Desdobrável [De Homem para Homem]



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De Homem para Homem
Jacke wie Hose (1982)

de Manfred Karge

tradução e dramaturgia Vera San Payo de Lemos, Beatriz Batarda
encenação Carlos Aladro

cenografia Manuel Aires Mateus

música Pedro Moreira

desenho de luz Nuno Meira


interpretação Beatriz Batarda
produção Culturproject

um projecto artístico Arena Ensemble


estreia [11Set08] Teatro do Bairro Alto (Lisboa)

duração aproximada [1:30] sem intervalo

classificação etária Maiores de 16 anos
Teatro Nacional São João

[19 + 20 Dezembro 2008]

sexta-feira + sábado 21:30



Com o coração nas mãos
Inspirado numa história verídica, este monólogo para uma actriz em forma de conto poético e político atravessa cinquenta anos da História da Alemanha, entre os anos 30 e os anos 80, e conduz-nos ao longo da vida de Ella. Ella é uma jovem de origem humilde que não consegue arranjar emprego, e casa com um homem mais velho para poder ter um tecto e o que comer. Quando Ella descobre que a ciática que Max diz ter é afinal cancro, decide juntar toda a informação necessária sobre o trabalho do seu marido. Max Gerricke morre, mas é Ella Gerricke quem é “enterrada”.

Vinte e seis quadros que percorrem anos de recessão, a chegada de Hitler, a Segunda Grande Guerra, o pós-guerra, a divisão do território alemão entre os aliados, o renascimento da Alemanha Ocidental, chegando até aos anos 80, mesmo antes da queda do Muro de Berlim. Vinte e seis quadros que relatam a vida trágica de Ella, uma mulher que para sobreviver teve que mentir, traficar, matar, prostituir-se, roubar, diluindo-se na perda da sua identidade, da sua dignidade humana.

Na procura de uma vida melhor, Ella refugia-se no conto fantástico da Branca de Neve como imagem infantil e mítica de uma felicidade inatingível, mas quando confrontada com a necessidade de sobreviver, com o medo, faz as escolhas erradas e toda a sua vida é um fracasso.

Ao trabalharmos este texto, foi tornando-se cada vez mais presente a metáfora que carrega a vida de Ella, o olhar sobre as transformações, as lutas e as contradições da Alemanha, e por arrasto de toda a Europa Ocidental, ao longo do século XX, da sua busca por uma identidade entre as tensões dos três grandes movimentos sociopolíticos da história recente: o comunismo, o fascismo e o capitalismo.

Parece-nos um texto particularmente pertinente, por nos falar das escolhas que temos de fazer ao longo da nossa vida, entre sobreviver a qualquer preço ou procurar uma vida na verdade. Será que acreditar na Branca de Neve é sinónimo de estupidez ou de capacidade de confiar no Homem?

Alguém disse que o teatro é uma arte política. É verdade que o é, no sentido mais clássico do termo. O teatro é um espaço de encontro onde os cidadãos são confrontados com os seus medos e os seus sonhos. É um espelho que nos põe em questão, que nos proporciona um momento mágico e lúdico onde podemos reflectir sobre a nossa condição humana através da imaginação. O teatro tenta ajudar-nos a pensar com o coração nas mãos e a vencer as nossas ansiedades, para que possamos recuperar a confiança na nossa capacidade de construir o sonho.


Carlos Aladro e Beatriz Batarda

Errâncias e constelações

De Manfred Karge e De Homem para Homem
Vera San Payo de Lemos
De Manfred Karge

“Estive muitas vezes no sítio certo à hora certa”, é assim que Manfred Karge resume o trajecto da sua vida numa entrevista ao jornal Berliner Zeitung por ocasião dos seus 70 anos, comemorados a 1 de Março deste ano. Com efeito, ao percorrer a vida e a obra de Karge, poder-se-ia dizer, por outras palavras, que os astros lhe foram propícios, colocando-o em constelações que lhe permitiram actuar, com os seus diversos talentos, de actor, encenador e autor, em momentos áureos da história do teatro do século XX.

