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Anne Frank na tradução portuguesa

Como escolhas na tradução podem influenciar a representação de Anne Frank

MA-scriptie

Joline ten Haken (0311324)

Portugese Taal en Cultuur – Vertalen

Begeleiders: Dr. Cees Koster

Dr. Marian Schoenmakers

Augustus 2008


Índice


1

Índice 2


Introdução 4

Capítulo 1


A crítica de tradução 8

1.1A crítica de tradução segundo Bernardo (2005) 8

1.2 O modelo de House (2004) 11

1.3 O modelo de Gerzymisch-Arbogast segundo Schrott (2006) 13

1.4 O ensaio de Lefevere (2004) 16

1.4.1 Alterações políticas ou político-económicas 18

1.4.2 Alterações ideológicas 18

1.4.3 Alterações estilísticas 19

Capítulo 2
Método de análise 20

2.1 O modelo de Gerzymisch-Arbogast e o método de Schrott (2006) 20

2.1.1 O corpus para a crítica de tradução 20

2.1.1.1 A primeira tradução portuguesa (1958) 20

2.1.1.2 A segunda tradução portuguesa (2002) 21

2.1.1.3 Comparando as traduções portuguesas 21

2.1.2 Critérios para a crítica de tradução 22

2.1.3 A sistemática tradutológica 23

2.1.4 A escala de avaliação 24

2.1.5 Os resultados da crítica de tradução 24

2.2 Categorias de alterações segundo Lefevere (2004) 25

Capítulo 3


A influência de diferentes escolhas na tradução 26

3.1 Os parâmetros de Bernardo (2005) 26

3.1.1 Várias edições da mesma tradução em Portugal: uma análise 26

3.1.2 Os motivos para a edição de uma nova tradução em Portugal 27

3.1.3 Os textos de partida para as traduções portuguesas de Het Achterhuis (1947) 28

3.1.3.1 Análise de Het Achterhuis (1947) 28

3.1.3.2 A análise da primeira tradução alemã (1950) 29

3.1.3.3 A análise da versão definitiva inglesa (1995) 30

3.1.4 A questão das traduções indirectas 30

3.1.5 Análise do estatuto do tradutor 31

3.1.5.1 Descrição do papel do tradutor 31

3.1.5.2 A tradutora da primeira tradução portuguesa: Losa 32

3.1.5.3 A tradutora da segunda tradução portuguesa: Vieira 34

3.1.5.4 As principais diferenças entre as tradutoras 35

3.1.5.5 Conclusão preliminar sobre o estatuto das tradutoras 36

3.2 Analisando o contexto situacional segundo House (2004) 37

Capítulo 4
Alterações na imagem de Anne Frank nas traduções portuguesas 41

4.1 Alterações políticas ou político-económicas 42

4.2 Alterações ideológicas 49

4.3 Alterações estilísticas 55

4.4 Conclusões da pesquisa neste capítulo 61

Capítulo 5


Esclarecimento das alterações encontradas 63

5.1 Influência dos respectivos textos intermediários na tradução 63

5.2 Edições diferentes 66

5.3 O estatuto das tradutoras 66

5.4 Diferenças no público-alvo 67

Conclusão 69

Bibliografia 72

Outras fontes 73

74

Anexos 75



Anexo I: Diferentes edições do diário 76

Anexo II: Corpus 77


Anexo III: As edições do diário em Portugal 78

Anexo IV: Entrevisa com Elsa Viera 79

Anexo V: Correspondência com Carlota Souza Pinto 81





Introdução

Todos conhecemos O Diário de Anne Frank, uma das obras mais vendidas da literatura neerlandesa, apesar de não ser sempre considerado literatura.

