Digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia do farelo da semente de acerola na alimentação de suínos na fase inicial



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Digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia do farelo da semente de acerola na alimentação de suínos na fase inicial
Mariana Barbizan(PIBIC/Fundação Araucária/Unioeste), Vanja de Souza Rocha, Ana Lúcia Almeida Santana, Rafaela Menegazzi, Paulo Levi de Oliveira Carvalho (Orientador), e-mail: mari_mn10@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Agrárias/Marechal Cândido Rondon-PR
Grande área e área: Ciências Agrárias - Zootecnia
Palavras-chave: alimento alternativo, coproduto, valor nutricional

Resumo
Objetivou-se com o trabalho determinar os coeficientes da digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia do Farelo da Semente de Acerola (FSA) na alimentação de suínos. Foram utilizados 24 leitões machos inteiros, com peso médio inicial de 19,72 ± 2,24 kg, distribuídos em delineamento em blocos casualizados, com dois tratamentos (T1= ração referência e T2 = ração referência + 20% de FSA) e 12 repetições cada, sendo um suíno por unidade experimental. Os animais foram alojados em gaiola de metabolismo onde permaneceram por 13 dias, sendo oito para adaptação e cinco dias para coleta de fezes. Os valores obtidos foram utilizados para calcular os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca, matéria orgânica, proteína bruta e energia bruta, além o coeficiente de metabolização da energia bruta.
Introdução
O Brasil é o quarto maior produtor de carne suína no mundo, segundo ABPA (2015), no ano de 2014 houve produção de 3,472 milhões toneladas equivalente a carcaça.

Neste setor a alimentação representa aproximadamente 75 a 80% dos custos de produção de suínos no Brasil. Assim, a pesquisa por ingredientes alternativos, a serem adicionados em rações de suínos, é interessante do ponto de vista econômico e nutricional para animais (Moreira et al., 2014) e dentre os resíduos que podem ser utilizados, destaca-se o subproduto do beneficiamento da acerola para obtenção de suco, doces, geleia (Lousada Jr et al., 2006). A semente pode ser transformada em farelo e inclusa nas rações dos animais, mas é necessário avançar nos estudos para definir o valor nutricional deste resíduo para suínos e o percentual máximo a ser incluso nas rações, visto que este farelo apresenta alto teor de fibra.

Além disso, inclusão de ingredientes ricos em fibras, geralmente subprodutos das indústrias de alimentos nas dietas dos suínos depende de oportunidades locais e da disponibilidade de tais ingredientes (Philippe & Nicks, 2015).

Neste contexto, este trabalho têm por objetivo determinar os coeficientes da digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia do Farelo da Semente de Acerola para suínos na fase inicial


Material e Métodos
O estudo foi realizado no Setor de Suinocultura da Fazenda Experimental Prof. Antônio Carlos dos Santos Pessoa (Linha Guará) da Unioeste, Campus de Marechal Candido Rondon/PR. O farelo da semente de acerola (FSA) utilizado foi obtido em indústria produtora de polpa de sucos (Fruteza Sucos Naturais), no município de Dracena-SP.

A composição (na matéria natural) química do FSA, com base na matéria natural foi: Matéria seca= 13,88%; Matéria orgânica = 83,32%; Energia bruta = 4.442 kcal/kg; Proteína bruta = 8,03%; FDN = 55,09%; FDA = 45,38% e cinzas= 2,80%).

No ensaio de digestibilidade foram utilizados 24 leitões machos inteiros, com peso corporal médio inicial de 19,72 ± 2,24 kg, distribuídos em um delineamento experimental em blocos casualizados. Foram alojados individualmente em gaiolas de metabolismo (Pekas, 1968) em galpão de alvenaria, provido de cortinas laterais, onde permaneceram por 13 dias, sendo oito para adaptação à ração e gaiola e cinco para coleta de fezes e urina.

A ração referência à base de milho e farelo de soja foi calculada para atender as exigências nutricionais de suínos na fase inicial (Rostagno et al., 2011). Os procedimentos como fornecimento das dietas, coleta de fezes e urina foram de acordo aos descritos por Sakomura & Rostagno (2007).

Os animais receberam duas refeições diárias, fornecidas às 08h00min e 15h00min, e a quantidade total diária no período de coleta foi estabelecida de acordo com o consumo no período de adaptação, baseado no peso metabólico (PV0,75) dos animais. Após cada refeição a água foi fornecida no comedouro, na proporção de 1 mL/g de ração consumida, calculada para cada unidade experimental, para evitar o excesso de consumo de água. Para delimitar o início e fim da coleta de fezes utilizou-se 1% de óxido férrico (Fe2O3). As fezes excretadas em um período de 24 horas foram coletadas, pesadas, acondicionadas em sacos plásticos identificados e armazenados em freezer (-18°C) até o final do período de coleta.

