Disciplina: Direito



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DISCIPLINA: Expressão Oral e Escrita

PROFESSOR: Roberto Nunes Bittencourt

Possui graduação em Letras pela Universidade Gama Filho (2004), mestrado em Estudos de Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2007) e doutorado em Letras Vernáculas (Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011). Escritor, ensaísta, crítico literário e professor universitário, atuando em todos os níveis de ensino. Além disso, tem trabalhado também como consultor no mercado editorial, atuando como revisor e editor, e com a difusão de obras literárias em periódicos. Publicou Canções de um Sonhador (poesia, 2002, Scortecci) e Epifania (poesia, 2016, iVentura), além de ter organizado Fortuna Crítica: estudos de Literatura (ensaios, 2008, Arquimedes) e Poesia sobre tudo (poesia, 2014, iVentura).
Email: rnb.roberto@gmail.com
SUMÁRIO:

  1. Apresentação da Disciplina

  2. Ementa

  3. Objetivo

  4. Conteúdo Programático

  5. Referências Básicas

  6. Referências Complementares



  1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Prezado estudante,


Este material é referente às Unidades I e II da disciplina EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA, constante na estrutura curricular de todos os cursos da Faculdade Internacional Signorelli.

Nesta disciplina trabalharemos alguns conhecimentos teórico-práticos relativos aos principais conceitos da Língua Portuguesa.

É importante salientar que o profissional hodierno, de qualquer área, necessita, para uma formação completa, adquirir conhecimentos na língua materna.

Vale destacar o nosso compromisso com o perfil esperado para o egresso, segundo as Diretrizes Curriculares estabelecidas para o curso, pelo Conselho Nacional de Educação, por meio do desenvolvimento das competências e habilidades propostas no PPC (Projeto Pedagógico do Curso).




  1. EMENTA

Noções do uso da gramática geral da Língua Portuguesa; Noções gerais de Gênero Discursivo; Esquema de comunicação; Língua oral e escrita; Normais Gramaticais; Expressão oral.


  1. OBJETIVOS




  • Possibilitar ao aluno aprimorar ou desenvolver sua capacidade de comunicação, interpretação e argumentação através da escrita;

  • apresentar e desenvolver mecanismos e técnicas de interpretação através da análise e da síntese textual;

  • apontar mecanismos que conduzem o processo da síntese e/ou análise de um texto.


  1. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

UNIDADE I – ESTILÍSTICA

Linguagem: pensamento, comunicação e interação

Elementos da comunicação

Funções da linguagem

Vícios de linguagem

 

UNIDADE II – NORMA ORTOGRÁFICA

Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados

Das vogais átonas

Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas

Da acentuação das vogais tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas

Do trema

Do hífen em compostos, locuções, encadeamentos vocabulares e translineação

Do apóstrofo

Das minúsculas e maiúsculas


UNIDADE III – PONTUAÇÃO

Vírgula


Ponto e vírgula

Ponto de interrogação

Ponto de exclamação

Dois pontos

Aspas

Reticências



Travessão

Parênteses

Colchetes
UNIDADE IV – EMPREGO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES

Por que / Por quê / porque / Porquê

Onde / Aonde

Mas / Mais

Mau / Mal

Se não / Senão

Há / A

Ao invés de / Em vez de



Ao encontro de / De encontro a

A fim de / Afim de

Demais / De mais

A par / Ao par

Acerca de / Há cerca de

Meio / Meia





  1. REFERÊNCIAS BÁSICAS

ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. São Paulo: Ática, 2010.


BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna. 27. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2010.



  1. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

BUENO, Francisco da Silveira. Gramática de Silveira Bueno. 20. ed. rer. ampl. São Paulo: Global, 2014.

KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2010.

PAIVA, Marcelo. Redação Discursiva Oficial. 2. ed. Brasília: Alumnus, 2012.



UNIDADE I - ESTILÍSTICA

Prezado estudante,

Nesta UNIDADE estudaremos os aspectos estilísticos da Língua Portuguesa. Vamos conhecer os ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO, as FUNÇÕES DA LINGUAGEM e as INTERFERÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. Por fim, vamos estudar a COMUNICAÇÃO DE MASSA.

Após o conteúdo dessa Unidade o estudante será capaz de:



  • Identificar os elementos da comunicação.

  • Reconhecer, nos textos, as funções da linguagem.

  • Conhecer os principais vícios de linguagem
LINGUAGEM: PENSAMENTO, COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO

Podemos entender a linguagem como a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. Relaciona-se a fenômenos comunicativos: onde há comunicação, há linguagem. Assim, sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, por exemplo) constituem um sistema de sinais de que se valem os indivíduos para expressar o pensamento, estabelecer a comunicação e, portanto, a interação.





a) A LINGUAGEM É A EXPRESSÃO DO PENSAMENTO

Pensar logicamente é um requisito básico para se escrever, já que a linguagem traduz a expressão que se constrói no interior da mente, é o “espelho” do pensamento.  O fenômeno linguístico é reduzido a um ato racional, monológico, individual, que não é afetado pelo outro nem pelas circunstâncias que constituem a situação social em que a enunciação acontece. Assim, o fato linguístico, a exteriorização do pensamento por meio de uma linguagem articulada e organizada, é explicado como sendo um ato de criação individual. 

Nesta concepção de linguagem, a expressão exterior depende apenas do conteúdo interior, do pensamento da pessoa e de sua capacidade de organizá-lo de maneira lógica. Por isso, acredita-se que o pensar logicamente, resultando na lógica da linguagem, deve ser incorporado por regras a serem seguidas, sendo que essas regras situam-se dentro do domínio do estudo gramatical normativo ou tradicional, que defende que saber língua é saber teoria gramatical.

