Discurso do Dep



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Encontro15.12.2017
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Discurso do Dep. Carlos Alberto Leréia pronunciado no dia / / 2007 a respeito da tradicional Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis, Santa Cruz de Goiás, Jaraguá, Posse, São Francisco, Corumbá, Palmeiras de Goiás, Formosa, Luziânia e outras.

Senhor Presidente, Senhores e Senhoras Deputadas,
Todos os anos no período de Pentecostes, normalmente maio ou junho comemora-se, em Pirenópolis, a tradicional Festa do Divino Espírito Santo, reconhecida como uma das mais significativas cavalhadas do Brasil, esta festa virou símbolo e modelo para outras cidades. Nesse ano de 2007 a festa estende-se de 11 a 29 de maio. Em Goiás a Cavalhada é praticada também em outras importantes cidades: Santa Cruz de Goiás, Jaraguá, Posse, São Francisco, Corumbá e Palmeiras de Goiás, Formosa Luziânia, e outras.

A pompa, a garbosidade e a seriedade desta manifestação envolve toda a população que espera ansiosamente por este momento. Por isso gostaria de convidar meus colegas parlamentares e cidadão em geral a conhecer um pouco mais sobre as origens do evento, bem como suas implicações culturais e econômicas no cenário do turismo goiano.

Incorporada ao folclore, durante séculos, a história de Carlos Magno era atração nas vozes dos trovadores e, somente em idos do século XIII, em Portugal, é que resolveu instituí-la como uma festividade, aos modos de uma representação dramática, quase que como um jogo de xadrez, a fim de incentivar a instituição cristã e o repúdio aos mouros. Num grande campo de batalha, onde de um lado, o lado do poente, 12 cavaleiros cristãos vestidos de azul, a cor do cristianismo, lutam contra 12 cavaleiros mouros vestidos de vermelho, encastelados no lado do sol nascente.

Por todo o Brasil encontramos as Cavalhadas sendo representada, em diferentes épocas, prova de que esta manifestação folclórica nada tem a ver, de origem, com a Festa do Divino ou a Pentecostes, como é no caso de Pirenópolis.

Introduzida em Pirenópolis em 1826, pelo Padre Manuel Amâncio da Luz, como um espetáculo chamado de "O Batalhão de Carlos Magno". Pirenópolis manteve forte esta tradição, primeiramente porque os primeiros colonizadores eram, em sua maioria, portugueses oriundos do norte de Portugal, local onde mais se resistiu à invasão moura, segundo porque o caráter centralizador da população dominante viu com bons olhos o efeito separatista entre as classes sociais. Porém, o que mais motiva a população a manter viva a infindável rixa entre muçulmanos e cristãos é a beleza do espetáculo e o prazer pela montaria.

Em São Francisco de Goiás, especificamente, as Cavalhadas são realizadas juntamente com os festejos da Festa do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário. Os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo existem em praticamente todos os municípios goianos do ciclo do ouro (Sec. XVIII) e se destacam sobre todos os demais pela conservação de seus traços que são mantidos desde a sua origem até os dias de hoje de forma quase intacta.

A Cavalhada de Pirenópolis, considerada uma das mais expressivas do Brasil, é um longo ritual de três dias seguidos, cujos preparativos começam uma quinzena antes, no início da Festa do Divino, que é marcada pela saída da Folia. Durante uma semana os cavaleiros se reúnem num campo, que não é o oficial, para ensaios das corridas que vão executar nos três dias do evento. Nestes dias, às quatro horas da manhã, a Banda de Couros, formada por um saxofonista seguido de vários meninos empunhando rústicos tambores de couro, executando cantigas melodiosas, percorrem a cidade a pé avisando a população, e principalmente os cavaleiros, que é chegada a hora de se levantar, arriar os cavalos e dirigir-se ao ensaio. Primeiro, parte de sua residência o último cavaleiro dos doze de cada exército e, seguindo uma hierarquia, vão de casa em casa, agrupando o resto da tropa, até que, por último junta-se a tropa, o Rei.

A hierarquia dos exércitos da Cavalhadas segue, tanto para os cristãos como para os mouros, a seguinte ordem: dos doze cavaleiros, temos no mais alto posto o Rei, abaixo deste temos o Embaixador e seguindo abaixo os dez restantes cavaleiros. O último cavaleiro só subirá de posto se houver morte ou desistência de algum outro acima, o mesmo acontece com o Embaixador, que só tornar-se-á Rei se o próprio Rei morrer ou desistir. Depois de reunido os dois exércitos, estes seguem em fila hierárquica, com o Rei a frente para a casa de um cidadão que se prontificou a lhes fornecer, por cortesia e respeito, o desjejum matinal, chamado de "Farofa". Neste vai e vem de cavaleiros cavalgando pelas ruas da cidade, não podem os cavaleiros cristãos se encontrarem com os mouros, a não ser na ocasião da Farofa e posteriormente no ensaio. Na Farofa é servido café, biscoitos, sucos, refrigerantes, bebidas alcoólicas e a "Farofa" propriamente dita, iguaria derivada das antigas tropas que vazavam os sertões, composta de farinha de mandioca e carnes secas. Os cavaleiros, nesta ocasião, rezam em grupo e dançam a Catira, uma dança folclórica onde se enfileiram frente a frente os 24 cavaleiros e, embalados por violas, pandeiros e canções, batem palmas e pés no ritmo cadenciado e típico. Após o agradecimento, que é feito em forma de cantilenas, ao dono da casa que ofereceu a Farofa, partem para o campo de ensaio

A Festa das Cavalhadas, propriamente dita, inicia-se neste ano no domingo próximo às 13:00 horas no campo oficial construído para este fim. Rodeando o Campo são erguidos camarotes rústicos feitos de paus e telhados de palha, semelhantes às palafitas. Aqueles que tem posses compram os camarotes e a população assiste o espetáculo de pé, abaixo destes, ou numa pequena arquibancada de tábuas. Ambulantes vendem lanches, churrasquinhos, refrigerantes e cervejas no meio da população. Os camarotes mais bem localizados são os oficiais que abrigam as autoridades civis e a Banda de Música.