Não foi, no entanto, sob uma boa estrela que a sua vida começou. Nascido a 1 de Março de 1938 em Brandenburg, na região em torno de Berlim, nos tempos sombrios do nazismo, Karge perdeu a mãe à nascença e o pai na guerra. Criado por “uma segunda mãe, uma mãe maravilhosa”, num meio proletário, com escassos recursos, beneficiou da primazia no acesso a um curso superior dada no “Estado de Operários e Camponeses” da República Democrática Alemã a essas classes sociais e formou-se na Escola Superior de Teatro de Schöneweide. Em 1960, nas férias entre o 2.º e o 3.º ano do curso, escreve uma peça que ensaia e apresenta com colegas em vários centros culturais de Berlim Leste. Entre os espectadores encontra-se Elisabeth Hauptmann, uma das mais antigas colaboradoras de Brecht, atenta aos talentos emergentes, que o recomenda a Helene Weigel, actriz, viúva de Brecht e directora do prestigiado Berliner Ensemble. É assim que Karge, uma vez concluído o curso, em vez de ir trabalhar para a província, segundo uma lei não escrita que previa esse percurso como retribuição do privilégio da formação superior, é contratado como assistente de encenação e actor para um dos mais importantes teatros da capital. Isso ocorre precisamente no Verão de 1961, por altura da construção do Muro de Berlim, que vem estancar abruptamente a circulação, até então existente, entre as partes ocidental e oriental da cidade e do país. Como muitos dos acasos fortuitos que marcam a vida de Karge, a construção do Muro traz-lhe a sorte de subir de imediato à cena, em substituição de alguns actores da companhia que ficaram em Berlim Ocidental, de representar, por exemplo, o papel do filho em A Mãe de Brecht, ao lado de Helene Weigel, e de obter o papel principal em As Aventuras de Werner Holt, um dos filmes com maior sucesso da RDA.

É nessa altura também que Karge conhece Matthias Langhoff, tal como ele recém-contratado como assistente de encenação e actor para o Berliner Ensemble, com quem irá trabalhar em parceria, como encenador, ao longo de 24 anos. A primeira oportunidade de fazerem uma encenação conjunta surge em 1963, no âmbito das chamadas Noites de Brecht, um novo formato de programação, mais pequeno e mais ágil, com poemas e canções, fragmentos e textos em prosa do autor, apresentado entre os espectáculos em repertório há vários anos e a nova grande encenação anual. Para as Noites de Brecht 2, 3 e 4, Karge e Langhoff encenam com muito êxito a Pequena Mahagonny, A Compra do Latão e A Padaria. Esta época no Berliner Ensemble, que Karge recorda como uma época fundamental de aprendizagem, com artistas vindos da luta anti-fascista e empenhados na construção da nova sociedade socialista na RDA, como Weigel, Heartfield, Seghers e Cremer, chega ao fim em Agosto de 1968. Com a adaptação que fazem de Sete Contra Tebas de Ésquilo, Karge e Langhoff pretendem comentar a entrada dos tanques russos em Praga como um conflito só com perdedores, trágico para ambas as partes envolvidas. Acusados de estarem a criar uma “plataforma ideológica hostil”, vêem os ensaios da peça suspensos. Uma vez esclarecidas as suspeitas e as intrigas, retomam o trabalho, só que entretanto já tinham sido convidados pelo encenador suíço Benno Besson para integrar o Volksbühne, o teatro de experiências inovadoras onde Piscator tinha trabalhado nos anos 20.

No Volksbühne de Berlim inicia-se “uma época fantástica” em que, na opinião de Karge, ambos fazem as suas melhores encenações: Os Salteadores de Schiller (1971), em que os salteadores, no espírito do movimento estudantil de 1968, surgem como um bando de revoltosos e incendeiam o talento teatral do jovem Frank Castorf, o actual director do Volksbühne; Otelo de Shakespeare (1972); e O Pato Selvagem de Ibsen (1973), em que Karge participa também como actor, assim como os chamados Espectáculos, compostos de pequenas peças contemporâneas, um contraponto às encenações modelares que ficavam durante anos no repertório, com os quais queriam reagir ao que há de “imediato, momentâneo, espontâneo” na representação teatral. É nesse período no Volksbühne que Karge representa Hamlet, dirigido por Besson, e conhece Heiner Müller, na altura um autor ainda em ascensão, com quem irá trabalhar regularmente nos anos seguintes. A Batalha de Heiner Müller (1975) apresenta-se, tanto ao nível da escrita como da encenação, como um desafio sarcástico e grotesco, uma ruptura com os modos de representação naturalistas e lineares, e confere à dupla Karge/Langhoff um renome internacional.