Tal percepção, leva a concluir que, expondo os princípios lógicos da linguagem, a gramática normativa prediz os fenômenos da linguagem em “certos” e “errados”, privilegiando algumas formas linguísticas em detrimento de outras. Dessa forma, acredita-se que quem fala ou escreve bem, seguindo e dominando as normas que compõem a gramática da língua, é um indivíduo que organiza logicamente o seu pensamento.

Nesse contexto, a língua é concebida como simples sistema de normas, acabado, fechado, abstrato e sem interferência do social. Em decorrência disso, os estudos tradicionais consideram apenas a variedade dita padrão ou culta, ignorando todas as outras formas de uso da língua, consideradas corrupções da língua padrão pautada nos modelos literários, na língua literária artística. Não estabelecem, portanto, relação com a língua viva do nosso tempo e com o uso do nosso cotidiano.

b) A LINGUAGEM É INSTRUMENTO DE COMUNICAÇÃO

Essa concepção de linguagem se liga à Teoria da Comunicação e prediz que a língua é um sistema organizado de sinais (signos) que serve como meio de comunicação entre os indivíduos. 

A língua é um código, um conjunto de signos, combinados através de regras, que possibilita ao emissor transmitir uma certa mensagem ao receptor. A comunicação, no entanto, só é estabelecida quando emissor e receptor conhecem e dominam o código, que é utilizado de maneira preestabelecida e convencionada. 

Nessa vertente, os estudos da linguagem ficam restritos ao processo interno de organização do código. Privilegia-se a forma, o aspecto material da língua, e as relações que constituem o seu sistema total, em detrimento do conteúdo, da significação e dos elementos extralinguísticos.



c) A LINGUAGEM É UMA FORMA OU UM PROCESSO DE INTERAÇÃO

O indivíduo, ao usar a língua, não apenas traduz e exterioriza um pensamento ou transmite informações a outrem, mas realiza ações, atuar sobre o interlocutor (ouvinte/leitor). Tal percepção, contrapõe-se às visões conservadoras da língua, que a tem como um objeto autônomo, sem história e sem interferência do social, já que não enfatizar esses aspectos não é condizente com a realidade na qual estamos inseridos: a linguagem é um lugar de interação humana, como o lugar de constituição de relações sociais.

A linguagem se constrói pela interação comunicativa mediada pela produção de efeitos de sentido entre interlocutores, em uma dada situação e em um contexto sócio-histórico e ideológico, sendo que os interlocutores são sujeitos que ocupam lugares sociais.

Nessa vertente, estuda-se o uso da língua em situações concretas de interação, percebendo as diferenças de sentido entre uma forma de expressão e outra. A língua, nesse caso, é o reflexo das relações sociais, pois, de acordo com o contexto e com o objetivo específico da enunciação é que ocorre uma forma de expressão ou outra, uma variante ou outra.

Assim, o locutor constrói o seu discurso mediante as suas necessidades enunciativas concretas, escolhendo formas linguísticas que permitam que seu discurso figure num dado contexto e seja adequado a ele. Sendo assim, o locutor leva em consideração o seu interlocutor, tanto no que se refere à imagem que tem dele, quanto à construção de seu discurso, empenhando-se para que ele seja compreendido num contexto concreto, preciso e, consequentemente, atinja o objetivo pretendido.

São se pode, portanto, separar a linguagem de seu conteúdo ideológico ou vivencial, já que ela se constitui pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação, que é um diálogo (no sentido amplo do termo, englobando as produções escritas). Dentro de uma concepção interacionista, a linguagem é entendida, então, como um dos aspectos das diferentes relações que se estabelecem historicamente em nível sócio-cultural. Ela caracteriza-se por sua ação social.



Leitura de Texto:

A importância da comunicação no ambiente de trabalho

Existem dois erros principais na comunicação corporativa: a utilização de um vocabulário altamente rebuscado, que dificulta o entendimento ou o uso de termos populares e chulos, que passam a imagem de falta de cultura e conhecimento. Para desenvolver uma boa comunicação no ambiente de trabalho é preciso encontrar o “meio termo” entre os dois problemas citados.

Para isso, os profissionais devem ampliar o seu vocabulário e buscar se comunicar de forma objetiva e simples. Utilizar palavras que ninguém conhece não demonstra superioridade e pode causar confusão no momento de repassar as tarefas que os colaboradores devem desenvolver. Por isso, a comunicação deve ser adequada ao nível de compreensão do receptor. Além disso, é preciso tomar cuidado com a comunicação escrita. Esta é diferente da verbalização, onde é possível perceber a intenção da pessoa. Para não correr risco de errar, deve-se sempre ser cordial e cuidar com a ambiguidade de sentidos.

Uma boa comunicação é elemento fundamental para o sucesso. Os profissionais não devem ter medo de expor suas ideias, apenas devem estar atentos para falar de forma a serem compreendidos, ou seja, de maneira objetiva e clara. 

Fonte: http://rui-rocha.blogspot.com.br/2011/08/importancia-da-comunicacao-no-ambiente.html

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

Segundo o dicionário Aurélio “comunicação é o ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e /ou visual” (1986,p.443).

Para viabilizar o processo comunicativo, o emissor recorre aos códigos. São sinais representados pela fala, pela escrita, por gestos, desenhos etc. Eles transmitem uma mensagem ao receptor por meio de um canal em um contexto, com funções e objetivos específicos.



