Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados



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Obs.: Algumas páginas não puderam ser recuperadas.

Copyright © 1995 por Philip Yancey

Publicado originalmente por Hodde & Sroughton Publishers, Londres.

Inglaterra.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida Revista e Atualizada, 2ª ed. (Sociedade Bíblica do Brasil), salvo indicação específica.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610. de 19/02/1998.

É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste livro, por quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação e outros), sem previa autorização, por escrito, da editora.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP. Brasil)


Yancey, Philip

Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados / Philip Yancey: traduzido por Marson Guedes. — São Paulo: Mundo Cristão. 2005.

Título original: Finding God in unexpected places.

Bibliografia.

ISBN 85-7325-415-7

1. Deus — Onipresença — Meditações 2. Espiritualidade 3. Vida Cristã — Meditações 4. Yancey, Philip I. Título.


Índice para catálogo sistemático:

l. Encontro de Deus: Literatura devotional: Cristianismo

Categoria: Espiritualidade / Inspiração
Publicado no Brasil com todos os direitos reservados pela: Editora Mundo Cristão

Rua Antônio Carlos Tacconi, 79, São Paulo. SP, Brasil, CEP 04810-020

Telefone: (11) 2127-4147

1ª edição: novembro de 2005

2ª reimpressão: 2008

sumário


Descobrindo Deus sem realmente procurá-lo 8

Rumores de outro mundo 8

Nus, mas não o suficiente 14

Nus, mas não o suficiente 17

Olhando para cima 19

Sobre baleias e ursos-polares 21

Lendo o Gênesis rodeado pela natureza 24

Transtornando o universo 25

Descobrindo Deus no trabalho 28

Sirva também aos que apenas se sentam e ficam digitando 28

Cartas-bomba 31

A Terra do Nunca da mídia religiosa 32

O poder da escrita 34

Um Deus abrangente 36

Descobrindo Deus nos escombros 39

Graça no Ponto Zero 39

Um muçulmano em busca 45

Por que eles nos odeiam? 48

A grande partilha 50

O que os outros pensam é importante? 52

Abraão, Jesus e Maomé em Nova Orleans 54

Ao longo da fronteira 56

Descobrindo Deus numa sociedade em pedaços 59

Excêntricos nas linhas de frente 59

As soluções para o crack do dr. Donahue 64

Ah! Aqueles eram dias, meu amigo 66

A saúde e o fator Deus 68

Shakespeare e os políticos 70

Alguém sabe o que aconteceu com o deísmo? 72

Poderia acontecer aqui? 74

Fugindo dos fugitivos 75

Descobrindo Deus nas entrelinhas do noticiário 78

A história não contada da Rússia 78

A estrondosa queda de um muro 86

A Grande Babá está vigiando 88

Tremores subterrâneos 91

O clamor do continente bem-amado 94

Descobrindo Deus nas brechas 96

Cinco palavras contaminadas 96

Levando a cura enquanto Roma pega fogo 98

Deus vai perdoar aquilo que estou prestes a fazer? 102

Segredos sagrados 103

Descobrindo Deus na igreja 105

A igreja por trás das grades 105

Fé de mão dupla 113

Não se esqueça de rir 115

Santos e semi-santos 117

O dia em que o hino não soou tão bem 120

Querido sr. Frango Frito: favor enviar-nos dinheiro 122

Colonizadores de Deus 124





introdução

Comecei minha carreira em 1972 como jornalista de revistas. Todos os meses escrevia quatro ou cinco artigos sobre uma grande variedade de assuntos. Gostava do ritmo acelerado, da emoção vicária de me aproveitar de outras vidas mais emocionantes do que a minha, além da sensação de escrever sem peso na consciência (revistas normalmente são jogadas fora e, assim, se eu escrevesse algo entediante ou estúpido em determinado mês, poderia melhorar na edição seguinte).

O processo de escrever livros exigiu alguns ajustes. Tinha de ser mais cuidadoso porque um livro pode ficar disponível por um longo tempo. Se cometesse erros sobre um fato ou assumisse uma posição controversa, poderia ficar ouvindo sobre isso uma década depois.

Também tive de aprender a ajustar meu tempo de concentração. Li em algum lugar que, nos primeiros tempos da rodovia do Alasca, os caminhões articulados faziam sulcos profundos no cascalho quando transportavam materiais de construção das cidades apinhadas para o norte. Alguém colocou uma placa no começo da estrada: escolha bem seu sulco: você vai ficar nele pelos próximos 300 quilômetros. Levo cerca de um a dois anos para escrever um livro, e se não fizer cuidadosamente as escolhas, aquele período pode bem se parecer com um sulco interminável.

