Design Brasileiro Contemporâneo: inter-relações culturais e econômicas



Baixar 84.41 Kb.
Encontro03.08.2018
Tamanho84.41 Kb.

Design Brasileiro Contemporâneo: inter-relações culturais e econômicas

Diseño contemporáneo brasileño: interrelaciones culturales y econômicos

Brazilian Contemporary Design: cultural and economic interrelations

Mônica Mourai



Resumo: Este artigo apresenta e discute as mudanças ocorridas na contemporaneidade no âmbito nacional e internacional a partir dos anos de 1990 que influenciaram o design brasileiro gerando uma série de características diferenciadas e inovadoras que constituíram o design brasileiro contemporâneo a partir de linhas de atuação dos profissionais apresentados nesse texto em grupos organizados a partir de suas características.
Palavras-chave: Design, Design Contemporâneo, Cultura, Economia, Mercado, Interdisciplinaridade.
Resumen: Este artículo presenta y discute los cambios en la sociedad contemporánea en los niveles nacional e internacional desde la década de 1990 que influyeron en el diseño brasileño generando una serie de características diferenciadas e innovadoras que constituyen el diseño brasileño contemporáneo de líneas de actuación de los profesionales presentados en este texto en grupos organizados a partir de sus características.
Palabras-llave: Diseño, Diseño Contemporáneo, Cultura, Economía, Mercado, la Interdisciplinariedad.
Abstract: This article presents and discusses the changes in contemporary society at the national and international levels since the 1990s that influenced the Brazilian design generating a series of differentiated and innovative features that constitute the contemporary Brazilian design lines of action of the professionals presented in this text in organized groups based on their characteristics.
Key-words: Design, Contemporary, Culture, Economy, Market, Interdisciplinarity.

Nos anos 90 pudemos acompanhar as mudanças ocorridas no design brasileiro, uma vez que éramos responsáveis por desenvolver cursos até então inéditos no país para a formação de uma área de design em uma universidade privada. Esse fato nos levou a desenvolver uma pesquisa científica com análises e levantamentos de dados internacionais, especialmente europeus e americanos, incluindo um panorama brasileiro referente ao ensino superior de design e também envolvendo o mercado profissional do Brasil.

Essa pesquisa resultou no desenvolvimento e implantação de cursos de design nos segmentos de mídias digitais, games, hipermídia, moda, animação, joalheria, embalagem, entre outros, que permearam os níveis de cursos tecnológicos, bacharelados e pós-graduação com especialização e mestrado. A maioria dos cursos foi implantada e muitos deles têm continuidade até hoje na formação de novos profissionais.

A pesquisa mais a vivência na prática acadêmica e pedagógica levaram a uma tese de doutoramento a respeito do design de hipermídia e, alguns anos depois, a um pós-doutoramento a respeito do design contemporâneo.

Esse artigo é o resultado das pesquisas desenvolvidas nos últimos anos a respeito do design contemporâneo brasileiro e aqui serão apresentados os aspectos gerais e norteadores das questões investigadas.

Importante destacar que quando nos referimos ao design contemporâneo não estamos falando apenas do design que é realizado no momento atual ou ao mesmo tempo no qual vivemos. Atribuir a qualificação de contemporaneidade ao design diz respeito a projetos, ações, eventos, produtos que são desenvolvidos com as características da contemporaneidade. Pois, sabemos que no tempo atual convivemos com projetos de ideologia moderna e, ao mesmo tempo, temos grupos de profissionais e de produtos resultantes da ação e do trabalho de criação e desenvolvimento de projetos desses profissionais que trazem características da contemporaneidade. Este é o objeto de estudo de nossa pesquisa.

Portanto, destacamos que a adjetivação design contemporâneo só deve ser aplicada quando o projeto ou o espaço ou o produto ou o objeto, ou ainda, todas estas coisas integradas são complexas e exploram sensibilidades e sensações, singularidades, diluições, fusões, mixagens, questionamentos e novas propostas, muito além e aprofundando as relações função e uso, forma e conteúdo. A concepção, criação e projetação, bem como a recepção e interação do usuário são estimuladas frente a uma nova e diferenciada atitude e proposta. Muitas vezes gerando desestabilizações, incômodos, questionamentos, provocações, mas, também levando à reflexão no universo do sensível, como é típico das vanguardas que instituem novas questões ao repertório dominante.

Cultura, conhecimento, informação, expressão e consumo se permeiam e se mesclam somando-se às questões do entre, das passagens, do trânsito que levam a multidimensionalidades, hibridismos, ecologias num movimento de intersecções, integrações, transversalidades que se alimentam pelas dicotomias e as aproximações. Ressignificações são instituídas constituindo novas construções materiais e simbólicas, bem como tornando presente à valorização da autoria, como também, da recriação, cocriação e coautorias. É o domínio e a interferência do homem sobre a natureza e a paisagem, construindo e remodelando de forma peculiar o artificial e simbólico, gerando expressões e linguagens que vão se construindo, desconstruindo, reconstruindo questões em um processo cíclico contínuo.

O objeto de design explora estas relações até porque se encontra mais próximo e mais presente na vida de todas as pessoas. E, o design contemporâneo brasileiro tem atuado e respondido com experimentações que geram novas e outras relações materiais, processuais e com expressividades que estimulam e constroem as poéticas da diversidade presentes no cotidiano.

