Dr. Carlos Chagas



Baixar 202.68 Kb.
Página1/6
Encontro31.12.2017
Tamanho202.68 Kb.
  1   2   3   4   5   6

Dr.Carlos Chagas

REPORTAGENS SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS:

ÍNDICE:

01. A Folha – 05/02/1997 - PAÍS DEVE ERRADICAR BARBEIRO EM 1998


02. A Folha – 04/04/1997 - BRASIL MANDA EXPERIMENTO AO ESPAÇO
03. A Folha – 05/02/1997 - COLUMBIA VOLTA SEM TERMINAR PROJETO DA USP
04. A Folha – 01/06/1997 - E OS BARBEIROS CONTINUAM...!
05. A Folha – 20/07/1997 - JULIO ABRANCZYK – livro dobre a doença
06. A Folha – 27/02/2000 – PARASITOLOGIA
07. A Folha – 19/03/2000 - DOENÇA DO BARBEIRO FOI DESCOBERTA POR ACASO
08. Science Daily – 24/07/2001 - BANNING ANIMALS FROM THE BEDROOM...
09. A Folha – 05/06/2002 - SALIVA DE INSETO ELIMINA MICRÓBIOS
10. A Folha – 22/01/2003 - Genoma nacional rende primeiras patentes
11. A Folha – 22/01/2003 - NOVO MÉTODO DETECTA CAUSADOR DO MAL...
12. A Folha – 29/06/2003 - Doenças negligenciadas terão pesquisa
13. A Folha – 03/02/2004 - MÚMIAS DE 9.000 ANOS CARREGAM DNA DO...
14. A Folha – 27/02/2004 - BRASILEIRA GANHA PRÊMIO CIENTÍFICO...
15. A Folha – 30/03/2004 - CÉLULAS-TRONCO ATACAM DERRAME CEREBRAL
16. A Folha – 01/04/2004 - Pele de perereca pode combater Chagas
17. Página 20 – 30/07/2004 – COMBATE À DOENÇA DE CHAGAS TERÁ R$1,31m
18. A Folha – 01/08/2004 - A HERANÇA DE CHAGAS
19. A Folha – 11/11/2004 - CORAÇÃO FAZ VOLANTE DO PAYSANDU SE...
20. A Folha – 01/12/2004 - CÉLULA-TRONCO RESTITUI CORAÇÃO CHAGÁSICO
21. A Folha – 07/12/2004 - PAÍS POBRE CONVERTE DESDÉM EM MERCADO
22. A Notícia – 20/03/2005 - Doença de Chagas matou 3 pessoas...
23. O Globo - 22/03/2005 - MAL DE CHAGAS MATA PELO MENOS QUATRO EM SC
24. O Globo - 22/03/2005 - ESTUDO COMPROVA TRANSMISSÃO VIA ORAL
25. A Folha – 22/03/2005 - CHAGAS MATA 3 QUE BEBERAM CALDO DE CANA
26. A Folha – 22/03/2005 - MAL ATINGE CERCA DE SEIS MILHÕES DE...
27. O Globo – 23/03/2005 - DOIS TURISTAS TÊM SINTOMAS DO MAL DE CHAGAS


28. O Globo – 24/03/2005 - NÚMERO DE MORTOS CHEGA A SEIS,...
29. A Folha – 24/03/2005 - CANA NÃO OFERECE RISCO AO CONSUMO SE...

30. A Folha – 25/03/2005 – SURTO INESPERADO


31. A Folha – 25/03/2005 – EXÉRCITO AUXILIA NO ATENDIMENTO

32. A Folha – 25/03/2005 – BRASIL ALERTA VIZINHOS SOBRE MAL DE CHAGAS

33. A Notícia – 25/03/2005 – BARRACAS ATENDEM SUSPEITOS DE...
34. A Folha – 27/03/2005 – DOENÇA CONHECIDA AINDA MATA

35. A Folha – 30/03/2005 – RELATÓRIO APONTA 26 CASOS ... NO AMAPÁ
36. Reuters - 30/03/2005 - LABORATÓRIO JAPONÊS DESENVOLVE DROGA...

37. A Folha – 01/04/2005 - 24 CASOS... INSETO OU GAMBÁS PODEM...
>>. Fotos


-----------------------
1. A Folha – www.folha.com.br – 05/02/1997

PAÍS DEVE ERRADICAR BARBEIRO EM 1998

em Belo Horizonte

O principal barbeiro transmissor da doença de Chagas, o Triatoma infestans, deverá estar erradicado do país no próximo ano, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Edson Reis Lopes.

Segundo ele, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraíba não têm mais o tipo de barbeiro, responsável pelo maior índice de contaminação pelo Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença.

Atualmente, cerca de 5 milhões de pessoas têm a doença de Chagas no Brasil, disse Lopes.

Com a erradicação do barbeiro, Lopes prevê uma redução drástica no número de novos casos.

Pesquisa realizada em 35 mil crianças em Minas Gerais em 96 aponta que o índice de contaminação caiu para 0,04% (12 casos) contra a média de 30% registrada nos anos 70. Os dados são da FNS (Fundação Nacional de Saúde no Estado).

A doença de Chagas manifesta-se em cerca de 50% das pessoas contaminadas, afirmou Reis Lopes, médico patologista.

O protozoário provoca lesões cardíacas e intestinais, que em 10% dos casos levam à morte.
-----------------------
2. A Folha – www.folha.com.br – 04/04/1997

Ônibus espacial deve ser lançado hoje

BRASIL MANDA EXPERIMENTO AO ESPAÇO

Ricardo Bonalume Neto especial para a Folha

O ônibus espacial americano Columbia deverá ser lançado hoje às 16h (horário de Brasília) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). E pela primeira vez na história dessas viagens espaciais há um experimento brasileiro a bordo.

O experimento constitui no crescimento, em ambiente espacial, de cristais de duas proteínas.



Ele foi projetado pela equipe de Glaucius Oliva, do Instituto de Física de São Carlos da USP. As proteínas são originárias da semente da jaca e do parasita causador da doença de Chagas.

O vôo será uma longa missão de 16 dias. O ambiente espacial é caracterizado pelo que a Nasa chama de ``microgravidade''. Esse ambiente favorece o crescimento de cristais de melhor qualidade, o que facilita a identificação de sua estrutura molecular.