Com a extradição do autor e cantor Wolf Biermann, que numa digressão pela Alemanha Federal em 1976 denunciou publicamente a falta de liberdade na RDA, tolda-se o clima de abertura no campo cultural, o meio artístico e intelectual agita-se, há abaixo-assinados e inesperadas concessões de vistos para o estrangeiro aos elementos mais críticos e contestatários. Confrontado com a não-aprovação da sua programação, Besson demite-se do Volksbühne. Karge e Langhoff acompanham-no, obtêm com facilidade um visto para o estrangeiro e partem para a República Federal da Alemanha. Entre os primeiros trabalhos, realizados em 1978 no Schauspielhaus de Hamburgo, contam-se Príncipe de Homburgo de Kleist e Fatzer de Brecht, na versão de Heiner Müller. Como Karge faz questão de sublinhar, não se tratou de optar pela Alemanha Ocidental, mas de ir para um teatro onde poderia trabalhar.

Seguiram-se outras encenações em Genebra, Colónia e Hannover até Claus Peymann, director do Schauspielhaus de Bochum, contratar Karge e Langhoff em 1979 como encenadores para a companhia. Situado no coração da região industrial do Ruhr, este teatro tornou-se nessa altura um pólo cultural surpreendentemente activo e uma referência estética de primeira linha na paisagem teatral alemã. Foi em Bochum que ambos encenaram, entre muitas outras peças, Margem Abandonada (1983) e Anatomia Tito (1985) de Heiner Müller, foi aí que a dupla se desfez, em 1985, foi aí também que Karge se iniciou como dramaturgo, em 1982, precisamente com o monólogo De Homem para Homem que escreveu para Lore Brunner, uma actriz austríaca que viria a ser a sua mulher e a sua intérprete preferida. Este monólogo, sobre uma mulher que assume a identidade do marido falecido para ter um emprego que lhe permita sobreviver, assim como a peça A Conquista do Pólo Sul (1985), sobre quatro amigos que tentam escapar ao tédio do desemprego por meio da fantasia, vêm a ser representados em todo o mundo, conferindo-lhe um renome internacional como autor.

Quando Claus Peymann é convidado para a direcção do Burgtheater de Viena em 1986, Karge acompanha-o, tendo novamente a oportunidade de participar numa temporada teatral estética e politicamente marcante. Para além de apresentar o repertório clássico em encenações inovadoras, Peymann agita as águas em Viena com as peças contemporâneas que encomenda a autores austríacos polémicos como Peter Turrini, Thomas Bernhard ou Elfriede Jelinek. Nesta época, de 1986 a 1993, Karge trabalha como autor, encenador e actor em diversas produções do Burgtheater e em espectáculos realizados em Bremen, em Weimar, em França e na Finlândia. Entre as peças que escreve e encena nestes anos, encontram-se Caro Nimbsch (1988/89), sobre o poeta Nikolaus Lenau, e Peças do Muro (1989/90), uma série de peças curtas com que comenta as reacções, sobretudo dos cidadãos da antiga RDA, à queda do Muro de Berlim.

Em 1993, Karge regressa finalmente a Berlim, onde trabalha como professor na Escola Superior de Teatro Ernst Busch. É nesse ano também que concretiza em Weimar o sonho antigo de encenar o Fausto de Goethe. O interesse pela figura de Fausto leva-o a expandir este projecto, juntando-lhe, nos anos seguintes, peças da sua autoria como Fausto 1911, baseada num Fausto do autor expressionista Georg Heym, Uma Travessia do Inferno e Uma Ceia Festiva, inspiradas no Fausto de Christopher Marlowe. O regresso ao Berliner Ensemble, como actor e encenador, ocorre em 1999, quando Claus Peymann assume a direcção do teatro. É aí que estreia, em Outubro de 2007, a sua última peça, Fausto – Um Espectáculo para Três, mais uma vez inspirada no Fausto de Christopher Marlowe. Karge encena e interpreta o papel de Fausto neste espectáculo que integrou as comemorações dos seus 70 anos e continua até hoje em cena.
De Homem para Homem