O Design nos Anos 90 no Brasil

Os anos 1990 registraram a valorização e ampliação do design no cenário brasileiro, bem como vimos ocorrer à internacionalização dessa área que ocorreu pela ação de alguns profissionais, especialmente os Irmãos Campana que tiveram seus produtos fabricados e comercializados por grandes marcas internacionais, bem como passaram a ter seus produtos expostos em museus, galerias e feiras de design e, ainda, tiveram seus trabalhos e produtos publicados em livros e catálogos nacionais e internacionais. Também obtiveram uma série de premiações, tornando-se presença constante na mídia nacional e internacional. Estes profissionais influenciaram toda uma nova geração de designers que passaram a se estabelecer a partir dos anos 2000.

Alguns exemplos de criações e produtos dos Campana podem ser citados – as poltronas Vermelha, Paraíba e Corallo – entre muitas outras produções, indicam a integração entre arte, artesanato, design desenvolvidas por essa dupla de profissionais irreverentes e inovadores, no sentido maior desses termos. Para ver essas produções acesse: www.estudiocampana.com.br ou www.edra.com.

Pudemos perceber que a tradição artesanal do país foi revalorizada e passou a ser integrada ou inter-relacionada ao campo do design, bem como ocorreu a aproximação com as áreas de arte e de moda de forma mais ampla e autônoma. Sendo assim, a área do design e seus profissionais, libertaram-se dos preconceitos gerados na década de 1960, momento em que ocorreu a implantação da área profissional e acadêmica no Brasil onde os preceitos do design brasileiro foram vinculados ao funcionalismo e racionalismo de raízes alemãs.

Foi também no decorrer dos últimos 30 anos que no Brasil o design e os designers passaram a ser mais valorizados e novos profissionais surgiram com outros valores, rompendo com axiomas modernos, ampliando as relações da área para diálogos com outros campos de conhecimento e atuando com as dinâmicas colaborativas e interdisciplinares. Como conseqüência destes aspectos ocorreram mudanças nos processos de criação, gestão e produção; ampliou-se o enfoque nas questões sociais, ambientais e sustentavéis e o design passou a ser entendido e aceito como integrante da área cultural brasileira. Estes fatos resultaram em projetos conceituais, experimentais e diferenciados, na fusão dos diversos segmentos do design; na diluição de fronteiras entre diferentes áreas e em ações integradas entre o circuito cultural e comercial.

A população em geral passou a incluir em seu repertorio o design, falando a respeito do mesmo, valorizando e consumindo produtos de design e com a assinatura dos designers. Os valores simbólicos dos objetos passsaram a adquir importância maior do que suas funções.

Todas estas questões constituíram e demarcaram o Design Contemporâneo Brasileiro que se apresenta em face de seus aspectos, objetos, das ações dos designers do contemporâneo são singulares e plurais, porque estão no movimento da dinâmica que transforma e expressam por meio dos objetos projetados traços do tempo e da história na qual vivemos. São tradutores de sentidos, mas especialmente tradutores da fluidez do tempo. Esse tempo que explora de maneira mais livre a criação e a expressão valorizando a cultura, a expressividade e a sensibilidade humana.

O design ocorre a partir das relações com os aspectos culturais, estéticos, tecnológicos, funcionais, de linguagem, soma estas relações ao objetivo de uma proposta, por vezes entendida como função a ser alcançada. Porém, é importante destacar que diante das mudanças trazidas pela contemporaneidade ocorre a conscientização do valor do objeto e as relações propiciadas por meio dele e a função de um produto, objeto ou sistema também se alterou e se ampliou indo além das questões formais-utilitárias. Ou seja, não se restringe mais a apenas a questão do uso e ação por meio do artefato e passa a ser relacionada às questões emocionais, a reativação das lembranças e dos vínculos afetivos, à satisfação, a fruição, a experiência, ao valor e também ao estilo pessoal e ao modo de vida, ao que se entende por qualidade, conforto e bem estar.

Atualmente no design brasileiro temos uma série de expressões com uma dinâmica diferenciada porque as questões da vida humana estão ficando cada dia mais complexas e cada vez mais inter-relacionadas, indicando cada vez mais o rompimento de fronteiras e a integração entre áreas.

A influência das mudanças globais no design brasileiro

Conforme Bürdek (2010) a partir da segunda metade do século XX o design passou a permear a vida em diversas sociedades de tal forma que é impossível viver sem a influência do design que se tornou presente em tudo o que nos rodeia, incluindo-se aí o lazer, a saúde, o trabalho, o transporte, além de outros aspectos do cotidiano que foram englobados pelo design.

A partir da década de 90 pudemos observar mudanças e ações diferenciadas na criação, no desenvolvimento projetual e produtivo, na linguagem e nos objetos do design, bem como no sistema cultural, econômico e comercial, resultando em dinâmicas diferenciadas e constituindo a contemporaneidade no design brasileiro.

Essas questões foram estudadas nesta pesquisa que enfocou o design brasileiro, a partir dessas décadas que corroboraram e ampliaram o início do período intenso e frutífero que se deu a partir de 1990 e resultaram no maior reconhecimento do valor dessa área e da conscientização de sua importância na cadeia produtiva, cultural e mercantil, especialmente frente às chamadas, ‘indústria do bem estar’ e da 'economia ou indústrias criativas'.

Esse panorama propiciou mudanças no design brasileiro e, de certa forma o libertou dos axiomas modernos, das amarras da produção industrial em alta escala, e da intensa influência alemã bauhasiana e ulmiana que ocorreu na década de 60 frente à implantação da primeira escola formal de design no país. Porém, as mudanças no campo do design não se relacionam apenas a uma ou outra ação. Na verdade, é um conjunto de ações que estabelecem inter-relações e resultam em novas características. Essas também podem ampliar ou atenuar características já existentes, fazendo surgir uma característica ou aspecto diferenciado e trilhando novos caminhos na constituição do design brasileiro.