Quando uma nave entra em órbita da Terra ocorre uma aparente ausência de peso causada pela falta de uma força gravitacional dirigida para baixo.

A força de atração gravitacional exercida pela Terra sobre os outros corpos celestes diminui com a distância do planeta.

Saúde

Os estudos com as duas proteínas têm implicações importantes na área de saúde.



Os cristais permitem conhecer a estrutura físico-química de uma proteína. A imagem da estrutura é trabalhada através de programas de computação gráfica. Essas visualizações permitem criar medicamentos adaptados para agirem na proteína.

A proteína da semente de jaca age no sistema de defesa do organismo, conforme descoberta da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

Ela atua no controle da inflamação e poderia servir como adjuvante -intensificadora da resposta imunológica do organismo- em vacinas.

A segunda proteína é uma enzima que tem papel importante no metabolismo de açúcares do Trypanosoma cruzi, o protozoário que causa a doença de Chagas e é essencial para a vida do bicho. Um medicamento que impedisse a ação dessa enzima seria opção para tratar a doença de Chagas.

O experimento vai usar tecnologia de crescimento de cristais no espaço desenvolvida pelo Centro de Cristalografia Macromolecular da Universidade de Alabama em Birmingham.

A empresa Brazsat intermediou o processo de colocação do experimento a bordo. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) também participa.

-----------------------


3. A Folha – www.folha.com.br – 05/02/1997

Falha em gerador faz ônibus espacial voltar 12 dias mais cedo; nave levava primeira experiência brasileira no espaço

COLUMBIA VOLTA SEM TERMINAR PROJETO DA USP

Das Agências Internacionais

O ônibus espacial Columbia, que pela primeira vez levava experimentos científicos brasileiros ao espaço, vai voltar para a Terra mais cedo. A missão deve terminar amanhã, 12 dias antes do inicialmente previsto.

Os cientistas que realizariam os experimentos realizaram apenas uma parte minúscula do trabalho programado.

Um dos três geradores de eletricidade do Columbia não está funcionando bem. Por cautela, o controle da missão decidiu ontem pelo retorno precoce. A nave havia partido na sexta-feira.

Na missão da Columbia seriam realizados experimentos científicos que precisam do ambiente espacial de microgravidade para terem sucesso. O trabalho científico mal havia começado quando os sete tripulantes da nave foram informados de que deveriam voltar mais cedo e de que teriam menos energia para pesquisar.

Os cientistas-astronautas acenderiam dezenas de focos de fogo para estudar o comportamento da chama na microgravidade. O outro trabalho importante era encomendado por pesquisadores brasileiros da USP.

Projeto da USP

O experimento constitui em fazer crescer cristais de duas proteínas. Ele foi projetado pela equipe de Glaucius Oliva, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, e também tem a participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

As proteínas são originárias da semente da jaca e do parasita causador da doença de Chagas. Por meio dos cristais é possível conhecer melhor a estrutura de uma proteína, o que facilita a criação de drogas de uso médico a partir dela.

As drogas, no caso, serviriam para melhorar a potência de vacinas e para combater o protozoário que causa a doença de Chagas.

“Foi com certeza decepcionante”, disse Jim Halsell, depois de receber a notícia do fim precoce da missão. O desligamento do gerador vai diminuir drasticamente o trabalho no laboratório.

“Vamos continuar a trabalhar até quando for possível”, disse a gerente da missão, Teresa Vanhooser. “O clima é de desapontamento, mais do que qualquer coisa. Acho que ninguém está pronto para jogar fora o seu trabalho”, afirmou Vanhooser.

O cientistas têm esperança de que a missão, que estava sendo planejada havia três anos, possa ser relançada. Como estão atrasados os vôos que serão realizados para a montagem da estação espacial internacional, da qual a Nasa vai participar, deve haver espaço na agenda para outras missões.

Problema previsto

Alguns sinais de problemas no gerador de US$ 5 milhões já haviam sido detectados antes da partida e prosseguiram durante a viagem. Os aparelhos ficam na fuselagem da nave e fornecem toda energia que ela utiliza.

Técnicos da Nasa temiam que o defeito no aparelho pudesse provocar um incêndio ou uma explosão e pretendiam desligá-lo até ontem. O ônibus espacial pode funcionar com segurança usando apenas dois geradores.

“Nós realmente não temos informações suficientes para entender o que está acontecendo de fato. Chegamos à conclusão que a coisa mais cautelosa a fazer era pousar a nave na terça-feira”, disse Tommy Holloway, diretor da missão.

Desde que começaram os vôos dos ônibus espaciais, em 1981, é a terceira vez que a Nasa termina uma missão precocemente.

O Columbia deve pousar no início da tarde de amanhã, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Uma pista na Califórnia também está pronta para receber a nave.
-----------------------
4. A Folha – www.folha.com.br – 01/06/1997

E OS BARBEIROS CONTINUAM...!

Antonio Ermírio De Moraes

A notícia foi dada pelo "Jornal Nacional" na última segunda-feira. Um prefeito, desesperado ao ver avançar a doença de Chagas em Cacimba da Areia, na Paraíba, prometeu R$ 20 para cada cem barbeiros que fossem capturados pela população.

A campanha durou apenas um dia. O primeiro premiado capturou 350 mosquitos, ganhou R$ 70 e quebrou o caixa da prefeitura. O município continua com os barbeiros e, agora, com menos dinheiro.

Minha amiga Joaninha, que lecionou 40 anos no interior de São Paulo, onde a doença de Chagas também foi grave, telefonou-me para protestar contra a escolha de 1997 como o "ano da saúde". Ponderei que isso deve ter sido por causa da CPMF, que vai arrecadar cerca de R$ 6 bilhões para a saúde.

Ela argumentou, porém, que as filas do SUS continuam tão compridas quanto antes e que os hospitais conveniados não podem fazer milagres. Afinal, o SUS lhes paga R$ 4 por uma diária hospitalar quando só a roupa lavada (de um leito) custa R$ 6.

Nas longas filas do SUS, a Joaninha tem colhido informações inusitadas. Ela me contou que um pobre cardíaco, chefe de família, teve a sua ponte de safena marcada para janeiro de 1999. Esse hospital costuma receber de 15 a 20 telefonemas de cada paciente, na esperança de uma desistência na fila das cirurgias. O interessante é que, de repente, eles param de telefonar. Hipótese da atendente do hospital: os pacientes melhoraram. Certeza da Joaninha: eles morreram.