Após o período de coleta, as amostras foram descongeladas, homogeneizadas e secas em estufas de ventilação forçada de ar (55ºC), por um período de 72 horas. Em seguida, as amostras foram moídas e encaminhadas para Laboratório de Nutrição Animal (LANA) da UNIOESTE para análise de matéria seca, proteína bruta, energia bruta e matéria mineral, seguindo os procedimentos de Silva & Queiroz (2002).



Os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS), da matéria orgânica (CDMO), da proteína bruta (CDPB), da energia bruta (CDEB) e o coeficiente de metabolização da energia bruta (CMEB) do FSA para suínos na fase inicial foram calculados conforme Matterson et al. (1965).
Resultados e Discussão
Os resultados obtidos evidenciam que este subproduto apresenta-se como uma fonte fibrosa com potencial na alimentação de suínos na fase inicial.
Tabela 1. Coeficientes de digestibilidade aparente (CD), coeficiente de metabolização (CM) e valores digestíveis do farelo da semente de acerola em estudo com suínos na fase inicial (15 a 30 kg).

Coeficientes de digestibilidade (%)

Farelo da Semente de Acerola

CD da Matéria seca

19,96

CD da Matéria orgânica

29,88

CD da Proteína bruta

39,04

CD da Energia bruta

28,21

CM da Energia bruta

27,84

Nutrientes Digestíveis

MN1

MS2

Matéria seca digestível, %

17,19

-

Matéria orgânica digestível, %

24,90

28,91

Proteína digestível, %

3,14

3,64

Energia digestível, kcal/kg

1.253

1.455

Energia metabolizável, kcal/kg

1.236

1.436

EM:ED

0,987

1 Matéria natural; 2 Matéria seca
Resultados semelhantes foram obtidos por Poveda Parra et al. (2008) em estudo com casca de café seca na alimentação de suínos na fase de crescimento e terminação, os quais os autores obtiveram o valor de energia digestível de 1.236 kcal/kg e coeficiente de digestibilidade de 30,35%. Na mesma linha de pesquisa Perondi et al. (2014) trabalhando com Farelo da semente de maracujá para suínos na fase de crescimento e terminação, obtiveram valores de 3.223 kcal/kg de energia metabolizável e coeficiente de metabolização de 60,23%, concluindo que este resíduo pode ser considerado uma fonte energética com excelente potencial.

Estes estudos mostram que os resíduos da agroindústria, como farelo da semente de acerola, do maracujá e casca de café podem ser considerados como fontes alternativas para alimentação de suínos.



Conclusões
Os valores de ED e EM, na matéria natural, para o farelo da semente de acerola são de 1.253 e 1.236 kcal/kg, respectivamente. Os resultados evidenciam a importância de se conhecer o real valor nutricional dos resíduos para que possam ser utilizados adequadamente na alimentação dos suínos.
Referências
Associação Brasileira de Proteína Animal- ABPA. Relatório anual 2015. Disponível em: < http://abpa-br.com.br/files/RelatorioAnual_UBABEF_2015_DIGITAL.pdf>
LOUSADA Jr, J.E.; COSTA, J.M.C.; NEIVA, J.N.M.; RODRIGUEZ, N.M. Caracterização físico-química de subprodutos obtidos do processamento de frutas tropicais visando seu aproveitamento na alimentação animal. Revista Ciência Agronômica, v.37, n.1, p.70-76, 2006.
MATTERSON, L.D.; POTTER, L.M.; STUTZ, M.W. et al. The metabolizable energy of feed ingredients for chickens. Storrs, Connecticut University of Connecticut, Agricultural Experiment Station, Research Report, v. 7, n. 1, p. 11-14, 1965.
MOREIRA, F.R.C.; COSTA, A.N.; MARTINS, T.D.D.; SILVA, J.H.V.; MEDEIROS, H.R.; CRUZ, G.R.B. Substituição parcial do milho por sorgo granífero na alimentação de suínos nas fases de creche, crescimento e terminação. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal. v.15, n.1, p.94-107, 2014.
PEKAS, J. C. Versatile swine laboratory apparatus for physiologic and metabolic studies. Journal of Animal Science, v. 27, n. 5, p. 1303-1306, 1968.
PERONDI, D.; MOREIRA, I.; POZZA, P.C. et al. Passion fruit seed meal in growing and finishing pig feeding (30-90 kg). Revista Ciência e Agrotecnologia, v.38, n.4, p.390-400, 2014.
PHILIPPE, F.X. & NICKS, B. Review on greenhouse gas emissions from pig houses: Production ofcarbon dioxide, methane and nitrous oxide by animals and manure. Agriculture, Ecosystems & Environment. v.199, p. 10-25. 2015.
POVEDA PARRA, A.R.; MOREIRA, I.; FURLAN, A.C. et al. Utilização da casca de café na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação. Revista Brasileira de Zootecnia, v.37, n.3, p.433-442, 2008.





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