  • Emissor: o que emite a mensagem;

  • Receptor: o que recebe a mensagem;

  • Mensagem: o conjunto de informações transmitidas;

  • Código: a combinação de signos utilizados na transmissão de uma mensagem. A comunicação só se concretizará, se o receptor souber decodificar a mensagem;

  • Canal de Comunicação: por onde a mensagem é transmitida: TV, rádio, jornal, revista, cordas vocais, etc.

  • Referente: a situação a que a mensagem se refere, também chamado de contexto.


FUNÇÕES DA LINGUAGEM

São recursos de ênfase que atuam segundo a intenção do produtor da mensagem, cada qual abordando um diferente elemento da comunicação. Um texto pode apresentar mais de uma função enfatizada.

1 - Função emotiva ou expressiva

Nesta, há um envolvimento pessoal do emissor, que comunica seus sentimentos, emoções, inquietações e opiniões centradas na expressão do próprio “eu”, levando em consideração o seu mundo interior. Para tal, são utilizados verbos e pronomes em 1ª pessoa, muitas vezes acompanhados de sinais de pontuação, como reticências, pontos de exclamação, bem como o uso de onomatopeias e interjeições.


  • Exemplos: autobiografias, memórias, poesia lírica e cartas de amor.

Leitura de Texto:

Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

2- Função referencial ou denotativa

A mensagem é centrada no referente (contexto relacionado a emissor e receptor). O emissor procura fornecer informações da realidade, sem a opinião pessoal, de forma objetiva, direta, denotativa. A ênfase é dada ao conteúdo, às informações. Geralmente usa-se a 3ª pessoa do singular.



  • Exemplos: textos jornalísticos, científicos, etc.

Leitura de Texto:

Mercado de Trabalho

Quando falamos de robôs inteligentes, boa parte das pessoas tem como referência os robôs R2D2 e C3PO, que ajudaram Luke Skywalker a derrotar Darth Vader em "Guerra nas Estrelas", a babá Rosie, dos Jetsons, a cena do robô B9 jogando xadrez com o Dr. Smith na série "Perdidos no Espaço", ou, mais recentemente, o caso em que um homem se apaixona por uma voz de computador no filme "Ela", de Spike Jonze. Isso só para citar alguns.

Essa ideia de ter robôs executando tarefas cansativas e repetitivas e ajudando no nosso dia a dia vai bem até que se levante uma questão: o avanço da produção de robôs pode afetar o mercado de trabalho?

A resposta é sim. Em 2013, um estudo da Universidade de Oxford chamou atenção ao apontar que 47% dos empregos nos Estados Unidos estariam ameaçados pelos robôs. Isso mesmo. Essas máquinas criadas para facilitar nossas vidas podem sim disputar vagas de emprego com os humanos. Em um novo levantamento, em 2014, o mesmo grupo de pesquisadores concluiu que no Reino Unido, 35% dos empregos estariam ameaçados entre os próximos 10 a 20 anos pelo avanço da robótica.

https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/propostas/a-tecnologia-e-a-eliminacao-de-empregos.htm?full

3 - Função apelativa ou conativa

A mensagem é centrada no receptor e organiza-se de forma a influenciá-lo. Geralmente usa-se a 2ª e 3ª pessoa, vocativos e imperativo.



  • Exemplos: discursos, sermões, textos de publicidade e propaganda.

4 - Função fática

O canal é posto em destaque. O interesse do emissor é emitir e simplesmente testar ou chamar a atenção para o canal.



  • Exemplos típicos da função fática são: "alô", "pronto", "oi", "tudo bem?" "boa tarde", "sentem-se", etc. Ou na propaganda, de forma a chamar a atenção, a tipografia, layout, etc.

5 - Função poética ou estética

É aquela que põe em evidência a forma da mensagem, ou seja, que se preocupa mais em "como dizer" do que com "o que dizer". A mensagem é posta em destaque, chamando a atenção para o modo como foi organizada. É afetiva, sugestiva, conotativa, metafórica. Valorizam-se as palavras e suas combinações.



  • Exemplos: linguagem figurada apresentada em obras literárias, letras de música, em algumas propagandas. Características: Subjetividade Figuras de linguagem.

Leitura de texto:

MENINA NA JANELA


A lua é uma gata branca,

mansa,


que descansa entre as nuvens.
O sol é um leão sedento,

mulambento,

que ruge na minha rua.
Eu sou uma menina bela,

na janela,

de um olhar sempre à procura.
Sérgio Capparelli

6 - Função metalinguística

O código linguístico é posto em destaque. Usa-se o código para falar dele mesmo.


  • Exemplos: dicionários, gramáticas, textos que analisam textos, poemas que abordam o assunto da poesia.
VÍCIOS DE LINGUAGEM

Embora frequentes no dia a dia dos falantes, os vícios de linguagem são desvios gramaticais, ou seja, palavras, expressões e construções que fogem às regras da norma padrão ou norma culta. Os vícios de linguagem ocorrem, normalmente, por falta de atenção e pouco conhecimento dos significados das palavras pelos falantes.

Confira alguns vícios de linguagem:


Barbarismo


Erros de pronúncia, acentuação, ortografia, flexão e significação são considerados barbarismo.