Talvez por nunca ter superado meu instinto jornalístico, intercalo os projetos de livros com viagens e artigos. Durante vinte anos escrevi uma coluna na contracapa da revista Christianity Today e habituei-me a não pensar naquela coluna até que o dia do prazo máximo chegasse. Pelo menos por um dia no mês consigo manter um pouco de espontaneidade em minha vida de escritor. No dia seguinte retorno o sulco.

Este livro é um tanto híbrido, porque nele juntei trabalhos espontâneos, adicionei outros e os reformulei em algo que — espero — tome a forma de um livro. Consigo olhar para trás, para os trabalhos dos últimos anos, e ver quais assuntos e tendências chamaram minha atenção como escritor e observador.

Tenho observado uma polarização na sociedade americana. A medida que as decisões judiciais e o turbilhão da cultura em geral empurram a religião para as margens, alguns cristãos agem cada vez mais como se pertencessem a uma religião marginal. Cristãos pressionados normalmente mostram a tendência de se afastar do mundo, erguer a ponte levadiça e se refugiar atrás de um fosso protetor Entristeço-me com essa tendência porque é diametralmente oposta ao mandamento de Jesus para agirmos como sal para a carne e luz no meio das trevas. O sal não tem qualquer efeito quando guardado num frasco na prateleira, e uma lâmpada escondida num armário não ilumina nada.

O "castelo" no qual os cristãos se refugiam e a igreja. Isso também me entristece porque, para muitas pessoas, o lugar mais improvável para um encontro com Deus pode ser a igreja. O próprio Jesus procurou Deus não entre os piedosos na sinagoga, mas numa viúva que tinha apenas dois centavos e num cobrador de impostos que não conhecia nenhuma oração formal; encontrou lições espirituais em pardais vendidos no mercado, em campos de trigo e festas de casamento e, sim, até nas observações de uma estrangeira miscigenada que teve cinco casamentos fracassados. Jesus era mestre em encontrar Deus em lugares inesperados,

Em minha peregrinação, precisei olhar para além dos muros da igreja para encontrar Deus. Tendo crescido em meio ao fundamentalismo sulista, minha busca por Deus foi obstruída pelo racismo, medo e julgamento. No mundo belo e ordenado da natureza tive os primeiros vislumbres de um Criador que foi generoso ao nos presentear com um mundo bom e cheio de graça. Conforme começava a acreditar, encontrava traços de transcendência — as pegadas de Deus — em lugares nos quais jamais pensara em procurar

O teólogo John S. Dunne conta de um antigo grupo de marinheiros espanhóis que alcançou o continente sul-americano depois de uma viagem, árdua. As caravelas navegavam pelas águas do rio Amazonas, uma extensão de água tão imensa que os marinheiros pensaram ser a continuação do Oceano Atlântico. Nunca lhes ocorreu beber daquela água, uma vez que imaginavam ser salgada e, em decorrência disso, alguns desses marinheiros morreram de sede. Essa cena — homens morrendo de sede enquanto os barcos flutuavam sobre a maior reserva de água potável — tornou-se para mim uma metáfora de nossa época. Algumas pessoas morrem de fome espiritual enquanto o maná que as cerca apodrece.

As pessoas meneiam a cabeça em desespero por causa do estado em que o mundo se encontra, a despeito do fato de que em muitos quesitos — alfabetização, nutrição, saneamento básico, moradia — as coisas realmente melhoraram nos últimos cinqüenta anos. Perto do fim do século passado, um terço de todas as pessoas da terra foi libertado daquela que, talvez, tenha sido a maior tirania da história sem que um único tiro fosse disparado. No Leste Europeu, um deus caiu por terra, arrancado de seu pedestal, e em sua base estavam cristãos, armados com velas e com o poder da oração. Na África do Sul, o líder do último partido na terra com bases teológicas racistas abriu o caminho da reconciliação. O próprio F. W de Klerk informou o motivo: depois de tomar posse, em lágrimas, ele disse à igreja que sentira o chamado de Deus para salvar todo o povo sul-africano, mesmo sabendo que seria rejeitado por seu próprio povo. Na China, o maior despertamento de fé da história irrompeu num Estado ateu que tentava desesperadamente sufocá-lo.

Temos a tendência de enxergar o que procuramos. Na época em que o microscópio foi inventado, os cientistas acreditavam que o esperma tinha a forma de pequenos embriões e a mulher servia de incubadora. Investigando com os primeiros microscópios, eles viram e desenharam esses embriões, homúnculos ou "homenzinhos", Eles viram o que esperavam ver. de forma semelhante, quando o grande astrônomo Percival Lowell recebeu seu novo telescópio de 24 polegadas, numa montanha em Flagstaff, Arizona (lua), ele "viu" uma rede de canais em Marte que confirmou as teorias dos astrônomos italianos. Ele fez mapas desses canais num globo e, em seu livro, de 1908, Mars as the abode of life [A vida habita em Marie] exibiu as provas de que tais canais foram construídos por seres inteligentes.

