Do humano ao Pós-humano: encruzilhada ou destino



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X Simpósio Internacional Filosófico Teológico - FAJE, com o tema “Do humano ao Pós-humano: encruzilhada ou destino”.
DE 24 A 26 DE SETEMBRO DE 2014

FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA




© 2014 by Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

Belo Horizonte

ISSN 2176-1337

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31720-300 Belo Horizonte - MG

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(FAZER O SUMÁRIO COM A NUMERAÇÃO DAS PAGINAS)

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO

PROGRAMAÇÃO GERAL

COMITÊ CIENTÍFICO, COMISSÃO ORGANIZADORA E CONFERENCISTAS

PROGRAMAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES

COMUNICAÇÕES DE DOUTORES (Resumos)

COMUNICAÇÕES DE NÃO DOUTORES (Resumos)
APRESENTAÇÃO
A Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE – promoverá, de 24 a 26 de setembro de 2014, o X Simpósio Internacional Filosófico Teológico, sobre o tema “Do humano ao pós-humano: encruzilhada ou destino”?

O ideal de domínio sobre as forças hostis da natureza guiou a atenção e os esforços do Ocidente nos últimos cinco séculos. No horizonte, entrevia-se a libertação do ser humano das forças que, desde a origem, o conduziam à adequação aos ritmos do mundo. Despontava, assim, a imagem do “senhor e mestre da natureza” que, em futuro ao alcance das mãos, viria dispor da realidade, para moldá-la segundo seu desígnio soberano. A razão, universal e autônoma, seria a grande artífice da civilização iluminada, a inaugurar a era do ser humano adulto e inteiramente responsável pela própria destinação. Um dos nomes conferidos a este elevado ideal, tomado em sentido amplo, foi “humanismo”.

No entanto, o olhar voltado para a exterioridade da matéria manipulável, ao deixar de lado o cultivo da vida interior, provocava, igualmente, crescente esquecimento da liberdade outrora perseguida.  Tal esquecimento intensificou-se, quando o saber operacional das ciências se concentrou sobre o ser humano, inaugurando nova época nos ciclos da civilização. Delineava-se, desse modo, a estranha figura do homem reduzido a objeto de saber impessoal, constituído segundo as normas da ciência moderna. As diversas disciplinas, que passaram a se ocupar do fenômeno humano, produziram desarticulação e fragmentação de sua imagem. Em paralelo, a razão autônoma viu-se acusada de promover, em nome da própria “racionalidade”, os mais horrendos crimes, sobretudo, os perpetrados durante as grandes guerras e os conflitos de diversas naturezas do século XX. Esta situação complexa conduziu muitos pensadores a uma atitude “anti-humanista”, ou seja, crítica do humanismo otimista, que afirmava antever o caminho para a realização do Reino da Razão e de seus fins sobre a Terra. Desmascarava-se, assim, o ser humano, agora interpretado como condicionado, ambíguo e incapaz. E criticava-se o racionalismo, redutor da razão a seus aspectos operativos e pragmáticos.

Deparamo-nos, atualmente, com o discurso “pós-humanista”. Os que o defendem não parecem interessados em corrigir os desmandos da razão demasiado estreita. Não se trata, porém, de ampliar a visada da razão, de recordar o poder intuitivo do espírito humano, de abri-lo para o aquém e o além da consciência. Os “pós-humanistas” pretendem corrigir o próprio homem, submetê-lo a melhoramentos tecnológicos sucessivos, capazes de controlar emoções, ciclos da vida, duração da existência e mesmo, quem sabe, as grandes questões que sempre nos ocuparam. Consideram a convivência social e a vida política como lugar de aplicação de novas engenharias, a fim de regular a convivência entre os povos, de modo, enfim, eficaz.

Consciente desta situação complexa, a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, por meio da Comissão Organizadora do X Simpósio Internacional Filosófico teológico, convida a Comunidade Acadêmica a refletir, com a ajuda de grandes especialistas, sobre o lugar e o futuro do ser humano, numa época que se anuncia “pós-humana”. 

Três séries de abordagens nos guiarão em nossos estudos:

a) Explicitação das raízes históricas deste complexo ideário pós-humanista, que é hoje agitado em tantos meios, sem a devida reflexão crítica.

b) Análise das questões da crise de sentido que hoje nos interpela, e que se articula em torno dos seguintes eixos: primeiramente, o que concerne à vigência da mentalidade técnico-científica e a seus impactos inegáveis sobre a imagem do ser humano, que abalam o campo da cultura em seus pilares morais, estéticos e religiosos; em seguida, as decorrências éticas-políticas de tais impactos. Quando a vida em sociedade vê-se interpretada como jogo de coerções sociais, e promove-se a busca de uma “regulamentação” de bases científicas, a vida política transforma-se em simples gestão da espécie; por fim, as repercussões jurídicas, concernindo aos direitos humanos e pós-humanos, com consequências graves para a organização da vida social.

c) Do presente ao futuro, duas perspectivas complementares, uma prospectiva e outra ética, organizarão nossas discussões. De um lado, o que esperar da situação que hoje trama o tecido cultural de nossas sociedades?  Colheremos, no final, negação da liberdade, automação da vida e, portanto, negação da imagem cristã da humanidade? De outro lado, impõe-se um tratamento filosófico teológico, com auxílio interdisciplinar, da questão ética: que mundo desejamos legar às futuras gerações e que atitudes devemos promover para que esta realidade advenha?