Erros de pronúncia:

  • pograma (correto = programa)

  • reintero (correto = reitero)

  • beneficiente (correto = beneficente)

Erros de acentuação:

  • rúbrica (correto = rubrica)

  • gratuíto (correto = gratuito)

  • púdico (correto = pudico)

Erros de ortografia:

  • mecher (correto = mexer)

  • quizeram (correto = quiseram)

  • geito (correto = jeito)

Erros de flexão:

  • deteu (correto = deteve)

  • proporam (correto = propuseram)

  • cidadões (correto = cidadãos)

Erros de significação:

  • meus comprimentos (correto = meus cumprimentos)

  • o conserto da Rita Lee (correto = o concerto da Rita Lee)

  • o acento da bicicleta (correto = o assento da bicicleta)

Solecismo


Erros de sintaxe (concordância, regência e colocação pronominal) são considerados solecismo.

Erros de concordância:

  • a gente vamos (correto = a gente vai)

  • fazem dois dias (correto = faz dois dias)

  • haviam muitas vagas (correto = havia muitas vagas)

Erros de regência:

  • chegamos no colégio (correto = chegamos ao colégio)

  • sempre obedeci meu pai (correto = sempre obedeci ao meu pai)

  • vamos na praia (correto = vamos à praia)

Erro de colocação pronominal:

  • não enganei-me (correto = não me enganei)

  • foi ela que chamou-me (correto = foi ela que me chamou)

  • compraremos-te um carro (correto = comprar-te-emos um carro)

Pleonasmo vicioso ou redundância


Ocorre pleonasmo vicioso ou redundância quando há uma repetição de ideias desnecessária para a transmissão do conteúdo da frase.

Exemplos:

  • Vamos entrar para dentro.

  • Vamos adiar para depois.

  • Vamos encarar de frente.

Ambiguidade ou anfibologia


Nas frases sem clareza ou com duplo sentido ocorre ambiguidade ou anfibologia.

Exemplos:

  • A professora levou o aluno para sua sala. (de quem é a sala?)

  • Paula conversou com Helena sobre seu trabalho. (de quem é o trabalho?)

  • A cachorra da sua prima é mal-humorada. (a prima é uma cachorra ou tem uma cachorra?)

Cacofonia ou cacófato


Ocorre cacofonia ou cacófato quando a pronúncia de palavras seguidas produz um som desagradável ou sugere outra palavra menos apropriada.

Exemplos:

  • Eu beijei a boca dela.

  • Eu não vi ela.

  • Me dá uma mão.

Eco


Dissonâncias causadas por terminações iguais nas palavras são consideradas eco.

Exemplos:

  • Tem gente que, por mais que tente, não consegue ser diferente.

  • Nesta cidade não há honestidade, apenas vaidade.

Hiato


Dissonâncias causadas por sequências de vogais idênticas ou semelhantes são consideradas hiato.

Exemplos:

  • Ana a ama muito.

  • Ou eu ou ele estaremos lá.

Colisão


Dissonâncias causadas por sequências de consoantes idênticas ou semelhantes são consideradas colisão.

Exemplo:

  • Essa saia suja é da Sara.

  • Fazendo fiado fico freguês.

Vulgarismo


O uso de expressões que não se enquadram no padrão culto é considerado vulgarismo.

Vulgarismo fonético:

  • Vamo brincá? (correto = Vamos brincar?)

  • Brincadera boba! (correto = Brincadeira boba!)

  • Põe mais sau, por favor. (correto = Põe mais sal, por favor.)

Vulgarismo morfológico e sintático:

  • Custa cinco real! (correto = Custa cinco reais!)

  • Os menino vem aí. (correto = Os meninos vêm aí.)

  • Eu vi ele na rua. (correto = Eu vi-o na rua.)

Plebeísmo


Refere-se a gírias, calão e expressões populares que indicam falta de instrução e erudição.

Exemplos:

  • Fala mané!

  • Fiquei bolado com essa parada.

Nota: Também a utilização de chavões é considerada por muitos autores como vício de linguagem, por empobrecer o discurso e limitar a autonomia do pensamento humano.

Exemplos:

  • A união faz a força.

  • Cada macaco no seu galho.

Estrangeirismo


Considerado por alguns autores como barbarismo, o estrangeirismo consiste no uso exagerado e desnecessário de palavras de outros idiomas em vez das formas equivalentes em português.

Exemplos:

  • show (em português = espetáculo)

  • drink (em português = bebida ou drinque)

  • delivery (em português = entrega em domicílio)

Neologismo


Consiste na criação exagerada de novas palavras, muitas vezes desnecessárias, por já haver palavras análogas no português.

Exemplos:

  • Já chega de tuitar.

  • Deleta essa informação, por favor.

  • Manjo bem esse assunto.

Arcaísmo


Refere-se à utilização de palavras ou expressões em desuso.

Exemplos:

  • Venha, menina, asinha!

  • Vosmecê precisa de ajuda?

Preciosismo e prolixidade


Referem-se a uma linguagem exacerbada para referir ideias normais, bem como ao excesso de palavras para transmitir ideias simples, prejudicando a clareza e naturalidade do discurso.
Exemplos:

  • Minha progenitora, transtornada com meu insubmisso agir, procrastinou nossa viagem intercontinental.

  • Estivesse eu rejubilante e álacre em vez de apreensiva e inconformada com as vicissitudes de meu viver.

Fonte: http://www.normaculta.com.br/vicios-de-linguagem/

UNIDADE II – NORMA ORTOGRÁFICA

Prezado estudante,

Nesta UNIDADE estudaremos as principais mudanças e as novidades da norma ortográfica, considerando o Acordo Ortográfico de 1990.