Tendo por objetivo entender os fatos geradores das mudanças no campo do design, o percurso dessa investigação nos levou a refletir, selecionar e historiar brevemente as principais ações que contribuíram para a inserção e o estabelecimento dos aspectos da contemporaneidade no design brasileiro. A partir dos dados e levantamentos pudemos organizar quadros e tabelas que nos auxiliaram a entender, analisar e refletir sobre estas questões observando-as perante o conjunto de percursos que demarcaram o design brasileiro nas últimas décadas.

Tomamos aqui alguns aspectos para relacioná-los e observar sua presença na constituição do cenário do design contemporâneo brasileiro.

Podemos observar as mudanças que ocorreram, principalmente entre os séculos XX e XXI, nos âmbitos políticos, econômicos, culturais, ambientais, sociais, tecnológicos, e científicos. Essas mudanças se inter-relacionam, ocorrem mundialmente e, devido à globalização, atingem tanto a esfera internacional quanto a nacional. Devemos lembrar que essas mudanças não são coesas e regulares, elas podem se estabelecer em intensidades e níveis diferentes, mas se atingem e interferem mutuamente em um processo de inter-relação.

Na esfera nacional essas mudanças atingiram e modificaram a maioria das áreas relacionadas à vida humana gerando outras concepções e constituindo outros pensamentos, ações e dinâmicas. E, entre essas áreas que sofreram modificações, encontra-se, também o design.

Implantação do design contemporâneo brasileiro

O design brasileiro sofreu influências e refletiu as mudanças trazidas desde os anos 50 até a atualidade. Dessa forma, as alterações ocorridas propiciaram um novo cenário onde foi implantado e depois estabelecido e desenvolvido o design contemporâneo no Brasil.

As mudanças globais em todos os âmbitos da sociedade geraram uma série de reflexos e consequências que compreendem: o crescimento populacional; a expansão das cidades via desenvolvimento e maior urbanização; o crescimento e acesso econômico via políticas econômicas e sociais; o desenvolvimento e a ampliação do consumo gerando o consumismo; a valorização e a presença marcante da estética no cotidiano e da valorização da imagem; a implantação da economia e das indústrias criativas, da indústria do bem estar; a maior conscientização e valorização da sustentabilidade; o maior acesso às tecnologias e redes de informação e comunicação; o maior acesso, valorização e domínio da mídia; os novos comportamentos a partir de adoção de hábitos e atitudes da população e a ampliação do conhecimento.

Os reflexos das mudanças também são inter-relacionados, mesmo que em maior ou menor grau, e se estabelecem em um ciclo contínuo que, perante demandas ou resultados, podem ter maior atenção e ampliação.

As consequências dos reflexos das mudanças atingem o campo e a área do design constituindo alguns aspectos determinantes na contemporaneidade do design brasileiro. Esses reflexos, por sua vez, passaram a constituir percursos e ações que fomentaram e que podem ser considerados como marco inicial ao que conhecemos hoje como design contemporâneo brasileiro. Há que se destacar que este percurso abrangeu por volta de 30 anos e ocorreu a partir da entrada dos anos 1990, estabelecendo-se de forma mais clara e fundamentada a partir dos anos 2000 e desenvolvendo-se mais amplamente, sendo também mais aceito e incorporado ao discurso e à prática do design brasileiro a partir de 2010.

Desenvolvimento do design contemporâneo brasileiro

O cenário político somado ao social, cultural e econômico gera aspectos influentes e determinantes e crescentes no design brasileiro, especialmente a partir de 1990, estabelecendo-se de forma mais significativa a partir de 2000. Este ciclo que mistura, especialmente, cultura e economia pode ser apontado e exemplificado a partir de uma série de vertentes e seus aspectos.

Desta forma passaram a ser presentes e influir de forma determinante para o desenvolvimento do design contemporâneo brasileiro os seguintes aspectos: cultura do consumo; crescimento do setor de serviços e do cenário cultural; premiações, exposições e coleções de design; feiras e salões de design; implantação de novos espaços comerciais ou a revisão e reestruturação dos mesmos dando origem a novas nomenclaturas e propostas de comercialização dos produtos e serviços de design, tais como lojas de museus, lojas-galeria de design, lojas conceito, popup stores, bazares; ampliação da mídia especializada em design, integração do design com o universo da moda, da arte e do artesanato.

A título de melhor observação e reflexão das interconexões entre as mudanças, seus reflexos e os aspectos gerados no design brasileiro, desenvolvemos uma tabela que sintetiza e indica o campo e a ações geradoras das mudanças e os seus resultados no universo do design contemporâneo brasileiro.



Ações e resultados das mudanças que contribuíram para a constituição e desenvolvimento do Design Contemporâneo Brasileiro

O design contemporâneo brasileiro é influenciado por ações decorrentes das mudanças e dos aspectos anteriormente apresentados. Esses, por sua vez, atingem os campos da cultura, da educação e formação na área, do conhecimento científico, da comunicação e, também, o campo social, tecnológico, político e econômico.

É importante observar os campos, as ações e os resultados em uma constituição de conjunto, pois esses interferem uns sobre os outros, em alguns momentos se misturam ou pode ocorrer também a prevalência de um sobre o outra, mas ainda assim constituem um conjunto relacional. Nesta investigação selecionamos as principais ações e resultados de acordo com a proposta e objetivos dessa pesquisa, porém podem ocorrer outros aspectos a partir dos já apontados, bem como outras ações e resultados que não excluem os registrados nesse estudo.

