Domínio da Sedução



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Domínio da Sedução

(Ruthless Russian, Lost Innocence)

Chantelle Shaw


Seria ele capaz de amá-la agora que estava grávida de seu filho?
Eleanor Stafford não gosta de ser o centro das aten­ções. Mas, depois de uma fabulosa apresentação em Paris, não podia fugir de uma festa em sua homenagem. Porém, não são os convidados que a deixam confusa, e sim um único homem: Vadim Aleksandrov. Um breve olhar do imponente e implacável magnata russo a faz tremer, e a atração entre os dois é visível. Para ele, a solução é simples: Eleanor deve ser sua amante. Ela, por sua vez, teme que o passado de Vadim o condene. Haveria alguma chance de salvação agora que gerava dentro de si o herdeiro dele?


Digitalização: Simone R.

Revisão: Sueli M.

Querida leitora,
Eleanor Stafford havia vivido em função da música até aquela noite em Paris, quando sua performance en­cantou e seduziu Vadim Aleksandrov. Ele abusava de sua sensualidade, e estava determinado a possuí-la. Para ela, a atenção de um homem tão irresistível e perigoso era inesperada e até um tanto intimidadora, mas, talvez, por uma noite, ela pudesse se entregar ao desejo e viver sua fantasia...

Equipe Editorial Harlequin Books

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: RUTHLESS RUSSIAN, LOSTINNOCENCE
Copyright © 2010 by Chantelle Shaw

Originalmente publicado em 2010 por Mills & Boon Modem Romance

Arte-final de capa: Isabelle Paiva

Editoração Eletrônica:

ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654 / 2524-8037

Impressão:

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Aos cuidados de Virgínia Rivera

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CAPÍTULO UM


Auditório do Louvre Paris

Aconteceu em um instante. Um olhar furtivo até o outro lado do auditório lotado do Louvre e bam, Ella sentiu como se tivesse sido atingida por um raio.

O homem estava um pouco distante, cercado por um grupo de francesas elegantes que estavam disputando a atenção dele. Quando os olhos de ambos se encontraram por breves segundos, o coração dela parou e ela teve a impressão de estar diante de um homem alto, sombrio e devastadoramente lindo, mas quando ela desviou os olhos daquele fascinante olhar azulado, instintivamente incluiu a palavra perigoso na lista.

Abalada pela reação causada por um completo estra­nho, ela fitou a taça de champanhe e ficou apavorada ao descobrir que suas mãos tremiam, e tentou se concentrar na conversa com um jornalista da área musical do cader­no de cultura do Paris Match.

— A plateia estava exatasiada esta noite, made-moiselle Stafford. Sua performance do Concerto para Violino nQ 2 de Prokofiev foi verdadeiramente extra­ordinária.

— Obrigada. — Ella sorriu vagamente para o repór­ter, mas ainda estava extremamente consciente do inten­so exame minucioso feito pelo homem do outro lado da sala, e precisou de toda força de vontade para resistir à tentação de virar a cabeça. Foi quase um alívio quando Marcus surgiu ao lado dela.

— Sabia que todo mundo está dizendo que nasceu uma estrela esta noite? — Ele a felicitou animadamen­te. — Você estava maravilhosa, Ella. Acabei de dar uma espiada na prévia da resenha que Stephen Hill está escre­vendo para o jornal The Times e peguei estas aspas: "A bravura técnica e paixão de Stafford são de outro mundo. Seu brilhantismo musical é fascinante e sua performance desta noite consolida seu lugar como uma das melhores violinistas do mundo." Nada mal, não é? — Marcus não conseguia esconder a satisfação. — Vamos... Você pre­cisa circular. Há pelo menos meia dúzia de jornalistas querendo entrevistá-la.

— Na verdade, se você não se importa, eu realmente gostaria de voltar para o hotel.

O sorriso de Marcus desapareceu quando ele perce­beu que ela falava sério.

— Mas é sua grande noite — ele protestou. Ella mordeu os lábios.

— Eu sei que esta festa é a oportunidade ideal para fazermos mais publicidade, mas estou cansada. O con­certo sugou minhas forças. — Particularmente porque ela passara as horas antes da performance solo devastada pelos nervos. A música era a sua vida, mas a paralisante fobia de palco que ela sentia todas as vezes que tocava em público estava longe de ser agradável, e algumas ve­zes ela se perguntava se seguir uma carreira como solista era o que realmente queria quando aquilo a deixava tão fisicamente doente de tanto medo.