Após o conteúdo dessa Unidade o estudante será capaz de:



  • Pensar criticamente a adoção da Norma ortográfica de 1990

  • Conhecer as principais mudanças decorrentes do Acordo Ortográfico de 1990


ENTENDENDO O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

A Língua Portuguesa é o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. É, também, uma das línguas oficiais da região administrativa especial chinesa de Macau e de várias organizações internacionais como o Mercosul, a Organização dos Estados Ibero-Americanos, a União de Nações Sul-Americanas, a Organização dos Estados Americanos, a União Africana e da União Europeia. Com mais de 250 milhões de falantes, a Língua Portuguesa é o sexto idioma mais falado no mundo.

Um dos pontos fundamentais de discussão a respeito do atual acordo ortográfico da Língua Portuguesa é a ideia de que a carência de uma ortografia oficial comum à comunidade lusófona traz, ao mesmo tempo, dificuldades de natureza linguística e política, sob a argumentação de que a existência oficial de uma dupla norma ortográfica da Língua Portuguesa tem sido considerada como largamente prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no mundo.

De fato, até então a Língua Portuguesa era, no Ocidente, o único idioma a registrar oficialmente duas grafias: uma europeia e uma brasileira. As bases da atual ortografia da Língua Portuguesa foram assinadas no dia 16 de dezembro de 1990 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e, posteriormente, por Timor Leste, que constituem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Na ocasião, os representantes dos países firmaram que os signatários do Acordo devem torná-lo lei em seus respectivos países e que caberia à Academia Brasileira de Letras e à Academia das Ciências de Lisboa a publicação de um vocabulário comum da Língua Portuguesa.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa previa a sua entrada em vigor a 1 de janeiro de 1994, mediante a ratificação de todos os membros. Entretanto, por razões várias, o processo de ratificação não ocorreu, adiando a implantação do Acordo. No Brasil, o Acordo foi aprovado em 18 de abril de 1995, pelo Decreto Legislativo nº 54

Em 2004, os chefes de Estado e de governo da CPLP, reunidos em São Tomé e Príncipe, aprovaram um "Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico" que, para além de permitir a adesão de Timor-Leste, decidiu que a manifestação ratificadora de três dos oito países seria suficiente para que ele passasse a vigorar.

Com todo esse percurso, somente no dia 1º de janeiro de 2009, conforme decreto assinado a 29 de setembro de 2008, na Academia Brasileira de Letras, pelo então Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, o Acordo Ortográfico passou a vigorar no Brasil.

Com o Acordo Ortográfico de 1990, estima-se que 1,6% do vocabulário lusitano e de 0,45% do brasileiro sofrerão mudanças, ou modificações, gráficas. As pronúncias típicas de cada país, porém, serão conservadas, o que leva a pensar que, na prática, a unificação proposta pouco modificará o idioma. Na ortografia brasileira, as mudanças correspondem, principalmente, a alguns casos da acentuação gráfica, a algumas simplificações no uso do hífen e a outras no uso obrigatório de letras iniciais maiúsculas; tornando o sistema anterior mais racional, simplificando-o.

Pelo exposto, se há um aspecto positivo a ser destacado sobre o Acordo ortográfico de 1990, certamente é o de não repetir os mesmos erros de tentativas anteriores, logo frustradas. No entanto, há que se ter cautela ao falar de “uniformização da língua” (uniformizar a forma escrita das palavras da Língua Portuguesa nos países em que ela é idioma oficial) como se propõe na reforma ortográfica.

Ainda que o atual sistema ortográfico esteja distante de ser uma reforma que unifique efetivamente a escrita europeia – na qual se baseia, também, os países africanos de expressão portuguesa – e a brasileira, certamente aponta substanciais avanços na perspectiva ortográfica dos sistemas da língua, pois se trata do primeiro acordo, de fato, entre Brasil e Portugal.



Leitura de texto:

A classificação de um sistema de escrita depende fundamentalmente da sua possibilidade de indicar uma lógica de funcionamento que permita atribuir a ele certa regularidade e, portanto, justificar a existência de um sistema, com a complexidade prevista nos seus dispositivos de organização. Assim, dois princípios básicos regem a definição sobre o que um sistema vai prioritariamente registrar: o significado (e seus aspectos mais conceituais) ou o significante (os aspectos mais estruturais, ligados à forma).

No primeiro caso, atua o princípio logográfico ou ideográfico, que registra elementos que permitem associar pensamentos e ideias (ex. os ideogramas chineses) e, no segundo caso, atua o princípio fonográfico, que grafa elementos que remetem aos sons (ex. as letras que representam os fonemas).

sistema de escrita da língua portuguesa segue o princípio fonográfico, o que indica uma relação entre a grafia e os aspectos sonoros. No entanto, os sistemas fonográficos podem diferir em função do elemento sonoro que será privilegiado: a forma gráfica pode registrar uma sílaba (uma escrita fonográfica silábica) ou a forma gráfica pode registrar um fonema (uma escrita fonográfica alfabética).

Há sistemas em que as letras remetem sistematicamente a sílabas e há sistemas em que as letras remetem a fonemas. O português prevê, em sua escrita, uma relação entre letras e fonemas, o que o caracteriza como um sistema alfabético. A definição do funcionamento do sistema alfabético não se esgota nessa relação, principalmente porque não há uma correspondência biunívoca entre letras e fonemas. A arbitrariedade dessas relações manifesta-se em muitos casos e a única forma de dominá-las é a aplicação de convenções apontadas pela ortografia, a forma correta de se grafar, independentemente do princípio que rege o sistema.  