Aspectos Culturais

Podemos observar que a maior inserção, divulgação e valorização cultural no cenário contemporâneo são amplamente relacionadas à economia e ao chamado ‘estilo de vida’. Um dos demonstrativos dessa questão é a reconfiguração dos espaços comerciais em sintonia com os discursos culturais e estéticos. Por outro lado, mas dentro do campo cultural, vamos perceber que ocorrem inserções e divulgação cultural por meio da incidência e crescimento do número de eventos no Brasil, tais como mostras, exposições, bienais, premiações, concursos nacionais e internacionais que passaram a ocorrer no país. Também ações de profissionais influenciaram resultados significativos para a constituição do design contemporâneo brasileiro e os resultados da disseminação e valorização dessa área no Brasil e no exterior, bem como promulgando a importância e resgatando o artesanato brasileiro e a relação design e arte. A valorização desses profissionais, as expansões de negócios e da produtividade também passam a ocorrer pela internacionalização, pela distribuição nacional dos produtos de design e pela implantação das coleções de design, especialmente inauguradas no país. Estas relações se somam com as questões econômicas e de mercado.



Aspectos educacionais e científicos

Com relação à ampliação da educação e formação em design e ao desenvolvimento do conhecimento e do avanço científico podemos observar que ocorreram a partir da expansão e popularização das escolas formais em design no país, tanto as institucionalizadas quanto as livres, tanto as da esfera pública quanto as particulares que, somadas a implantação e expansão dos programas de pós-graduação em design (mestrados e doutorados) no país contribuíram de forma significativa para o crescimento da pesquisa e das publicações científicas (periódicos), bem como ao crescimento e fortalecimento dos eventos acadêmico-científicos na área do design e suas correlações. A somatória dessas ações contribuiu sobremaneira na ampliação e fortalecimento do campo do conhecimento em design em sua multiplicidade e diversidade, sem abandonar suas singularidades, mas também refletindo e promovendo as ações econômicas, de mercado e de trabalho.



Aspectos sociais, tecnológicos e comunicacionais

Os campos sociais, tecnológicos e comunicacionais conviveram e convivem com mudanças relacionadas à presença e importância da estética do cotidiano que foi somada a busca do bem estar, do estilo e qualidade de vida, da ampliação das visões a respeito do desenvolvimento sustentável. Essas ações foram pautadas pela expansão das TICs e das redes sociais, pelos sistemas e equipamentos materiais ou imateriais, pelo crescimento da mídia impressa e digital especializada tanto institucional quanto alternativa, pela valorização, crescimento e expansão da moda que se integra ao design (vice-versa) gerando a ampliação do mercado e do sistema de design.



Aspectos políticos e econômicos

No que tange aos campos políticos e econômicos vimos surgir, se estabelecerem e se ampliarem os programas governamentais de apoio e fomento ao design brasileiro. A criação dos novos sistemas de comercialização do design, a inserção e o fortalecimento da economia ou indústria criativa e da indústria do bem estar.

Todas essas ações apontadas anteriormente apontam os resultados das ações de mudanças no design brasileiro, instituindo, valorizando ou revalorizando uma série de aspectos, entre eles:

- Disseminação e valorização do campo do Design no Brasil e também no exterior;

- Ampliação e Fortalecimento do campo no sentido de sua multiplicidade e diversidade;

- Valorização da cultura (retomada da tradição artesanal brasileira, design + artesanato, design + cultura);

- Valorização e presença da Estetização no cotidiano (design + arte; design + moda);

- Valorização e desenvolvimento ambiental e dos ambientes internos e/ou externos (design + sustentabilidade, design + arquitetura, design + paisagismo, design + interiores);

- Valorização e desenvolvimento sustentável (Design Social, Design Universal, Design + inclusão social).

O Design nos Anos 2000 no Brasil

Os anos de 2000 potencializaram questões que emergiram durante a década de 1990 devido às mudanças trazidas pela contemporaneidade apontou que a pluralidade dos segmentos de design, assim compreendidos e vimos ocorrer de forma mais determinada que os segmentos nomeados como industrial, de produto; visual, gráfico, de comunicação; de ambientes ou de interiores; de moda, de joias, de superfície, têxtil; design de informação, de hipermídia, digital, games, animação; design sustentável e ergodesign, entre outros, se aproximaram em face da conscientização e do conhecimento a respeito da concepção e ação projetual que envolve todos os segmentos, áreas e subáreas. Antes de tudo é a criação, o projeto e o desenvolvimento independente do segmento de design, isto é, no sentido do design como um campo maior e como uma questão mais abrangente, incorporando atitudes e desafios políticos e sociais e deixando de lado a fragmentação das áreas e subáreas divisórias em busca de um pensamento projetual mais amplo e consistente. O trabalho com a concepção-criação-produção em design é, antes de tudo, projeto, pensamento, concepção projetual, independente do segmento ou subárea. Ou seja, o profissional designer pode atuar em qualquer um destes segmentos, bem como em qualquer área de criação e desenvolvimento de produtos, objeto, sistemas e serviços.

Além da diluição de fronteiras na área interna ao design, ou seja, em seus segmentos acima citados, ocorre também a aproximação e, muitas vezes, a hibridização do design com as áreas profissionais e campos de conhecimento externos ao seu domínio tradicional, tais como a medicina, a física, a nanotecnologia e a biotecnologia. Ainda, ocorre na contemporaneidade a integração entre as diversas áreas dialógicas a esse campo, tais como arte, o artesanato, o cinema, a arquitetura, a engenharia, entre outras. Se o design contemporâneo se constrói por meio de expressões, projetos e produtos que compreendem uma dinâmica diferenciada e ampla, cada vez mais, se estabelece a relação do design com outras ciências como resposta a complexidade da vida e do usuário, o sujeito, o ser humano dos tempos atuais pensado em sua pluralidade e diante da diversidade.

O campo do design também abriu ou assumiu o diálogo com outras áreas de produção que eram consideradas a margem. Podemos inferir que o design ao ver valorizada sua identidade deixou de lado o temor em dialogar com a arte, a arquitetura, a engenharia.