As justificativas para tamanho descaso se referem à escassez de recursos. De fato, o Brasil é um país pobre e endividado. Mas a verdadeira explicação não está na falta de recursos, mas sim na falta de prioridade -como bem diz a Joaninha.

Recursos existem. O governo não pára de encampar "micos" de bancos públicos e privados, gastando para isso dezenas de bilhões de reais. Por quê? Porque a saúde do mercado financeiro é mais importante do que a saúde dos brasileiros. É ou não é uma questão de prioridade?

Mas 1998 está aí. É ano de eleição. Não faltarão candidatos denunciando as mazelas da saúde, prometendo o possível e o impossível para eleitores esperançosos. A saúde é um grande filão eleitoral.

Seria de utilidade adaptarmos no Brasil a prática da Nova Zelândia. Naquele país, o candidato que promete resolver um problema tem de dizer como o fará, pois, do contrário, o seu adversário ganha o mesmo tempo de televisão (pago pelo primeiro) para denunciar a sua demagogia. Esse expediente tem contribuído para reduzir a enganação e melhorar a seriedade das promessas eleitorais.

Mas, enquanto isso não chega, só resta aos brasileiros continuar pagando a CPMF e praticando o salutar esporte de catar barbeiros... e viva o Brasil!

-----------------------


5. A Folha – www.folha.com.br – 20/07/1997

PLANTÃO JULIO ABRANCZYK

Doença de Chagas é abordada em livro A editora Fiocruz, da Fundação Oswaldo Cruz, acaba de lançar "Clínica e Terapêutica da doença de Chagas", onde expressivos médicos e pesquisadores nacionais trazem importante contribuição para a atualização no diagnóstico e tratamento da enfermidade.

-----------------------


6. A Folha – www.folha.com.br – 27/02/2000

PARASITOLOGIA



Por trás do nome científico Trypanosoma cruzi podem se esconder, na verdade, duas espécies diferentes do parasita que causa a Doença de Chagas. As duas espécies afetam o ser humano de forma distinta. Uma delas (linhagem 1) é considerada mais virulenta. A hipótese, defendida por dois pesquisadores de São Paulo, Bianca Zingales da USP e Marcelo Briones da Unifesp, foi apresentada semana passada em reunião científica na London School of Hygiene and Tropical Medicine, no Reino Unido.
-----------------------
7. A Folha – www.folha.com.br – 19/03/2000

DOENÇA DO BARBEIRO FOI DESCOBERTA POR ACASO

da Folha Ribeirão

A doença foi descoberta por acaso. O médico brasileiro Carlos Justiniano das Chagas constatou as características do mal enquanto combatia a malária em 1909.

Ele estava em campanha contra a malária no norte de Minas Gerais, atuando junto aos trabalhadores que construíam a estrada de ferro Central do Brasil.

Comprovando a descoberta do médico, chegou-se ao causador do mal, o protozoário parasita Trypanossoma cruzi, que é transmitido pelo inseto popularmente conhecido como barbeiro.

O inseto é chamado assim porque age normalmente durante à noite, quando as pessoas dormem e acabam picadas no rosto.

O Trypanossoma cruzi atua diretamente na corrente sanguínea e infiltrado nas células do ser humano, principalmente nas fibras musculares cardíacas e do aparelho digestivo.

Outra forma muito comum de transmissão é por meio da transfusão de sangue que esteja contaminado.

Gestantes infectadas contaminam os filhos por meio da placenta. Alimentos contaminados também propagam a doença.

O cuidado também deve ser redobrado com os animais domésticos. Cachorros e gatos são considerados pela Sucen como verdadeiros reservatórios dos parasitas.



Por mais que os bichos tenham acompanhamento veterinário, o contato deve ser evitado.
-----------------------
8. Science Daily – www.sciencedaily.com – 24/07/2001

BANNING ANIMALS FROM THE BEDROOM COULD REDUCE CHAGAS DISEASE RISK, SAY RESEARCHERS

Keeping chickens and especially dogs out of bedrooms could help reduce the risk of deadly Chagas disease infection in rural areas of Central and South America, according to a new report in the 27 July issue of the international journal, Science.

The study is the first mathematical model of Chagas disease infection to use data from individual households on a community-wide basis, says lead author Joel E. Cohen of Rockefeller University and Columbia University.

Chagas disease, or American trypanosomiasis, is a chronic, frequently fatal infection caused by the parasite Trypanosoma cruzi, an American cousin to the African sleeping sickness parasite. T. cruzi is transmitted through the feces of blood-feeding bugs called triatomines, commonly known as "kissing" bugs, "cone-nosed" bugs, vinchuca, or barbeiro.

According to the World Health Organization, 16-18 million people from Mexico to Argentina are affected by Chagas disease, and another 100 million, or 25 percent of the region's population, are at risk of infection. Infection is lifelong, and can result in fatal heart disease.

Despite national-level insecticide spraying programs and blood screening in Latin America, Chagas disease remains a " serious obstacle to health and economic development," especially for the rural poor, say study authors Cohen and Ricardo E. Gürtler of Universidad de Buenos Aires.

To better understand how the T. cruzi parasite is transmitted in rural areas, Cohen and Gürtler created a mathematical model based on household data from three rural villages in northwest Argentina. The model looks at seasonal fluctuations in household bug and parasite populations, and their relationship to the numbers of humans, chickens, and dogs living within a household.

Data collected by the field research team show that humans, chickens, and dogs in the study villages all sleep indoors during the spring, with the chickens kept inside to prevent theft or predation. Since chickens provide most of the blood meals for the bugs, the indoor bug population begins to grow in the spring, and reaches its peak in the summer.

Although chickens can't become infected with T. cruzi, they provide a significant food source for the bugs. Thus, they can contribute to the overall population of the parasite by increasing the number of bugs available to feed on infected household members such as dogs and humans.

After chickens, the blood-feeding bugs prefer to take their meals from dogs - selecting them roughly twice as often as humans - and infected dogs are much more infectious to the bugs than infected humans. With this in mind, the mathematical model predicts that having two infected domestic dogs in an average household of five humans is probably "the worst thing householders can do" in terms of increasing the T. cruzi population, say the authors.