Anne Frank recebeu o seu diário no seu décimo terceiro aniversário em 12 de Junho de 1942, começando neste dia a escrever nele (Van der Stroom, 2001: 69). Os Países Baixos estavam ocupados pelos nazis e quando a família Frank teve que se refugiar destes por ser judia, um mês após o seu aniversário, Anne Frank levou o seu diário para o esconderijo. Durante os dois anos em que a família permanecia escondida, ela continuou a escrever, prolongando o seu diário por outros cadernos (Pressler, 1993: 22).

Tal como Pressler (1993: 21) afirma, este diário não surgiu cronologicamente e a maior parte das anotações são cartas à sua amiga imaginária, Kitty. Hoje em dia restam-nos três versões do diário, que são denominadas ‘versão a’, ‘versão b’ e ‘versão c’. A ‘versão a’ corresponde ao diário original, a ‘versão b’ é uma versão baseada na ‘versão a’, redigida e elaborada pela própria autora, e a ‘versão c’ baseia-se nas versões anteriores e foi composta pelo pai de Anne, Otto Frank, sendo publicada em 1947 (Frank, 2006: 9-10). Todas estas versões foram editadas, juntamente, pelo Instituto Neerlandês de Documentação de Guerra1, sendo um dos argumentos para esta edição provar a autenticidade do diário, que tinha sido muitas vezes posto em causa. Esta obra, O Diário de Anne Frank: a Edição Crítica, foi editada em 1989 (Frank, 2006: 9-10).



O Diário de Anne Frank foi editado pela primeira vez nos Países Baixos em 1947 na editora Contact, com o título Het Achterhuis. Dagboekbrieven van 14 juni 1942 tot 1 augustus 1944 (Van der Stroom, 2001: 83).

Após o sucesso do diário nos Países Baixos, editoras de outros países também mostraram interesse em publicar o diário, veja Anexo I. Na França, em Paris, a primeira tradução surgiu em 1950 na editora Calmann-Lévy. Ainda no mesmo ano surgiu a tradução alemã na editora Lambert Schneijder em Heidelberg. Em 1952 o diário foi editado em inglês tanto em Londres pela editora Valentine, Mitchell & Co, como em Nova Iorque pela editora Doubleday (Van der Stroom, 2001: 86). Actualmente, o diário está traduzido em mais de 67 línguas e foram vendidos mais de 31 milhões de exemplares em total (Frank, 2006, contracapa).

Em Portugal, a primeira tradução do diário foi publicada em 1958 com o título Diário de Anne Frank: de 12 de Junho de 1942 a 1 de Agosto de 1944 na editora Livros do Brasil, veja Anexo I. Esta tradução, tal como a introdução, foi feita por Ilse Losa. No prefácio Losa explica que não só o original neerlandês de 1947, mas também a tradução alemã de 1950 foram usados como textos de partida (Frank, 1960: 5).

A tradução portuguesa mais recente, O diário de Anne Frank, Versão Definitiva (Frank, 2006) foi editada pela primeira vez em 2002, sendo a tradução feita por Elsa T. S. Vieira, veja Anexo I. Esta tradução também foi publicada pela editora Livros do Brasil. A tradução inglesa The Diary of a Young Girl: the Definitive Edition (Frank, 2000) de Susan Massoty funcionou como texto de partida para esta tradução (Frank, 2006: 4).


Para concluir o programa de mestrado em Estudos de Tradução do Departamento de Português na Universidade de Utreque, farei um estudo comparativo das duas traduções portuguesas de O Diário de Anne Frank e os seus respectivos textos de partida2.

Para a cadeira ‘Métodos e Técnicas de Tradução’3 já analisei a primeira tradução de Het Achterhuis, feita por Ilse Losa (1958; foi usada a edição de 1960). No trabalho final para esta cadeira comparei esta tradução com os dois textos de partida que foram usados, a primeira edição neerlandesa (1947) e a primeira tradução alemã (1950), feita por Anneliese Schütz. Cheguei à conclusão que Losa permanece muito fiel à tradução alemã, o que implica que nesta tradução portuguesa aparecem as mesmas alterações que a tradutora alemã fez na tradução alemã. Alterações que ocorrem são, por exemplo, a omissão de insultos aos alemães e a modificação do estilo de escrita, sendo menos original e contendo menos metáforas originais. Devido a estas alterações, a imagem que os leitores portugueses formam de Anne Frank a partir da tradução pode ser influenciada, isto é, a autora já não é a jovem escritora com um sentido de humor original mas uma menina bem-educada, que não fala mal dos seus opressores.