Diversidade, Inter-relações e Segmentos no Design Contemporâneo Brasileiro

O design no Brasil a partir dos anos 90 incorporou e aceitou uma série de segmentos, além dos tradicionais design gráfico e de produto, entre eles: design de moda, de vestuário, têxtil, de superfície; design de joias e acessórios; design de ambientes (interiores e exteriores); design digital, de games e de hipermídia; design da informação; design instrucional; design ergonômico, ergonomia e usabilidade; design sustentável, inclusivo, social, design para todos; design para o ensino e educação ou design educacional.

Tanto o design como um todo e os segmentos constituídos passaram a se relacionar com as ciências humanas e sociais, com as ciências exatas, com os campos das artes, da arquitetura e urbanismo, da engenharia, da moda em ações interdisciplinares com possibilidades transdisciplinares.

Os fatos da conscientização do design estar em tudo somado à diversidade e complexidade levam a intensificação da necessidade da pesquisa e do desenvolvimento científico.

Os muros separatórios foram ruindo aos poucos e, ainda, estão no processo de diluição de suas barreiras. É um diálogo que vem sendo construindo em favor de áreas que são projetuais e, neste caminho, só se fortalecem. O mesmo ocorreu com as relações do design com o artesanato brasileiro. Tomou-se a consciência como as produções artesanais podem dialogar e valorizar a produção em design, somando e, com isto, ampliando campos de atuação e de produção, integrando a cultura brasileira. Isto ocorreu também com a moda e com a produção joalheira que tanto foram negadas pelo design brasileiro, não estavam somente à margem, muitas vezes eram consideradas marginais.

Devemos lembrar que a maioria dos museus internacionais de artes utilitárias ou decorativas ou nos documentos e escritos sobre as histórias da arte ou nas histórias da civilização sempre há um setor ou uma divisão de artes decorativas onde todos os objetos, da roupa ao mobiliário, a estamparia, os tecidos, as joias, as porcelanas e louçarias são focos de atenção, mas eles eram considerados a margem pelo design brasileiro. Hoje essa margem ela já se dissipou, essa fronteira se diluiu e as fronteiras se misturaram por mais que existam críticas relacionadas a tudo isso ainda, por mais que existam textos e teóricos de grande importância que não concordem com essa relação, mas não podemos esquecer que o design surgiu no mundo capitalista e movimenta os setores econômicos, industriais, tecnológicos e de serviços e também o campo cultural.

Os campos culturais e econômicos se aproximaram e, de certa forma, se fundiram resultando em novos sistemas de comercialização, novos conceitos, propostas e nomenclaturas dos espaços de venda e uma série de características passam a indicar o design contemporâneo brasileiro e também os grupos de designers foram constituídos conforme a abordagem e a ação desenvolvida pelos mesmos e pudemos verificar que alguns grupos atendem a partidos modernos enquanto outros misturam as relações e características da modernidade e contemporaneidade e novos grupos constituem-se atuando em diversas vertentes da contemporaneidade.

Grupos dos Contemporâneos no Design Brasileiro

O Grupo denominado Contemporâneos atua a partir da ruptura de fronteiras e com inter-relações culturais e de conhecimento fortemente estabelecidas. Há que se destacar que os Irmãos Campana a partir de seus projetos, seus produtos e sua atuação são considerados os precursores dessas propostas no Brasil e deixaram um legado significativo para a cultura do design no país. Os profissionais mais jovens deste grupo são conhecidos e denominados como designers da “geração pós-Campana”.

Outro aspecto a se ressaltar é o fato de que este grupo tem maior distribuição por diferentes cidades e estados brasileiros. Os dois únicos segmentos que se concentram nas grandes metrópoles são o de design, arte e tecnologia e de design e gastronomia devido aos aspectos de inovação que os projetos, produtos e serviços abordados e desenvolvidos por esses segmentos.

Relação Design, Arte e Procedimentos Artesanais

Estudio Campana, Fetiche Design, OVO, SUPERLIMÃO Studio, Estúdio Manus são alguns exemplos de designers e estúdios que atuam nesse segmento constituído por designers com atuação e experiências relacionadas a propostas conceituais, experimentais e inovadoras. São estabelecidos no mercado por meio dessa diferenciação. A maioria tornou-se expoente e representam o design brasileiro contemporâneo. São referências para a mídia e para a crítica especializada. A formação acadêmica destes designers deu-se nas áreas de arquitetura, artes e design.

Atuam com novas construções simbólicas, com citações e referências culturais, especialmente da cultura brasileira. Utilizam alta e baixa tecnologia, ressignificam materiais e processos e também utilizam novos e diferentes materiais.

Estão inseridos no circuito comercial e no cultural a partir de exposições individuais de seus produtos e projetos.

Em geral, atuam em duplas ou em coletivos. Associam o design e a arte, o design e os procedimentos artesanais, fabricando produtos em escalas reduzidas, peças únicas e, também, em grande escala. Grandes empresas de marcas famosas representam seus nomes e marcas, fabricando seus produtos. Atuam no campo da arquitetura e do design em diferentes segmentos, tais como mobiliário, objetos, joias.

Para ver os trabalhos desses designers, acesse: www.estudiocampana.com.br; www.fetichedesign.com.br; www.ovo.art.br; www.superlimão.com.br; www.estudiomanus.com.br.