The study notes that removing infected dogs from a household is enough to nearly wipe out the transmission of the parasite, barring the reintroduction of any infected dogs, children, or bugs.

The Science researchers suggest that their findings can be used in conjunction with insecticide programs and appropriate construction materials - which decrease the number of domestic bugs - to slow down the Chagas infection rate. "National-level spraying programs in Latin America deserve lots of credit, but budgets in these countries aren't always sufficient to keep up the spraying. It might take ten years to get around to spraying all the rural villages, but it only takes three to five years for bugs to fully recolonize these homes," says Cohen.

Cohen hopes that governments, anthropologists, and health educators can help spread the message that keeping domestic animals out of indoor sleeping areas can reduce the prevalence of the Chagas parasite in bugs and the risk of infection in humans.

The Science researchers also suggest that their community-wide, household model could be used to evaluate how the spread of other diseases, such as malaria or leishmaniasis, may be affected by close contact with domesticated animals.

This research was supported in part by the Rockefeller Foundation, NSF, Universidad de Buenos Aires, the Fulbright and Thalmann programs, and CONICET of Argentina.



This story has been adapted from a news release issued by American Association For The Advancement Of Science. (http://www.sciencedaily.com/releases/2001/07/010724082649.htm)
-----------------------
9. A Folha – www.folha.com.br – 05/06/2002

MEDICINA


Causador do mal de Chagas produz substância que pode combater doença

SALIVA DE INSETO ELIMINA MICRÓBIOS

Reinaldo José Lopes FREE-LANCE PARA A FOLHA

O barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas, é um velho conhecido da medicina, mas isso não quer dizer que o bichinho ainda não possa surpreender. Uma pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) descobriu que a saliva do animal é capaz de eliminar o próprio perigo que ele carrega: o protozoário Trypanosoma cruzi, o verdadeiro causador da moléstia.

O potencial dessa estranha saliva não pára por aí: ela parece ser efetiva também contra bactérias e outros microrganismos, graças a um pacote de proteínas cuja função original é impedir a coagulação do sangue humano, do qual o barbeiro se alimenta, bem como barrar a ação do sistema imune.

A descoberta pode levar, a longo prazo, à criação de medicamentos mais eficientes contra o mal de Chagas e a chamada doença do sono, também causada por uma espécie de tripanossomo.

"Ninguém ia pensar em procurar uma molécula que mate o protozoário", disse à Folha o pesquisador Rogério Amimo, que concluiu recentemente sua tese de doutorado na Unifesp relatando a descoberta sobre o barbeiro. "Nós queríamos descobrir como o barbeiro consegue picar as pessoas de forma indolor e sem deixar o sangue coagular", afirmou.

Extraindo o líquido das três glândulas salivares do animal em laboratório, Amimo e seu orientador Sérgio Schenkman encontraram dezenas de substâncias que ajudam o barbeiro na picada.

Uma delas, batizada de trialisina pelos pesquisadores, está especialmente desenhada para abrir poros na membrana celular de bactérias e protozoários, dando um fim aos micróbios. "No tubo de ensaio, a destruição é de 100%", afirma Amimo.

O desempenho da trialisina em animais infestados com o tripanossoma foi mais modesto (ela destruiu 20% dos micróbios), mas entender como ela funciona pode ajudar no combate à doença, diz o pesquisador da Unifesp.

Segundo o cientista, o protozoário que o barbeiro carrega consegue escapar da ação destrutiva da substância por sorte. Cerca de 50% dos barbeiros ingerem a própria saliva em quantidades que matam o parasita, enquanto outros o fazem em menor quantidade. Dessa forma, o T. cruzi se multiplica no intestino do inseto e sai com as fezes.

De acordo com Amimo, os próximos passos da pesquisa serão compreender melhor o coquetel de proteínas na saliva do barbeiro e descobrir como e quando a criatura evoluiu para se alimentar do sangue de vertebrados.
-----------------------
10. A Folha – www.folha.com.br – 22/01/2003

Pesquisa de decifração do DNA da bactéria Chromobacterium violaceum pode produzir novos antibióticos

Genoma nacional rende primeiras patentes

Salvador Nogueira - DA REPORTAGEM LOCAL

O Projeto Genoma Brasileiro chega a uma nova fase -agora não é só uma questão de sequenciar, mas de patentear. A rede montada com recursos do governo federal acaba de pedir a proteção intelectual sobre o uso de 11 sequências do DNA da bactéria Chromobacterium violaceum, o primeiro organismo a ter seu genoma decifrado pelo grupo.

Os 25 laboratórios financiados pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, concluíram o trabalho de sequenciamento (leitura) dos 4,2 milhões de "letras genéticas" que compõem o genoma da bactéria no fim de 2001. O grupo agora está na fase de conclusão do mesmo processo em um segundo microrganismo, o Mycoplasma synoviae.

Sequências genômicas podem ser um grande feito tecnológico, mas não são particularmente interessantes se não vierem acompanhadas de tentativas de usar esse conhecimento na prática. "Não vale a pena sequenciar só por sequenciar", explica Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, coordenadora de bioinformática do projeto. Com o patenteamento, os cientistas vão ao que realmente interessa -às aplicações.

A bactéria já parecia de cara um prato cheio para criações biotecnológicas. Várias das proteínas que ela produz na natureza parecem ter alguma utilidade. Uma delas, a violaceína, é capaz de atacar o Trypanosoma cruzi, parasita causador do mal de Chagas (leia mais sobre a doença no texto abaixo). Também já havia sido indicada a utilidade do metabolismo da bactéria na produção de plásticos biodegradáveis e de um sem-número de antibióticos.

"Para se defender dos ataques na natureza, a bactéria desenvolveu um sistema de defesa muito bonito", diz Vasconcelos. O objetivo é capitalizar um pouco sobre essa "invenções" naturais, modificando-as para atender aos interesses humanos -na forma de medicamentos e outros produtos.

Após realizar a anotação do genoma, os pesquisadores identificaram 11 sequências de DNA responsáveis pela codificação de genes com potencial uso biotecnológico. A partir disso, eles entraram com um pedido de patente junto ao Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), auxiliados pelo CNPq.

"Isso foi há cerca de dez dias", diz Eury Pereira Luna Filho, da procuradoria jurídica do CNPq. "Decidimos pela estratégia de primeiro fazer o pedido de patente no Brasil e depois, usando os tratados vigentes, estender a proteção para outros países."

