambiente. E mantém um certo paralelismo com os grandes mitos sociais da região, a fim de criticar e contradizer as idéias que difundiam. Portanto, para entender as histórias que conta e suas expressões, é preciso projetá-las sobre esse fundo cultural e estabelecer um paralelismo entre elas e os mitos mais influentes da região, principalmente com os babilônicos.
3. Faremos justiça ao Gênesis levando a sério suas duas apreciações: a histórica e a histórico-salvífica (entenda-se esta última como “história religiosa da salvação”). Sua apreciação é fundamentalmente histórico-salvífica. Mas esta apreciação não é propriamente uma abordagem histórica que se diferencia do restante da história. É, isto sim, uma seqüência de acontecimentos históricos que são caracterizados e ligados entre si apenas pelo fato de que, através deles, Deus se revelou na história e pelo fato do povo de Deus identificar-se com eles.
4. Mas a moldura histórica não forma apenas o pano de fundo da teologia da criação. Esta não é apresentada como uma proclamação abstrata dirigida ao homem. Ela tomou forma e se tornou importante no diálogo crítico com a situação histórica e na discussão sempre em diálogo concreto com o homem. Portanto, descobriremos o sentido das narrativas do Gênesis se não as separarmos do confronto com a situação histórica e do diálogo autêntico com o homem.
5. Gênesis é a parte inicial de um todo. Não é por acaso que ele ocupa o primeiro lugar no conjunto de escritos que formam a Bíblia. E isso se deve a três razões principais: 1) nele estão as nascentes das grandes linhas de pensamento bíblico; 2) narra o começo de todas as coisas, começo que determina tudo o que acontece depois, inclusive o fim; 3) face à deturpação da criação existente em seu tempo, mostra, de modo magnífico, o que a criação é. Sendo que o todo, a Bíblia, tem a Cristo como seu fundamento e seu centro, minha reflexão aqui não poderia ficar restrita ao Gênesis e deixar de lado, em questões vitais, a palavra decisiva daquele que é o autor e realizador de nossa fé.
O que faço nestas páginas é ressaltar o seguinte: Gênesis não é um livro conservador; pelo contrário, sua teologia foi formulada tendo em vista a transformação. Uma síntese do propósito dessa teologia pode ser esta: os povos antigos elaboravam mitos e lendas sobre as origens do mundo e do ser humano, cuja finalidade era legitimar e manter a situação vigente. Opondo-se a inovações que venham modificar a ordem social, tais mitos e lendas não oferecem possibilidade de mudança. Mas a teologia da criação do Gênesis rompe com essa tradição. Não venera o passado. Pensa na reconstrução do presente mediante a transformação profunda do modo de ser e de viver. Sua fé esplêndida no Deus criador desafia o estilo de pensamento do mito e entra em guerra contra o espírito tacanho.
Quanto às riquezas da teologia da criação, o leitor pode começar a descobri-las lendo as páginas seguintes.


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