Inter-relações Design, Arte, Artesanato, Têxtil e Moda

As criações e produtos de Miriam Pappalardo (SP), Amaria (MG), Julia Fraia (SP), Samantha Ortiz (SP), Tissume Têxtil (GO), Goya Lopes (BA); Contextura (RS), Renata Meirelles (SP) se caracterizam em um segmento que prima pelo desenvolvimento de produtos resultantes de investigações têxteis contemporâneas ou no resgate das tradições têxteis artesanais brasileiras, tanto no âmbito referencial e expressivo da arte quanto no âmbito produtivo, atendendo a fabricação em pequenas e médias escalas, especialmente devido aos processos produtivos empregados. Em alguns casos produzem também peças únicas.

Relacionam arte, artesanato, têxteis e moda em seus projetos e produtos em uma linguagem contemporânea, atualizada, diferenciada, em contraposição à massificação dos produtos da indústria de moda. Alguns desses produtos e processos retomam tradições e relações culturais com as manifestações populares brasileiras. Muitas das designers deste grupo e suas bases de criação, produção e confecção encontram-se fora do circuito das grandes metrópoles. Muitas vezes atuam diretamente com artesãos e suas comunidades ou associações.

Os produtos criados e desenvolvidos por este grupo atendem às categorias de vestuário, acessórios de moda, roupas para casa (cama, mesa, cortinas). Algumas destas designers, além das peças de vestuário, produzem objetos e joias contemporâneas. Estes primam pela questão conceitual e são desenvolvidos em materiais têxteis ou de outras origens, tais como madeira, papel, miçangas, entre outros.

Os produtos são diferenciados e inovadores e destacam-se pela qualidade conceitual, material, estética, processual e simbólica. São comercializados no circuito chamado de alternativo (feiras, bazares, popup stores) e em lojas de museus, galerias de arte ou lojas de design. Algumas contam com ponto de venda próprio, que funciona junto do estúdio ou ateliê ou, ainda, atendem a outras marcas, geralmente de designers de moda, podendo atuar em determinadas coleções.

É um grupo com predominância feminina, uma vez que os fazeres têxteis artesanais no Brasil ainda são muito associados ao universo feminino.

A presença destas designers e de seus produtos e objetos são constantes no circuito cultural de museus e galerias nacionais e, em alguns casos, internacionais. Fato que ocorre por meio de concursos e premiações, assim como em exposições e mostras, na maior parte das vezes coletivas.

Não são muito solicitadas pela mídia em geral e esporadicamente podem estar presentes na mídia especializada. Divulgam seus trabalhos por meio de sites, blogs e redes sociais.

Para ver os trabalhos dessas designers, acesse: www.flickr.com/mpappalardo; www.designcontemporaneo.com.br/entrevistas; www.amaria.com.br; www.juliafraia.com.br; www.facebook.com/samanthaortizstudio; tissumemercedes.blogspot.com; HTTPS://goyalopes.com.br ; www.facebook.com/ateliercontextura; renatameirellesartetextil.blogspot.com

Relação Design e Sustentabilidade

Ekobe (AL), Straat Design (SP), Érika Foureaux (MG), Heloisa Crocco (RS), Domingos Tótora (MG) são alguns dos designers que compõem esse segmento, pois atuam em diferentes frentes, do ambiente ao produto e ao desenvolvimento de serviços, bem como com ações voltadas às comunidades dos locais onde atuam nos aspectos do desenvolvimento sustentável. Neste contexto, muitos relacionam o design ao artesanato brasileiro ou adotam os procedimentos artesanais das localidades e populações onde se inserem. Propiciam a autonomia dos sujeitos envolvidos a partir da geração de renda e melhoria da qualidade de vida das pessoas e comunidades envolvidas com seus projetos e o desenvolvimento de seus produtos. Na questão ambiental, atuam na preservação com a reutilização, reciclagem e reaproveitamento de matérias- primas ou de descartes ou resíduos da indústria ou do consumo de massa.

Geralmente atuam vinculados a empresas ou instituições do terceiro setor que investem na busca de melhorias das questões básicas para a sobrevivência e, também ao mercado em geral. Sua relação com o circuito comercial pode se dar de forma a sustentar seus projetos e produtos, mas obtêm verbas de outras fontes relacionadas aos institutos e ONGs. Podem estar no circuito cultural e em premiações. É uma área em expansão e crescimento. Não são muito presentes na mídia. Constroem objetos para viver melhor, integrar, tornar acessível, ser possível.

Os resultados das ações destes designers inserem-se no circuito comercial, muitas vezes para a manutenção de seus projetos, ou, ainda, a comercialização de seus produtos possibilita gerar renda para a manutenção dos serviços e sistemas desenvolvidos.

A mídia em geral e a mídia especializada não destinam grandes espaços para esse tipo de ação no Brasil, quando ocorrem são questões pontuais. Por outro lado, há valorização e atenção por parte do circuito cultural do campo do design para as características e aspectos abordados por este grupo.

Para ver trabalhos desse grupo, acesse: www.facebook.com/straatdesignfeitoamao; www.noizinhodasilva.org; www.croccostudio.com; www.domingostotora.com.br



Relação Design, Arte e Tecnologia

Brunno Jahara (SP), Rodrigo Almeida (SP), Maurício Arruda (SP), Guto Requena (SP), Zanini de Zanine (RJ) são alguns dos exemplos de profissionais desse segmento que integra designers jovens, porém com grande atuação no mercado, e que obtiveram rápido reconhecimento pela diferenciação ou excentricidade de seus trabalhos e também pela sua atuação com as tecnologias digitais e com a prototipagem rápida e fabricação digital. Muitos deles estabelecem a relação com a arte no partido de seus projetos ou a partir dos procedimentos, ações e dos discursos e linguagem adotados. Por vezes, utilizam a recontextualização e a ressignificação de materiais e objetos. Experimentação, inovação, diferenciação e irreverência são atributos de seus trabalhos, mas que exploram muito bem comercialmente.