O patenteamento, em casos como esse, só se aplica a sequências genéticas quando acompanhadas por uma descrição de como serão usadas. Os pesquisadores já têm uma idéia do que podem tentar fazer com alguns dos genes da C. violaceum, mas, como as patentes ainda não foram concedidas, Vasconcelos não quis detalhar as potenciais aplicações.



As sequências obtidas pelos brasileiros já foram depositadas no Genbank (o banco de dados genético de acesso público, nos EUA), e os cientistas pretendem publicar os resultados em uma revista científica internacional de renome. O estudo já foi redigido e submetido, mas os cientistas não revelam para qual publicação.
-----------------------
11. A Folha – www.folha.com.br – 22/01/2003

NOVO MÉTODO DETECTA CAUSADOR DO MAL DE CHAGAS

Tatiana Uemura - DAS REGIONAIS

O diagnóstico do mal de Chagas, doença sem cura e comum na América Latina, ganhou mais rapidez e precisão com um método desenvolvido por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da USP.

A pesquisa começou há dois anos, com verba de R$ 12 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O método usa a corrente elétrica para diagnosticar a doença a partir de pequenas quantidades de anticorpos do parasita causador da doença, o microrganismo Trypanosoma cruzi, presentes no sangue das pessoas infectadas.

Segundo a química Hideko Yamanaka, 49, da Unesp de Araraquara, que coordena o grupo de pesquisa, os métodos mais usados até então eram o teste imunoenzimático Elisa (da sigla em inglês), que diagnostica a doença por meio de radiação luminosa, e a técnica de hemoglutinação, que usa um composto fluorescente. (ERRAMOS” – Diferentemente do publicado ontem na reportagem "Novo método detecta causador do mal de Chagas", o método Elisa diagnostica a doença por meio de variação de cor e não por radiação luminosa. O outro método citado é a hemaglutinação (e não hemoglutinação), que, em vez de composto fluorescente, usa o Trypanosoma cruzi fixado em hemácias.)

O novo teste é feito com amostras do sangue dos pacientes, que são misturados a um antígeno -uma substância do parasita que induz a reação de defesa do organismo. Se a pessoa estiver infectada, os anticorpos contra o T. cruzi reagem com o antígeno, e a reação química é detectada por um eletrodo e transformada num sinal elétrico.

Ao contrário dos demais métodos de diagnóstico, que podem levar até duas horas, o novo processo dura 40 minutos, o que facilita a repetição do exame, se necessária, e o atendimento a um número maior de doentes.

Yamanaka não fala em valores, mas diz que será um método mais barato que o Elisa e mais sensível, porque detecta a doença mesmo com pequenas quantidades de anticorpos no sangue. Outra vantagem é que o novo teste pode ser feito em temperatura ambiente, enquanto os testes convencionais são processados em estufa.

Segundo dados da Fundação Nacional de Saúde, a mortalidade da doença de Chagas é de 4,1 indivíduos para cada grupo de 100 mil habitantes. A doença atinge cerca de 6 milhões de brasileiros, causando problemas cardíacos, como o crescimento do coração.

Em processo de registro de patente, o novo método está começando a ser negociado com indústrias que fornecem kits para análises químicas, diz Yamanaka.
-----------------------
12. A Folha – www.folha.com.br – 29/06/2003

Doenças negligenciadas terão pesquisa

Julio Abramczyk

Não se gastam mais do que 10% do total aplicado em pesquisas, em todo o mundo, para doenças que totalizam 90% de incidência na população mundial. Essas doenças, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), estão nos países em desenvolvimento.

Os peritos da OMS observam que doenças que ocorrem quase que exclusivamente em países pobres não constituem um mercado que ofereça retorno para o investimento aplicado no desenvolvimento de remédios.

Dessa forma, embora sejam bem conhecidos, males tropicais como malária e doença de Chagas foram negligenciados pela indústria de medicamentos. Não é o que acontece no outro lado do mundo, em um mercado ávido por novidades para problemas relacionados à vaidade ou à qualidade de vida, como impotência, obesidade e calvície.

O problema das doenças negligenciadas é a razão principal de uma reunião que acontece no dia 3 de julho, em Genebra, Suíça.

Com o apoio da OMS, seis instituições do setor público de saúde (Fundação Oswaldo Cruz, do Rio, Médicos Sem Fronteiras, Instituto Pasteur, Instituto de Pesquisas Médicas do Kenya, Conselho Indiano de Pesquisas Médicas e o Ministério da Saúde da Malásia), por meio da iniciativa "Medicamentos para Doenças Negligenciadas", irão desenvolver remédios para oferecer à população a preço de custo.

E-mail - julio@uol.com.br
-----------------------

13. A Folha – www.folha.com.br – 03/02/2004

GENÉTICA

Teste de 283 corpos revela infecção similar à atual

MÚMIAS DE 9.000 ANOS CARREGAM DNA DO PARASITA DO MAL DE CHAGAS

Ricardo Bonalume Neto DA REPORTAGEM LOCAL

Seres humanos já estavam sofrendo da doença de Chagas 9.000 anos atrás, segundo testes feitos com múmias do Peru e do Chile. O estudo foi o primeiro de grande escala (283 múmias) com o objetivo de entender o impacto da doença em populações antigas.

Os resultados indicam que a alta percentagem de pessoas infectadas com o parasita da doença -115, ou seja, 40,6%- não variou significativamente ao longo dos anos, nem segundo sexo ou peso da vítima. A alta prevalência da doença no passado é semelhante à de algumas regiões endêmicas da América Latina hoje, que costuma variar de 20% a 60%.

A região do deserto de Atacama, no sul do Peru e norte do Chile, é extremamente árida, causando mumificação natural dos cadáveres. Isso permite a conservação de tecidos moles do corpo, que podem ter seu material genético (DNA) retirado e testado.

Estudos anteriores já haviam mostrado a presença de doença de Chagas em múmias latino-americanas. Um desses estudos foi feito por cientistas da Fiocruz (Fundação Instituto Oswaldo Cruz) e apresentado em 1999 na 51ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) pelo chefe do grupo, Luiz Fernando Ferreira.

O novo estudo foi feito por uma equipe internacional de 11 pesquisadores, liderada por Arthur Aufderheide, da Universidade de Minnesota, em Duluth (EUA). O trabalho sai hoje na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" (www.pnas.org).