As atividades do Simpósio se articularão em torno dos eixos suprarreferidos. Três grandes conferências, destinadas ao conjunto dos participantes, colocarão as balizas da reflexão. Um conjunto de seminários monotemáticos, versando sobre aspectos do tema em foco, será oferecido a pequenos grupos, para aprofundar-lhe as muitas vertentes. As comunicações oferecerão aos pesquisadores e aos pensadores compartilhar o resultado de seus trabalhos, como contribuição para enriquecer a reflexão. Uma programação detalhada será, oportunamente, divulgada. 


Comissão Organizadora
PROGRAMAÇÃO GERAL

24/09 - Quarta-feira

16h00 - Credenciamento na FAJE

 

CONFERÊNCIAS

24/09 – Quarta-feira

19h30 – Abertura do X Simpósio Internacional Filosófico teológico da FAJE

Conferência – Prof. Dr. João Duque – UCP – Braga/Portugal – Realidade, virtualidade e relação: utopias neo-gnósticas do pós-humano na cibercultura

Local: Auditório Dom Luciano Mendes de Almeida

 

25/09 – Quinta-feira



8h00 – Conferência – Prof. Dr. Jaderson Costa Dacosta / Prof. Dr. Érico Hammes – PUC-RS – Pós-humano e neurociências

Local: Auditório Dom Helder Câmara

 

26/09 – Sexta-feira



8h00 – Conferência – Prof. Dr. David Le Breton – UNISTRA ­– Estrasburgo/França – Corpo e pós-modernidade

Local: Auditório Dom Helder Câmara

 

SEMINÁRIOS

Dia 25/09 – Quinta-feira e dia 26/09 - Sexta-feira

10h00 – Seminários

1.      Prof. Dr. Carlos Roberto Drawin (FAJE) – Humanismo e anti-humanismo na filosofia francesa contemporânea: Sartre, Foucault, Ricoeur

2.      Prof. Dr. Érico Hammes (PUC-RS) – Cristologia em contexto Pós-Humano

3.      Prof. Dr. Flávio Senra (PUC Minas) – Übermensch – sobre o além do homem no Zaratustra de Nietzsche

4.      Prof. Dr. Geraldo Luiz De Mori (FAJE) – O próprio do humano. Um debate recorrente na antropologia contemporânea

5.      Prof. Dr. Patricio Miranda Rebeco (PUCC) - Santiago/Chile - El antihumanismo teórico en Niklas Luhmann

6.      Profa. Dra. Sandra Duarte (UMESP) – Religião e crise de sentido: interpelações de gênero

 

14h00 – Seminários

7.      Prof. Dr. David Le Breton (UNISTRAS) – O corpo nas pesquisas atuais

8.      Prof. Dr. João Duque (UCP) – Ecce Homo: a vulnerabilidade do humano à luz de uma teologia do corpo

9.      Prof. Dr. Marco Heleno Barreto (FAJE) ­– Catástrofe da Modernidade: O Fim do Homem e a Experiência Psicológica do Século XX.

10.     Prof. Dr. Sérgio Silva Gatica (PUCC) – Santiago/Chile - Desafíos de la Tecnociencia a la Teología. ¿Desafíos desoídos?

11.     Prof. Dr. Sinivaldo Tavares ­(FAJE) – Projetos (pós) humanos na Idade do Mercado e da Técnica

12.     Profa. Dra. Sofia Stein (Unisinos) – Intencionalidade e Propósitos: como compreender aspectos teleológicos da Natureza Humana?

 

COMUNICAÇÕES

Dia 25/09 – Quinta-feira e dia 26/09 - sexta-feira

16h00

 

ENCERRAMENTO



Dia 26/09 - sexta-feira

18h - Evento cultural - Coquetel - Encerramento


COMITÊ CIENTÍFICO, COMISSÃO ORGANIZADORA E CONFERENCISTAS.

Comissão organizadora

Álvaro Pimentel(FAJE)

Carlos Roberto Drawin (FAJE)

Geraldo Luiz De Mori(FAJE)

Jaldemir Vitório(FAJE)

José Adércio Leite Sampaio (ESDHC)

Márcio Antônio de Paiva (PUC Minas)

Nádia Souki Diniz (FAJE)

Sinivaldo Silva Tavares(FAJE)

 

Comitê Científico

Agenor Brighenti (PUCPR)

Alberto Ribeiro Gonçalves de Barros (USP)

Bruno Pettersen (FAJE)

Cláudio de Oliveira Ribeiro (UMESP)

Gilbraz de Souza Aragão (UNICAP)

Leomar Antonio Brustolin(PUC PR)

Lúcia Pedrosa de Pádua (PUCRJ)

Marcelo Perine (PUCSP)

Robson Sávio Reis Souza (PUCMG)

Telma de Souza Birchal (UFMG)

 

Conferencistas

Carlos Roberto Drawin (FAJE)

David Le Breton – UNISTRA – Estrasburgo / França

Érico João Hammes (PUCRS)

Flávio Senra(PUC Minas)

Geraldo Luiz De Mori (FAJE)

Jaderson Costa Dacosta (PUCRS)

João Manuel Correia Rodrigues Duque – UCP – Braga/Portugal

Marco Heleno Barreto (FAJE)

Patricio Miranda Rebeco (PUCC) – Santiago/Chile

Sandra Duarte (UMESP)

Sérgio Silva Gatica (PUCC) – Santiago/Chile

Sinivaldo Tavares – (FAJE)

Sofia Inês Albornoz Stein (Unisinos)


Secretário do Simpósio

Celso Messias de Oliveira

PROGRAMAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES

DOUTORES

25/09/2014 (30 minutos - com intervalo na sala de 10 minutos )
MESA: 1

SALA: 4 - ZILDA ARNS

COORDENADOR(A): NÁDIA SOUKI
16H AS 16H30MIN

BIOPOLÍTICA E DIREITOS HUMANOS EM HANNAH ARENDT

ANA PAULA REPOLÊS TORRES
16H40MIN AS 17H10MIN

MÚSCULOS E MEMÓRIA DE ARAME: UMA LEITURA DE OS MÚSCULOS E O HOMEM QUE PERDEU A MEMÓRIA, DE INÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO

EDSON SANTOS DE OLIVEIRA
17H20 AS 17H50MIN

EXCURSO SOBRE O HUMANO E SEUS DESDOBRAMENTOS COMO PERSPECTIVA DO "PÓS-HUMANO"

HENRIQUE MARQUES LOTT
MESA: 2

SALA: 3 - DOROTHY

COORDENADOR(A): BRUNO PETTERSEN
16H AS 16H30MIN

O RELATIVISMO É UM NIILISMO? ESBOÇO DE UMA ÉTICA PÓS-HUMANISTA

MARCELLO BAX
16H40MIN AS 17H10MIN

PÓS-HUMANISMO E TRANSCENDÊNCIAS EM TENSÃO: A DIMENSÃO SIMBÓLICA E A OPERATIVIDADE DA ANTROPOTÉCNICA.

NEWTON AQUILES VON ZUBEN
17H20 AS 17H50MIN

ÉTICA DA RESPONSABILIDADE EM JONAS

PAULO CÉSAR NODARI
26/09/2014 (30 minutos - com intervalo na sala de 10 minutos )
MESA: 3

SALA: 4 - ZILDA ARNS

COORDENADOR(A): ÉLIO GASDA
16H AS 16H30MIN

MUDANÇAS CLÍNICAS NA PASSAGEM DO HUMANO AO PÓS-HUMANO

BRUNO VASCONCELOS DE ALMEIDA
16H40MIN AS 17H10MIN

SOBERANIA E SEGURANÇA: O PÓS-HUMANO OU O ÚLTIMO HOMEM NA FILOSOFIA POLÍTICA CONTEMPORÂNEA

DOUGLAS FERREIRA BARROS

NÃO DOUTORES

25/09/2014 - 16 HORAS (20 minutos - com intervalo na sala de 10 minutos)
MESA: 4

SALA: 203

COORDENADOR: NILO RIBEIRO
16H AS 16H20MIN

IDEALISMO OBJETIVO E A POSSIBILIDADE DE UM NOVO HUMANISMO: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE VITTORIO HÖSLE

GABRIEL ALMEIDA ASSUMPÇÃO
16H30MIN AS 16H50MIN

HEIDEGGER: A QUESTÃO DA TÉCNICA E O FUTURO DO HOMEM

GABRIEL DE SOUZA LEITÃO
17H AS 17H20MIN

A CONFLUÊNCIA ENTRE FILOSOFIA E TEOLOGIA NO PENSAMENTO DE JOÃO BATISTA LIBANIO "LEITURA DAS OBRAS: A RELIGIÃO NO ÍNICIO DO TERCEIRO MILÊNIO; EU CREIO - NÓS CREMOS"

GEOVÁ NEPOMUCENO MOTA
MESA: 5

SALA: 205

COORDENADOR: FRANCISCO DAS CHAGAS
16H AS 16H20MIN

O VÍCIO E A VIRTUDE ONTEM, HOJE E SEMPRE: O QUE TOMÁS DE AQUINO DIZ SOBRE O USO DA NATUREZA?

JAILSON SILVA LOPES
16H30MIN AS 16H50MIN

O HOMEM E O LIMITE: UMA CONSIDERAÇÃO ANTROPOLÓGICO-EXISTENCIAL A PARTIR DOS PRIMEIROS CAPÍTULOS DO GÊNESIS

JANDIR SILVA DOS SANTOS
17H AS 17H20MIN

O PÓS-HUMANO COMO FIM BUSCADO ATRAVÉS DA DISCUSSÃO DA NECESSIDADE OU NÃO DA "MELHORA" DO SER POR MEIOS BIOTECNOLÓGICOS.

JOÃO HENRIQUE CARNEIRO STABILE
17H30MIN AS 17H50MIN

A QUESTÃO HUMANA DIANTE DAS IMPOSIÇÕES CORONELISTAS SOBRE AS MÃES SOLTEIRAS NO NORTE DE MINAS.

JORGE LUIZ GRAY GOMES
MESA: 6

SALA: 208

COORDENADOR: MANUEL HURTADO
16H AS 16H20MIN

FENOMENOLOGIA DA AÇÃO: PEQUENO ESBOÇO DA PROBLEMÁTICA DA SUBJETIVIDADE EM MICHEL HENRY

JOSÉ SEBASTIÃO GONÇALVES
16H30MIN AS 16H50MIN

PODERÁ A TÉCNICA GENÉTICA TRANSFORMAR NOSSA AUTOCOMPREENSÃO ÉTICA? CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE JÜRGEN HABERMAS

JULIAN BATISTA GUIMARÃES
17H AS 17H20MIN

A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E OS VALORES: PODE-SE CONSTRUIR VALORES, A PARTIR DE UM NIILISMO DO PRÓPRIO SENTIDO DO HUMANO?

JULIO CESAR RODRIGUES

MESA: 7

SALA: 219

COORDENADOR: PAULO CÉSAR
16H AS 16H20MIN

TEOLOGIA E ÉTICA DO RECONHECIMENTO - A INTEGRIDADE DO SER HUMANO NO CONTEXTO DO PÓS-HUMANISMO

LUCIANO GOMES DOS SANTOS
16H30MIN AS 16H50MIN

CORPO E TRANSCENDÊNCIA

PAULO ANTÔNIO COUTO FARIA
17H AS 17H20MIN

O SER NA PSICANÁLISE EXISTENCIAL

PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA
17H30MIN AS 17H50MIN

NEOTOMISMO: ALTERNATIVA AO DRAMA DO HUMANISMO ATEU?

PHILIPPE OLIVEIRA DE ALMEIDA
MESA: 8

SALA: 221

COORDENADOR: SINIVALDO TAVARES
16H AS 16H20MIN

"DO HUMANO AO PÓS-HUMANO": POSSIBILIDADES DE VIVÊNCIA CONCRETA DO CRISTIANISMO MEDIANTE A RELAÇÃO TRABALHO - TRANSCENDÊNCIA

RICARDO SANTOS RIBEIRO
16H30MIN AS 16H50MIN

PERDA DO SENTIDO DO SER E A CALCULABILIDADE DO HUMANO PELAS CIÊNCIAS.

THIAGO GANDRA DO VALE
17H AS 17H20MIN

O ESTATUTO MORAL DA CLONAGEM HUMANA

THIAGO MIGUELITO NAVARRO CAMARGO
17H30MIN AS 17H50MIN

IMPACTOS DA PÓS-HUMANIDADE PARA A "COMUNIDADE DA VIDA"

TIAGO DE FREITAS LOPES
NÃO DOUTORES

26/09/2014 - 16 HORAS (20 minutos - com intervalo na sala de 10 minutos)
MESA: 9

SALA 3: IR. DOROTHY

COORDENADOR: DELMAR CARDOSO
16H30MIN AS 16H50MIN

O SEDUTOR MERCADO - A PULSÃO HUMANA NO MUNDO PÓS-MODERNO: COMO O PECADO DA LUXÚRIA SE ELEVOU À CATEGORIA DE VIRTUDE.

ALBERT DRUMMOND LOPES
17H AS 17H20MIN

A COMPREENSÃO DO SER HUMANO DE ACORDO COM A TEMPORALIDADE EM HENRI BERGSON

ALEX PALMER SAMPAIO RIBEIRO
17H30MIN AS 17H50MIN

A LINGUAGEM COMO PROPOSTA DE REPENSAR O LUGAR DO ÉTICO A PARTIR DO PENSAMENTO DE WITTGENSTEIN.