São nomes que estão na mídia especializada e dão destaque a todas as publicações que os citam em seus sites. São referência da nova geração do design brasileiro quando o assunto ou a proposta é conceitual, irreverente e inovadora.

Estão presentes em exposições e mostras comerciais e no circuito cultural das artes ou nos alternativos, e não especificamente nas instituições culturais nacionais com espaços destinados ao design. Raramente participam de premiações nacionais de design, mas acumulam prêmios internacionais.

São estabelecidos no circuito comercial (nacional e internacional), seus trabalhos e produtos, tais como objetos, mobiliário, ambientes, arquitetura, paisagismo, cenografia, instalações buscam a contemporaneidade. A maioria atua individualmente ou em duplas em determinados projetos. No conjunto todos se apoiam e se divulgam, estabelecendo força como um grupo de profissionais diferenciados e em ascensão. Por vezes, possuem mais de uma marca ligadas a seu nome e assinatura e caracterizam-se pela autoria de seus projetos na linha do design autoral.

Para ver os trabalhos desse segmento, acesse:



www.brunnojahara.com;www.studiorodrigoalmeida.com;www.mauricioarruda.net; www.brunnojahara.com;

www.studiozanini.com.



Design, Humor, Experimentação e Irreverência

Casa Rex (SP), Colletivo Design (SP), Holaria (RS), Visorama (RJ), Quadrante Design (MA) integram esse segmento constituído por profissionais com formação principalmente na área do design e alguns em publicidade. São designers que inauguraram seus escritórios a partir de meados dos anos 1990. Inter-relacionam os universos do design, do branding e da moda, explorando o universo cultural, muitas vezes de forma bem humorada e crítica. Atuam com grande liberdade mediante as características da contemporaneidade, suas propostas são desvinculadas dos axiomas rígidos do design moderno e traduzem a atualidade por meio de diversas linguagens (visual, sonora, editorial, tipográfica, tecnológica, ambientação). Utilizam as tecnologias digitais e interativas com destreza, mas também fazem uso da baixa tecnologia, por meio do emprego de processos artesanais ou manufaturados, conforme o projeto e o conceito abordado.

A criação e a produção deste grupo ocorrem pelo pensamento em sintonia com a valorização da cultura e do design atrelado à busca da experimentação e da irreverência, com grande liberdade ao lidarem com o humor, o divertido, engraçado, bem-humorado e, também, algumas vezes, até com o debochado, tanto em seus projetos quanto nos produtos e objetos criados e desenvolvidos por eles. São questões que se somam à busca de qualidade, e diferenciação.

Muitos destes profissionais surgiram no circuito alternativo e formaram estúdios com seus colegas de faculdade. Geralmente, se inseriram no mercado profissional ainda estudantes e destacaram-se pelas peças autorais, com um frescor criativo e a partir do rompimento com regras, preconceitos e tabus da área. Iniciaram atuando em duplas ou coletivos, mas estabeleceram-se e, atualmente, contam com equipes de 30 a 40 profissionais. A maioria destes estúdios se localiza em grandes metrópoles, mas já estão surgindo casos fora deste eixo, na região Nordeste do país.

São estabelecidos no circuito comercial (nacional e internacional). Seus clientes tanto são do universo cultural (editoras, instituições culturais, escolas, universidades, congressos) como de grandes indústrias (cosméticos, produtos de limpeza, moda) e feiras específicas do setor.

Participam de mostras e/ou exposições e bienais de design, bem como de concursos e premiações nacionais e internacionais e destacam os prêmios obtidos como uma das estratégias de divulgação e de diferenciação do potencial de seus trabalhos.

Para ver os trabalhos desse segmento, acesse:

www.casarex.com;www.colletivo.com.br;www.holaria.com.br;www.visorama.tv;www.quadrantebrasil.com.br



Relação Design e Gastronomia

Simone Mattar (SP) e Studioneves Gourmet Design (SP) constituem uma vertente muito atual no design brasileiro que está ocorrendo em virtude da valorização da gastronomia, especialmente aquela relacionada à cultura e aos ingredientes locais somados a diversas tecnologias e processos.

Simone Mattar é uma designer pioneira nesta atuação. Sua formação é em design e dedicou-se muito tempo ao design gráfico, mas sempre com atenção a projetos experimentais e diferenciados, tanto que, em 2006, participou de uma mostra internacional de design, realizada na capital de São Paulo, com um produto desenvolvido por ela, uma luminária feita de gelatina. A vertente inovadora de seus trabalhos fez com que ela constituísse sua linha de atuação atendendo a todas as escalas e âmbitos do design, do gráfico ao ambiental, da sinalização ao desenvolvimento do cardápio, da forma visual das refeições ao desenho das peças do serviço de mesa. Atua com equipes multidisciplinares e atende restaurantes, refeitórios, entre outros.

Está inserida no circuito comercial e cultural. Realizou em 2014 uma exposição de muita repercussão, denominada “Como Penso Como”, na qual havia instalações que relacionavam os ambientes, objetos, músicas, textos, imagens, sons à produção de pratos culinários que eram produzidos no local e servidos ao público. Todo o projeto foi concebido e desenvolvido por esta designer e sua equipe.

Nesse sentido tem se desenvolvido um novo mercado na área do design no país, especialmente na capital de São Paulo, conhecida por seu circuito gastronômico, pois esta cidade abriga inúmeros restaurantes das mais diversas especialidades e categorias.

O Studioneves Gourmet Design, por sua vez, se especializou e atende o segmento gastronômico desenvolvendo louças sob medida, cerâmicas produzidas artesanalmente em uma pequena oficina dos designers e ceramistas Gabi Neves e Alex Hell. Criam linhas inteiras de serviço considerando a identidade e a estrutura do restaurante, cor e textura do prato, iluminação do salão, a assinatura ou exclusividade de um determinado chef. Todos os detalhes são feitos com processos manufaturados. Exploram materiais diferenciados, como argila e tintas não tóxicas.