Na abertura solene das Cavalhadas ingressa no campo todos os grupos folclóricos da Festa do Divino que fazem sua própria apresentação: Catireiros, Congados, Pastorinhas, Dança de Fitas, Banda de Couros, a Banda de Música Phoenix e os Cavaleiros Mascarados. Um dos momentos mais emocionantes da abertura é a evocação ao Divino sob execução do Hino do Divino pela Banda de Música. Toda a população fica de pé com chapéus na mão. No campo, voltados para os camarotes oficiais, os grupos folclóricos formam blocos à frente dos mascarados que sustentam-se em pé sob o dorso de seus cavalos.

É interessante notar que a atração pelos Mascarados é tão grande quanto pelos cavaleiros mouros e cristãos. Conhecidos também como "Curucucús", por causa do som que emitem, são pessoas que se vestem com máscaras, roupas coloridas, luvas e botas. Mudam a voz ao falar e cobrem todo o corpo para que ninguém os reconheçam. Enfeitam seus cavalos com fitas, tecidos, plantas e tudo quanto a criatividade mandar.

Não se sabe a origem destes personagem, que são encontrados em todas as cavalhadas do Brasil com diversas diferenças entre as cidades. Eles se fundem com os cristãos e mouros num "trinômio perfeito". Representam o papel do povo e daqueles que não tem acesso a pompa dos cavaleiros, que representam socialmente a elite e o poder. São irônicos e debochados, fazendo críticas aos poderosos e ao sistema. E, ao contrário da rigidez dos Cavaleiros, entre os Mascarados não há regras, tudo é permitido, menos mostrar sua identidade. Podemos considerar os Mascarados uma reação bem humorada àquele caráter centralizador da população dominante que viu com bons olhos o efeito separatista entre as classes sociais presente nas cavalhadas.

Durante a Festa do Divino Espírito Santo é também tradição em Pirenópolis a encenação das Pastorinhas, trazida pelo telegrafista nordestino Alonso Machado, é um auto natalino bastante difundido no nordeste onde é conhecido como Pastoril. Trata-se de uma peça teatral cantada, tipo opereta, que relata a anunciação do nascimento de Jesus.

Apesar de ser uma peça natalina, em Pirenópolis, desde o primeiro ano de apresentação, em 1922, As Pastorinhas, ou A Jornada do Natal, como também é conhecida, sempre foi mostrada durante a Festa do Divino. E assim ficou até os dias de hoje, tornando-se tradição a sua apresentação nessa data.

Existem, hoje, duas pastorinhas, a infantil, representada por crianças de idade de 10 a 12 anos e a juvenil, de meninas de 15 anos ou mais. A mais tradicional é "As Pastorinhas - juvenil". Para a população local, é um feito social de grande importância para uma menina de 15 anos, sair na "As Pastorinhas", algo como um "debut".

Alguns elementos são típicos de Pirenópolis, como por exemplo, os símbolos da Fé, Esperança e Caridade, representados por meninas menores de 10 anos, que cantam lindamente. Estes símbolos foram introduzidos pelo Maestro Proprício de Pina em 1923, que foi o primeiro regente e quem obteve junto ao telegrafista os originais. Também as roupas, assim como as músicas sofreram grandes adaptações. Conta-se, pela história oral, que as primeiras Pastorinhas, chegavam a durar mais de 4 horas e tinham diversos atos. Hoje a peça não passa de 2 horas.

Na década de 80, Aspásia de Pina Jayme, descendente do Maestro Propício, começou um grupo infantil de pastorinhas como uma brincadeira de fundo de quintal entre sobrinhos e amigos. Começava assim "As Pastorinhas - Infantil", que é encenada, até os dias de hoje, no período do Natal.

Como forma de registro gostaria de salientar que Pirenópolis, cidade tombada como patrimônio histórico e cultural, cercada pela belíssima Serra dos Pireneus com suas cachoeiras e vegetação exuberante preserva suas origens e cultura mas mantém um olho voltado para o futuro. Assim como seus pioneiros que editaram o primeiro jornal do Estado de Goiás, Pirenópolis desponta novamente na área das comunicações sendo contemplada com uma das primeiras redes gratuitas de Internet via rede elétrica do Brasil!



Batizado como Vila Digital, o projeto vai custar aos cofres públicos R$ 1,2 milhão e terá duração de dois anos. Pirenópolis já aguarda a realização dos primeiros testes de tráfego de dados pela internet em alta velocidade via rede elétrica.

De olho nas possíveis necessidades de adequação, a Celg - que já foi a responsável pela adequação da fiação elétrica subterrânea com o objetivo de resgatar um pouco da história da cidade - recentemente inaugurou, em uma casa histórica restaurada por ela, um novo centro de atendimento aos clientes. Estiveram presentes na inauguração o presidente da Celg, Enio Branco e o ex-presidente da CELG, André Luiz Rocha, o prefeito Rogério Abreu Figueiredo acompanhado pela primeira dama Lúcia Figueiredo, o delegado regional de Cultura, Pompeo C. de Pina, o Sr. Luiz Siqueira, importante liderança local, o Secretario de Turismo Beto Rego, dentre outros secretários e políticos regionais.

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