O reconhecimento de um princípio de funcionamento não anula a emergência de diferentes critérios em um mesmo sistema, o que permite identificar a sua natureza sempre heterogênea e híbrida. Quanto mais a grafia de uma palavra é atribuída a sua origem e a sua história (sua etimologia), maior é a manifestação do princípio ideográfico. Um exemplo é a letra “h” no início de palavras. Nesse caso, a referência à cadeia sonora não vai indicar pista alguma para legitimar a escolha da grafia, mesmo quando a escrita está sob a lógica do princípio fonográfico, já que o “h” inicial é mudo.

O contrário também é verdadeiro, pois sistemas ideográficos podem registrar sons. Com esse traço heterogêneo, do ponto de vista do usuário, é preciso, para um uso efetivo do sistema, compreender o princípio que governa o seu funcionamento, mas também reconhecer os seus desvios e as suas marcas de arbitrariedade.

Fonte: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/sistemas-de-escrita


MUDANÇAS E NOVIDADES NA ORTOGRAFIA

Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados

  1. O alfabeto da Língua Portuguesa passa a ser formado por vinte e seis letras. Além das atuais, são oficialmente incorporadas as letras k, w e y1, que nunca deixaram de ser utilizados, apesar de não incluídos, até então, como letras do alfabeto: A (á), B (bê), C (cê), D (dê), E (é), F (efe), G (gê ou guê), H (agá), I (i), J (jota), K (cá), L (ele), M (eme), N (ene), O (ó), P (pê), Q (quê), R (erre), S (esse), T (tê), U (u), V (vê), W (dáblio), X (xis), Y (ípsilon), Z (zê).



  1. No caso de antropônimos de origem hebraica, os dígrafos ch, ph, th podem conservar-se na escrita, por exemplo, Baruch, Loth, Ziph, ou podem ser simplificados, grafando-se Baruc, Lot, Zip. O Acordo aceita as duas formas. Se qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.




  1. As consoantes finais grafadas b, c, d, g e h mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeada­mente antropônimos e topônimos da tradição bíblica; Jacob, Job, Moab, Isaac, David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.




  1. Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.

Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó.

  1. O Acordo recomenda que os topônimos de línguas estrangeiras, quando possível, sejam substituídas por formas p´roprias da língua. quando estas sejam antigas e ainda vivas na Língua Portuguesa, ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente, como ocorre em Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.


Das vogais átonas

  1. Os sufixos -iano e -iense mantém o i nos substantivos e adjetivos derivados, mesmo que as relativas formas primitivas possuam e: acriano, de Acre; saussuriano, de Saussure; torriense, de Torres.




  1. Uniformizam-se com as terminações -io e -ia (átonas), em vez de -eo e -ea, os substantivos que constituem variações, obtidas por ampliação, de outros substantivos terminados em vogal; cúmio (popular), de cume; hástia, de haste; réstia, do antigo reste, véstia, de veste.


Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas


  1. Deixam de ser acentuados os ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas (aquelas cuja sílaba pronunciada com mais intensidade é a penúltima)2. Assim, alcalóide, alcatéia, andróide, apóia, apoio (verbo apoiar), asteróide, bóia, clarabóia, colméia, Coréia, epopéia, estóico, estréia, geléia, heróico, idéia, jibóia, jóia, odisséia, paranóia, paranóico, platéia, passam a ser grafados alcaloide, alcateia, androide apoia, apoio (verbo apoiar), asteroide, boia, claraboia, colmeia, Coreia, epopeia, estoico, estreia, geleia, heroico, ideia, jiboia joia, odisseia, paranoia, paranoico, plateia.




  1. Não se emprega o acento circunflexo nas 3ª pessoas do plural do presente do indicativo, ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus derivados: creem, deem, leem veem, releem3.




  1. Não se emprega o acento circunflexo nas paroxítonas terminadas em oo (hiato): enjoo, voo (substantivo e verbo).4




  1. Não são assinaladas com acento gráfico as palavras homógrafas (mesma grafia, mas significados diferentes). O acento diferencial de intensidade não é mais utilizado em palavras como para (flexão do verbo parar) e para (preposição); pela (do verbo pelar) e pela (união da preposição com o artigo); polo (substantivo) e polo (união antiga e popular de por e lo); pelo (do verbo pelar) e pelo (substantivo); pera (a fruta) e pera (substantivo em desuso que significa pedra), em oposição a pera (preposição arcaica, que significa para).5




  1. A palavra forma / fôrma passa a ter grafia facultativa, podendo, portanto, ser grafada com ou sem o acento diferencial de timbre.

Da acentuação das vogais tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas

  1. Deixam de ser acentuadas as palavras paroxítonas com i e u tônicos que formam hiato (sequência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes) com a vogal anterior quando esta faz parte de um ditongo, como baiúca, bocaiúva, cauíla, feiúra, que passam a ser grafadas baiuca, bocaiuva, cauila, feiura.6



  1. Nas formas verbais rizotônicas (cujo acento tônico recai na raiz), o acento agudo do u tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i (gúe, gúes, gúem, gúi, gúis, qúe, qúes, qúem) deixa de ser utilizado, já que se tratava de uma regra sem apoio fonético, como em em: averigúe, apazigúe e argúem, que passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem; enxague, enxagues, enxaguem, delinques, delinque, delinquem. Tais verbos passam a admitir dupla pronúncia, sendo possíveis, também, formas como averígues, apazígue, apazíguem, apazígues, averígue, averíguem, enxágues, enxágue, enxáguem, delínques, delínque, delínquem.