Às vezes, como Lowell, vemos coisas que na realidade não estão lá e, às vezes, como os marinheiros espanhóis, deixamos de notar o próprio elemento sobre o qual estamos flutuando. No mundo da fé, particularmente, é preciso acreditar em algumas coisas antes de vê-las.



O trabalho de um jornalista e, simplesmente, o de ver. Somos olhos profissionais. Como jornalista cristão, aprendo a procurar pelos rastros de Deus, Tenho encontrado esses rastros em lugares inesperados: entre os principais propagandistas ele uma nação outrora atéia e os refugiados de uma nação ateia no presente; numa capela ajeitada num depósito no Ponto Zero em Nova York, numa favela em Atlanta e até numa academia de Chicago; numa reunião da Anistia Internacional, num retiro de fim de semana com vinte judeus e muçulmanos, e num painel em que se debatia a pergunta "Por que os muçulmanos nos odeiam?"; nas prisões do Peru e do Chile e em orfanatos na África do Sul e em Mianmá; nos discursos de Vaclav Havel e mesmo nas peças de Shakespeare. Este livro, boa parte do qual adaptado a partir de escritos esporádicos, é o relato do que tenho visto nos últimos anos.

Encontrei desconforto em meio à abundância e esperança contagiante em circunstancias que deveriam provocar desespero. Encontrei maldade nos lugares mais inesperados, e Deus também.

Este livro foi inicialmente publicado em 1995,1 mas depois de 2001 o mundo passou por tantas mudanças que senti a necessidade de revisá-lo. Em 1995 a economia estava aquecida, a guerra fria era memória que se esvaía rapidamente, e os Estados Unidos não enfrentavam nenhuma oposição. Agora, todos os que passam pela segurança nos aeroportos ou abrem um envelope de aparência suspeita sabem que o mundo mudou. Agora o medo e reinante. Removi nove capítulos que pareciam relevantes antes de 11 de setembro de 2001, mas nem tanto depois dessa data, e acrescentei 14 capítulos novos, incluindo uma parte inteira sobre "Descobrindo Deus nos escombros".

Não peço que você creia em tudo que creio, ou ande no mesmo caminho em que tenho andado. Tudo o que peço e que mantenha a mente aberta e olhe o mundo através de meus olhos.

Conheci uma mulher notável numa viagem à África do Sul; chamava-se Joana. Ela pertencia a uma raça miscigenada, parte negra e parte branca, uma categoria conhecida lá por "coloridos", Quando era estudante incitou movimentos de mudança do apartheid, e então viu o milagre que ninguém previa, o desmantelamento pacífico daquele sistema maligno. Logo depois, durante várias horas ela sentou-se com o marido, assistindo às transmissões ao vivo das audiências da Comissão de Verdade e Reconciliação.

Em vez de simplesmente exultar com a liberdade recém-adquirida, o passo seguinte de Joana foi eleger como alvo a prisão mais violenta na África do Sul, na qual Nelson Mandela passou muitos anos. Membros de uma gangue — o corpo coberto de tatuagens — controlavam a prisão, impondo com rigor uma regra que exigia dos novos membros um teste de admissão: agredir prisioneiros indesejáveis. As autoridades faziam vistas grossas, deixando aqueles "animais" se espancar e até mesmo se matar.

Sozinha, essa jovem e atraente mulher começou a visitar dia após dia os interiores daquela prisão. Ela levou uma mensagem simples de perdão e de reconciliação, tentando pôr em prática, numa escala reduzida, aquilo que Mandela e o Bispo Tutu estavam tentando realizar na nação como um todo. Ela organizou pequenos grupos, ensinou jogos que estimulavam a confiança, conseguiu que os prisioneiros revelassem detalhes horripilantes da infância, No ano anterior ao início das visitas, a prisão tinha registrado 279 atos de violência; no ano seguinte houve dois. Os resultados obtidos por Joana foram tão impressionantes que a bbc enviou de Londres uma equipe de filmagem para produzir dois documentários, de uma hora cada, sobre ela.

Conheci Joana e seu marido, que desde então se juntara a ela no trabalho na prisão, num restaurante da área portuária da Cidade do Cabo. Como sempre fazem os jornalistas, pressionei-a a fim de obter os detalhes do que aconteceu para aquela prisão ser transformada. Ela parou com o garfo a meio caminho da boca, levantou os olhos e disse, quase sem pensar: "Bem, Philip, Deus já estava presente na prisão. Tive apenas que torná-lo visível".

Tenho pensado com freqüência naquela frase de Joana, que seria um excelente testemunho de missão para todos os que procuram conhecer e seguir a Deus. Deus já está presente, e nos lugares mais inesperados. Precisamos apenas torná-lo visível.
Philip Yancey




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