Sobre a génese do monólogo De Homem para Homem, Karge recorda que “numa altura qualquer, num sítio qualquer, alguém” lhe contou a história verídica de uma jovem mulher que, no tempo da crise económica mundial de 1929, tinha tentado manter o emprego do marido falecido, assumindo a sua identidade, mas tinha sido rapidamente desmascarada por uma notícia no jornal. Mais tarde, ao ler a história O Emprego de Brecht, descobriu que Brecht também tinha conhecimento deste assunto. Quando Lore Brunner lhe pediu que escrevesse uma peça para ela, lembrou-se deste caso e decidiu transformá-lo numa “biografia alemã”, num “conto poético” em forma de monólogo, em que se reflectissem as últimas décadas da história da Alemanha. A peça é escrita no Verão de 1982. Em Dezembro desse mesmo ano, já se encontra traduzida em várias línguas e é representada em muitos países. Em Janeiro de 1987, por mero acaso, vem-lhe parar às mãos uma cópia da notícia do jornal que tinha fornecido a ideia para a peça. É nessa altura que Karge vê a cara da mulher cuja história o tinha impressionado e fica a saber que ela tinha conseguido manter o disfarce durante 12 anos. Isso espanta-o, porque julgava que apenas o teatro e a literatura tinham direito de mostrar um disfarce de um modo tão perfeito e persistente.

No título alemão Jacke wie Hose, Karge condensa o gesto fundador do disfarce, o casaco (da mulher) é como as calças (do homem), o casaco da mulher torna-se as calças do homem, mulher e homem fundem-se e confundem-se, mas cita também a expressão coloquial que significa não faz diferença, tanto faz, tanto pode ser uma coisa como outra, vai dar ao mesmo, é-me igual, é-me indiferente, tanto se me dá como se me deu, ilustrativa da atitude de Ella Gericke, que assume não apenas a identidade do condutor de grua Max Gericke para conservar o emprego, mas muitas outras. De acordo com as circunstâncias de situações históricas diversas, na ascensão do nazismo, durante o nazismo, durante a guerra, no pós-guerra, na divisão da Alemanha derrotada, no período de reconstrução e recuperação económica, Ella/Max tanto pode ser uma coisa como outra, ser um impiedoso filiado nas SA para escapar à inspecção e à mobilização para a guerra, ser um homem rijo para trabalhar no campo no período da fome do pós-guerra, voltar a ser mulher para conseguir uma ração melhor ou obter favores do dono da empresa onde trabalha. O tanto faz de Ella/Max não é um encolher de ombros de resignação, mas sim um passo em frente, a disposição e a disponibilidade para poder ser uma coisa ou outra, para salvar a pele, para sobreviver, para viver melhor.

Karge estrutura o monólogo em 26 cenas, episódios ou momentos, misturando linguagens e registos, prosa ritmada em tom de balada, pequenos poemas com e sem rima, citações de canções ligeiras, de poemas conhecidos, de contos dos Irmãos Grimm, principalmente o da Branca de Neve, que atravessa a peça como um motivo recorrente. Branca de Neve é a imagem da pureza e do amor, de um raro momento de felicidade que Ella nunca mais esqueceu. Embora a narração se desenrole numa linha cronológica, enquanto biografia em que se espelham factos marcantes da história da Alemanha no século XX, esta é frequentemente suspensa e entrecortada por recordações individuais, momentos particulares de uma infância e juventude, por imagens, associações, lembranças de sonhos e pesadelos. Trata-se, fundamentalmente, de uma viagem pela memória, um relato de memórias que segue uma lógica associativa e se organiza de forma circular: na primeira cena, Ella, reformada, envelhecida, trauteia uma canção que a transporta aos anos 30, aos cruzeiros baratos feitos no tempo de Hitler; na última cena, surge novamente essa Ella, reformada, envelhecida, que ao olhar para o espelho vê não apenas a morte a rondar, mas o tempo em que foi a Branca de Neve dos contos maravilhosos para alguém.