Do trema

  1. O trema, sinal diacrítico usado em cima do u (ü) para indicar que essa letra, nos grupos que, qui, gue e gui, é pronunciada, deixa de existir na Língua Portuguesa7. Vale lembrar, porém, que a pronúncia continua a mesma. Assim: agüentar, argüir, bilíngüe, cinqüenta, delinqüente, eloqüente,ensangüentado, eqüestre, freqüente, lingüeta, lingüiça, qüinqüênio, sagüi,seqüência, seqüestro, tranqüilo, passam a ser grafados: aguentar, arguir, bilíngue, cinquenta, delinquente, eloquente, ensanguentado, equestre, frequente, lingueta, linguiça, quinquênio, sagui, sequência, sequestro, tranquilo.

Do hífen em compostos, locuções, encadeamentos vocabulares e translineação

O hífen é um sinal diacrítico cuja finalidade é a de ligar os elementos de palavras compostas (guarda-noturno; ex‐governador) e para unir pronomes átonos a verbos (disseram‐me; vê‐lo‐ei). É utilizado, também, na translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em duas partes (bol‐/sa; advoga‐/do).

O atual Acordo ortográfico, diante da má sistematização na ortografia da Língua Portuguesa, procurou organizar o uso do hífen, tornando seu uso mais racional e simples, alterando, inclusive, algumas das regras anteriores.

Quanto à sua aplicação, as observações seguintes consideram as palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos (os chamados falsos prefixos, elementos que possuem seu próprio radical e, portanto, seu próprio sentido), como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice, etc.



  1. Com os prefixos, em geral, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h, como em anti-higiênico, co-herdeiro, macro-história, mini-hotel, proto-história, sobre-humano, super-homem. Entretanto, permanece a regra segundo a qual palavras formadas com os prefixos des, in e re cujo segundo elemento perde o h inicial, como em desabilitar, desabituar, desarmonia, deserdar, desonrar, desumano, inábil, inóspito, inumano, reaver, reidratar, reumanizar, reomenagear.



  1. O hífen é usado quando o prefixo termina por uma letra (vogal ou consoante) e o segundo elemento começa pela mesma letra, como em anti-ibérico, anti-inflamatório, auto-observação, contra-almirante, contra-atacar, contra-ataque, micro-ondas, micro-ônibus, semi--internato, hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, sub-base, sub-bloco, super-reacionário, supra-auricular.




  1. Sempre é utilizado com os prefixos além, aquém, ex, pós, pré, pró, recém, sem e vice, como em além-mar, além -túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor, ex-presidente, pós-graduação, pós-moderno, pré-história, pré-vestibular, pré-fabricado, pró-reitor; recém-casado, recém-nascido, sem-terra, sem-teto, vice-rei.




  1. O hífen deve ser usado com os sufixos ou radicais pospositivos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim, como em acará-açu, tamanduá-açu, sabiá-guaçu, anajá-mirim, Guapi-mirim.




  1. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que, ao se combinarem, formam encadeamentos vocabulares, como ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo, rodovia Rio-Santos.




  1. Em certas palavras que perderam a noção de composição não se usa o hífen, como em girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, pontapé.




  1. Se na translineação a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte, como em:

O diretor do colégio recebeu os ex-

-alunos em sua sala.

  1. Escreve-se sem hífen as locuções à toa (adjetivo ou advérbio), (substantivo e advérbio), dia a dia (substantivo e advérbio) e arco e flecha.

SÍNTESE DO USO DO HÍFEN

EMPREGA-SE O HÍFEN QUANDO

O primeiro elemento é

O segundo elemento é

Exemplos

Exceções

Prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal (aero, agro, alfa, ante, anti, arqui, auto, beta, bi, bio, contra, di, eletro, entre, extra, foto, gama, geo, giga, hetero, hidro, hipo, homo, infra, intra, iso, lacto, lipo, macro, maxi, mega, meso, micro, mini, mono, morfo, multi, nefro, neo, neuro, paleo, peri, pluri, poli, proto, pseudo, psico, retro, semi, sobre, supra, tele, tetra, tri, ultra etc.)

iniciado por h ou por vogal igual à do final do primeiro elemento.

anti-higiênico, neo-helênico, semi-interno, auto-observação

O prefixo co sempre se aglutina ao segundo elemento.

Não ocorre hífen se o primeiro elemento for des- ou in-. Exemplo: desumano.



Prefixo que termina em r (hiper, inter, super)

iniciado por h ou r.

hiper-requintado, super-homem




Prefixo terminado em b (ab, ob, sob, sub)

iniciado por h, b ou r.

ab-rupto, sub-reptício




Prefixo terminado em d (ad)

iniciado por h, d ou r.

ad-renal, ad-rogar




Prefixos circum e pan

iniciado por vogal, h, m ou n.

circum-navegação

Pan diante de b e p passa a pam.

Circum aceita formas aglutinadas como circu e circun. Exemplos: circumurar, circunavegar

Prefixo co

iniciado por h.







Prefixos além, ântero, aquém, ex (= condição anterior), pós, pré, pró, recém, sem, sota, soto, supero, vice- e vizo-

qualquer elemento

ex-professor, vice-diretor, pré-vestibular

As formas átonas pos, pre e pro sempre se aglutinam ao segundo elemento. Exemplo: predestinado.

Elemento terminado por vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia o exige

sufixos açu, guaçu e mirim

teiú-açu, Pará-guaçu, Ceará-Mirim




Verbo

pronome pessoal do caso oblíquo átono

amá-lo(s), pedir-lhe(s)

Nos futuros do indicativo, admite-se a mesóclise, em que o pronome fica entre o tema e a desinência, separado por hifens. Exemplos: amá-lo-ei, amá-las-íeis.