Como, entretanto, surgiu uma segunda tradução portuguesa de Het Achterhuis, decidi incluir esta tradução na minha pesquisa actual. Tenciono analisar como Anne Frank, personagem principal e ao mesmo tempo narradora, é apresentada. Também tento desvendar os argumentos que levaram a certas escolhas na tradução. Em seguida, tenciono comparar esta imagem de Anne Frank com a imagem de Anne Frank que sobressai da tradução de Losa.

Como ponto de partida para a minha análise, tenho a seguinte pergunta-base:




  • Em que medida a imagem de Anne Frank nas traduções portuguesas desvia da imagem de Anne Frank no original e porquê será este o caso?

Para alcançar o objectivo desta pesquisa é preciso especificar a pergunta-base:



  • Qual é o objectivo da crítica de tradução?

  • Como elaborar a crítica de tradução?

  • Que argumentos levam a determinadas escolhas na tradução?

  • Há incongruências entre a Anne Frank na edição neerlandesa e a Anne Frank nas traduções portuguesas?

  • Como explicar as alterações encontradas?

Em primeiro lugar, tenciono analisar teorias sobre a crítica de tradução. Estas teorias acerca da crítica de tradução devem ajudar-me a determinar as questões a considerar ao fazer a comparação das traduções de Het Achterhuis.

Além disso, quero focalizar na construção de Anne Frank, como personagem e como narradora. Segundo Schrott (2006: 9) Het Achterhuis (1947) é um conjunto de textos autobiográficos. A qualidade da tradução depende, portanto, em grande parte, da maneira como estas traduções esboçam Anne Frank como personagem e narradora. O meu objectivo aqui será determinar como a personagem e a narradora são representadas nas traduções. Já que esta obra foi publicada como diário, pode parecer curioso que falo aqui de Anne Frank como personagem, para além de narradora do seu diário. Contudo, o diário de Anne Frank distingue-se de diários normais, pois Anne Frank, durante a escrita, já pensava em publicar o seu diário como romance. Isto faz com que Anne Frank se torna, para além de uma narradora, também uma personagem na sua própria obra.

Para fazer com que o diário fosse mais adequado para ser publicado como romance, Anne Frank tentou fazer o seu diário mais literário. Tendo a ideia de publicar o seu diário, procurou criar também uma certa imagem de si mesma. Assim Lefevere (2004: 348) também escreve sobre as adaptações literárias realizadas pela autora:


“O exemplo mais evidente das adaptações literárias da autora é a decisão de mudar os nomes das pessoas no esconderijo, de tal forma que a partir de 2 de Janeiro, estas passam a ser ‘personagens’ numa ‘história’. Anne Frank julgou esta estratégia necessária para o seu romance Het Achterhuis (ela não se refere certamente ao seu diário neste lugar) que queria publicado após a guerra4. Assim, Anne Frank torna-se ‘Anne Robin’ na versão escrita em folhas soltas.” 5
Segue aqui ainda um pequeno esquema com a alteração dos nomes, inventados por Anne (Frank, 2006: 11):


Nomes reais

Inicialmente

Finalmente

Anne Frank

Anne Aulis

Anne Robin

Auguste van Pels




Petronella van Daan

Hermann van Pels




Hermann van Daan

Peter van Pels




Peter van Daan

Para além de analisar e comparar a construção da personagem e da narradora Anne Frank, também é o meu objectivo analisar como as traduções portuguesas foram feitas, assim como examinar os motivos que levaram a certas escolhas na tradução.




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