Para ver os trabalhos desses designers, acesse: www.labmattar.com; studioneves.com.br.

Considerações Finais

A seleção dos designers levou em consideração as ações, processos e produtos que apresentam aspectos de potencialidade relacionados à experimentação e inovação do ponto de vista da linguagem, metodologia, forma de atuação, desenvolvimento de produtos e a inter-relação entre segmentos do design, atendendo a maioria das características do design brasileiro contemporâneo, que foram mapeados e apresentados neste relatório a partir de sistematizações em quadros e tabelas e também documentados em figuras que auxiliaram a configuração das reflexões, análises e sistematizações.

Assim como apresentado e proposto na justificativa do projeto desta pesquisa o desenvolvimento desta investigação se apresenta com a proposta de colaborar e ampliar o conhecimento, as características e os registros a respeito do design brasileiro contemporâneo, especialmente o desenvolvido na capital de São Paulo.

A disseminação de tais estudos se apresenta como forma de colaboração para a ampliação e a atualização do repertório de docentes e discentes, na formação de novos designers, no estabelecimento da relação entre a academia e o mercado de trabalho, especialmente valorizando e reafirmando a importância do desenvolvimento de pesquisas teórico-reflexivas que, com as publicações e disseminações, são ofertadas à comunidade acadêmica, a outros estudiosos e pesquisadores, bem como a todos os interessados e, ainda, à comunidade em geral, ao mercado profissional e à sociedade.



Referências

AGAMBEN, Giorgio. (2009). O que é o Contemporâneo? e outros ensaios. Santa Catarina: Editora Argos.

BAUDRILLARD, Jean. (1983) A sociedade de consumo. Lisboa: Ed. 70.

BOMFIM, Gustavo Amarante. (2003) As possibilidades do design – entre utopias e realidades. In: Anais (CD-Rom) do Simpósio do LARS [Laboratório de Representação Sensível]. Rio de Janeiro: PUC-Rio.

BONSIEPE, Gui. (1993) Las Siete Columnas Del Diseño. Havana: ONDI/ ISDI, 1993.

_____________. (2011) Design, Cultura e Sociedade. SP: Blucher.

BORGES, Adélia. Design Brasileiro Hoje: Fronteiras. São Paulo: MAM-SP, 2009.

Borges, Adélia. (2010) 3ª Bienal Brasileira de Design – 1ª Edição-Curitiba, PR: Centro de Design Paraná.

BRAIDA, Frederico. (2012) A linguagem híbrida do design – um estudo sobre as manifestações contemporâneas. Tese (Doutorado). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro [PPG Design], Rio de Janeiro.

BÜRDEK, Bernd. E. (2006) Design – História, teoria e prática do design de produtos. São Paulo: Edgard Blücher.

CAMPANA, Humberto e CAMPANA, Fernando. (2009) (Irmãos Campana). Cartas a um jovem designer. Do manual à industria, a transformação dos Campana. Rio de Janeiro: Campus.

FEATHERSTONE, Mike. (1995) Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo: Ed.Studio Nobel.

FLÜSSER, Villém. (1999) The Shape of Things: A Philosophy of Design. Londres, Reaktion Books.

HOBSBAWM, Eric. (2013) Tempos Fraturados. Cultura e Sociedade no Século XX. São Paulo: Companhia das Letras.

Leite Perrone, Carlos Eduardo. (2012) Fernando e Humberto Campana. SP: Folha de São Paulo. (Coleção Folha. Grandes Designers; vol.3)

LIPOVETSKY, Gilles. e SEBASTIEN, Charles. (2004) Os Tempos Hipermodernos. Ed.Barcarolla: São Paulo.

LIPOVETSKY, Gilles.. SERROY, Jean. (2011) A Cultura Mundo. São Paulo: Companhia das Letras.

LÖBACH, Berndt. (2001) Design Industrial. São Paulo: Ed. Edgard Blücher.

MATTAR, Simone. (2013) Como penso como. São Paulo. Sesc Pompéia.

MELLO, Patrizia. (2008) Design Contemporaneo mutazioni oggetti ambienti architetture. Milão: Electa.

MORAES, Dijon.(2006) Análise do Design Brasileiro entre mimese e mestiçagem. São Paulo: Edgard Blucher.

MOURA, M. (org). Design Brasileiro Contemporâneo: reflexões. SP: Estação das Letras, 2014.

ONO, Maristela M. Design e Cultura sintonia essencial. Curitiba: Edição da Autora, 2006.

POYNOR, R. Diseño Gráfico Pós-moderno no más normas. Barcelona: Gustavo Gili, 2003.

SENNA, B. Continuum - Design Contemporâneo no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Viana & Mosley, 2009.

SUDJIC, Deyan. A linguagem das coisas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.



TORRENT, R. M.; J. M. Historia Del Diseño Industrial. Madrid: Ed. Cátedra, 2005

i Mônica Moura é bacharel e licenciada em artes, mestre e doutora em comunicação e semiótica, pós-doutorado em design contemporâneo, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Design Contemporâneo: sistemas, objetos e cultura (CNPq / UNESP), desenvolve pesquisas em design, moda e joalheria na contemporaneidade, teoria e crítica do design; relações entre design e arte; tecnologias e mídias digitais; ensino; interdisciplinaridade e transdisciplinaridade; metodologias e processos em design, é professora assistente doutora com atuação no departamento e no programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) em Design, FAAC, UNESP, Bauru, SP, Brasil.



Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal