Do caso excepcional à percepçÃo da série: análise do álbum fotográfico do jardim da infância da escola caetano de campos-sp



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DO CASO EXCEPCIONAL À PERCEPÇÃO DA SÉRIE: ANÁLISE DO ÁLBUM FOTOGRÁFICO DO JARDIM DA INFÂNCIA DA ESCOLA CAETANO DE CAMPOS-SP

Autora: Rachel Duarte Abdala


Doutoranda da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

Docente da Universidade de Taubaté

Pesquisadora do núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em História da Educação-NIEPHE/USP
E-mail: rachel.abdala@uol.com.br
Palavras-chave: álbum fotográfico, Jardim de Infância, Escola Caetano de Campos

Abrindo o álbum

Ao analisar a série composta pelos 23 álbuns fotográficos do acervo do Arquivo da Escola Caetano de Campos (AECC), do Centro de Referência em Educação Mário Covas, perceberam-se recorrências e a potencialidade de refletir, a partir desse significativo conjunto documental, sobre a especificidade do álbum fotográfico e da série de elementos que o compõem. Além dessa questão, pretendeu-se estudar um objeto que, devido à sua composição fundamentalmente artesanal e às práticas artísticas pedagógicas empregadas em sua realização, destaca-se do conjunto: o Álbum do Jardim da Infância. Além disso, suscita questões que ultrapassam sua materialidade e incidem sobre suas condições de produção e a própria cultura escolar.

Portanto, com base nas proposições de E. P. Thompson, de marcar o conhecimento do particular, e das proposições de Carlo Ginzburg acerca da micro-história e da relação entre série e documento excepcional, pretendeu-se desenvolver uma análise do objeto e da própria condição de série que caracteriza um álbum fotográfico.

Ademais, ao se analisar aspectos materiais e compositivos desses documentos, verifica-se que constituem fontes para investigação acerca do modelo paulista de educação entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX – sua representação e memória. Essa analise possibilita, também, vislumbres de seus pressupostos e contornos, bem como de seu funcionamento.

Apesar de ter sido criada em 1846, a partir das determinações do Ato Adicional de 12 de agosto de 1834, que conferia às províncias a atribuição de legislar sobre a instrução pública, inclusive criando estabelecimentos próprios para tal fim, a Escola Normal da Capital passou a ter notoriedade a partir de 1894, com a construção do novo prédio.

Inicialmente, a escola foi instalada em um prédio junto à Catedral do Largo da Sé. Como é freqüente em trajetórias de longa duração, como a dessa instituição educacional, e devido ao fato de sua instauração ter sido concomitante à organização do sistema educacional paulista e brasileiro, intensificada após a proclamação da República, mudou de localização e de nome em vários momentos de sua história, chegando até a ser extinta por duas vezes.

Instituída como Escola Modelo, após o advento da República e a realização de uma ampla reforma educacional na qual estava envolvido Caetano de Campos, que após sua morte passou a nomear a escola, representava os ideais republicanos. Como Escola Modelo, deveria ser o paradigma a ser seguido pelas outras escolas públicas, sendo considerada a base da reforma da instrução pública em São Paulo e uma referência pedagógica para todo o Estado. Nela foram incorporadas muitas das inovações que passariam a vigorar nas escolas públicas primárias, em especial nos grupos escolares.

Proclamada a República, a escola foi, no Estado de São Paulo, o emblema da instauração da nova ordem, o sinal da diferença que se pretendia instituir [...] como signo da instauração da nova ordem, a escola devia fazer ver. Daí a importância das cerimônias inaugurais dos edifícios escolares.1

Desse modo, em 1894, cinco anos após a proclamação da República, a Escola Normal de São Paulo foi instalada em edifício especialmente construído para sediá-la, na Praça da República. O prédio, projetado por Antônio Francisco de Paula Sousa e Ramos de Azevedo, assumiu função monumental, como símbolo do novo regime.

Em 1895, após um ano de instalação no novo prédio situado na Praça da República, investiu-se na realização de um álbum fotográfico que consolidasse em imagem o aspecto modelar da escola. Posto em circulação, o álbum apresentava o olhar oficial sobre a instituição. Numa perspectiva comparativa, foi realizado um segundo álbum fotográfico com a mesma lógica, em 1908. Percebe-se, portanto, o cuidado atribuído ao tratamento da imagem da Escola Caetano de Campos.

A simetria do edifício da escola, no formato da letra E, pode ser atribuída à divisão em duas alas destinadas aos dois diferentes sexos: a ala leste era feminina e a ala oeste, masculina. O jardim de infância funcionava em um prédio independente, demolido em 1939 para a ampliação da Avenida São Luís. Como a instalação do Jardim da Infância da Escola Caetano de Campos, o primeiro jardim de infância estadual, criado pelo Decreto nº. 342, de 3 de março de 1896, ocorreu após dois anos da construção do prédio principal da escola, deduz-se que a construção do prédio que o abrigou foi posterior, entretanto não foi possível precisar a data.

Na década de 1930, Fernando de Azevedo realizou uma reforma de ensino que incluía a reorganização do ensino normal. No âmbito dessa reforma, em 1933, a Escola Normal de São Paulo passou a ser denominada de Instituto de Educação, e o ensino normal foi alçado ao nível de ensino superior, até 1938, quando a Escola Caetano de Campos voltou a ser escola de nível secundário.

Analisando álbuns como séries

O Acervo Histórico da Escola Caetano de Campos encontra-se, desde o ano 2000, sob a guarda da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, à qual vincula-se o Centro de Referência em Memória da Educação Mário Covas (CREMC), localizado no Centro de Capacitação de Educadores Prof. André Franco Montoro, em são Paulo.

Este acervo é composto de significativo conjunto de documentos, considerando-se sua quantidade e diversificação. Cronologicamente, compreende aproximadamente o período entre o final do século XIX e o final da década de 1970. Engloba jornais, livros de registros, revistas educacionais, álbuns fotográficos, fotos avulsas, livros, objetos escolares, móveis, material didático, entre outros itens.

Especificamente com relação ao acervo fotográfico, o AECC é composto de significativa quantidade de fotografias. Esse aspecto por si mesmo já seria impressionante e suficiente para subsidiar muitas e diversificadas pesquisas acerca da escola pública e, inclusive, sobre o sistema educacional no Estado de São Paulo no final do século XIX e início do século XX. Entretanto, o acervo também impressiona pela peculiaridade do seu conteúdo.

Em inventário realizado pelo CREMC, verifica-se que o acervo fotográfico da Escola Caetano de Campos compreende 23 (vinte e três) álbuns e 19 (dezenove) caixas com fotos avulsas. As fotos avulsas, justamente por não estarem na composição de álbuns, com frequência não apresentam identificação da data, local e ocasião. Essa ausência de identificação dificulta sobremaneira sua utilização como fonte documental.

Assim, entre outros aspectos, a organização das fotografias sob o formato de álbum viabiliza os princípios arquivísticos e os princípios elementares de análise documental apontados, no caso específico da fotografia, por Boris Kossoy (2001), pois, invariavelmente, ainda que haja a ausência de determinados dados identificatórios, eles estão mais presentes do que no caso das fotos avulsas.

O acervo fotográfico é composto por fotos referentes a toda a trajetória da Escola Caetano de Campos em suas diferentes fases, com suas diferentes denominações; no entanto, os registros fotográficos tornam-se mais abundantes a partir de 1894, ano em que foi construído o prédio na Praça da República.

Com relação à gama de temas abordados nos registros fotográficos do AECC, é possível encontrar todo tipo de tema envolvendo a cultura escolar: aspectos do cotidiano escolar, da infra-estrutura, de práticas educacionais, das solenidades de formatura, de grupos de alunos e de professores, de eventos cívicos e religiosos, de eventos da própria escola, de efemérides, etc. Esses registros apresentam indícios das práticas educacionais e de sua relação com o espaço escolar, pois há várias fotos do prédio, em suas reformas e alterações sofridas nos anos de funcionamento da instituição, além de fotos de alunos, profissionais da educação, autoridades e membros da sociedade. Desse modo, ressalta-se que esse acervo viabiliza muitas possibilidades de pesquisa e de análise, e a apresentada neste estudo é apenas uma delas.

Na série dos álbuns fotográficos destaca-se o Álbum fotográfico da Escola Normal, de 1895, composto por fotos que retratam aspectos da arquitetura do prédio da escola, suas instalações e conjuntos de seus docentes e discentes. O Álbum de fotografias da Escola Normal e Anexas de São Paulo, de 1908, compõe, com o álbum de 1895, um conjunto comparativo. Ambos parecem ter sido encomendados especialmente com o fim de enaltecer e dar visibilidade às instalações e as práticas educacionais da escola. No álbum de 1908, as fotos, registram as práticas escolares e situações de ensino, tais como aulas, na área interna e externa da escola, de: ginástica, música, costura, desenho, leitura, aritmética, marcenaria, cerâmica.

Ao analisar essas condições (conteúdo dos registros fotográficos, relação entre os dois álbuns, condições de produção e características materiais) desses dois álbuns, percebem-se indícios de que sua constituição tenha sido motivada pela intenção de, ao mesmo tempo, valorizar os aspectos da infraestrutura da escola e reforçar seu lugar como referência educacional após a sua reabertura.



Analisando-se o conjunto do acervo do AECC, verifica-se que a maioria dos álbuns é de “professorandos”, ou seja, álbuns de formatura, tanto da Escola Normal quanto do Ensino Secundário.

O álbum é um tipo de documento que se caracteriza primordialmente pela sua completude e pela sua lógica organizacional. Compõe uma narrativa sobre determinado assunto. Articula imagens e textos. Os textos apresentam-se sob a forma de legendas (identificatórias e/ou interpretativas), textos de apresentação e textos de acompanhamento.

De acordo com Armando Silva (2008), o álbum assume ao mesmo tempo a função de arquivo, pois é uma forma de guardar as fotografias, e a de contar histórias, porque tem uma “vocação narrativa”. Há, pois, diferença entre guardar e classificar. Os álbuns têm uma ordem. O autor estabelece condições para que o álbum exista: o sujeito representado (a escola e seus atores); o meio visual de registro (a foto) e a técnica de arquivo (o álbum). Para o autor, quando se cumprem essas condições já se está narrando. Acrescenta-se que, além da narrativa, esses pré-requisitos também estabelecem uma série documental.

A materialidade revela os princípios de organicidade que, por sua vez, revelam aspectos específicos da cultura escolar. Além disso, a materialidade engloba dimensões internas que ultrapassam a concretude do álbum fotográfico. Como exemplo da dimensão externa, podem-se apontar a forma de composição do álbum e seus realizadores.

A materialidade geralmente acompanha o contexto no qual o álbum foi produzido. Observa-se que, no caso do AECC, o álbum do Jardim de Infância destaca-se justamente por essa peculiaridade, pois foi composto a partir de elementos típicos do jardim de infância e de suas práticas pedagógicas.

Observa-se que há um certo padrão na organicidade dos álbuns fotográficos escolares e, nessa série em especial, é possível distinguir dois grupos: os produzidos na escola de modo amador e artesanal e os produzidos de acordo com técnicas e materiais profissionais. Entretanto, todos compõem uma ordem narrativa clara. Com base no reconhecimento do padrão, como formulou Thompson (2001), o que muda é a experiência de homens e mulheres existentes e atuantes num determinado contexto histórico. Thompson (1998) avalia que, embora o imperativo metodológico hoje seja o de quantificar, as complexidades das relações pessoais são especialmente resistentes a essa prática. No âmbito da investigação sobre práticas escolares ou cultura escolar, esbarra-se nessa mesma resistência.

A iniciativa de compor álbuns fotográficos revela forte intenção e preocupação dos envolvidos com a preservação da memória institucional.

De acordo com o princípio de produção, há duas possibilidades que são aplicáveis e verificáveis no que se refere aos álbuns fotográficos da ECC: produzidos profissionalmente, por encomenda, ou produzidos artesanalmente no âmbito da própria escola.

No caso dos álbuns de formatura, percebe-se claramente sua característica profissional. Indícios como a impressão das legendas, das inscrições na capa e das molduras das fotos revelam que os álbuns não eram resultado de um trabalho amador, mas sim de um trabalho altamente especializado.

No que se refere aos álbuns produzidos artesanalmente no âmbito da escola, possivelmente pelas próprias professoras e outros servidores, interroga-se acerca das condições de sua produção e das motivações que a nortearam.

“Fazer a História”, como assevera Michel de Certeau, implica, como nesse caso, produzir registros (escritas) ideologicamente norteados. Portanto, um álbum assume uma função escrituraria na medida em que produz um discurso acerca da escola.

No objeto que foi selecionado para esta análise, o Álbum do Jardim da Infância, verifica-se uma ordem lógica e objetiva, característica do sentido narrativo peculiar aos álbuns fotográficos como gêneros de “escrita” da História. Há uma apresentação bem definida, composta pela capa.

Na obra A escrita da História, Michel de Certeau (2006) reflete acerca da função da escrita. Para ele, a escrita configura-se como um discurso de separação entre o passado e o presente. O corte é o postulado da interpretação, que se constrói a partir de um presente e seu objeto, cujas divisões organizam as representações a serem reinterpretadas. O corte, para ele, é voluntarista, pois se fundamenta numa triagem “entre o que pode ser ‘compreendido’ e o que deve ser esquecido para obter a representação de uma inteligibilidade presente” (p. 16). Assim, ao analisar a composição dos álbuns fotográficos à luz desse enfoque, percebe-se que, apesar da pretensa objetividade do registro fotográfico assumido como “prova” do real e da ordem estabelecida nos álbuns cronológica e objetivamente ordenados, pautada nas identificações precisas, houve uma triagem, uma escolha dos elementos que deveriam estar presentes na composição do álbum. Embora seja difícil rastrear os elementos que eventualmente foram excluídos da seleção, é patente que houve uma organização do material “bruto”. Há a constituição de um modus operandi que fabrica ‘cenários’ suscetíveis de organizar práticas num discurso hoje inteligível – aquilo que é propriamente “fazer história”.2



Além disso, a própria experiência de produzir os álbuns pode ser considerada como uma operação de fazer história, pois há a intenção de registrar os fatos.

Thompson (2001) afirma que a produção é pautada pelo recorte de classes. No tocante aos álbuns a sua produção fundamenta-se na hierarquia, pois, ainda que em alguns casos haja a participação direta dos alunos, ela é orientada pelos professores ou outros profissionais da educação, como bibliotecários.

Outra experiência com a composição de séries no âmbito da Escola Caetano de Campos são os chamados Dossiês Temáticos, confeccionados durante anos pelos alunos sob a orientação da bibliotecária Iracema da Silveira. A motivação para sua produção parece ter sido o objetivo de auxiliar os alunos na realização das pesquisas escolares requeridas pelos professores. São centenas de dossiês separados por temas e acondicionados em pastas numeradas que são guardadas em caixas no espaço hoje reservado ao acervo da biblioteca no AECC.

Com relação ao princípio de proveniência dos álbuns que compõem o acervo, há a doação, como no caso do álbum de Professorandos do curso Secundário de 1911, no qual há um retrato em destaque da professoranda Judith Roxo Guimarães, o que pode significar que era um álbum particular da aluna, comprado por ocasião de sua formatura e doado posteriormente à escola ou seu acervo. Outro caso que pode ser citado com essas características é o do Álbum professorandos do Instituto Pedagógico Caetano de Campos, que foi doado por Zilda de Almeida Donadio, prima-irmã da formanda Georgina Delburque.

Desde o início da prática de registros fotográficos das solenidades de formatura há o oferecimento direto aos interessados pelas fotos, ou seja, os alunos e seus familiares. Não era, e ainda não é comum, a escola encomendar ou manter álbuns das formaturas. Esses álbuns, geralmente revestidos de características rituais e pomposas, que determinam o preço dos materiais e dos recursos empregados para sua consecução: a capa, as legendas internas e as molduras das fotos impressas nas páginas, geralmente separadas por papel de seda.

Esse tipo de álbum também obedece a uma determinada ordem particular. Frequentemente apresenta uma página de rosto seguida dos retratos dos responsáveis pela administração da escola: diretor, diretor geral, vice-diretor, inspetor, secretário. A ordem e os elementos constitutivos dessa primeira parte variam de acordo com o período. Há momentos em que não há determinados cargos, como o de vice-diretor, ou que os cargos têm diferentes denominações; nesses casos, os álbuns seguem as denominações e a estrutura administrativa vigentes no momento de sua produção. Além disso, há períodos nos quais há, na parte inicial do álbum, os retratos em destaque do patrono da Escola, Caetano de Campos, e do paraninfo da turma. Em seguida, os retratos dos professores. Em destaque, geralmente o retrato do formando dono do álbum. Na seqüência, o retrato de todos os formandos, compondo vários retratos por página. Na legenda, o nome dos formandos e seus respectivos locais de origem. Normalmente segue a ordem alfabética; no entanto, em alguns casos segue outro tipo de organização.

Há ainda os álbuns que foram produzidos no âmbito da própria escola, com o objetivo de ali permanecer como registro de sua história, com a função de arquivo e de salvaguarda dos fragmentos de sua memória.

Os álbuns não são todos iguais na organização nem completados por idênticas motivações, o que torna importante averiguar tanto os diferentes motivos de seus relatos quanto a variedade de arquivos e condições [...] O arquivo é sempre uma maneira de guardar e hierarquizar que depende de quem o organiza, como é natural, mas também do objeto que será arquivado e de sua tradição.3

Comprado em papelarias ou confeccionado em páginas avulsas posteriormente encadernadas, o álbum apresenta “tábuas brancas” nas quais serão inscritas memórias, impressões, objetos, imagens, de acordo com o olhar de quem o produz, com o objetivo de sua produção e as escolhas concretizadas na sua organização. Originalmente, album é um termo latino: denominava as tábuas nas quais eram impressas as decisões dos pretores, a lista dos senadores, etc.

Como exemplo dessas características pode-se apontar o Álbum de Comemoração do IV Centenário de São Paulo. Notadamente, a comemoração do IV Centenário da fundação da cidade de São Paulo, em 1954, teve a participação direta de vários setores da sociedade. A Escola Caetano de Campos esteve presente nos desfiles pelas ruas da cidade, em solenidades organizadas em seu próprio prédio e em praças. Esses momentos históricos foram registrados fotograficamente e organizados em um álbum artesanalmente produzido, pois suas legendas são escritas à mão, e as fotos, coladas em suas páginas e margeadas por molduras desenhadas.

É possível destacar também o Álbum da Biblioteca Infantil, composto por 51 registros fotográficos da trajetória histórica da biblioteca da Escola Caetano de Campos no período de 1937 a 1966. O álbum é completado por recortes de jornais e programas de eventos realizados na Biblioteca durante o período anunciado no título. Percebe-se que o álbum foi produzido por Iracema da Silveira, bibliotecária responsável pela Biblioteca Infantil da Escola Caetano de Campos entre 1936 e 1966, quando se aposentou. O objetivo parece ter sido produzir um registro da história da biblioteca e das atividades que ela sediou ou promoveu. Foi confeccionado artesanalmente, conforme é possível verificar a partir de indícios como os identificados acima.



O álbum, em si, compõe uma série, pois articula, de modo ordenado, documentos em seu interior. Além disso, tem-se a série dos álbuns escolares e, mais especificamente, a série dos álbuns escolares do AECC. Desse modo, é lícito operar numa perspectiva que considere a articulação das séries compondo uma série múltipla.

Este estudo insere-se, portanto, no âmbito da chamada história serial. Entretanto, para além dos limites estabelecidos para investigações com essas características. De acordo com Ginzburg (2007), “[...] o limite mais grave da história serial aflora justamente através do que deveria ser seu objetivo fundamental: a identificação dos indivíduos como atores econômicos ou socioculturais”4. Com relação à idéia de identificação, para Ginzburg ela é duplamente enganadora:

[...] por um lado, põe entre parênteses um elemento óbvio: em qualquer sociedade, a documentação é intrinsecamente distorcida, uma vez que as condições de acesso à sua produção estão ligadas a uma situação de poder e, portanto, de desequilíbrio. Por outro, anula as particularidades da documentação existente em benefício do que é homogêneo e comparável. [...] Depois da dupla filtragem de que se falou, não é de se espantar que a relação dos dados da série com a realidade se tornava inatingível5.

Para Ginzburg, “que o conhecimento histórico implique a construção de séries documentais, é óbvio. Menos óbvia é a atitude que o historiador deve adotar em relação às anomalias que afloram na documentação”6.

Portanto, o conhecimento histórico produz séries, tanto para o seu registro, como no caso nos álbuns fotográficos compostos no âmbito da Escola Caetano de Campos, de modo contemporâneo aos fatos registrados, quanto para organização de acervos e fundos nos arquivos, e pelos próprios pesquisadores, que selecionam séries de outras já constituídas nas instituições de memória, como aponta Michel de Certeau no texto A operação historiográfica.

Para Ginzburg, “o problema está em selecionar, na massa dos dados disponíveis, casos relevantes e significativos”7. Em suma, a identificação desses casos já se configura como um problema metodológico, nesse tipo de abordagem.

Tomando de empréstimo a expressão de Edoardo Grendi, Ginzburg fala em identificar o “excepcional normal”. Tanto pode se referir aos casos estatisticamente frequentes, quanto aos não freqüentes. “Um documento que seja realmente excepcional pode ser muito mais revelador do que mil documentos estereotipados”8. Documentos identificados como excepcionais “[...] funcionam como espias ou indícios de uma realidade oculta que a documentação, de um modo geral, não deixa transparecer”9.

Partindo do pressuposto de que o “hápax”, isto é, o que é documentalmente único não existe, Ginzburg observa que “[...] todo documento, inclusive o mais anômalo, pode ser inserido numa série. Não só isso: pode servir, se analisado adequadamente, a lançar luz sobre uma série documental mais ampla”.10

Tomando como pressuposto que essa série documental mais ampla poderia ser a dos álbuns de fotografias escolares, e, num recorte mais estrito, a série dos álbuns fotográficos do AECC, buscou-se, neste estudo, perceber as relações entre essas dimensões, ou escalas. Buscou-se, portanto, um álbum que, apesar de notadamente incluído na série documental de álbuns fotográficos da Escola Caetano de Campos, apresentasse aspectos que o colocassem numa posição diferenciada com relação à série, suscitando, assim, questões particularmente instigantes.
O álbum do Jardim de Infância
A inserção do “Álbum do Jardim de Infância” na série pode ser constatada de modo icônico não verbal, pois, embora não haja identificação explícita verbal ao nome da escola, a capa é ornamentada por imagem bordada do prédio do jardim de infância da escola Caetano de Campos, e em suas páginas há diversas fotografias que podem facilmente ser identificadas como registros do referido prédio.

Na capa do álbum do Jardim da Infância, a imagem da fachada do prédio substitui a inscrição do nome da escola.

O olhar atento para a série permite

[...] reconhecer a importância decisiva daqueles traços, aquelas espias, aqueles erros que perturbam, desordenando-a, a superfície da documentação. Para além dela é possível atingir aquele nível mais profundo, invisível, que é constituído pelas regras do jogo, ‘a história que os homens não sabem que fazem.11

A análise da composição do álbum objeto deste estudo aponta para sua classificação como uma homenagem direcionada a uma determinada mulher com vínculos com o jardim de infância que não foram ainda identificados. Tal objetivo é indicado em uma das charadas12 apresentadas no fim do álbum, visando identificar a homenageada: “Foi este álbum preparado com calma beneditina para fazer-lhe um agrado”.

A “calma beneditina” pode ser constatada pela aplicação de técnicas de bordado, colagem, desenho e dobradura, utilizadas para decorar as páginas do álbum e emoldurar as fotografias que o compõem. Embora a série seja composta por outros álbuns artesanalmente constituídos, só esse apresenta outras técnicas além do desenho.

Em algumas páginas do álbum há duas fotografias e não apenas uma e ou a página está decorada ou há molduras para ambas as fotografias. Observa-se ainda que, embora haja, no álbum, repetição da técnica, (colagem, desenho, bordado), não há nenhum caso de repetição do motivo, não há molduras idênticas.

A análise micro-histórica é, portanto, bifronte. Por um lado, movendo-se numa escala reduzida, permite em muitos casos uma reconstituição do vivido impensável noutros tipos de historiografia. Por outro lado, propõe-se indagar as estruturas invisíveis dentro das quais aquele vivido se articula. 13

Esse “vivido” ao qual Ginzburg se refere pode ser percebido como as práticas pedagógicas reveladas, entre outros elementos, pelo uso das mencionadas técnicas tão características do jardim de infância e do esmero típicos das professoras desse nível escolar. Também pode se referir às relações sociais que o jardim de infância estabelecia para além das práticas pedagógicas, pois a homenageada aparece nas fotografias elegantemente trajada, o que pode indicar seu status social. Além disso, nas charadas uma das expressões utilizadas para caracterizá-la é “nobre dama”.

Alguns outros termos, tomados como pistas, como quis que o fosse quem compôs o álbum, indicam que a homenageada pode ser uma ex-aluna da escola que “floriu no jardim”, pois, “falam estas folhas singelas de sua infância peregrina”, e o álbum “rememora o seu tempo de menina”. Ginzburg afirma que a postura metodológica aqui adotada “pressupõe o minucioso reconhecimento de uma realidade talvez ínfima, para descobrir pistas de eventos não diretamente experimentáveis pelo observador”.14

[...] os dados dão sempre dispostos pelo observador de modo tal a dar lugar a uma sequência narrativa, cuja formulação mais simples poderia ser “alguém passou por lá”. Talvez a própria idéia de narração tenha nascido pela primeira vez numa sociedade de caçadores, a partir da experiência da decifração das pistas.15

Na página na qual as charadas para identificação do nome da mulher homenageada é possível coletar algumas pistas acerca de sua personalidade e de sua vinculação com a escola. Observa-se também que assim como as demais páginas do álbum, esta é ornamentada artesanalmente com bordados nas molduras separando as charadas são bordados.

Desse modo, “reconstituir o vivido” pode, inclusive, ultrapassar os limites cronológicos, pois, nesse caso, as fotografias são contemporâneas à composição do álbum, uma vez que nela a pretensa ex-aluna aparece já adulta no espaço do prédio do jardim de infância, acompanhada de um homem que também não pode ser identificado, mas que, como uma das hipóteses plausíveis, poderia ser o então diretor da escola. Já que a homenageada parece tratar-se de uma dama ilustre, não seria de se estranhar que fosse acompanhada do diretor, na sessão de fotos.

Na última página do álbum há um envelope colado que parece ter sido destinado a guardar a resposta das charadas, apresentando o nome da mulher homenageada; no entanto, o envelope encontra-se vazio, acrescentando assim mais uma lacuna ao desafio de análise deste álbum, deste caso excepcional.

Não foi possível precisar a data em que o álbum foi produzido nem a data em que as fotos que o compõem foram realizadas. A data representa um dos dados de identificação mais relevantes de um documento histórico, no entanto, objetiva-se aqui demonstrar que mesmo sem essa informação, é possível explorar esse documento. Seguramente, as fotos são das primeiras décadas do século XX.

As fotografias registram aspectos internos e externos do prédio do Jardim de Infância, detalhes arquitetônicos, a mulher acompanhada em alguns casos. Entretanto, um fato que chama a atenção é que o prédio encontra-se vazio. Não há móveis, objetos ou alunos. Há indícios de reforma ou construção: escadas, sujeira, terra revolvida. Ou ainda, seriam estes os últimos registros do prédio do jardim de infância já desocupado, antes de sua demolição em 1939? Uma tentativa de homenagear essa mulher e de registrar o espaço em que foram vividos muitos momentos de sua infância e da infância de tantas outras crianças e que, agora, estaria prestes a desaparecer? Sabe-se que essa é uma das funções da fotografia: registrar, cristalizar imagens de pessoas e espaços que deixaram de existir.

Mais uma questão se formula: por que o álbum permaneceu na escola, se foi produzido como um presente individual para uma determinada pessoa? Houve uma cerimônia para a entrega? O álbum chegou às mãos da homenageada e foi posteriormente doado à escola, para permanecer como parte de sua memória?

De acordo com Ginzburg, “[...] o conhecimento histórico é indireto, indiciário, conjetural”.16 Não há como responder a essas questões. Respondê-las seria necessariamente impor uma visão, e, mesmo que pautada em sinais, indícios ou, como apregoavam os historiadores positivistas, provas, estes seriam fundamentalmente fragmentados, indicariam caminhos, mas não determinariam um ponto final ou uma verdade absoluta e inquestionável. Para além de conhecer essa mulher e sua história, trata-se, portanto, de refletir acerca do próprio conhecimento historiográfico.

Neste álbum há uma história, narrada de modo aparentemente excepcional, mas inegavelmente narrada com elementos que a constituem como tal. Assim como reconheceu Ginzburg que O queijo e os vermes não se limita a reconstruir uma história individual: conta-a”,17 este álbum também conta uma história que não é só a da homenageada, mas que pode revelar a relação que a escola mantinha com ex-alunos, por exemplo.

O “Álbum Jardim da Infância” apresenta um desafio analítico, pois, embora apresente pistas, indícios, ou, como quer Ginzburg, rastros, suas lacunas, ausências e obstáculos à identificação são marcantes e significativos.

[...] podia traduzir-se num relato capaz de transformar as lacunas da documentação numa superfície uniforme. Podia, mas evidentemente não devia: por motivos que eram ao mesmo tempo de ordem cognitiva, ética e estética. Os obstáculos postos à pesquisa eram elementos constitutivos da documentação, logo deviam tornar-ser parte do relato [...] No caso do O queijo e os vermes esses obstáculos eram as hesitações e os silêncios de Menocchio diante das perguntas dos seus inquisidores. Desse modo, as hipóteses, as dúvidas, as incertezas tornam-se parte da narração; a busca da verdade tornava-se parte da exposição da verdade obtida (e necessariamente incompleta).18

Fundamentando-se nessa perspectiva teórica, a intenção aqui não é completar esses lapsos e apresentar a história dessa mulher ou, mais próximo à temática educacional, de sua trajetória escolar, mas analisar justamente as omissões e os obstáculos como elementos constitutivos desse documento e das séries nas quais ele se insere: a de álbuns fotográficos escolares e a de álbuns fotográficos da Escola Caetano de Campos. De acordo com Ginzburg, trata-se de

[...] deslocar da contraposição entre verdadeiro e inventado, mas na integração, sempre assinalada pontualmente, de realidades e possibilidades [...] se trata de um caso excepcional, e portanto pouco representativo – jogando com a ambigüidade entre representatividade estatística (verdadeira ou presumível) e representatividade histórica. Na realidade, o argumento muda de sentido: é precisamente o caráter excepcional [...] que lança alguma luz sobre uma normalidade documentalmente imprecisa.19

Thompson (1998) também apresenta aporte teórico para essa análise, ao se contrapor à existência de leis gerais e ao propor a busca pelo particular. Considera que “não se pode apresentar definitivamente nenhum caso como ‘representativo”.20

Assim, explorar a particularidade do Álbum do Jardim da Infância não significa percebê-lo como representativo nem perder sua vinculação à série de álbuns da escola Caetano de Campos. Ginzburg reconhece a importância da comparação, nessa abordagem metodológica.

Outros aspectos analíticos aos quais é possível recorrer baseiam-se na leitura dos álbuns a partir de uma “lógica do consumo” que, de acordo com Michel de Certeau (1994), é reveladora da prática da produção do bem cultural.

O postulado da passividade própria do consumo, ao qual Certeau (1994) se contrapõe, parece ser subvertido, no caso do Álbum do Jardim de Infância, pois o leitor é instado a participar por meio das charadas. As charadas referem-se a um caminho que instiga a “designar coisas através de coisas”, conforme indica Ginzburg (2007) ao tratar da decifração de sinais e indícios, deixados pelo passado, numa perspectiva teórico-metodológica baseada no que Ginzburg denominou de “paradigma indiciário”

Embora o apelo seja visual, a leitura fundamenta-se na articulação entre o verbal e o imagético. Para Certeau (1994), toda leitura modifica o seu objeto. Nesse sentido, ao imprimirmos o olhar analítico e investigativo criamos uma outra ordem, alteramos o significado dos elementos, mesmo que estes já estejam organizados de acordo com uma lógica e inseridos em múltiplas séries.

[...] percursos através da página, metamorfoses e anamorfoses do texto pelo olho que viaja, vôos imaginários ou meditativos a partir de algumas palavras, transposições de espaços sobre as superfícies militarmente dispostas do escrito, danças efêmeras, depreendendo-se ao menos em um primeiro enfoque que não se poderia conservar a rígida separação da leitura e do texto legível (livro, imagem, etc.)21

De acordo com Diana Gonçalves Vidal (1995) e Armando Martins de Barros (1998), a escola é responsável por uma disciplina do olhar constituída a partir de uma pedagogia do olhar, pautada pela característica inerente ao processo educacional formal. E, segundo Dominique Julia, a constituição de uma cultura escolar fundamenta-se nos seguintes elementos: espaço escolar específico, cursos graduados em níveis e corpo profissional específico. Com base nessas formulações, percebe-se que os álbuns fotográficos, ao apresentar de modo ordenado e dentro de uma lógica discursiva e narrativa própria, aspectos da cultura escolar apregoada por Julia, imprime ao registro da história e da memória da escola uma dimensão disciplinadora a partir de elementos didático-pedagógicos. Além disso, os álbuns direcionam o olhar ao impor uma determinada ordem aos elementos que os compõem.

As fotografias produzem memória e cultura visual, criam um discurso e uma imagem específica que direcionam a forma de a sociedade ver a escola e suas práticas. Esses olhares são registrados em textos e em imagens, profissional e amadoristicamente.

Considerando que a escola construiu uma forma escolar, ou seja, um modo próprio que a caracteriza e garante uma continuidade do modelo, é possível investigar como essa forma se moldou e foi moldada pela representação imagética cristalizada pela fotografia.



A eficácia da produção implica a inércia do consumo. Produz a ideologia do consumo-receptáculo. Efeito de uma ideologia de classe e de uma cegueira técnica, esta lenda é necessária ao sistema que distingue e privilegia autores, pedagogos, revolucionários, numa palavra, “produtores” em face daqueles que não o são.22

Assim, considerando-se também que a Escola Caetano de Campos instituiu-se como modelo de excelência educacional, consequentemente produziu uma referência, não só de práticas de ensino e de forma escolar, como também de formas de ver a escola como esfera privilegiada no tecido social.



Considerações finais

Diante dessa perspectiva historiográfica, outras questões se apresentam, tais como a relação das fontes fotográficas com as demais fontes documentais, para auxiliar em sua elucidação. Entendido como resultado de um conjunto de variáveis e com protocolos de inteligibilidade que exigem informações externas, tal como preconiza Boris Kossoy (2001), o entrecruzamento da fotografia com outras fontes documentais é imprescindível para esclarecer aspectos a respeito de sua composição e das informações que ela engendra.

Concluindo a análise da série documental constituída pelos álbuns fotográficos da Escola Caetano de Campos, e, de sua relação com um de seus itens, o álbum do Jardim da Infância, verificou-se que é possível estudar a série e seus casos, e, verificou-se que conforme asseverou Ginzburg (2007), de fato “existem diferenças nas semelhanças”, pois as séries, sejam elas de quaisquer elementos, são compostas por semelhanças e por diferenças. A união das similaridades e dos elementos que compõem um certo tipo de padrão não é capaz de excluir as peculiaridades. Assim, um elemento não pode ser tomado como representativo da série embora guarde relações de identificação com ela.

Por último, apesar do Álbum do Jardim da Infância da Escola Caetano de Campos não oferecer muitos elementos capazes de estabelecer sua categorização arquivística, apresenta um instigante desafio para a historiografia.

O olhar aproximado nos permite captar algo que escapa da visão de conjunto e vice-versa”23 com essa perspectiva, percebe-se que o olhar aproximado, focado para o Álbum do Jardim da Infância permite ver aspectos não perceptíveis num olhar panorâmico sobre as similaridades da série. Havia e há homenagens no mundo escolar, havia e há ex-alunos, ainda há profissionais da educação que registram os fatos da escola em que trabalham em álbuns, mas este em especial catalisa esses elementos e apresenta outros só seus. O álbum é um documento, a pessoa que o compôs é um fato, pois todo depoimento, como afirma Ginzburg, dá testemunho apenas de si mesmo, do seu momento, do seu contexto, da sua origem, dos seus motivos.

Fontes documentais



Acervo fotográfico do Arquivo Histórico da Escola Caetano de Campos

Álbum Escola Normal 1895 (Caixa 1)

Álbum Escola Normal 1908 (Caixa 2)

Álbum professorandos Escola Normal Capital – Curso Secundário 1911 (Caixa 3)

Álbum professorandos Instituto Caetano de Campos de São Paulo [1932-1933] (Caixa 5)

Álbum de Comemoração do IV Centenário de São Paulo [1954] (Caixa 10)

Álbum Biblioteca Infantil [1940] (Caixa 11)

Álbum Jardim da Infância – Cinqüentenário 1896-1946 (Caixa 12)

Álbum Jardim da Infância (Caixa 13)

Álbum Jornal Nosso Esforço (Caixa 17)

Referências Bibliográficas

BARROS, Armando Martins de. “Os álbuns fotográficos com motivos escolares: veredas do olhar”. In: História da Educação em perspectiva: ensino, pesquisa, produção e novas investigações. GATTI Jr., Décio e INÁCIO Filho, Geraldo (orgs.) Campinas, SP: Autores Associados; Uberlândia, MG: EDUFU, 2005 (coleção Memória da Educação).

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1 CARVALHO, Marta Maria Chagas de. A Escola e a República. São Paulo: Brasiliense, 1989 (Coleção tudo é história, 127) p. 23.

2 CERTEAU, Michel de. A escrita da História. Trad. Maria de Lourdes Menezes. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006, pp. 17-18.

3 SILVA, Armando. Álbum de família: a imagem de nós mesmos. Trad. Sandra Martha Dolinsk. São Paulo: Senac São Paulo; Edições SESC SP, 2008. p. 41.

4GINZBURG, Carlo. “Sinais: raízes de um paradigma indiciário.” Mitos, emblemas, sinais, Morfologia e História. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 262.

5 Idem ibidem.

6 Idem, ibidem.

7 GINZBURG, Carlo. A Micro-História e Outros Ensaios. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1991. p. 176.

8 Idem, p. 177.

9 Idem, ibidem.

10 GINZBURG, Op. Cit, 2007, p. 263.

11 GINZBURG, Op. Cit, 1991, p. 177.

12 O termo “charada”, aqui, denota a possível obtenção de uma informação por meio da decifração ou entendimento de algumas de suas partes, ou de pistas. Denota, também, achar a resposta para algum problema, para dirimir uma dúvida (Dicionário Houaiss). Esclarece-se que este termo foi adotado neste estudo por ausência de outro específico e devidamente explicitado na documentação.

13 GINZBURG, op. Cit. pp. 177-178.

14 GINZBURG, Op. Cit. 2007, p. 153.

15 GINZBURG, Op. Cit. 2007, p. 152.

16 GINZBURG, op. Cit. 2007, p. 157.

17 GINZBURG, Op. Cit. 2007, p. 264.

18 GINZBURG, 2007, p. 265.

19 GINZBURG, op. Cit. 1991, p. 179.

20 THOMPSON, E. P. “A venda de esposas.” In: _____. Costumes em comum. Trad. Rosaura Eichemberg. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 324.

21 CERTEAU, Michel de. A invenção do Cotidiano: 1 artes de fazer. Trad. de Ephraim F. Alves e Lúcia Endlich Orth, Petrópolis/RJ: Vozes, 1994. pp. 265-266.

22 CERTEAU, op. Cit. 1994, p. 262.

23 GINZBURG, 2007, 267.



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