A equipe já havia usado antes métodos de biologia molecular para descobrir o material genético do parasita nas múmias. Eles aperfeiçoaram agora a técnica de usar "sondas" de DNA para poder fazer os testes de modo simples e em grande quantidade.

A doença de Chagas é causada por um ser unicelular e se caracteriza por uma infecção inicial e por uma fase crônica, anos depois, na qual o coração pode ser afetado.

O parasita causador da doença, Trypanosoma cruzi, é transmitido por insetos como o barbeiro, que, ao sugar o sangue da vítima, também solta fezes contaminadas com o microrganismo.

Os testes foram feitos em 18 múmias da cultura mais antiga, chamada Chinchorro (de 7050 a.C. a 3000 a.C.), das quais 39% tinham DNA do T. cruzi. Na época mais recente, de 26 múmias do período Inca (1450 d.C. a 1550 d.C.), 50% tinham sinal do parasita.

Das 88 múmias de mulheres, 35 estavam infectadas (39,8%), contra 52 de 123 múmias masculinas (42,3%). A única variação significativa foi em relação a crianças pequenas, pois estavam contaminadas apenas 13 de 47 (27,7%), um percentual semelhante ao que ocorre em populações modernas.



Os cientistas especulam que um dos motivos para a prevalência da doença entre os primeiros povoadores da costa oeste da América do Sul foi o estilo de suas casas, feitas de palha, o tipo de esconderijo considerado ideal para os insetos transmissores.
-----------------------

14. A Folha – www.folha.com.br – 27/02/2004

DIVULGAÇÃO

BRASILEIRA GANHA PRÊMIO CIENTÍFICO DE US$ 100 MIL



A pesquisadora Lucia Mendonça Previato, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi uma das cinco vencedoras deste ano do Prêmio L'Oreal-Unesco para Mulheres na Ciência. Já é a segunda vez que uma brasileira vence a disputa. Previato, premiada por seu sucesso no estudo do parasita da doença de Chagas, receberá US$ 100 mil como prêmio.
-----------------------

15. A Folha – www.folha.com.br – 30/03/2004

BIOMEDICINA

Testes de terapia celular em humanos se multiplicam no Brasil, mas mecanismo de ação ainda é misterioso

CÉLULAS-TRONCO ATACAM DERRAME CEREBRAL

REINALDO JOSÉ LOPES - FREE-LANCE PARA A FOLHA

Pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) estão prontos para testar, em seres humanos, o potencial das células-tronco adultas contra mais uma enfermidade. Desta vez, o alvo é o AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico, uma espécie de derrame causada pela falta de fluxo de sangüíneo em regiões do cérebro.

"Nossos protocolos estão aguardando o parecer da Conep [Comissão Nacional de Ética em Pesquisa]", conta a médica Rosalia Mendez Otero, uma das coordenadoras do estudo. A equipe encerrou com sucesso a fase de testes do procedimento em camundongos.

Se tudo ocorrer conforme o verificado nos roedores, as células-tronco, retiradas da medula óssea do próprio paciente, deverão se diferenciar como neurônios (células nervosas), ajudando a reconstituir a região do cérebro afetada pelo acidente vascular cerebral.

O teste, que ainda não tem previsão de início, integra uma bateria de procedimentos experimentais usando células-tronco contra uma série de doenças no Brasil. O mais recente, coordenado por Júlio César Voltarelli, médico da USP de Ribeirão Preto (interior de São Paulo), tem a intenção de combater o diabetes tipo 1.

Por enquanto, apenas um paciente recebeu as células-tronco nesse estudo, enquanto outro está na fila de espera. "Os níveis de insulina desse primeiro paciente ainda não estão normalizados, mas ele já apresenta melhoras", afirma Voltarelli, cujo grupo já aplicou a terapia com sucesso contra lúpus e esclerose múltipla.

Os resultados mais consolidados e impressionantes dessas células-curinga no país, no entanto, se referem ao tratamento de doenças cardíacas. Radovan Borojevic, também da UFRJ, e Hans Dohmann, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, testaram a terapia celular em 20 pacientes com problemas cardíacos crônicos e quatro com infarto. "Todos melhoraram, e todos os 16 da primeira série já tiveram alta, inclusive aqueles que estavam na fila do transplante", diz Borojevic.

Mal de Chagas

Efeito parecido teve a implantação das células-tronco em pessoas que haviam sofrido os devastadores efeitos cardíacos do mal de Chagas, doença causada pelo parasita de uma só célula Trypanosoma cruzi.

"Todos os pacientes relatam melhora na qualidade de vida, e há melhora também na fração de ejeção [capacidade de bombeamento do coração] de vários pacientes", afirma Antonio Carlos Campos de Carvalho, da UFRJ. Ele coordena a terapia celular dos pacientes chagásicos ao lado de Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) da Bahia.

Apesar desses sucessos, uma reunião organizada pelo Ministério da Saúde na semana passada, da qual participou Carvalho, concluiu que ainda é muito cedo para começar a oferecer a terapia celular como tratamento para doenças cardíacas na rede pública de saúde. É que, apesar do sucesso encorajador na pequena amostragem de pacientes em testes, os pesquisadores ainda não têm certeza do mecanismo exato envolvido na regeneração cardíaca.

"Isso [o sucesso] ajuda a gente a continuar, mas tudo em caráter experimental", diz Carvalho. Até pouco tempo atrás, os cientistas supunham que as células-tronco da medula óssea teriam a capacidade de se diferenciar, ou seja, de assumir a forma e as características bioquímicas das células de diferentes órgãos e tecidos.

Trabalhos recentes feitos nos Estados Unidos e publicados na revista científica "Nature" (www.nature.com), no entanto, sugerem que o que realmente acontece é que elas apenas estimulariam a formação de novos vasos sangüíneos no coração. Eles, por sua vez, é que alimentariam a formação de novas células.

Esses estudos foram feitos em camundongos. Segundo Carvalho, as dúvidas devem acabar sendo resolvidas mesmo em estudos com animais, dada a dificuldade de "marcar" as células transplantadas e seguir seu caminho no organismo. "Não seria possível modificar geneticamente as células humanas para fazer isso, por questões éticas", afirma.

Outro caminho seria transplantar células-tronco de homens para mulheres, já que o cromossomo Y, exclusivo do sexo masculino, mostraria que certa célula cardíaca veio mesmo de um doador. Os testes brasileiros, no entanto, transplantaram células do próprio paciente para evitar riscos de rejeição, o que inviabiliza esse tipo de estratégia por enquanto.



Segundo Borojevic, um dos seus pacientes mostrou tanto a formação de novos vasos quanto a de novas células cardíacas. "É uma pergunta difícil [sobre a origem das novas células do coração]. Não creio que se trate das células-tronco injetadas, mas, possivelmente, de suas descendentes."
-----------------------

16. A Folha – www.folha.com.br – 01/04/2004

Dermasepsina, substância extraída da pele de anfíbio recém-descoberto,consegue matar parasita da doença

Pele de perereca pode combater Chagas

Reinaldo José Lopes

Uma nova e pequenina espécie de perereca, descoberta nas chapadas do Planalto Central, pode se tornar uma arma insuspeita contra o microrganismo causador do mal de Chagas. Na delicada pele do anfíbio, pesquisadores de Brasília encontraram uma substância que mata o parasita Trypanosoma cruzi sem danificar células humanas.

Isso certamente não significa que as pessoas devam sair por aí esfolando a pobre Phyllomedusa oreades, apressa-se a dizer o biólogo Reuber Brandão, 31, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). "O que temos de fazer é estudar a molécula e sintetizá-la", afirma o pesquisador, que descreveu pela primeira vez a perereca no ano passado, num artigo da revista especializada "Journal of Herpetology" (www.ssarherps.org).



"Coisa nova"

Brandão conta que estava participando de estudos de impacto ambiental para a construção de uma hidrelétrica na região quando topou com o bichinho pela primeira vez. "Vi que era mesmo um bicho diferente e pensei: "Isso é coisa nova" ", afirma. Para tirar a prova, o pesquisador percorreu as coleções de anfíbios de museus e acabou definindo, apenas com a análise morfológica, que se tratava mesmo de uma nova espécie do gênero Phyllomedusa.

Um dos principais traços distintivos da nova perereca já aparece no seu nome de espécie: oreades, ou "montanhesa" em grego latinizado. O anfíbio só habita altitudes superiores a 900 m (os chamados campos rupestres do cerrado), prefere riachos de água cristalina (suas parentas vivem geralmente em poças), mede cerca de 3 cm e tem uma glândula na cabeça bem mais desenvolvida que a média.

Ao que tudo indica, o bicho só existe em Goiás e no Distrito Federal, e não é lá muito abundante. "Ainda não dá para avaliar se ela corre riscos, mas pelo menos algumas populações estão em áreas protegidas, como no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros", afirma Brandão.

Os anfíbios, como se sabe há muito, costumam guardar na pele um verdadeiro arsenal de substâncias biologicamente ativas, muitas delas úteis contra micróbios. Isso faz todo o sentido, já que a epiderme desses bichos é quase um segundo pulmão e os ajuda a respirar, estando, portanto, bem mais aberta à influência de agentes daninhos do que a de seres humanos.

Brandão considerou que seria interessante ver que moléculas apareciam na cútis da P. oreades, e por isso uniu forças com Carlos Bloch e seus colegas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília. Analisando as substâncias da pele da perereca, a equipe flagrou uma cuja conformação atômica parecia ideal para atacar protozoários --o grupo de microrganismos à qual pertence o famigerado T. cruzi, o vilão da doença de Chagas.

A tal substância, apelidada de dermasepsina, saiu melhor do que a encomenda. Por razões que a equipe ainda precisa esclarecer, colocá-la em meio a sangue humano infectado pelo T. cruzi se revelou mortal para o parasita, mas inócuo para as células sangüíneas. "Ainda precisamos de muito mais testes, mas já seria possível usar essa substância em bancos de sangue com suspeita de contaminação por Chagas, por exemplo", avalia Brandão.

Biodiversidade a perigo

Para o pesquisador, achados como esse mostram que está na hora de proteger e pesquisar com mais afinco a biodiversidade do cerrado, um ecossistema cuja fauna de anfíbios ainda é pouco conhecida, mas que está sob ameaça constante de degradação ambiental. "Muitas coisas estão sendo perdidas nesse processo", avalia.

Uma coisa é certa: o potencial econômico e científico dos anfíbios anda despertando a cobiça de muita gente. Prova disso é o infame caso da P. bicolor, parenta da perereca descoberta por Brandão, cujas substâncias já foram até patenteadas --fora do Brasil, conta o pesquisador.

Moléculas da pele do bicho, usada tradicionalmente por povos da Amazônia como estimulante do sistema nervoso central, foram patenteadas pela Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, e pelo laboratório Zymogenetics. Por isso, é importante entender os recursos da biodiversidade brasileira antes que eles deixem de pertencer ao país, diz Brandão.


-----------------------
17. Página 20 on line – www.pagina20.com.br – 30/07/2004

Cotidiano
COMBATE À DOENÇA DE CHAGAS TERÁ R$ 1,31 MILHÃO

Coleta de sangue para detectar nível de infecção da doença em crianças fica pronta no fim do ano. Trabalho permitirá avaliar o impacto produzido pelo Programa de Controle
O Dipetalogaster maximus é uma das espécies de barbeiro, inseto responsável pela transmissão da doença de Chagas
A doença de Chagas ainda desperta a atenção das autoridades sanitárias brasileiras, embora tenha havido uma importante redução na transmissão em todo o País. Erradicá-la é uma tarefa impossível, pois a doença é transmitida pelo barbeiro, inseto necessário para o equilíbrio ecológico nas matas. No entanto, algumas medidas são importantes para garantir o seu controle. Uma delas é a eliminação do Triatoma infestans, principal espécie transmissora da doença e a única possível de ser exterminada. O Ministério da Saúde trabalha para combater os últimos focos da espécie no Brasil. Para isso, vai destinar R$ 1,31 milhão, até o final do ano, a cerca de 30 municípios baianos.

“Com os recursos repassados, o ministério espera consolidar o atual nível de controle já obtido, assim como eliminar o T. infestans da região nos próximos dois anos”, ressalta o coordenador do Programa Nacional de Combate a Doença de Chagas, Márcio Vinhaes. É que, após 20 anos de ações regulares de combate e controle da doença, a área de dispersão da espécie está reduzida hoje a pequenos focos, a maior parte na Bahia.