Do apóstrofo

São os seguintes os casos de emprego do apóstrofo:


  1. Separar graficamente uma contração ou aglutinação vocabular, quando um elemento ou fração respetiva pertence propriamente a um conjunto vocabular distinto: d'Os Lusíadas, d'Os Sertões; n 'Os Lusíadas, n 'Os Sertões; pel' Os Lusíadas, pel' Os Sertões. Também é correto o uso da forma sem contração: de Os Lusíadas, em Os Lusíadas, por Os Lusíadas, etc.




  1. Separar graficamente uma contração ou aglutinação vocabular, quando um elemento ou fração respetiva é forma pronominal e se lhe quer dar realce com o uso de maiúscula: d'Ele, n'Ele, d'Aquele, n'Aquele, d'O, n'O, pel'O, m'O, t'O, lh'O, casos em que a segunda parte, forma masculina, é aplicável a Deus, a Jesus, etc.; d'Ela, n'Ela, d'Aquela, n'Aquela, d'A, n'A, pel'A, tu'A, t'A, lh'A, casos em que a segunda parte, forma feminina, é aplicável à mãe de Jesus, à Providência, etc. Exemplos frásicos: confiamos n'O que nos salvou; esse milagre revelou-m'O; está n'Ela a nossa esperança; pugnemos pel'A que é nossa padroeira.




  1. Marcar a elisão das vogais finais o e a: Sant'Ana, Sant'Iago, etc. É, pois, correto escrever: Calçada de Sant'Ana. Rua de Sant'Ana; culto de Sant'Iago, Ordem de Sant'Iago. Se essas ligações se tornam unidades mórficas, aglutinam-se os dois elementos; ilha de Santiago (santo = Tiago). Da mesma forma, nos nomes próprios de pessoas, quando se elide um o final do primeiro elemento, usa-se o apóstrofo: Pedr’Álvares. Em todos esses casos, são obviamente corretas também as grafias sem o uso do apóstrofo: Santa Ana, Pedro Álvares.

Das maiúsculas e das minúsculas

  1. Emprega-se letra minúscula inicial:

  1. Nos usos correntes de todos os vocábulos da língua.

  2. Nos nomes de dias, meses, estações do ano.

  3. Nas palavras fulano, sicrano, beltrano.

  4. Nos pontos cardeais mas não em suas abreviaturas.

  5. Na forma cortês de tratamento ou expressão de reverência (axiônimo) e na designação comum aos nomes sagrados e aos nomes próprios referentes a crenças religiosas (hagiônimos), casos em que é facultativo o emprego de maiúscula: senhor doutor Joaquim da Silva, Senhor Doutor Joaquim da Silva; santa Filomena, Santa Filomena8.



  1. Nos nomes próprios que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (sendo facultativo o uso de maiúscula): português ou Português.



1 As letras k, w e y são empregadas em algumas situações especiais, como já ocorre atualmente, nos seguintes exemplos:

a. Em antropônimos (nomes próprios de pessoas) e seus derivados, como Franklin, frankliniano, Darwin, darwinismo, Wagner, wagneriano, Taylor, taylorista, Byron, byroniano.

b. Em topônimos (nomes próprios de lugares) originários de outras línguas e seus derivados, como Kuwait, kuwaitiano, Malawi, malawiano, Washington, Yokohama, Kiev.

c. Em símbolos, abreviaturas, siglas e palavras adotadas como unidades


de medida internacionais, como km (quilômetro), K (potássio), W (watt), www (sigla de world wide web, expressão que é sinônimo para a rede mundial de computadores).

d. Em palavras estrangeiras incorporadas à língua, como sexy, show, download, megabyte. playground, windsurf, kung-fu, yin, yang,



2 Entretanto, receberá acento gráfico a palavra que, mesmo incluída neste caso, se enquadrar em regra de acentuação, como ocorre com destróier, Méier, já que toda palavra paroxítona terminada em -r é acentuada.

s oxítonas (palavras com acento na última sílaba) terminadas em éi, éu e ói continuam com o acento (no singular e/ou no plural), como herói(s), chapéu(s), anéis, dói, céu.



3


 É importante não confundir com as formas da 3ª pessoa do plural dos verbos ter, manter, reter etc., estes conservam o acento: (eles) têm, mantêm, retêm, etc.

4


 Importante ressaltar que palavras como herôon (monumento funerário que era erguido na Grécia antiga para homenagear um herói) continuam acentuadas, porque são paroxítonas terminadas em -on.

5 Em pôde (pretérito perfeito do indicativo) / pode (presente do indicativo), permanece o acento diferencial de timbre, bem como permanece o acento diferencial de intensidade em pôr (verbo) / por (preposição).


6 No entanto, as letras i e u continuam a ser acentuadas se formarem hiato, mas estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de s, como em baú, baús, saída. No caso das palavras oxítonas, nas mesmas condições, o acento permanece, como em tuiuiú, Piauí.

7 No entanto, o trema é mantido em nomes próprios de origem estrangeira, bem como em seus derivados, como Bündchen, Michaëllis, Müller, mülleriano. Seu uso permanece, também, em textos nos quais o autor quer marcar estilisticamente a pronúncia da respectiva vogal.

8 Após o primeiro elemento, que é em maiúscula, os demais vocábulos da mesma indicação bibliográfica escrevem-se opcionalmente com maiúscula, exceto se forem nomes próprios: Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Memórias póstumas de Brás Cubas. A indicação bibliográfica vem em itálico.





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