Com o título Max Gericke, nem uma coisa nem outra, o monólogo de Manfred Karge foi apresentado pela primeira vez em Portugal em 2002, numa produção do Teatro da Rainha, com tradução de Aires Graça, encenação de Fernando Mora Ramos e interpretação de Isabel Lopes. Beatriz Batarda conheceu o texto em inglês, num espectáculo visto em Londres, com Tilda Swinton como Ella/Max. Com o título Man to Man, esta produção viria a ser adaptada ao cinema em 1991, com realização de John Maybury. Quando começou a estudar o texto de Karge, na perspectiva de o apresentar como uma produção artística própria, em que juntaria à função de intérprete outras funções criativas e organizativas necessárias à concepção do espectáculo, Beatriz quis descobrir também por si própria o texto em português, apropriar-se das palavras que iria interpretar, e começou a traduzir o texto a partir da tradução inglesa que conhecia, de Anthony Vivis. Desafiou-me a colaborar com ela e começámos do princípio. Com o texto inglês num lado e o texto alemão no outro, fomos construindo a quatro mãos uma nova tradução portuguesa de Jacke wie Hose de Manfred Karge. O título, difícil de traduzir na sua brevidade e polissemia, acabou por ficar De Homem para Homem, próximo da tradução livre inglesa, próximo da memória que Beatriz tinha do texto no espectáculo e do modo essencial, de corpo e alma, olhos nos olhos, que escolheu para o interpretar.

Nem uma coisa nem outra
Fernando Mora Ramos*
“Récit de vie” chamam os franceses a esta forma teatral. O que a caracteriza? A máxima extensão na mínima forma. A vida, uma vida, toda a sua diversidade, surpresas, altos e baixos, e a evidência demonstrada passo a passo de que há sempre a possibilidade do pior quando se está numa situação já péssima. Claro que falamos, neste caso, não das vidas previsíveis, sem história, do género infância feliz, adolescência brilhante, casamento estrondoso, sucesso profissional, família unida e porventura, até na morte, um êxito inesperado.

Falamos de Ella Gericke, uma mulher que teve de renunciar à sua identidade para sobreviver, e sobrevivendo na pele do seu próprio marido, o Max que tinha ciática que afinal era cancro, passou por um conjunto de experiências de vida inimagináveis e no entanto reais. Trata-se de uma história verídica, já tratada por Brecht na novela O Emprego. Ficcionada por Karge, é estruturada em fragmentos justamente para fazer sobressair apenas o essencial: não se pode ser bom numa sociedade que não o é. Manfred Karge, que trabalhou no Berliner Ensemble, conhece bem a lição brechtiana, a lição contida na famosa A Boa Alma de Setsuan, que demonstra como os bons neste mundo são considerados tolos. E esta peça é isso, uma manobra global de estranhamento no sentido brechtiano. Não só a articulação dos momentos biográficos, seleccionados como relevantes, com as conjunturas históricas é perfeita (ascensão do nazismo, nazismo, guerra, pós-guerra, Muro de Berlim/Guerra Fria), como o dilema permanente da sua dualidade sexual se revela afinal como a expressão da impossibilidade de se ser, isto é, de se ser alguém, uma identidade. Ella/Max Gericke é isso: nem uma coisa nem outra. E, no entanto, Ella foi uma criatura que amou, foi desejada, foi solidária, que não optou, mas não quis a guerra, que teve de matar, que foi perseguida, que vendeu o corpo, que se meteu debaixo das mantas com um empresário, que traficou…

É a história de uma sobrevivente num mundo que impede a vida, a história de uma vida solitária e clandestina que se multiplicou em identidades forjadas ao sabor dos condicionamentos.
* Texto escrito por ocasião da estreia nacional de Jacke wie Hose, com o título Max Gericke, nem uma coisa nem outra (produção Teatro da Rainha, Oficina Municipal de Teatro, Coimbra/2002).

Teatro Nacional São João
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1º Balcão e Frisas 12€

2º Balcão e camarotes de 1ª ordem 10€

3º Balcão e camarotes de 2ª Ordem 7€



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