ANA CLÁUDIA ARCHANJO VELOSO ROCHA
MESA: 10

SALA: 205

COORDENADOR: PAULO JACKSON
16H AS 16H20MIN

A ÉTICA LEVINASIANA E O SENTIDO HUMANO PARA O HOMEM CONTEMPORÂNEO

ANDRÉ RICARDO GAN
16H30MIN AS 16H50MIN

O PÓS-HUMANO E O ESQUECIMENTO DOS POBRES. PENSAR A PARTIR DO MUNDO DOS POBRES E REAGIR COM MISERICÓRDIA - A CONTRIBUIÇÃO DA TEOLOGIA SOBRINIANA DIANTE DO ATUAL CONTEXTO

ANTÔNIO RONALDO VIEIRA NOGUEIRA
17H AS 17H20MIN

REIFICAÇÃO E MUNDO DO TRABALHO

ARMINDA ROSA RODRIGUES DA MATA MACHADO
MESA: 11

SALA: 208

COORDENADOR: AFONSO MURAD
16H AS 16H20MIN

QUEM QUER SER HUMANO? PROBLEMAS DA AUTO-IMAGEM DA HUMANIDADE

ARTUR EMANUEL ILHARCO GALVÃO
16H30MIN AS 16H50MIN

O PONTO DE VISTA REDUCIONISTA DO NATURALISMO COMO FONTE DAS DISTORÇÕES ÉTICAS CONTEMPORÂNEAS: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE CHARLES TAYLOR

CAROLINE FERREIRA FERNANDES
17H AS 17H20MIN

O LABOR NA CRÍTICA DE HANNAH ARENDT A KARL MARX E O SEU DISCURSO NA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

CÉSAR THIAGO DO CARMO ALVES
MESA: 12

SALA: 219

COORDENADOR: MARCO HELENO
16H AS 16H20MIN

A MODERNIDADE E A CRISE DOS DIREITOS HUMANOS: IDEALISMO FÚTIL E LEVIANA HIPOCRISIA

DAVI MENDES CAIXETA
16H30MIN AS 16H50MIN

PENSAR O CORPO "PÓS-HUMANO"

DÉBORA MARIZ
17H AS 17H20MIN

VIDA NUA E FORMA-DE-VIDA: O HOMEM EM GIORGIO AGAMBEN

EDER FERNANDES SANTANA
MESA: 13

SALA: 221

COORDENADOR(A): CLÁUDIA MARIA ROCHA
16H AS 16H20MIN

A CATEGORIA DO GÊNERO NA TAREFA DA CRÍTICA. REVISITANDO A TEORIA CRÍTICA

ANDERSON BORGES
16H30MIN AS 16H50MIN

JESUS E O HOMEM DESFIGURADO PELA LEGIÃO: UM QUERIGMA INSPIRATIVO PARA A VIDA SOCIAL E POLÍTICA NA PRESERVAÇÃO DA LIBERDADE HUMANA

FLÁVIA LUIZA GOMES
17H AS 17H20MIN

O ENCONTRO INTERHUMANO EM MARTIN BUBER

VALTER BARROS DOS SANTOS FILHO

COMUNICAÇÕES DE DOUTORES (resumos)
Biopolítica e direitos humanos em Hannah Arendt

Ana Paula Repolês Torres

Titulação: Doutor(a)

Instituição: UFMG


O processo de naturalização da política na modernidade, que autores como Giorgio Agamben e Michel Foucault denominaram como biopolítica, é o tema central de nossa comunicação, a qual visa discutir as características de tal processo e suas implicações no que concerne à implementação dos direitos humanos. Para tanto, dialogamos com Hannah Arendt, pensadora esta que foi profética ao nos alertar para a existência de um déficit entre o avanço tecnológico-científico de nossas sociedades, onde se pretende não só aperfeiçoar, mas até mesmo superar o humano, ultrapassando limites como a própria morte, e o desenvolvimento humanístico das sociedades atuais. Arendt nos mostra que, num contexto de esquecimento de atividades superiores como o pensar e a própria ação política enquanto liberdade, todas as relações sociais passam a ser regidas pela lógica instrumental do consumo, pelos ideais da abundância e descartabilidade, típicos do animal laborans. Em outros termos, pode-se dizer que o fato da preocupação com a sobrevivência da espécie por meio da satisfação das necessidades, na Antiguidade relegada ao domínio privado, ao lar doméstico (oikia), ter passado a comandar o espaço público, isto é, o fato de ter havido uma ascensão não natural do natural, fez com que fosse possível, como ocorreu nos campos de concentração do sistema totalitário, a criação de uma situação de indistinção entre o homem e o animal, conduzindo à ideia de que os homens são supérfluos, mais um espécime dispensável dentro do processo natural da vida. Nessa linha, a biopolítica apresenta-se como uma manifestação da prevalência do animal laborans na modernidade, o que faz com que a política seja concebida como uma mera gestão da espécie, e o que pretendemos demonstrar é que a política e o direito não podem ser entendidos sem a ultrapassagem da condição natural do homem. Será que realmente nascemos livres e iguais em direitos, como diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos? Com Arendt, afirmamos que os direitos são frutos do artifício humano e estão estreitamente vinculados às lutas políticas cotidianas, sendo a igualdade um constructo e não um dado que nos é atribuído por natureza.

 

Ética da responsabilidade em Jonas



Paulo César Nodari

Titulação: Pós-doutor(a)/PhD

Instituição: UCS

Esta comunicação tem como horizonte de investigação a responsabilidade solidária na época da ciência, especialmente no que tange ao "futuro da natureza humana" e da vida no Planeta diante das possibilidades que a ciência e a tecnologia nos oferecem. Hans Jonas ressalta que um dos problemas do Século XX é a vulnerabilidade a que todos indistintamente estamos imersos e afetados, exigindo de todos não apenas a constatação, mas, sobretudo, a responsabilidade pela vida do Planeta. A mudança do cenário da vida dos seres vivos é perceptível com muita facilidade já há algum tempo, colocando-se, porém, nos dias atuais, para além de uma simples ameaça de risco, podendo causar, inclusive, alteração e dano irreversíveis ao próprio futuro de toda a humanidade. O "princípio responsabilidade" foca uma proposta de ética para uma época tecnicizada e cientificizada não mais centralizada no sujeito, porque, segundo Hans Jonas, as éticas tradicionais sustentadas no sujeito não dão conta de tratar da questão das novas tecnologias, tanto do ponto de vista de sua fundamentação como de sua aplicação. Considerados o poder e o ampliado potencial de seu fazer técnico, Hans Jonas pensa um novo imperativo ético, muito mais adequado aos desafios colocados pela centralidade da técnica nos tempos hodiernos, pertinente ao novo tipo de agir humano e voltado para o novo tipo de sujeito atuante, sendo expresso da seguinte forma: "Aja de modo a que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana sobre a Terra". Com tal imperativo ético Hans Jonas busca argumentar a tese do controle aos abusos que a técnica tem a possibilidade de realizar, pretendendo nortear o agir do ser humano para o caminho de um progresso responsável.

 

Excurso sobre o humano e seus desdobramentos como perspectiva do “pós-humano”



Henrique Marques Lott

Titulação: Doutor(a)

Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora

A reflexão que propomos nesta comunicação parte de algumas concepções filosóficas que permeiam a noção de humano e se desdobra numa análise discursiva que procura indicar uma perspectiva de compreensão para tratarmos a noção contemporânea de "pós-humano". Nossa análise acolhe um ponto de vista de ordem conceitual e especulativa que se divide em três momentos distintos. No primeiro momento, discorremos brevemente acerca da noção de humano, tal como esta é concebida por nossa tradição filosófica. Num segundo momento, nos detemos em concepções filosóficas modernas e contemporâneas que indicam uma abertura possível para pensarmos a questão do "pós-humano" como uma extensão da noção de humano. Por fim, ensaiamos um debate concernente às implicações éticas e morais suscitadas pelos avanços das tecnociências e pela perspectiva do "pós-humano" no campo das relações sociais. Concluímos nossa análise apontando para a necessidade de um aprofundamento do debate em torno de questões relacionadas com a dignidade e a liberdade humana no âmbito das pesquisas científicas e da dinâmica social.

 
Mudanças Clínicas na Passagem do Humano ao Pós-Humano

Bruno Vasconcelos de Almeida

Titulação: Pós-doutorando(a)

Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais




O tema deste trabalho é a interface entre a clínica contemporânea e o uso de tecnologias no cotidiano das pessoas. Esta comunicação problematiza modos de produção de subjetividade na clínica psicológica no momento de grande impacto das tecnologias convergentes na sociedade, onde a figura do humano se vê mergulhada diante dos desafios e narrativas do pós-humano. No contexto da modernidade, as interfaces entre clínica e subjetividade apresentavam dois desdobramentos: por um lado o trabalho da clínica incidia sobre o sofrimento psíquico; por outro, ele evidenciava manifestações somáticas nas quais o corpo era sustentáculo das dores e de um modelo dualista de origem cartesiana. Entre sofrimento e dor, a ideia de conflito, ou a ausência dele, possibilitava a existência de um modelo atento aos sentidos e, em especial, à audição e à escuta. Com o avanço e proliferação de novas tecnologias, em especial aquelas que compõem a chamada convergência tecnológica, isto é, a biotecnologia, a nanotecnologia, as neurociências e as tecnologias da informação e da comunicação, o espaço clínico é afetado pelos desdobramentos da tecnociência. O interior do corpo, por exemplo, e suas dimensões moleculares e bioquímicas, constitui o novo espaço de intervenção, naquilo que diz respeito a um modelo determinado de saúde. Em jogo, não mais o modelo individuado; ao contrário, um modelo dividuado, numérico, micro político e transcoletivo, no qual se pode pensar em subjetividade molecular e digital. O objetivo desta comunicação é a investigação dos impactos das tecnologias para a produção de subjetividade no trabalho clínico. Do ponto de vista metodológico, três linhas de problematização traçam uma pequena cartografia para responder à pergunta pelos modos de afetação entre tecnologia e clínica. A primeira linha investiga as maneiras como temas relativos à clonagem, imagens diagnósticas, transgênicos e células tronco, aparecem em narrativas e discursos do cotidiano e da clínica psicológica. A segunda investiga a gênese do medicamento psiquiátrico como objeto técnico privilegiado do contemporâneo. Por último, a terceira estabelece uma chave provisória para a compreensão do processo de elaboração do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – o DSM V. As linhas de força extraídas destes delineamentos apontam para um modo específico de produção de subjetividade, atento ao molecular, ao digital, ao fragmentário e ao fluido. Da mesma forma, as categorias atreladas à constituição de si subjetiva – tempo, espaço e ritmo – apresentam significativas transformações, que por sua vez, recolocam o desafio da pergunta pelo pós-humano. As transformações clínicas na passagem do humano para o pós-humano referem-se a três situações: à clínica depois do humanismo (uma clínica após-homem), às transformações na compreensão do que é o humano e, por último, à convergência do orgânico com as máquinas, essa zona mista de realidades virtuais, comunicações globais, funcionamento cerebral, genética, inteligência artificial e narrativas digitais. Tecnologias e biotecnologias, o DSM V e os medicamentos psiquiátricos compõem igualmente o cenário pós-humano. 

Músculos e memória de arame: uma leitura de Os músculos e o homem que perdeu a memória, de Inácio de Loyola Brandão

Edson Santos de Oliveira

Titulação: Doutor(a)

Instituição: UFMG

Esta comunicação pretende tecer, num primeiro momento, algumas reflexões sobre a relação entre tecnociência, capitalismo e biopoder, discutindo as relações entre o humano e o pós-humano. Num segundo momento, faremos uma análise dos contos Os músculos e O homem que perdeu a memória, de Ignácio de Loyola Brandão, ressaltando a presença do discurso irônico à era do cyborg.


 

O Relativismo é um Niilismo? Esboço de uma Ética Pós-humanista

Marcello Bax

Titulação: Doutor(a)



Instituição: UFMG


Segundo Lima Vaz o vínculo que nos ligará aos atores da civilização que prevalecerá no Séc. XXI, é a interrogação sobre as razões de viver (sentido da vida). Sob olhar filosófico-teológico, o artigo pretende discutir o esboço de uma ética pós-humanista: que mundo legar às futuras gerações? que atitudes promover para que esta realidade advenha? As respostas clássicas da filosofia à questão do sentido da vida perderam adesão: não há mais cosmos (gregos), fé comum ou grandes utopias (marxismo, capitalismo,...). Que fundamento pode garantir uma "verdade moral", absoluta? Sem referência racional com relação ao sentido da vida, como viver? Lima Vaz afirma ser essa a missão da filosofia do Séc XXI. A.C-Sponville afirma que nos anos 1960, o relativismo era uma quase-evidência. Althusser, Strauss e Foucault influenciaram demais para que se pudesse defender, à época, qualquer posição absolutista. De lá para cá, “relativismo” se tornou, contudo, um qualitativo pejorativo. A crítica contemporânea é a de que ele levaria necessariamente ao niilismo, pois “se tudo vale, nada vale”. O artigo investiga o caso: o relativismo é de fato um niilismo? Revendo a literatura em busca de respostas, a pesquisa contrasta e sintetiza três éticas que propõem desvelar o sentido da vida, as razões de viver. Uma teológica e duas filosóficas. O argumento se estrutura respondendo às perguntas: porque ser relativista? que fundamento para a moral? origens da moral? diferenças entre o relativismo e niilismo? À guisa de conclusão da pesquisa, surgem vários comentários, dos quais pode-se adiantar: (1) Para Lima Vaz, o niilismo ético é consequência da rejeição dos fundamentos metafísicos da ética. Sob o olhar teológico da ética, esse autor defende a volta à intuição tomásica, como caminho de futuro para uma teologia; (2) No terreno filosófico, L.Ferry propõe uma doutrina laica, de viés Kantiano. Uma “transcendência imanente”. Ética do humano divinizado, do homem-Deus; (3) Já o relativismo axiológico, mas não epistêmico, de A.C-Sponville aponta para uma ética existencialista, relativista más não niilista, inspirado em Espinoza: o homem não é “a medida de todas as coisas”; a verdade e o ser são os dois únicos absolutos. Para L.Ferry, a razão descolada da natureza absolutiza-se nos ideais racionais do bem e da verdade; para A.C-Sponville ela é apenas relativa, situada dentro do absoluto que a engloba, o universo. Para L.Ferry o sentido da vida é o amor; para A.C-Sponville, a vida não tem sentido, o amor não é o sentido, embora crie sentido, dá sentido. Para L.Ferry o absoluto é a liberdade; para A.C-Sponville, não há outro absoluto além do real (conjunção da verdade e do ser). Para L.Ferry o essencial é o homem: o mundo gira em torno, o mundo nada mais é do que aquilo que o homem conhece; para A.C-Sponville o essencial seria antes o mundo: o homem está nele, o homem é apenas um dos efeitos (singular, por certo) do mundo. Espera-se mostrar, finalmente, que o relativismo não é um niilismo e com isso iniciar o esboço de uma possível ética pós-humanista. 

Pós-Humanismo e Transcendências em Tensão: a dimensão simbólica e a operatividade da antropotécnica.

Newton Aquiles von Zuben

Titulação: Doutor(a)



Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Campinas


O domínio das tecnociências tem aumentado de modo exponencial tanto em extensão como em complexidade, em particular, no campo da genômica e da engenharia genética. O ser humano viu crescer de modo inaudito o poder de intervenção não mais somente na natureza mas no seu próprio ser. As tecnociências “nos dão a pensar” dadas sua ambivalência e ambigüidade crisogênicas. A quarta questão de Kant “ o que é o homem?” se metamorfoseia em “ que homem vamos fabricar?”. Trans-humano e pós-humano são conceitos propostos para examinar as situações problemáticas provocadas tanto no plano epistemológico quanto no plano ético. Imprevisíveis em seu devir e tentaculares nas suas inovações as novas biotecnologias fascinam e provocam pânico na razão e na imaginação, incitando-as a outros impulsos e a outras contraturas. Essa comunicação se propõe examinar: a) a questão da transcendência como ultrapassagem de si pelo homem. Dois tipos de transcendência se apresentam: a transcendência pela ordem do símbolo, da linguagem e da cultura; e a transcendência pela operatividade da técnica; b) nessa órbita surge a questão ética do “enhancement” o melhoramento do humano por meio de biotecnologias médicas. Indaga-se qual o tipo de expansão de si - transcendência- é autenticamente humana? O pós humanismo se manifesta estabelecendo um novo modo de pensar que coloca em desafio a premissa: é e deveria a natureza humana permanecer essencialmente inalterável? O “pós humano” leva a pensar numa nova antropologia. Creio pertinente analisar a diferença e a complementaridade entre a ordem do símbolo e a da técnica, vale dizer, de uma antropo-logia e de uma antropo-técnica. A questão é: como articular a dimensão simbólica do homem – homo loquax- e a sua dimensão operatória como homo faber sui, na sua pretensão demiúrgica. Nossa herança filosófica é logo-teórica e entende o homem como animal simbólico, falante; ele é naturalmente cultural. Como a operatividade tecnocientífica não pode, enquanto tal, ser simbolicamente assimilada, pois ambas as dimensões são reciprocamente irredutíveis adianto a hipótese de um acompanhamento das atividades tecno-científicas pelo símbolo, pela filosofia. No debate bioético cabe à filosofia argumentar em favor de uma reflexão crítica eventualmente normativa das investigações nessa área. A ambiguidade que caracteriza tais investigações da antropo-técnica sobre o humano, seja terapêuticos ou realizados pela “medicina de melhoramento”, indica a pertinência e a razoabilidade de um “acompanhamento simbólico regulador”. É razoável supor a eventual inter-fecundação entre antropo-logia e antropo-técnica visando um projeto racional operativo de uma “antropo-tecno-logia”. O pós-humanismo, tal como entendo, deve fazer justiça ao mesmo tempo ao homo loquax e ao homo faber reflexivos um do outro e promover, com prudência, a dialética entre antropologias e antropotécnicas. No âmbito desse cenário é pertinente pensar-se numa ordem ética que consiga “dar razão” das novas situações “tecno-simbólicas” que a condição humana encontrará. Essa tarefa já está sendo promovida pela bioética. Newton Aquiles von Zuben agosto 2014.

 

Soberania e segurança: o pós-humano ou o último homem na filosofia política contemporânea



Douglas Ferreira Barros

Titulação: Pós-doutor(a)/PhD

Instituição: PUC-Campinas

Instituição Financiadora: Pessoal




O presente texto tem por objetivo aprofundar as consequências ético-políticas do fim das ideias de homem e de humanismo, e de uma possível formulação da noção de pós-humano na filosofia política contemporânea. Diferentes escolas e abordagens filosóficas trabalharam o diagnóstico sobre o esgotamento das ideias de homem e de humanidade. Entre os filósofos franceses contemporâneos, Foucault afirma: “o homem é uma invenção cuja arqueologia do nosso pensamento mostra facilmente a data recente. E talvez o fim próximo (...) pode-se apostar que o homem se dissolverá, como um rosto de areia na borda do mar”. Também, a guinada linguístico-pragmática, no século XX, e o anúncio de que adentramos a era pós-metafísica contestam frontalmente a concepção segundo a qual noções como homem e humanismo contêm algum teor metafísico, além daquele que se obtém a partir da análise do lugar e da função que os termos ocupam nas proposições da linguagem. Deste modo, se diz hoje que as ideias de homem, de humano –como qualidade derivada do conceito? e humanismo –como movimento que encarna a defesa daquilo que é próprio do homem? tiveram um fim. Então, cabe perguntar: se o fim do homem como ideia é um dado, que consequências ético-políticas pode-se depreender da relação entre o poder e aqueles que a ele se submetem?; O poder, a soberania e o ato da coerção política se instituem sobre quem? E para proteger quem? O homem? O que é próprio do ser humano? A partir da análise de textos de Giorgio Agamben aprofundaremos a coerção da soberania política na sua versão contemporânea para, enfim, entender o que resta do homem na relação com o poder em tempos de pós-humanismo.

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