— Você atraiu um público "classe A" esta noite, não pode simplesmente desaparecer — Marcus argumentou.

— Eu vi pelo menos dois ministros do governo francês, isso sem mencionar um oligarca russo. — Ele deu uma olhadela sobre o ombro de Ella e assoviou baixinho.

— Não olhe agora, mas Vadim Aleksandrov está vindo em nossa direção.

Tomada por uma enorme sensação de inevitabilidade, Ella virou a cabeça em uma fiação de segundo, e sen­tiu o coração golpear quando seus olhos se chocaram mais uma vez com aquele surpreendente olhar azulado. O homem estava indo resolutamente em direção a ela com passos largos, e ela o encarou, paralisada pela bele­za máscula de traços classicamente esculpidos e cabelos preto-azeviche penteados para trás.

— Quem é ele? — ela cochichou para Marcus.

— Um bilionário russo... Fez fortuna no setor de tele­fones celulares e possui um império em propriedades...

— Marcus interrompeu rapidamente, mas Ella não pre­cisou encarar o sorriso mais insinuante de seu agente para saber que o homem estava bem atrás dela. Ela po­dia sentir a presença dele. O perfume forte da colônia lhe atacou os sentidos e os cabelinhos atrás do pescoço se arrepiaram quando ele falou em uma voz profunda e melodiosa, tão opulenta e sensual quanto as notas de um violoncelo.

— Perdoe minha intromissão, mas eu gostaria de pa­rabenizar a senhorita Stafford por sua performance esta noite.

— Sr. Aleksandrov — a mão de Marcus passou diante do nariz de Ella quando ele cumprimentou o russo. — Sou Marcus Benning, agente da Ella. E esta, é claro... — ele afagou o ombro de Ella de uma forma vagamente possessiva — é lady Eleanor Stafford.

Ella corou, e sentiu uma onda de irritação com Marcus, que sabia que ela não gostava de usar o tal título, mas que ele insistia ser boa ferramenta de marketing. Porém, assim que ela virou o rosto para o homem, tudo desvaneceu, e apenas Vadim Aleksandrov passou a existir. Os olhos dela fluíram pelo rosto dele e o rubor se apro­fundou diante da centelha feroz do olhar. Uma mistura curiosa de medo e excitação a atingiu, juntamente com o sentimento ridículo de que a vida dela nunca mais seria a mesma após aquele momento.

— Eleanor. — A voz com sotaque forte enviou o mes­mo tremor de prazer pela espinha que ela sentia quando tocava o arco nas cordas do violino.

— É uma honra conhecê-lo, sr. Aleksandrov — Marcus disse impacientemente. — Estarei certo se disser que sua empresa detém o monopólio das vendas de telefones celu­lares na Rússia?

— Certamente temos vantagem na brecha do mercado de comunicações nos negócios mais recentes, mas a em­presa tem crescido e se diversificado amplamente desde então — Vadim Aleksandrov murmurou, o colocando de lado. Ele continou a olhar Ella intensamente, e Marcus finalmente captou a mensagem.

— Onde estão os malditos garçons? Preciso reabas­tecer — ele resmungou, acenando a taça de champanhe vazia antes de perambular em direção ao bar.

Por um segundo Ella ficou tentada a sair correndo atrás dele, mas os enigmáticos cintilantes olhos azuis do russo pareciam exalar um abraço magnético em torno dela, e ela estava tão subjugada pela masculinidade potente que se viu enraizada àquele local.

— Você tocou explendidamente esta noite.

— Obrigada. — Totalmente consciente da atração elétrica entre eles, ela lutou para formular uma resposta delicada. Nunca havia experimentado algo daquela natu­reza, nunca esteve tão ciente da presença de um homem, e aquilo era francamente aterrorizante.

O sorriso sádico de Vadim a alertou de que ele sabia a reação que sua presença causava nela.

— Eu nunca tinha ouvido uma pessoa que não fosse russa tocar Prokofiev com a intensidade apaixonavel pela qual ele, e tantos dos nossos conterrâneos, são conhecidos.

Será que aquele fora um jeito indireto de dizer a ela que ele era apaixonado? Tal pensamento veio esponta­neamente à mente dela, que corou, ao reconhecer que ele não precisava indicar um fato tão óbvio. Mas para ela, com sua experiência sexual completamente limi­tada, Vadim Aleksandrov usava a virilidade como um distintivo.

— Está gostando da festa?

Ella passou o olhar pelo salão apinhado de gente, onde centenas de convidados estavam conversando ao mesmo tempo. O burburinho de vozes fazia os ouvidos dela doerem.

— Está muito boa — ela murmurou.

O lampejo de deleite nos olhos de Vadim disseram a ela que ele sabia que ela mentira.

— Eu sei que você vai tocar outra vez amanhã à noite, então presumo que vá ficar em Paris.

— Sim. No Hotel Intercontinental — ela acrescentou quando ele ergueu as sobrancelhas de modo zombeteiro.

— Estou no George V, não muito longe de você. Te­nho um carro me esperando... Posso oferecer uma ca­rona de volta ao seu hotel? Talvez pudéssemos beber alguma coisa.

— Obrigada, mas não posso fugir da festa — Ella resmungou, ciente de que há alguns minutos estivera planejando fazer exatamente aquilo. Entretanto, a sensu­alidade ostensiva de Vadim Aleksandrov lhe perturbou a compostura além da conta para se permitir considerar se sociabilizar com ele. O olhar faminto dele a alertava de que ele esperava por um drinque no bar, o que levaria a um convite para subir ao quarto, e ela definitivamente não era o tipo de mulher que cedia a encontros de uma noite apenas.

Mas supondo que ela fosse o tipo de mulher que con­vidaria um estranho sexy para passar a noite com ela...? Por um segundo a imaginação dela correu agitada, e uma série de imagens chocantes lampejaram em sua mente.

O que ela estava pensando? Podia sentir o calor irra­diando do próprio rosto e desviou os olhos apressada­mente do olhar especulativo de Vadim, apavorada pelo fato de ele ter lido o seu pensamento de alguma forma.

— A festa é em sua homenagem. É claro que enten­do sua ânsia de permanecer — ele falou de modo ar­rastado, em tom de chacota. — Estarei em Londres na semana que vem. Talvez pudéssemos jantar uma noite dessas?

Ella afastou de imediato o impulso louco de aceitar o convite dele.

— Temo que estarei ocupada.

— Todas as noites? — O sorriso sensual dele fez o coração dela falhar. — Ele é um homem de sorte.

Ela franziu a testa.

— Quem?

— O amante que exige sua atenção todas as noites.



— Eu não tenho um amante... — ela parou abrupta­mente, percebendo que involuntariamente revelara mais do que gostaria sobre sua vida pessoal. O brilho de satis­fação no olhar dele fez soar um alarme dentro dela, ela agradeceu em silêncio quando flagrou Marcus sinalizan­do para que se juntasse a ele no bar.

— Se me dá licença, acho que meu agente conseguiu mais uma entrevista para mim. — Ela hesitou, enquanto sua educação inata lutava contra a necessidade de ficar distante o máximo possível daquele russo perturbador. Então ela disse apressadamente: — Obrigada pelo con­vite, mas a música toma todo meu tempo e não posso me envolver com ninguém no momento.

Vadim se moveu imperceptivelmente para mais per­to, assim ela pôde sentir o calor que emanava do corpo dele. Ela endureceu, os olhos se arregalando em choque quando ele levantou o braço e passou o dedo suavemente sobre o rosto dela.

— Então devo tentar convencê-la a mudar de ideia — ele prometeu delicadamente antes de se virar e partir, deixando-a olhá-lo ir, impotente.


Londres uma semana depois

O Garden Room no Amesbury House estava domina­do pelo zunido das vozes enquanto os convidados entra­vam e tomavam seus assentos. Os membros da Orques­tra Filarmónica de Londres já estavam em seus lugares e havia o ruído usual do folhear das partituras e um sus­surro da conversa dos músicos enquanto se preparavam para o concerto.

Ella tirou o violino do estojo e sentiu um leve tremor de prazer quando passou os dedos pelo bordo polido e delicado. O Stradivarius era lindo e incrivelmente va­lioso. Vários colecionadores lhe ofereceram uma fortu­na por aquele instrumento raro, mais do que suficiente para ela comprar um lugar para morar e ainda manter um bom pé-de-meia caso a carreira declinasse. Mas o violino pertencera à mãe dela; seu valor sentimental era incalculável e ela nunca se desfaria dele.

Ela folheou as páginas das partituras na estante em frente, percorrendo a sinfonia mentalmente, embora pre­cisasse recorrer muito pouco às páginas após praticar durante quatro horas naquela tarde. Perdida no próprio mundo, ela estava apenas vagamente consciente das vo­zes ao seu redor, até que alguém falou seu nome.

— Você está a quilómetros de distância, não é? — dis­se impacientemente a companheira de orquesta e pri­meira violinista Jenny March. — Eu disse, parece que uma de nós tem um admirador... Embora infelizmente eu não ache que seja eu — ela emendou, o tom de arre­pendimento genuíno na voz finalmente fez Ella erguer a cabeça.

— De quem você está falando? — ela murmurou, lan­çando uma busca ao redor do cómodo. Seu olhar desli­zou ao longo da primeira fila de convidados e parou de forma brusca em uma figura sentada a poucos metros dela.

— Ah! O que ele está fazendo aqui? — ela resmun­gou, desviando a cabeça alguns segundos tarde demais para evitar o cintilante olhar familiar do homem que po­voara os sonhos dela na última semana.

— Você o conhece? — Jenny arregalou os olhos e não conseguiu disfarçar a ponta de inveja na voz. — Ele é simplesmente maravilhoso. Quem é ele?

— O nome dele é Vadim Aleksandrov — Ella disse em um tom contido, ciente de que Jenny iria atormen­tá-la por mais informações a noite toda. — Ele é um bilionário russo. Eu fui apresentada a ele uma vez, bre­vemente, mas não o conheço.

— Bem, está óbvio que ele gostaria de conhecê-la melhor — Jenny disse pensativa, intrigada por causa dos borrões vermelhos que coloriam as bochechas de Ella. lady Eleanor Stafford era conhecida por ser fria e sere­na, tanto que chegou ao ponto de ganhar o apelido de princesa do gelo por parte de uns poucos membros da orquestra, mas naquele momento Ella estava parecendo claramente aquecida.

— Não consigo entender por que ele está aqui — Ella resmungou de forma tensa. — De acordo com a coluna de fofocas da revista que eu li, ele deveria estar no Festival de Cannes com uma atriz italiana famosa. — A foto dele e de sua acompanhante voluptuosa se fixou na mente de Ella, e para seu aborrecimento ela era incapaz de esquecê-la ou de afastar a imagem chocante de Vadim nu fazendo amor com sua amante mais recente. A vida particular dele não era da conta dela, ela se lembrou categoricamente. Vadim Aleksandrov não a interessava, ela não se renderia absolutamente à pressão de virar a cabeça e encontrar o olhar azul perfurante cujo foco ela podia sentir.

Porém, a ciência espinhosa da presença dele não di­minuía, e ela teve de se forçar a se concentrar conforme a plateia se acomodava e o maestro da Orquestra Sin­fónica de Londres, Gustav Germaine, erguia a batuta. Dando um suspiro profundo, ela posicionou o violino sob o queixo, e só então, quando empunhou o arco, rela­xou e deu toda a atenção à música que fluía da madeira e das cordas e que parecia oscilar dentro dela, eliminando qualquer outro pensamento.



Uma hora e meia depois as últimas notas da sinfonia desfaleciam. E o som dos aplausos tumultuados da plateia quebravam o estado catatônico de Ella, lançando-a de volta à realidade.

— Que beleza! Gustav está quase sorrindo — Jenny sussurrou quando os membros da orquestra se levanta­ram e fizeram uma reverência. — Isso deve significar que ele está satisfeito com nossa perfomance, para va­riar. Para mim, foi perfeito.

— Não fiquei totalmente feliz com o modo como to­quei o começo do quarto movimento — Ella resmungou.

— Mas você é ainda mais perfeccionista do que Gustav — Jenny disse, de maneira desinteressada. — Pela resposta do público, eles adoraram. Especialmente seu russo. Ele não tirou os olhos de você a noite toda.

— Ele não é meu russo. — Ella não queria ser lembra­da sobre Vadim Aleksandrov, ou tomar conhecimento de que ele a estivera observando. Ela certamente não queria olhar na direção dele, mas, como um fantoche manipulado por cordas invisíveis, girou a cabeça em uma fração de segundos, os olhos inexoravelmente mergulhados na figura de cabelos escuros na fileira da frente.

Jenny estava certa... Ele era lindo, ela admitiu de maneira relutante. A música dominou a sua vida, e normal­mente ela pouco notava os homens, mas era impossí­vel ignorar Vadim. Ele era alto, ela estimava algo entre 1,90m e 1,95m, com ombros impressionantemente lar­gos cobertos por um casaco elegantemente cortado. Os cabelos negros e a pele morena de alusão a ancestrais mediterrâneos faziam os vívidos olhos azuis brilharem ainda mais sob as sobrancelhas escuras. O rosto de ossos torneados era belamente esculpido, com maxilares afiados, um nariz aristocrático e um queixo quadrado que notificava uma natureza determinada, enquanto a boca lindamente modelada era de uma sensualidade nata.

— Então, onde você conheceu um sexy milionário russo? — Jenny resmungou sob o som dos aplausos do público. — E se você não está interessada nele, acho no mínimo justo que você me apresente. Ele é praticamente comestível.

— Eu o conheci em Paris. Jenny arregalou os olhos.

— Paris... A cidade do romance. Isso está ficando cada vez melhor. Você dormiu com ele?

Não! Absolutamente não. — Ella deu um olhar es­candalizado para a amiga. — Você acha que eu pularia na cama de um homem que acabei de conhecer?

— Normalmente não. Mas talvez se ele te olhasse do mesmo jeito que está olhando agora...

Ella sabia que se arrependeria de fazer a pergunta seguinte.

— De que jeito ele está olhando para mim? — ela per­guntou, tentando soar desinteressada... sem sucesso.

— Como se estivesse imaginando que está te despin­do, bem devagar, e passando as mãos por cada centí­metro do seu corpo enquanto a expõe ao olhar faminto dele.

— Pelo amor de Deus, Jen! Não sei que tipo de livro você andou lendo ultimamente.

Jenny viu o rubor tomar o rosto de Ella e sorriu.

— Você perguntou... Só estou dizendo o que suponho estar na mente do seu russo.

Ele não é meu russo. — Uma força além do contro­le exigiu que ela girasse a cabeça, e assim que os olhos se chocaram ela sentiu um golpe selvagem de consciência sexual no estômago. Para seu próprio horror, sentiu um formigamento agradável nos seios assim que os mamilos enrijeceram, e ficou mortificada quando Vadim baixou os olhos deliberadamente até os picos rijos pressionados contra o vestido aderente de seda. Ruborizada, ela virou a cabeça para o outro lado e se obrigou a sorrir assim que encarou a plateia e fez mais uma reverência.



Vadim sentiu uma onda de satisfação quando notou os si­nais traidores que mostravam que Ella Stafford não era imune a ele como ela o fazia querer acreditar. Quando eles se conheceram uma semana atrás, ele fora arrebatado pela beleza delicada e ficou intrigado com a frieza. Ele a desejava muito... Talvez mais do que já desejara alguma outra mulher, ele pensava enquanto seus olhos percorriam o corpo esbelto de Ella, seguindo a leve curva de seus quadris, o delicado desvio de sua cintura e a deliciosa pro­tuberância de seus seios sob o vestido de gala preto. Os cabelos estavam presos em um coque elegante, e por um momento ele se perdeu na fantasia prazerosa de remover os grampos para que aquela seda loira caísse sobre os ombros. Para sua própria surpresa, ele sentiu algo enrijecer. Não ficava tão excitado desde que era um jovem dominado pela testosterona, ele reconheceu zombando de si, e inspirou intensamente, as narinas es­tufando levemente enquanto ele impunha um rígido au­tocontrole sobre os hormônios.

Os membros da orquestra estavam prenchendo o Garden Room. Ele estava ciente de que Ella havia sido resoluta em não olhar para ele, mas assim que ela foi à frente do públi­co, deu uma olhadela relâmpago para ele, e ficou vermelha quando ele meneou a cabeça em agradecimento.

A reação dela o agradou. Ele soubera quando se co­nheceram em Paris, e vira na chama de surpresa nos olhos dela que a atração era mútua. A química sexual era uma força potente que prendera ambos, mas por algum motivo ela recusara o convite dele para jantar usando um tom frio discrepante às pupilas dilatadas e ao delicado tremor nos lábios.

Ele ignorou o rumor que circulava entre certos indiví­duos do grupo social dela sobre ela ser frígida. Ninguém poderia tocar um instrumento com tanto fogo e paixão e ter gelo correndo nas veias. Mas a resistência dela cer­tamente era uma novidade. Nunca tivera problemas em persuadir uma mulher a ir para a cama com ele, Vadim refletiu cinicamente, ciente de que seu status de bilionário contribuía bastante para sua atratividade.

Mas Ella era diferente das modelos e socialites que ele costumava namorar. Ela era um membro da aristocra­cia; linda, inteligente e uma musicista talentosa. A atra­ção sexual entre ambos era incontestável, e assim que Vadim se virou para ver a figura esguia sair do Garden Room, sentiu uma onda de determinação para torná-la sua amante.

A noite na Amesbury House era um evento beneficente organizado pelo patrono da caridade infantil, e após a performance da Orquestra Sinfónica de Londres foi ser­vida uma seleção de queijos e vinhos finos no Egyptian Room. Ella sorriu a conversou com os convidados, mas estava consciente do sentimento de vazio dentro de si que sempre se seguia a cada apresentação. Ela colocava o coração e a alma no ato de tocar, mas depois se sentia emocionalmente esgotada, e o burburinho de vozes au­mentava sua dor de cabeça.

Ela não vira Vadim desde que captara seu olhar di­vertido na saída do Garden Room, e presumiu que ele tivesse ido embora logo após a apresentação. Era um alívio saber que não precisaria combater sua presença perturbadora pelo restante da noite, ela pensou assim que passou pela porta que levava ao laranjal, um jar­dim de inverno com teto de vidro que acompanhava a extensão da casa, e que estava abençoadamente fresco e tranquilo. O ambiente de árvores cítricas folhosas era lindo, mas ela ansiava voltar para a Kingfisher House, ao lado do rio Tamisa, seu lar nos últimos anos. Ela fi­tou o relógio, imaginando o quão cedo poderia escapar da festa, e arfou alarmada quando uma figura surgiu das sombras.

— Pensei que tivesse ido embora. — O choque deu um limite agudo à voz dela, e Vadim Aleksandrov er­gueu as sobrancelhas de modo zombeteiro.

— Estou lisonjeado por você ter notado minha ausên­cia, lady Eleanor.

A voz profunda e com sotaque era tão sensual que ela não podia conter o pequeno tremor. A única luz no laran­jal vinha dos raios prateados da lua que atravessavam o vidro, ela esperava que ele não pudesse ver o rubor que lhe dominava as bochechas.

— Por favor, não me chame assim. Eu nunca uso meu título.

— Prefere que eu a chame de Ella, como seus amigos fazem? — Sob aquela meia-luz perolada, o sorriso de Vadim revelava um conjunto de dentes brancos e perfei­tos que fazia Ella se lembrar de um lobo predador. — Es­tou alegre por você se lembrar de mim como um amigo — ele falou lentamente. — É o marco de um grande passo em nosso relacionamento.

Ela franziu a testa, enfurecida pelo tom de chacota, e ciente de um tom bastante oculto na voz dele que a alertava para se pôr em guarda.

— Não temos um relacionamento para dar um passo a frente, atrás ou para qualquer outro lado — ela rebateu.

— Uma situação insatisfatória que pode ser sanada facilmente. Tenho dois ingressos para assistir à Madame Butterfly no Royal Opera House na quinta-feira à noi­te. Você se importaria em me acompanhar? Poderíamos jantar depois.

— Vou pegar um voo para Cologne para tocar no Opernhaus na quarta-feira — Ella disse a ele sincera­mente, afirmando para si que a pontadinha de pesar que sentia se devia ao fato de aquela famosa ópera de Puccini ser uma de suas favoritas.

— Posso conseguir ingressos para outra noite.

A autoconfiança suprema dele era típica de um ho­mem que fazia as coisas do seu jeito, e o sorriso arro­gante fez os pelos de Ella eriçarem. Estava claro que ele esperava que as mulheres caíssem a seus pés, e não ha­via dúvidas de que muitas delas se jogariam para passar uma noite com ele, e então provavelmente se jogariam na cama dele com a mesma avidez, mas ela não era uma delas. Ela tentava repeli-lo educadamente, mas era óbvio que táticas mais ásperas se faziam necessárias.

__Qual parte do não você não entendeu? — ela inda­gou friamente.

Longe de parecer ofendido, ele expandiu o sorriso e andou na direção dela, o penetrante olhar azulado a encurralou, deixando-a tão impotente quanto um coelho confrontado pelos faróis de um carro.

— A parte do não que não entendi? Esta parte — Vadim disse suavemente, deslizando a mão abaixo do queixo dela e baixando a cabeça antes que ela tivesse tempo de compreender a intenção dele, ou de reagir a ela.



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