O dinheiro destinado aos municípios baianos será usado em ações de controle químico, como borrifações domiciliares para reduzir a presença do vetor dentro das casas. O coordenador explica que o T. infestans pode ser eliminado do território brasileiro por se tratar de uma espécie introduzida no País. Originária da Bolívia, chegou ao Brasil pela região Sul e se adaptou bem à vegetação. “Os Triatoma Infestans foram os mais importantes transmissores da doença de Chagas no País devido à sua preferência por sangue humano e ao seu elevado índice de infecção natural”, afirma Vinhaes. “Cerca de 80% dos casos de Chagas detectados no Brasil foram transmitidos por esse tipo de barbeiro”, acrescenta.

Nos anos 80, os barbeiros da espécie Triatoma Infestans eram encontrados em mais de 720 municípios brasileiros. Em 2003, esse número caiu para apenas 29. Os pequenos e últimos focos dessa espécie são encontrados, principalmente, no Rio Grande do Sul e na Bahia. O Rio Grande do Sul está em uma fase mais avançada em relação ao controle da doença de Chagas, pois o barbeiro, quando presente, se encontra em pequena quantidade e com infecção natural para o agente causador da doença – o Trypanosoma cruzi – perto de zero “Queremos, até o final do ano, realizar uma avaliação nacional para confirmar se a região encontra-se livre da transmissão da doença por esse vetor”, esclarece Márcio Vinhaes.



Inseticida – Desde 1980, o Ministério da Saúde, em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, promove ações regulares e sistematizadas em todas as áreas de risco de transmissão da doença de Chagas (Nordeste, semi-árido brasileiro, cerrado e Rio Grande do Sul). Nessas áreas, uma das principais ações de prevenção é o uso de inseticidas em borrifações domiciliares. Quando possível, são realizadas também melhorias nas casas da zona rural, trabalhos de educação em saúde e campanhas de esclarecimento para a população sobre a doença.

O Ministério promove ainda inquéritos entomológicos. Ou seja, trabalha na procura ativa dos insetos transmissores da doença nas casas que fazem parte das áreas de risco. A realização de inquéritos sorológicos – coleta de sangue na população da área de risco para avaliar o impacto da doença e de infecções – é outro trabalho de controle desenvolvido.

A primeira coleta de sangue na população aconteceu de 1975 a 1980 em todo o território nacional. Com a avaliação, pôde-se verificar uma prevalência média da doença de 4,2%, chegando a 8,8% em alguns estados, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais. De 1994 a 1997, foram feitos inquéritos pontuais em determinados estados para monitorar a evolução da doença. A coleta de sangue foi feita na população de 7 a 14 anos. Mais de 232 mil amostras foram coletadas com grau de infecção de apenas 0,14%. “Somente 325 testes foram positivos. Percebeu-se grande redução no número de casos”, observa o coordenador.

Um novo inquérito sorológico está sendo realizado para analisar as ações de controle nos últimos 20 anos e identificar possíveis novas áreas de risco. Já foram coletadas mais de 60 mil amostras na população de 0 a 5 anos incompletos, faixa etária escolhida para avaliar o aparecimento de novos casos. “O trabalho de coleta das amostras deverá ser concluído até o final deste ano ou início do próximo. Até agora, já se observou que o nível de infecção da doença está muito baixo”, comenta Márcio.

O coordenador adianta que, em Minas Gerais, dos mais de 11 mil exames realizados na população, identificaram-se somente 28 crianças soropositivas para a doença de Chagas. Márcio observa que em todos esses casos a mãe era portadora da doença, podendo ter ocorrido a transmissão de mãe para filho. “Isso demonstra que as ações desenvolvidas pelo ministério tiveram grande impacto no controle da doença”, conclui.

População acima de 30 anos é principal vítima da doença

Provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas se manifesta tardiamente nos infectados. Por isso, uma das maiores preocupações do Ministério da Saúde é com a população com mais de 30 anos que contraiu a doença anos antes de iniciado o programa de controle e precisa de tratamento e acompanhamento adequado. Segundo o coordenador do Programa Nacional de Combate à Doença de Chagas, Márcio Vinhaes, a infecção dessas pessoas chega a interferir na economia do País. “Os infectados se aposentam mais cedo e, assim, há uma perda muito grande na produtividade”, destaca.

A doença de Chagas tem duas fases: a aguda e a crônica. A fase aguda diz respeito ao início do seu desenvolvimento e, na maioria das vezes, é assintomática. O máximo de sintomas que pode apresentar é febre alta e mal-estar. “A descoberta da doença nessa fase inicial é extremamente importante, pois os recursos de tratamento hoje disponíveis podem, inclusive, proporcionar cura total da infecção, especialmente se o remédio for dado adequada e precocemente”, destaca o técnico.

Já a fase crônica da doença manifesta-se em um período de dez a 15 anos após a infecção, evoluindo para quadros mais problemáticos. Suas formas mais graves são quando a doença afeta o coração ou o sistema digestivo.

O diagnóstico da doença de Chagas é feito por exames parasitológicos diretos ou indiretos e imunológicos. “O exame permite identificar a presença do parasita causador da doença no sangue ou de anticorpos específicos”, explica o coordenador.

Embora a transmissão da doença não se dê tão facilmente – pois é preciso um contato prolongado e freqüente do homem com o barbeiro infectado –, alguns cuidados podem ajudar a preveni-la. O Ministério da Saúde orienta a população que vive nas áreas de risco a evitar fazer estoque de madeira e comida dentro de casa, pois servem de alimentos para animais pequenos. O problema é que esses animais podem carregar o inseto transmissor da doença de maneira passiva para dentro de casa. É preciso ainda manter a casa sempre limpa, iluminada, arejada e sem frestas onde o barbeiro possa se esconder. Se possível, é bom que as casas estejam distantes de galinheiros.

“Ao encontrar algum inseto dentro de casa, os moradores das áreas de risco da doença devem procurar um agente de saúde para identificá-lo”, recomenda Márcio Vinhaes. “Médicos, enfermeiros, professores e pais de família devem estar atentos aos casos de pessoas com febre prolongada e outros sintomas, especialmente nas regiões consideradas de risco ou após transfusões de sangue”, completa.


-----------------------
18. A Folha – www.folha.com.br – 01/08/2004

Ciência em Dia



Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal